Notas iniciais
Gente, está aí! hahaha Deixem-me explicar minha ausência: o Nyah e o Spirit tem implicância comigo! hahahaha Eu não estava conseguindo entrar no site esses dias! Sei lá o motivo. Boa leitura.

— Não acredito! — Merida acordou gritando e se mexendo. Logo, desequilibrou-se e caiu do galho sob o qual passou a noite. Para sua sorte (e azar de Hiccup, que estava aos roncos logo abaixo dela) o domador de dragões amorteceu a queda.

— O quê foi garota?! — Hiccup disse empurrando Merida para o lado para que ele pudesse se sentar. Ele franziu a testa e passou a mão no lado direto do abdômen, onde Merida havia caído de cotovelo.— O quê é tão assustador que pediu um ataque ao meu rim?

— O cão! — Ela disse pondo as mãos na cabeça — Nós esquecemos o cão! Quase morremos por aquela maldita estátua e nem sequer pegamos ela! Eu sou uma filha da...

— Eu peguei — Hiccup a interrompeu estendendo os braços em sinal de alerta, antes que ela se xingasse atoa. — Na verdade o Tooh pegou, não é amigão?

Enquanto passava a mão da cabeça do dragão que bufava de alegria, Hiccup fazia caretas como se ele estivesse recebendo as caríciass. O Night Fury assentia enquanto sorria. Merida nunca havia visto cena tão estranha e tão bonita entre um menino e seu companheiro animal. Ela conseguiu rir com o canto do lábio enquanto assistia.

— E então, — a ruiva juntou as mãos e olhou para os lados — onde está?

— Nós a guardamos nas minhas coisas. — Ele apontou para suas sacolas de pano e no meio de tantas havia uma que era menor e ele a pegou, amarrando-a no cinto. — Vamos fazer uma fogueira para derretê-la e moldá-la em algo que Elsa possa usar.

— Para quê tanto trabalho? — A princesa de DunBroch pôs uma das mãos na cintura e gesticulou com a outra. — Nem tenho certeza se precisamos dessa estátua, então porquê não simplesmente chegarmos perto dela com a estátua?

— Porque, estúpida, — outra voz feminina brotava na conversa e eles olharam para o lado e observaram Astrid mancando para perto deles enquanto continuava a falar — não é tão simples quanto chegar para a louca do gelo e fala “Ah, oi querida pode segurar essa estátua pra mim por favor? Obrigado, agora que você está sem poderes vamos atacar você”.

— Bom dia pra você também, Astrid — Merida ignorou o insulto e a ironia. — Como estão os ferimentos?

— Doendo — lançou um olhar torto para Merida. — Como acha que estão?

— Sempre de bom humor — Hiccup interviu. — Então, Merida, nós vamos fazer isso para que possamos inibir os poderes da Elsa sem que ela perceba. Entregaremos o bracelete para ela como um sinal de afeição.

— E assim que ela colocar, a atacamos — a loira fechou o punho e bateu com ele em sua outra mão. — O bracelete vai servir como um ótimo acessório quando formos executá-la.

— Executá-la? — Merida passou a mão de leve em seu pescoço, como se uma guilhotina fosse passar por ali.

— Não escute o que ela diz — Hiccup disse rindo, passando a mão atrás da cabeça. — Quem manda é você, só faremos o que você mandar. À princípio nós só vamos aprisioná-la.

— Então seu plano é enganar a Elsa se fingindo de amigo? — Merida olhou para Hiccup e sentiu um nó na garganta. — Mas que horrível... Eu... Eu preciso ficar um pouco sozinha.

Merida saiu da clareira e andou em direção ao lugar onde observara as nuvens com o moreno no dia anterior. O morador de Berk não entendeu a reação da ruiva e decidiu ir atrás, mas sua namorada o impediu, bloqueando a passagem com seu braço. “Deixe que eu falo com ela”, Astrid disse. “Conversa entre mulheres. Você faça a fogueira e molde esse vira-lata num belo bracelete”. Assim, ela virou-se e correu atrás da princesa de DunBroch, para não perde-la de vista. Quando finalmente a alcançou, a ruiva estava se apoiando numa árvore.

— Mas por que você me seguiu? — Merida disse pondo as costas em contato com a árvore. — Se veio dar amostra de arrogância, já provei a dose diária.

— Na verdade, — Astrid encostou-se na árvore ao lado da ruiva e sentou-se. — Te conhecendo como conheço há dois dias, fiquei com medo que fizesse algo estúpido.

— Ownt — a ruiva lançou um olhar de ironia — então você se importa comigo.

— Não estou aqui pra você falar dos seus problemas — a loira retribuiu com olhos de nojo para a garota — muito menos para me abrir sobre os meus.

— Graças aos deuses!

— Mas eu vim aqui também para te dar um conselho.

— Eu não quero um conselho seu, não consegue controlar nem por um minuto sua lín... — Ela mesma se interrompeu ao observar os olhos de Astrid marcando cada movimento dos seus lábios.

— Não é nada demais, mas acho que é importante que você escute o que tenho a dizer — ambas se olharam. — É importante que você saiba da real situação dessa missão e dos nossos reinos.

A ruiva se sentou ao lado da namorada de Hiccup, encolheu a pernas e as abraçou. Astrid havia falado com tanta convicção e seriedade, que a garota se via na obrigação de escutá-la. E, além do mais, estava curiosa.

— Como você deve saber, nossos líderes fecharam um acordo há alguns anos, e agora nossas forças de batalha são compartilhadas e também, fazemos trocas de produtos...

— Sim... — a jovem ruiva balançou a cabeça, como se já houvesse escutado aquilo. — Nós lhes cedemos roupas, como esses casacos de pele de urso, e você nos dão peixes.

— Exatamente — não iria admitir, mas ficou surpresa que ela soubesse do acordo, já que princesas deveriam ficar mais cantando e falando com bichos do que sabendo de assuntos diplomáticos. — Mas como você deve imaginar, essa não é uma troca muito justa.

— O quê quer dizer?

— Quero dizer que tecidos importados são bem mais caros do que uma bacia de peixes — Astrid foi ríspida em sua resposta, achando que era dever da princesa saber disso. — Quando nós fechamos esse acordo, ainda lutávamos contra os dragões, então precisávamos de toda a ajuda possível. E nosso único reino de contato eram vocês. Mas o ponto é que... Esse acordo já dura muito tempo...

— Vocês não têm mais condições de comprarem as roupas caras e os peixes já não estão dando conta...

— Pior que isso, nós sempre pescamos para nós. Nunca tivemos problemas com isso, mas como agora caçamos para duas nações, já não há mais tanta quantidade de peixes assim...

— Vocês estão numa crise — Merida ficou boquiaberta com a revelação.

— E essa missão em conjunto é uma última jogada de Berk para tentar reparar essa situação. Se não for um sucesso, não receberemos a recompensa de DunBroch e nossa crise vai piorar. E se isso acontecer... — Astrid olhou fundo nos olhos da menina e ela pode sentir como se uma faca fosse posta em seu pescoço. — O acordo ficará por um fio.

— Uma guerra entre Berk e DunBroch — ela fitou o chão e sentiu que o chão se abriria e ela seria engolida pela terra.

— Isso mesmo.

— Por que você não me falou isso antes? — Merida se levantou e arfou como se faltesse ar. — Por que o Hiccup não me disse isso antes?

— Ele não sabe — Astrid se levantou também e bateu na roupa par tirar a neve. — Ele acha que nossa situação está ruim assim por causa do recente ataque que recebemos. Na verdade, nem eu deveria saber disto, mas você sabe, uma mulher que não sabe ser sutil não merece ser chamada de mulher.

— Por que você me contou isso? — A ruiva pôs uma mão no peito e outra na cabeça, que parecia rodar.

— Porque eu sei que você está hesitando em matar a maluca do gelo, e agora que sabe da situação, acho que ficará mais fácil de decidir: é a vida de uma mulher contra a vida de várias pessoas inocentes. Imagine se algo acontecer com o Hiccuo durante essa guerra? — Astrid se virou de costas para a jovem e lançava um olhar maldoso com o canto dos olhos como se soubesse exatamente onde estava pisando. — Ou se algo acontecer aos pais dele e ele descobrir que foi por sua causa? Nossa... Eu acho que eu nunca mais iria querer vê-la. E ainda tem seus pais, seus irmãos...

A líder da missão estava com os olhos tão abertos, em estado de choque, que começou a senti-los secarem. Pisco algumas vezes para ver se ainda estava viva e ficou pensando no assunto. Não podia arriscar tudo pela Elsa, mesmo que ela também fosse inocente nisso tudo. Deveria crescer, pensar como líder. Sua nação em primeiro lugar, e não era somente DunBroch que estava em apuros, Berk também. E ela havia prometido à Hiccup que iria visita-lo e que ele a ensinaria a montar em dragões. Mas também queria saber o porquê de sentir tanta empatia por Elsa se teria que matá-la. Ela não queria fazer isso, talvez não tivesse que perder ninguém. Deveria ter um meio termo, um jeito que todos ganhassem. Astrid já se preparava para voltar ao acampamento, mas Merida segurou-a pelo braço.

— Espere... — Elas se olharam e Astrid parecia matá-la mentalmente por tê-la tocado, então a soltou. — Por que você não conta isso para o Hiccup? Ele merece saber.

— Não vale a pena, ele não saberia o quê fazer. Não sabe nem pôr as calças sem mim.

— Você o subestima demais... Ele é seu namorado!

— Não, não parceira. — Astrid se virou novamente e saiu andando. — Eu o conheço bem, ao contrário de você. E tem razão, ele é MEU namorado, não se esqueça disso.

A ruiva bufou se seguiu Astrid de volta à clareira. Não demorou muito para que chegassem e encontrassem Hiccup derramando um líquido fervente num molde, fogueira acesa ao seu lado e todo um equipamento de ferreiro. Por mais frio que estivesse, ele estava suando.

— Até que enfim vocês voltaram! — Disse ao vê-las, com seu sorriso sincero de sempre. — Achei que tivessem se perdido, como se fosse possível.

— É... — Merida não aguentava esconder a real situação do menino e vê-lo tão contente daquele jeito, sem saber de nada, fazia doer seu coração.

— Parece que meu garoto já está acabando com o trabalho não é, Merida? — Astrid disse chegando perto da ruiva e soltando um sorriso forçado, em seguida cochichou em seu ouvido. — Se falar algo da nossa conversa, eu te mato.

— Você já está melhor? — O domador de dragões se aproximou, passando o braço na resta para retirar o suor.

— Sim, claro. — Ela mentiu e esperava que ele não percebesse. — Estou ótima, mas e quanto ao bracelete.

— Bem, eu esquentei o cão na fogueira que eu e Tooh fizemos então eu peguei meus instrumentos de trabalho que trouxe de Berk e consegui fazer um molde de bracelete e... — Depois de ter falado tanto sem respirar, quando parou para puxar o ar, percebeu algo. — Espera um pouco... Você aceitou usarmos o bracelete?

— Claro... — Ela pegou o molde da mão dele com as luvas térmicas e mergulhou o objeto na neve, fazendo a temperatura do metal diminuir e a neve derreter. — Vamos acabar com esse inverno. Saímos amanhã de manhã para encontrar os outros.

O centro de Arendelle estava mais calmo que de costume. Poucas pessoas nas ruas devido ao frio e coisas assim. As casas e todo o resto estavam cobertos por quilos de neve, quem sabe toneladas. A cidade parecia feita de gelo. Os nobres que ficaram presos se aconchegaram no castelo como era permitido, às graças do Príncipe Hans que fora deixado no comando. Junto com os guardas do palácio, ele distribuía roupas de frio para os camponeses e ajudava aos homens a pegarem lenha. De vez em quando ocorriam brigar por conta de quem ficaria com determinado casaco ou quantidade de lenha. Então o ruivo tratava de mediar o debate e dividir igualmente, ou procurar outro casaco para que tudo ficasse certo. Senhoras o agradeciam e o abençoavam enquanto as crianças o entregavam desenhos e biscoitos em forma de agradecimento. Com um sorriso bondoso no rosto, ele recebia com agrado os presentes.

— O senhor está ficando bem famoso por aqui não é mesmo? — Um dos guardas perguntou ao rapaz enquanto eles entregavam algumas capas de inverno.

— Não sei se seria “famoso” a palavra certa. Seria mais respeitado.

— Qualquer um dos dois ajudará quando você e a Princesa Anna se casarem, certo, Príncipe Hans? — o jovem das Southern Islands se virou e encontrou o Duque de Weselton vindo em sua direção com dois de seus acompanhantes e seguranças.

— Não falamos disso ainda, senhor... — Sem continuar, se voltou para as pessoas e gritou — Capa! Alguém precisa de capa?

Uma senhora levantou a mão e o príncipe correu até ela e lhe entregou uma veste. Ela segurou sua mão e pediu que ele se aproximasse. Hans se abaixou e ela disse que estariam em dívida com Vossa Alteza. O rapaz sentiu um orgulho muito recompensador. Estava conseguindo conquistar as pessoas de Arendelle. Novamente se virou para os cidadãos ali e gritou “O castelo está aberto! Temos sopa e grogue quente no Grande Salão”. Virou-se para um guarda de mãos vazias e o entregou algumas capas.

— Aqui, distribua essas.

— Príncipe Hans, — um protesto veio de suas costas e ele se virou para ver o Duque batendo o pé e vindo em sua direção. — Espera que nós sentemos aqui e congelamos enquanto você distribui as mercadorias de Arendelle?

— Princesa Anna deu as suas ordens... — o jovem respondeu inexpressivo, afinal, não deveria dar explicações ao duque, que o interrompeu rudemente.

— E isso é outra coisa! — O idoso disse pulando e fazendo sua peruca ficar ainda mais evidente. — Já passou pela sua cabeça que sua princesa pode estar conspirando com a feiticeira perversa? Para destruir todos nós?

— Não duvide da princesa — Hans fechou o rosto para o duque e se aproximou dele, apontando o dedo em seu rosto. Os capangas já se preparavam para puxar as espadas. — Ela me deixou no comando, e eu não hesitarei em proteger Arendelle de traição.

De repente, ouviram cavalos relinchando e o barulho dos cascos se aproximando. Por fim, três quadrúpedes entraram pelos portões do palácio, assustados e assustando os camponeses. Crianças saíram correndo para o colo de suas mães e gritaram com medo. Hans reconheceu as celas com o símbolo de Arendelle e correu até os animais para tentar acalmá-los. Poucos minutos depois, tudo estava mais tranquilo.

— Hey, hey, hey rapaz! — Passou a mão no focinho de um dos cavalos, acariciando. — Com calma...

Murmúrios da multidão que se formou vieram. Os cidadãos se perguntavam surpresos onde estava a princesa Anna. Já que aquele era o cavalo dela e os de seus primos que saíram em busca de Elsa, ficaram espantados com a ausência dos nobres. Hans não sabia o quê pensar, afinal, outros dois cavalos do palácio havia chego ali dois dias antes. E agora os outros três chegam também sem seus montadores. Algo havia acontecido e esta era a hora perfeita para que ele pudesse mostrar que podia ser um líder generoso, corajoso e atencioso, e merecedor da mão de Anna, partindo em busca dela e dos outros. Ele observou as montanhas ao norte cercadas por neblina enquanto os aldeões murmuravam ainda mais.

— A Princesa Anna e seus primos de Corona estão em apuros — ele disse para a multidão que se calou. — Preciso de voluntários para irem comigo procurá-los.

— Eu vou! — Um dos guardas se pronunciou.

— Nós também! — Outros sete homens do palácio se voluntariaram.

— Eu ofereço dois homens, meu senhor! — O duque gritou para todos e Hans assentiu com a cabeça em forma de agradecimento. Então o representante de Weselton se virou para seus lacaios e cochichou para eles. — Estejam preparados para qualquer coisa. Vocês devem encontrar a Rainha e dar um fim a este inverno. Entenderam?

Os homens assentiram e então a multidão se dissipou. Os guardas foram para a base no castelo se equipar. Os homens de Weselton também se recolheram até que o príncipe desse a ordem de saída, e este por sua vez se recolheu em seus aposentos no castelo para se preparar. Ao chegar em seu enorme quarto — que nem de longe era um dos maiores do castelo — ele se deitou na enorme cama e afundou no colchão macio de braços abertos. Ficou observando o teto do quarto e as paredes. O teto tinha relevos e detalhes em dourado, como um painel de losangos. As paredes seguiam o mesmo padrão, mas eram majoritariamente vermelhas. Com o estilo parecido com rococó, os móveis de madeira e o cômodo estavam sincronizados. Cama de casal o fez lembrar-se de Anna e de como ela estava longe. Sentiu uma pontada de dor no coração. Amava tanto a menina que mal podia suportar sua ausência e a incerteza do que havia acontecido com ela. Não conseguia entender como havia sobrevivido sem ela todos esses anos.

— Anna... — Sentou-se na cama — Onde está você?

Levantou-se e retirou suas luvas, seu colete e a blusa. Seus irmãos mais velhos diziam que ter pelos no peito era o que atraía as mulheres, mas ele nunca acreditou nisso. Sempre achou que elas seriam atraídas pela sua personalidade, mas óbvio, ele levantava peso de vez em quando para manter os músculos, mas não que pensasse nisso para trazer as mulheres até ele. E Anna não parecia se importar com corpo, era muito inocente. Retirou suas botas, as meias e a calça. Não havia nada em baixo, então caminhou até o banheiro e lá encontrou cobrindo uma parede inteira um espelho.

— Mesmo não sendo muito importante, — ele se observou nu diante do espelho — será que Anna vai gostar de me ver assim na nossa primeira noite? Não vai ficar com medo que eu a machuque?

Entrou na banheira que já havia pedido para as servas encherem com água gelada. Fez lentamente, pondo as pernas e depois sentando-se. Quando a água gelada tocou em suas partes, ele sentiu um arrepio. Nunca havia feito sexo e se perguntava como seria a sensação. Limpou-se com vontade, queria estar limpo e cheiroso quando encontrasse Anna. Limpou os cabelos e depois o corpo.

— Será que ela gosta do meu corpo assim? Digo... Não ficará com medo que eu a machuque?

Começou a se lembrar de como a menina era adoravelmente tagarela, impulsiva e gentil. Sua inocência era o que ele mais adorava nela. Totalmente diferente da menina que encontrara em sua viagem há alguns anos à Mist Haven. Claro, ele era homem. Tinha suas necessidades, então obviamente havia reparado nos dotes da princesa. Seus seios eram do tamanho perfeito, nem muito grandes nem muito pequenos. A cintura que se encaixava perfeitamente em seu braço quando fosse abraça-la. Sua boca macia e pequena que o deixava louco de vontade de beijá-la. De repente, sentiu sua ereção e a água já não estava tão gelada assim. Um calor brotou em seu peito e ele sabia o que tinha que fazer. Pôs sua mão em torno do membro e começou os movimentos de subida e descida. Não gostava de fazer aquilo porque era obrigado a pensar em Anna totalmente desinibida. Não achava certo, mas seu desejo era incontrolável. Fechou os olhos e imaginou que os movimentos fossem feitos pela boca macia da princesa e cada vez ia acelerando as agitações. Gemia sem conseguir se controlar.

— A-Anna... — ele se desfez finalmente — Me desculpa por isso...

Se levantou e caminhou novamente até a cama onde sua roupa para sair na busca o esperava. Um colete branco e uma blusa azul, calça azul, suas botas pretas e a capa de inverno de Arendelle. Já estava pronto para se vestir quando ouviu um riso sombrio ecoar pelo cômodo.

— Quem está aí? — Ele correu e pegou sua espada que havia guardado num dos cantos do quarto na noite anterior. Ficou em pose de batalha mas ninguém apareceu. — Perguntei quem é você?

— Não acho que você possa fazer alguma coisa desse jeito — a voz disse vindo de todos os lugares do quarto. — Entendo que goste de se ver pelado, mas eu não gosto. Ponha uma calça.

— Apareça, demônio! — Hans apontou a espada para o lustre de cristal, como se tivesse a sensação de que a voz vinha de lá. — E não, obrigado, estou muito bem sem as calças por enquanto.

— Príncipes são sempre tão vaidosos... — de repente a temperatura do quarto abaixou, como se fosse uma punição à Hans por continuar nu. Rapidamente, o jovem correu e pôs não só sua calça, mas toda a roupa, inclusive a capa de inverno. — Assim está bem melhor, não acha?

— Deixe de ser covarde! — Ele desafiava o desconhecido e por fim usou sarcasmo, com direito a um sorriso irônico. — O quê foi? Se assustou com o tamanho da minha “espada”?

Inexplicavelmente, o garoto foi empurrado para trás e bateu com as costas na parede à direita e caiu sobre uma estante fazendo alguns livros e castiçais caírem no chão. Levantou-se rapidamente e notou que não havia se machucado, aquele havia sido um aviso somente. Disse para o oculto que tentasse com mais vontade, senão, não conseguiria nem mesmo desacordá-lo.

— Seu garoto tolo e abusado... — areia negra surgiu por debaixo da cama e empesteou o quarto por inteiro, e logo depois avançou para Hans tomando a forma de tentáculos para acertá-lo.

Ele usou a espada para cortar dois tentáculos negros. O terceiro veio por baixo para derrubá-lo, mas ele pulou e desferiu um arco no ar, destruindo mais três tentáculos. Percebeu quedo outro lado do quarto, perto da entrada para o lavabo, uma silhueta coberta de areia emergia. Correu até lá, mas o ambiente negro tentou o impedir a qualquer custo. Parecia que aquele monte de pó preto servia como uma mão do demônio desconhecido. Uma parede negra se ergueu entre ele e a silhueta. De trás do príncipe, mais dois tentáculos vieram em sua direção para ataca-lo. Então, se abaixou e os dois bateram no muro negra. Usou então as formas que o atacaram como degraus para pular a muralha e chegar a silhueta. Quando estava no alto da divisória, ele apontou a espada para o oculto e saltou em sua direção, atravessando o pescoço da sombra.

— Agora você não pode mais me dizer quem você era, — Hans dizia ao pé do ouvido da sombra — demônio.

— Mas que selvagem — A forma se retorceu e se desfez, prendendo os pés de Hans enquanto o resto da areia prendeu suas mãos e suas pernas na parede, fazendo com que a espada caísse. Pouco a pouco, partículas negras se juntaram do lado de Hans e logo um homem estava ali. — Só queria conversar com você.

— Mas como você está vivo... — Hans balançava a cabeça e seu cabelo molhado caia em sua testa. — Eu degolei você!

— Você acha que a sua espada cega iria sequer fazer cócegas em mim? — O homem apontou a mão para a espada e ela flutuou até seu lado, se desintegrando logo depois. — Que erro fatal.

— Você também tem magia?

— Ótima percepção, senhor óbvio. — O homem se aproximou de Hans. — Percebeu isso por causa da areia negra com a qual você lutou ou por causa da sua espada que acabei de destruir?

Sua pele era tão negra quanto suas vestes e seus cabelos curtos e arrepiados. Ele usava um manto que lhe cobria até os pés e seus braços cruzados atrás das costas. Seus olhos eram amarelos como o mais nobre dos colares de ouro, mas transmitiam frieza, rancor e ódio. Lhe faziam tremer só de olhar, mas Hans não deixaria isto lhe intimidar.

— Além de ter magia, tem arrogância — Hans desdenhou do feiticeiro, mas parou ao sentir a areia o apertar com mais força.

— E você é muito valente, Príncipe Hans — ele segurou o rosto do ruivo com uma das mãos como se quisesse que o jovem olhasse no fundo dos seus olhos. — Não hesitou em lutar contra mim, mesmo sabendo que era uma tarefa impossível. E mesmo estando preso, praticamente com o pé na cova, continua mantendo sua honra.

— O quê você sabe sobre honra? — Hans mexeu a cabeça para que o homem da sombra o largasse. — Só luta atrás de sua mágica, demônio!

— Assim você me magoa... — Ele se afastou e sorriu sarcasticamente para o rapaz. — Sou Pitch, o rei das trevas, rei dos pesadelos! E com certeza entendo mais de honra do que você, seu pervertido.

— Cale sua boca... — O príncipe disse baixo.

— Me diga... — Pitch sentou-se na cama — Como foi a sensação de se despejar no rosto de Anna?

— Eu mandei calar a boca! — Hans gritou para o homem. — Ou eu juro que te mato, seu maldito!

— Tão corajoso... — Ele se levantou e foi até o príncipe, colocando uma das mãos em seu peito. — Tão apaixonado... Mas quão forte é o seu coração? — O Rei dos Pesadelos cerrou os olhos e Hans retribuiu, como se desafiasse ao feiticeiro a fazer algo com ele. Eles ficaram assim por uns segundos e por fim, o homem da sombra retirou sua mão do peito do rapaz e se afastou, frustrado. — Realmente, seu coração é muito forte, como você principezinho.

— Não precisava que me dissesse isso — Hans sorriu. — Eu já sabia. É graças à Anna que sou forte.

— Mais que lindo... É uma pena que ela não o ame da mesma forma.

— Não vou cair em suas mentiras, demônio.

— Como pode ter tanta certeza de que estou mentindo?

— Nunca acreditaria em você — ele encarou o mago com toda a coragem que conseguiu reunir. — Muito menos em algo sobre a Anna.

— Certo... — Pitch sorriu também e se deitou na cama. — Mas eu não estou mentindo quando digo que ela está com um cortador de gelo, seguindo para o castelo de sua irmã.

— Cortador de gelo? — Ele balançou a cabeça para espantar a curiosidade. — Como você sabe disso?

— Porque meus lobos os atacaram noite passada — quando disse isso, uma alcateia de aproximadamente oito lobos apareceu junto à ele no quarto. Eles eram iguais ao mestre: negros de olhos amarelos.

— O quê você fez, seu diabo!?

— Acalme-se, irritadinho — acariciou um dos lobos. — Eles estão bem vivos e seguindo jornada. Afinal... Ela tem o corajoso e forte domador de renas para protege-la e aos seus primos. Mas acho que você não vai acreditar em mim de qualquer forma. Boa sorte em sua viagem, príncipe.

Ele estalou os dedos e sumiu, junto com toda a areia negra. Hans desmoronou no chão e observou o quarto. Estava sozinho novamente, com certeza. Alguns livros e castiçais estavam no chão, então ele se levantou e os colocou no lugar. Bateu na roupa para retirar qualquer sujeira e caminhou até a porta. Correu pelo palácio e quando chegou ao pátio, mandou que os guardas chamassem todos os voluntários. Partiriam imediatamente. Rapidamente, os dez homens se juntaram a Hans e, antes de partir, ele pediu uma espada bem afiada ao ferreiro real, que foi buscar uma no estoque. Ao tê-la em suas mãos todos subiram em seus cavalos e partiram.

Eles avançavam com dificuldade, já que os cavalos enfrentavam o problema da neve. Hans continuava a remoer a conversa que teve com o Pitch. Ele disse que Anna estava com um cortador de gelo e domador de renas. E o quê ele teria ido fazer lá? Somente implantar dúvidas em sua cabeça? Se fora só isso, ele não conseguira. Confiava cegamente em Anna e agora tinha certeza disso, pois como o feiticeiro disse, seu coração era forte. E isso era graças ao amor entre ele e Anna. De repente, ele fora tirado de seus pensamentos por um dos soldados.

— Meu Lorde, o senhor deve ver isto — ele desceu do cavalo e Hans o seguiu até um floco de neve flutuante e que era do tamanho da palma da mão de Hans. — Mas que magia estranha é essa?

— Acredite, não é tão estranha assim — ele disse sério, sem se virar para o guarda. Então se aproximou mais do floco e, com cuidado, o tocou. Este começou a brilhar e a seguir lentamente para o norte.

— Será que isto é obra da Rainha Elsa? — Um dos que continuou no cavalo se questionou.

— Acho que quer que o sigamos... — O príncipe franziu as testas e montou em seu cavalo novamente. — E tenho a sensação de que nos levará direto para Elsa e, com sorte, para Anna também.

Ele ordenou que os homens o seguissem. Então todos foram atrás do floco de neve que se movia de acordo com o grupo, para que eles não se perdessem devido a lentidão do cavalo. Saíram do castelo aproximadamente ao meio-dia, e quando anoiteceu, eles já estavam totalmente imersos na floresta. Hans percebeu que os honráveis cavaleiros não diriam nada, mas estavam esgotados. Decidiu mandar que parassem para armar acampamento. Eles acharam que era loucura, já que perderiam o floco. Mas Hans os assegurou que assim que parassem, o objeto guia também pararia. E assim foi: todos armaram acampamento e ascenderam três fogueiras distribuídas para que todos suportassem o frio da noite. Hans sentou-se em sua tenda e olhou para fora, o céu. Fitou as estrelas e prometeu à lua.

— Anna... Não se preocupe — Ele pôs a mão no coração, como se conectasse seus pensamentos aos de Anna. — Eu estou indo.

Notas finais
E aí pessoas? O quê acharam das revelações e dos encontros desse capítulo? Comentem aí!