Notas iniciais
Pessoal, demorou muuuuuuuuuito, mas aí está o capítulo. Eu decidi recompensá-los com mais palavras. Encarem como um "episódio de duas horas de duração em uma série". ahahaha Acontece bastante coisa nesse capítulo e tem direito a flashback. Aproveitem.

Foi sem sombra de dúvidas uma das melhores noites da vida de Jack. Bem, até a hora em que as coisas saíram do controle.

O baile havia começado há pouco tempo. Elsa e Anna não haviam entrado no salão ainda, e embora Frost quisesse muito pregar peças nos convidados enquanto as meninas eram ausentes, tentou ao máximo se segurar. Queria que aquele fosse um baile perfeito para Elsa. Adorava vê-la sorrir, mesmo que recentemente ela não tivesse feito muito isto. Ali, acomodado no lustre, observava os nobres abaixo, dançando. Ele já havia observado alguns bailes no passado, então tinha alguma noção de dança apesar de nunca ter de fato dançado.

— Será que ainda vai demorar muito? — Desviou o olhar da dança e observou o teto com decoração possivelmente rococó e bem delicada. Uma das gravuras era de uma pequena menina loira e muito feliz em um cenário de inverno. Isso o trouxe lembranças reconfortantes.

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A Lua já iluminava a noite. Jack estava, como sempre, isolado em seu lago envolto por árvores desprovidas de folhas e montes de neve. Aquele lugar parecia ser o berço do inverno. Não aquecia nunca e a neve sempre estava lá. Provavelmente era o menino que fazia isso. Tudo ao seu redor era um reflexo de sua alma: gelada, silenciosa e abandonada. Estava sentado num monte de neve e, com movimentos da mão fazia esculturas de gelo e neve. Um coelho, um boneco de neve baixinho e outro gigante, cavalos. Todo tipo de coisa, mas isso não o impressionava mais. Ele havia desperdiçado tanto tempo ali que aprendera a controlar seus poderes. Fazer bolas gigantes de neve, objetos afiados com gelo, escudos cristalinos e até mesmo a criar seus próprios gelo e neve. Não dependia do meio para nada. Desaparecer e reaparecer, controlar bem os ventos, atrair objetos ou simplesmente fazê-los surgir em seu alcance somente com um pensamento. Magia era fascinante. Desejava ter mais alguém para passar o tempo e curtirem seus poderes.

Não conseguia evitar: toda vez que olhava para a Lua, lembrava-se do homem que conhecera há algum tempo. Na verdade, há bastante tempo. Já não se lembrava do rosto do cavalheiro, mas isto provavelmente não era um problema. Afinal, a Lua muda constantemente de faces. O problema era o número incontável de vezes que ele desejou poder conversar novamente com a Lua e ela não o respondia. Na verdade, Jack não tinha certeza de quanto tempo havia se passado. Todos os dias pareciam o mesmo, embora soubesse que não era. Já tinha se tornado rotina voar pelas florestas e bagunçar vilarejos. Queria fazer algo novo. Afinal, se iria viver pela eternidade, que pelo menos conhecesse mais lugares para aproveitá-la.

Levantou-se, ergueu a mão e seu cajado se materializou nela com uma nuvem branca, similar a flocos de neve. Saiu em direção aos céus, controlando os ventos, e disparou em direção ao norte. Encontrava-se a uma grande distância da superfície e planava bem depressa. Passaram-se alguns dias de voo e de vez em quando descia para comer umas frutas observando alguma paisagem. O que parou de ser rotina quando entrou em mar aberto. Mesmo daquela altura, o oceano parecia não ter fim. Voou por dois dias o mais rápido que o vento podia alcançar — sim, era muito rápido — e estava prestes a desistir da exploração. Não deveria existir reinos tão distantes. Foi quando avistou ao longe uma luz azul. Uma pequena aura azul a centenas, talvez milhares, de quilômetros. Mas aquilo o chamou a atenção e foi quando percebeu que, se havia luz, muito possivelmente havia pessoas. Encaminhou-se até lá o mais rápido que pode e avistou um campo aberto, com solo pedregoso e algumas poucas árvores espalhadas. Ao longe, viu a origem da luz. Vinha do meio de várias pedras cobertas de musgo. No centro, uma das pedras se mexia fazendo gestos para a iluminação azul e uma família o observava.

— Trolls? — Jack questionou-se, abrindo um sorriso. — Sabia que eram reais!

No meio do azul, passavam imagens das duas garotas. Divertiam-se em lugares fechados mais estavam repletos de neve. Como aquilo era possível o espírito não tinha certeza, mas não importava muito cada momento novo na luz, o troll mudava para algo mais convencional como um cenário realmente cheio de neve como uma floresta no inverno. Jack aproximou-se rápida e sutilmente deles e reparou que a família vestia roupas de nobres e suas expressões eram apreensivas. Pelo menos dos pais. A mãe segurava em seus braços uma pequena menina de cabelos castanhos adormecida. Estava embrulhada em lençóis. O homem, abaixado junto à esposa, passou a mão em seu ombro. O velho troll puxou a luz, condensando-a na mão e colocando na testa da menina que estava no colo da mãe. Eles pareceram aliviados e foi quando Frost percebeu que não os ouvia com clareza. O vovô de pedra chamou a outra criança, uma garota um pouco maior do que a que dormia. Provavelmente, era a irmã mais velha. Era dotada do loiro mais puro que Jack já havia visto e estava preso em forma de trança. Olhos azuis como o céu mais puro da história, como eram também os seus. Parecia vestir um pijama e sua face demonstrava receio e culpa.

— O quê será que eles vieram fazer aqui? — Jack finalmente sentiu a dúvida. — O quê está acontecendo?

Ele se aproximou mais e se sentou numa rocha. Claro, conferiu para ver se não era mais um troll e, após a confirmação, se aconchegou ali para ouvir a conversa. Sim, não era muito educado, mas a curiosidade o matava. E, afinal de contas, ele não pretendia ficar ali muito tempo. Logo voltaria à sua jornada. Ouvira histórias sobre reinos místicos como Neverland, Wonderland, Agrabah, Oz, e muitos outros. Queria visitar todos eles. Foi tirado de seu pensamento pelo troll, que começou o discurso.

— Me escute bem, Elsa — a loira seguiu o vovô, que novamente criou umas luzes azuis.

Desta vez, não havia imagens, apenas a luz que dava forma a uma mulher adulta, usando alguma coisa que parecia ser magia na frente de algumas pessoas. Não era possível notar detalhes, apenas formas. A mulher mexeu os braços com graça e fez acima de todos, um gigante floco de neve.

— Seu poder apenas crescerá — o ancião continuou. — Há beleza nele... — De repente a cor azul do floco mudou para um vermelho ameaçador. — Mas também grande perigo. Você deve aprender a controla-lo — a mulher pareceu se sentir receosa diante do povo, que também se avermelhou e atacou a mulher, sumindo com a luz. — O medo será seu inimigo.

Jack não entendia nada daquilo. Poderes? Perigo? Medo? Tudo era muito complexo, mas algo continuava impedindo que ele simplesmente ignorasse e continuasse sua viagem. Ele apertou as pálpebras, curioso, e viu a loira, assustada, se aconchegando no ombro do pai que a abraçou com um braço.

— Não — ele soou certo e confiante — Nós a protegeremos. Ela pode aprender a controla-lo, tenho certeza. Até então, trancaremos os portões do castelo, reduziremos os servos, limitaremos seu contato com as pessoas e manteremos seus poderes escondidos de todos, inclusive Anna.

A loira pareceu triste e tentou argumentar com o pai que foi irredutível. Elsa chorou e a mãe passou a irmã, Anna, para os braços do pai e abraçou a primogênita. Disse que tudo ficaria bem e que se eles sempre estariam por perto. A loira, por sinal, única loira da família, cessou as lágrimas. O rei — Jack deduziu, já que ele disse algo sobre ‘castelo’ — se despediu e agradeceu aos trolls. Perguntou como poderia retribui-los, mas o ancião dispensou recompensas. Eles seguiram até os cavalos ao longe e montaram indo embora.

— Pode vir aqui agora — o troll disse para as rochas e Jack teve certeza de que falara com ele, apesar de não saber como ele havia sentido sua presença.

— Como me descobriu aqui? — O garoto levantou e planou até o homenzinho de pedra de meio metro de altura.

— Sou um ancião, troll, e pratico magia há milhares de anos — ele disse balançando os bracinhos curtos e gordos — não é fácil se esconder de mim. E além do mais, a Lua me disse que você viria.

— Você falou com ele, vovô? — Frost estava surpreso. O homem da Lua havia falado com um troll mais não dava atenção para si.

— Vocês já podem ir dormir — vovô troll disse aos demais. — Tenho de falar em particular com nosso convidado.

Como esperado, os outros foram dormir e o garoto teve quase certeza de ver um menino e uma rena sendo guiados por um deles. Afastou o pensamento e se ajoelhou para ficar mais próximo do velho.

— Bem, em primeiro lugar, — começou o baixinho — me chame de vovô Pabbie. E em segundo, sim, Moon me avisou da chegada de um menino de cabelos brancos. O primeiro do grupo.

— Primeiro do grupo? — Jack estava mais confuso do que quando Moon apareceu pessoalmente para ele. — Do quê você está falando?

— Veja meu garoto, ele te trouxe de volta por algum motivo, não acha? É isso. Você se juntará com os outros da profecia e todos deverão trabalhar juntos para defender nossas vidas.

— Eu não quero isso — Jack levantou-se, disposto a ir embora. — Não consigo... Eu sou invisível, não posso defender nada.

— Você vai sim. Está destinado. Moon confia em você. E há outros que também confiam — Pabbie colocou suas mãozinhas sobre as de Jack.

— Eu só quero ficar em paz. E feliz. Não posso entrar numa guerra.

— A guerra será inevitável. Esta será a primeira de muitas e você não pode impedir isto. O que pode mudar o resultado final dela é você e os outros. Se não aceitarem, estamos acabados. Todos nós.

Frost parou por um momento e observou o rosto rígido de Pabbie. Ele não pretendia lutar em batalha nenhuma, mas Pabbie disse algo que o cativou.

— Quem são? — Ele perguntou, retirando suas mãos das do troll. — Quem são os outros que também confiam em mim?

— Isso eu não sei. Mas algo me diz que aquela garota, Elsa, é uma das que acreditam em você.

— Como pode ter certeza?

— Você me ouviu: ela precisa aprender a controlar seus poderes. E quem pode ser melhor do que você, garoto?

— Não sabe nada sobre mim.

— Errado, sei mais do que você mesmo. A única coisa que não sei sobre você é o seu nome, rapaz.

— Moon não te disse?

— Ele se recusou.

— Pois então guarde consigo este nome: Jack Frost, o fantasma do inverno.

— Você mesmo se intitulou assim?

— Ehh... Sim. Inventei agora esse “fantasma do inverno”. Pareceu conveniente.

— Acho melhor ficar como Jack Frost mesmo, garoto.

— Está certo então, vovozinho de meio metro. Diga-me, como saberei o que fazer?

— Pode começar achando Elsa e ajudando-a a controlar sua força e suas emoções. Voe mais um pouco e encontrará o castelo real.

Seguindo o conselho, Jack voou na direção em que os cavalos partiram e achou o vilarejo. Não foi difícil atravessar a floresta devido ao rastro de gelo que haviam deixado. O reino estava em silêncio, o que não era de se admirar, levando em conta que deviam ser duas da manhã. Somente o barulho do vento e das ondas. A cidade litorânea era dividida do castelo real somente por uma ponte de pedra. Todas as luzes estavam apagadas, em todas as casas. Isso não ajudaria Jack a achar a menina no meio de tantas janelas naquele palácio. Então lá foi ele, olhar de janela em janela, até achar o quarto certo lá pela janela de número cinquenta e sete ou sessenta.

Teve certeza de que era o quarto de Elsa por causa da movimentação às escuras. Os guardas estavam arrumando o quarto. Provavelmente sob as ordens do Rei e da Rainha, para afastar a filha de possíveis vítimas. Frost observou pela vidraça eles arrumarem o cômodo, depois os pais consolando a menina e por fim, deixando-a sozinha para pernoitar. O que não aconteceu. A menina nem mesmo colocou a cabeça no travesseiro. Ela sentou-se a beira da cama, afogou o rosto em suas mãos e começou a chorar. Jack não suportava vê-la daquele jeito. Foi então que decidiu entrar no quarto. Por azar, aquela janela não se abria. Não havia nem maçaneta por dentro, muito menos por fora. Foi quando percebeu que possuía magia. Simplesmente sumiu em uma nuvem branca e se materializou do outro lado do vidro. E lá estava ele, dentro do quarto, saindo do resquício de fumaça alva que o envolveu. Planou até a cama e ajoelhou-se frente à menina.

— Hey floco de neve, — ele disse e a menina retirou as mãos do rosto e recuou rapidamente, assustada — por que tão triste?

— Quem é você? — A garota o olhava com lágrimas nos olhos e desespero estampado na face. — O que quer?

— Calma menina, não vou lhe machucar — ele estava surpreso e com medo. A garota realmente o via como Pabbie disse, mas ele não estava acostumado com isso e tinha medo de fazer algo errado.

— Mas eu posso machucar você — ela começou a chorar novamente, provavelmente lembrou-se de sua irmã.

— Não, — ele desapareceu e reapareceu ao lado da menina, segurando em suas mãos — você não pode me machucar. Viu?

— Como você tem tanta certeza?

— Porque eu sou como você, floco de neve — ele usou seus poderes para fazer uma camada de neve sobre o cabelo da menina, que balançou a cabeça para retirá-la.

— Como consegue fazer isto? — ela perguntou encantada e parando de chorar.

— Da mesma forma que você: com magia. Nossos poderes são especiais e únicos, Elsa — ele limpava as lágrimas do rosto jovem, pálido e delicado da moçinha.

— Como sabe meu nome?

— Eu ouvi por aí, — ele resolveu mentir para não trazer novamente a dor ao coração da menina — mas o que eu realmente quero ouvir é o som de um riso seu princesa.

— Temo que não vá mais sorrir pelo resto da minha vida.

— Não tenha tanta certeza disso — Jack pulou em cima da criança e começou a fazer cócegas nela, que riu bastante. Era estranho, mas ele sentia que a conhecia há anos, e não há apenas cinco minutos.

— Pare, pare — Elsa disse em meio aos risos e Jack parou, abrindo um sorriso para ela.

— Então Elsa, o quê você me diria se eu quisesse treinar você? Sabe ajudá-la a controlar seu poder e talvez aprender alguns truques a mais.

— Por que faria isso, senhor?

— Senhor não, por favor — ele fez uma careta ao ouvir aquela palavra. Sentiu-se envelhecer trezentos anos só de ser chamado de senhor. — Me chame de Jack. E eu faria isso porque somos amigos, não? — Ele estendeu a mão para a garota que estranhou.

— Certo Jack — ela apertou a mão do garoto e sorriu. — Amigos.

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Jack foi puxado das lembranças assim que as cornetas soaram. Ele olhou novamente para baixo e viu que Elsa entrava no salão e todos se curvaram diante dela. O homem, provavelmente o que cuidou das meninas esses anos, anunciou sua entrada como “Rainha Elsa, de Arendelle” e logo em seguida entrou Anna como “Princesa Anna, de Arendelle”. Elas estavam lindas, estonteantemente lindas. Anna foi empurrada para perto da irmã e ela pareceu pouco à vontade de princípio. Todos aplaudiram e voltaram a dançar. Jack passou o resto do baile sobre o lustre, observando.

Em meio à dança de casais, Merida e Hiccup estavam infiltrados — e, olhem só — também dançavam. Tinham que parecer nobres convidados para a coroação, e pra isso teriam que dançar embora ele não soubesse nada daquilo. A ruiva tinha alguma pouca noção, mas mesmo assim não pôde fazer muito já que era o cavalheiro que levava a dama e não o reverso. Isso matava Merida, que detestava ser controlada pelos outros. Mas de alguma forma, não se sentia sendo controlada por Hic. E ele, por sua vez, estava morrendo de medo que Astrid os visse dançando, tão próximos, e explodisse o castelo de alguma forma. Estavam com os corpos bem colados, rostos bem próximos e eles tentavam acompanhar o ritmo dos outros casais.

— Dá pra acreditar que entramos tão facilmente aqui? — Hiccup indagou baixo, para não chamar atenção de terceiros.

— Facilmente? — Merida fez uma expressão de “sério que você disse isso?”. — Tivemos que nocautear cinco guardas sem sujar ou rasgar nossas roupas.

— E por sinal, você luta muito bem para uma dama.

— Obrigada. E você luta muito mal para um viking — ele a encarou enquanto disse aquilo e os dois riram. Era claramente uma brincadeira da ruiva. Hiccup havia lidado com três dos guardas de uma vez com Eldur e ainda finalizou um dos outros dois com quem Merida lutava. O confronto só aconteceu pois não havia nenhum “Príncipe Charles e Princesa Léia” na lista. Isso não impediria que entrassem no castelo. — E mais uma coisa: onde você deixou o Toothless?

— Depois que desmontamos dele, falei para que se escondesse no bosque em que te encontramos. Não se preocupe, se algo der errado ele chega aqui rápido e então vamos embora.

— Nada pode e muito menos vai dar errado aqui — Hiccup sentiu muita convicção vinda da menina, mas ela quase se desconectou da realidade e se perdeu em suas angústias. Por sorte, balançou a cabeça e afastou os pensamentos. — Me conte novamente, — continuou — como conseguiu estas roupas?

— Fala desse colete real das ilhas do Sul e desta calça super justa de seda? — Ele sorriu com o canto dos lábios como se a convidasse para aderir o sarcasmo. — Meu pai me deu. Como príncipe regente eu...

— Haddok, — ela sorriu e o interrompeu — fale logo. Ninguém está nos ouvindo.

— Eu não sei de quem é — ele cochichou para ela. — Apenas vi que um nobre caiu do cais e depois pôs a roupa para secar em seu barco. Tooth resolveu o resto para mim: roubou e secou para mim. Só queria saber se as calças apertavam tanto assim ou apenas encolheram. Está apertando o meu...

— Obrigada, amigo — ela o interrompeu novamente —, mas é muita informação desnecessária circulando.

— Desculpe-me, princesa — ele desviou o olhar, envergonhado.

— Hey Hic — ela o chamou meio culpada por ter sido um pouco ríspida de mais — eu estava brincando. Não precisa ser tão certinho comigo. Não sou dessas princesas engomadas e mimadas. Você sabe disso, te contei minha história. E vou repetir não me chame de princesa. Sou Merida, só Merida.

— “Só” Merida?

Por um segundo, em meio à dança que eles mal podiam esperar para acabar, seus olhos se encontraram. Hiccup se perdeu no oceano paradisíaco dos olhos de Merida e ela, por sua vez, se prendeu ao verde dos olhos do moreno. O segundo pareceu durar anos e tudo ao redor pareceu desaparecer. A música aparentou ser apenas um sussurro. De repente, os dois desejavam que aquele momento durasse para sempre. Merida quebrou o contato visual.

— Então, viking, — ela tentou ignorar o ocorrido — há quanto tempo você e Astrid estão juntos?

— Ah... — Ele sentiu como se alguém tivesse lhe dado um soco bem forte no estômago. O quê estava acontecendo? Ele amava Astrid. — Há seis anos.

— Uau! — Ela soou surpresa, e realmente estava. “Como alguém aturava aquela garota por mais de cinco minutos?” ela se perguntava. — Isso sim é um relacionamento sério. E não casaram por quê?

— Não pensamos nisso ainda — Hiccup quis se matar ao ouvir a palavra “casamento”. — Somos jovens ainda.

— Ela não parece pensar assim — eles se olharam, mas desta vez se recusaram a perder a consciência. — Ela realmente gosta de você pelo visto. Sente ciúmes até da sombra.

— Eu queria muito discordar de você e brigar agora — ele mudou a face para uma expressão raivosa e Merida ficou receosa, mas logo ele abriu um sorriso —, mas nem eu posso negar esse fato.

Eles riram bastante, porém baixo e sem tirar a atenção da dança. A princesa de DunBroch não conseguia imaginar dança mais longa. Quase se arrependeu de ter faltado às aulas de dança da mãe. “Mas que música interminável” ela pensou.

— Mas e você Merida? — ele afastou o pensamento e ela focou nele novamente. — Pretende se casar um dia?

— Um dia talvez — ela nunca havia respondido tal pergunta. Era sempre uma afirmação. “Você vai se casar”. E ela não tinha parado para pensar sobre isto, até o momento. — Acho que sim, mas não vou ser aquelas mulheres que ficam presas em castelos pelo resto da vida. Quero alguém que se aventure comigo, que me proporcione liberdade, e não que a tire de mim.

Eles esbarraram num casal que também dançava no último acorde do violoncelo e a música acabou. Merida e a outra mulher caíram. Todos no salão os olharam, mas logo voltaram às conversas já que seus respectivos parceiros as ajudaram a se levantar. Hiccup estendeu a mão para Merida que a princípio não a aceitou e tentou se levantar, mas o salto a traiu e ela quase caiu novamente se ele não a tivesse amparado. Flynn, por sua vez, ajudou Rapunzel a se erguer e ela bateu um pouco no vestido, para arrumá-lo e juntou as mãos sobre o estômago. Um gesto que sempre fazia quando envergonhada.

— Me perdoe pela minha distração, senhora — ela se curvou para Merida e Hiccup.

— Por favor, me chame de Léia — ela pôs as mãos nos ombros de Rapunzel e a levantou. — E não se curve para mim. Não sou tão importante.

— Muito prazer, Léia — Rapunzel disse com um sorriso simpático e logo deu o braço para Flynn que se aproximou e reverenciou-os. — Eu sou Princesa Rapunzel e este é meu marido, Príncipe Eugene Fitzherbert.

— Por favor, nos chamem de Rapunzel e Flynn — o moreno dirigiu a palavra. — Somos de Corona.

— É uma honra conhecer vocês, príncipe e princesa de Corona — Hiccup fez reverência aos casados. — Sou Príncipe Charles. Somos... Eh...

— Das Ilhas Mediterrâneas — Merida completou a frase de Hiccup com o primeiro lugar que veio à sua mente.

— Nossa! — Flynn e Rapunzel se entreolharam, surpresos, enquanto ela falava. — Nunca ouvimos falar deste reino. Deve ser muito distante.

— Sim, — Merida disse rapidamente — muito, muito distante.

— Verdade, dias de viagem, super distante — Hiccup completou.

— E qual a relação de vocês com Arendelle? — Rapunzel perguntou, inocente — Sabem, meus pais governaram isto por uns anos e desde que cheguei em casa nunca me interessei por esses assuntos diplomáticos.

— Nós somos... — Hiccup parou para pensar. — Parceiros comerciais. Vendemos tecidos e artigos decorativos.

— Como disse? — Merida soou mais curiosa do que pretendia. — “Quando cheguei em casa”?

Rapunzel contou-lhes sua história e eles ouviram com atenção. Logo após alguns comentários cômicos de Flynn sobre a carcereira de Rapunzel, Merida também lhes contou sua aventura com a mamãe ursa e Hiccup comentou sobre algumas lutas que participou. Claro, sempre ocultando ao máximo os dragões para que não descobrissem suas identidades. Este era o motivo por estarem usando nomes falsos. Eles conversaram por algumas horas e se sentiram mal por estarem enganando pessoas tão legais. Quase se esqueceram de sua missão, mas assim que Rapunzel lhes chamou para conhecer suas primas, toda a responsabilidade voltou. Foi como uma tonelada caindo sobre suas cabeças. Não queriam matar ninguém, mas esta era a tarefa deles. Merida e Hiccup aceitaram o convite, ele deu o braço para a menina que aceitou sob protesto, e os quatro foram ao encontro de Elsa e Anna, do outro lado do salão.

Ao chegarem lá, notaram que apenas Elsa se encontrava. Anna havia saído por algum motivo, o que fez com que Rapunzel ficasse um pouco triste. Queria muito estreitar os laços com suas primas. Ela foi para um abraço afetuoso em direção a Elsa, que recuou. Os jovens fingiram que não havia acontecido.

— Elsa, — Rapunzel começou — ah desculpe, Rainha Elsa. Ou melhor, prima... Ah, eu estou nervosa.

— Acalme-se, — Elsa riu, assim como os outros três — Me chame do que quiser, prima.

— Então está tudo bem... — A princesa de Corona respirou fundo. — Elsa, este é meu marido que você já conhece — Flynn se curvou para Elsa e ela também o cumprimentou. — E estes são uns amigos: Príncipe Charles e Princesa Léia das Ilhas Mediterrâneas.

— É uma honra, Vossa Majestade — eles se curvaram juntos e rezaram para a rainha não descobrir a farsa logo de primeira.

— É um enorme prazer recebê-los em meu reino — Elsa fez uma careta ao ouvir “Ilhas Mediterrâneas”, mas não questionou nada. — Amigos da minha prima são meus amigos. Sintam-se a vontade.

— Elsa, — Flynn começou — onde está Anna?

— Nós... — Elsa parou e se lembrou da pequena discussão que teve com Anna há poucos minutos sobre como elas queriam que fossem como aquele todos os dias seguintes. — Ela se retirou por uns instantes.

— Ah, é uma pena — Rapunzel acrescentou. — Queria tanto que passássemos um tempinho juntas. Sabe como é, conversar por todos estes anos perdidos.

— Entendo minha prima — Elsa sorriu, feliz com a ideia. — Eu compartilho do desejo. Sinto que seremos como irmãs. Nós três.

Hiccup e Merida se sentiram como dois assassinos frios. Destruir aquela família era um crime. Elas nem teriam a oportunidade de uma noite como amigas. Tentaram esquecer seu objetivo e apenas conversar como pessoas normais, numa noite normal. Elsa pediu que Rapunzel contasse como conheceu seu marido e assim foi feito. Ela contou novamente a história e Elsa sorriu em algumas partes como um cavalo que lutava e quando Flynn havia surtado ao descobrir os poderes do cabelo de Rapunzel. Depois, naquele circulo amistoso, Merida também contou da vez que transformou a mãe num urso. Não teve medo disso pois ninguém conhecia, o que era ao contrário da história dos Dragões de Berk. Hiccup não podia nem dar uma pista sobre enormes répteis que voavam.

Ao fim dos contos, Elsa disse que queria muito ter algo para lhes contar, mas sua vida inteira havia sido monótona. Trancafiada num quarto a vida inteira. Rapunzel fez uma piada dizendo algo do tipo “Nossa. Meus tios foram severos. Eu pelo menos tinha uma torre, não um quarto”. Houve risos, mas Elsa não sorriu muito. Era difícil rir da própria desgraça. Os outros perceberam e seguraram a alegria.

— Amigos, me deem licença um minuto — Elsa disse antes de se curvar e sair para os jardins do castelo.

— Será que a magoamos? — Rapunzel parecia culpada e Flynn passou o braço pelo seu ombro, reconfortando-a.

— Não se preocupe querida. — ele disse — vai ver que ela somente precisa de um tempo sozinha. Se tornar rainha de um dia pro outro deve ser complicado.

— Vocês podem nos dar licença também? — Merida disse, puxando Hiccup pelo braço. — Vamos pegar taças de champanhe. Vocês aceitam?

— Ah sim, por favor — ambos concordaram e assentiram.

No caminho da grande mesa, Merida disse que iria atrás de Elsa e acabaria com a missão de uma vez. Disse para Hiccup ficar de olho em Flynn, Rapunzel e Anna, caso voltasse. Queria que somente as duas estivessem no jardim. Hiccup voltou para a companhia dos nobres de corona fazendo quase um malabarismo para conseguir segurar três taças. Disse que Léia havia encontrado uma amiga do reino de Sherwood e que estavam botando os assuntos em dia. O resto da conversa foi sobre armas e lutas. Por incrível que pareça, Rapunzel sabia muito sobre o assunto. E pelo visto, frigideiras eram muito perigosas.

No meio disso, Merida seguiu Elsa a uma distância para quê, ao mesmo tempo em que não perdesse a loira de vista, não a deixasse perceber que estava sendo seguida. A perseguição durou cerca de dez minutos. Elsa achou um banco de mármore em um ponto do jardim e sentou-se lá e fitou a Lua. A ruiva, vendo que sua perseguida havia parado, se escondeu atrás de uma árvore qualquer. Uma lágrima caiu de seu olho direito de Elsa, mas ela a secou.

— Já pode aparecer — Elsa disse, sem desviar o olhar da Lua, mas Merida sabia que a frase era para ela. Assim, saiu imediatamente do esconderijo e caminhou lentamente até a rainha.

— Vim ver se estava tudo bem com Vossa Alteza — parou a uma distância respeitosa de Elsa, e largou os braços, deixando sua mão bem próxima da adaga que estava sob o vestido.

— Não precisa mais mentir, garota — Elsa não parecia com raiva ou indignação. Apenas triste e reconfortada. — Quem é você e o quê veio fazer?

— Como descobriu? — Merida nem mesmo quis argumentar. Sabia que a rainha não era ingênua e tinha noção de que não a enganaria novamente tão facilmente.

— “Ilhas Mediterrâneas”? — Elsa disse, virando-se para a ruiva e até mesmo deu um sorriso de canto. — Não foi tão difícil assim. Mas então, responderá minhas perguntas?

— Sou Merida, princesa de DunBroch — Elsa fechou os olhos enquanto a ruiva falava. — Fui mandada até aqui para...

— Matar a regente e dominar o reino — Elsa completou a frase e abriu os olhos, encarando a menina com olhar de cumplicidade. — Você pode se sentar, não precisa ficar plantada aí de pé.

— Elsa, você está me mandando sentar, após eu ter dito que vou matar você? — Merida questionou, mas o fez. Sentou-se na outra extremidade do banco, quase caindo, para manter distância da rainha.

— Eu não tenho medo da morte — ela disse, corajosa. — Na verdade, será um favor que você me faz: me libertar dessa prisão e da minha maldição.

Merida não entendeu esta última parte, mas não queria deixar Elsa exausta emocionalmente. Sentiu uma emparia pela loira, o que não era nada legal devido a situação que se encontravam.

— E aquele rapaz, Charles, — Elsa acrescentou — ele está nisto também? Ou melhor, este é realmente seu nome?

— Sim, ele está nessa — ela disse, desviando o olhar da loira e fitando a grama. — E não. O nome dele é Hiccup, é um treinador de dragões de Berk.

— “Hiccup”? — Elsa segurou um riso.

— Pode rir colega, eu também ri quando soube.

As duas riram um pouco e ambas voltaram os olhos para o céu estrelado.

— Elsa, se me permite perguntar, o quê você faria caso não quisesse matar uma pessoa mas não tivesse escolha? — Merida não sabia o porquê, mas não tinha receio da rainha. Na verdade, sentia que podia se abrir com ela, o que era muito estranho.

— Eu não sei. Acho que sou a última pessoa que você deveria pedir conselho. Não sei nada de fora do meu quarto ou dos livros que li. Só sei que, se eu fosse morrer daqui a alguns minutos, somente me arrependeria por não me abrir com pessoas que amo.

— Então vá — Merida se levantou e ficou de frente para a rainha.

— Você vai me deixar partir? — Elsa não acreditou no que ouviu.

— Não é isso. Quero que vá se abrir com quem ama antes da morte.

— Como sabe que não vou fugir e chamar os guardas? — Elsa não faria isto. Sabia que era melhor morrer logo como Rainha do que morrer anos depois vista como um monstro ou uma bruxa.

— Não sei — Merida virou de costas para a rainha. — Por isso vou voltar lá para dentro com você. Quando chegar a hora, nós viremos aqui para este jardim e estará feito.

Elsa não odiava a menina. Ela apenas estava cumprindo seu dever e ela sentiu no tom da voz de Merida que ela não queria mata-la. Ela se via na ruiva: uma menina sem rumo, sem vontade. Apenas viva para aparências e impossibilitada de seguir sua própria vida.

— Nunca pensei que simpatizaria com meu assassino.

— Nem eu com a minha vítima.

— Apenas me prometa uma coisa, Princesa Merida de DunBroch — Elsa segurou as mãos da ruiva e olhou em seus olhos.

— Elsa, não posso...

— Por favor — ela interrompeu Merida com sua súplica. — Não deixe meu reino cair em ruínas.

— Você está prestes a morrer e ainda se importa com seu reino? — Merida estava surpresa com a atitude da loira. Isto era altruísta.

— E não é isto que uma rainha deve fazer?

Então as duas entraram, mas não havia tensão no ambiente. Era como se aquela conversa no jardim tivesse sido apenas um desabafo entre as duas. Se juntaram novamente a Hiccup, Flynn e Rapunzel. Hic não entendeu o motivo das duas terem entrado juntas e tão naturalmente, mas decidiu não tocar no assunto. Confiava nos instintos de Merida. Pouco depois, Anna chegou acompanhada de um rapaz alto e ruivo. Não um ruivo vibrante como o de Merida. Ao avistar Anna, Rapunzel correu ao seu encontro e o mesmo fez a irmã de Elsa. As duas se abraçaram apertado e soltaram gritinhos de alegria. Alguns nobres olharam e elas se aquietaram e logo se juntaram ao grupo. Sete pessoas no centro do salão, incluindo a rainha, era algo chamativo. Após as devidas apresentações, Anna e Rapunzel ficaram uma ao lado da outra e cruzaram os braços. Elsa sentiu ciúmes por conhecer Anna há 18 anos e ela ter mais intimidade com Rapunzel, que acabara de conhecer. Mas não deu atenção para isso, afinal, ”É o que mereço por ser uma aberração.”.

— Amigos, este é o Príncipe Hans, das Ilhas do Sul — Anna apresentou o rapaz para todos e ele se curvou.

— É um prazer conhecê-los — ele dirigiu olhar para cada um deles. Soava simpático. — Nobreza, Vossa Majestade...

— Nós temos um pedido para você, Elsa — Anna agarrou o braço de Hans e se aconchegou em seu ombro.

— Nós queríamos pedir... A sua benção para... O nosso casamento — eles disseram a frase juntos e em uníssono.

Todos ficaram boquiabertos. Rapunzel e Flynn, que eram os únicos casados e se apaixonaram a primeira vista demoraram algum tempo para se casarem e Anna queria fazê-lo com apenas algumas horas conversando com Hans. Merida e Hiccup se entreolharam e entenderam a mensagem nos olhos um do outro. “Por que você não matou logo a Rainha antes desta cena ridícula?” os olhos dele diziam e os dela respondiam “Não me culpe por essa menina cair tão fácil por um príncipe”.

— Desculpe, eu não entendi — Elsa disse, atónita.

— Claro que nós temos ainda que planejar a festa e o cardápio — Elsa tentava argumentar enquanto Anna falava, mas a menina não dava espaço entre as palavras. — Teremos sorvete, sanduíches e... AH! Moraríamos aqui?

— Aqui? — Elsa perguntou, assustada, mas Anna não respondeu pois engatou novamente em seus planejamentos. Todos observavam estagnados. Ela lançou um olhar para o lustre e Jack ria um pouco até ver sua expressão de medo. Voou até o seu lado para lhe dar força.

— Seus doze irmãos morariam conosco? — Anna perguntou a Hans e Jack sentiu que Elsa estava muito estressada. Nada de bom viria dali.

— Anna, — Elsa começou — o irmão de ninguém vai morar aqui. Ninguém vai se casar.

— O quê? — Anna foi devastada pelas palavras da irmã. — Por quê?

— Preciso falar com você, mas... — Ela lançou um olhar para Jack como se o estivesse convidando também. — A sós.

Merida entendeu o que a rainha queria: despedir-se de sua irmã dignamente. Deve ser difícil ficar afastada de uma pessoa que tanto ama e por tanto tempo e de repente ver esta mesma pessoa dando mais atenção à outro alguém. Mas ela sentia que não era este o único problema ali.

— Não — Anna parecia aofendida. — O quê tiver que dizer, pode falar na frente de nós dois.

— Ok — Elsa não se importou com as outras quatro pessoas, mais o Jack, a sua volta. — Não pode se casar com quem acabou de conhecer.

— Pode, se for amor verdadeiro.

— Anna, o que você sabe sobre amor verdadeiro? — Só então Elsa se deu conta de que discutiam na frente de outras pessoas.

— Bem mais do que você — Anna estava magoada, e queria magoar Elsa também. Uma atitude infantil, mas muito espontânea. Ninguém podia culpá-la ou julgá-la por isso. — Tudo o que sabe é como abandonar as pessoas.

— Você pediu minha benção, e minha resposta é não — Elsa estava muito machucada por dentro. Não somente Jack, como os outros quatro também sentiram isto. — Agora, se me dão licença, Merida, já podemos ir para o jardim assim que eu ordenar que fechem os portões. A festa acabou.

Todos ficaram imóveis, inclusive Merida e Hiccup. Ele não entendeu como Elsa sabia o nome verdadeiro de Merida e o conflito no ambiente era tão forte que o deixou sem reação. Todos se olharam quietos, enquanto Elsa se movia em direção à um dos guardas.

— Esperem um pouco, — Flynn se manifestou — quem é Merida?

Ninguém deu muita atenção a pergunta pois Anna correu atrás de Elsa e segurou-a pela mão esquerda, retirando sua luva. O desespero estampou a cara da rainha que tentou pegar a luva de sua irmã, sem êxito. Flynn, Rapunzel, Hiccup, Merida e Hans —Jack também, mas só Elsa podia vê-lo — as acompanharam tentando conter a situação antes que os demais convidados percebessem.

— Me dê minha luva! — Elsa implorou.

— Não, Elsa não dá! Por favor, — a voz de Anna estava recheada de dor e de angústia. Seus olhos lacrimejavam e ela desejava do fundo de seu coração partido corar um oceano — eu não consigo mais viver assim.

— Está livre para ir — Elsa também estava com um tom que personificava a depressão. Seus olhos estavam marejados. Elas se olharam, entristecidas por um tempo, até que Elsa se virou para todos e caminhou até a porta do salão. Enquanto andava, Anna continuou a desabafar.

— O quê foi que eu fiz para você? — Anna gritou em pleno salão e todos os convidados começaram a prestar atenção.

— Já chega Anna — Elsa não se virou, mas respondeu a irmã.

— Anna, se acalme um pouco — Rapunzel pôs as mãos nos ombros da prima, tentando controlar a situação.

— Não! — Anna estava inconformada e gritava sem se importar. Balançava os braços em indignação. — Por que vice me abandonou? Por que se isolou do resto do mundo? Do que você tem tanto medo?

— Eu disse já chega! — Elsa fez um movimento com a mão desprotegida pela luva, em ordem para que Anna parasse.

O problema é que ao fazê-lo, seus poderes foram lançados. Eles se entrelaçaram com suas emoções distorcidas e se libertaram. Espinhos pontiagudos de gelo saíram dos dedos da rainha, a deixando isolada de todos. Os convidados ficaram do outro lado, ameaçados pelos espinhos. Agora nada mais importava. Todos a haviam descoberto como monstro. “Por que não deixei que Merida me matasse logo?” Ela encostou as costas na porta, aflita, observando a expressão de todos. Os nobres estavam assustados, Merida e Hiccup estavam apreensivos, Flynn, Rapunzel e Anna demonstravam tristeza e conflito interno. Não entendiam nada daquilo e pareciam não querer acreditar no que viam. E Jack, bem, ele estava confuso e culpado. Parecia se culpar por tudo aquilo. Elsa não aguentava aquilo. Mexeu na maçaneta e saiu em direção à saída do palácio. Nunca mais poderia voltar. Seu lugar era sozinha e isolada, como o monstro que era. Nenhum deles, nem mesmo Anna ou Jack mereciam conviver com uma aberração.

Notas finais
E aí? O quê acharam? Levem isso como uma punição por não comentarem, hahahaha GENTE! MENTIRA! Ninguém é obrigado a comentar. Foi só pra descontrair, haha