Notas iniciais
Gente, demorou, mas aqui está o capítulo novo. É isso aí, a fase de prólogos chegou ao fim e a partir de agora a coisa começa a acontecer. Os capítulos serão narrados em terceira pessoa. Mas eu posso de vez em quando fazer um PoV. Talvez... Mas chega de falar. Boa leitura aí.

Era animador estar perto dela de novo. Bem, animador mesmo era ela me ver, já que eu sempre estive por perto. Nunca consegui sair de perto da Elsa. Sempre que eu me cansava de Arendelle, saía voando pelo mundo, mas logo voltava. Nunca fiquei mais de alguns dias longe daqui. Só uma vez... Mas isso fica pra depois. Mesmo depois do nosso pequeno problema — se é que se pode chamar disso — quando ela parou de acreditar em mim. Considerava Elsie minha irmã mais nova. Sabe... Poderes de gelo. Nos divertimos bastante e eu até ensinei à ela alguns truques de guerra de bolas de neve e como controlar o gelo e neve. Foram ótimos anos. Os melhores da minha vida. Quero dizer... Da vida que eu me lembro. Tá ok, não é bem uma “vida”, mas vocês entenderam.

— Você está me dizendo que é uma lenda? — Elsie perguntou enquanto recuava lentamente alguns passos. — Você é uma lenda? Só pode estar louco.

—Realmente... — Sorri enquanto sentava-me novamente sobre a amurada. — Não sou uma lenda. Sou bem real, não?

Ela pareceu segurar um ‘sim’, então simplesmente se virou para a porta como se fosse embora. Eu não iria deixar a conversa morrer ali, então usei os ventos para fechar as portas e nos trancar na sacada. Ela olhou por cima dos ombros com uma expressão de surpresa.

— Sério? — Se virou para mim e relaxou as mãos. Acho que ela estava começando a se acostumar comigo.

Se ela gostasse de mim, poderíamos voltar a ser aquela dupla gelada de novo. Guerra de neve dentro dos quartos, patinação no chafariz principal do castelo em pleno verão... Era tudo que eu queria. Minha velha Elsie de volta. Não menti quando disse que ela era como uma irmã mais nova pra mim, mas devo admitir que ela havia se tornado uma mulher muito, muito bonita. Apesar de nos últimos anos ela ter uma postura muito triste e deprimente, continuava linda. Só porque eu disse que ela é atraente não quer dizer que eu estivesse pretendendo nada, okay? Um fantasma (ou seja lá o que eu for) nunca poderia se apaixonar. Não tinha coração. Sério... Meu coração provavelmente era uma pedra de gelo.

— Você está duvidando mesmo de quem eu sou? — Movi minha mão esquerda, a que não segurava o cajado, como se a chamasse para perto de mim. Na verdade, eu estava manipulando as correntes de ar para fazer o serviço.

— Hey-O quê está fazendo!? — Ela perguntou enquanto seus pés se ergueram poucos centímetros do chão e ela flutuou até mim. Abaixei a mão e ela pousou bem na minha frente.

— O quê acha que estou fazendo? — Questionei enquanto me levantava e ficava cara a cara com ela. — Estou te mostrando que falo a verdade.

Ela me encarou com aqueles olhos azuis hipnotizantes de sempre. Elsie não era muito mais baixa do que eu. O que pra ela deveria ser embaraçoso já que, por aparências, ela era uns poucos anos mais velha do que eu. Mas eu não sei ao certo quantos anos tenho então não me incomodo com isso. Ela deu um passo para trás, como se estivesse com medo. Claro que estava. Graças àquele troll ela não se lembrava de mim e de nada que ensinei a ela. Em suas memórias, tinha ficado exilada em seu quarto por longos quinze anos e seus únicos visitantes eram o rei e a rainha, seus pais.

— Eu nunca disse que era mentira... — Ela abaixou os olhos e virou um pouco o rosto. — Só disse que estava louco.

— E você acertou — eu flutuei para o telhado do castelo e apoiei as costas numa de suas torres. Ainda nos víamos e ouvíamos bem. — É claro que estou louco! Você pode me ver de novo!

— E a propósito, que história é essa de memórias e “de novo”? — Estava confusa, claramente.

— Vou lhe contar tudo...

Fui interrompido pelo som dos sinos da igreja. A coroação já iria começar e a atração principal não estava lá. Elsie arregalou os olhos e balançou a cabeça como se tivesse saído de um transe. Me encarou com preocupação e pressa.

— Mas não agora — consegui dizer enquanto pulei, parando poucos passos à frente dela. Caminhei até a “quase-rainha” e lhe estendi a mão. — Venha, vou te levar até a catedral.

— Ah não, não, não mesmo — ela gesticulou com os braços e as mãos. Até eles agiam em negação.

— Vamos, — com meu bastão, encalcei a cintura dela e a puxei para perto. BEM perto. Quando estávamos quase colados, retirei o bastão e substituí pelo meu braço. Não havia tempo para cavalheirismos — vai ser divertido.

Com alguma relutância por parte da loirinha, subimos na amurada da varanda e eu pulei, segurando-a firme. Elsa fechou os olhos e soltou um grito agudo o bastante para me deixar surdo de um ouvido por alguns minutos. Pouco antes de tocarmos o chão e nos espatifarmos nele, nos impulsionei para o alto. Logo estávamos há muitos metros do chão. As pessoas pareciam pequenos duendes.

— Hey, princesa — eu chamei por ela e desviei o olhar para seu rosto, e sorri ao vê-la com tanto medo desnecessário — que tal abrir os olhos?

Seguindo meu conselho, ela abriu as pálpebras e vi em seu sorriso o encanto pela paisagem. O sorriso sincero me contagiou, então eu também sorri. No decorrer desses anos que estive com ela não sendo notado, nunca a vi sorri. Sempre depressiva em seu quarto. A Lua sabe o quanto quis entrar em seu quarto e lhe confortar quando seus pais morreram. Mas não adiantaria nada... O máximo que aconteceria era ela sentir uma brisa de inverno. Ela não acreditava em mim.

— Por quê? — Me dirigi a ela, focando novamente no caminho.

— O que? — Elsa tirou os olhos da paisagem lá de baixo e me observou.

— Por que agora... Depois de todos esses anos você acredita em mim de novo? — Perguntei sem olhá-la nos olhos.

— Oh... — Pareceu hesitar, mas por fim completou. — Não sei se ‘acreditar’ é a palavra certa. Eu ainda acho que estou sonhando... Mas eu acho que não queria estar só, pelo menos hoje. E você não é muito bom em passar despercebido.

— Como é que é, senhora “você-deve-estar-louco”?

— Eu te sentia por perto. Bem... Eu acho que era você. Nunca o via, mas desde que me lembro havia algo perto de mim...

— Mas como isso é possível... — Notei que ela parecia estar ficando mais confusa. Ela era a única que sentia minha presença mesmo não crendo em mim. Mas decidi mudar o assunto. — Então... Rainha Elsa... Como se sente quanto a isso?

— Ah! — Ela fingiu felicidade. — Estou animada...

— Elsie, — eu a interrompi — não precisa mentir pra mim. Te conheço melhor do que qualquer um.

— Hey, calma com isso... — Ela sorriu novamente. Já era dois em menos de dez minutos. Novo recorde. — Você vai me contar direitinho o quê, supostamente, aconteceu no meu suposto passado e como você supostamente ficou perto de mim durante esses anos — Ela virou o rosto para o cenário abaixo e eu percebi que eu já não prestava atenção no trajeto há um tempo e que estava distraído olhando para ela. E pelo visto, ela também notou. — Mas, por ora, me contento se você aterrissar e me deixar na catedral, Sr. Frost.

— Não me chame assim... — Se eu pudesse, teria corado. — Me chame de Jack.

— Até que eu me lembre, ou melhor, que você me convença da nossa amizade, vou me dirigir a você como Sr. Frost.

Aquilo doeu bastante. Aquelas palavras quase retiraram minha concentração. A igreja estava abaixo de nós então eu simplesmente parei de voar. Caíamos em grande velocidade, mas dessa vez ela não gritou. Mas meu braço provavelmente ainda deve ter as marcas das unhas. Quando estávamos chegando ao chão, diminuí a velocidade e logo nossos pés tocavam os blocos de pedra nas ruas de Arendelle. Nos desci num beco pois, mesmo eu sendo capaz de enganar de vez em quando a visão das pessoas comuns, não queria arriscar que vissem a rainha aterrissando nas ruas após o voo matinal. Elsa ajeitou sua capa e se virou para mim.

— Já me trouxe até aqui... Me acompanharia até a cerimônia?

— Você está me convidando pra sua coroação?

— Si-NÃO! — Ela parou de me encarar e fitou o chão. — Só quero que me acompanhe...

— Okay, eu fico pra cerimônia de coroação, — falei enquanto atravessava meu bastão em meus ombros por trás da nuca. Apoiei meus braços um em cada canto dele — não precisa implorar.

— Mas eu... — Mordeu os lábios inferiores, suspirou e deu um passo — Só me acompanhe seu engraçadinho.

A igreja estava a alguns metros à frente e a rua, cheia de camponeses. Ela subitamente virou o rosto para mim e cochichou. Provavelmente não queria ser tirada de “Rainha-Maluca”.

— Como você fez para que não nos vissem aterrissando?

— Digamos que eu sei uns truques — falei enquanto tentava não pisar nas linhas que dividiam os blocos de pedra. Uma brincadeira minha. — Digamos que eu nos fiz parecer uma águia pra qualquer um que olhasse pra cima.

Ela não mostrou confiança naquilo, então andou olhando para todas as pessoas como se alguém fosse chegar e perguntar “Hey! Você é aquela mulher que acabou de voar, não é?”. Caminhamos até a igreja e a cada cinco segundos alguém vinha falar com Elsa e nós parávamos para dar atenção. Ela não continha esforços para falar com ninguém. Ria pras crianças, mas não chegava muito perto por medo do que poderia acontecer. Mas cumprimentou a todos. Até um maluco que estava andando com uma rena. Todos pareciam respeitar e gostar bastante da educada futura rainha. Os sinos tocaram mais uma vez e apertamos o passo. Elsa provavelmente chegaria exatamente quando a cerimônia começasse. Nem um segundo a mais ou a menos. Chegamos à porta da igreja. Eu parei de andar e Elsa subiu os três lances de escadas e se virou pra mim.

— Você não vem?

— Não quero tirar sua concentração, — puxei o cajado para sua posição original: seguro em minha palma direita — você vai precisar dela.

Ela apertou os punhos e olhou para o interior da igreja. O coral se preparava para começar a cantar. Este era o sinal para ela entrar. Eu segui seu olhar. No altar estava a irmã mais nova de Elsa, Anna. Estava encantadora: cabelos presos com fitas verde-grama e um vestido da mesma cor e alguns detalhes em preto e outros floridos. Mas nada que ofuscasse a beleza de Elsa. Olhei para Elsa e lá estava novamente a tristeza tomando conta de seu humor. Quem sabe estar tão perto da irmã fosse complicado para ela... Tão perto, mas tão longe da pessoa que mais amava. Talvez ela só quisesse alguém para lhe dar força.

— Tudo bem — disse enquanto voei até o seu lado. Ao chegar lá, dei meu braço a ela. — Me dá as honras, milady?

Elsie riu pela terceira vez naquela manhã, mas não aceitou meu gesto. Ao invés disto, ergueu a cabeça, ajeitou a postura e deu um passo em direção ao altar. Eu voei até a primeira fileira, mas não havia lugar para mais ninguém naquele banco. Fui até o altar, do lado oposto a Anna e sentei-me no ar. Mas não estava a fim de ficar sentando, então me deitei de lado nele e observei Elsa entrar na igreja. Sei que estou sendo repetitivo, mas ela estava linda. Seu cabelo branco brilhava com a luz que entrava pelas vidraças da catedral. Sua pele pálida parecia emanar uma luz celestial e os olhos azuis me lembravam os portais abertos pelo Coelho Branco que levavam à Wonderland. Olhei para os convidados. Nobres de todos os lugares, mas nenhum deles parecia ser nem ao menos conhecido de Elsie. Apenas uma mulher morena de cabelos curtos e o homem que parecia ser seu marido, já que se encontravam no lugar de maior importância na cerimônia: nos lugares do Rei e Rainha. Não entendi o motivo, mas deviam ser parentes das meninas. Um dos outros convidados até dormia, babando, no ombro de outro homem. Eu ri um pouco e Elsie seguiu meus olhos. Quando reparou no homem babando mordeu os lábios para não rir. Finalmente ela chegou ao altar e o coral terminou o som e o padre começou a missa. Foram as horas mais monótonas da minha vida. Pulando essa parte, ao fim das palavras dele, o coral mais uma vez cantou e Elsa se curvou para que o bispo colocasse a tiara em sua cabeça.

Quando o padre o fez, ela se levantou e se preparou para pegar o cetro e a esfera reais que simbolizavam algo que eu não sei. Não me importava com isso. Apenas percebi quando o bispo pediu para que ela retirasse as luvas antes de pegar os objetos. Era aquela a hora em que as coisas podiam sair do controle. Ela olhou para o padre e depois para mim. Eu me levantei e caminhei até o seu lado. Ela retirou as luvas e percebi que suas mãos tremiam. Ela pegou os itens de ouro e se voltou para a plateia. Eles se levantaram enquanto o padre falava algo em latim (?). Mais uma vez: sou um cara do gelo, não um príncipe que deve saber de tudo sobre coroações. Olhei para as mãos de Elsa, ainda tremiam e uma camada de gelo começava a se formar sobre os objetos. Ela também pareceu perceber, já que me lançou um olhar que dizia “SOCORRO! PROBLEMA DE DIMENSÕES MUNDIAIS ACONTECENDO!”. Eu caminhei até ficar cara a cara com ela.

— Calma Elsie... — Eu disse enquanto colocava minhas mãos sob as dela. Ela era gelada, como sempre foi. Mas devo dizer que senti falta disso. — Vai ficar tudo bem. Só mantenha a calma.

O padre terminou de falar e Elsa rapidamente largou os artefatos na almofada e colocou suas luvas, virando-se novamente para os convidados. Entrelaçou seus dedos e me lançou outro olhar que desta vez dizia “Obrigada por impedir o fim do mundo. Do MEU mundo”. Eu mexi a boca sugerindo um “De nada”. Os nobres foram orientados pelos guardas a aproveitarem os campos e praias de Arendelle. O que foi uma maravilha, porque logo a catedral estava vazia. Até Anna e aquele casal que se sentava no lugar de Rei e Rainha saíram. Talvez estivessem por aí, namorando pelos campos do reino. Elsa saía da catedral e eu a segui. Flutuava ao seu lado.

— Sr. Frost... — Ela se dirigiu a mim novamente com aquele “Sr. Frost”. — Obrigada por aquelas palavras...

— Eu te ajudava a controlar os poderes... — Passei a mão na cabeça — Quero dizer, quando era pequena.

— Você vai ter muito tempo para me contar sobre isto. — Parei de flutuar. Coloquei meus pés no chão, mas deixei-a ficar uns passos na minha frente, mas ela se virou para mim me convidando a segui-la. — Mas por enquanto, só quero saber de uma coisa.

— Que seria...? — Fiquei curioso e me aproximei dela, andando.

— Por que você quis voar comigo até aqui sendo que poderia simplesmente nos teletransportar pra cá? Como fez lá na sacada?

— Ah... — Novamente, se eu pudesse, teria corado. Parei de encará-la para fitar o chão. — Isso... Eu somente queria passar mais tempo com você.

Ela chegou mais perto de mim, como se fosse dizer alguma coisa, mas se afastou de novo.

— Sr. Frost, — disse de costas viradas para mim — vá para o castelo. Tenho uns compromissos agora e não quero que se entedie com eles.

— Você acabou de chamar seus compromissos de “chatos”?

— Sim. Eles são chatos.

— Uau, Rainha de Arendelle se mostrando uma verdadeira rebelde.

Não sei se ela riu ou não, já que estava virada de costas para mim. Mas senti um tanto de imparcialidade nela. Talvez ela não estivesse a fim daquelas atividades reais. Era muito pra uma mulher frágil como ela. Por mais que Elsa quisesse aparecer como uma mulher forte e destemida, estava quebrada por dentro. Eu decidi acompanhá-la. Deixar os dias mais divertidos. Fomos juntos passar algum tempo com crianças. A maioria delas não me via e as que conseguiam, não ligavam muito. Não fazia mal. E enquanto Elsa passava o tempo com elas, de vez em quando acenava discretamente para mim. Como era estranho ela não se lembrar de mim. Eu não imaginava um reencontro com ela. Mesmo assim, lá estávamos. Eu queria muito que ela se lembrasse de mim, mas não podia fazer isso. E nem a forçaria a nada. Talvez fosse melhor só esquecer nosso passado e focar no futuro. Até mesmo porque eu não me lembrava do meu próprio passado.

FlashBack On:

Depois de eu ter saído daquele lago congelado, não me lembrava de nada. Nem mesmo meu nome. Em poucos segundos vi que conseguia fazer geadas e controlar o vento. Voei pessimamente até uma vila próxima e foi quando descobri que, pros outros, eu não existia. Isolei-me no lago em que surgi. Estava sentado sobre um monte de neve na borda do lago quando de repente a luz da Lua ficou mais forte e focou um único ponto sobre o lago. Pouco a pouco uma silhueta se formou e um homem surgiu. Seus cabelos eram brancos como os meus, mas eram mais brilhantes do que tudo. Sua pele não ficava muito atrás. Mais pálida do que a minha. Mas uma coisa era igual em nós dois: os olhos azuis profundos. Ele usava um sobretudo prateado, assim como suas botas e calça. Seus cabelos estavam desarrumados, mas algo me dizia que fazia parte do estilo.

— Boa noite, meu jovem — ele disse abrindo os braços para mim, como se me chamasse para um abraço. — Que linda esta noite não? Me esforcei bastante hoje.

— An? — Fiquei de pé. — O que quer dizer com “me esforcei”?

— Ah, perdoe os meus maus modos — abaixou os braços e caminhou até mim. — Sou conhecido popularmente como “Lua”, apesar de ser um homem. Então me chame de Homem da Lua.

Normalmente eu teria estranhado aquilo, mas para um garoto que emergiu do gelo, fazia neve e voava, não estava em posição de julgar ninguém.

— Eh... — Me curvei para ele — muito prazer, Majestade.

Ele riu um pouco e pediu que me levantasse.

— Jack, não sou um rei.

— Jack? — Pela primeira vez ouvia aquele nome. — Esse sou eu?

— Sim, Jackson Overland Frost. — Ele desapareceu e se materializou ao meu lado. — Mas acho que esse nome é muito grande. Então você é Jack Frost. Que tal?

— Eh... — Eu ainda estava processando aquilo ainda. Um cara vindo da lua estava me dizendo meu nome. — Como você sabe quem eu sou?

— Eu te ressuscitei meu garoto.

— Mas... Eu conheço um pouco de magia. E se me lembro bem, você não pode mudar o passado, ou fazer alguém se apaixonar. Muito menos trazer alguém de volta dos mortos.

— Leis só existem até serem quebradas por alguém... — Ele me rodeou e parou de costas para mim, me observando por cima do ombro. — Superior. E ninguém é superior a mim quando se trata de magia. Nem mesmo o Dark One.

— Dark One? — Eu estava muito, muito confuso com tudo aquilo. — Do quê você está falando?

— Eu já falei até demais — ele se virou para mim. — Só te direi mais uma coisa: eu me dei ao trabalho de te reviver porque, algum dia, você irá ser útil para parar um inimigo meu. Eu poderia simplesmente acabar com ele, mas sou muito pacifista pra isso. Você encontrará outros jovens e a batalha final começará.

— Batalha final?

— Bem, até breve Jack.

Não tive tempo de chamar por ele. Do mesmo jeito que apareceu ele se foi. Novamente eu estava sozinho, mas pelo menos sabia meu nome agora.

FlashBack Off.

Eu nem percebi quando anoiteceu. Elsa e as crianças passaram a tarde juntos e depois aconteceu o banquete real. Até que não foi tão ruim. Elsa sentou-se perto de Anna e me explicou que aquele casal sentado no lugar de seus pais na catedral era sua prima e o marido dela. Mas não houve diálogo durante o banquete. Pareciam todos uns mortos-vivos. Ainda bem que ninguém me via enquanto pulava na mesa esquivando dos talheres e saltando os pratos. Só a Elsa que de vez em quando me enviava um olhar de repressão. Mas eu não ligava. Contudo, logo aconteceria o baile, o lugar para se socializar. Provavelmente Elsie conversaria com Anna e seus primos Rapunzel e Eugene. Por um momento ela seria apenas mais uma garota normal. Não queria admitir, mas estava feliz e ansioso por ela. Finalmente o jantar acabou e todos se dirigiram ao salão. A banda começou a tocar e os mortos-vivos viraram dançarinos incansáveis. Cavalheiros rodopiavam as damas e dançavam todos em harmonia. Aquilo sim era um baile. E era mais animado do que pensei.

— Só quero ver com quem a Rainha vai dançar — não estava acompanhando Elsie. Um soldado havia a levado para trás do salão. Provavelmente pra fazer uma entrada digna de rainha. — Não posso perder este espetáculo de comédia.

Voei para o lustre, para ter uma melhor visão do cômodo. Elsie não sabia dançar. Eu a observei por anos e ela nunca ao menos havia pensado nisso. E eu já frequentei muitos bailes reais, claro (clandestinamente), então sabia alguns passos.

— Que comece o show!

Com uma risada, aguardei a entrada de Elsa e Anna. Que noite maravilhosa seria aquela.

Notas finais
Eu sei... Grande demais né... Mas nada que o Jack não precise. Um personagem e tanto. Bem, deixem seus comentários ;)