One Last Chance
8 Bonfire Night
Notas iniciais
*Caroline*
Estacionei o carro perto das mesas no gramado, peguei minhas coisas no banco dos passageiros e desci. Eu via Tyler treinando passes de bola ao fundo com um garoto do time dele e fui direto lá. Quando ele segurou a bola, cheguei por trás e coloquei minhas mãos em seus olhos, tampando como uma venda. Ele passou os dedos em minhas unhas, e quando me reconheceu, virou rápido, me pegando num beijo.
— Bom dia, namorada — Disse ele fazendo graça.
— Bom dia, namorado — Ri de volta. Virei-me para o garoto com quem ele jogava, que nos olhava impacientemente — Posso pegar ele emprestado um pouquinho?
Tyler jogou a bola de volta para ele, e então eu peguei sua mão e o levei até a entrada da escola. Cheguei ao meu armário e o abri, pegando um panfleto e entregando-o à ele.
— Você vai hoje, né? Por favor, fale que sim! — Falei com animação.
À noite iria acontecer a festa de fogueira de inverno, e como eu era a representante do Comitê Estudantil, estava organizando tudo.
— Claro que vou. Com minha garota arrumando tudo, como eu não iria?
Eu dei uns pulinhos animados e o sinal tocou. Fechei o armário, dei um selinho nele e saí saltitando direto para a aula de Bioquímica.
Ao entrar na sala, o Sr. Jensen me fez uma careta, pois eu havia chegado atrasada. Sentei-me do lado de Elena no balcão de experimentos e falei baixo somente para ela ouvir.
— Preciso falar com você!
Ela tirou uma folha do caderno e me deu, junto com uma caneta. Escrevi numa letra desengonçada "Vai na fogueira hoje, né?" e entreguei para ela com uma cara de cachorrinho que caiu da mudança. Ela já me olhou desconfiada e começou a ler. "Não sei Care, não estou muito no clima de ir", ela respondeu e me entregou discretamente. "Ah, não! Por favor! Estou planejando essa fogueira desde o início das aulas, você não vai me dar o bolo! Vamos, amiga. O Stefan vai, a Bonnie, o Matt, o Tyler, todo mundo. Você tem ser que se animar, vai!". Passei o bilhetinho e quando ela leu, fez uma cara de derrotada, e depois escreveu "Ok, mas só por você".
Quando li, fingi bater palmas de animação, mas, na mesma hora, Sr. Jensen olhou para nós.
— Estou interrompendo alguma coisa, meninas?
— Não, senhor. — Respondi prontamente.
— Srta. Gilbert?
— Não, pode continuar Sr. Jensen. — Depois que ele se virou para o quadro novamente, já estressado, nos olhamos revirando os olhos e depois colocamos a cara nos livros.
Aquela aula parecia eterna, e quando finalmente o sinal tocou, juntei tudo quase no mesmo segundo e dei um tchau rápido para Elena. Precisava continuar com os preparativos.
*Elena*
Cheguei em casa e me joguei na cama, respirando fundo. Eu precisava arrumar algo para vestir hoje à noite na fogueira. Eu estaria mentindo se dissesse que estava animada para ir. Mas eu faria isso pela minha amiga, afinal, ela realmente passou muito tempo planejando tudo.
Hoje de manhã, quando acordei, Stefan não estava mais lá e eu finalmente tive um momento de privacidade depois do choque que levei com a carta de Damon. E para piorar minha situação, assim que ele foi embora, encontrei outra coisa. Uma pequena e simples caixinha de veludo branco deitada no chão. Não havia endereçamento, nem meu nome escrito, mas acredito que ele havia deixado junto com a carta, e que eu havia deixado cair ontem à noite.
Ao abrir, não entendi muito bem o que era. Era plano e prata, grande em comprimento, mas pequeno em largura, em formato circular e com algumas pedras azuis encrustadas. Depois de um tempo percebi que se tratava de um relicário. Ao abri-lo, percebi que não haviam fotos, nem espaço para elas. Havia um pequeno relógio de um lado, e do outro uma frase em francês "L'éternité n'aurai jamais assez de temps à passer avec vous.". Sei que nunca prestava atenção nas aulas, mas conseguia relativamente traduzir a frase. Seria algo como "A eternidade nunca terá tempo suficiente para passar com você".
Eu não sabia o que pensar. Eu nunca imaginaria que Damon faria algo do tipo. Presentes, carinhos — cartas! Por mim, tudo relacionado à sentimentos nunca se encaixaria perfeitamente numa frase com "Damon". Ele não se sentia confortável se abrindo. Eu sabia que desde o momento que ele ligou de volta sua humanidade, ele estava sofrendo. E grande parte era por minha culpa. Eu sempre sabia como ele estava, mas não porque ele falava, mas porque eu simplesmente conhecia seu jeito de ser. Mas cada vez mais, ele vinha me surpreendendo. Ou eu vinha me surpreendendo.
Entrei no banho e refleti. E reclamei, e gritei, e chorei tudo o que tinha para chorar. E foi isso. E logo após, prometi que não falaria mais disso, que não pensaria mais nisso. E que também não contaria para ninguém sobre o que ele me deixou. Mas que também não me largaria mais de minha pequena preciosidade. Será que passaria o resto da vida assim? Vivendo com um e sendo rodeada pelo fantasma do outro?
Abri meu closet e decidi não me arrumar muito. Coloquei uma calça jeans preta, um suéter soltinho de linha preto e uma bota. Recebi uma mensagem de Caroline perguntando onde eu estava, pois já eram quase nove e meia. Nem me dei o trabalho de responder, coloquei meu pequeno presente numa corrente longa e prata e dependurei no pescoço, colocando-o por baixo da blusa, que, como era larguinha, não deixava-o aparecer. Catei as chaves do carro e corri para o andar de baixo.
— Jeremy, estou indo para a fogueira, você vem? — Gritei em direção à cozinha, assim que ouvi seus batimentos cardíacos indicando que ele estava lá.
— Sim! Espera, estou indo!
Abri a porta e segui em direção ao carro, entrando e esperando-o. Assim que ele entrou, percebi que ele segurava várias sacolas em sua mão.
— O que é isso tudo? — Perguntei enquanto girava a ignição.
— Bonnie está ajudando Caroline, e eu estou ajudando Bonnie. — Ri pensando em como Caroline devia estar impaciente com minha demora.
Ao chegar na grande praça principal da cidade, percebi que já estava lotado com estudantes da escola. Por isso, tive que estacionar o carro bem longe do local. Ao descer do carro, eu e Jeremy já fomos andando em direção ao local onde Caroline estava, num pequeno balcão onde se arrumavam espetinhos de madeira e se vendiam marshmallows. À certa distância, ao redor da fogueira, se encontraram várias barracas onde as pessoas estavam deixando suas coisas e logo depois se dirigindo aos troncos deitados ao redor da enorme fogueira.
— Care, cheguei!
— Eu percebi. — Ela falou, meio estressada. Ri porque sabia que ela iria ficar assim.
— Do que você está rindo?
— Nada não. Quer que eu faça alguma coisa?
— É, seria ótimo. Saia entregando os espetinhos para todo mundo. — Ela me entregou um saquinho de plástico com vários deles, e depois pegou mais outro no balcão. — Você também, Jeremy. — Disse ela, enquanto empurrava-o para ele.
Saí oferecendo-os para cada pessoa que estava lá — E meio que forçando as que não queriam a aceitar -, até as que mal haviam chegado, simplesmente para chegar com o saquinho vazio para Caroline. Mas eu sabia que ela iria me encher com outras mil tarefas depois disso.
Entreguei os últimos espetinhos a umas garotas sentadas num tronco meio afastado, e assim que me endireitei, vi Stefan chegando ao longe. Na hora, pensei em me virar e fingir que não havia o visto, mas era tarde demais. Sorri e fui andando em sua direção, dando-lhe um abraço apertado ao chegar perto dele.
— Ai! — Ele exclamou e eu rapidamente o soltei.
— O que foi?!
— O que é isso debaixo da sua blusa?
— Ah, não é nada, só um colar idiota. Me desculpe. — Ele me olhou desconfiado, mas deixou de lado. – E aí?
— E aí.
— Como vão as coisas?
— Bem, eu acho. — Ele franziu a testa, e eu fiz uma cara de indagação. — É que Connor está de volta, ele fugiu da casa de Klaus. E agora ele está à solta, e acreditamos que ele possa estar com veneno de lobisomem.
— Você está nervoso com isso?
— Não, não nervoso. Mas é que aqui — ele disse, olhando em volta — seria o lugar perfeito para ele pegar qualquer um de nós.
— Então não vamos deixar isso acontecer, né? — Eu disse em tom de brincadeira, tentando descontraí-lo. Deu até certo por um tempo. — Vamos, aposto que Caroline já está me procurando para fazer outra coisa para ela.
Ele pegou minha mão e voltamos à fogueira. Encontrei Bonnie e ela deu um sorriso confortante ao me ver.
— Oi, Elena, Stefan. Como vão?
— Ótimos, Bonnie. E você?
— Bem, também. Vocês viram o Jeremy? — Olhei em volta e o identifiquei ao fundo, com uma bandeja na mão, vendendo marshmallows -Provavelmente Caroline tinha o obrigado. Apontei para ele, mostrando a ela.
— Aquele ali serve? — ela riu e se afastou.
Como não encontrei Caroline, Stefan e eu nos sentamos próximos à fogueira, e ele passou seus braços ao redor de mim, fazendo um carinho reconfortante no meu ombro. Eu me sentia incrivelmente frágil e indefesa. E todos pareciam perceber isso, por mais que eu tentasse esconder. Sempre estavam tentando fazer com que eu me animasse, ou que eu fizesse o mínimo de esforço possível nas coisas, ou me abraçando um pouco mais forte que o normal a cada vez que me viam. E isso me estressava. Eu não preciso disso! Não preciso do reconforto de ninguém! — Mas apesar desses pensamentos, deixei Stefan me acariciar.
Acho que era por esses tais motivos que durante esses tempos, eu estava passando muito tempo com Caroline. Ela não tentava me poupar das coisas, não me tratava como uma criancinha indefesa, e não ficava demonstrando pena de mim. E eu me sentia agradecida por isso, e acho que ela sabia.
O buraco que Damon havia deixado em mim era gigante, mas eu não podia deixar ninguém vê-lo. Era mais fácil assim do que ter que explicar todos os motivos do porquê estar me sentindo daquele jeito. Me aconcheguei um pouco mais perto de Stefan, e ele retribuiu. Mas ao mesmo tempo, puxei meu relicário para fora da blusa e o segurei em minhas mãos, de um jeito que não daria para ninguém ver.
Era irônico o fato de eu sair carregando um objeto para me lembrar de Damon, mesmo sabendo que ele não deixava minha mente nenhum segundo do dia.
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