One Last Chance
23 Caught Red Handed
Notas iniciais
*Stefan*
Klaus já estava me dando nos nervos. Não bastava eu já não estar nos meus melhores dias, ele me ligava de cinco em cinco minutos perguntando se eu já tinha alguma pista. Ou só para me irritar mesmo.
Já se faziam dias que Elena tinha ido para Little Rock, e eu havia recebido apenas uma ligação dela. O consolo para meu ciúmes era que Jeremy e Matt estavam lá também, então ela não ficaria completamente sozinha com Damon.
Eu não tinha o direito de ter ciúmes dela como nós não estávamos mais juntos, mas eu tinha. Me senti um pouco culpado por não querer que Damon voltasse, apesar de ter sentido sua falta. O tempo passa de forma diferente para vampiros, e eu já havia passado quase 50 anos sem vê-lo, o que não tornaria tão difícil para mim alguns meses.
Tenho que admitir que o tempo que tive com Elena sozinha, eu não aproveitei. E somente agora com Damon de volta na história que eu havia percebido isso. Eu não podia culpá-la — eu não havia feito nenhum esforço para manter nosso relacionamento vivo. Mas ainda assim, eu não conseguia não sentir um pouco de raiva dela, e até de Damon, que não tinha culpa alguma disso. Ele foi embora, ele nos deu espaço, ele tentou.
Abri a porta de casa e entrei, jogando meu casaco num canto. Ia subir direto para meu quarto, quando ouvi a respiração de outra pessoa na casa, e então fiquei alerta. Entrei na sala de estar da lareira, e relaxei quando vi que era apenas Caroline. Depois fiquei um pouco bravo.
— O que está fazendo aqui? -Perguntei sem olhá-la e pegando um copo de whisky.
— Vim ver como você está. Acho que peguei um pouco pesado nas palavras, então estou pedindo desculpas. — Encarei-a, franzindo a testa.
— Klaus mandou você aqui? — Perguntei desconfiado.
— O quê?! Não, claro que não! Por que ele faria isso?
— Estou evitando as ligações dele.
— Sem mais notícias de Connor?
— Nenhuma. Ele simplesmente desapareceu.
— Isso é preocupante.
— Sim.
Esperei um tempo para continuar a falar, deixando Caroline se martirizar um pouco achando que eu não havia a perdoado ainda. Mas então, decidi entrar no assunto.
— Elena ligou.
— O quê? Sério? E o que ela falou?
— Quase nada... Damon, pelo contrário...
— Damon? Então ela o encontrou?
— Sim. Ele falou que eles se "esbarraram". Aham, sei.
— Ah, Stefan, não julgue. Nunca se sabe. E aposto que eles não vão demorar muito para voltarem.
— Caroline, já fazem cinco dias que ela o encontrou. Não é como se eles tivessem voltado correndo para cá nem nada.
Ela ficou calada, e eu atravessei até o outro lado da sala, olhando o fogo queimar na lareira. Ela se sentou no sofá e ficou apenas me olhando, até falar:
— E o Jeremy e o Matt?
— Não sei, não falei com eles. Não acho que eles estivessem lá na hora.
Caroline ficou pensativa por um tempo, e depois me perguntou, hesitante e cuidadosa.
— Você está com... ciúmes?
— Não! Claro que não. — Respondi por reflexo, mas quando me virei para encará-la, seus olhos penetraram nos meus e eu sentia que ela sabia que não era verdade. — Sim, estou.
— Mas, Stefan, não quero ser chata de novo, nem nada. Mas eu acho que você devia ser um pouco mais tolerante. E você não tem certeza de que alguma coisa aconteceu entre os dois, então por enquanto não devia se preocupar. Eles eram muito amigos também, talvez esse tempo separado tenha deixado a relação deles somente assim. Não sei... mas vamos esperar para ver, ok?
Apreciei o gesto dela de tentar me acalmar, e tenho que admitir que adiantou um pouco. Ela sorriu e eu sorri fraco de volta para ela, assentindo. Eu não tinha outra alternativa a não ser esperar.
*Elena*
Katherine se afastou de mim e eu segurava meu pescoço sangrando com uma mão, já sentindo o veneno fazer efeito e o a ferida ir se estancando. Ela parecia confusa e com uma aparência de louca, e eu não tinha ideia do que fazer. Onde diabos estava Damon?!
Me aproximei dela lentamente e ela não recuou, apenas olhava o chão e tentava encostar em algum lugar. Fiz com que ela se apoiasse em meu ombro e levei-a ao banheiro.
— Acho melhor você tomar um banho, talvez se acalme um pouco. Precisa tirar essas roupas todas sujas de sangue e limpar seu rosto.
Ela ficou em silêncio, e não lutava para me impedir que eu a amparasse. Ajudei-a a tirar suas roupas manchadas de sangue e soltei o rabo de cavalo que prendia seu cabelo. Liguei o chuveiro e ela caminhou até o box, apenas ficando parada debaixo da água corrente.
— Já volto, só vou buscar novas toalhas.
Peguei duas limpas no closet e dependurei-as no box. Abaixei a tampa do vaso e sentei-me, com medo de sair de lá e Katherine perder o senso de novo. Ela não parecia se importar com a minha presença, mas eu tentava parecer distraída folheando uma revista. Assim que ela terminou, acompanhei-a até o quarto e esperei que ela fosse começar a se trocar. Porém, ela se sentou na cama enrolada na toalha, apenas fitando o chão.
— Algum problema? — Perguntei.
— Ele está aqui.
— O quê? Quem está aqui?
Ela parecia assustada e com medo, encondendo o rosto entre seu cabelo, parecendo evitar me olhar ou olhar para outro lugar que não fosse o carpete.
— Connor. — Sua voz tremeu — Às vezes você se transforma nele também.
Por essa eu não esperava. Suas alucinações eram mais fortes do que eu havia imaginado.
— Katherine? — Ela não me olhou, então me abaixei à sua frente e fiz ela levantar sua cabeça para me encarar — Ei, sou eu. Não tem ninguém aqui, ok? Troque de roupa, Damon já deve estar chegando com alguma solução.
Ela obedeceu sem relutar, indo para sua mala e escolhendo um conjunto aleatório de uma blusinha preta de alças e um short jeans. Sua situação estava tão deplorável que eu sentia pena.
— Deite-se um pouco e descanse. Quando Damon chegar eu te aviso. — Ela assentiu e me deu um quase sorriso. Katherine sorrindo para mim?
Ela se aconchegou na cama e alguns minutos depois parecia ter apagado. Relutante, peguei uma revista e sentei-me à cama ao seu lado, cruzando as pernas. Folheava e não conseguia achar nada interessante ou distrativo o suficiente para me desligar de meus pensamentos. Estava começando a ficava preocupada com Damon e sua demora. Quando estendi minha mão ao criado-mudo para alcançar o celular, a porta do quarto se abriu e eu suspirei de alívio. Ele entrou com uma sacola na mão, tirando sua jaqueta preta de couro, depois olhou a cena que estava à sua frente. Eu e Katherine deitadas na cama.
— Está aí uma cena que nunca imaginei que iria ver. Tem espaço para mais um? Sempre tive queda por gêmeas... mas na verdade isso é demais até para mim. — Ele riu.
— Ew. Nojento. — Taquei um travesseiro nele e ele riu. — Mais respeito, essa é minha tatara-tatara-tararavó que você está falando. — Disse brincando e seu rosto se iluminou. Ao vê-lo com aquela expressão, não consegui ter nenhuma reação que não fosse me levantar e correr para seus braços. Abracei-o fortemente e ele me sustentou no ar por algum tempo, surpreso, mas correpondendo de bom grado.
— Doppelgängers. Certo. Tanto faz. — Ele revirou os olhos, cético e brincalhão. Me largou no chão mas não soltou minha cintura, sorrindo ao me encarar. De repente, seu semblante se tornou preocupado. — Por que você tem sangue seco no seu pescoço?
Ah, é. Havia me esquecido disso, então nem lembrei de me limpar.
— Ah... isso foi Katherine. Suas alucinações ficaram um pouco fora de controle e ela acabou me mordendo. — Ele não pareceu ter gostado daquilo — Mas tudo bem. O que a bruxa falou?
— Ela me deu uma mistura para Katherine beber, mas mais tarde ela irá vir aqui.
— Por que ela não veio agora?
— Ela estava... ocupada.
Franzi as sobrancelhas, desconfiada, mas ainda assim não falei nada. Olhei para Katherine, dormindo profundamente, e pensei se deveríamos chamá-la.
— Acho melhor deixarmos ela dormir um pouco. — Damon falou, como se tivesse lido meus pensamentos. Era incrível como ele sabia o que eu estava pensando apenas de me olhar. Assenti, séria, e depois pensei no que deveríamos fazer enquanto isso.
Com Katherine no quarto, não daria para que nós aproveitássemos muito, e por um segundo me deixei ser egoísta, desejando que ela não estivesse ali. Eu não entendia de onde toda essa consideração minha por ela tinha vindo, mas eu percebi que estava lá. Mas como ela estava dormindo, pensei que talvez pudéssemos tirar algum proveito disso, se fôssemos discretos.
— Eu estou toda suja. — Murmurei, passando meus braços ao redor do pescoço de Damon, e olhando de baixo com um pouco de biquinho para ele. — Não quer me dar um banho?
Ele sorriu malicioso, percebendo minhas intenções, e olhou rapidamente para Katherine dormindo, depois murmurando para mim "shhh". Ele agarrou minhas pernas, enganchando-as em sua cintura e me levando no colo para o banheiro, depois me colocando na pia e se afastando.
— Vou cuidar de você agora. — Ele sorriu, indo buscar uma toalha no closet. Comecei a tirar minha blusa, mas me atrapalhei um pouco e fiquei meio presa no meio dela. Quando Damon chegou e viu a cena, riu, e depois me ajudou a tirar o resto. — Você é bem desastrada para uma vampira.
Eu ri de seu comentário, bufando e colocando meus braços para trás tentando alcançar o fecho do sutiã. Ele fez uma cara surpresa, mas não hesitou em falar:
— Ei, espera. Deixe-me fazer isso. — Ele fazia uma cara debochada. — Não consegue nem tirar suas próprias roupas? Do jeito que você é, ainda acaba se machucando no processo.
Ele passou seus braços ao meu redor, alcançando minhas costas, olhando por cima de meu ombro e facilmente abrindo o fecho, se livrando do meu sutiã anil rendado. Ao invés dele voltar para me encarar, ele começou a beijar minha clavícula, subindo pelo meu pescoço e depois o lóbulo da minha orelha. E depois, fez algo pelo qual eu não esperava. Subiu suas mãos em meus peitos e eu perdi o fôlego. Enquanto ele fazia movimentos e eu tentava não gemer, minha boca procurou desesperada pela sua, que estava pronta para a minha.
O pensamento de ter alguém no quarto ao lado apenas me deixava mais excitada, porém, não o suficiente para deixar a porta aberta. Estiquei minha perna, alcançando a porta e empurrando-a. Voltei a me concentrar em Damon e em cada movimento que ele fazia. Já desesperada por ele, comecei a desabotoar sua camisa com agilidade. Ele riu um pouco ao meio de nosso beijo e comentou:
— Essa ficou fácil para você tirar? — Eu ri também, mas sem querer afastar seus lábios dos meus, respondi rapidamente.
— As circunstâncias são diferentes.
Escorreguei para fora da pia, ficando em pé e me livrando de sua camisa. Nosso beijo era cheio de desejo e tensão. A cada toque, eu tinha mais certeza de que estava apaixonada por Damon Salvatore. A cada vez que suas mãos encontravam meu corpo, eu tinha uma sensação diferente. Ele me surpreendia, me desafiava. Eu procurava voraz por seu pescoço, sua boca, seu peito, e ele parecia sentir a mesma necessidade, de estar me tocando a cada segundo.
Suas mãos passeavam pelo meu corpo e pareciam choques elétricos sobre minha pele. Ele rapidamente se livrou de minha calça e depois da dele. Sua boca desceu por meu pescoço novamente e meu corpo arqueava para trás. Eu sentia minha pernas bambas, e essa situação piorou assim que ele desceu sua mão por uma delas, parando em sua parte interna e fazendo algumas fricções delicadas.
Eu já me sentia sem ar, mas não conseguia parar de procurar mais por ele. Ele também parecia sem fôlego, mas não demonstrou nenhum sinal de que ia parar. Com sua mão que estava parada em minha coxa, ele abaixou minha calcinha e se livrou de sua cueca, ao mesmo tempo que me arrastava para o box. Ele me prensou agilmente contra a parede, e eu consegui alcançar a torneira e ligar o chuveiro. A água descia por nossos corpos e embaçava um pouco minha visão, mas isso não me impediu de nada. Damon tinha uma mão firme à minha cintura, enquanto a outra descia novamente, passando por minha virilha e chegando exatamente onde eu queria.
Tentei não fazer muito barulho, mas era praticamente impossível. Nem entre seus lábios eu conseguia ficar calada, então eu precisava ocupar minha boca com outra coisa. Sem pensar muito, cravei meus dentes em seu ombro, e ele não parecia incomodado com isso — pelo contrário, parecia excitá-lo mais. Ele rapidamente largou tudo o que estava fazendo e me levantou, segurando minhas pernas e me prendendo ainda mais. Percebi seu membro muito perto e respirei fundo me preparando para conseguir me controlar. Ao invés de mordê-lo, dessa vez apenas apertei meu rosto contra o dele, deixando minha testa encostada na dele. Seus olhos estavam abertos e encarando diretamente os meus. Senti ele entrar em mim, e por mais que eu quisesse continuar fitando-o, não consegui não revirar os olhos e depois fechá-los com força. Eu me segurava a cada segundo para não fazer nenhum barulho muito alto, e ele parecia fazer o mesmo. Nós dois apenas respirávamos rapidamente e eu cravava as unhas em suas costas e prendia minhas pernas mais fortemente ao seu redor, tentando me prender à minha sanidade.
Alguns minutos depois terminamos em sincronia, reprimindo nossos gemidos usando a boca um do outro para abafá-los. Ele me soltou no chão, mas ainda assim não nos afastamos. Para falar a verdade, ficamos muito tempo apenas abraçados ou com nossas testas encaixadas, apenas sentindo a água cair. Depois, ele quebrou o gelo.
— Agora nós devíamos tomar banho de verdade. — Eu ri e me afastei um pouco dele, pegando um sabonete, esfregando-o em minha mão e depois passando-a em seu peito. Ensaboei-o todo e ele não fez nenhuma objeção, nem abriu a boca. Apenas me olhava com um olhar admirado.
— Pare de me olhar assim!
— O que? — Ele pareceu acordar — Não estou te olhando de jeito algum!
— Está sim, e está me deixando constrangida.
— Ok, então... Não vou mais te olhar. — Ele fechou os olhos, mas os cantos de sua boca sugeriam um sorriso de deboche.
— Ei, nem tanto!
— Do que você estava reclamando então?
— Nada, nada! Não estava reclamando de nada. — Eu ri, desistindo, e ele voltou a me fitar com seu olhar bobo.
Assim que terminamos, nos enrolamos nas toalhas e ficamos rindo um pouco no banheiro, organizando um pouco da bagunça que havíamos feito na pia. De repente, ouvimos três batidas na porta.
— Elena? Abra aí! É o Jeremy. — Eu e Damon nos entreolhamos, pensando no que fazer.
— Já vou! Só um minutinho, Jer. — Exclamei, esperando que ele ouvisse. Fiz menção de sair do banheiro, já calculando o tempo que levaria para eu colocar uma roupa rapidamente. Porém, assim que abri a porta, percebi que Katherine já havia aberto, e Jeremy estava do outro lado.
Ele me viu por cima do ombro dela, e eu fiquei parada, sem saber o que fazer e como esconder Damon.
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