Once Upon a Time in Hidden Islands
15 Warm Hugs
Notas iniciais

Não demorou muito para que a realeza de Corona ficasse cansada. A morena se aconchegou no peito do marido e logo adormeceu. Flynn ainda ficou acordado mais um pouco para que Anna não ficasse tensa por ficar sozinha com um estranho, apesar do príncipe de Corona achar que os dois se dariam muito bem.
— Então, Kristoff — o moreno decidiu quebrar o silêncio da viagem — quanto tempo acha que leva até chegarmos na Montanha do Norte?
— Se formos neste ritmo, — o loiro respondeu sem tirar os olhos do caminho — estaremos por lá ao meio dia.
— Isso é ótimo! — Ele comemorou baixo para não acordar a mulher que adormecia em seu peito. — Não acha, Anna?
— Sim! — A menina disse com um gritinho, pondo as mãos em sua boca ao se lembrar da prima que dormia, seguindo com a voz mais baixa. — Isso é esplendoroso! Mas devo dizer que não pensei que você fosse tão rápido, cara-da-rena.
— Kristoff — ele se viu no direito de informar seu nome à princesa.
— Saúde — a morena disse sem virar-se para o rapaz.
— Mas eu não espi... — Decidiu não contrariar a princesa. — Tanto faz...
— Eugene, você está cansado — Anna notou as olheiras no primo. — Acho melhor seguir o exemplo da Punzie e dormir um pouco.
— ‘Eugene’? — Kristoff repetiu, rindo e seguindo com sarcasmo. — E você disse “saúde” pra ‘Kristoff’?
— Você tem razão — Flynn disse impedindo Anna de argumentar com o loiro, visto que ela já tinha puxado o ar para dar a resposta. E depois, cochichou para a moça. — E eu já disse que pode me chamar de Flynn.
— Okay, — ela cochichou também, envergonhada — desculpe.
— Me acordem se algo acontecer, então... — Se aconchegou de uma forma que ele e sua esposa ficassem confortáveis. — Até.
Não demorou muito para que Flynn pegasse no sono e Anna ficasse a sós com o cortador de gelo. Eles andaram por alguns minutos em total silêncio. Somente com o bufar de Sven, a rena, e o ranger das madeiras do trenó. Anna estava quase se entregando ao sono também, mas achou que seria covardia deixar o jovem acordado sozinho. Então se estapeava para manter-se acordada, até que ele decidiu puxar uma conversa.
— Agora que eles estão dormindo, segure-se — advertiu. — Gostamos de ir rápido!
— Eu gosto de rápido... — Kristoff então fez estalar as rédeas de Sven, fazendo-o disparar, Anna sorrir e cruzar as pernas sobre o painel do trenó e esticando os braços atrás da cabeça.
— Hey, hey hey! — O loiro rapidamente retirou os pés da moça de onde se apoiavam e passou a mão onde estavam procurando limpar qualquer sujeira. — Tire os pés! Isto é verniz fresco! Sério, você foi criada num celeiro?
— Não, senhor, — respondeu indignada e com um pouco de deboche — fui criada num castelo.
— Então, — ele decidiu mudar de assunto — me diga, o que fez a Rainha virar a “louca do gelo”?
— Oh, bem... — Ela parou e pensou se seria inteligente falar disso com um desconhecido, mas sentiu confiança nele e decidiu continuar. — Foi tudo culpa minha. Eu fiquei noiva, mas em seguida ela pirou porque eu tinha acabado de conhecê-lo. — Ela falava e balançava os braços freneticamente — Sabe, no mesmo dia, e ela disse que não iria abençoar o casamento...
— Espere, — ele balançou a cabeça como se tivesse levado um choque — você ficou noiva de alguém que acabou de conhecer?
— É — ignorou o comentário e continuou a história. — Enfim, eu fiquei brava, então ela ficou brava e ela tentou se afastar, logo eu agarrei a luva dela e...
— Isto é ótimo, mas deixe-me ter certeza: — ele ficou impressionado com a capacidade dela de falar um texto daqueles em um minuto, mas algo o incomodou para que pudesse elogiá-la ou ficar atento no resto da história— Você quer me dizer que conheceu alguém e ficou noiva no mesmo dia?!
— Isso, presta atenção — mais uma vez ela relevou a interrupção. — Mas a coisa é: ela usava as luvas o tempo todo então eu pensei que ela tivesse fobia a sujeira.
— Seus pais nunca te avisaram sobre estranhos? — Nesse momento, ele já havia soltado as rédeas do trenó e estava encarando ela bem de perto.
— Eles avisaram sim... — Anna percebeu e se afastou indiscretamente do rapaz, que voltou a tomar a direção. — Mas o Hans não é um estranho.
— Ah não? — Ele perguntou com uma risada. — Qual o sobrenome dele?
— Ele é um “das Ilhas do Sul”...
— Comida favorita?
— Sanduíches — ela teria estalado os dedos como um “ESSA EU SEI” mas estava de luvas.
— Melhor amigo?
— Provavelmente John — disse cruzando os braços.
— Cor dos olhos?
— Verde-lindo — soou mais apaixonado do que deveria.
— Tamanho do pé?
— O tamanho do pé não importa...
— Importa se você souber a que parte do corpo ele é proporcional... — Kristoff não quis ser mais explícito. — Já teve alguma refeição com ele? E se odiar o jeito como ele come? Ou o jeito que ele cutuca o nariz?
— Cutucar o nariz? — a donzela saiu de seu ar sonhador e voltou-se para o jovem ao seu lado.
— E depois come.
— Desculpe, senhor, ele é um príncipe.
— Todos os homens fazem isso.
— Olha, — a garota estava começando a se irritar com o cortador de gelo — não importa, é amor verdadeiro.
— Mas não parece ser... — Ele também já estava cansado daqueles argumentos inocentes da menina. Ele sabia como os homens se comportavam.
— Você é algum tipo de “especialista em amor”? — Já se cansara do ar de sabedoria do rapaz.
— Não, mas eu tenho amigos que são — daria continuidade à discussão em outra hora, pois quando acabara de responder à jovem, ele escutara algum barulho alarmante vindo das árvores e da escuridão que os cercava.
— Você tem amigos que são especialistas em amor? — A princesa estava muito ocupada com o debate que não escutara os barulhos que mais pareciam alguns quilos de areia farfalhando. — Não vou cair nessa.
— Pare de falar — o loiro aconselhou.
— Não, não — ela achou de uma arrogância a ordem do rapaz. — Eu realmente quero conhece-los.
— Eu falo sério — decidiu calá-la com sua mão, antes que ela atraísse o que quer que estivesse fazendo aquele barulho.
Puxou as rédeas da rena, fazendo-a parar. Ele retirou a lamparina que estava presa no trenó e esticou o braço para poder iluminar melhor as trevas da floresta. Estreitando um pouco os olhos para alongar o alcance da visão, foi capaz de perceber uma dúzia de pares de olhos amarelos observando-os da escuridão e se aproximando lentamente.
— Sven, — disse para o companheiro animal, pondo a lamparina rapidamente de volta em seu lugar e estalando as rédeas para que o mamífero corresse — vai! Vai!
— O quê são? — Anna perguntou logo ao sentar novamente, já que havia caído para cima do rapaz com o solavanco do trenó.
— Lobos! — Kristoff respondeu como se falasse “Ah, qual é? Você quer mesmo saber? Só tente não cair e virar comida deles”.
— O quê faremos? — Anna perguntou, enquanto se virava para trás e via uma alcateia inteira de lobos em seu encalço. Suas tranças dançavam com o vento que aquela correria deslocava.
— Eu cuido disso — ele tentou passar segurança à princesa. — E você... Só não caia e seja devorada
— Mas eu quero ajudar! — Contestou como uma criança injustiçada.
— Não! — não tinha confiança de que uma princesa criada a vida toda longe de brigas pudesse dar conta de ajuda-lo com lobos ferozes que só se aproximavam para fazer deles o jantar.
— Por que não?! — Agora ela se sentia REALMENTE uma criança injustiçada.
—Porque não confio no seu julgamento — falou enquanto pensava em algo para atrasar os lobos que deviam estar a menos de dois metros de distância deles agora.
— Como é que é? — Deu a chance ao menino de retirar o que disse há pouco.
— Quem se casa com alguém que acabou de conhecer? — Respondeu, acordando Rapunzel e Flynn, que ainda estavam ainda tontos pelo sono, mas logo se alarmaram ao ver a velocidade em que estavam e o quê os perseguia.
— É amor verdadeiro! — Anna gritou pegando o banjo do loiro e tentando acertá-lo por conta da raiva que ela estava devido ao comentário.
Por sorte, ele se abaixou a tempo, e quem levou a pancada foi um dos lobos negros que havia acabado de pular no trenó. Inesperadamente, ele não caíra para fora do veículo, mas sim se desfez em areia negra com um grunhido de dor. Os quatro se entreolharam e Flynn não percebeu quando um dos lobos pulou e o agarrou pela blusa com uma mordida. Kristoff tentou segurá-lo, mas a gravidade foi mais forte e os dois caíram do trenó e por sorte o loiro conseguiu segurar numa corda que estava amarrada ao veículo com uma mão, enquanto a outra segurava o braço de Flynn. Agora os dois estavam cercados por lobos, enquanto eram arrastados. Dois dos lobos morderam uma perna de cada um e eles gritaram de dor.
— Eugene! — Rapunzel chamou pelo marido ao ouvir seu grito e pegou a lamparina.
— Christopher! — Anna simultaneamente à prima chamou pelo piloto do trenó, errando seu nome, e pegando um saco de dormir que estava na traseira junto com os suprimentos e artefatos pessoais do rapaz.
— É ‘Kristoff’! — Ele corrigiu-a por entre os dentes que trincavam de dor enquanto o lobo continuava agarrado à sua perna.
As mulheres juntaram seus achados. Anna estendeu o saco para a prima, que ateou fogo no mesmo com a chama da lamparina, colocando-a de volto ao seu lugar depois. Enquanto isso, Anna arremessou o objeto em chamas nos lobos que mordiam os rapazes gritando para os mesmos abaixarem as cabeças. Eles fizeram, e os animais de areia negra explodiram em meio ao fogo. Com isso, elas tiveram tempo para puxar a corda e ajudar os homens a subirem de volta no trenó.
— Vocês quase nos tacaram fogo! — Kristoff alarmou a princesa de Arendelle, enquanto apertava a perna para diminuir a dor da mordida. A ferida sangrava um pouco, assim como a de Flynn.
— Mas não fizemos — ela tentou tranquiliza-lo.
— Vocês nos salvaram desses... — O moreno segurava na mão da esposa e tentava esquecer a dor, e os animais esquisitos. — Seja lá o que essas coisas são.
— Pode me agradecer depois, afinal, — ela passou a mão no machucado do homem para averiguar sua profundidade e viu que não era tão profundo — já te salvei várias outras vezes.
Anna se virou e percebeu que eles se aproximavam de um penhasco de quatro metros de largura. Não havia tempo para pararem e fazerem uma curva. Não na velocidade que estavam e isso só os aproximaria mais dos lobos de areia negra e olhos amarelados e vazios. Teriam que pular.
— Sven, — avisou à rena — se prepare para pular!
— Não diga o que ele tem que fazer! — Kristoff pegou uma adaga na traseira do veículo e agarrou Anna com o outro braço, jogando-a no dorso da rena. Flynn fez o mesmo com Rapunzel, que abraçou a prima pelas costas e Anna se agarrou ao pescoço de Sven ao ritmo que estavam a um metro do penhasco. — Eu digo! Pule Sven!
Kristoff cortou as cordas e rédeas que prendiam o bicho ao trenó. O animal aproveitou a velocidade que estava e deu um salto o mais alto que podia. Estavam sobrevoando a fenda quando Anna olhou para baixo e viu que a altura da queda era de aproximadamente vinte metros. Com sorte, Sven conseguiu levar as ao outro lado, enquanto os homens usavam o trenó como apoio e também deram seus saltos. As meninas olharam para o outro lado da fenda e viram os lobos de areia os observando, como se desejassem assustá-los mais um pouco e, com o uivar do que provavelmente era o lobo alfa, a alcateia se dissipou em uma nuvem negra e sumiu por entre as árvores. Flynn se segurou na borda do abismo com uma mão e a outra segurava Kristoff pelo pulso. Este observava seu trenó caindo, quebrando com o impacto e pegando fogo por causa da lamparina.
— Merda... — Ele resmungou, fazendo beicinho — Eu acabei de pagar por isso há pouco...
A mão de Flynn começou a escorregar por conta da neve, e ele já não conseguia mais suportar seu peso e o do amigo. Os dois começaram a gritar por ajuda, e foi quando Rapunzel segurou a mão de seu marido.
— Olá querido — os dois estavam cara a cara.
— Você está louca? — Ele estava preocupado. — Você vai escorregar e cair!
— Acho que não — ela riu e o mostrou que uma corda estava amarrada em sua cintura. — Estamos prontos!
— Puxe Sven! — Anna disse à rena, que estava com a outra extremidade da corda amarrada em seus chifres. Anna estava ajudando o animal, puxando a corda também. — Puxe!
Logo, Rapunzel fora arrastada pra longe da borda da montanha, trazendo agarrado em sua mão, Flynn. E este trouxe Kristoff. Os dois ficaram deitados na neve por um tempo, recuperando o fôlego. Rapunzel se levantou com a ajuda de Anna e as duas desamarraram a corda da princesa e da rena. As duas foram à beira e olharam para baixo, vendo os restos do trenó pegando fogo.
— Vou pagar pelo seu trenó e por tudo que estava nele e... — Anna disse cabisbaixa. Estava triste por ter destruído a propriedade do rapaz que não parecia ter muita coisa além do trenó. — Imagino que você não queira mais nos ajudar.
Com isso, a irmã de Elsa deu meia volta e caminhou para o norte e para longe do penhasco. Rapunzel ajudou o marido a se levantar e agradeceu ao dono de Sven pela ajuda e disse que assim que retornassem ao castelo arranjariam um trenó novo para ele. Flynn antes de seguir a esposa e a prima quis se despedir apropriadamente de Kristoff.
— Parece que nossa aventura chegou ao fim — Kristoff começou.
— Chegou ao fim a vinte metros de altura e se partiu em pedaços...
— Pedaços incendiados.
— Bem colega, — Flynn estendeu a mão para o loiro — boa sorte com seu negócio de gelo.
— Se você conseguirem consertar esse clima, aí sim terei sorte — respondeu rindo e apertando a mão do mais novo colega.
Assim que Flynn se juntou a caminhada das meninas e percebeu que o céu já havia se iluminado, Sven lançou um olhar de tristeza para o humano que o guiava. Kristoff pediu para que ele não o olhasse daquele jeito, e a rena respondeu com um bufo. Kristoff entendeu o tom do amigo animal e interpretou-o em voz alta.
— Mas eles vão morrer sem você — disse com uma voz mais grossa que de costume.
— Posso viver com isso — ele mesmo se respondeu com a voz normal, e Sven o reprimiu com outro bufo.
— Mas se eles morrerem, você não terá seu trenó novo — interpretou novamente a rena.
— Às vezes eu detesto sua razão — respondeu à rena e depois gritou para o trio que ainda não estava muito longe. — Podem parar aí! Estou indo.
Rapunzel parou e pôs uma mão na cintura e com a outra fez um gesto para que o rapaz passasse a sua frente. Flynn fechou os punhos de felicidade e Anna deu um pequeno salto e disse “Ah... Está bem, eu deixo vocês nos acompanharem” e isso soou mais um agradecimento do que uma permissão de fato.
Kristoff pegou a corda amarrada ao machado e enrolou-a no seu dorso para que pudesse portá-la. Levantou-se, correu e juntou-se ao grupo junto à Sven que saltitava como uma criança alegre e desmiolada. Eles seguiram em fila partindo de Kristoff e passando por Sven, Anna, Rapunzel e terminando em Flynn. Passaram em meio a floresta de castanheiras e a neve engolia seus pés, tornando a caminhada mais lenta e cansativa. Passaram por uma pequena cordilheira de montanhas e chegaram a um vale de cascatas e árvores com gotas de orvalhos congeladas. Os quatro ficaram boquiabertos e soltaram suspiros de encantamento ao ver tal paisagem. Árvores baixas e com copas gigantes, com folhes finas e longas que caiam pelo caminho encrustadas com gotas d’água congeladas os recebiam no vale e, ao fundo, o encontro frio de três cachoeiras em estado glacial e cristalizado completavam o cenário. Eles passaram por entre as folhas e cipós, saindo de sua formação linear, se dispersando e apreciando a vista, enquanto Sven arrancava vários dos cipós com seus chifres que ficaram cheios de gotas congeladas.
— Eu não sabia que o inverno... — Anna começou a dizer com os olhos lacrimejando.
— Podia ser tão lindo — Rapunzel continuou, fazendo com que as duas se entreolhassem e percebessem como perderam suas vidas ficando presas em torres, ou castelos, e nunca tendo visto as belezas naturais. Rapunzel nunca vira inverno tão lindo como aquele em Corona. Talvez porque seu reino fosse “O Império do Verão”. Ou porque sua prima nunca houvesse congelado um hemisfério antes.
— Ah sim, — uma voz desconhecida apareceu fazendo com que todos olhassem ao redor procurando quem falara — ele é lindo. Mas acho que está faltando uma cor... Que tal um azul? Ou rosa. Que tal amarelo! Ah não, amarelo e neve não combinam.
Como se fosse planejado, todos eles olharam para baixo e viram um pequeno homenzinho de neve formado por três bolas de neve, mais os pés. Devia ter um metro de altura, com uma pedra de carvão em seu peito, e duas outras na sua barriga e bracinhos de gravetos cravados um em cada canto do peito. A cabeça era enorme e só tinha um dente na parte superior da mandíbula — que era feito também de neve. Mas seus olhos eram como olhos normais, de pessoas. O que, devido ao ataque de lobos de areia negra e à uma rainha com poderes de gelo, era a coisa mais normal destes três dias.
— Oi! — Ele disse ao ver todos olhando para ele.
Rapunzel levou um susto com o boneco de neve falante e lhe deu um chute na cabeça, fazendo com que ela voasse para as mãos de Kristoff. Este a jogou para Flynn que protestou com “Não quero este cadáver de neve falante!” e o arremessou para Anna que ao ver o corpo sem cabeça do boneco caminhando em sua direção, arremessou o crânio de neve no chão. Ao olhar melhor, viu que havia arremessado a cabeça ao corpo e que esta estava de cabeça para baixo.
— Ué, por que vocês de estão de cabeça para baixo como morcegos? — O pequeno homem de neve perguntou inocentemente.
— Eh, — Rapunzel se aproximou e revirou a cabeça pondo-a corretamente, e fez aquilo como um pedido de desculpas por tê-lo chutado — deixe-me consertar.
— Ah, assim está bem melhor! — Ele disse, apertando a mão dela com as pequenas mãozinhas de graveto. — Obrigado! Achei que tivesse ficado a minha vida inteira de cabeça para baixo...
— Está faltando algo... — Anna reparou, e lembrou-se que havia guardado consigo uma das cenouras que comprara para Sven lá no armazém. Ela retirou o vegetal de um bolso interno de sua capa de inverno e o empurrou no rosto do boneco (e com mais força do que deveria), fazendo com que a cenoura atravessasse a cabeça e com que o boneco ficasse com um nariz pequeníssimo. — Me desculpe!
— Eu adorei! — Ele disse jogando os braços para o alto de alegria. — Eu sempre quis ter um narizinho. Parece até um bebezinho unicórnio... — Anna empurrou a cenoura pela nuca do boneco e fez com que ela ficasse totalmente de fora no rosto dele, aumentando o tamanho do nariz. — Está brincando? Agora ficou ainda melhor! Acho que devemos começar de novo: olá pessoal, eu sou Olaf! E eu gosto de abraços quentinhos!
— “Olaf”? — Anna sentiu como se o nome a tivesse acertado bem no estômago, e se lembrou do boneco de neve que construíra com Elsa há muitos anos, e que além de ter o mesmo nome, tinha a mesma aparência deste Olaf. — Isso mesmo! “Olaf”!
— E você é...? — Ele estava esperando ansiosamente pela introdução da menina gentil que lhe dera um nariz.
— Ah, meu nome é Anna — disse se sentando na neve e ficando do mesmo tamanho que ele.
— E eu sou Rapunzel, mas pode me chamar de Punzie — falou enquanto copiava a prima, sentando ao lado desta e dando-lhe o braço.
— E quem é o narigudo ali? — Olaf perguntou.
— Meu marido, Euge... — Rapunzel parou e achou que seria melhor falar logo o apelido. — Flynn, Flynn Rider.
— E o peludo fedorento?
— Aquele é o Sven — Anna respondeu certa de que falavam da rena.
— E a rena, quem é? — Kristoff abaixou a cabeça, constrangido por ser chamado de ‘peludo e fedorento’. “E tomo banho com frequência, obrigado” pensou. “E meu corpo é sem pelo nenhum, principalmente lá embaixo”.
— É o Sven... — Rapunzel respondeu confusa.
— Ah, eles tem o mesmo nome? — Olaf realmente era muito inocente. — Fica mais fácil pra mim.
Sven tentou mordiscar a cenoura que agora era o nariz do Olaf, mas ele recuou a tempo e riu pensando que o animal queria fazer carinho e logo simpatizou com a rena.
— Olaf, foi a Elsa que o criou? — Anna perguntou ao boneco.
— Aham, por quê?
— E você sabe onde ela está? — Rapunzel questionou.
— Aham, por quê? — Kristoff pegara um dos braços do boneco enquanto ele respondia.
— Você pode nos levar até lá? — O moreno perguntou de braços cruzados.
— Como isso funciona? — Kristoff se perguntou em voz alta e o braço de Olaf o acertou com um tapa na cara, e o boneco pulou e pegou o membro de madeira de sua mão.
— Quietinho Sven, estou concentrado aqui — repreendeu Kristoff, errando seu nome e colocando o braço de volta no lugar. — Ahan, por quê?
— Eu respondo o porquê — Kristoff deu um passo a frente. — Nós precisamos que ela acabe com este inverno e traga o verão de volta.
— Ah, o verão... — Olaf fechou os olhos e se abraçou. — Eu não sei o motivo, mas eu sempre adorei a ideia do verão, do sol e coisas quentinhas...
— Sério? — Flynn pôs a mão na cabeça de Olaf, como se faz quando faz cafuné numa criança. — Suponho que não tenha muita experiência com calor.
— Nenhuma — Rapunzel e Anna estavam hipnotizadas com a fofura e inocência de Olaf, principalmente ao responder a pergunta de Flynn. — Mas às vezes eu gosto de fechar meus olhos e pensar em como vai ser quando o verão chegar...
— Eu preciso contar à ele — Kristoff cutucou Flynn com o cotovelo e os dois riram, mas logo foram repreendidos com olhares ameaçadores das mulheres como se dissesse “Se vocês destruírem o sonho deste pequeno e fofo homem de neve eu mato vocês! Isso mesmo!”
Eles escutaram tudo o que Olaf pretendia fazer no verão e como ele imaginava ser esta estação do ano, e quando ele finalmente agarrou a ideia de que precisava ajuda-los não só para concretizar seu sonho de ver o verão, mas porque também havia gostado muito daqueles jovens, ele saltitou e correu para a direita da cascata de gelo.
— É isso aí! — Ele gritou. — Vamos trazer o verão de volta!
Rapunzel e Anna se levantaram e correram atrás do homenzinho aos pulos e gritinhos. Haviam conseguido mais um aliado, um amigo e um fofo e amável boneco de neve falante tudo na mesma criatura! Sven correu prontamente atrás das duas, deixando Flynn e Kristoff para trás. Eles seguiam lentamente, e boquiabertos.
— Precisam contar à ele... — Os dois falaram ao mesmo tempo e começaram a correr atrás dos companheiros em direção à possível localização de Elsa. Estavam mais perto do que nunca de acabar com aquele frio fora de época e Flynn remoía seus pensamentos pois não havia recebido nenhum sinal de Jack, ou de Hiccup e Merida.
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