Once Upon a Time in Hidden Islands
2 Prólogo - Hiccup
Notas iniciais

O sol se encontrava no ponto máximo dos céus e eu caminhava até o cais de Berk para encontrar Toohless. Segurava uma cesta em minhas mãos, lotada com o prato favorito dele. Levava pendurada no braço a cela especial de couro de búfalo e, presa às minhas costas, uma sacola com mudas de roupa. No caminho, passei pelo Fishlegs. Ele estava desesperado tentando impedir o Meatlug, se dragão, se comer seu frango assado. Sim, era um frango inteiro. Uns passos adiante e encontrei o Snotlut e Hookgang e eles me pararam.
— Hey perneta — maldito. Considerava bastante o Snot, apesar de nossa rixa pela Astrid, mas por que ele tinha que tirar sarro da minha “pernetice”?
Conversamos um pouco e ele me disse que ele deveria estar com a Astrid, e blah blah, me ameaçou... Mas pra sorte dele, Hookfang quis “brincar” de “pega-pega” e os dois saíram disparados para os bosques. Me pergunto se aquele melequento ainda está correndo e gritando como uma gralha ou se já perdeu a voz. Bem, voltando ao assunto, depois dessa hilária situação, quase fui atingido pela Huffnut que havia sido lançada pelo Tuffnut do alto da cabana deles.
— Bom dia Huff — disse enquanto me esquivava e continuava minha rota. Escutei um grito e olhei pra cima. Deu tempo de saltar pra direita e me salvar de ser acertado pelo Tuff, que saltou do mesmo lugar de onde tinha jogado a irmã. Me virei com o objetivo de acenar para eles, mas continuei andando de costas.— E bom dia pra você também Tuff.
Consegui ouvir um “bom dia” duplo dos gêmeos que... Lutavam por lazer... Antes de esbarrar em alguém. Este ‘alguém’ era Eret, meu novo amigo. Depois que ele parou de traficar dragões, ele começou a ajudar o povo de Berk. Nos cumprimentamos com olhares e acenos com a cabeça e eu segui meu caminho. Então escutei Huff jogar o gêmeo numas caixas e elas se quebrarem, então girei para observar, mas dessa vez parei de andar.
— Bom dia Eret! — Pronunciou enquanto corria até o moreno. — Não está um dia lindo? Olha só aquele dragão de duas cabeças? É meu...
—“Nosso” — Tuff se levantava dos destroços das caixas e andava até o lado da irmã. — Barf e Belch são um só, ou seja, é ‘nosso’ dragão.
— Não importa e cala a boca — disso dando um soco no gêmeo, o mandando de volta pras ruínas dos caixotes. — Então Eret... Você gosta de queijo? Porque eu AMO queijo!
Coitado do “interrogado”. Retinha-se ao direito de apenas balançar a cabeça. Esta era Huffnut Thorston quando apaixonada. Estranha? Não. Nem um pouco. Decidi me virar e sair o mais rápido possível. Não queria deixar o Tooh esperando. Finalmente cheguei ao cais e avistei meu Night Fury sentado me esperando. Ao me ver, veio de encontro a mim.
— Aqui está amigão — arremessei o cesto cheio de peixes na frente do meu amigo/irmão/dupla/dragão — Seu almoço favorito.
Levando em conta o fato de ele ter rugido e enfiado a cabeça no monte de peixes, acho que ele gostou. Estava com a alcova dele em mãos. Nos aprontávamos para voar até DunBroch. Não passaria de mais do que uns três dias lá e o tempo de viagem, na velocidade dragomilhas por segundo de um Night Fury, deveria ser de três horas. Quando terminei de amarrar a cela e minha sacola, ele começou a comer os peixes, senti uma dor na nuca. Astrid tinha arremessado um capacete de metal em mim. Ela estava com seu saco de roupas nas costas e uma cara não muito prazerosa.
— Você esqueceu isso ontem lá em casa, escravo — ela me olhava com irritação. — Por que não foi me pegar em casa hoje?
— Eh, desculpe, mas não foi você que disse “não quero olhar na sua cara amanhã” ontem à noite? — Me abaixei para pegar meu capacete e quando me levantei, ela vinha de encontro a mim.
— Você não entende mesmo uma mulher.
Me tornei para o Tooh e ele estava com um peixe na boa, com a cabeça inclinada e os olhões arregalados para mim. “Que roubada você encontrou hein” eles diziam. Como posso dizer... Desde pequeno eu tive uma queda pela Astrid... E nós estávamos namorando há seis anos... E eles foram contra tudo o que eu achei que seria. Brigávamos mais do que qualquer coisa, ela sempre tentava me humilhar na frente dos outros e era totalmente feminista. Nosso relacionamento sobrevive por causa da minha incrível habilidade de não me estressar e ignorar as arrogâncias da minha “dragãozinha”. Mas ela estava linda, com um vestido até os joelhos e um casaco de pele de urso. Cabelos presos num coque e a franja caindo aos olhos.
— É... Já percebi isso — Voltei a encará-la. — Principalmente pelo fato de você ter me expulsado daquele jeito...
— E com ‘daquele jeito’ você quer dizer pelado?
— Menina esperta. Tem noção de como foi embaraçoso?
— Ninguém mandou você exceder os limites.
— Me lembro perfeitamente de você me empurrando, nu, para fora da sua casa e gritando — me aproximei dela e cochichei no pé de seu ouvido — “Não quero olhar na sua cara amanhã! Não vou poder me sentar por dias!”
Ela me acertou um soco no rosto. Eu admito: mesmo depois de seis anos eu nunca havia levado um soco antes. Estava passando dos limites. Qual era o problema dela? Quero dizer... Finalmente depois de tanto tempo nós finalmente tivemos nossa “primeira vez” juntos e ela não estava tão feliz assim. Mas tenho que dizer: que maravilha a Astrid na cama! Aquela era uma viking de verdade. Acho que as aulas com os dragões ajudarem porque ela sabe montar muito bem.
— Escroto — então ela me beijou. Bipolar, não? — Não gosto quando você toma o comando das coisas... Igual noite passada. Prefiro estar por cima.
— Mas você ficou por cima... Bem... Nas posições...
Nos calamos. Gobber, meu pai e minha mãe estavam vindo em nossa direção. Astrid aproveitou para ir colocar suas coisas na cela do Tooh. Era tão bom ver o “rígido e inexpressivo” Stoik feliz desse jeito. E Valka também... Os dois exalavam felicidade. E o Gobber... Bem, ele está sempre alegre. Os três vinham lado a lado, meu pai com um braço em volta de mãe. Gobber trazia uma bolsa consigo.
— Hey, moleque! —Ele me chamou. — Temos uma coisa pra você.
— Sério? Não é mais um de seus livros de seus objetos use-me-pois-logo-explodirei certo?
— Dessa vez não — meu pai interferiu. — Eu tive a ideia de pedir ao Gobber que encomendasse uma arma digna pra você, futuro líder de Berk.
Ele sempre me bajulava pra chegar a esse ponto. “Futuro líder de Berk”. Ainda não me acostumara com isso.
— Encomendar? Mas por que ele não a fabricou?
— Porque... — Valka iniciou, mas deu uma pausa. Os três se olharam. — Porque Gobber não sabe fabricar armas mágicas. Então pedimos a uma velha feiticeira de DunBroch pra fabricar uma.
— O quê? Mágica? Pensei que vikings abominassem magia. Já fiquei várias vezes de castigo por não ter nada contra — olhei ironicamente pro meu pai.
— Sim, sim — minha mãe continuou. — Mas nós abrimos uma exceção. Afinal, já que quebramos o tabu dos dragões, não custa nada normalizar a magia por aqui.
— E é por isso que nós trouxemos pra você uma espada de fogo — Gobber falou enquanto retirava uma lâmina da bolsa. Ela era brilhante como a Lua prateada na mais escura das noites. Seu corte parecia ser tão afiado que soava ameaçador. O punho era de couro com algumas pedras laranjas. Devia ter um metro de comprimento. Ele me entregou a espada. — Esta é a Eldur.
Eu brandi a espada e desferi alguns golpes no ar. Era realmente leve. Não conseguia acreditar que tinha uma arma dessas. E ainda era mágica! Por fim, a coloquei na abertura da minha armadura. É, eu estava de armadura de guerra. Amo minha armadura.
— Obrigado — olhei para os três e dei um abraço em todos. Já estava na hora de partir. — Nos vemos em três dias.
Eu e Astrid subimos no Toohless, que acabava de comer seu último peixe. Olhamos mais uma vez para Berk e disse ao meu amigo para levantar voo. Como sempre, ele tinha uma velocidade de arrancada impressionante e logo estávamos a vários pés de altura.
As três horas seguintes foram de completo silencio. Astrid, que estava atrás de mim e segurava-se em minha cintura, acabou por adormecer sobre mim. Não a culpo. Quase não dormimos essa madrugada. Tínhamos mais o que fazer. Mas detalhes a parte, chegamos a DunBroch sem turbulências. E com turbulências quero dizer o Tooh voando loucamente atrás de algum animal voador. O sol já se punha quando chegamos. O incrível é que não ficamos mais do que trinta minutos nos domínios da Rainha Elinor e o Rei Fergus. Eles estavam logo no jardim, na companhia de uma velha senhora, quando pousamos. Ao descermos do nosso amigo alado, eles vieram de encontro.
— Hiccup Haddock, graças aos céus! — A Rainha Elinor veio até nós e nos curvamos.
— Que agitação é essa, Vossa Majestade? — Astrid foi direto ao assunto.
— A princesa Merida, a menina dos cabelos de fogo, está correndo perigo — a velha senhora nos dirigiu a palavra.
— E por que não a levam numa curandeira? — Astrid, insensível como sempre. Mas adorava sua posição realista.
— Porque ela não está aqui — Fergus se pronunciou. — E ela não está doente. Ela está numa jornada, uma missão. E esta senhora veio nos avisar que algo muito ruim está pra acontecer nessa missão.
— E é lá que ela encontrará seu destino, o qual tanto procura — a senhora me observou com um olhar de curiosidade. — Você é da Terra dos Dragões, não? É claro que é, seu sobrenome diz isso.
— Eh... A senhora já foi a Berk? — Perguntei tentando descobrir o porquê da curiosidade da velha mulher.
— Não, nunca. Mas vendi uma espada de fogo pra lá há poucos dias.
—Ah! — Desembainhei Eldur e mostrei à idosa, que a observou com surpresa. — É esta aqui?
— Oh, meu jovem — ela se aproximou e me puxou até ficarmos cara a cara. — Não esperava que o encontrasse tão cedo. Esta espada... Enquanto eu a fazia, tive uma visão.
— Você é uma bruxa? — Astrid perguntou assustada.
— Feiticeira, sim. Mas esse não é o assunto, intrometida — não vi o rosto da Astrid, mas é por conhecê-la bem que sei que ela queria dar um chute naquela senhora agora. — Meu jovem viking esta espada irá te levar até a sua sina. À primeira vista, sua única utilidade será proteger você e a quem você ama, mas ela conectará você ao seu... Como se chama mesmo... “Final Feliz”.
De tudo o quê ela falou, não entendi uma palavra. Repentinamente, os trigêmeos entraram no jardim correndo e trouxeram um arco e uma aljava de flechas. A bruxa os encantou.
— Por favor, Lorde Hiccup, salve minha filha — Fergus passou o braço pelo ombro de Elinor enquanto falava comigo.
— Pode deixar comigo, senhor — Astrid tossiu, para chamar atenção — Quero dizer, conosco. Pra onde mesmo ela está indo?
— Arendelle. Fica há umas sete horas a norte daqui — ele nos apontou a direção e a feiticeira me entregou o arco e a aljava maravilhados.
— Entregue isso à menina. Eu os enfeiticei para que ele nunca erre o alvo, quando usado com convicção.
Rei e Rainha abraçaram seus filhos e nós subimos mais uma vez no Tooh. A feiticeira desapareceu numa fumaça verde mas todos nós decidimos não questionar. O dia já estava estranho demais. Dei o comando ao meu parceiro e ele levantou voo mais uma vez. Dessa vez, pedi para que ele fosse o mais rápido que pudesse. Precisava salvar essa princesa. Pela minha promessa aos seus pais, pela aliança entre nossos reinos, e por algum motivo que eu ainda não sabia ao certo o que era. Eu estava tão perdido nos meus pensamentos que pensei ter visto alguns flocos de neve vindos em minha direção. Será que aquele papo de bruxas e magia me afetou?
— E agora Hiccup? — pensei comigo — Acreditando em Jack Frost e seus flocos de neve?
Fale com o autor