One Last Chance

7 Birds Of A Feather


Notas iniciais
"A minha consciência tem milhares de vozes, e cada voz traz-me milhares de histórias, e de cada história sou o vilão condenado." William Shakeaspeare

*Damon*

Acordei com a luz do sol no meu rosto, que entrava por uma fresta na cortina. Estava com preguiça até para espreguiçar, e me sentindo com uma ressaca do caralho. O que aconteceu ontem mesmo?

Me virei de lado para alcançar meu celular na escrivaninha e dei de cara com uns cabelos castanhos longos e emaranhados. Tive menos de meio segundo de expectativa e um meio sorriso no rosto, e depois me lembrei quem era.

— Katherine. — Falei, sem expressão. Ela ainda estava dormindo.

Rolei na cama até parar em pé no chão. O quarto girou por um minuto e eu quase tombei para o lado. Olhei a hora no celular e percebi que já era quase uma da tarde. Entrei no banheiro e comecei a tirar as roupas — as mesmas de ontem. Liguei o chuveiro no quente e entrei debaixo da água, deixando todos meus músculos relaxarem.

Havia deixado a toalha dependurada no box, e quando terminei o banho e a puxei, Katherine estava lá. Ela fez aquela sua cara sarcástica e me olhou de cima em baixo. Revirei os olhos.

— O que você quer, Katherine? — Perguntei enquanto me enxugava e esfregava a toalha em meu cabelo.

— Bom, pra começar... — ela tirou lentamente o vestido que ela havia usado ontem, e começou a entrar no box.

— Não começa, por favor. — supliquei — Ainda está de manhã.

— Não está não. Já está de tarde.

— Mas eu acabei de acordar. Para mim ainda está de manhã.

Ela deu um sorriso cínico e foi se aproximando. Depois me empurrou contra a parede com força, e então começou a fazer desenhos em meu peito com a ponta de seus dedos. E por final, ligou o chuveiro novamente.

— O que foi? Com medo de que não vai aguentar? — ela disse baixinho no pé da minha orelha.

Ela chegou seu rosto mais perto do meu, e mordeu meu lábio lenta e sedutoramente. Nem sei porque não a impedi, talvez não me dispusesse de energia o suficiente para fazê-lo. Mas quando percebi, nós estávamos nos beijando. Agarrei suas pernas e as prendi ao redor do meu quadril, dessa vez, fazendo um movimento muito rápido e pressionando-a contra a parede. Ela me puxou com suas pernas para mais perto — se é que era possível. Beijei seu pescoço, seu colo, seus seios. E reconheci seu beijo, mesmo depois de mais de 100 anos.

Mas algo me fez parar. Talvez tenha sido seu risinho de vitória no meio dos beijos, que meio que me irritou. Ou talvez não tenha sido nada. Não sei o que me deu. Sinceramente. Eu simplesmente... não estava interessado. Mesmo depois de todos esses anos a amando, ela na verdade não mexia mais nem um pouco comigo. Soltei-a devagar, colocando-a no chão de volta, e ela provavelmente pensou que isso era um estímulo, pois veio mais para cima de mim.

Segurei-a pelos braços, impendindo-a de chegar mais perto, e ela fez uma cara e confusão, depois de raiva.

— Que é?! — ela perguntou irritada.

— Hm... — Fiz um biquinho, controlando meu riso — Desculpe, mas você não é mais tão apelativa para mim quanto costumava ser. — Falei na cara dura, pegando minha toalha, amarrando-a na minha cintura e saindo do banheiro.

Ela nem se importou com se enxugar ou colocar as roupas de volta, e me seguiu até o quarto, com um tom de indignação.

—Sério, Damon? Depois de tudo que nós passamos você vai fazer isso agora?

— É, a última vez que eu chequei, eu já fiz.

— Ah, pelo amor de Deus, Damon! Virou moralista agora, é?

— Talvez, um pouco. — Falei levantando os ombros e não dando muito importância ao que ela falava, respondendo sem nem mesmo olhar para ela. — E você é ateia.

— Tudo isso é por causa daquela sem graça da Elena? — fiquei sério.

— Não, isso não tem nada a ver com a Elena. Tem a ver com eu não querer mais nada com você, Katherine. — Fui andando em direção às minhas malas e escolhendo uma calça jeans e uma blusa de manga comprida de malha preta. — Vou ter que desenhar ou o quê?

— Que estraga-prazeres você virou, Damon.

— Obrigado.

Ela seguiu de volta para o banheiro, voltando para tomar um banho. Deitei de volta na cama king size, colocando minhas mãos em minha cabeça, e ligando a tv. Na tela, uma menina corria, em meio à um monte de pessoas de capuz vermelho, em direção à um cara meio pelado no sol. Ele brilhava como um tubo de purpurina.

— Sério, Katherine? Comprou "Lua Nova" no pay-per-view?

— É romântico! — Ela gritou do chuveiro.

— É bizarro.

Desliguei a tv e levantei da cama. Coloquei a cabeça para dentro do banheiro e fiz um "psiu!". Quando Katherine olhou, com uma cara de indagação, falei:

— Estou indo procurar alguma camareira por aí e já volto. Quer que eu traga alguma para você?

— Sim, bem suculenta.

— Entendido. — falei enquanto saía para minha "caça matinal".