Once Upon a Time in Hidden Islands
1 Prólogo - Merida
Notas iniciais

— Ai que raiva! — Exclamei sozinha no convés do navio. — Por que ela quer controlar cada segundo da minha vida?
Andava de um canto a outro do tombadilho, pensativa. Não queria saber dos subordinados do meu pai eu estavam adormecidos um andar a baixo, muito menos pro homem que guiava a embarcação. Estava estressada com a viagem, com minha mãe, e até com a maldita gaivota que voava perto do mastro. Às vezes eu queria ser livre igual a essa gaivota. Sair voando por esse mundo afora, procurando meu próprio destino, sentindo o vento nos meus cabelos. Ah, meus cabelos... A Rainha Elinor odiava como eles eram volumosos e difíceis de prender e fazer penteados. Dizia que eu havia puxado o cabelo do meu pai. Tudo o que ela não gostava em mim era porque “eu tinha puxado do meu pai”. Minha cabeça dura, meu gene difícil...
— Madame Merida, — chamou o capitão do barco e eu me virei para atendê-lo — pelos meus anos de viagem e pela força dos ventos, chegaremos a Arendelle em doze horas.
— Obrigada pela informação Rufus — disse enquanto caminhava até o timão, onde o homem se encontrava. — Não acha que deveria descansar um pouco? Quero dizer, você já está aí desde ontem... E só comeu porque trouxe seu prato até aqui.
Rimos um pouco e ele se virou pra mim. Suas feições expunham seus cinquenta e tantos anos de oceano e seu olhar transmitia calmaria, como as ondas naquela noite. No entanto, também transmitiam sabedoria. Uma coisa que eu, uma menina de dezesseis anos demoraria ‘um pouquinho’ pra adquirir. E mesmo assim, tinha um dever imenso a cumprir.
— Estou bem, minha senhora. Mas acho que a senhorita, sim, deveria ir dormir. Amanhã será um grande dia.
—É... — Me perdi em meus pensamentos por um segundo. Observava a lua e refletia sobre a minha missão. Por que matar a nova rainha de Arendelle? Ela não tinha culpa pelos erros do pai dela, assim como eu não tenho com os erros do meu... Mexer no passado só traria sofrimento. Não queria machucar a menina. Não queria fazer isso comigo. Mas se eu não o fizesse, seria como se render ao controle da minha mãe. “Irresponsável” ela diria “Como não conseguiu lidar com uma situação tão simples? É por isso que precisa de um marido”.
— Rufus, me dê licença. Vou me trocar e dormir um pouco. Meu pescoço está me matando...
— Talvez seja a ansiedade.
— Ou os três quilos de cabelo.
Rimos mais um pouco. Despedi-me e fui para o andar de baixo, rumo á cabine do Capitão, que ficava no fim do corredor. Eu sei que não sou eu que tenho o trabalho de guiar o navio... Tá bom, eu nem sei fazer isso, e também sei que não sou eu que tenho a maior experiência no mar... Ok, essa era a minha segunda viagem de navio, talvez... Mas mesmo assim eu era a capitã da missão: matar a Rainha e tomar Arendelle. E isso me consumia. E o pior de tudo, enquanto eu estava lá no meio do Mar de Gelo, meus irmãos (mas conhecidos como Os Três Demônios tamanho pônei) estariam aproveitando um banquete pra receber algum aliado do papai. Antes de sair eu não perguntei muito sobre isso, mas parece que eram da ilha de Meleck... Querk... Alguma Coisa-eck.
Ao chegar à entrada do quarto, empurrei a porta e subitamente a fechei. Não que eu esteja com receio, não mesmo. Confio muito nos homens dos meus pais, mas ser a única mulher no meio de quinze homens era no mínimo intimidador. Fui até o espelho e me observei. “Por qual motivo minha mãe insiste tanto pra eu arrumar um marido? Só tenho 16. Não sou uma velha... Tenho muito tempo ainda”, pensei. Movi meus braços para meu dorso e desamarrei o vestido. Ele escorregou pelos meus braços e pelas minhas pernas. Meu amado vestido azul escuro de mangas longas estava aos meus pés.
Não tinha vergonha de ficar nua. Na verdade, eu durmo assim. Bem, quase assim. Sempre levava uma adaga presa à minha perna direita. Em caso de urgência, se alguém invadisse meus aposentos. Gosto de me sentir livre e segura. Qual o melhor jeito de fazer isso senão tirar a roupa e dormir como vim ao mundo? Tudo bem que eu não nasci com uma arma letal, mas são detalhes... Entretanto, não estava com muito sono, então decidi olhar através da vidraça que dava para o mar e céu escuros. Sim, é claro que na cabine do capitão tinha uma vidraçaria. Observei a Lua e me lembrei de uma história que meu pai me contou há muito tempo sobre o Homem da Lua. Uma entidade que habitava a Lua e que tinha total influência sobre nós. E melhor ainda: com poderes imensuráveis. Fiquei alguns minutos encolhida sobre a borda da vidraça, fitando a noite e me lembrei também, que minha mãe sempre completava a história de meu pai, falando sobre o dia em que o Homem da Lua reviveu um menino... Qual era mesmo seu nome?
— Jack Frost — sussurrei para mim mesma. E posso jurar que, por poucos segundo vi algo cruzar a lua tão rapidamente que parecia ser levado pelo vento.
— Bah... — Disse me erguendo e caminhando até a cama. —Essa maresia está me afetando... Ai meu Deus! E se eu ficar como esses marinheiros loucos?
Deitei-me, cobri-me e instantaneamente adormeci.
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