One Last Chance

27 Are You Jealous?


Notas iniciais
"Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce. " William Shakespeare

*Elena*

Acordei com o sol batendo no meu rosto e espremi meus olhos, irritada com a luz. Me levantei um pouco do peito de Damon para vê-lo, e quando o fiz, percebi que ele já me olhava.

— Bom dia, Bela Adormecida. — Ele murmurou.

— Quantas horas? — Perguntei, desorientada.

— Onze e meia.

— Então quer dizer que não perdemos a hora do almoço ainda? — Sussurrei, sorrindo maliciosa.

— Não. Pensei em te acordar, mas é bom ficar te vendo dormir.

— Idiota. Podemos descer, então? — Me sentei na cama, ainda no processo de acordar.

— Desse jeito? — Ele me olhou de cima em baixo, seus olhos se demorando em cada parte do meu corpo de um jeito que me fez corar. Eu usava apenas sua camisa preta, e ela estava aberta. — Quero dizer, tenho certeza que todos iriam adorar a visão, mas acho melhor você colocar roupas.

— Então meu namorado é ciumento? Essa é nova. — Comentei, me levantando da cama e indo direção à mala. Como ele havia ficado em silêncio, olhei de volta para ele. Seus olhos brilhavam de um jeito diferente, e um pequeno sorriso estava em seus lábios. Eu só não estava entendendo o porquê. — Que foi?

— Então sou seu namorado? — Tenho que admitir que essa havia me pegado de surpresa. Eu havia falado sem nem ter consciência do quê. Aquele termo parecia tão pouco para demonstrar o que ele significava para mim, mas pareceu adequado e confortável de se falar.

— Por quê? Você não quer? — Brinquei.

Num segundo ele parou na minha frente, com as minhas mãos em minhas cintura, me puxando para ele num beijo calmo mas intenso. Depois nos afastamos e ele olhou bem nos meus olhos.

— Nada me faria mais feliz, Srta. Gilbert.

— Que bom. — Ri. — Porque é tudo o que eu tenho para oferecer. — Falei, tentando implicar com ele.

— É o suficiente por enquanto. — Ele sorriu e saiu de perto de mim, indo para o banheiro.

Sorri por um instante e comecei a pensar se o que ele tinha falado era para ter um duplo sentido. Depois me lembrei de era Damon e bufei, me livrando de qualquer fosse pensamento que eu havia tido, e qualquer outra conotação que aquilo pudesse ter.

Ouvi o chuveiro ligar no banheiro e sorri maliciosa, pensando em entrar junto com Damon. Mas ao invés disso, só caminhei até a porta e fiquei encarando-o, encostada no batente. Ele estava de costas e eu o analisei de cima à baixo, adorando a vista.

— Estou te ouvindo. — Ele murmurou.

— Não estava planejando em ser discreta. — Ele virou-se e riu.

— Entra aqui.

— Não. — Dei uma risada maquiavélica, tendo prazer em ser teimosa. Saí para o quarto e troquei de roupa, colocando uma saia preta e uma blusinha decotada verde. Por mais que eu quisesse ficar aqui e encher o saco de Damon o dia todo, minha sede estava fazendo minha garganta latejar.

Dei uma olhada no espelho e percebi que meu cabelo estava o típico estilo "pós-sexo". Prendi-o num rabo de cavalo e tentei dar um jeito na minha cara de quem dormiu mal com um pouco de maquiagem. Levei um susto quando vi Damon atrás de mim pelo espelho.

— Você fica linda de qualquer jeito.

— Damon! — O empurrei, mas logo depois fiquei tonta.

— Que foi?

— Você me assustou. — Coloquei a mão na testa, controlando minha reação enquanto ele ria de mim.

Ele estava apenas com uma toalha branca enrolada em seu quadril e parecia muito descontraído. A visão teria me tirado o fôlego se não tivesse me irritado.

— Damon, coloque logo uma roupa e vamos descer.

— Estou indo, general. — Ele continuou a rir, mas depois ficou sério quando percebeu meu rosto. — O que foi? Sua sede está doendo?

Me segurei um pouco na cômoda, tonta, e ele logo veio com seus braços em minha direção, pronto para me segurar.

— Está tudo bem, só estou com um pouco de tontura. — Assegurei-o.

— Não vou demorar.

Ele foi até a mala com sua velocidade vampírica e colocou uma calça jeans e uma de suas típicas camisetas pretas em dois segundos, depois veio até mim e colocou as mãos em meu rosto, uma de cada lado, puxando minhas pálpebras inferiores para baixo e olhando meus olhos. Eu me sentia uma garotinha de sete anos sendo diagnosticada no médico.

— Damon? Vamos. — Eu disse, impaciente e apressada.

Saímos do quarto e descemos direto para o restaurante. Estava lotado de pessoas de todos os tipos. Senti uma enorme repulsa de mim mesma quando uma garotinha loira de aproximadamente oito anos passou correndo por mim, e eu senti minha boca salivar ao sentir seu cheiro delicioso entrar por minhas narinas. Cravei minhas unhas no braço de Damon naquela hora e ele me deu um sorriso reconfortante. Era tão bom saber que ele não me julgava.

Sentamos-nos junto ao bar e ele pediu dois copos de whisky. Ao chegar, peguei o meu, e virei tudo, sabendo que isso me ajudaria a controlar a sede até eu encontrar uma vítima. Damon me olhou um pouco assustado, mas sem hesitar, me empurrou seu copo. Virei-o também de uma vez só e depois girei a cadeira alta para analisar as pessoas.

Senti a dor em minha garganta diminuir um pouco, mas o veneno logo queimaria o álcool em minhas veias, então eu precisava ser rápida. Damon virou-se também e procurava por alguém nas mesas. Olhei no canto, um homem alto e loiro, jovem, mas com um ar de advogado importante, usando um terno e um sorriso de matar. Eu podia sentir seu cheiro tentador de onde eu estava, e se não fosse pelo whisky, minhas veias já teriam aparecido ao redor de meus olhos. Como sabia que isso iria irritar Damon, sorri em direção ao loiro gostosão e sussurrei:

— Já decidi. — Ele seguiu meu olhar e contraiu a mandíbula, e depois virou-se para mim.

— Está de brincadeira, não é?

— Por que estaria? — Fiz cara de inocente. — Ele tem um cheiro muito bom.

— Escolha outra pessoa, Elena. — Ele de repente soava sério.

— Mas Damon! Ele parece delicioso! — Controlei minha risada. — Qual é o problema?

— O problema, Elena, é que eu quero que você escolha outra pessoa. — Ele falou pausadamente, dando destaque a cada palavra, e encarando o homem com uma expressão de ódio.

— Eu tenho um namorado ciumento? — Dessa vez não consegui me controlar, e acabei rindo. Até um pouco alto demais.

— Você está fazendo isso de propósito. — Ele falou, ainda sério, sem me olhar e balançando a cabeça negativamente.

— Ok, eu vou... tentar... escolher outra pessoa. — Falei entre minhas risadas.

Acabei escolhendo um homem que estava acompanhado de sua esposa. Damon ficou com ela. Ele não era muito bonito, mas também não era nada mal. Nem a mulher dele. Levamos eles para as escadas de saídas de emergência, ficando em um canto estratégico que a câmera não filmava. Terminei o meu rapidamente, pois minha sede era arrebatadora, e o fiz esquecer a memória. Assim que acabei, fiquei olhando Damon se alimentando da mulher. Ela era loira, um pouco bonita, nada de mais, e usava um vestido vermelho muito escandaloso para o meu gosto.

Mesmo assistindo-o com ela, não conseguia não achá-lo sexy. O como ele segurava seu pescoço de uma maneira que eu sabia que o fluxo seria melhor, o como suas mãos pareciam firmes e determinadas e como seu rosto ficava tremendamente lindo ao experimentar o sangue. E também o jeito que ele fazia o máximo para machucá-la o mínimo, e o como ele segurava sua cintura, e...

— Damon! — Imediatamente peguei sua mão e a subi, colocando-a nas costas da mulher. Ele virou-se para mim, limpando a boca com as costas da mão, parecendo já ter terminado.

— O que? Você tinha que provar um pouco do seu próprio veneno.

— Já provei. É horrível. — Falei, enquanto mordia meu pulso e enfiava na boca de cada um dos dois, puxando a mulher para que ela se afastasse de Damon. Eu mesma fiz o trabalho sujo de apagar sua memória: "Saia daqui e esqueça tudo o que aconteceu", e depois quase expulsei-os de lá. — Pronto? Já chega com suas provações?

— Agora sim. — Ele sorriu pela primeira vez, satisfeito. Ele passou sua mão em meu rosto, fazendo carinho em minhas bochechas com seu polegar. — Já falei que você fica linda brava?

— Já. — Falei, afastando sua mão e tentando continuar teimosa.

— Ah, pera aí, eu sei que você não está mais brava, não precisa continuar fingindo. — Falando isso, ele rapidamente me prensou contra a parede, e chegou seu rosto bem próximo do meu. Enquanto ele falava, eu sentia seu hálito maravilhoso de sangue fresco. — Mas tudo bem se você estiver. Eu estava pensando que a gente poderia fazer alguma coisa, mas como você está com raiva de mim, não sei se...

Coloquei meus lábios nos dele firmemente, interropendo-o e sentindo um sorriso se formando no rosto dele em meio ao beijo. Passei meus braços ao redor de seu pescoço e trazia ele cada vez mais perto de mim. Eu sentia tanta necessidade de ter Damon por perto, que em momentos como esse, eu tinha vontade de me fundir à ele de tanta proximidade, e ele correspondia da mesma forma.

Suas mãos desceram para minha cintura e a segurava firmemente. Eu passava minhas mãos por seus cabelos perfeitos, e às vezes em sua nuca, trazendo sua boca para mais perto da minha. Ele desceu mais um pouco e apertou minhas nádegas, me fazendo dar um pequeno gemido de surpresa em meio ao beijo.

Empurrei-o um pouco para trás, me afastando dele, e ele me olhou confuso, até que eu o joguei contra a parede, invertindo as posições. Antes de me voltar para sua boca, fiquei apenas olhando, um pouco afastada, como ele era sexy sem fôlego e com sua boca suja de sangue. Senti seu olhar em meus seios, que tenho que admitir, pareciam bem convidativos naquela blusa decotada.

— Você não devia usar blusas assim. — Ele sussurrou, sem ar.

— Ah, é...? — Ele não me deixou terminar de falar, passando suas mãos por baixo dela e apertando-os por cima de meu sutiã. — Ah! — Deixei escapar, e ele sorriu.

Voltei-me vorazmente para seus lábios, enquando ele me massageava e passava os dedos nos meus pontos mais sensíveis. Era como se ele me conhecesse por inteiro, cada uma de minhas fraquezas. A cada vez mais, eu precisava mais de suas mãos em mim, e acho que ele percebeu isso, porque, já sem paciência, ele arrancou minha blusa e passou suas mãos por debaixo do sutiã.

Damon desceu seus lábios por meu pescoço e meu colo, chegando ao meu seio esquerdo, e sem largar o direito, o abocanhou, chupando-o com vontade. Dei um gritinho agudo, que logo abafei, e tentei ficar o mais calada possível, deixando apenas minha respiração alta e rápida tomar o ambiente. Senti minha calcinha ficar molhada, e apertei mais a cabeça de Damon contra mim. Seus lábios subiram novamente para os meus, e eu o beijava desesperadamente. Estava tudo perfeito, até que ele estragou tudo.

— Katherine... — Parei na hora, rapidamente.

— O que? Damon, Elena! Elena!

— Não, eu sei! É claro. Mas esquecemos de Katherine. Devíamos ver como ela está.

— Você está seriamente falando que enquanto você me beijava você estava pensando na sua ex?

— Elena! Não, claro que não! Eu só lembrei. — Abaixei-me para pegar minha blusa, e ao mesmo tempo, a porta foi escancarada. Um segurança bem grande abriu-a, primeiro determinado e depois constrangido. Damon passou na minha frente, tentando me tampar em vão, pois ele já havia visto tudo.

— Mil desculpas! Achei que tinha ouvido um grito aqui e... Me desculpe. — Ele saiu, embaraçado.

— Não tem nada. — Eu sabia que ele não tinha ouvido, mas mesmo assim respondi.

— Elena, coloca sua blusa de volta.

— É o que eu estou fazendo, não está vendo? — Falei, irritada.

Passei a mão por meus cabelos tentando colocá-los em ordem de novo, e controlar minha respiração para ela voltar ao normal. Fui em direção à porta, pronta para sair, mas Damon me puxou de volta.

— Me desculpe. Eu juro que não estava pensando nela. Só lembrei de como havíamos deixado ela sozinha com alucinações, só isso.

— Tá, Damon, já entendi. Estamos indo para lá agora, não estamos? — Falei, emburrada, puxando meu braço da mão dele.

— Elena! — Ele gritou, enquanto saímos para um lobby onde parecia que todos funcionários do hotel nos olhavam tentando controlar o riso. Eu simplesmente os ignorei.

Chamei o elevador, mas ele parecia demorar uma eternidade. Apertei o botão várias vezes, quase quebrando-o.

— Elena, não vai adiantar. — Damon murmurou.

— Ah, jura? — Respondi, irônica, sem olhar para ele.

— É sério, por favor, eu não quis dizer daquele jeito. Você sabe que eu só tenho olhos pra você.

— Ok.

— Ok? — Ele perguntou, confuso.

— Ok. Entendi. Tudo bem.

O elevador apitou, avisando que havia chegando, e eu suspirei pensando "finalmente", quando ouvi:

— Damon Salvatore! Oi, de novo! Desculpe, me atrasei um pouco mas vim como você havia pedido. — Uma mulher alta, loira, e com um batom vermelho-sangue apareceu, dando dois beijinhos, um em cada lado do rosto dele. Bufei uma risada sem graça. Inacreditável.

Ela, depois de alguns segundos, percebeu que eu estava lá, e quando vi que ela ia me cumprimentar também, me enfiei no elevador e apertei o andar. Damon tentou segurá-lo, mas as portas se fecharam e a última coisa que vi foi o rosto confuso da vadia, e ouvi "Calma! Elena!".

Bufei de raiva e me segurei nas barrinhas de apoio do espelho. Senti elas se quebrarem sob minhas mãos e então as soltei. Eu me sentia estúpida, tola e pateticamente insegura. Eu odiava o que Damon havia feito eu me tornar.