Once Upon a Time in Hidden Islands
12 The Reindeer Man And His Reindeer
Notas iniciais

Já havia amanhecido e Flynn se levantara cedo. Esperou sentado no lado de fora da árvore até que o escudo de proteção feito por Jack desaparecesse. E assim aconteceu: a película começou a brilhar novamente e um buraco se abriu no topo e foi se alastrando até que toda a proteção houvesse se dissolvido. O homem percebeu então que a tempestade da noite passada havia sumido e que a paisagem estava realmente muito serena. Era quase reconfortante. Então ele se levantou e foi até sua esposa e a acordou com um sopro na orelha. Com um sorriso no canto da boca, Rapunzel abriu os olhos e observou seu amado com os olhos castanhos a observando e se sentou para melhor se espreguiçar.
— Já acordado? — Rapunzel terminava de esticar os braços e Flynn a beijou rapidamente. — Que... Incomum.
— Você está querendo insinuar alguma coisa, Punzie? — Ele se inclinou em direção à sua mulher como se fosse beijá-la, mas na verdade era só para provoca-la.
— Insinuar? — Ela olhou para o alto, com uma falsa expressão pensativa. — Humm, algo como “você normalmente dormir até meio dia”? Não, nem passou pela minha cabeça.
— Hilária — disse com um sorriso cínico. Ele observou Anna ainda adormecida. — Vamos procurar algo para comer? Anna deve estar cansada e acordará faminta.
— Estamos com neve em pleno verão — Rapunzel balançou a cabeça e se levantou, sendo acompanhada por seu marido. — Tenho certeza que nenhuma fruta comestível sobreviveu a isso. E não sei se é certo deixarmos Anna sozinha agora. Nem mesmo enquanto ela dorme.
— Como acha que ela está se sentindo agora?
— Acho que confusa. Deve ser difícil perceber que durante sua vida inteira sua irmã tinha um segredo tão doloroso e não o partilhou com você. Que sofreu sozinha. E se achar responsável pela fuga de Elsa, ela deve estar bem chateada.
— Eu estava falando de Elsa — Flynn fitou o chão e voltou a olhar para a morena. — Não consigo imaginar como ela deve estar sofrendo agora.
— Nem eu... — Rapunzel apertou as mãos fortemente. Não queria admitir, mas sabia boa parte do que sua prima estava sentindo. Isolamento, sem ter ninguém com quem conversar e nada para pensar. Uma prisioneira de sua própria vida. — Mas temos que encontra-la rápido.
— Concordo — A voz doce da princesa de Arendelle tomou conta de seus ouvidos. Flynn e Rapunzel olharam para Anna que estava despertando. Por sorte, o cabelo não desarrumara muito. Não haviam levado pentes ou escovas e até agora não haviam encontrado nenhum armazém, portanto precisavam de mantimentos. — O quê estamos esperando?
— Jack disse que saberíamos quando ele encontrasse Elsa — o único homem no trio se fez ouvir e cruzou os braços. — Acho que devemos esperar um sinal.
— Mas não podemos simplesmente sentar aqui e esperar — Anna protestou. — É a minha irmã que está lá fora. Temos que encontrá-la... Por favor. Vamos pelo menos andar pela floresta.
— Ela está certa, Flynn — Rapunzel abraçou os próprios braços, como se estivesse com frio. Pegou então sua capa para inverno e vestiu-a enquanto falava. — Nós precisamos nos alimentar. Vamos caminhar e ver se achamos algum lugar com comida.
Soltando um longo suspiro, o moreno concordou. Elas correram até ele e o abraçaram, fazendo-o corar. Ele e Anna vestiram duas capas e todos os três montaram em seus cavalos e partiram para o desconhecido. No caminho, quase não houve conversa. Ou estavam muito pensativos ou distraídos com a bela paisagem. Um lençol branco cobria tudo. Pinheiros formavam arcos com o peso da neve em suas copas. Rapunzel passou veloz por um deles e a neve caiu, tornando o pinheiro uma catapulta. Em seguida, viram arbustos envoltos em neve, e o solo ficava cada vez mais fofo, tornando difícil a caminhada dos cavalos. A irmã de Elsa andava chamando sua irmã, na esperança que ela estivesse aos arredores e escutasse. Nada aconteceu e seus primos não interferiram. Ela precisava ter esperança e eles não tirariam isso dela.
— Elsa! — Berrava. — Elsa! Sou eu Anna!
— Sabe, — Flynn completou o pensamento — sua irmã que não queria que você congelasse o verão.
— Me perdoe, — Anna continuava a falar para o vazio — é tudo minha culpa...
— É claro que nada disso teria acontecido se ela tivesse te contado o segredo... — Rapunzel disse por fim, tentando confortar a prima.
Algumas horas se passaram e Anna sem querer assustou seu cavalo quando gritou algo como “Não há nenhuma loja nessa floresta?”. O animal empinou, fazendo a morena cair e ficar presa na neve fofa. Flynn saltou de seu corcel para ajudar a menina e Rapunzel fez o mesmo, mas ao saltar o impacto fez com que eles também ficassem presos no solo. Os cavalos se agitaram e correram pelo caminho de onde vieram.
— Não! — Os três gritaram juntos para os cavalos, e estenderam os braços na direção para onde partiram. — Não, não, não!
Percebendo que de nada adiantaria aquilo, Anna notou um pinheiro ao seu alcance. Erguendo a mão para este, ela tentou se levantar puxando a folha da árvore como uma corda. Rapunzel e Flynn entenderam também que aquilo não daria certo e gritaram para que a menina parasse, mas era tarde demais. A neve que descansava sobre o pinheiro caiu sobre os três, soterrando-os quase por completo. Por sorte, a neve não foi muita para que os imobilizasse. Após um tempo, conseguiram libertar sua parte superior se mexendo e depois cavaram com as mãos para soltar suas pernas. Já passara de meio dia quando conseguiram se livrar do solo. Agora estavam sozinhos definitivamente e teriam que caminhar se quisessem chegar a algum lugar. Não podiam voltar para a arvore porque simplesmente não sabiam mais onde ela estava, logo continuaram seguindo em frente. E andaram por vários quilômetros, até anoitecer. O trajeto foi quieto, exceto quando algum deles afundava na neve e os outros iam ajudar. Esses momentos eram engraçados e Flynn normalmente soltava xingamentos quando era ele quem afundava.
— Neve... — Rapunzel quebrou o silencio da noite. Ela soltava fumaça ao falar, sinal que a temperatura não estava nada aconchegante. — Tinha que ser neve? Não poderia ser magia quente, que cobrisse o reino com ventos quentinhos e dia ensolarado?
— Ou magia de flor, que fizesse o reino florido e colorido? — Anna se pronunciou. Se abraçava, tentando afastar o frio, mas também soltava fumaça ao falar.
— Fogo — Flynn disse por fim.
— Magia de fogo? — Rapunzel deu um tapa de leve na cabeça do amado. — Está louco?
— Não, — ele apontou para uma cabana a poucos metros à frente, na descida da colina onde estavam e posterior a um estreito rio que cortava o vale. A construção soltava fuligem pela chaminé— fogo! Estamos salvos!
Numa tentativa frustrada de comemorar, Anna rolou colina abaixo, caindo sentada nas águas congelantes do riacho. Sem maiores reações, ela olhou para cima com uma expressão desesperada e viu Flynn rindo bastante do acontecido. Por justiça, ele também se desequilibrou e se agarrou em Rapunzel, fazendo com que ambos também rolassem a colina. Ele caiu de cara no rio e Punzie teve seus cabelos molhados. Ao se levantarem com dificuldade, perceberam que; Um: Anna estava com o vestido congelado, o que era engraçado, dois: Rapunzel estava com os cabelos imobilizados para o alto, parecendo um sol, como o símbolo de seu reino, e três: Flynn estava com o rosto anestesiado e sua expressão não era das melhores. Mesmo não estando em seus melhores dias, Anna e Punzie conseguiram rir da situação ao olharem para o rosto do homem. Lentamente, conseguiram andar até a cabana enquanto a princesa de Arendelle sussurrava coisas como “Frio, frio, frio”. Flynn teria rido disso, mas os músculos do rosto não obedeciam às suas vontades.
— “Posto de Trocas de Wandering Oaken”? — Rapunzel disse ao retirar a neve do letreiro do local, balançando-o. No fim do balanço, mais uma porção de neve caiu revelando outra parte do nome.
— Oh! — Anna soou aliviada, assim que conseguiu subir o degrau da entrada. Andava igual a um pinguim. — “E sauna”!
— Garotas, podemos entrar agora? — Flynn tentava falar como podia. Seus lábios dormentes faziam com que ele tivesse que falar por entre os dentes, e as meninas riram antes de adentrarem no local.
A cabana era como uma tocha na mais escura caverna. Apenas ela e a lua iluminavam a floresta. Nem mesmo as estrelas atuavam muito aquela noite. Ao entrarem na construção de madeira, sentiram imediatamente a diferença térmica. Era um ambiente aconchegante, morno e iluminado. Simples, mas convidativo. Nada que Anna estivesse muito acostumada, afinal, não saíra do castelo há anos e ele não era nada como aquele lugar. Ela foi à última a entrar e quando o fez, um vento fez a porta se fechar com rapidez, fazendo com que seu vestido congelado batesse nos que estavam a sua frente. Flynn teria reclamado se pudesse. O lugar estava vazio, a não ser pelo vendedor dentado por detrás da bancada. Era um homem de meia idade com um sorriso sincero no rosto. Uma toca bordado, um suéter estampado e um macacão marrom montavam seu visual.
— Oh-ho! — O vendedor quebrou o silêncio e continuou com um sotaque bastante carregado. — Liquidação de verão! Desconto de cinquenta por cento em roupas de banho, bermudas, e no protetor solar que eu mesmo inventei yah.
— Oh... — Anna disse em resposta. — Exelente!
— No momento que tal, hmm... — Rapunzel disse com os cabelos ainda imóveis para o alto. — Botas? Botas de inverno e roupas para neve?
— Isto seria no nosso departamento de inverno — o vendedor apontou para o canto da loja, não muito distante. Nele havia três pares de botas femininas e dois de botas masculinas, uma roupa de inverno para homem e dois vestidos. Assim como vários metros de corda e um pequeno machado.
O recinto não era maio do que metade do quarto de Anna e suas paredes estavam repletas de prateleiras entupidas de objetos. No meio do cômodo havia mais prateleiras com mais artefatos à venda.
— Ah, eu estava me perguntando, — Rapunzel disse enquanto os três se dirigiam até o quê queriam comprar — será que alguma outra jovem...
— A Rainha, talvez — Anna acrescentou.
— Eu não sei, teria passado por aqui? — Punzie completou sua frase justamente quando já haviam pegado tudo o que precisavam e caminhavam novamente até o balcão.
— Os únicos loucos o bastante para estarem fora numa tempestade desta são vocês, querida — Antes que o vendedor conseguisse respirar depois de falar, um homem entrou na loja, atraindo a atenção de todos. Ele estava coberto de neve, até o contorno de seus olhos que eram a única parte amostra do corpo estavam brancos. Ele olhou ao redor e parou o olhar nos jovens.
— Vocês e esse moço — o dono da loja completou ainda sorridente. — Oh-ho, liquidação de verão.
Ele caminhou até eles e parou bem em frente à Anna, que tentava desviar o olhar mesmo o homem estando a menos de vinte centímetros de distância e se inclinando sobre ela. Flynn cerrou os olhos e Punzie pôs a mão no peito do marido.
— Cenouras — o jovem desconhecido disse por fim.
— O quê? — Anna disse confusa.
— Atrás de você... — Ele a olhou nos olhos. Ela reparou que eles eram grandes e castanhos claros, como o mais puro chocolate suíço. Ela amava chocolate suíço. Também percebeu o tom jovial da voz dele que mesmo sendo abafada pela bandana que usava, era clara para seus ouvidos.
— Ah sim! Desculpe — Ela balançou a cabeça para que afastasse o pensamento e saiu da frente do rapaz, que pegou num compartimento um punhado de cenouras e jogou-as sobre o balcão, depois foi até o departamento de verão e pegou o rolo de corda e o machado.
— Uma senhora tempestade em Julho, não? — O vendedor tentava puxar assunto. — De onde ela deve estar vindo?
— Da Montanha do Norte — ele respondeu, ríspido e levou os objetos ao balcão, junto às cenouras.
—Montanha do Norte... — Anna sussurrou para seus amigos.
— Isso será quarenta — o comerciante informou ao jovem sobre o valor de sua compra.
— Quarenta? — Ele soou surpreso. — Não, dez.
— Oh querido, isso não é nada bom... Estes são de nosso estoque de inverno, onde a oferta e a procura têm um grande problema.
— Você quer falar sobre problema de “oferta e procura”? — O jovem agora estava indignado. — Eu vendo gelo pra viver — ele disse fazendo um gesto com a cabeça para a janela e todos se viraram para ver um trenó lotado de blocos de gelo do lado de fora.
— Ah, isso é um péssimo negócio para se ter agora — Anna pensou alto e todos se viraram pra ela.
—Sim! — Rapunzel concordou e pôs as mãos nos braços da prima, como se não houvesse ninguém mais ali ao invés das duas — Quero dizer, isso é mesmo... — Elas perceberam ao mesmo tempo que o jovem e Flynn as encaravam perigosamente. — Ah... Isso é uma pena.
— Ainda quarenta — o comerciante voltou ao assunto. — Mas posso acrescentar uma visita à sauna do Oaken — ele apontou para o outro canto da construção e uma porta com uma janela de vidro estava lá. Por ela, conseguiram vem em meio ao vapor uma família se aquecendo e ele acenou para ela. — Digam “oh-ho”!
— Oh-ho! — A família respondeu o aceno. Anna e Rapunzel também acenaram sorridentes para os desconhecidos.
— Dez é tudo o quê eu tenho — o garoto da neve voltou-se novamente para o vendedor. — Me ajude aqui.
— Okay, — o dono do local recolheu a corda e o machado do balcão, ainda com o sorriso no rosto. — Com dez, você só leva as cenouras.
— Okay, apenas me conte uma coisa. — Flynn conseguiu falar por entre os dentes. — O quê estava acontecendo na Montanha do Norte? Parecia ser mágico?
— Sim! — O menino retirou a bandana de seu rosto, mostrando-o por completo. Sua face era larga e dura, porém jovem e simpática. Um pouco da neve de seu cabelo caiu, mostrando as madeixas loiras. — Agora se afastem, enquanto eu lido com este ladrão aqui.
O dono do local levantou-se, mostrando ter no mínimo dois metros de altura. Os quatro acompanharam o movimento com os olhos, completamente paralisados e boquiabertos. O sorriso sumiu de sua aparência e ele encarava fatalmente o jovem loiro, que engoliu em seco. Ele perguntou “Você me chamou de quê?”, como se desafiasse o loiro a repetir a ofensa.
— Okay, foi bom te conhecer, desconhecido — Anna disse, sem retirar os olhos do vendedor gigante que agarrou o jovem como se fosse um boneco, o pôs nos ombros e partiu para a entrada da loja.
O menino se debatia, mas o vendedor era bem mais forte. Abriu a porta e arremessou o jovem para fora. Lá, ele foi recebido por sua rena. Que relinchou e ele respondeu “Não Sven... Não consegui suas cenouras”. O animal relinchou novamente, abaixando a cabeça. “Mas arrumei um lugar pra gente dormir” o garoto disse apontando para um estábulo do lado da loja. Enquanto isso, no interior do comércio, o vendedor voltava ao seu assento.
— Me perdoem por esta violência — disse voltando com seu sorriso para os jovens. — Vou adicionar peixe em conserva para não ficarem chateados, — retirou então um pote de vidro com uma água meio esverdeada e com uma cabeça de peixe em seu interior — yah?
Anna fez uma careta e ao olha para o lado, notou que Rapunzel e Flynn também faziam expressões de desaprovação. Ela pediu um para que o vendedor os deixasse olhar a loja mais um pouco antes de fechar a compra. Ela puxou seus amigos pelos braços e quando o moreno parou de reclamar ela deu início à conversa que interessava.
— Vamos levar aquele menino da neve com a gente.
— O quê? — Flynn protestou.
— Anna, você tem certeza? — Rapunzel não queria que alguém mais atrapalhasse a missão. Já tinham Merida e Flynn em algum lugar que não estavam ajudando muito. — Não sabemos nada sobre ele.
— Não precisamos saber de nada — Ela disse enquanto passava a mão nas prateleiras empoeiradas. — Ele só precisa nos levar até a Montanha do Norte. Afinal, nós não temos um senso de direção muito forte.
— É por isso que Jack foi na frente: para nos dar um sinal que possamos seguir — Flynn disse rolando os olhos.
— Ele já partiu há quase um dia — Rapunzel disse cruzando os braços. — Talvez ele não tenha achado Elsa ainda. Talvez nós tenhamos que seguir a busca por conta própria.
— Okay, mesmo que concordemos em levá-lo conosco, — Flynn disse colocando as mãos nos ombros das meninas — como pretendem convencê-lo a nos ajudar?
— Que tal com umas cenouras e uns materiais de alpinismo? — Anna disse sorrindo, como se tivesse descoberto um tesouro.
— Umas frutas e água não seria nada mal também... — Rapunzel pôs a mão no estômago que roncava de fome.
Os três voltaram ao balcão e comunicaram ao vendedor do acréscimo que fariam na compra e quando Anna disse quem eram e prometeu um saco de moedas de ouro quando voltassem ao palácio, o vendedor simpático não hesitou em entrega-los os itens. Rider quase se beliscou para ter certeza de que não estava sonhando. Achava que o comerciante os jogaria para fora a ponta pés, mas estava enganado. As damas foram até uns biombos e trocaram suas roupas pelas de inverno e depois que elas saíram, Flynn foi até lá e também se trocou. Agora eles pareciam alpinistas vindos das Ilhas do Norte. Anna estava com um vestido azul com bordado verde e flores rosa, como as do brasão de Arendelle. Utilizava botas de neve pretas, um corset azul claro com bordados pretos e amarelos. Além disto, desfez seu penteado de festa e pediu que Rapunzel fizesse duas tranças em seus cabelos. Uma capa e um gorro de neve rosas completavam seu visual.
Rapunzel estava quase idêntica a Anna, somente as cores da roupa mudavam. Seu corset e seu vestido eram verdes. Sua capa e seu gorro eram lilás. Flynn estava com uma roupa de neve branca de mangas longas com colete de lã azul. Calça também branca, botas de neve marrons e um gorro azul terminavam a caracterização. Anna pegou o saco com as cenouras, o moreno pegou o saco com o material de alpinismo e Rapunzel ficou com o de suprimentos. Os três agradeceram e se despediram do vendedor e quando saíram do local notaram as pegadas que iam até o estábulo ao lado da loja e não tiveram dúvidas de onde o loiro estava. Quando chegaram lá, notaram uma lanterna iluminando o lugar e que ele terminava de cantar algo e se preparava pra dormir. Anna não pretendia deixa-lo pegar no sono então entrou como um furacão assustando a rena e o rapaz.
— Belo dueto — Anna tentou acalmá-los. — Ou seja lá o que você estava tentando fazer com a voz grossa.
— Eu tentava, ou melhor, o Sven tentava cantar comigo — o loiro disse, passando a mão no rosto como se estivesse tentando retirar o resto de sono que tinha. Estava deitado com as costas apoiadas num monte de feno. — Mas o quê vocês querem aqui?
— Queremos que você nos leve até a Montanha do Norte — Anna tentou soar confiante.
— Não levo pessoas à lugares — o garoto do gelo pôs o gorro nos olhos, para bloquear a luz da lanterna mas foi atingido no estômago pela sacola que Flynn arremessou.
— Ela sabe como parar este inverno, amigo — Flynn disse se ajoelhando ao lado do loiro ao qual acabara de acertar. — Isso quer dizer que seu negócio com gelo estará resolvido.
— Okay, partiremos ao amanhecer — ele disse após uns segundos pensativos e repetiu o ato de tampar os olhos com o gorro. — E vocês esqueceram as cenouras do Sven.
Anna percebeu que ainda segurava o saco de cenouras e o lançou para Flynn, que se desviou deixando o saco atingir em cheio o rosto do rapaz. Anna se desculpou umas duas vezes e então decidiu fingir autoridade e disse que sairiam naquele instante. Dando a ordem, se retirou do estábulo junto com Rapunzel. Assim que estava fora do alcance dos rapazes e da rena, Anna se permitiu respirar normalmente e Rapunzel apertou seus ombros, perguntando se estava tudo bem. A princesa de Arendelle respondeu com um inseguro “sim” e as duas ficaram fitando a lua. Ainda lá dentro, o loiro e o moreno ajeitavam o trenó e a carga.
— Então... — Flynn disse enquanto pegava um caixote e colocava no trenó. — Vamos demorar muito para chegar à Montanha do Norte?
— Dependendo do tempo, — o loiro entregou outro caixote para que Flynn pusesse no trenó — e da boa vontade do Sven, devemos estar lá em um dia ou dois.
Um silêncio invadiu o local até que o garoto com cheiro de rena resolveu puxar assunto novamente.
— Vocês sabem o quê fez esse inverno?
— Sabemos — o moreno respondeu espontaneamente, então se lembrou de que não deveria revelar nada para um estranho. — Quero dizer, temos uma ideia. Quero dizer, mais ou menos...
— Hey, amigo — o cortador de gelo soltou um sorriso para o moreno, que pela primeira vez não se sentiu pressionado pela presença do rapaz. — Se vamos fazer isso, temos que confiar um no outro, certo? Afinal, somos só nós dois de homens aqui.
A rena soltou bufou e bateu os cascos algumas vezes.
— Okay, nós e o Sven — então se virou para o animal. — Não falei de você porque quis dizer que somos os únicos humanos homens aqui, seu projeto de alce — então Sven resolveu dar uma cuspida no rosto do garoto que por pouco não foi atingido.
— Certo — Flynn colocou as mãos na cintura e soltou um sorriso — vamos fazer isso. Eugene — disse estendendo a mão para o loiro —, mas pode me chamar de Flynn.
— Kristoff — e com isso apertou a mão do marido de Rapunzel.
— Aquela mulher de cabelos curtos é minha esposa, Rapunzel. E a outra é nossa prima, Anna.
Rapidamente eles levaram o trenó para fora e todos os quatro subiram a bordo e partiram para o norte. Kristoff sentou à frente com Anna e Rapunzel foi junto com os suprimentos junto com o esposo. Mesmo sem um motivo concreto, Anna não conseguiu parar de pensar em Merida e em Hiccup. Os dois estavam sumidos há um dia. Não achava que tivessem traindo-os, mas não se segurava em questionar por onde eles andavam. E o mesmo se aplicava a Jack.
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