Notas iniciais
"A raiva é um cavalo fogoso; se lhe largamos o freio, o seu ardor exagerado em breve o deixa esgotado." William Shakeaspeare

*Stefan*

Li a carta de Elena, que estava colocada na mesa, pela décima segunda vez enquanto abotoava minha camisa. Calcei meus sapatos e peguei a chave do carro, olhando uma última vez a mensagem de Caroline que dizia "Relaxa, Stefan, te explico tudo quando você chegar aqui". Relaxar? Como?

Primeiro eu havia ligado para Bonnie, perguntando se ela sabia o que estava acontecendo. Ela pareceu nervosa e falou para eu falar com Caroline pois ela saberia me explicar, e praticamente desligou na minha cara depois. Ao falar com Caroline, ela me disse que teria que ser pessoalmente, porque não dava para explicar por telefone.

Eu já estava ansioso o suficiente com tudo mais que estava acontecendo. Klaus estava estressado pois havíamos perdido Connor, que surpreendentemente havia desaparecido da cidade, logo após matar vários híbridos dele. Perdemos totalmente a localização dele e consequentemente, o mapa para a cura de Elena. E ela ainda surge com essas viagens inesperadas sem nem se explicar!

Dei partida no carro, e nem cinco minutos depois já estava parado no batente da porta da casa de Caroline, tocando a campainha impacientemente. Não sabia que a Xerife estava na casa, mas a vi se aproximando pela porta de vidro e logo me arrependi dos meus maus modos. Mas ela apareceu com uma cara que eu não esperava, calma, como se estivesse tentando me tranquilizar ou me dar os pêsames por alguma coisa.

— Olá, Stefan. — ela me cumprimentou, controlada.

— Xerife Forbes. Onde está sua filha?

— Na cozinha. Ela estava te esperando. — Ele falou, enquando pegava seu distintivo numa prateleira ao lado da porta, e passou por mim. — Já tenho que ir, Stefan. Se cuide.

Ela saiu, com seu rosto límpido e tentando não deixar transparecer nada. O que só me deixava mais ansioso. O que diabos estava acontecendo?

Entrei e passei pela sala de estar e de jantar, parando na porta da cozinha. Caroline fritava alguns ovos na frigideira, e parecia incomumente agitada.

— Oi, Stefan! Bom dia. Aceita um pouco? — Ela falou apontando para o fogão.

— Não, obrigado, Caroline. Por favor, pode me dizer o que está acontecendo?

— Como eu havia dito, relaxa. Não é nada demais.

— Então por que todo mundo está agindo estranho comigo?

— É porque eles fazem parecer como se fosse algo gigante. Sente-se, fique tranquilo, não é nada. Vou te explicar tudo.

Sentei-me na cadeira da mesa, enquanto ela colocava a panela na pia e seu café da manhã num prato, sentando-se ao meu lado. Ela começou a comer sem me olhar, e eu a fitava, esperando.

— Caroline?

— Sim? — Ela me olhou, fazendo um olhar inocente.

— Comece a falar. — Falei, da forma mais controlada possível.

— Nossa, como você está impaciente! — Ela resmungou, desistindo e largando o garfo com força em seu prato e me encarando — Elena foi com Matt e Jeremy para Little Rock para procurar Damon.

Fiquei silencioso. Aquilo não fazia sentido. Havia quase metade de um ano que ele havia ido embora, e ela parecia conformada com aquilo. Não achei que ela havia levado aquela história de procurá-lo à sério. Parece que eu estava errado.

— O quê? Por quê?

— Não sei, Stefan, deveria perguntar à ela. — Ele voltou a comer, com cara de que sabia mais do que estava falando. Quando eu fiz menção de que ia começar a falar de novo, ela me interrompeu: — Stefan, eles eram amigos! E eu sinceramente não sei com o que ela estava na cabeça quando pensou em fazer isso, mas ela levou adiante. Devia respeitar isso.

Levantei-me da mesa na hora, já sem paciência. Aquilo tudo era um absurdo. O que Elena estava pensando?

— Onde você está indo? — Perguntou Caroline, enquanto eu saía da cozinha.

— Para Little Rock. — respondi, de costas para ela. E então senti que ela começou a me seguir, às pressas. Quando eu estendi minha mão para pegar a maçaneta, ela parou bem na minha frente.

— Não vai, não!

— Ah, é?

— É! Eu sei que isso pode ser meio chocante, mas pelo menos uma vez na vida, Elena está fazendo uma coisa que não tem nada a ver com você. E você se sente mal por isso, e quer impedi-la. Mas adivinha? Eu não vou deixar. — Ela falou, colocando seu dedo indicador no meu peito — Sabe por quê, Stefan? Porque ela achou que podia contar com você para isso. Que ela não precisava correr atrás de Damon sozinha, porque você, como irmão dele, faria questão de ajudá-la. E você não fez isso, mas ela continuou mesmo assim. Matt ajudou-a de bom grado, não por ser um fã de Damon, mas por saber que isso era importante para ela. E ela finalmente conseguiu achá-lo, e encontrar um jeito de trazer seu irmão de volta, o que, se me permite dizer, não parece te agradar. Mas ela fez isso sozinha. E você não vai estragar tudo para ela agora!

Encarei-a, com os olhos brilhando de fúria, pronto para arremessá-la do outro lado da sala e sair daqui.

— Não me adianta olhar assim. — ela continuou — Não tenho medo de você. E nem que eu tenha que te trancar naquela tumba, ou pedir para Bonnie fazer um feitiço, você não vai para Little Rock. Nem tente falar com ela, pois ela está do lado de Elena nessa também. — Desviei de Caroline, abrindo a porta e atravessando sua varanda. Ela continuou falando: — E por mais que você queira, não vai sair de Mystic Falls, Stefan. Klaus está com todos híbridos te vigiando a cada passo para que você não vá. — Parei no meio do jardim e me virei para ela, me perguntando como Klaus estaria do lado de Elena. — Eu meio que pedi isso à ele, e ele ficou feliz em ajudar. — Ela abriu um pequeno sorriso que me irritou profundamente — Ainda mais agora que você vai ter que ajudá-lo a encontrar Connor.

Dei as costas à ela de novo, entrando no carro e indo de volta para a mansão. Quase arrombei a porta com a força que usei, e saí derrubando tudo das estantes, descontando minha raiva em cada objeto daquela sala. Avistei uma garrafa de whisky Bourbon que era de Damon, e logo peguei-a, jogando na parede oposta e pensando ao mesmo tempo "desgraçado".

*Elena*

Eu ainda estava absorta em meus pensamentos, de olhos fechados e sorrindo. O único som que eu ouvia era o de Damon no chuveiro. Ele havia me trazido uma camareira deliciosa, que estava deitada no meu colo, com o pescoço com uma abertura gigante. Apoiei a cabeça dela no meu ombro, tirando seu cabelo e cravando meus dentes de novo em sua pele, mais uma última vez. O sangue dela era tão doce, que eu após terminar, ainda lambi meus dedos.

Mordi meu pulso e o coloquei em sua boca, falando "shhh", tentando acalmá-la enquanto ela resmungava querendo rejeitar. Levantei-me da cama e coloquei-a em pé na minha frente. Olhando nos olhos dela, murmurei:

Você não vai se lembrar de nada disso.

— Eu não vou me lembrar de nada disso — ela repetiu.

Você vai sair por essa porta, indo direto a um banheiro se limpar e trocar de uniforme.— Ela assentiu e depois saiu.

Agora eu já me sentia alimentada, depois de colocar para fora quase todo sangue de Damon que eu havia bebido. Acho que fiquei empolgada demais por causa de tudo que estava acontecendo e acabei esquecendo que eu não podia me esbaldar daquilo. Fui saltitando feliz para o banheiro, pronta para chamar "Damon!" quando senti uma mão em minha boca. E, antes que eu pudesse reagir, senti algo pontudo perfurando minhas costas. Arfei e depois soltei um gemido fraco, que foi abafado por um pano que haviam amarrado em minha boca. Queria gritar por Damon, falar para ele fugir, mas nada saía de minha boca. A dor era excruciante, e a última coisa que ouvi foi o chuveiro desligando. E tudo mais ficou preto.