One Day More
1 The blue in the grey
Notas iniciais
Aproveitem e deixem reviews!
Natacha Rousseau era seu nome.Tão bela quanto uma pintura a óleo.Os olhos eram incrivelmente cinzas, com um ar de inteligencia e cansaço. Os cabelos só eram soltos a noite,revelando a cortina de fogo que seus cachos formavam.
A moça mais inteligente,talvez,de toda Paris.Talvez não!Para Enjolras ela era. -Não acredito no que vejo. Enjolras apaixonado?Olhos brilhando ao falar de uma moça? — Riu Gantaire,uma vez,de tanto ouvir falar da moça. -Apaixonado?Eu?Ah por favor,Grantaire!Você bebeu demais até para você,esta noite. — Fala Enjolras um tanto ruborizado. -Tão inteligente e resolvido consigo,mas não consegue admitir uma paixão. — Rebate Gantaire,levando a garrafa de vinho aos lábios. -Não é paixão,ora!É apenas...admiração. — Diz Enjolras,como se encerrasse a discussão. -Admiração!Patético,Enjolras!Patético. -Ri Grantaire. Enjolras fecha a cara. O silencio pairou sob os dois amigos.Pouco era ouvido a não ser as risadas de Gantaire. -Admiração... — Murmurava Grantaire. -Não tenho tempo para este tipo de distração. — Disse Enjolras. -E que lei diz que revolucionários não podem amar? — Pergunta Grantaire. -Amar?Enjolras está apaixonado? — Combeferre chega, sentando-se em uma das cadeiras livres. -Não! — Diz Enjolras -Sim! -Interrompe-o Grantaire. — Está cego se amor pela "bela garçonete inteligente,a frente de seu tempo." Combeferre ri. -Apenas cego?Acho que está surdo,cego e mudo por ela. — Completa Combeferre. Grantaire ri e Enjolras se ajeita na cadeira. ... Natacha olha Enjolras pelo canto do olho,uma vez que outra. Céus,como seus olhos brilhavam quando ele começava a falar da revolução.De seus ideais e ideologias.Como o sonho impossível de querer ajudar todos parecia tão possível quando ele o falava.Como sua voz,tão autoritária parecia como veludo ao chegar aos ouvidos. Enjolras não era um amor platônico para ela.Era tudo que tentava esconder.Era os sentimentos que não aceitava.Mas ela entregava seus pontos uma vez que outra.As vezes não conseguia não olhar em seus olhos azuis. As vezes queria agarrar suas vestes vermelhas e beija-lo com todo o desejo que sentia.Mas então se lembrava que não cabia a ela amar ninguém,o amor seria um peso que não conseguiria levar. Não sabia como conciliar seu emprego no café do ABC com seus dois irmãos e o pai,adoentado e sem condições de trabalhar. Natacha não tinha tempo para ilusões ou desilusões amorosas.A única forma de amor que aceitava era o afeto que tinha pelos irmãos.Mas do resto,ela se restringia Mesmo se rasgando por dentro,ela não demonstrava nenhum sentimento. Mesmo com o tempo corrido,ela se filiou aos amigos do ABC.Ela participava das reuniões e dava sua opinião,enquanto servia de garçonete para seu melhor cliente e amigo Grantaire. Conversava a maioria do tempo com Joly. Achava-o "fascinantemente" maluco,pois suas teorias sobre saúde eram lógicas para Natacha,mesmo que a maioria o achasse louco. Marius,para ela era apenas uma criança sufocada em seu mundo.Ele apenas queria fugir pois tinha lugares demais para ir.Via dúvidas nas opiniões dele,pois só as tinha para provocar o avô. Era o final de mais uma reunião do ABC.Natacha voltava para casa,sozinha nas ruas de Paris. General Lamarque estava morto.O plano estava feito.A data marcada e só havia pouco mais de um dia. Seu coração murchara,mas se enchera de coragem. Ela lutaria,como os outros membros.E se tivesse que morrer morreria. Ela saíra do bar do ABC.No breu de Paris.Indo para casa nas ruas com pouca e precária iluminação. Mas mesmo assim pode ver os cachos e as vestes amarrotadas de Enjolras na calçada estreita. -Enjolras?O que fazes aqui? — Natacha pergunta. -Nem eu sei,na realidade. — Ele fala. -O que vai fazer,agora.O líder nunca para,não? — Fala ela. Enjolras sorri. -É difícil pensar que temos só mais um dia. — Ele diz. -É uma boa sensação. -Você terá outros dias. -Não.Irei lutar,e seremos francos,há pouca chance de permanecemos vivos. — Natacha fala com convicção. -Não vim aqui para discutir. -E para que veio,então? — Ela coloca as mãos na cintura e arqueia as sobrancelhas. -Só temos uma noite certo? — Enjolras fala e antes de deixa-la responder,rouba seus lábios,segurando em sua cintura. Seus músculos relaxam e ela se deixa cair em seus braços,segurando fortemente nas vestes de Enjolras. Natacha interrompe o beijo. -Fico feliz que tenha vindo sem razão. — Diz ela. -Não podemos desperdiçar a última noite,podemos? Ela ri e faz que não com a cabeça. Enjolras pega a mão da moça,e a conduz até uma porta. Ela apenas sorri em concordância quando os olhos azuis encontram os cinzas. Ele a leva para dentro.A casa era simples,mas bela.E tudo aquilo pouco importava para Natacha agora. Enjolras para a mão pelos cabelos cor de fogo,soltando-os,seguindo pela linha da coluna e parando na cintura. Ela estremece a cada toque gentil.E apenas olhando nos olhos azuis.
Natacha se limitava a agarrar os cachos loiros e passar a mão pelo pescoço de Enjolras. Retomou o beijo calmamente, fazendo-o abraçar sua cintura com força,a deixando mais perto de si. Não pensaram em nada,apenas fizeram o que os instintos mandavam,de jeito tão calmo e gentil que se esqueciam que assim que o sol nascesse eles teriam que lutar.
Notas finais
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