Once Upon a Time in Hidden Islands
9 An Unexpected Alliance
Notas iniciais

Realmente, a vida é muito instável. Cheia de surpresas. Elsa aprendeu isso rápido demais. De uma garota trancafiada num quarto por seus poderes monstruosos, ela passou a ser futura rainha. E no mesmo dia, descobriu que seria morta e como se não fosse estranho o bastante lidar bem com isso, ela simplesmente havia revelado seu maior segredo para todos. E da pior forma possível. Enquanto corria para longe do salão procurando a saída do castelo, podia ouvir seu coração batendo nos ouvidos. Era como se todo o seu sangue tivesse sido trocado pela água mais fria das geleiras que Arendelle abrigava no inverno. Ela corria, abraçando o próprio estômago em sinal de nervosismo. A capa às suas costas esvoaçava e quando notou as enormes portas principais, disparou em sua direção. Normalmente, aquelas portas eram um tanto pesadas, mas naquele momento de êxtase Elsa posicionou suas mãos e com muita força conseguiu movê-las. A abertura dava para o pátio do castelo que, para a surpresa da rainha, estava cheia de plebeus animados que quando perceberam a presença da loira soltaram saudações alegres.
— Que maravilha — murmurou baixo para si, enquanto descia as escadas e passava em meio à multidão, caçando os portões do palácio —, com a minha sorte, eu deveria esperar guardas vindo atrás de mim...
Seu agouro deve ter sido ouvido por alguém, pois logo que terminou seu cochicho pessoal, o Duque de Weselton cruzou as portas do castelo, acompanhado de dois de seus homens mais alguns guardas de Arendelle. “Obrigada mesmo, sorte” ela pensou depois de se virar para os que a perseguiam. O duque gritava acusações e apontava para ela.
— Monstro! Parem este monstro!
— Não se aproximem, por favor — a Rainha de Arendelle ergueu as mãos em instância de se defender. — Fiquem longe de mim! Não quero machucar nenhum de vocês! — Estava arrepiada de medo.
A loira balançava as mãos em negação a cada ameaça do duque ou dos outros de se aproximarem. Os cidadãos observavam a situação sem saber realmente o que acontecia. O que não durou muito já que em um nos movimentos braçais seu poder novamente foi liberado pela mão desprovida de luva. Um jato de gelo e neve foi lançado em direção à porta do castelo, fazendo com que o duque e seus homens, seus guardas e alguns aldeões que estavam por perto de lá fossem arremessados contra paredes e outras pessoas ao redor. Onde o poder tocou, surgiu uma geada e algumas estalagmites de gelo nas estruturas do palácio. Por obra do destino, nenhum dos atingidos sofreu maiores lesões. Apenas foram empurrados pela força do poder glacial da menina. Nada demais, não?
Agora, todos os presentes olharam para a rainha e ela pode ouvir choros de crianças e murmúrios das pessoas. Os adultos se afastavam assustados, puxando suas crianças, e Elsa seguia o exemplo, recuando. Tropeçou em sua capa e quase caiu para trás. Surpreendentemente, havia uma fonte logo atrás da garota e ela conseguiu se segurar. Pode sentir seus poderes descendo pelos seus dedos e palma da mão e correndo pela borda da fonte. Elsa deu um pulo para longe da construção e conseguiu ver a água que estava sendo jorrada pela decoração se transformar em gelo sólido. Suas forças sobrenaturais haviam congelado a fonte. Ela fitou sua mão desprotegida e olhou para a multidão apática. Felizmente, conseguiu ver ao longe um túnel que passava por dentro de uma das torres de vigilância da amurada do castelo e correu até lá. Não foi difícil percorrer o caminho, já que todos se afastavam dela. Percebeu que não estava erguendo o vestido para correr e que, por conta disso, poderia tropeçar e cair de cara no chão a qualquer momento.
— Agora minha sorte decide mudar? — Murmurou, irônica.
Correu para dentro do túnel e percebeu que nele havia uma escada em espiral para baixo. Tochas acesas estavam dispostas pelas paredes, o que permitiu que ela descesse segura e rapidamente os degraus, claro, desta vez levantando o vestido suficientemente. Ao fim do trajeto, percebeu que estava às margens da pequena porção de terra onde o castelo se erguia. Entre ela e o mar, havia apenas uns seis metros. Convencida de fugir para nunca mais voltar, ela correu até as margens e foi quando percebeu que estava sem saída. Como poderia nadar até a outra margem, que estava a pouco mais de um quilômetro de distância? Não havia como. Estava perdida. Logo os guardas desceriam pelas escadas e ela seria morta. Ou pior, presa novamente por tempo indeterminado, numa cela escura e vazia. De repente, ela ouviu vozes das únicas pessoas que a deixavam mais aterrorizada que a solidão: Anna, Rapunzel e Flynn. Eles estavam vindo ao seu encontro e ela poderia machucá-los.
Virou-se para a escada, e pode ver sombras. Eles estavam chegando. Levou as mãos ao coração e recuou para as águas. Percebeu que começava a nevar em pleno verão. Sua maldição estava alterando o clima local. Tinha que sair dali o mais rápido possível. Voltou seus olhos para o alto da murada e viu Jack pousando junto à uma torre. Ele a observava, inerte, como se tivesse sido atingido no estômago. Olhos arregalados e boca aberta. Pareceu mais pálido do que o normal, claro, se isto fosse possível. Elsa percebeu que não deveria estar muito diferente. Não agia mais por vontade. Parecia guiada por instintos.
— Elsa! — Ela ouviu Anna a chamando em uníssono com Rapunzel e Flynn.
Sentiu um extremo desespero e notou seus poderes se descontrolarem novamente. Pode senti-los escorrendo pelas pernas até o chão e se virou para o solo. Vislumbrou o gelo que se formava sobre as águas e percebeu que seus poderes pela primeira vez estavam ajudando em algo. Voltou-se para o mar, dando as costas às escadas e tomou coragem para posicionar seu pé direito sobre o mar. Instantaneamente, antes que seu pé tocasse o líquido, um floco de neve surgiu sobre o membro, formando um círculo gélido que a sustentou sobre a superfície aquática. Observou a margem ao longe e fechou os olhos, correndo para ela, cortando a massa de água salgada, deixando um rastro congelado por onde passava.
Anna, seus primos e Hans, até agora calado, chegaram a terra e viram Elsa correndo sobre o mar e deixando uma trilha de gelo para trás. Anna correu até a porção de água congelada e escorregou, caindo de joelhos. Rapunzel e Hans foram para suas laterais, ajudando-a a se levantar. Flynn permaneceu de pé, observando boquiaberto, a Rainha correndo para longe, com a capa dançando às suas costas e percebeu que estava nevando. Olhou para o céu e ergueu a mão direita, com a palma virada para cima e viu um floco de neve pousar em sua mão. Notou como a noite estava bonita, apesar do desastroso baile. Estrelas iluminavam o céu e eram tantas que quase ofuscavam o brilho da Lua.
— Elsa... — Anna sussurrou, clamando a irmã, dolorosamente. Parecia a voz de uma princesa torturada por anos.
Seus olhos azuis se encheram de lágrimas e ela franziu as sobrancelhas ameaçando chorar, mas conteve-se e levantou. Rapunzel passou o braço pelo ombro da prima, puxando-a para perto de si num abraço e Anna aconchegou sua cabeça no ombro de Rapunzel. Hans deu um passo à frente.
— Os fiordes... — Ele disse, chamando a atenção dos outros.
Anna se desaconchegou de Rapunzel e andou até o lado de Hans, que pousou ambas as mãos nos ombros da princesa. Rapunzel e Flynn entrelaçaram seus braços e foram até o outro casal e observaram que o rastro de Elsa havia se expandido, e tomava a cada segundo, um pouco mais das águas. Em menos de um minuto, todo o reino estava isolado e os barcos presos ao gelo. Todo o mar de Arendelle foi congelado e a neve que Flynn havia observado ficava mais intensa a cada piscada de olho. O som das ondas e do farfalhas das águas foram substituídos pelo sopro frio e seco do contado do vento com o gelo.
Jack, ao contrário dos príncipes e princesas, não retirou os olhos de Elsa, até que ela chegasse à outra margem em segurança. E assim ela o fez, chegou à terra firme e se ocultou em meio às arvores. O espírito a perdeu de vista e só então percebeu o congelamento do mar e a neve que caía. A dor tomou seu humor. Ele pensava ser o culpado de tudo aquilo. “Se não tivesse sido forçado a sumir da vida de Elsa, eu a teria ensinado como controlar os poderes e nada disto estaria acontecendo”, pensou. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele se permitiu deixá-las cair. Pouco a pouco, gotas cheias de dor e culpa despencaram de seus olhos.
Anna, amparada por Rapunzel, voltou com Flynn e Hans para o pátio do castelo, onde o povo ainda estava aterrorizado mas também surpreso com a neve tão fora de época. Escutaram os murmúrios da multidão. “Neve?”, “Mas não estamos no verão?” e “Oh não! Minhas cuecas vão congelar no varal!” Eles caminharam por entre as pessoas, que não parecerem notar suas presenças. Estavam mais preocupados em correr para suas casas e sentar junto à lareiras.
— Anna, você está bem? — Rapunzel perguntou, caminhando ao lado da princesa.
— Não — A irmã de Elsa estava distraída então não encarou a prima, apenas respondeu, seguindo em frente e fitando o chão.
— Você sabia disso? — Hans se aproximou por trás das meninas, questionando Anna.
— Não... — A morena respondeu, soando um tanto ferida e como se quisesse mudar de assunto, mas soubesse ser impossível.
Eles continuaram andando e, perto da fonte congelada, encontraram o Duque de Weselton entrando em pânico e falando com seus lacaios. “Vejam! Está nevando! Nevando! A rainha amaldiçoou esta terra! Ela deve ser detida!” então ele se virou para um dos seus e disse “Você precisa ir atrás dela!”.
— O quê? Não! — Anna interviu, se esquecendo do frio. A raiva subiu por seu corpo.
— Você! — O pequeno e magrelo idoso se escondeu atrás de seus dois guarda-costas ao ver a princesa se aproximando. — Existe um feitiço em você também? Você também é um monstro?!
— Não, não — Anna se defendeu. — Eu sou totalmente normal.
— É isso aí! — Hans tomou as dores da princesa e se aproximou dela, afastando Rapunzel e pondo sua mão no ombro da pretendente. — Ela é perfeitamente comum.
Anna lançou um olhar para ele como se o desafiasse a chamá-la de ‘comum’ de novo. Rapunzel também o estava encarando assim, mas o príncipe das Ilhas do Sul nem percebeu, mas se defendeu com “’Comum’ do jeito bom!” Anna perdoou o deslize do amado e se virou para o duque novamente.
— E minha prima não é um monstro — Rapunzel disse antes que Anna o fizesse. Ela pareceu ler sua mente. Eram mais parecidas do que imaginava.
— Ela quase me matou! — O duque gritou, nervoso.
— O senhor escorregou no gelo — Flynn disse, tentando contornar a situação com seu sarcasmo.
— No gelo dela! — O duque estava muito assustado para notar a ironia do moreno.
— Foi um acidente — Anna tomou o discurso. — Ela estava com medo. Não pretendia isso, ela não pretendia nada disto.
O idoso de Weselton fitou a neve que caía e olhou para os jovens nobres que o questionavam com a expressão de “Tem certeza? Acho que ninguém cria neve sem querer”. Assim, o idoso se afastou com os seus servos, deixando os quatro sozinhos.
— Que cara insistente... — Todos os quatro se entre olharam para ver quem havia falado, mas perceberam que a voz vinha de trás deles e se viraram para notar o “Príncipe Charles” e a “Princesa Léia” se aproximando. Rapunzel e Flynn os olharam com raiva. Haviam sido enganados por eles a noite toda. Rider avançou para socar o rosto de Hiccup, mas Rapunzel o segurou pelo braço, deixando-os se aproximar.
— O quê vocês querem aqui? — Rapunzel lhes dirigiu a palavra.
— O quê você acha, princesa? — Merida pôs as mãos na cintura, como se estivesse cansada. Então levantou o vestido um pouco e retirou seus pés dos sapatos de salto alto, relaxando sua expressão. Era como se um bando de elefantes tivesse parado de esmagar seus pés. — Tentando não morrer congelados.
— É isso que vocês merecem, farsantes — Flynn disse, irritado. Rapunzel ainda fazia força para contê-lo.
— Disse o ex-bandido Flynn Rider — Merida retrucou o comentário do marido de Rapunzel.
— Uh — Hiccup suspirou —, um a zero.
— Pelo menos ele não finge ser quem não é, “Mervilda” — Rapunzel defendeu seu amado, cometendo um deslize ao tentar lembrar do nome verdadeiro da ruiva, que Elsa havia mencionado antes de tudo sair do controle.
— Vish — Hiccup se manifestou novamente —, um a um agora.
— Dá para parar de brincadeira, Hiccup? — Merida deu uma cotovelada no moreno ao seu lado e se voltou para a princesa de Corona. — E é Merida, Punzie.
— Não me chame de ‘Punzie’, traidora — Rapunzel estava com raiva, mas sua frase pareceu mais de mágoa do que de ira.
— Como quiser princesa — Hiccup se recuperava da cotovelada enquanto falava. — Que tal começarmos de novo? Boa noite companheiros, eu sou Hiccup Haddok, Domador de dragões de Berk, e esta é Merida, Princesa de DunBroch.
Todos os quatro recuaram um pouco. Berk e DunBroch infiltrados em Arendelle. Nada poderia ser pior. A não ser é claro, um inverno eterno lançado pela recém-coroada Rainha de Arendelle.
— Okay, agora você se superou — Merida se virou para Hiccup, o encarando com surpresa, mas quando percebeu que podiam olhar novamente um nos olhos do outro, desviou os olhos para os jovens de novo.
— Não adianta mais fingirmos sermos outras pessoas — ele se defendeu. — Eles já sabem que mentimos. É melhor falar logo tudo de uma vez.
— Podem começar falando o motivo de estarem aqui — Anna propôs.
— Matar sua irmã e tomar seu reino — Merida foi direta.
— O q-quê? — Rapunzel e Flynn se aproximaram mais e ele já se preparava para chamar os guardas.
— Ah, vamos ser sinceros, — Hiccup começou — este é o menor de nossos problemas. Caso vocês não tenham percebido, está nevando em pleno verão e a rainha está sumida na floresta.
— Agora vocês podem nos aprisionar sem resistência... — Hans percebeu, finalmente.
— Não faremos isso — Merida deu um passo à frente.
— Não faremos?! — Hiccup perguntou surpreso
— Não farão?! — Anna e os outros perguntaram em uníssono, e Anna seguiu com a pergunta. — Por quê?!
— Sua irmã... — Ela fitou o chão e pareceu confusa. — Eu fiz uma promessa à ela e não vou esquecê-la. Eu vou salvar Arendelle.
— Que nobre, para uma donzela que há menos de dez minutos queria matar a rainha — Hans disse, frio. Anna não ligou muito, mas ficou confusa. Ele soou mais interessado que raivoso. Rapunzel olhou com o canto dos olhos para o ruivo das Ilhas do Sul. Algo a intrigava sobre aquele rapaz.
— Mesmo que nós os deixássemos livres, — Rapunzel proferiu — não poderíamos confiar em vocês.
— E, além disso, não temos ideia de onde a Elsa está — Flynn completou o raciocínio da esposa.
— Hah! — Anna, Rapunzel, Flynn, Merida e Hiccup se observaram, mas notaram que o riso sarcástico vinha de cima. Hans não ouvira nada. Todos os cinco se voltaram para o alto da fonte, fazendo com que o ruivo também olhasse, por cusiosidade, onde havia uma escultura de gelo, devido aos poderes de Elsa. Ela havia feito uma bela imagem com a água que saia do chafariz. Mas o que realmente os chamou atenção foi o menino sentado no alto do gelo. Cabelos mais brancos que a neve, olhos azuis brilhantes e pele quase tão branca quanto o cabelo. Estava usando um chalé marrom desgastado. Por debaixo dele, uma blusa de mangas longas brancas. Pra completar, uma calça que ia até as canelas e um cajado estranho. Não pareceu ter percebido que o observavam. — Nessas horas que eu deveria ser visível.
— Eh... Olá? — Hiccup se dirigiu ao menino que os encarou, todos olhando para ele, mas não respondeu. Não parecia acreditar que falavam com ele. Jack realmente não achava que estava sendo visto por eles. Não podia ser verdade.
— Você está bem? — Anna perguntou.
— Com quem estão falando? — Hans perguntou para Flynn.
— Acho que é com aquele garoto.
— Que garoto? — Ele não via Jack. — Estão loucos.
Jack pulou e parou no meio deles seis. Hans continuou procurando o menino que todos falavam, mas o resto já o acompanhava com os olhos. Ele se aproximou de Anna e a tocou no ombro. Em seguida, abriu o sorriso mais espontâneo que Anna já havia visto e deu saltos de alegria. Mas não saltos comuns. Ele realmente ia alto. Parecia um coelho gigante.
— Obrigado, Moon! — Ele berrava para os céus e Rapunzel se perguntava como Hans não ouvia.
— Quem é você? — Merida o questionou.
— Como você me vê e não sabe quem sou eu? — Ele parou de saltar e sentou na borda da fonte.
— Normalmente — Rapunzel disse — é assim que nós conhecemos as pessoas. Nós as vemos e depois descobrimos quem são.
— Mas vocês já sabem quem eu sou.
— Querido, eu acho que não teria perguntado se eu soubesse — Merida disse, sorrindo. Não queria ser grosseira, somente uma frase pra descontrair o clima pesado. Mas Rapunzel e Flynn a lançaram um olhar sério que a fez perceber que não conseguiria a confiança deles tão facilmente. Jack riu com ela. Seus humores negros se conectaram.
— Sou Jack Frost. — Ele disse sorrindo e pousando o bastão em seu colo.
— Ah, claro — Flynn disse se aproximando de Jack. — E eu sou o coelho da páscoa. Está é minha esposa, fada do dente. Prazer.
— Não deveria brincar com eles... Aquele coelho não tem senso de humor e a fada pode ser bem agressiva quando quer... — Jack fez uma bola de neve com apenas um movimento com a mão. Depois disto, ele começou a flutuar, tentando provar sua identidade. — Um humano normal faria isto?
Flynn começou a respirar pesadamente. Seus olhos se arregalaram e Rapunzel pensou já ter visto aquela expressão. Então se lembrou de quando ele descobriu sobre seus cabelos mágicos e, antes que ele gritasse, ela interviu.
— Não se apavore!
— Não estou apavorado! — Ele disse após sufocar um berro. — Alguém está apavorado?! Não! Só quero saber como minha lenda favorita está em minha frente e ainda sim é mais novo do que eu! Só isso!
— Ele morreu, se lembra? — Merida respondeu ao moreno que não a censurou visualmente. Na verdade, estava tão eufórico por estar na presença de Jack que esqueceu sua raiva. — Um garoto que morreu num lago de gelo e voltou a vida como espírito do inverno. Meu pai costumava me contar sua história.
— Em Berk também ele é conhecido — Hiccup disse se aproximando do garoto de cabelos brancos e lhe estendendo a mão. — Eu sempre quis que fosse verdade e agora, ele está aqui na minha frente.
Jack apertou a mão de Hiccup e parou de flutuar, colocando os pés no chão.
— Gothel também me falava sobre você — Rapunzel continuou. — Eu sonhava que você me visitava porque era mais divertido pensar em você do que ficar sozinha. Até que Pascal apareceu... Então eu te deixei descansar somente nas histórias. Parei de sonhar com você.
— Vocês estão malucos? — Hans disse por fim, ainda não vendo o jovem.
— Hans, querido, — Anna o chamou — pegue umas capas de fio para nós, por favor?
Hans se afastou receoso e com certas raiva e frustração.
— Vocês acreditam mesmo em mim? — Jack estava incrédulo. — É claro que acreditam... Se não, não estariam me vendo, ou me ouvindo... Mas como?
— Jack, — Anna se dirigiu à ele — eu tenho certeza que todos nós queremos muito, muito, muito mesmo saber de tudo sobre você. É sério, eu estou muito interessada na sua história, mas acho que você sabe algo sobre o paradeiro da minha irmã.
— Ah... — Jack teve sua felicidade roubada de si. Não podia culpar Anna por tirá-la, afinal, ela sentia a culpa que ele também estava sentindo. Ambos queriam salvar Elsa mais do que tudo. E eles estavam ali, jogando conversa fora, enquanto ela estava sozinha na floresta. — Sim, eu sei. Eu a vi, correndo para o norte.
Ele apontou para a direção onde Elsa havia sumido. Todos seguiram o dedo dele e observaram a direção. Só dava pra ver um pouco das terras por cima dos muros do castelo, mas já era algo.
— Minha namorada e meu dragão estão acampados naquela direção — Hiccup disse, por fim, fazendo com que todos o observassem.
— Então Elsa está em perigo! — Jack disse quando o desespero o tomou.
— Não tenho tanta certeza — a ruiva disse. — Aquele dragão é pacífico, não machucaria ninguém sem um motivo. E ele nem sabe quem é Elsa, então não temos que nos preocupar com ele.
— Mas temos que nos preocupar com a Astrid — Hiccup continuou. — Ela mata sem pensar duas vezes. Elsa poderia congelá-la, mas não quero fazer sexo com uma pedra de gelo.
Todos o olharam com certa dúvida. Jack e Flynn gostaram do caráter descontraído e sincero do menino. Flynn nunca diria isto ali, e Jack não estava com este humor. Rapunzel e Anna ficaram vermelhas com o comentário e Merida pôs as mãos no rosto, não acreditando no que ele havia falado. Ela gostou do jeito dele de quebrar a tensão, ela o achava engraçado e provavelmente falaria isto pra ele depois. Mas ali, a situação era alarmante. Precisavam achar a rainha e terminar com aquele inverno antes que todos virassem estátuas glaciais.
— Jack, você tem que me levar até minha irmã — Anna disse se aproximando do menino grisalho.
— O quê? — Rapunzel soltou o braço do marido e se aproximou da prima. — Você pretende ir atrás dela?
— Isto é minha culpa — Anna argumentou. — Eu pressionei Elsa. Então sou eu quem precisa ir atrás dela.
— Anna, não! É muito perigoso! — Hans se aproximava com algumas capas para neve e escutou a última frase de Anna.
— Elsa não é perigosa. Vou trazê-la de volta e consertar tudo isso.
— Eu vou com você — ele disse chegando perto dela e entregando uma capa para cada um. Não percebeu, mas passou por Jack. Literalmente, ele atravessou o jovem.
— Não precisa.
— Mas nós vamos — Merida pôs o braço ao redor do pescoço de Hiccup, indicando que ambos iriam com Anna.
— Não preciso de vocês — ela soou ríspida — e muito menos confio em vocês.
— É por isso que nós vamos também — Flynn deu o braço à Rapunzel e deram um passo à frente.
— O quê? Não! — Anna estava assustada com tantas pessoas querendo acompanhá-la. E se não desse certo e todos morressem congelados antes de chegar à Elsa? A culpa seria dela.
— Anna, — Jack dirigiu a palavra — eu posso protegê-la, mas acho que a ajuda de mais alguns não seria ruim.
Jack não queria admitir, mas queria saber mais sobre aqueles jovens. Ele queria passar mais tempo com eles. Nunca havia socializado com tantas pessoas. Estava animado em ter tantos que acreditavam nele e não pretendia perder essa chance. Anna concordou com a cabeça, mas não estava tranquila em seu interior.
— Então, Hiccup e Merida, — Jack disse por fim — vocês vão encontrar essa tal de Astrid e vão fazer a viagem em ar, com o dragão.
Eles assentiram com a cabeça, para não chamar a atenção de Hans com respostas aleatórias. Ninguém entendia o porquê de ele não ver Jack, mas isto era outro assunto para outra ocasião.
— Eu vou guiar Anna e os primos dela por terra, mas quando nos virem lá de cima venham nos encontrar.
— Tentem não nos trair desta vez — Rapunzel disse, alfinetando os aliados-por-pressão.
— Não precisa se preocupar com isso, — Jack a confortou — qualquer coisa que eles fizerem que atrapalhar o plano, me fará caçá-los até o fim dos meus dias. E eu sou imortal — Jack sorriu, como se não houvesse acabado de ameaçar pessoas.
— Eh... — Hiccup parecia assustado. — Ser caçado por um fantasma não está na minha lista de “como aproveitar o verão congelado”. Vamos seguir o planejado.
— Boa escolha, amigo — o menino de cabelos brancos bateu o cajado no chão.
— Tragam cinco cavalos — Anna deu as ordens e logo ela, Rapunzel, Flynn, Merida e Hiccup estavam montados para começar a jornada.
Hans protestou, mas Anna disse que precisava de alguém para tomar conta do reino. Anunciou em alto e bom tom que Hans estava no comando durante sua ausência e ele não protestou. Rapunzel estava de olho naquele rapaz. Ele era muito conivente para ser real. Algo não cheirava bem. Mas a segurança de sua prima era mais importante do que um príncipe engomado. Jack levantou voo e todos os seguiram. Suas capas que os protegeriam do frio estavam a postos. Teriam que se abastecer na floresta ou em algum quiosque na floresta, caso achassem um, já que não haviam levado suprimentos. Anna olhou para trás, enquanto seu cavalo corria e viu, atrás de Rapunzel e Flynn que se encontravam em sua retaguarda galopando à mesma velocidade, o reino se afastando. Merida e Hiccup estavam depositados um em cada um de seus lados, todos acompanhando o galope. Os cavalos pareciam sincronizados. Ao chegarem ao fim da ponte que ligava a morada das princesas à vila, o grupo se dividiu. Merida e Hiccup seguiram para o leste e o resto foi para oeste. Se nada desse errado se encontrariam em, no máximo, dois dias. Jack estava decidido a trazer Elsa de volta para sua família. Depois disto, ele iria embora. Não suportava sempre estragar a vida da menina. Era melhor ir embora do que fazê-la sofrer.
— Pessoal, vamos forçar estes cavalos até o máximo que eles aguentarem! — Jack disse para seus três companheiros de viagem.
“Elsa precisa de nós e eu não vou deixá-la na mão!” Jack e Anna não pretendiam, mas conectaram seus pensamentos. Elsa era importante demais para eles e não a deixariam sumir na floresta sem mais nem menos.
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