One Last Chance
6 Just Breathe
Notas iniciais
*Elena*
"Querido diário,
Eu sonhei com Damon. De novo. Eu não deveria estar surpresa mais, depois de tantas noites com suas aparições em meus sonhos. Mas a cada vez, eu me surpreendo mais. Não pelo fato de sonhar com ele, mas pelo fato de perceber o quanto ele me faz falta.
Desde a noite que ele deixou Mystic Falls, as coisas estão um pouco confusas pra mim. Que eu estava triste, era sem sombra de dúvidas. Mas o problema é que a sensação de que tem algo faltando na minha vida, na minha rotina, continua. Eu esperava que ela passasse depois de alguns dias. Mas já se fazem quase 6 semanas desde que ele partiu. E não consigo tirá-lo da cabeça.
Eu tentava controlar a quantidade de ligações que eu fazia, mas havia horas que eu simplesmente era teimosa: ligava mesmo sabendo que ele não ia atender. Acho que fiquei com medo de que ele me esquecesse, e precisava lembrá-lo a cada instante de que ainda estou aqui, mesmo que ele não ligue. Ele atendeu uma vez, e meu coração parado quase ganhou vida novamente. Até ele desligar. Não consigo mais sustentar a constante presença de Stefan, checando para ver se estou bem.
Quero dizer, eu aparento bem. Eu consigo sobreviver ao dia normalmente, com uma cara razoável. Então por quê ele insiste em ficar aparecendo?
Ele também sente falta de Damon, sei disso, por mais que ele não fale. Ele está sempre tão focado em problemas com Connor e Klaus que ele passa dias sem me ver. Mas tudo bem. Só fico preocupada, pois sei que ele só faz isso para ninguém tocar no assunto. A única coisa que me intriga é que, eu também não consigo tocar no assunto — então não sei porque ele está me evitando.
Caroline e Bonnie têm sido muito compreensivas, e também Matt. Jeremy toda noite vem me dar boa noite e fica um tempo sentado na minha cama, calado. Ele não tem muito o que falar, mas sua presença me acalma, e acho que ele sabe disso. Mas odeio quando ele me pega tentando ligar para o Damon. É como se eu deixasse todas minhas fraquezas à mostra naquele instante. E tenho que ser forte por ele. Eu sou tudo que ele tem agora."
Assim que terminei de escrever, coloquei o diário no lugar de sempre, atrás do quadro. A noite chegava, assim como o inverno. Eu não estava com vontade de admitir, mas precisava de sangue. Quente, direto da veia. O sangue que eu tomava das bolsas nunca me adiantava muita coisa — grande parte nem descia.
Eu sabia que a qualquer hora que eu precisasse, Matt estava à disposição. Mas depois da última vez, em que eu quase o matei, fiquei com medo de abusar e não conseguir me controlar. Só agora percebo que minha última noite com Damon, na festa da faculdade, não foi um desastre. Foi na verdade, uma conquista. Porque, eu quisesse ou não, eu iria ter que viver daquele jeito. E eu fui tão dura com ele...
Logo tirei esses pensamentos da cabeça e desci para pegar uma bolsa de sangue. Meu estoque na geladeira já estava acabando, e eu logo teria que buscar mais no freezer da Mansão, que também já esgotava já que Stefan não repunha. Abri uma e tomei o máximo que pude, antes de começar a colocar metade pra fora. Quando já estava quase acabando, a campainha tocou. Antes de largar a bolsa de lado, usei minha audição aguçada para perceber se era um vampiro ou um humano, pelas batidas do coração. Como não ouvi nada, fui atender a porta.
— Oi, Stefan.
— Oi, posso entrar? — Ele perguntou, abaixando seus olhos para reparar no estado de minhas roupas.
Me senti um pouco constrangida de estar toda suja de sangue humano e com a bolsa na mão ao vê-lo. Eu sabia que não era fácil pra ele, e eu ficar me esbanjando perto dele não ajudava.
— Me desculpe, já vou limpar isso aqui.
— Não, tudo bem, acho que vou ter que reaprender a conviver com isso.
Andamos para a cozinha, e percebi que, mesmo ele tentando controlar sua reação e seu julgamento, ao ver todo o balcão, o chão, e a pia encharcados de sangue, ele fez uma careta. Comecei a limpar tudo rapidamente antes que ele pudesse me dar outra olhada.
— Não está conseguindo manter tudo dentro, né?
— Não. Não mesmo.
— E Matt?
— Não acho justo com ele. Por mais que ele se sinta culpado por eu ser uma vampira, a culpa não é dele, e eu não vou fazer ele sofrer as consequências disso. — Stefan reagiu como se tivesse me reconhecido depois de muito tempo. — Vem, vamos subir.
Ao falar isso, um celular tocou, e Stefan atendeu.
— Klaus. — Ele disse, sem expressão. Ele fez menção para eu ir subindo, e eu fui.
Eu realmente não estava com paciência para lidar com Klaus. Ele e seus híbridos já estavam dando nos meus nervos. Cheguei no quarto, troquei de camiseta e pulei na cama com força, me afundando em minhas almofadas e pegando meu urso de pelúcia. Tentei ouvir a conversa de Stefan, mas ele era inteligente e não falava diretamente. Bufei com raiva e joguei meu ursinho do outro lado do quarto.
Apesar de não estar cansada, nem com sono, só estava afim de dormir. Um bom tempo. Iria esperar ele voltar pra casa para que eu me afundasse em minhas cobertas e ficasse lá até de manhã. Deitei de lado num movimento brusco, que fez tudo cair de meu criado mudo.
Sem querer me mover, rolei da cama, e já caí sentada no chão, começando a recolher livros e papeis. Juntei tudo em uma pilha, quando algo me chamou atenção. Um envelope branco, escrito "Elena" em uma letra cursada perfeitamente. Eu nunca havia visto aquilo antes nas minhas coisas. Me levantei, e sentei novamente na cama, tirando um papel de carta do envelope, onde se lia:
"Querida Elena,
Sei que quando ler esta carta, estarei longe há tempos. Então aqui vai tudo que eu não te disse enquanto estive perto.
Me desculpe por todos os danos e erros que já te fiz. Queria mesmo poder dizer que não eram minha intenção, mas grande parte eram. O propósito nunca foi te machucar, mas em algum ponto isso aconteceu. Me desculpe por ser egoísta em pensar só em você, sem pensar nos outros a quem você ama. Só quero que você esteja bem, e feliz, e tenha um futuro, mesmo que ele dure pra sempre. Mesmo que não seja comigo.
Não quero soar idiota nem nada, e prometo que vou parar de ser meloso daqui a pouco. Também queria te agradecer por me deixar ser eu mesmo com você. E por não me achar um monstro mesmo depois de tudo que eu fiz e faço. Por reconhecer e saber que eu não sou movido por vingança, ou raiva, ou qualquer coisa do tipo, mas que também tenho o bem em mim, mesmo que eu não mostre. Como eu disse, não quero viver às expectativas de ninguém, e também não queria elevar as suas.
Vou ser sincero e dizer que acho que você fez a escolha certa. Por mais que isso me machuque, Stefan é melhor pra você de um jeito que eu jamais vou ser. Quis te ter do jeito certo, sem me aproveitar de qualquer situação que você estivesse, mas a verdade é que Stefan nunca vai sair da sua cabeça, e você sabe disso.
Obrigada por me aceitar — mesmo com brigas, discussões e agressões — do jeito que eu sou. Meu tempo em Mystic Falls acabou, e eu só queria te deixar saber que ele teria sido um fiasco sem você. Mas eu não tenho mais motivos para ficar aí. Você tem a Stefan, e ele tem a você, vocês vão ficar bem.
Também quero dizer que em qualquer lugar do mundo que eu esteja, sempre estarei pensando em você. Não importa as circunstâncias, a distância, ou suas escolhas: eu te amo e serei sempre seu.
Damon"
Respirei fundo, mas senti lágrimas brotarem em meus olhos e a vontade incontrolável de sair para procurá-lo, onde quer que ele estivesse. Sempre tive medo de me igualar à Katherine, mas a verdade é que sou pior que ela. Ela iludia os dois, e eu sempre escolhi somente um. Ela fazia o que fazia, mas nunca deixou nenhum sofrer. E eu sempre fazia. O tempo todo. E continuo fazendo.
A cada vez que estou com Stefan, estou pensando em Damon. E a cada vez que eu estava com Damon, pensava em como estava sendo injusta com Stefan. A verdade é que eu nunca vou estar pronta para abrir mão de nenhum dos dois — e isso me torna bem pior e mais egoísta que Katherine.
Ouvi Stefan subindo as escadas, e logo tratei de guardar a carta e limpar minha lágrimas. Pensava comigo mesma "respire", tentando me controlar a cada segundo. Assim que ele entrou no quarto, eu já estava novamente deitada, e com um livro qualquer na mão, fingindo que estava lendo.
— Oi. O que Klaus queria com você?
— O que Klaus sempre quer? Encher o saco. — dei uma risada fraca e ele se sentou na cama ao meu lado.
— O que está lendo ai?
— Só folheando, um livro qualquer. — falei enquanto tacava o livro na poltrona do outro lado do quarto.
Stefan me fitava, e não parou até que eu olhei de volta.
— Senti sua falta nessa últimas semanas. Tudo está tão corrido.
— Também senti. — Ele me puxou para que eu me aconchegasse em seu ombro. – Nem tive tempo de perguntar como você está — Fiquei calada, esperando que ele continuasse — Você sabe, sobre a partida de Damon.
Respirei fundo e decidi dar minha melhor encenação, para que ele não ficasse mal por mim — ou por ele mesmo.
— Bem, estou triste, claro. Mas se ele achou que era melhor assim... — lembrei de sua carta e senti vontade de chorar de novo, mas logo me controlei — Quero dizer, vou sentir falta dele, mas ele sabe o que faz.
Stefan ficou calado por um momento, refletindo.
— Estou aliviado que se sinta assim.
— É? Por quê? — Perguntei fingindo desinteresse.
— Achei que ia ficar acabada. Ele te apoiava sempre que você precisava, e esteve lá por você quando eu não estava. Quero dizer, ele era meio que um de seus melhores amigos.
— Ele é. Mas não vou prendê-lo por causa disso.
Stefan ficou calado e não conversamos mais sobre isso. E me senti aliviada e agradecida à ele por não tocar mais no assunto, porque não conseguia falar muito disso. Levantei-me e coloquei um short de pijama, deitando-me de novo e entrando debaixo das cobertas. Ele não saiu de lá, mas eu também não me importei. Ele se deitou também, passando seus braços ao meu redor e começando a fazer carinho nos meus cabelos até eu adormecer. Mas me senti horrível por querer que fossem outros braços me abraçando aquela noite.
A verdade era essa: Eu amava Damon. Só que só me permiti ceder a isso tarde demais.
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