One Last Chance
15 Awakening The Dreamers
Notas iniciais
*Elena*
Senti algo se remexer um pouco debaixo de mim, e abri os olhos lentamente, tentando me acostumar com a luz que entrava por uma fresta na janela. Ergui meus olhos, para ver os outros mais lindos do mundo. Ele passava um braço ao meu redor, e o outro estava com a mão debaixo de sua cabeça, relaxadamente. Ele me fitava e eu corei um pouco. Esperei alguns segundos e... nada.
Meu Deus, como eu estava demorando a acordar hoje! Eu logo teria que tomar um banho, me arrumar, ir à aula. E depois continuar onde parei com Matt. Vamos, Elena! Acorda, seu dia será longo. E nada aconteceu.
Ele parecia perceber a confusão em meus olhos, e abriu a boca para falar alguma coisa, mas depois fechou-a novamente. Como ele era lindo! Seu cabelo estava emaranhado e isso o fazia mil vezes mais sexy. Eu estava deitada no seu peito nu, perfeitamente escultural. Ele parecia um deus Adônis de Michelangelo. Meu cérebro aparentemente estava trabalhando horas extras para me compensar.
Pisquei meu olhos fortemente mais uma vez, esperando tudo desaparecer e eu acordar na minha cama, com mais um dia à frente. O que não aconteceu. Tentei reunir os fatos em minha mente, de tudo que havia se passado, mas quase não acreditei nas memórias. Isso tudo não poderia ter acontecido. Era bom demais para ser real.
Levantei um pouco minha cabeça, enxergando o relógio digital no criado-mudo, indicando que já se passavam das duas da tarde. Levantei num sobressalto, e Damon me olhou com uma cara de indagação, levantando as sobrancelhas.
— Eu tinha aula hoje! — Ele me olhou com uma cara de estranhamento — Por que não estou acordando? — Murmurei mais baixinho, para mim mesma.
— Elena, você está acordada.
— Aham, isso é o que você quer que eu acredite. Na verdade, o que eu quero me fazer acreditar, porque esse sonho é meu. Para depois eu acordar e ficar decepcionada. — Falei, frustrada.
— Eu sei que eu pareço um sonho de tão gato, mas não exagere. — Ele riu. Dei uma cotovelada forte nele, brincando, mas ele nem reclamou. Fiquei alguns segundos calada, e depois as palavras saíram da minha boca, temendo uma resposta.
— Então tudo aquilo foi real? Quero dizer, aconteceu mesmo? — Perguntei, mais para mim mesma que para ele.
Ele simplesmente me respondeu com um sorriso irresistível, e eu tentei controlar e não retribuí-lo, mas os cantos da minha boca tendiam a se puxarem para cima, e eu acabei sorrindo de volta, descarregando todas minhas emoções no olhar que direcionei a ele. Ele me puxou de volta para seus braços, e eu me aconcheguei em seu peito de novo.
Ele brincava com as pontas do meu cabelo, enrolando e depois soltando-as, e eu não conseguia parar de sorrir. E às vezes, quando me lembrava de alguns detalhes da noite passada, dava uma risadinha comigo mesma. Ele não perguntava, mas eu tinha certeza de que ele sabia no que eu estava pensando. Após algum tempo em silêncio, virei meu rosto para ele.
— Te encontrei. — Murmurei, quase orgulhosa de mim mesma.
— Então você estava me procurando? — Ele perguntou, brincando. Mas eu respondi séria.
— Estava. — Ele fez uma cara de confusão, mas logo depois seu rosto pareceu ganhar luz no mesmo segundo.
— Quer dizer... quer dizer que você está aqui porque tem me procurado?
— O país todo. Durante todos esses meses. — Ele abriu um pouco a boca, ficando meio boquiaberto. — Tenho que admitir que não foi fácil. Você trocava de cidades muito rápido e perdíamos seus rastros.
— Você estava me rastreando esse tempo todo? — Ele questionou, como se as palavras que saíssem de sua boca não fizessem sentido algum.
— Eu bem que tentava! — Suspirei, nervosa — Mas sério, o que você estava fazendo? Nunca parava num lugar só. Só Chicago, que você ficou algum tempo. — Ele enrijeceu um pouco, mas pareceu forçar se relaxar logo em seguida.
— É, eu não parei muito. Principalmente nas primeiras semanas. E então, em Chicago, encontrei Katherine. Quero dizer, ela me encontrou... — Sua voz foi sumindo, provavelmente em reação à minha expressão quando ele tocou no assunto. E então, por fim, ele silenciou de verdade, só falando — O que?
— Por falar nisso, o que você está fazendo viajando com essa vadia? — Levantei-me, ficando sentada e cruzando os braços. Fiquei realmente estressada, além de enciumada.
— É... não sei, para falar a verdade. Ela só está me fazendo companhia, e vice-versa. — Ele tentou se explicar.
— Não conseguiu achar nenhuma companhia melhor não, é? — Indaguei, ainda brava.
— Não. — Ele falou, erguendo-se um pouco e apoiando as costas na cabeceira e me fitando, agora sério. — Não é como se estes últimos tenham sido os melhores meses da minha vida.
— Não gosto dela. — Falei, tentando ignorar sua última fala.
— Eu sei. — Ele ainda estava frio, mas, por fim, suspirou e me olhou nos olhos, falando docemente: — Você fica linda quando está com ciúmes.
Me senti corar, mas ainda assim resolvi rebater.
— Não estou com ciúmes.
— Ah, é? — Ele riu.
— É.
— Tem certeza? — Fiz que sim com a cabeça, como uma criança mimada — Então você não vai se importar de chamarmos ela para ficar aqui também. Ela deve estar sozinha no bar a essa hora. Coitadinha.
Desmanchei minha cara de emburrada e logo deitei-me em seus braços, me rendendendo.
— Deixa pra lá, tenho certeza que ela pode arrumar coisas melhores pra fazer.
— Então admite que está com ciúmes? — ele perguntou, esperançoso, com os olhos pousados em mim e um sorriso de canto, enquanto eu encarava os lençóis.
— Não. Não vou desistir tão facilmente assim.
— Ok, então. Mas uma hora você se rende.
— Vamos ver, então.
— Apostado. — Respondi, virando meu rosto para ele, e depois beijando-o calmamente. Ele correspondeu igualmente, mas depois interrompeu, falando:
— Vou buscar nosso café da manhã. — Ele foi se levantando e recolhendo suas roupas do chão e buscando outras na mala. E então olhou o relógio — Apesar de já estar de tarde.
— Por que sua camisa estava cheia de sangue ontem? — Perguntei, lembrando-me.
— Longa história — Ele respondeu depois de um tempo enquanto sentava-se ao meu lado na cama e colocava seu sapato. — Volto num instante. — Ele falou, depositando um beijo em minha testa e caminhando até a porta.
— Er, Damon? — Ele se virou para me olhar. — Seu rosto.
Seu rosto ficou confuso apenas por meio segundo, logo ficando esclarecido e indo em direção à pia do banheiro para lavar todo o sangue que havia secado em sua pele. Assisti-o deixando o quarto, sorrindo presunçosa com sua perfeição. E pensando na possibilidade dele ser só meu. Isso sim era um sonho — e dos melhores. Quase não acreditava que aquilo tudo havia realmente acontecido.
Levantei da cama, indo para o banheiro e procurando um shampoo, pois minhas malas estavam no quarto com Jeremy e Matt. E, por falar neles, uma hora eu ia ter que passar lá para avisar que estava tudo bem. Mais que bem, para falar a verdade.
Olhei a bancada da pia, percebendo vários acessórios de maquiagem e necessaires rosa pink, e logo senti uma fúria por Katherine de novo. E ela ainda por cima estava ficando no mesmo quarto que ele. Tinha esquecido desse pequeno detalhe que ela havia feito questão de jogar na minha cara ontem. Na mesma cama que ele. Meu ciúmes me corroía, mas decidi ignorá-lo. Abri uma de suas bolsinhas e peguei shampoo, condicionador e uma escova, entrando no chuveiro.
Ao terminar meu banho, sequei meu cabelo e também fui procurar algo na mala dela. Eu só conseguia achar roupas de seda e renda e vestidos curtíssimos. A única coisa mais ou menos decente que achei para ficar só no quarto foi uma regatinha preta, e um short minúsculo de veludo roxo. Se bem que eu não estava precisando andar decente, quando nem roupas eu queria estar usando.
Me deitei de novo na cama, ligando a TV sem realmente prestar atenção em nada. Agarrei-me à um travesseiro e puxei um lençol, me cobrindo. Deixei-me levar por cada pensamento que aparecia em minha mente. Cada beijo, cada toque, cada expressão de Damon. Eu fechava os olhos, revivendo e sorrindo a cada lembrança. Eu tinha um deus grego comigo.
A questão era: ele ainda me queria com ele?
Sem querer me tormentar com esses pensamentos, logo os tirei da cabeça, pensando que iria lidar com eles quando viesse a hora certa. Mas a coisa que mais latejava em minha mente era como eu havia demorado tanto tempo para perceber que eu pertencia a Damon, e meu lugar era com ele. Só com ele.
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