Once Upon a Time in Hidden Islands
11 Building An Ice Castle
Notas iniciais

A noite estava calada e fria. Jack não se importava com isso, mas tinha certeza de que os outros não estavam gostando muito do clima. Haviam entrando na floresta há uma hora e ainda andavam em linha reta contra o vento forte e cortante, que dificultava bastante a visão dos jovens. Nem mesmo Jack conseguia enxergar naquelas condições e por tal fato, pediu que todos ficassem juntos para evitar que alguém se perdesse. Ele voava com certa resistência e bem próximo aos outros três. Demorou, mas percebeu que se continuassem assim, Rapunzel, Flynn e Anna poderiam morrer ali. Precisavam parar e encontrar um lugar para passar a noite. Um lugar protegido da ventania e relativamente quente. Tinha raiva de si mesmo por ser tão inútil. Não pôde ajudar Elsa quando era mais nova, não pode salvá-la depois de todos esses anos e agora estava levando a família dela para a morte. “Grande amigo Jack”, ele pensava.
Anna seguia junto a ele, sem questionar por um segundo sua liderança. Não sabia como ou porquê, mas confiava em Jack. E estava tão determinada a encontrar sua irmã e construir uma relação fraterna com ela quando tudo aquilo acabasse que não se importava com hipotermia ou ficar presa em montes de neve. Rapunzel e Flynn não jaziam menos motivados, mas sua preocupação com Anna também fala alto. Eles mal a conheciam, mas se apegaram realmente àquela menina. Rapunzel se via em Anna. As duas eram muito parecidas, e isso chegava a assustar. Tanto ela quanto a Flynn. Mas mesmo assim começaram a nutrir um carinho familiar por ela e não gostariam de vê-la morrer fria como uma pedra de gelo. Rider, perdido em seus pensamentos, se lembrava dos inimigos que agora eram seus aliados, ou ao menos diziam ser. Merida e Hiccup já deveriam estar em sua base agora, se preparando para juntarem-se a eles em algumas horas. Sua razão gritava para não confiar neles, afinal, eram inimigos declarados e apenas concordaram em ajudar por pressão de Jack. Ou para não morrerem de frio. Mas seu coração o obrigava a acreditar que os dois colaborariam com o propósito de salvar Elsa, o problema era o que estaria a seguir. A matariam? Tomariam Arendelle? Não podia dizer.
Rapunzel por sua vez mantinha suas preocupações centradas no engomadinho das Southern Islands. Não conseguia entender o motivo de ele não ter visto Jack, mas isso não dizia nada afinal também não sabia porquê ela e seus amigos conseguiam vê-lo. O quê realmente tinha de errado com aquele garoto ruivo ela não sabia, mas tinha vivido muito tempo com Gothel e sabia como julgar o caráter das pessoas depois de tudo que passou.
— Pessoal — Jack quebrou a concentração dos outros. — Acho que devemos parar por hora.
— O quê? — Anna puxou as rédeas de seu cavalo assim que Jack desacelerou o voo, forçando Rapunzel e Flynn a fazerem o mesmo. — Como assim parar?
— Não vamos conseguir achar Elsa nessa tempestade — ele disse, pousando na neve e olhando em volta, sem conseguir ver nada com clareza. — Além do mais, vocês já passaram por muitas circunstâncias difíceis hoje...
— Não! — Anna disse indignada, não com Jack, mas com a situação em si. — Elsa precisa de nós Jack!
— Anna, — Rapunzel dizia com sua voz mais calma possível — ele está certo. Temos que procurar um lugar para passarmos a noite.
— E além do mais, — Flynn completava o pensamento da esposa — Elsa precisa de nós vivos. E se continuarmos agora, há grande chance de cairmos num penhasco ou sermos soterrados por neve.
— Mas ela está sozinha! — Anna começou a chorar e todos puderam ver que, por de baixo da confiança em achar sua irmã, havia uma menina ferida. — Sozinha, abandonada, com medo...
— Eu conheço Elsa há algum tempo, Anna — Jack levitou até ficar na mesma altura em que a morena estava em seu cavalo e pôs a mão em seu ombro. — Ela sabe se virar sozinha. É mais forte do que imagina, do que todos nós imaginamos.
Com isso, ele se virou contra o vento novamente e tentou enxergar algum abrigo. Contudo, antes que ele o fizesse, Flynn tomou a liderança com seu corcel até uma árvore próxima, com um grande buraco em sua base. O tronco deveria ter uns quatro metros de diâmetro. Daria para os quatros passarem a noite ali, apertados com os cavalos.
— Aqui será perfeito!
— Como você sabe que essa árvore não tombará e nos esmagará durante a noite? — Rapunzel fez a pergunta que tanto Anna quanto Jack queriam fazer.
Flynn desceu do cavalo, deu uma volta no tronco passando sua mão pela superfície da matéria. Em seguida entrou na fenda da árvore e bateu nela por dentro. Soltou um riso e se voltou novamente para os outros.
— Essa árvore está em ótimas condições para um abrigo. A abertura está na direção oposta ao vento, é profunda o suficiente para que nos aconcheguemos e a madeira ainda está resistente.
Jack, Rapunzel e Anna se entreolharam e todos queriam saber como Flynn sabia de tudo aquilo. O vento ressoava em seus ouvidos e fazia com que as roupas e os cabelos dançassem esvoaçantes.
— Não sabia que você era especialista em árvores, amor — Rapunzel cruzou os braços e riu com o canto dos lábios.
— Digamos que eu já vivi muito entre as árvores, querida.
— Isso é um ótimo assunto pra conversarmos, mas só quando a família estiver toda reunida — Jack disse por fim. — E eu vou reunir vocês. É uma promessa.
— Jack, você não precisa ficar tão sobrecarregado — Anna disse, descendo do cavalo e vendo Rapunzel fazer o mesmo. — Isso é culpa minha, se eu não tivesse pressionado Elsa...
— Isso é mais culpa minha do que você sabe Anna — Jack ficou o solo, inexpressivo.
— Não importa de quem é a culpa — Flynn se aproximou e só então os outros perceberam que ele já havia levado os cavalos para o interior da árvore e estes já se aconchegavam para pernoitar. — O que importa é que tenhamos todos uma boa noite de sono. Anna e Punzie, vocês dormem abraçadas, para espantar mais ainda o frio. Eu e Jack revezamos nos turnos de vigia.
— Na verdade amigo, — Jack pôs a mão na cabeça como se estivesse receoso em completar a frase. — Eu não vou passar a noite aqui.
— Como assim? — Anna retirou uns fios de cabelo do seu rosto e os prendeu atrás da orelha.
— E onde você passará a noite? — Rapunzel relaxou os braços.
— Vou continuar procurando Elsa.
— O quê? — Flynn disse passando a mão ao redor de Rapuzel. — Você mesmo disse que era loucura a procurarmos agora.
— Na verdade, é loucura vocês a procurarem. Não eu. Nada demais, mas cada minuto que desperdiçamos, é um minuto que Elsa está sozinha.
— E como você pretende nos encontrar depois de achá-la? — Anna cruzou os braços e Jack pensou haver duas Rapunzéis.
— Vocês nos acharão, tenho certeza. Vou providenciar algum jeito de saberem onde estamos.
— Jack, isso é insano! — Rapunzel estava realmente preocupada com o albino.
— Punzie, deixe-o ir. — Flynn se pronunciou de forma compreensiva. Todos olharam para ele.
— Você apoia essa maluquice? — Rapunzel olhou descrente para seu marido.
— Um homem deve fazer o que acha preciso — Ele lançou um olhar amistoso para o espírito do inverno, como um irmão mais velho incentivando o caçula. — E por quem ele acha necessário.
O silencio voltou a reinar. Anna e Rapunzel se entreolharam. Pareceram se acalmar diante da situação. Perceberam que Jack não era como eles, pelo contrário, ele possuía magia e tinha mais experiência do que todos ali. Então ambas desejaram boa noite aos rapazes e boa sorte à Jack e foram para o interior da árvore com o intuito de adormecer pesadamente até a manhã. Flynn e Jack ficaram sozinhos.
— Vai ser difícil fazer vigia a noite inteira, — Flynn olhou para Jack, sorrindo sarcasticamente — mas acho que consigo.
— Ah, não se preocupe com isso — Jack parou de observar o interior da árvore e também olhou para seu parceiro. — Antes de partir eu irei por um escudo de proteção ao redor da árvore. Ele aguentará até de manhã e nenhuma criatura com intenção negativa poderá passar por ele.
— Você é tão poderoso pra lançar um feitiço assim?
— Poderoso? — Jack soltou uma gargalhada baixa para não acordar as meninas que tinham acabado de pegar no sono. — Esse feitiço não precisa de grande poder. Quero dizer, pra esse caso. Um feitiço simples de proteção e com duração curta e efeito básico. Existem maiores dimensões pra esse poder, mas não é o caso.
— Eu não entendo muito de magia... — Flynn fingiu tristeza, mas logo voltou com o sorriso. — Senhor Jack “Sou Foda Em Magia” Frost.
— Não é para tanto também, seu exagerado. — Eles riram descontraidamente e Jack deu um passo à frente do moreno e fechou os olhos.
Assim, ergueu sua mão direita e a apontou para o céu. Dela, saiu uma áurea branca vibrante que subiu até chegar a um metro acima da altura da árvore. Ao alcançar tal altitude, a luz se expandiu lateralmente em um arco que englobou todo o diâmetro da árvore. Jack abriu os olhos e ao fazê-lo, a barreira recém formada perdeu seu brilho e ficou transparente.
— Funcionou? — Flynn se pôs ao lado do jovem de madeixas brancas.
— Você duvidou que funcionasse? — Jack olhou para Flynn com ironia.
— Quando ela parou de brilhar, confesso que dei uma pausa.
Os dois riram mais um pouco. Jack explicou que a barreira estava ali, apesar de estar translúcida. Podiam ter ficado a noite toda conversando, mas os dois tinham obrigações a serem cumpridas. Flynn deveria dormir para acordar cheio de energia e disposto a continuar a missão. Jack deveria encontrar Elsa para poupar o tempo de procura dos outros. Afinal, ele não se cansava (isto era uma vantagem de ser um ressuscitado).
— Bem, amigo — Jack apoiou o cajado na neve aos seus pés descalços e se virou para o parceiro — está na hora de eu ir.
— É... — Flynn estendeu a mão para o albino. — Parece que sim.
Jack aceitou o gesto e apertou a mão do moreno. Os dois sorriram e naquele momento Jack pôde sentir o que era ter uma amizade, mesmo que os dois se conhecessem há apenas algumas poucas horas. Rider desejou boa sorte ao amigo e o viu levantar voo em direção ao norte. Sozinho, cruzou os braços e se virou para entrar em seu dormitório improvisado. Fazia tempo que não dormia em uma árvore, mas não podia dizer que estava adorando aquilo apesar de reviver velhas e boas lembranças. Deitou-se no solo ao lado de sua esposa já adormecida e jogou o braço direito por cima da mesma, para que a aquecesse mais. Logo, já estava dormindo profundamente.
Enquanto isso, Jack planava vorazmente pelos campos brancos. A tempestade de neve havia se acalmado um pouco, o que permitiu que visse um pouco dos cenários. Avistou lagos congelados, pinheiros entortados pela neve. Pareciam catapultas prontas para arremessar alguns quilos de neve em qualquer que se aproximasse. Logo a paisagem de bosques foi substituída por serras e montes. Montanhas e Alpes. Perguntou-se o quê estava fazendo ali, afinal, teria Elsa ido tão longe? Imaginou que não, então tomou a decisão de mudar a rota e seguir para o leste.
Que bom que não o fez. De relance, avistou há alguns quilômetros a silhueta de uma pessoa. Estonteado, ele parou no ar para absorver a situação. Elsa andou milhas, quilômetros, para o desconhecido apenas para proteger as pessoas que amava. Pretendia se isolar para o bem de seu povo, de sua irmã. Nunca viu nada tão altruísta. Aproximou-se por de trás da moça e não sabia como chamar sua atenção.
—Eh... — Ele disse constrangido. —H-Hey, Elsa.
Ela se virou completamente horrorizada. Seu penteado uniforme estava inexplicavelmente intocado. Mesmo com o vento que fazia naquele local. Estavam no pé de uma montanha. A longa capa roxa da rainha estava com resquícios de neve em sua extremidade. A tiara dourada brilhava no topo da cabeça loira de Elsa. Estava com apenas uma das luvas, já que Anna havia retirado a luva esquerda da irmã. Sua reação estava misturando emoções como o horror de ter alguém perto de si, a vergonha de ter estragado o baile, o medo de machucar alguma pessoa e a felicidade de estar novamente próxima a alguém que a entendia tão bem.
— Jack! —Ela se virou, deu um passo para trás e quase tropeçou em sua capa. — O quê está fazendo aqui?
— Acha que eu te deixaria sozinha? — O menino ainda flutuava há um metro do chão.
— Você precisa me deixar sozinha! Viu o quê eu fiz no castelo... —Neste momento, uma lágrima ameaçou cair, mas a loira se segurou. — Eu sou um monstro.
— Hey, pode parar de falar assim — Jack parou de flutuar e pôs a palma da mão delicadamente na face da garota que não demorou muito para se virar e voltar a caminhar.
Ele a seguiu, desta vez andando e pôde vê-la chorar baixo. Sua alma estava muito machucada. Anna deveria estar com pavor de tê-la como irmã e agora nunca mais a veria. Pelo menos sabia que a caçula estaria segura enquanto ficasse longe.
— Você deve ir... — Ela dizia enquanto se abraçava e fugia do rapaz, que continuava acompanhando-a.
— Não vou te deixar — deu uma pausa para pensar no que acabara de dizer. — Não de novo.
— Eu sei que você diz que já nos conhecemos — a menina parou e se virou para o jovem — mas eu não me lembro de nada. Só sei que passei minha vida exilada como uma aberração. E não havia ninguém para me amparar ou fazer companhia. Eu sei o quê eu passei...
— Estas são lembranças falsas!
— Elas são reais para mim, Jack! — Ela relaxou os braços e fechou os punhos.
— Mas não precisam ser... — Ele colocou sua mãe na dela, a que estava sem luva, e a encarou. Os dois ali, à luz da Lua, se viam nos olhos um do outro. As duas pessoas com tonalidades idênticas de azul enxergavam o interior uma da outra. O problema é que Elsa não conseguia resolver o enigma no interior de Jack. Mas para ele, ela era um livro aberto. Um livro que ele poderia ler milhares de vezes sem se cansar. — Você já controlou seus poderes uma vez. Podemos conseguir novamente...
— Jack, eu não sei... — Naquele momento, ambos perceberam que o “Mr.Frost” havia dado lugar a “Jack”. Nenhum dos dois disse nada sobre isto.
— Sabe sim — o menino de cabelos brancos agarrou a outra mão da loira, sem quebrar a conexão visual, e retirou a luva. Jogou-a ao vento e este a levou para longe. — Só precisa se libertar, deixar fluir.
Elsa não percebeu a retirada da luva imediatamente. Jack a retirou tão delicadamente, como se estivesse lidando com a mais fina porcelana chinesa. Ela não percebeu, mas estava presa aos olhos azuis do garoto e só notou que estava sem luva quando Jack foi para trás dela e, segurando sua mão, fez com que ela usasse os poderes. Fez apenas alguns flocos de neve surgirem da palma da mão.
— Viu? — Ele disse ao pé do ouvido da rainha. — É só parar de ter medo e, como um conhecido meu diria “ter pensamentos felizes”. Eu sei que é meio clichê, mas...
— Obrigada Jack, — ela virou o rosto, sorrindo, para o lado no qual ele falava e seus rostos ficaram a um centímetro de distância e os dois coraram. Até mesmo Jack, que não pensava ser possível ficar corado, o fez — obrigada mesmo. Por não sair do meu lado, por vir atrás de mim, por tentar me animar...
— Agora que tal você tentar sozinha? — Ele soltou a mão da garota e recuou um pouco.
—O quê? — O medo retornou aos olhos de Elsa. — Não consigo...
— Você já conseguiu anos atrás, você conseguiu agora e vai conseguir de novo. Tente pensar em algo íntimo, que você sempre quis fazer.
Elsa não pretendia, mas soltou um sorriso. Sabia exatamente o quê pretendia fazer. Rodando os pulsos, ela manejou a neve da montanha para fazer um boneco de neve. Lembrou-se do que construíra com Anna, quando eram menores. Sentiu uma falta de sua irmã que por pouco não começou a chorar novamente. Mas antes que quebrasse novamente, Jack chamou sua atenção. Estava com algumas pedras de carvão na mão e alguns galhos. Ela sorriu para ele, pois sabia exatamente o quê pretendia. Ele sentou-se na neve e ela o acompanhou. Ele colocou pedras de carvão no que seria a barriga do boneco, que tinha um metro de altura. Elsa posicionou os galhos nas laterais do corpo e um pouco de pequenos galhos na cabeça dele, para fazer poucos fios de cabelo.
A loira levantou subitamente e jogou suas mãos para o alto, uma de cada vez, fazendo com que raios glaciais fossem lançados por elas. Rapidamente, já havia uma queda de neve sobre eles. Com um gesto de seus braços para baixo, toda a neve desabou. Lançando as mãos para os lados, criou rajadas com seu poder e formas abstratas alvas dançaram no ar. Jack encarava Elsa e pela primeira vez em muito tempo a via realmente feliz. E ela se sentia muito bem. Fazer o boneco de neve com Jack a fez perceber que seus poderes não serviam somente para causar dor. Enquanto ela estivesse sozinha, podia se divertir com eles. Um vento forte chegou, fazendo com que sua capa esvoaça-se. Com a mão esquerda, soltou o botão que prendia a capa e a viu ser levada pelo vento. Jack ficou boquiaberto com a mudança repentina do humor de Elsa. Ela saiu correndo montanha acima e Jack rapidamente se ergueu para segui-la, mas decidiu dar uma última olhada no boneco de neve que haviam feito, mas ao fazê-lo notou a ausência deste. O homenzinho gelado havia sumido. Teria dado mais atenção àquilo, mas algo em seu interior o dizia que era melhor esquecer por ora.
— Espere por mim Elsa! — Saiu voando para a direção que a menina havia ido e a encontrou criando com seus poderes, uma escada de cristal, para atravessar uma fissura na cordilheira. Ligeiramente, ele voou até ela, que ainda estava no meio do despenhadeiro, e planou em volta da escada. Eles riram juntos, achavam aquilo tão divertido. Elsa finalmente estava aprendendo a usar os poderes em seu benefício. Jack soltava gargalhadas por ver que a Elsa estava feliz, pelo menos não pensava na desgraça que passara nas últimas horas. Finalmente chegou ao outro lado da fissura. Jack se virou para o sentido de onde vieram e viu a escadaria mais bela de seus vários anos de existência.
— Jack, olhe isso! — Elsa chamou a atenção de Jack, que se virou a tempo para vê-la pisotear o solo e, do impacto criado saiu várias lâminas de gelo horizontais. Elas cintilavam como os olhos de Elsa, cheios de orgulho e de felicidade por finalmente encontrar a liberdade. Ele observou as lâminas aumentarem até formar um gigante floco de neve. Soltou um “wow” de surpresa. Em algum lugar, ela estava utilizando as memórias reais. As lições que ele havia dado a ela.
Antes que pudesse dizer algo, se encontrou levitando sobre uma plataforma gelada. Elsa havia feito com que seu floco de neve se erguesse há mais de oito metros do chão. E como se já não bastasse, criara várias colunas de gelo na periferia da plataforma, para que a mesma se apoiasse. Das extremidades do floco, ergueram-se paredes com duas aberturas: uma para o andar de baixo e outra com duas pesadas portas de cristal, que dava para uma sacada.
— Elsa, que tal um lustre? — Jack sorriu por cima do ombro para a loira, que seguiu seu conselho. Ergueu as mãos num movimento rápido e decidido, que fez com que gelos saíssem do topo das colunas e se encontrassem no meio da circunferência sobre eles. Do ponto de encontro, desceu um cabo de gelo e adjacentes a este se formaram várias placas de gelo, originando um belo lustre de cristal. Dois metros de diâmetro e quatro de altura.
Prontamente, tomou sua tiara dourada brilhante em sua mão. A observou, e tudo que queria esquecer veio em sua mente por um instante. Seus anos perdidos, seu medo, sua fardo de ser rainha. Com bastante coragem, lançou o objeto para o outro lado da sala e após fazê-lo, levou a mão ao seu coque atrás da cabeça. Abruptamente, desfez o que o enrolava e soltou sua enorme trança. Passou as mãos pelos cabelos, desfazendo a franja e despojando seus fios loiros. Os flocos de neve pequeninos que decoravam suas madeixas pareciam mais brilhantes do que quando os pusera pela manhã. Jack estava espantado. Seu queixo parecia estar batendo no chão do cômodo, tamanha era sua admiração. Como se já não houvesse impressionado o bastante, Elsa fez um movimento com os braços e da base de seu vestido começou a subir um trapeado glacial. O tecido de neve se ergueu até o dorso da jovem, deixando uma abertura lateral no vestido que expunha a perda direita da rainha até a sua coxa. No dorso fez-se um decote comportado. Para expandir o gelo para as mangas, a loira afastou os braços, um de cada vez. O novo modelo possuía uma cauda. Tomando o rumo da varanda, Elsa materializou uma longa capa também feita de geada, que se prendia em suas costas à altura das costelas. O tecido transparente com alguns desenhos de flocos de neve deveria ter dois metros de comprimento. Caminhou até a varanda e observou o nascer do sol. A luz do astro rei em contato com o extraordinário castelo de gelo fazia quase uma aurora boreal no interior da construção. Jack ainda estava paralisado. Elsa estava mais bela do que nunca, mais bela do que todas que Jack já vira em seus vários anos. Ele não achava ser possível que aquela garota ficasse mais bela, mas aquela trança que caía pelo seu ombro esquerdo, os fios despojados, o vestido de gelo... “Aquela coxa...” Jack pensou e logo se pegou com pensamentos impróprios com Elsa. Bateu em sua cabeça para afastar tais ideias.
— E aí, o quê acha? — Elsa disse, tirando o jovem de seu transe para só então perceber que ela se encontrava em sua frente. Uma expressão tímida tomou conta da mulher e seus olhos pareciam mais profundos do que antes. Não parecia mais aquela Elsa de vinte e quatro horas atrás. Lembrava a Elsa de seis anos antes, a destemida e que controlava tudo o que pensava ser possível.
— O quê? — Disse por fim, corando novamente e tentando esconder isto da garota. — Eh... Você está melhor. Não que você estivesse pior antes, mas você está linda agora, dez vezes mais bonita. Espere aí, o quê? — Falou, parando para pensar no que havia acabado de falar.
— Jack, — a loira disse ao se recuperar dos risos — não precisa ficar tão nervoso. E eu não estava perguntando sobre mim. Era sobre o castelo.
— Ah sim, — Jack enfiou o rosto em suas próprias mãos, envergonhado — ele também é lindo. Você fez um belo trabalho aqui senhora ‘Rainha do Gelo’.
— Não me chame assim — ela disse escondendo um riso com a mão. — Como é mesmo que você falava? “Elsie”?
— I-Isso... Mas pensei que você não gostasse.
— Eu não devia gostar... “Uma rainha não deve ter apelidos”.
— Isso é mesmo uma regra?
— Claro que não! — Eles riram um pouco e foram caminhando lado a lado para a escadaria que dava para o andar de baixo.
— E então Elsie, o quê pretende fazer agora?
— Não tenho a menor ideia... — Ele disse atravessando o cajado por trás da nuca e apoiando-o nos ombros. — Que tal irmos lá para fora? Aproveitar seu primeiro dia de liberdade?
— Eu... Okay.
Após aceitar o convite, Elsa e Jack terminaram de descer as escadas e observaram o saguão principal. Era uma grande área lisa, até que Jack resolveu criar um chafariz de gelo com três andares. Uma peça lindíssima para se expôs no hall de entrada. Fizeram algumas cortinas rígidas e opacas de gelo que pediam do teto. Só então Jack notou que mais a frente do térreo o teto era aberto, em formato de floco de gelo, para deixar a luz entrar. As portas de gelo do palácio eram belíssimas e ele utilizou de um movimento simples de mão para abri-las de longe. Sua mágica podia não controlar o gelo criado por Elsa, mas ainda conseguia mover objetos, como aquelas portas. O jovem ficou surpreso com a capacidade da loira de prestar atenção em cada detalhe e reparou que seus sapatos rasteiros agora eram dois saltos esplendorosos de puro cristal. Desviando o olhar, parou seus olhos na bela coxa da Rainha que se amostrava a cada passo que desferiam em direção aos bosques.
“Como você cresceu Elsie” Jack pensava para si, orgulhoso da bela jovem ter tomado controle de seu destino novamente.
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