One Last Chance
9 I Must Confess
Notas iniciais
*Elena*
Apesar de não ter me sentido animada quando Caroline me convenceu de vir à fogueira, agora minha ideia sobre a festa estava diferente. Não sei falar se essa mudança aconteceu depois ou antes de eu ter tomado os quatro copos de — um ótimo — sex on the beach e outros três de bloody mary, mas eu me sentia bem mais à vontade de ter vindo. A música estava boa, todo mundo parecia bonito e animado.
Stefan me olhava com uma cara de repreensão enquanto eu subia num tronco com uma garrafa numa mão e a outra levantada, dançando.
— Elena, desça daí, você vai machucar.
— Ai, Stefan, larga de ser careta, sobe aqui também, vai! — eu respondi puxando ele para dançar também. Não era como se eu estivesse fazendo algo estranho — a maioria das pessoas estavam assim.
— De jeito nenhum. — ele ficou no chão em pé, segurando minha mão, apoiando para que eu não tombasse.
— Mmmmm, o que os pombinhos estavam fazendo? — exclamei quando vi Jeremy e Bonnie se aproximando de mãos dadas.
— Nada, Elena. O que você bebeu, menina? — perguntou Bonnie, subindo no tronco e dançando comigo.
Vi de canto de olho, Jeremy e Stefan cochichando, mas ignorei. Stefan soltou minha mão e falou um "já volto" sem nem me olhar ou esperar para que eu falasse alguma coisa. Assim que ele saiu do posto de meu apoio, senti que ia cair e me apoiei no ombro de Jeremy. Pressenti que algo estava errado.
— O que aconteceu? — parei de dançar e o encarei.
— Nada, ele só tem que ir resolver uma coisa.
— Que coisa? — perguntei desconfiada.
— Nada. Olha... a gente conversa sobre isso quando você estiver melhor, ok? Vamos todos para a casa de Caroline agora, ela está nos esperando.
— Eu estou ótima! — ele me olhou de cima embaixo, e eu acompanhei seu olhar. Minha roupa estava toda amarrotada, meu sapato todo sujo, e quando peguei no meu cabelo, senti que ele deveria estar todo despenteado. E tenho que admitir que as coisas estava girando um pouquinho. Ok, muito. — Mas Caroline não iria abandonar a fogueira que ela demorou um tempão para planejar!
— Tiffany está cuidando das coisas, entregamos tudo à ela. Ela gosta de ser meio mandona mesmo. Vamos, Elena! — fiz uma cara de desespero: onde eu havia colocado a chave do carro? — Relaxa, já peguei a chave — Jeremy respondeu como se tivesse lido meus pensamentos.
O que faria Caroline desistir de tudo agora? Eu sabia que algo tinha acontecido, mas por que ninguém me contava? Eu podia estar um pouco alterada, mas isso não era motivo para me manter longe das conversas.
Quando desci do tronco, vi as coisas piorarem. A fogueira girou e eu quase fui parar no chão, mas Jeremy colocou meu braço ao redor de seu ombro e foi meio que me carregando até o carro. Bonnie levava minha bolsa e ria um pouco da minha situação. Pelo menos, ela não me repreendia.
Entramos no carro, e acho que eu apaguei durante o trajeto, pois quando vi já estávamos na porta da casa de Caroline. Acho que meu irmão percebeu que eu estava meio sonolenta, pois ele me carregou até a entrada, e depois que alguém — que eu não vi quem — abriu a porta, ele me deitou atravessada numa poltrona.
— Para alguém que nem queria ir na festa, parece que você aproveitou né. — Caroline falou com uma voz fraca. Abri meus olhos e me vi no quarto dela. Ela estava deitada em sua cama e parecia muito pálida. Logo me despertei de vez.
— O que aconteceu com você, Car? — perguntei preocupada, já me sentando direita na poltrona.
— Veneno de lobisomem. Connor me pegou por trás e injetou no meu pescoço. — ela mostrou o lugar onde a agulha havia penetrado. Estava bem roxo e com algumas feridas ao redor.
— Ai! Sinto muito, amiga.
— É. Stefan foi falar com Klaus, para ele vir aqui me dar um pouco de sangue.
— Bonnie e eu vamos esperar na sala até ele chegar — Jeremy disse, agarrando a mão dela e a levando para fora do quarto. Eu e Caroline nos olhamos levantando as sobrancelhas e rindo.
A última coisa de que me lembro foi Caroline falando algo de como Tiffany era irresponsável e não daria conta de nada, e depois, apaguei.
*Caroline*
Elena me deixou falando sozinha. Ela até tentou me responder e continuar a conversa, mas suas frases saíam desarticuladas e ela não conseguia colocar as palavras para fora direito. E, depois de alguns minutos, ela simplesmente apagou.
Ouvi a porta da frente se abrir e uma voz com um sotaque familiar falar:
— Oh, desculpe interrompê-los — num tom de zombaria — mas onde está a querida Caroline?
Alguns segundos depois, Klaus estava parado na porta do meu quarto, sorrindo.
— E então, meu amor, como você está? — ele disse se aproximando e sentando na borda de minha cama.
— Terrivelmente mal — estava muito cansada para ser grossa com ele. Só queria acabar com tudo isso logo, pois eu não parava de tossir e suar.
— Percebo. — ele mordeu seu pulso e esticou o braço para mim. Mordi-o e seu sangue foi como um milagre em meu organismo. Na mesma hora, comecei a me sentir normal de novo. Minha cabeça parecia funcionar claramente agora, e minha visão não estava mais tão embassada.
— Obrigada.
— Que isso, não precisa agradecer, querida. — me aconcheguei novamente na cama, e ele observava meu quarto, e depois parou os olhos em Elena. — Parece que sua amiga estava bem festeira hoje.
— É, parece.
— Parece que a partida de Damon não fez muito bem à ela, vejo.
É verdade. Apesar de Elena estar toda desarrumada por causa da bebedeira, seus olhos estavam fundos apresentando cansaço, seus cabelos perderam um pouco o brilho e seu corpo parecia bem mais magro que antes.
— Nós vamos ajudá-la. — respondi olhando para ela ainda, mais para mim do que para Klaus.
— Sei disso. — disse ele, se levantando e me dando um beijo na testa, me deixando paralizada com sua proximidade. — Boa noite, meu amor.
Ele deixou o quarto, e fechou a porta, e o barulho acordou Elena.
— An? Quem estava ai? — ela perguntou desorientada.
— Klaus. — eu respondi, ainda meio entorpecida com sua presença.
— Ah. Está se sentindo melhor?
— Estou, e você?
— Não, ainda não. — ela riu — A gente podia fazer uma noite de garotas hoje, que tal?
— Claro, Bonnie já está aqui mesmo, e você também.
Elena estava bem tonta ainda, e falando algumas coisas sem sentido e embaralhadas. Fomos até a cozinha e fizemos uma bacia de pipoca. Eu liguei para Tyler para ele vir aqui ficar um pouco e depois fomos para sala, onde estavam Jeremy e Bonnie aos beijos.
— Podem continuar, a gente só vai assistir um filme. — ri, enquanto Elena desmoronava no sofá depois de tropeçar no pé da mesa.
Tyler chegou vinte minutos depois, trazendo algumas cervejas e alguns pacotes de chips. Elena, por mais que sua situação já estivesse crítica, pegou uma garrafa, mesmo depois das intervenções de todos falando para ela não beber mais.
Colocamos um dvd de terror, e depois "Diário de Uma Paixão", em que os garotos dormiram, e nós meninas choramos o filme todo. Na parte em que Allie — a mocinha — começa a ler as cartas deixadas por Noah, olhei para Bonnie, que chorava sem precedentes e limpava as lágrimas no cobertor. E depois, Elena, que chorava alto em tom de bêbada e segurava em suas mãos um pequeno objeto prata que estava dependurado em seu pescoço. Ela soluçava e tremia, e depois me pegou olhando para sua mão.
— O que é isso que você está segurando? — eu perguntei com a voz tremida.
— Ah, é só um colar idiota — ela disse, enxugando as lágrimas em sua blusa, mas não conseguindo parar de soluçar.
— Quem te deu isso?
— Ah, foi só... — ela tornou a chorar "bêbadamente" de novo — foi Damon.
— Por que não nos contou? — Bonnie entrou na conversa também, já parando de chorar, mas com a voz fraca.
— Só descobri hoje. Ele deixou no meu quarto na noite em que foi embora.
Peguei o objeto de sua mão e comecei a analizá-lo. Era incrivelmente bonito, e havia algo escrito em francês. Comecei a imaginar se Stefan saberia disso. Claro que não, até parece. Se Elena não tinha contado para nós, ela não contaria nunca para ele.
— Ele não sabe disso né? — Bonnie perguntou, deixando claro em seu tom de que "ele" se tratava de Stefan.
— Não, claro que não!
— Você não acha errado esconder? Não sei, parece meio... suspeito.
— O que é suspeito?! — Elena ficou estressada, mas Bonnie manteu a calma.
— Sei lá, o fato de você estar com Stefan e escondendo objetos que Damon te deu debaixo da blusa.
— Não tem nada de suspeito nisso, Bonnie! Posso carregar o que eu quiser comigo.
— Sei disso, Elena. Mas então por que não contou para Stefan? — perguntei, com a voz tentando acalmá-la. O que teve efeito contrário.
Ela ficou irritada e se levantou, derrubando várias almofadas e uma bacia de pipoca na cabeça de Jeremy, que estava deitado num colchão ao lado do sofá. Sua gritaria começou e acordou Tyler também.
— O que vocês querem que eu diga, hein?! "Ei Stefan, seu irmão deixou um presente para mim antes de ir embora e agora eu não consigo tirá-lo de perto de mim!" ou "Ah, Stefan, esqueci de te falar, mas desde que Damon foi embora, não consigo tirá-lo da cabeça e você está meio que me sufocando! E ele me deixou uma carta também, sabia?! Você deveria ler, se sentiria ótimo em saber tudo que ele escreveu para mim!"
Todos encaravam Elena atônitos, pois ninguém esperava que ela explodisse desse jeito.
— Elena, você não está muito bem. Acho melhor você se sentar agora e depois a gente... — Jeremy começou a falar, mas ela o interrompeu na mesma hora.
— Vocês acham que eu estou assim porque eu estou bêbada? Quem me dera! — Ela riu como se não houvesse graça alguma.
— Acalme-se, amiga... Nós não estávamos desconfiando de você nem nada, nem estamos falando que você está assim porque está bêbada. Sabemos que você ama Stefan. — Bonnie terminou de falar, mas, no mesmo segundo, Elena desabou e soltou um choro.
— Quer saber?! Vocês estão certos! Todos vocês! Eu amo Damon, sim. Eu o amo! E eu sei que isso faz de mim uma pessoa horrível, egoísta e que não merece o quão bom o Stefan é! Mas eu me sinto jogada num rio de correnteza e eu até tento me segurar na margem mas não consigo não amá-lo. Estão satisfeitos?! Estão satisfeitos que agora eu admiti para o mundo todo saber? Eu amo Damon Salvatore, o irmão do meu namorado. E daí? Não faz diferença alguma! Porque ele foi embora! E ele não vai voltar nunca mais! — Ela jogou uma outra almofada que estava em suas mãos no chão, pegou sua bolsa e a chave do carro e saiu porta afora sem dizer mais nada, deixando a bomba que ela havia soltado ali no meio da sala.
Tentei segui-la, gritando "Elena, espera!", mas ao chegar no jardim, ela já havia entrado no carro e já estava ligando-o. Estava preocupada porque: 1- ela realmente parecia acabada e 2- ela não estava muito em condições de dirigir, mesmo sendo vampira. Logo, liguei para Stefan avisando que ela havia fugido daqui de casa e parecia bem mal, sem citar o porquê disso. E quando ele perguntou, respondi que ninguém havia entendido, que ela simplesmente havia se estressado e foi embora.
*Elena*
Eles me fizeram admitir. Não que tinham me obrigado, mas a cada segundo que passava eu tinha mais certeza de que ia soltar a bomba. E depois, não consegui mais ficar, estava esgotada e tinha que sair de lá.
Era por volta de duas da manhã. Eu entrei no carro, liguei uma música de bem alta, tentando afastar todos meus pensamentos. Mas eu já estava decidida. Sabia exatamente o que fazer, e a quem pedir ajuda. Dirigi diretamente para o Grill, e entrei lá mesmo sabendo que estaria quase vazio.
As poucas pessoas que estavam lá, me encaravam quando eu passava, e então eu percebi que minha cara deveria estar horrível, e minha situação ao andar e mexer deveriam passar a imagem de que eu não só estava bêbada, como estava doida. E então, vi, à distância, a pessoa com quem eu precisava falar naquele momento.
Matt estava retirando algumas cadeiras e colocando-as de cabeça para baixo em cima da mesa, já limpando tudo por ser o fim do expediente. Quando ele me viu, ele largou o que ele estava fazendo e veio em minha direção, sobressaltado.
— Elena, o que aconteceu? — ele perguntou enquanto puxava uma cadeira do bar e me sentava.
— Não, nada aconteceu, Matt.
— Então por que... — eu o interrompi.
— Preciso de sua ajuda. Eu preciso fazer algo, e só confio em você para me ajudar agora.
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