Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEY Olha eu aqui de novo! Dessa vez é pra postar mesmo o capítulo. hahaha E só pra deixar vocês com um pouquinho mais de raiva, eu dividi o capítulo. hahahaha E não, a próxima parte não vai ser postada logo agora. Por quê? Por que eu sou mau. hahaha Zoa. É porque eu quero deixar vocês curiosos e também PRO PESSOAL QUE NÃO COMENTA TER TEMPO DE DAR OPINIÕES. Sério gente, os comentários de vocês são combustíveis pra minha escrita. E esse pessoal que não comenta pode ter algo a dizer que vai me ajudar mais um pouco. Então... Aproveitem o capítulo hein.

Jack passou a note abraçado com Elsa. Ela dormiu em seus braços, mas ele não a soltou até que fosse manhã e a jovem despertasse. Isso era o que ele fazia quando a loira era criança, pois isso a acalmava ao ponto de esquecer os maus sonhos e sentir coragem de dormir de novo. O albino continuava com seus braços envoltos na cintura e no tórax da rainha ainda adormecida quando começou a prestar atenção na respiração baixa e tranquila dela. Era como se fosse um convite a dormir também, caso ele sentisse sono. A jovem estava com a cabeça apoiada no ombro do rapaz e os dois estavam sentados. Jack pensou que Elsa acordaria com dores se dormisse naquela posição, então leve e silencioso como uma brisa de inverno, ele a deitou no divã, ficando ao seu lado, como um guardião. Observando a expressão aliviada da loira, ele se se virou para a varanda do castelo e notou que a aurora já se iniciava. Logo Elsa acordaria, e ele teria que arrumar um jeito de fazê-la passar o tempo sem se entristecer. Um abelharuco pousou no parapeito da varanda e despertou uma lembrança esquecida no menino.

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A janela do quarto da descendente do trono de Arendelle dava para a área norte do jardim real, local que quase ninguém ia. Elsa ficava observando os animais pela janela e aquela também era a passagem de Jack para dentro ou para fora de seu quarto. Quando ele aparecia na janela, ela abria a vidraça para que ele passasse. O divertido era que com sua magia, ele podia se desfazer em flocos de neve e voar para dentro do quarto da menina. Obviamente, ele podia se materializar direto lá, mas achava falta de compostura com uma princesa. Com um gesto de mãos, a janela sumia e um escorrega de gelo aparecia para leva-los até o lado de fora do castelo. O jardim era o local onde eles se divertiam com brincadeiras de guerra de neve e esconde-esconde. Como nenhum servo do palácio ia àquelas partes, era quase totalmente seguro. A princesinha parecia incomodada em ficar sem suas luvas, mas Jack sempre pedia para ela que as tirasse. Então naquele dia, ele decidiu fazer algo que diminuísse o medo que ela sentia da magia.

— Ali Elsa, — Jack pôs a mão no ombro da menina enquanto se ajoelhou ao lado dela para que ficassem na mesma altura. Com a outra mão, apontou para um abelharuco que pousara no galho de uma das árvores do jardim real — está vendo aquele pássaro?

— Sim, — assentiu com a cabeça — o quê tem ele?

— Ele está pegando alguns insetos para comer — o menino sentou-se na grama ao lado da jovem e cruzou as pernas. — Depois disso, ele vai voar e voltar pro seu ninho, levando comida pra sua família. Quando ele fizer isso, algumas folhas fracas vão cair do galho. Quero que você acerte todas elas com sua magia.

— Sr. Jack, — ela juntos as mãos e olhou para o chão, receosa — não sei se isso é uma boa ideia. E além do mais, eu não conseguiria acertar as folhas.

— Entendo, deve ser bem difícil mesmo — Jack ficou sério e assentiu, ficando de pé, deixando seu cajado no chão. — Então, eu vou primeiro.

O pássaro voou e cinco folhas caíram. Cerrando os olhos e apontando dois dedos da mão direita para elas, ele expeliu cinco jatos de gelo da ponta dos dedos. Cada um deles atingiu uma das folhas, desintegrando-as com a força da magia. Jack olhou para a jovem que o encarou maravilhada. Ele assoprou a ponta dos dedos e sorriu para ela. Estendendo a mão para o cajado, este foi puxado para sua palma e ele agachou de frente para a menina, pegando em suas mãos.

— Agora é sua vez, tudo bem? — Ele virou o rosto para a esquerda e viu que havia outra ave num galho. — Fique de olho naquele ali. Quando ele voar e as folhas caírem, acerte-as.

— Certo... — Ela estendeu as mãos abertas para a direção do pássaro.

O ar em torno deles começou a esfriar-se e gelo começou a se formar na superfície das palmas da garota devido à tensão e ao nervosismo. Frost se aproximou e disse ao pé do ouvido da menina “não fique nervosa, apenas solte sua força, estou aqui com você”. O pássaro levantou voo e três folhas caíram. Ela se concentrou e fez o quê Jack aconselhou, liberando o seu poder. Por um momento, nada aconteceu e a energia de Elsa ficou concentrada em suas mãos e como um tiro de canhão, neve foi expelida delas e a força fez com que a princesa fosse empurrada para trás com muita força. Frost segurou a menina em seus braços e eles foram arrastados por alguns metros até serem parados por uma árvore, quando o menino bateu com suas costas na mesma. Ele se sentou no chão e olhou para Elsa em seus braços. Ela parecia aterrorizada com o quê fizera. Levantou-se e olhando para Jack, recuou.

— Me desculpe... — Ela segurou as mãos e as apertou, ficando com lágrimas nos olhos. — Eu disse que eu não conseguiria... Você está bem?

— Eu estou ótimo — ele disse um pouco surpreso e com os olhos arregalados. — Já disse que você não pode me machucar. E quem disse que você não conseguiu?

Ele apontou para algo atrás da menina e ela se virou e permitiu ao seu corpo ficar paralisado. Boquiaberta, ela admirou uma escultura de gelo abstrata que se formara no jardim, com espetos de gelo e uns dois metros de altura. Ela havia feito aquilo, o que era assustador. Mas também era tão belo ver os espinhos de gelo refletindo a luz do meio-dia, que até os esquilos e uma família de patos se aproximou para observar.

— Eu... — Elsa abriu as mãos e olhou para elas em dúvida. — Eu fiz isso?

— Sim, e isso foi muito perigoso — Jack pôs a mão na cabeça da menina e se abaixou para ficar cara a cara com ela. — É por isso que eu vou sempre estar com você, pra te ensinar a controlar isso e a usar seu poder do jeito que quiser.

— Mas eu não quero... — Ela enxugou uma lágrima. — Isso é muito forte, não consigo controlar. Nem consegui atingir aquelas folhas...

—Olhe mais de perto... — Ele apontou para a escultura de gelo e, furadas pelos espinhos, estavam as três folhas. — Você viu? Tudo é possível se você apenas acreditar e deixar os medos de lado.

Eles ficaram se olhando até que Jack soltou uma risada, seguida de um comentário “mas vamos tentar deixar ‘espinhos de gelo’ de fora na próxima, está bem?”. Eles riram mais um pouco então Jack pegou a menina em seus braços e a levou de volta para seu quarto. Provavelmente, já estava atrasada para o almoço. Ao entrarem no quarto, ele desfez a rampa de gelo e rematerializou a janela. Então a Rainha Gerda bateu à porta e entrou no quarto para levar a filha para o salão de jantar.

— Elsa, minha filha, — ela começou — por que todo esse atraso? Teve problemas pra fazer a trança de novo?

— Não mamãe, — elas riram um pouco pois ambas concordaram que o cabelo da menina não estava lá tão bem arrumado (é isso que acontece quando seus poderes te empurram em direção a uma árvore e seu amigo fantasma te salva) — eu só... Não conseguia... Achar as minhas luvas.

A garota correu até o criado mudo ao lado de sua cama e pegou o par de luvas, colocando-o. A Rainha estendeu os braços para a filha que correu até ela. A mão passou o braço pelo ombro da filha e encaminhou-a para fora do quarto, fechando a porta logo depois, enquanto Jack ficava sozinho no cômodo, sentado na cama da menina.

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— Oi... — A voz suave e sonolenta de Elsa retirou Jack de sua viagem à tempos mais calmos.

— Ah... — Ele mexeu a cabeça para afastar as memórias e então se virou para a loira, que já se sentava, pondo uma mão na boca enquanto bocejava. — Bom dia.

— Bom dia... — Ela se espreguiçou e esfregou os olhos levemente, borrando a maquiagem, fazendo com que Jack segurasse um riso. — Como você passou a noite?

— Abraçando você... — Cochichou para si, mas logo voltou a falar num tom normal. — Digo, protegendo você.

— Me protegendo? — A rainha apoiou os cotovelos nas pernas e descansou a cabeça nas mãos. — Jack, você não pode me proteger de pesadelos.

— Eu sei, mas era assim que eu afastava seus pesadelos quando você era menor.

— Obrigada por isso — ela pôs sua mão sobre a dele e a apertou, com um leve sorriso. — Eu adoraria escutar mais sobre suas histórias, mas agora o que eu realmente preciso é de um banho.

— Ah, sim — ele retirou sua mão da dela e cruzou os braços — e como você pretende tomar banho aqui sem pegar uma hipotermia?

— Você deve saber que o frio nunca me incomodou — se levantou e andou um pouco pelo quarto — e é por isso que você poderia me ajudar...

— V-Você quer que eu te ajude a tomar banho? — Jack se levantou num pulo do divã e este de desfez em neve logo em seguida.

— N-Não é isso! — A jovem ficou com as bochechas rosadas, o quê para a pele normalmente pálida, queria dizer muito envergonhada. — Eu quis dizer que você poderia me fazer uma banheira de gelo.

— Sem querer ser rude, Vossa Majestade, — o albino se aproximou dela e abriu os braços para o castelo inteiro — você fez um palácio de gelo digno de uma rainha e não consegue fazer uma simples banheira?

— Eu estava inspirada quando fiz esse castelo...

— E não se inspira para tomar banho? — Ele apertou o nariz com uma das mãos e riu. — Você já foi mais limpinha, Elsie.

— Engraçado você — ela o empurrou levemente e também riu. — Tudo bem, vamos tentar...

Ela esfregou as mãos, as apontou para o chão e fechou os olhos. Respirando bem devagar, sussurrou “não fique nervosa, só solte a sua força...”. Com um pouco de concentração, neve começou a rodar e se acumular na frente da princesa e gelo foi se formando. Aos poucos, uma banheira graciosa que parecia uma peça de porcelana se formou. Quatro pés envergados levemente para fora, borda detalhada com cristais, altura de um metro e comprimento de dois.

— Consegui! — Elsa fechou os punhos em sinal de comemoração, enquanto Jack estava boquiaberto.

— Aquelas palavras de agora há pouco... — Ele puxou seu bastão para si. — De onde você as conhece?

— Minha consciência, eu acho. Mas então, pode me ajudar a pegar água ou quer que eu faça isso sozinha também?

— Voilà — ele estalou os dedos e no interior da banheira começou a brotar água como se fosse uma nascente de um rio. A água parou de aparecer assim que a banheira ficou cheia até o limite. — Preciso te ensinar esses truques qualquer dia desses...

— Na verdade, — a loira começou a desfazer sua trança — o quê você precisa é sair.

— O quê? — O jovem fez uma expressão de tristeza, como se fosse um daqueles gatinhos peludos. — Por quê?

— Porque eu quero tomar um bom banho e relaxar, e não vou conseguir com você me olhando.

— Mas eu sou seu guardião! — Ele bateu no peito com orgulho e estufou o peito. — Eu tenho que ficar do seu lado e te proteger todo o tempo! E além do mais, não é como se eu nunca tivesse te visto nua antes...

— O quê você disse? — As paredes do castelo começaram a ruir e Jack tinha certeza que era por conta da raiva que Elsa estava sentindo.

— N-Nada, era só brincadeira — balançou as mãos e sorriu constrangido. — Eu não sou seu guardião... NEM NUNCA TE VI SEM ROUPA!

— Não sei se a antiga eu gostava desse tipo de brincadeira, mas a Elsa atual não gosta de abusos, — a loira se aproximou dele com uma certa seriedade na voz — muito menos vindos de um garoto.

— Tecnicamente eu sou séculos mais velho que você...

— Não me importa, deveria respeitar sua Rainha.

— Tecnicamente, eu não sou do seu reino — Jack fez o bastão flutuar deitado e se sentou sobre o objeto. — Então você não é minha rainha.

— Chega, não vou discutir com você — ela caminhou até o portal do quarto, que dava para a escadaria — me dê licença, Sr. Frost.

— Não precisa me expulsar, — descendo do bastão e o agarrando, ele bateu o objeto no chão com força, antes de se curvar e desaparecer em meio a uma nuvem branca — eu saio sozinho, Vossa Majestade.

Ela suspirou, irritada. Como ele podia ser tão infantil? Brincar com a intimidade de uma mulher não era algo certo de se fazer. Era insensível e abusivo. E ele era tão... Elsa não sabia descrever. Jack fazia com que seus sentimentos ficassem à flor da pele com sua audácia, sua criancice e sua sabedoria. Como aquele garoto podia ser tão insuportável e tão necessário ao mesmo tempo? A loira decidiu esquecer o assunto por enquanto, e retirar sua roupa para entrar na banheira. Com um rodar do pulso, o vestido se desfez, caindo aos pés da rainha. Ela pôs os pés na banheira e sentou-se logo depois. Fazendo das mãos uma concha, apanhou um pouco de água e jogou na cabeça para molhar os cabelos, repetindo o ato algumas vezes. Só então percebeu que não detinha esponjas, sais de banho ou toalhas. Bufando de raiva, a garota deitou a cabeça na borda da banheira e fitou o teto do seu novo quarto. Seu plano era ficar ali até que ficasse toda enrugada e morresse de fome. Então pensou no quê sua irmã diria naquela situação. “Até que não é tão ruim, você sempre pode se secar com alguns pulos, claro, se você não escorregar e bater a cabeça. Não que isso vá acontecer... Pode acontecer, mas não é certo. Mas tudo é possível...”. Soltando um riso baixo, percebeu como os comentários constrangedores de Anna faziam falta, tanto naquele momento como nos últimos quinze anos. Daí percebeu que Jack era bem parecido com Anna e ela havia simplesmente expulsado o rapaz dali. Ele podia ser pervertido e bem indiscreto, mas tentava fazê-la se sentir melhor e isso já bastava.

— Tenho que pedir desculpas à ele algum dia...

— Pode ser agora? — A voz de Jack ecoou pelo quarto e Elsa subitamente tampou os seios, olhando em volta e encontrando o rapaz de cabeça para baixo no teto. — Porque eu sou um cara muito ocupado e tudo mais...

— Desde quando você... — Elsa estava muito vermelha, de raiva e de vergonha. — Como você...

— Como cheguei aqui? — Ele reapareceu do lado da banheira de um segundo para o outro. — É uma história muito engraçada. Meu pai e minha mãe deram uns beijos e... Bem, não importa. O importante é que eu te trouxe isso.

Ele rodou o pulso e surgiu em sua mão uma sacola. Frost tirou dela uma esponja e uns sabonetes, jogando-os dentro da banheira.

— Por que você fez isso depois de eu ter sido...

— Grosseira comigo? — Falou enquanto sentava em pleno ar. — Estou acostumado com suas mudanças de humor há muito tempo. E eu também mereci, você me conhece há dois dias e eu já faço brincadeiras idiotas... Me desculpe.

— Nossa... Isso foi bastante maduro da sua parte, Frost. Mas agora, por favor, poderia me dar licença?

— Claro que sim, Vossa Excelência — Ele se curvou e começou a caminhar até a escadaria, mas se virou e materializou uma toalha, atirando-a no rosto de Elsa. — Esqueci disso.

— Ora seu... — Ela retirou o tecido da face e riu para o rapaz. — Obrigada.

— De nada — virou-se e começou a descer a escada, deixando a loira sorrindo e se banhando com tranquilidade.

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— Nós estamos caminhando há horas e ainda nem sinal da montanha, Kristoff?

— Exatamente, — o loiro respondeu à Anna com um pouco de cansaço — nem sinal dela ainda.

— Não deveríamos estar vendo pelo menos a pontinha da montanha agora? — Rapunzel arfava enquanto caminhava lentamente. — Meus pés doem.

— Os meus também... — Flynn parou de caminhar e apoiou as mãos nos joelhos. — Podíamos parar um pouquinho? Acho que meu pulmão vai sair pela boca.

— O meu pulmão também! — Olaf deu pulinhos de felicidade com os bracinhos de graveto erguidos.

— Vamos parar então, — Anna fez sinal para que todos relaxassem então Rapunzel e Flynn se jogaram na neve — nós também precisamos pensar em Merida e Hiccup. Eles podem estar perdidos.

— Ou podem ter nos enganado e estarem tomando o reino agora mesmo... — Rider estava de olhos fechados e buscando ar desesperadamente. — Sério... Quantos quilômetros nós andamos?

— Não posso acreditar que eles fariam isso — Anna levou as mãos ao coração — e eu sei que Hans não deixaria isso acontecer tão facilmente.

— Você confia mesmo nesse seu príncipe não é mesmo? — Kristoff se abanava com seu chapéu.

— Com todo o meu coração, mas agora nós precisamos arrumar um jeito de avisar à eles onde estamos...

— Jack também não dá sinal há dias... — A princesa de Corona se sentou. — Será que algo aconteceu?

— Quem é esse Jack que vocês tanto falam? — O loiro olhou para o marido de Rapunzel, esperando uma resposta.

— Frost, o espírito do inverno, sabe?

— Frost? — Ele riu como se aquilo fosse à coisa mais ridícula que já ouvira falar. — Jack Frost? A lenda? Vocês só podem estar loucos. Ele não existe.

— Eu também achava que magia não existia, — a caçula de Arendelle se pronunciou — e cá estamos, a caminho da Montanha do Norte para trazer o verão de volta e acabar com o inverno eterno que a minha irmã criou.

— Falando desse jeito...

— Pessoal, vocês não acham melhor a gente continuar a caminhada? — O boneco de neve chegou correndo com uma flor em suas mãos. — Algo me diz que ficar até tarde aqui não é seguro.

— Olaf está certo, — a prima de Anna se levantou e bateu no vestido para retirar a neve — todos se lembram dos lobos noite passada, certo?

— O quê?! — O moreno exclamou em protesto. — Mas acabei de deitar!

— Então vamos, — Kristoff deu um tapinha de leve na cabeça da rena — Sven, você leva as garotas.

O animal ficou animado e se curvou para que as princesas subissem em seu dorso. Depois disso, o grupo continuou caminhando por cordilheiras esbranquiçadas e todos ficaram boquiabertos com a vista. Estavam em tamanha altitude que podiam avistar uma Arendelle bem pequena ao longe. Anna sentiu seu coração apertar com a paisagem, pois para onde quer que olhassem, o branco dominava. Seguindo com a jornada, chegaram num ponto onde espinhos de gelo se formavam horizontalmente. Como se uma ventania tivesse passado por ali e as correntes de ar houvessem congelado. Tudo estava em silêncio, a não ser por Olaf que fazia questão de dizer o quanto estava gostando do passeio e mostrava a flor roxa que havia achado a cada cinco minutos para Rapunzel. Passavam sobre arcos de neve que mais pareciam porcos espinhos gigantes de gelo quando o cortador de gelo decidiu conversar com Anna que estava quieta há algum tempo.

— Então, — ele começou fazendo-a tremer com a voz grave dirigida à ela — como você pretende esquentar as coisas?

— Eu estava pensando em um chocolate quente — a princesa respondeu sem pensar duas vezes, como sempre — ou quem sabe um chá...

— Eu queria dizer o tempo, como você pretende acabar com esse frio — apesar de não conseguir, ele tentou muito segurar o riso.

— Ah isso, eu vou falar com a minha irmã.

— Então esse é o seu plano? — O domador de renas pôs a mão na testa, desapontado. — Meu negócio de gelo depende de você falar com sua irmã?

— Isso mesmo — Anna pôs as mãos em frente a boca para não gritar quando Kristoff espetou o nariz numa ponta de gelo pois estava tão distraído olhando para ela que não prestou atenção no caminho. Por sorte, ele não se furou, então continuaram a andar.

— Então vocês não estão com medo dela? — O loiro incluiu os outros no assunto.

— Por que nós estaríamos? — Rapunzel perguntou por cima do ombro de Anna.

— É, — Flynn se aproximou com os braços cruzados atrás da cabeça — Elsa pode ter acabado com a festa, congelado o reino inteiro e provavelmente sentenciado todos nós a morte, e nós podemos não saber quase nada sobre ela mas... Eu me perdi.

— Ah, o quê é isso gente? — Olaf pulou na frente de todos e começou a andar de costas. — Aposto que Elsa é a pessoa mais gentil, bonita e calorosa do mundo! — Devido à sua caminhada às cegas já que estava caminhando de costas, o boneco foi perfurado por um dos espinhos de gelo, fazendo com que seu bloco de neve equivalente às pernas fosse separado da parte superior do corpo e que um de seus botões de carvão caísse. — Ah, olhem isso. Espetinho de Olaf.

— Oh meus deuses! — Anna saltou de Sven e foi ajudar o amigo de neve a sair daquela situação (não que ele estivesse se incomodando com o espinho de gelo passando por sua barriga).

— Você está bem? — Kristoff chegou até eles, acompanhado da realeza de Corona enquanto Sven lambia os beiços vidrado na cenoura que servia de nariz para o boneco.

— Perfeito! — O loiro apanhou as pernas de Olaf e as reconectou ao resto do corpo ao mesmo tempo que Anna colocava o botão de carvão de volta em seu lugar. — Não é como se um furinho desse matasse alguém.

— Com certeza carinha — Flynn piscou um olho para o boneco, que ficou tentando repetir o gesto por alguns longos minutos. — Mas que tal a gente continuar?

— Não entendi, — Rapunzel parou ao lado do marido e cruzou os braços, com uma expressão sarcástica — você não estava cansando e reclamando?

— O choque que levei quando vi esse boneco sendo empalado me despertou — ele cochichou para ela e depois se voltou à todos. — Acho que já perdemos tempo demais.

Tomando a liderança, o moreno saiu andando na frente, seguido por sua esposa que revirou os olhos e soltou um sorriso. Atrás deles, em fileira, Anna, Sven e Kristoff, já que Olaf saiu correndo para ficar ao lado do príncipe de Corona. Após uns minutos andando, avistaram algo brilhante em uma das montanhas a sua frente. De longe, parecia ser algo grande e cintilante à luz do dia e o homem de neve os informou que aquele era o lugar onde ele havia sido criado. Todos se entreolharam e tiveram certeza que aquele era o refúgio da Rainha. O cortador de gelo disse que estavam a aproximadamente seis quilômetros de distância da montanha, mas que teriam que escalar a elevação por mais uns cem metros até chegarem ao palácio. Flynn e Rapunzel se deram as mãos pois sabiam do risco de uma escalada daquelas proporções. Olaf ficou rindo ingenuamente como se não entendesse nada do problema, assim como a rena que tentava lamber o próprio focinho. Kristoff mordeu o lábio inferior e verificou os equipamentos que sobraram e Anna observava fixamente o ponto final do trajeto deles e o provável esconderijo de sua irmã.

— Acho que vai ser mais perigoso do que nós pensávamos — o loiro falou para todos com uma expressão não muito reconfortante. — E mais demorado também. Temos poucos metros de corda e nenhum equipamento de proteção. É mais seguro para nós subirmos pelo outro lado da montanha, mas vamos demorar mais.

— Então acho melhor começarmos logo a andar — a prima de Anna pôs as mãos na cintura e bufou. — Já não sinto meus pés mesmo...

Sem nenhuma objeção, voltaram a fazer o quê haviam feito nos últimos dois dias: andaram. Seus calcanhares pareciam estar em chamas, mesmo afundados em neve. Seus joelhos doíam de tantos passos dados, mas algo continuava mantendo-os dispostos. O pôs do Sol se aproximava quando chegaram ao pé da montanha.

— Aqui estamos — Kristoff abriu os braços para o monte.

— Montanha do Norte... — Flynn estalou os dedos da mão, como se estivesse se preparando para uma maratona.

— É pequeno assim? — Rapunzel mexeu os braços para se aquecer. — Já vi torres maiores.

— Elsa... — Anna levou a mão ao coração. — Espere por mim, minha irmã.

Sem mais comentários, o grupo começou a subir a cordilheira junto com Olaf e Sven.


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— Tudo já está pronto? — Astrid andava pela clareira checando cada sacola, cada detalhe dos preparativos para a operação.

— Hey, querida, se acalme — Hiccup chegou por trás da namorada e a abraçou. — Não é como se tivéssemos muitas coisas pra preparar.

— Na verdade, — Merida chegou ao acampamento segurando duas sacolas de pingando de água, lotadas de peixe. Além de estar com o vestido molhado e o cabelo bagunçado, trazia pendurados nas costas seu arco e sua aljava — nós não temos nada além de quatro quilos de peixe, a espada do ‘herói da bunda gorda’, minhas flechas e o bracelete. Você está com ele?

— Confere — Astrid retirou o acessório do meio de seus peitos e o jogou para o alto, agarrando-o logo em seguida e entregando-o para a ruiva.

— Obrigada — a princesa de DunBroch fez uma careta ao dizer isso, como se agradecer à Astrid tivesse um gosto amargo. — Partimos logo depois do meu banho, tudo bem?

— Você ainda vai tomar banho, princesinha? — A loira cruzou os braços e revirou os olhos.

— A não ser que queira que o seu namorado viaje com uma menina fedendo a peixe — Merida riu e Hiccup se aproximou dela, levantando um de seus braços e fingindo cheirá-la. Após isso, ele se jogou no chão, brincando que havia desmaiado e tirando sorrisos da ruiva. — Seu idiota.

Após isso, Merida correu até suas coisas e apanhou um vestido verde escuro que, apesar de longo, detinha uma abertura frontal na parte de baixo para permitir que suas pernas se movessem com mais facilidade. Claro, colocaria uma meia calça por baixo e em cima o vestido possuía ombreiras e mangas longas. Após isso, chamou Tooth para segui-la, afinal, só um dragão para esquentar a água para que ela não morresse de frio. Os namorados vikings ficaram sozinhos no acampamento e Hiccup também foi certificar-se que suas coisas estavam prontas.

— Quando você pretendia me contar? — Astrid cruzou os braços enquanto o moreno checava, agachado, os preparativos e dava nós em alguns sacos que faltavam.

— Contar o quê? — O domador de Tooth nem se virou para a loira.

— Que você e a princesinha iriam sozinhos — ela fez uma pausa e assoprou sua franja que caía sobre seus olhos. — Mais uma vez.

— Pensei que você, esperta como sempre, — Hiccup se levantou e passou o olho mais uma vez em suas coisas, pondo as mãos na cintura em sinal de orgulho — já saberia que Tooth só aguenta duas pessoas, dificilmente três. E como nós vamos levar algumas coisinhas, certamente só conseguiria levar duas.

— Então por que eu não vou com ela? — Fazendo um punho, ela estalou seus dedos.

— Por dois motivos — o jovem se virou para a namorada e levantou um dedo e deu língua para a menina. — Primeiro: o dragão é meu. E segundo, vocês se matariam antes de começar o voo.

— Nós não nos mataríamos! — Astrid bateu os pés. — Só ela iria morrer...

— Está vendo? É por isso aí que você não pode ir.

— Sinto que estou sendo excluída da missão desde que encontramos com essa garota.

— Bem, se você se desse bem com ela talvez isso não acontecesse — ele piscou seu olho direito para ela como se fosse uma dica.

— O ponto não é esse, seu maldito — a loira agarrou o garoto pelo colarinho de seu blusão verde. — Você sabe o quê eu quero dizer. Estou sendo tratada como coadjuvante nessa história desde que você começou a sair com essa ninfeta de cabelo vermelho.

— Ela não é uma ninfeta! — Hiccup bateu no braço de Astrid para que ela o soltasse. — Merida tem honra. E um coração bom. Ao contrário do que você tem mostrado nesses últimos anos.

— E você a conhece tão bem só por esses dois dias de convivência? — A viking colocou as mãos na cintura, indignada. — Que coisa mais bonitinha.

— Nós estamos convivendo há três dias! — Hiccup enfatizou o número ‘três’ e abriu os braços para o céu como se pedisse paciência. — E sim, nós temos nos dado super bem. Na verdade, eu consigo entendê-la melhor do que entendo você!

— Finalmente você está sendo sincero! — A essa altura, os dois já estavam gritando. — Não aguentava mais essa sua boiolice!

— Você é tão... — Ele segurou a palavra na boca, fazendo suas bochechas encherem e seu rosto ficar vermelho, então se virou e começou a andar pelo caminho que Merida e Tooth fizeram. — Ah! Esquece! Vou ver se ela já está pronta.

— Isso, — a jovem batia palmas para o namorado, irônica — vá atrás da sua princesinha. Será que ela está te esperando com uma coleira e um ossinho?

— Quem me prendeu numa coleira todo esse tempo foi você, — o moreno fechou a cara e se virou para a namorada, andando rapidamente até ficar cara a cara com ela — e eu sempre fiz de tudo por você, sem reclamar. Desde criança eu só queria te impressionar. E depois que começamos namorar, eu enfrentei de tudo pra te proteger. Você e a nossa vila. E sem esquecer a parte que eu nunca tive ciúmes seus! Nem quando viajou para Enchanted Forest sozinha.

— Prometemos nunca falar dessa viagem de novo.

— “De novo”? — O moreno sorriu debochado. — Você nunca me contou o quê aconteceu lá! Não me disse com quem esteve o quê fez nem o quê aconteceu lá que te mudou desse jeito. E eu nunca reclamei disso. Não temos mais conversas como antigamente, e eu não desabafava com ninguém há um bom tempo até que...

— Até que encontrou Merida? — Astrid cerrou as pálpebras como se desafiasse o garoto a confirmar sua resposta. — Se você confia tanto nela, se ela é tão boazinha e se conhecem tão bem, por que não fode com ela?

— Talvez não seja uma má ideia! — Hiccup não pretendia dizer aquilo, nunca seria tão grosseiro se não estivesse muito irritado e disposto a ferir o orgulho de Astrid. — Hey, hey, escuta essa: talvez eu até comece a namorar com ela! O quê você acha?

— Você não vai fazer isso! — A loira riu como se pensasse que o namorado estava blefando e, ao ver em seus olhos a mais pura seriedade, seu deboche se transformou em ódio. — Você não pode fazer isso! Você me deve uma, Haddock! Eu salvei seu pai! Eu abri mão do meu dragão por você! Eu abri mão do meu... — Ela parou sua frase naquele ponto como se sua consciência a impedisse de continuar, ela pôs a mão no peito e se aproximou mais ainda de Hiccup, quase encostando os lábios nos dele mesmo o garoto sendo mais alto. — Escuta bem aqui, “homenzinho”, eu não estou pedindo para você ficar comigo. Eu estou mandando. Você é meu cachorrinho, e se não fosse por mim, seu querido pai já teria sido devorado por vermes ou já teria o corpo cremado. Você pertence a mim, e se você ousar me trocar por aquela pirralha, eu vou estar bem aqui para arrancar o coração de Stoik e esmaga-lo na sua frente.

Eles se olharam por alguns segundos, olhares cheios de ressentimentos e fúria. Já haviam tido diversas discussões, mas nunca tão intensa daquele jeito. Hiccup queria enforcar Astrid naquele momento. Como ela havia sido tão covarde e cruel a ponto de jogar aqueles fatos na sua cara e ameaçar tirar a vida de seu pai? E o quê mais ela havia aberto mão por ele? Estava disposto a pergunta-la, mas Merida e o Night Fury chegaram logo na hora. Ela estava parecendo uma princesa guerreira: botas de salto pretas, para combinar com sua meia-calça por debaixo do vestido verde-escuro. Suas pernas eram exibidas pela abertura na frente do vestido, o quê era bem sensual e bem prático. Seu cabelo estava preso em um coque atrás da cabeça e somente uma mecha ficara solta no lado direito de seu rosto. A garota foi até suas coisas e enfiou a roupa suja numa sacola qualquer, caminhando até eles após isso.

— Então, vamos? — Ela olhou para os dois que estavam bem próximos, mas sentiu um calafrio devido à tensão no ar. Astrid pôs um sorriso maldoso no canto do lábio e lançou um olhar para Hiccup que captou a mensagem. “Não me subestime”. Merida, porém, não entendeu. — Está tudo bem aqui?

— Melhor impossível — a loira se afastou do namorado e agiu como se nada tivesse acontecido. — Vocês partem agora?

— Sim, eu acho — a ruiva não era idiota, sabia que algo havia acontecido mas resolveu não forçar. Olhou para Hiccup que parecia com raiva e aflito. — Certo, Cabeça-de-escama?

— Sim... — O jovem estava em estado de choque. Queria chorar e queria sua Astrid de volta. Não enxergava mais a menina honrada e íntegra pela qual se apaixonara. Parecia faltar algo ali. — Sim, partimos agora.

O filho de Stoik assoviou para que o dragão negro se aproximasse. Ele e Merida então prenderam suas bagagens na cela da criatura. Peixes, alguns matérias de proteção e de emergência trazidos de Berk, e roupas extras. O moreno colocou sua armadura típica, menos o capacete que ele enfiou na sacola junto com suas roupas. A ruiva trazia em suas costas seu arco e sua aljava que estava com flechas extras, feitas especialmente por ela no dia anterior. Já havia guardado o bracelete dentro de uma de suas botas, para que não o perdesse. Borboletas pareciam voar em seu estômago com o nervoso e a culpa prematura da traição à Elsa. Estava tão decidida a terminar sua missão, mas agora não estava com tanta certeza. Hiccup subiu primeiro no dragão e ela foi logo depois à garupa. Já havia pegado o jeito de viajar naquele Night Fury, então não era tão assustador como da primeira vez. Astrid se aproximou deles, abraçando seu casaco de urso. Hiccup nem olhou para ela, que transpunha um sorriso falso e simpático. Despediram-se e levantaram voo. A primeira meia-hora de voo, somente o som da ventania às suas orelhas impedia o total silêncio. Tooth, assim como a ruiva, decidiu dar espaço para Hiccup pensar no que quer que ele e Astrid tivessem discutido e somente se concentrou em voar o mais rápido que podia. O moreno tinha sorte de estar com Merida àquela hora, pois como ele estava bastante distraído, ela fazia o trabalho de observar a área a trinta metros abaixo deles. O dragão planava sem problemas enquanto o jovem remoía sua conversa com a namorada e via como ela tinha mudado. E ele não havia feito nada para impedir. Começou a se culpar e lágrimas se formaram em seus olhos e começaram a escorrer pelo rosto. Ele havia deixado Astrid se perder e nem ao menos tentou ajudar. Abaixou a cabeça fechou os olhos e rangeu os dentes enquanto gotas pingavam de seus olhos.

— Você não precisa guardar isso pra si, — Merida pôs a mão no ombro do rapaz, e ele tentou se recompor, enxugando as lágrimas — sabe disso, certo?

— Sério? — O rapaz reparou que Tooth lançou um olhar para trás, como se quisesse abraçar o amigo, então ele acariciou a cabeça do dragão. — Porque eu venho fazendo isso desde sempre.

— Mas você tem o Tooh — ele olhou para ela por cima do ombro como se dissesse “ele é meu melhor amigo, mas realmente não sabe me dar conselhos ou algo assim”, — seus amigos de Berk... E agora você tem a mim. E também tem aquele Jack.

— Não tenho você, — Hiccup sentiu um aperto no coração ao dizer isso, nem sabia porquê. — Nem o Jack, apesar de que seria bem legal um amigo fantasma. Você só me escuta porque estamos juntos nessa missão...

— Hey! — Merida deu um tapa na cabeça do menino. — Você sabe que isso não é verdade. Eu finalmente encontrei alguém igual a mim, você não vai se safar tão fácil assim. Nós estamos grudados agora entendeu?

— Entendi, entendi — ele passou a mão na cabeça e riu para ela por cima do ombro. — Mas você tem tantos problemas já...

— E você me ajudou com eles — a ruiva estendeu a mão para ele com o dedinho levantado. — Agora é a minha vez. É isso que os amigos fazem, não é?

— É... — o moreno estendeu o dedo mindinho para ela também e eles entrelaçaram-nos. — É sim. Obrigado.

Após rirem um pouco e o clima se animar, Tooth soltou um grunhido (ouo sejá lá qual for o barulho que dragões fazem). Hiccup prontamente olhou para o cenário abaixo e vasculhou a área. Merida se juntou à ele e fez-se um minutos de silêncio. De repente, novamente os alertou sobre algo.

— O quê ele quer dizer com esses berros? — A ruiva apanhou seu arco e posicionou uma flecha, preparada para atacar qualquer coisa que avançasse sobre eles. — Perigo?

— Não exatamente, — ele apontou para o pé de uma montanha a uns cinco quilômetros a frente. Não era a maior montanha que já havia visto, mesmo assim, a princesa ficou boquiaberta — dependendo da nossa recepção. Achamos eles!

O dragão negro investiu em direção à montanha em tamanha velocidade que o penteado de Merida se desfez e os cabelos rebeldes se soltaram dançando aos ventos. Em minutos, estariam junto ao grupo de Arendelle.

Rapunzel e Flynn caminhavam bem atrás de Kristoff e Sven. A dupla homem-animal liderava, já que eram os únicos que tinham experiência com escaladas. O casal, assim como Anna, enfrentava dificuldades em subir a mintanha e andar sobre a neve sem ficarem afundados até os joelhos. Com muito esforço, conseguiam ficar no mesmo ritmo de Olaf e suas perninhas pequenas.

— Isso não está certo... — Reclamava com seu marido.

— Qual parte? — Tentava soltar sua perna que estava agarrada na neve fofa. — Estarmos com neve em lugares onde não deveria haver neve, ou todo esse lance de inverno?

— Assim fica difícil escolher... — Finalmente, estava pegando o jeito de caminhar alí destribuindo o peso de forma que não afundasse. — Mas eu estou tentando não ficar mal-humorada.

— Por que? — Anna chamou a atenção deles e quando viraram para trás, encontraram a menina afundada até a cintura na superfície branca e foram ajudá-la rindo. — Acha que não temos motivos pra estresse?

— Não é isso, — cada um segurou num braço de Anna e ambos a puxaram para cima, libertando-a e colocando a jovem no chão — é porque eu compreendo um pouco o que Elsa está passando.

— Do quê está falando? — A morena começou a andar em meio aos primos e continuaram seguindo o loiro que já estava um pouco na frente deles.

— Magia e solidão... — Ela juntou as mãos e manteve seu olhar focado à frente. — Isso só foi mudar para mim depois que conheci o Flynn. E eu também fugi.

— Você também é mágica? — A irmã de Elsa fez um gesto como se ficasse congelada.

— Não desse jeito — Rapunzel riu graciosa. — E eu já perdi minha magia há um tempo...

— Então, o quê você fazia?

— Ela tinha a maior cabeleira — Flynn se abraçava para se aquecer mais um pouco. — Foi o quê me conquistou logo de cara, o cabelo loiro dela.

— Você era loira? — Anna olhou espantada para a prima. — E tinha um cabelo longo?

— Longo? Eu não cortei meu cabelo por dezesseis anos!

— Não acredito! — As duas deram pulinhod juntas e Olaf também deu um pulo.

— Do quê estamos falando? — O inocente homenzinho se pronunciou.

— Hey, rapazinho, — Flynn cochichou para o boneco — acho melhor ficarmos de fora, só escutando.

— Sim! — A morena de olhos verdes deu o braço à sua prima. — E ele brilhava e curava as pessoas!

— Não se esqueça de falar que também deixava os outros mais novos... — Rider relembrou a esposa.

— Sim, isso também.

— Mas por que você não tem mais esse poder?

— Bem, eu... — A dama de Corona foi interrompida pelo assovio de Kristoff.

— Pessoal, temos um problema.

Eles se aproximaram do homem e sua rena e ficaram abismados com a vista. Estavam à beira de um precipício com pedras em seu fundo. Cair daquela altura seria morte. Em compensação, não havia mais como continuar a jornada se não por ali. À direita deles, havia uma parede com o corpo da montanha que chegava até o outro lado, mas era arriscado ficar pendurado ali, andando até o outro lado que estava a dez metros de distância e ainda mais sobre a superfície instável. Eles teriam que se agarrar com as mãos à rocha e apoiar os pés nas protuberâncias do relevo rezando para que não cedesse. Seria como uma escalada às antigas.

— Como vamos passar por isso? — Anna apontou para a fenda e apertou as bochechas.

— Como você acha? — Kristoff amarrou a machadinha em uma das pontas da corda e a outra, amarrou em sua cintura. — Vamos escalar.

— Escalar? — O primo de Anna se aproximou e cruzou os braços. — Como vamos escalar até o outro lado? A pedra está coberta de neve e são uns dez metros.

— Posso fazer isso — A morena pôs a mão no ombro do marido que olhou assustado para ela. — Vamos Flynn! Eu já me pendurei em lugares mais altos que esse.

— Escute sua garota, amigo — o loiro piscou para Rider, transmitindo confiança.

O cortador de gelo foi o primeiro. Ele se agarrou na rocha ao lado deles e foi dando passos para o lado, segurando-se nas falhas da pedra com as mãos e apoiando os pés em outras frestas. Sem problemas, em cinco minutos ele estava do outro lado. Então, desamarrou a corda de si e, pegando o lado do machado, rodou o polo para ganhar força e o arremessou para os companheiros do outro lado.

— Agora vocês façam como eu fiz! — Ele pôs as mãos ao redor dos lábios para aumentar o som. — E usem o machado como picareta pra se prenderem na pedra!

— Tudo bem! — Anna respondeu com insegurança, mas determinação — Minha vez.

Ela fez como o rapaz, amarrando a corda em sua cintura. Ao comecar a escalada, utilizou o machado como apoio. Antes de cada passo, ela prendia o machado em alguma fresta para que sentisse mais segurança. Escorregou em alguns pontos, o que quase a matou do coração, mas continuou. Ao chegar do outro lado, Kristoff a ajudou a descer da rocha pegando-a pela cintura com uma facilidade que fez ela se sentir um talher de salada. Ele desamarrou a corda da garota e quando terminou, olhou para ela. Estavam bem próximos, então ele sorriu e disse "Bom trabalho!". Depois se virou e relançou a corda para o outro lado. Flynn apanhou e amarrou na cintura de sua mulher com certa força e ela reclamou.

— Desculpe, estou nervoso — O moreno afrouxou o nó.

— Está tudo bem — ela pôs as mãos no rosto do amado e o beijou, separando-se logo depois. — Vai ficar tudo bem. É só uma parede, não é como aquela torre.

— Eu sei, só... — Ele apanhou uma das mãos dela e segurou com força. — Só chegue do outro lado.
— Vou me lembrar disso.

E lá foi a garota, seguindo o exemplo da prima. Com muita calma, lá foi a princesa. Cada passo de uma vez, sempre fixando a machadinha na rocha antes de cada um deles. Já estava no meio do caminho, e Flynn cruzava os dedos, mas então se lembrou de que Olaf e Sven não seriam fáceis de levar até o outro lado. Quando se virou para trás, notou que os dois haviam sumido e então se voltou assustado para Kristoff e gritou para ele "Onde estão o boneco e a rena?!". O loiro respondeu "Não se preocupe! Sven conhece muito bem essa área! Ele vai arrumar um jeito de nos achar, junto com o homenzinho!" E foi aí que tudo deu errado. O monte rugiu, tremendo e fazendo com que todos eles se assustassem. Os gritos repetidamente desferidos naquela área desestabilizaram a montanha, a mesma causa de avalanches. Flynn caiu sentado, enquanto Kristoff e Anna se seguraram um no outro. Quando tudo se acalmou, os três olharam para Rapunzel que estava pendurada pela corda em sua cintura. O que a impedia de cair era o machado, preso à rocha.

— Rapunzel! — Flynn usou toda a sua força para gritar e expôr sua angústia.

— Oh não... — Anna levou a mão à frente da boca, aterrorizada.

— Isso não é bom... — Kristoff correu até a rocha e começou a escalar até onde Rapunzel estava.

Com sorte, chegaria lá rapidamente e a ajudaria, mas a superfície da pedra não ajudava. A morena continuava pendurada sozinha. Agarrava a corda presa a cintura com suas mãos e olhava abismada para os amigos desesperados. Suas pupilas estavam dilatadas e ela se punia mentalmente. "Se você não fosse tão inútil, poderia arrumar um jeito de sair dessa sozinha". O machado começava a se soltar e a garota se remexeu de pânico.

— Rápido! — Suplicou para Kristoff que já se aproximava.

— Shiu! — Falou para que todos ouvissem. — Se gritarem, pode haver outro tremor e então vamos estar todos perdidos.

Rapunzel usava os braços para escalar a corda, afinal, havia feito isso por anos com seu cabelo. O loiro estava apenas um metro de distância, e então estendeu a mão para a princesa.

— Venha!

— Estou quase aí! — Com dificuldade, a menina conseguiu falar por entre os dentes.

— Força, amor, por favor... — Flynn juntou as mãos, levou-as ao peito, fechou os olhos e abaixou a cabeça.

Então a machadinha soltou. Rapunzel enxergou tudo em sua volta em completa lentidão. O barulho do obejto soltando da pedra fez com que Flynn abrisse os olhos e suas pupilas dilatassem. Ela o viu correndo até a borda do preciício e gritando seu nome com bastante dor. Lágrimas se formaram em seus olhos, e nos dela também. "É assim que eu vou morrer? Deixando meu marido desolado, Anna traumatizada e Elsa perdida?" Seu corpo já estava em queda livre quando notou que Kristoff havia paralisado de pânico ao vê-la cair. "Até que esse homem das renas não é tão ruim...". Anna gritou pela prima e Rapunzel fechou sorriu enquanto caía. Queria tanto ter mais conversas com a prima e foi quando ela deixou as lágrimas virem, enquanto caía para a morte e uma sombra negra a envolvia.

Notas finais
Tentem não me matar. OU tirar conclusões precipitadas. Nem sempre tudo é o que parece. Esse foi o final mais filho da puta que eu pude fazer, hahaha Gente, me perdoem qualquer erro. É porquê meu Word parou de funcionar e eu tive que escrever às pressas algumas partes.