Notas iniciais
Cheguei de novo com o capítulo amor até agora o/ Espero que gostem ♥

— Pai, cheguei! – Proferi em voz alta, entrando em casa junto com Blaine. – Acho que ele não está em casa ainda. – Informei diretamente para Blaine.

— Sua casa é muito bonita. – Ele elogiou sorridente. – Kurt, já que estamos sozinhos, posso te perguntar uma coisa?

— Claro que pode. – Confirmei sorrindo.

— Eu não deveria me lembrar como é se sentir apaixonado? – Blaine perguntou, dando um sorriso torto.

— Como assim? – Perguntei receoso.

— Eu acho que eu estou apaixonado.... só que..... eu não sei o que.. é... estar apaixonado... – Ele disse pausadamente. Sua voz estava baixa, como se ele estivesse sem força e sem nem um por cento de certeza do que estava falando.

— Bom, ér... – Eu travei, as palavras fugiram de minha mente, a única coisa que eu conseguia pensar é: por quem Blaine poderia estar apaixonado? – Pode ser mais específico, d-digo. – Droga. Eu tinha que começar a gaguejar justamente agora? – Quer dizer, o que você sente quando está com essa pessoa, essapessoafazvocêsentircomoseomundosógirasseentrevocêsdoisenadamaisimportasse? – Eu perguntei rápido de nervosismo. Por que eu sou tão fraco?

— Eu não entendi nenhuma palavra do que você disse. Pode repetir, por favor?

Eu respirei fundo umas quinze vezes antes de tentar continuar. Até que tomei coragem o suficiente e segui em frente.

— O que você sente quando está com essa pessoa? – Perguntei de forma calma, observando Blaine.

— Eu fico feliz, é como se não houvesse nada na nossa volta. – Ele disse “nossa”, posso morrer? Quem é o “nossa” dele? – Eu realmente me preocupo com essa pessoa, eu gosto de passar um tempo com ela, enfim, essas coisas. Como posso saber se isso é paixão?

Antes que eu pudesse dizer algo, meu pai entrou e ficou nos encarando. Meu pai logo mudou o semblante calmo para um olhar raivoso, como se estivéssemos fazendo algo errado, sendo que estávamos apenas sentados no sofá. E rapidamente levantamos e eu fui dar um abraço de “oi” no meu pai, o mesmo mal retribuiu – o que me magoou bastante.

— Pai, esse é... – Fui interrompido por Blaine.

— Blaine Anderson, prazer Sr. Hummel. Eu sou professor de Kurt! – Ele disse alegre, e meu pai abriu um sorriso que logo se fechou.

— Espera aí, você é o garoto que perdeu a memória, depois convidou meu filho para um jantar em sua casa, o qual eu não lembro de ter autorizado, depois ele dormiu em sua casa. Me corrija se eu estiver errado, mas eu não lembro de ter tirado meu filho do castigo. E esse não era o combinado. – Meu pai disse agora olhando para mim.

— O combinado, pai, era casa escola, escola casa. E eu estou em casa. – Ele iria me interromper, mas Blaine resolveu falar.

— Eu não quero causar nenhum incômodo para vocês, mas, Sr. Hummel, eu vim humildemente pedir para você liberar seu filho do castigo por só um dia, de repente você pode aumentar um dia no total, não sei. Mas por favor, permita que ele saia comigo hoje. – Ele só faltou se ajoelhar e implorar.

— Você me ganhou com a parte de aumentar um dia. Gostei de você.

Meu pai disse e abraçou Blaine. Não sei se fico feliz pelo abraço, por ele permitir, por Blaine pedir, ou triste por Blaine fazer com que eu tenha que ficar mais um dia de castigo. Acho que só por saber que eu vou ao cinema com ele já é motivo suficiente de alegria.

É oficial. Eu realmente estou apaixonado por Blaine Anderson. Em um mês, ele conseguiu fazer com que eu me apaixonasse. Foi amor à primeira vista e agora tenho certeza disso. A única questão é: E se ele não sentir o mesmo? E se eu inventei tudo na minha cabeça? Quem seria capaz de se apaixonar por mim? Ele é muito para mim. Eu não sou nada. E para mim, até o atual momento, ele é tudo. Como alguém consegue se tornar tão importante na sua vida em apenas um mês? Como você fica tão dependente de ver essa pessoa que é como se ela fosse seu ar? Eu sinto que se eu perder ele agora, eu vou perder a mim mesmo. Isso não deveria ser possível. Não é nem provável de alguém amar tanto assim uma pessoa a ponto de respirar essa pessoa. A ponto de viver essa pessoa.

Para começar, ele não é gay. Ele é um homem lindo de vinte e quatro anos. Ele é meu professor. Eu conheci ele por ser desastrado – e eu agradeço por isso. Ele perdeu a memória caindo da escada diretamente nos meus braços. Ele tinha uma irritante namorada. Por qual motivo, razão, ou circunstância, eu me apaixonei justamente por quem eu não posso ter? É como se o mundo girasse não só contra mim, mas contra tudo a minha volta. Por que isso acontece comigo? Também não sei.

[...]

— Kurt, se ficar tarde você está liberado para dormir na casa daquele moço, ele parece gente boa. E mais do que isso. Você está liberado do seu castigo, eu me preocupei à toa e eu peço desculpas. – Meu pai disse parando na porta enquanto eu pegava um casaco.

— Você só estava sendo o que você sempre foi e sempre será: um maravilhoso pai, que se preocupa comigo. E eu não tenho que te desculpar, tenho que agradecer. Então, obrigado, pai. – Falei, fui até ele e o abracei. – Eu te amo tanto, Sr. Hummel. – Dei risada, levando-o a fazer o mesmo.

— Você é meu bem mais precioso, Kurt! Nunca esqueça disso. Se esse rapaz te decepcionar, eu prometo cortar uma coisa muito importante dele. – Ele falou rindo.

— Pai, pela milionésima vez, Blaine não é gay. Não crie expectativas. – Eu disse voltando para perto do guarda-roupa e eu literalmente entrei no guarda-roupa, acho que minha consciência queria ir para Nárnia.

— Você acha que eu não sei que vocês dormiram na mesma cama? Você acha que eu não percebi o clima que estava entre vocês quando eu cheguei hoje mais cedo? Eu te conheço há dezesseis anos, Kurt! Eu sei coisas sobre você que você nem imagina.

— Prefiro ficar sem imaginar. – Eu disse rindo e fui descendo as escadas, sendo seguido por meu pai. – Nos vemos logo, pai. Lembrando que: Eu te amo!

Peguei as chaves do carro e fui rumo a casa de Blaine, eu iria até lá e depois iríamos juntos para o cinema. Toquei a campainha e logo ele abriu, sua expressão estava séria e eu fiquei um pouco assustado. Ele simplesmente abriu a porta e voltou para dentro de casa, eu entrei e fechei a porta. Fui atrás dele, ele parou no meio da sala e cruzou os braços.

— Blaine, você está bem? Aconteceu alguma coisa? – Ele mal deixou eu completar a frase e abriu a boca várias vezes, mas nenhum som saía pela mesma.

— Eu lembrei. – Sua voz se tornou triste, meio falhada, destruída. Não entendi nada.

— Lembrou... do que? – Eu perguntei, já com medo de sua resposta.

— De tudo. – Ele disse e caiu sentado sobre o sofá.

— Como?

— Rachel veio aqui....

*FLASHBACK ON*

BLAINE ANDERSON

Hoje nada vai me colocar para baixo. Depois de meu dueto com Kurt, a única coisa que consigo fazer é sorrir. Sorrir simplesmente para tudo. Kurt, é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci. Eu não me lembro de mais ninguém, mas ele é a pessoa mais maravilhosa que o meu “novo eu” conheceu. E acho que isso deve significar alguma coisa. Ainda não saiu da minha cabeça o fato de que o destino nos botou juntos por alguma razão específica. E estou pronto para ir até o final dessa história. Minha alegria só aumentou quando ouvi a campainha tocar. Kurt deve estar ansioso para ir ao cinema comigo e chegou mais cedo.

Desci as escadas correndo para abrir a porta logo e ver os olhos azuis que tanto adoro. Mas quando abri, foram olhos castanhos que eu encontrei. E uma garota. Uma irritante garota. Rachel.

— Oi, a que devo a visita? – Perguntei totalmente sem jeito. Não era ela que eu queria encontrar ali.

— Eu só vim ver como meu querido namorado está. Estou incomodando? – Perguntou já se enfiando em minha casa. Só permiti por ser educado.

— Rachel, não somos mais namorados e sim você está incomodando. Eu tenho um encontro hoje. Se puder ir embora eu agradeço. – Eu disse sério.

— Se você for sair com alguém será comigo. E eu não aceito não como resposta. O que me diz? – Rachel questionou sorridente.

— Eu não vou sair com você. Qual a dificuldade em entender que nós terminamos? Eu não quero fazer absolutamente nada com você. Por favor, vá embora. – Eu disse perdendo a paciência.

— Com quem você vai sair, amorzinho? – Ela disse melosa, o que me irritou bastante.

— NÃO ME CHAMA DE AMORZINHO, EU NÃO SOU SEU AMORZINHO, ENTENDE ISSO DE UMA VEZ. E eu vou sair com Kurt. Agora que já obteve suas respostas, vá embora.

— Você não pode ir a um encontro com ele. – Eu a encarei perguntando o porquê. – Você não é gay, Blaine.

— Eu estou apaixonado por Kurt!

Eu mal completei a minha frase e ela se atirou para cima de mim, me beijando. Foi como se toda a minha vida passasse diante meus olhos. O dia em que conheci Rachel, meu primeiro beijo, o dia em que a pedi em namoro, o dia em que pensamos em morar juntos, minha formatura, o dia em que a pedi em casamento, e o dia em que conheci Kurt e tudo desde então. Eu simplesmente lembrei de tudo. E o pior, percebi que eu estou iludindo Kurt. Ele não merece passar por isso. Ele merece algo melhor. Melhor que eu. Eu não posso dar a ele o que ele precisa. E antes que ele me odeie eu preciso acabar com isso.

*FLASHBACK OFF*

— No momento em que ela me beijou eu lembrei de tudo. Inclusive, que não somos só namorados, nosso casamento está até marcado. – Concluí.

Quando contei o que aconteceu para Kurt, eu cortei a parte em que eu dizia estar apaixonado por ele, agora eu vi que não estou, eu amo Rachel e é com ela que eu quero ficar.

— Então quer dizer que você lembrou de tudo? – Ele perguntou entre lágrimas e soluços, e o pior, eu não consegui ter nenhuma reação sobre isso.

— Kurt, eu sinto muito. Não podemos mais nos ver, não podemos ser amigos, não podemos ser nada. A única coisa que ainda teremos será a relação de aluno e professor. Sinto muito, mas você deveria ir embora.

[...]

KURT HUMMEL

Cheguei em casa e subi direto para meu quarto, onde me tranquei e me abracei em meu travesseiro, a única coisa que consegui fazer foi chorar e mal conseguir respirar. Como ele lembrou de tudo com apenas um beijo? Verdadeiro amor, provavelmente. Como eu pude ser tão idiota a ponto de pensar que realmente poderia existir algo entre nós? Eu sou o maior idiota do mundo por imaginar algo assim. Eu me odeio. Eu odeio minha vida.

*UM DIA DEPOIS*

— Oi filho, não foi para aula hoje? – Indagou meu pai ao entrar em meu quarto.

— Não tinha nada de importante. Chorar... Quer dizer, dormir estava melhor. – Eu disse gaguejando.

— Aconteceu alguma coisa? – Meu pai se aproximou de mim.

— Nada para você se preocupar.

*UMA SEMANA DEPOIS*

— Ok filho, faz uma semana que você não vai para aula, agora é momento para eu me preocupar. Você não come, não sai dessa cama para nada. Nem banho você não está tomando. Parece que estou morando com um alienígena.

— Eu não ando me sentindo bem pai, era isso que você queria escutar? Pois então, é isso. Eu não estou feliz. Eu odeio minha vida. Odeio minha escola, e odeio a mim mesmo. Feliz? – Eu disse e logo desabei a chorar.

Não queria fazer uma tempestade em copo d’água só porque tive meu coração partido, mas eu não sabia lidar com a situação, era a primeira vez que tal decepção me acontecia e, sendo honesto, não queria ter que passar novamente por isso. Nunca mais.

— Eu nunca vou ficar feliz de ouvir você dizer que não está bem. Quer me contar o que houve? – Ele botou minha cabeça em seu colo e me fez um cafuné, eu tenho o melhor pai do mundo, ele é a única coisa boa na minha vida.

— Eu só quero morrer.

— Não fale isso nunca mais. Se eu perder você eu morro, Kurt. Eu preciso fazer algo para você se animar. Não sei o que, mas preciso. Agora levanta daí e vai tomar um banho, o almoço estará lá em baixo te esperando, assim como eu.

*UM MÊS DEPOIS*

Aqui estou eu, em uma sala esperando para consultar com uma psicóloga. Eu realmente preciso de alguém com quem eu possa me abrir e que não vá me julgar. Minha relação com Blaine está uma droga, nos vemos todos os dias no ensaio e não trocamos uma palavra sequer, a não ser quando é extremamente necessário. Ele nem mesmo deixou que eu cantasse na competição, eu tive que ficar no fundo. Nós ganhamos, mas foi com o vocal de Sebastian e não o meu.

Blaine não deixa que eu fale nada, nem ouve minhas ideias. Ele mantém um olhar frio sobre mim e julga cada passo que eu dou. Ele até deu a sugestão de que eu saísse da equipe, o que só piorou minha vida e aumentou minha vontade de conversar com algum profissional em dar conselhos.

No momento eu odeio até mesmo fazer parte dos Warblers, coisa que eu tanto amava fazer. O único motivo de eu continuar na equipe, é porque eu preciso de notas extracurriculares para faculdade. Se não fosse por isso eu já teria desistido. Esse último mês está sendo um completo inferno e um segundo parece pior que o anterior.

— Senhor, Kurt Hummel! – Disse a morena da recepção me despertando de meus pensamentos. – A Doutora lhe atenderá agora. Pode entrar! – Ela informou sorrindo e abrindo a porta para que eu entrasse.

A sala era bem grande, haviam dois sofás, suponho que um para mim e um para a doutora. Haviam vários quadros pendurados por toda a sala e parada de frente para a janela, havia uma mulher que aparentava ser bem jovem, com cabelos vermelhos e cacheados.

— Boa tarde, senhor Hummel. Meu nome é Scarlett e eu serei sua nova amiga. – Ela disse simpática, o que fez com que meu medo passasse. Eu senti como se estivesse em frente a alguém que eu conheço desde que nasci.

— Boa tarde, douto... – Ela me interrompeu.

— Me chame pelo nome, por favor!

— Me desculpe, não estou muito acostumado com esse tipo de coisa. – Eu disse tímido.

— Tudo bem. Você vai se acostumar. Não se preocupe com isso. Vamos, sente-se. – Ela auxiliou e eu me sentei em um dos sofás e ela no outro. – Quantos anos você tem, Kurt?

— Tenho dezesseis. – Eu disse simples, porém sorrindo.

— Ok. O que você gosta de fazer? – Ela perguntou.

— Eu gosto de cantar, inclusive eu faço parte do coral da minha escola. Eu gosto muito de escrever, sonho em ser escritor. – Eu falei feliz. Pela primeira vez em um mês, eu consigo sorrir.

— E você gosta de estar nesse coral? – Ela perguntou me observando. Eu sempre pensei que psicólogos ficavam anotando o que os pacientes falavam, mas ela não, ela estava realmente conversando comigo.

— Gostava. Agora eu simplesmente odeio. Odeio tudo dentro daquela escola. Principalmente daquele coral. – Eu disse com raiva, cada vez que eu penso em Blaine eu me odeio mais, principalmente porque meu coração é muito burro e faz com que mesmo que eu seja maltratado, eu o ame cada vez mais.

— Por que você “odeia” tudo nesse coral? O que aconteceu lá? Kurt, você pode não querer me falar, mas eu só posso te ajudar se você se abrir. Então, peço que por favor, compartilhe suas mágoas e alegrias comigo. Pode ser? – Ela inquiriu e eu assenti.

— Eu conheci um homem maravilhoso, ele sofreu um acidente e perdeu a memória, nos tornamos “amigos”, ele é meu professor do coral, quando estávamos nos dando muito bem, ele recuperou a memória e agora me trata como se eu fosse um ninguém na vida dele e isso me magoa. – Eu expliquei e quase comecei a chorar. – Ele não percebe que, isso machuca, e que eu sou apaixonado por ele.

É estranho. Eu nunca tinha dito em voz alta que eu sou apaixonado por ele. E por algum motivo, não me sinto estranho por ter, de certa forma, confessado isso. Me sinto bem. Finalmente botei meus sentimentos para fora. Ou como a doutora chama: Eu me abri e compartilhei minha vida com ela.

— Você está apaixonado por seu professor? Arriscado. Gostei! – Ela disse e riu. – Kurt, você gostaria de me contar mais sobre esse romance?

— Não tem muito para se falar. Nos conhecemos há dois meses mais ou menos. Não teve como existir algo. Mas, nesse pouco tempo eu me apaixonei. Simples assim. – Falei e suspirei algumas vezes.

— E você disse que ele está te tratando mal, de que maneira? – Ela perguntou e fez uma careta.

— Ele me corta por qualquer motivo. Não me escuta. Finge que eu não existo. Prefere dar a preferência para o garoto mais idiota da escola do que para mim. Ele não liga para os meus sentimentos e cada vez mais isso me entristece. Eu não sei mais o que fazer. – Falei e algumas lágrimas começaram a cair.

— Primeiro, você precisa mostrar para ele que você é forte. Que você consegue ser tão bom quanto qualquer outra pessoa desse coral. Eu sei que você consegue.

[...]

Ok! Segunda-feira é um dia como qualquer outro. Mas não essa segunda-feira. Se Blaine pensa que eu vou fazer tudo que ele quiser – o que no caso, é não fazer nada – ele está muito enganado. Eu mando em mim. Então, eu vou dar a volta nisso e com muito estilo.

Hoje eu vou chegar mais tarde no ensaio, na hora em que todos já estiverem lá ensaiando. Eu vou fazer com que todos prestem atenção em mim. E não vou negar, é uma maneira de eu me declarar para Blaine. Não consegui achar uma música boa para cantar que falasse sobre raiva, ou que falasse algo como: “Deixa eu falar e fica quieto, se está aqui para ensinar me ouça”. Então, vou cantar uma de amor mesmo. Ou nem tanto assim. Mas eles podem entender como quiserem, não me responsabilizo por más interpretações.

Fui pegar meu uniforme, mas acabei decidindo mudar um pouco as coisas. Coloquei uma calça verde, uma blusa branca e uma gravata borboleta também verde. Se eu queria provocar Blaine? Com certeza. Ele está sempre de gravata borboleta. Então, por que não posso imitá-lo um pouquinho? Ou melhor dizendo... Provocá-lo um pouquinho. Peguei o carro e fui rumo a escola.

É exatamente duas horas da tarde, o ensaio já começou faz uns vinte minutos, o que significa que todos já devem estar na sala do coral. Eu já tinha combinado com a banda a música que eu iria cantar, então pelo canto da porta dei um sinal a eles e assim eles começaram a tocar. Todos os meninos começaram a se perguntar o porquê da música, até que, eu apareci cantando.

“You're the light, you're the night

Você é a luz, você é a noite

You're the color of my blood

Você é a cor do meu sangue

You're the cure, you're the pain

Você é a cura, você é a dor

You're the only thing I wanna touch

Você é a única coisa que quero tocar

Never knew that it could mean so much, so much

Eu nunca soube que poderia significar tanto, tanto

Blaine me observava de boca aberta, assim como todos naquela sala. Eu fui até o centro e segui cantando.

Eu comecei a fazer alguns passos estranhos. Se essa era a minha maneira de provocar Blaine, eu estava falhando – e muito. Mas eu mal consigo pensar perto dele, quem dirá cantar. Passei por Sebastian e dei uma leve piscada para ele, e o pior: ele sorriu e mandou a piscada de volta, com um sorriso muito sapeca no rosto. Subi no sofá e fui andando por trás dos meninos que estavam sentados no mesmo.

“You're the fear, I don't care

Você é o medo, eu não ligo

'Cause I've never been so high

Porque nunca estive tão fora de mim

Follow me to the dark

Me siga até a escuridão

Let me take you past our satellites

Me deixe te levar além dos nossos satélites

You can see the world you brought to life, to life

Você pode ver o mundo que trouxe à vida, à vida

Eu cantava e apontava para alguns garotos. A maioria eram novatos, então não sei nem os nomes deles. Só sei que a música estava me possuindo de um jeito, que eu não conseguia mais me controlar. Quando fui cantar o refrão desci do sofá e comecei a andar em volta de Blaine, ele estava sério e pronto para acabar com a minha performance, então me aproximei de John, um dos melhores cantores dos Warblers, que também é gay, e comecei a puxar ele e meio que dançar com ele. Ele era meio que meu parceiro nas aulas então ele nem se importou.

“So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como você ama, me ame como você ama

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você ama, me ame como você ama

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Me toque como você toca, me toque como você me toca

What are you waiting for?

O que está esperando?

Blaine fez um acara de surpreso quando eu fiquei bem próximo de John e nos separou imediatamente, ele estava vermelho, poderia ser de vergonha, o que não é muito provável, ou poderia ser de raiva, que é a resposta mais sensata. Ou ainda, poderia ser de ciúmes. Mas, essa última, eu realmente duvido. Eu fui me aproximando de Sebastian para dançar por perto dele e ele me puxou mais para mais perto ainda. E o que eu não esperava aconteceu. Blaine tirou seu casaco e começou a cantar comigo.

“Fading in, fading out

Aparecendo, desaparecendo

On the edge of paradise

À beira do paraíso

Every inch of your skin is a holy grail I've got to find

Cada pedaço da sua pele é um Santo Graal que tenho que encontrar

Ele ficava me encarando com um olhar raivoso, mas ao mesmo tempo bonito. Só não sei como eu consegui achar bonito. Provavelmente, é porque ele não parecia com raiva, mas parecia precisar demonstrar raiva.

Ele me separou de Sebastian que estava ainda me segurando e me empurrou contra a mesa, fazendo com que todos os alunos ficassem nos encarando boquiabertos. Alguns estavam sorrindo, outros quase surtando. Outros queriam ir embora, mas eram impedidos pelos que estavam gostando.

“Only you can set my heart on fire, on fire

Só você pode acender meu coração

Yeah, I'll let you set the pace

Sim, vou te deixar determinar o ritmo

'Cause I'm not thinking straight

Porque não estou pensando direito

My head spinning around, I can't see clear no more

Minha cabeça está girando, não consigo mais ver com clareza

Ele seguiu cantando e subiu na mesa dele. Ele olhava fixamente nos meus olhos. E era como se eu estivesse me apaixonando por ele cada segundo mais. A voz dele se adequou perfeitamente a música. Essa música é perfeita em cada detalhe, ela não é uma música “dançante”, mas dá vontade de dançar. E também dá muita vontade de chegar na pessoa que você ama e cantar para ela e agarrá-la para nunca mais soltar.

“What are you waiting for?

O que está esperando?

Cantamos a frase juntos e paramos no meio da sala do coral.

“Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como você ama, me ame como você ama

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você ama, me ame como você ama

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Me toque como você toca, me toque como você me toca

What are you waiting for?

O que está esperando?

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como você ama, me ame como você ama

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você ama, me ame como você ama

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Me toque como você toca, me toque como você me toca

What are you waiting for?

O que está esperando?

Eu comecei a andar indo para trás da sala, subi no piano (onde não havia ninguém tocando), e ele veio atrás de mim. Ele não subiu no piano, mas ficou bem perto, então eu me sentei e continuamos cantando juntos.

“I'll let you set the pace

Vou deixar você determinar o ritmo

'Cause I'm not thinking straight

Porque não estou pensando direito

My head spinning around, I can't see clear no more

Minha cabeça está girando, não consigo mais ver com clareza

What are you waiting for?

O que está esperando?

Eu desci do piano e fui até a porta da sala onde cantamos juntos o último trecho da música.

“Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como você ama, me ame como você ama

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você ama, me ame como você ama

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Me toque como você toca, me toque como você me toca

What are you waiting for?

O que está esperando?

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Então me ame como você ama, me ame como você ama

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Me ame como você ama, me ame como você ama

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

Me toque como você toca, me toque como você me toca

What are you waiting for?

O que está esperando?

Quando terminamos a música eu simplesmente fui embora. Sorrindo feito um idiota, mas fui. Peguei o carro e segui para casa. Droga. Eu não deveria ter cantado uma música que diz para ele me amar com ele ama. Isso é errado, até porque ele não me ama e, se ama, está fazendo muito errado.

BLAINE ANDERSON

— Sr. Anderson, isso foi bem profundo. Tem algo a declarar depois disso? – Perguntou Sebastian. Eu já estava irritado o suficiente, não precisava de mais isso para me incomodar.

— Eu não tenho nada a declarar. – Eu disse, me escorando na mesa, ainda não acreditando no que aconteceu. – E vocês todos? Algo a declarar? Vocês sabiam disso? Vocês sabiam o que estava acontecendo? Ou o que ia acontecer? John e Sebastian, por qual motivo vocês estavam agarrando Kurt? Por que eu tive que separar vocês? – Os enchi de perguntas e, por mais que eu não quisesse, minha voz saiu manhosa e triste, até com certo ciúme ali contido.

— Ciúmes, Sr. Anderson? – John indagou.

— Vocês estão dispensados por hoje. Vejo vocês no ensaio amanhã. – Eu disse, dei a volta em minha mesa, peguei minhas chaves e fui para casa.

Quando cheguei, entrei e vi Rachel sentada no sofá, que sorriu logo que me viu. Ela ia me beijar, mas eu me virei.

— O que houve, amor? – Ela perguntou séria.

— Nada. Pode ir embora, por favor? Eu preciso fazer a lista de músicas para as regionais e decidir o solo, o dueto e a performance em grupo. O tema é romance. – Eu falei e me deu uma enorme vontade de chorar. Mas eu não faria isso, não na frente de Rachel.

— Essa é fácil. Se vai começar com o solo faça algo clássico. O dueto algo simples. A performance em grupo faça algo mais recente. Algumas músicas vão ficar ótimas para aquele menino que fez o solo na última competição cantar. – Ela disse como se entendesse tudo de corais.

— Eu sou um campeão nacional de competição de corais. Acho que eu consigo me virar. O solo vai ser Silly Love Songs, cantado por Kurt. O dueto ainda estou na dúvida, terei que achar alguém bom o suficiente para acompanhar Kurt. O dueto será, Since U Been Gone da Kelly Clarkson. A performance do grupo, será Never Close Our Eyes, do Adam Lambert. Droga, essa lista não presta. – Eu disse e Rachel se aproximou para me abraçar. Caminhei até a porta e a abri. – Por favor, vá embora.

— Você não pode dar o solo para esse tal de Kurt. Ele nem cantar bem não canta. – Ela disse com raiva.

— Primeiro: Ele canta muito bem. Segundo: O coral é meu. Terceiro: Eu o am... Rachel, vá embora. Eu preciso pensar.

Eu não o amo. Amo?

KURT HUMMEL

Já passava das nove horas da noite. Meu pai foi em um jantar romântico e disse que não vai dormir em casa. Me planejei para ver meu seriado preferido: CSI. Mas logo que sentei no sofá com um balde de pipocas, a campainha tocou. Droga. Eu estava com um pijama cheio de coalas espalhados. Tomara que não seja ninguém importante, pensei comigo mesmo.

Ao abrir a porta, me deparei com um Blaine Anderson que possuía um pequeno sorriso nos lábios. Ele não perdeu tempo ao me ver abrir a porta e simplesmente deu dois passos na minha direção, me puxando pela cintura e me beijando. A porta foi fechada e eu fui prensado contra a mesma, ainda sendo beijado com uma vontade sem igual, Blaine parecia ter esperado para fazer isso desde que me conheceu. Era com pressa, mas, ao mesmo tempo, com paixão.

E eu também sentia tal desejo e paixão. Tinha vontade de tê-lo só para mim.

Nos separamos por falta de ar e quando eu abri a boca para falar, ele me beijou de novo e foi caminhando e me beijando até a sala, eu batia em todas as paredes e móveis, eu provavelmente iria ficar todo roxo, mas eu realmente não ligo. Eu e ele caímos no sofá e o meu balde de pipoca se espatifou no chão. Quando o pote caiu, fez um barulho gigante. Estava tudo em silêncio e o pote era de vidro. Quando caiu e quebrou, nós nos assustamos e do nada começamos a rir feito loucos. Mas ele logo ficou sério e se sentou.

— Olha... Acho melhor varrermos isso antes que um de nós se corte. – Ele disse e eu apenas concordei, peguei uma vassoura e ele uma sacola.

Rapidamente arrumamos tudo e nos sentamos novamente no sofá, sem conseguir olhar os olhos um do outro.

— Você quer assistir alguma coisa? – Eu perguntei olhando o comercial de shampoo que passava na televisão.

— Só você. – Ele disse e ficou vermelho assim que me virei para ele. – A propósito: Amei o pijama. – Ele disse e sorriu nervoso.

— Blaine, o que acabou de acontecer aqui? – O questionei, olhando para a grande parede branca que ficava do lado contrário para onde estávamos. Estava envergonhado, não conseguia encará-lo.

— É... Bom... – Ele se enrolou com as palavras e começou a rir. – Eu acho que eu precisava fazer isso.

— Não posso negar que isso foi bom. Mas... não tem nenhum “mas”, não tenho o que dizer. – Eu disse envergonhado.

— Kurt, me desculpa, eu não deveria ter chegado aqui do nada e ter te beijado. Mas eu fiquei pensando em você desde o momento que você saiu daquela sala hoje mais cedo. Eu fiquei pensando em qual poderia ser o motivo de você ter feito aquilo. E eu percebi que você estava me provocando. Quer dizer, você estava né? – Ele me olhou receoso.

— Eu estava. Olha, eu tenho um bom motivo para fazer o que fiz. Eu me irritei com você, pois depois que você recuperou a memória começou a me tratar pior que lixo. Eu fiquei mal, quase que com depressão por causa disso. Eu fui em uma psicóloga e ela disse que eu tinha que te mostrar que eu sou tão bom quanto qualquer outro naquele coral. Eu iria cantar alguma música de raiva ou algo do tipo. A doutora me deu o conselho de cantar algo que me fizesse pensar em você quando escutasse. Quando eu escutei essa música pensei em você. Não era o essencial para a ocasião, mas eu liguei o botão do “vá tudo para o inferno” e resolvi fazer algo diferente. E assim pensei em te provocar ou pelo menos irritar. Eu não pensei que fosse ficar sério como ficou. Com você cantando comigo e me olhando com raiva. Naquele momento eu pensei que eu tinha piorado tudo. Eu também não parei de pensar nisso o dia inteiro. Até que eu decidi não me estressar. Porque só haviam duas possibilidades: Ou você iria voltar a falar comigo, ou me odiar para sempre. – Eu disse e dei um leve sorriso. O que fez com que ele me olhasse estranho. – É que... Parece que você não me odeia. – Eu disse e comecei a rir.

— Eu nunca te odiei. Não sei como alguém seria capaz de odiar alguém como você. Me desculpa pelo jeito que te tratei. Eu só não queria ficar te iludindo. – Ele abaixou a cabeça, triste. – Você conseguiu tanto me irritar quanto provocar. Principalmente quando estava se agarrando com John e Sebastian. Ah... se eu tivesse uma arma naquele momento.

— Você mataria dois alunos? – Perguntei totalmente boquiaberto.

— Por você sim. – Ele disse fitando o nada.

— Você não está falando sério, está? – Eu indaguei assustado.

— Acho que eu não seria capaz de matar. – Ele disse e logo começou a rir.

— Você me assustou. – Falei e dei um leve tapa no braço dele.

— Kurt. Eu quero que você faça o solo e escolha quem será seu parceiro para um dueto nas regionais. – Ele disse e eu o olhei surpreso. – Eu fiz uma lista de músicas, mas está uma droga. O tema é romance. Eu escolhi Silly Love Songs para o solo, Since U Been Gone para o dueto e Never Close Our Eyes para o número em grupo.

— Eu amo as três. Mas, honestamente, esse não parece o Blaine que eu conheço fazendo essa lista. Você é sempre um gênio. O que houve com você? – Perguntei rindo, totalmente em tom de brincadeira.

— Você. Foi isso que aconteceu. – Ele disse e me olhou. – Pode por favor, me ajudar com as músicas? Never Close Our Eyes nem romance não é.

— Vou fingir que não vi você tentando mudar de assunto. – Eu disse o imitando e ele soltou uma risada gostosa. – Ok, eu ajudo. O número em grupo poderia ser “Love Somebody” do Maroon 5. Precisa ser sobre um romance ou sobre amor?

— O tema é amor, romance, separação. As coisas que tenham a ver com amor. – Ele explicou sorrindo.

— Então, nesse caso, o dueto poderia ser “The Heart Wants What It Wants” da Selena Gomez. Se bem que, essa música me lembra uma certa pessoa. E ficaria melhor em um solo. E a outra música, poderia ser “Gone, Gone, Gone” do Phillip Phillips. Precisa de mais alguma coisa? – Inquiri, abrindo meu melhor sorriso para ele.

— Você é um gênio. Obrigado. – Ele agradeceu me puxando mais para perto e eu me escorei no seu braço. – Kurt.

— Diga. – Falei olhando o filme que passava na televisão, que ainda estava ligada.

— Em quem você pensa ao ouvir a música da Selena? – Ele perguntou baixo.

— Não é óbvio? – Respondi com outra pergunta o encarando e ele me deu um demorado selinho.

Eu estava tão feliz por o ter ali do meu lado que meus pensamentos estavam completamente ligados a ele. Acabei adormecendo nos braços dele, e claro, acabei sonhando com ele.

Acordei assustado com alguém me cutucando. Era meu pai. Fiquei mais assustado ao perceber que era ele e cutuquei Blaine.

— Eu não quero saber o que aconteceu. Mas... O que aconteceu aqui? – Ele perguntou e eu comecei a rir da cara de assustado que Blaine fez.

— Você quer ou não saber? – Provoquei ainda rindo e Blaine ficou sem graça.

— Não sei. Pela cara de vocês eu não sei se quero saber. – Meu pai disse sério.

— Nós nos embebedamos, depois andamos nus pela casa, nos atiramos pela janela e saímos na rua gritando que queríamos mais noites como essa, depois demos a volta no quarteirão cantando Last Friday Night, mesmo sendo segunda. – Eu falei e Blaine deu uma gargalhada muita alta. O que nós bebemos para ficarmos desse jeito?

— Kurt. Eu estou falando sério. – Meu pai foi até a televisão e a desligou, já que a mesma ficou a noite inteira ligada.

— Não aconteceu nada, pai. – Eu disse me levantando e indo até a cozinha preparar o café da manhã. – Relaxa.

— Certeza? – Meu pai perguntou encarando Blaine que também estava indo para a cozinha.

— Absoluta. – Respondeu Blaine.

— Tudo bem, então. – Meu pai disse e subiu as escadas indo para seu quarto.

— Eu pensei que você fosse contar. – Disse Blaine me segurando pela cintura enquanto eu estava arrumando a mesa.

— Não na sua frente. – Falei e me virei para ele, que me beijou. – Eu não quero estragar o clima nem nada, mas eu preciso te fazer uma pergunta.

— Eu sei o que vai perguntar. Por favor, não pergunte. – Ele se separou de mim quando ouvimos passos se aproximando.

— Quer saber? Perdi a fome! Vou tomar banho e botar meu uniforme.

Eu disse e fui para meu quarto. Peguei meu uniforme e fui rumo ao banho e, por mais que eu não quisesse, sentia que tinha sido usado. Ele ainda estava com Rachel, eu era só alguém que ele beijou, nada especial.

BLAINE ANDERSON

— Já brigaram? – Perguntou Burt.

— Não exatamente. Só que, é complicado, sabe? – Eu me enrolei.

— O amor é complicado. – Ele disse arrumando seu café.

— Eu não sei se você quer mesmo entrar nesse assunto. Mas seria legal se quisesse, pois eu iria preferir falar com você do que com a minha mãe. – Eu disse pegando um pedaço da minha torrada.

— Enquanto estiver falando de amor, estarei escutando. Agora, se for falar de outra coisa, só uma dica: pesquise na internet. – Ele disse e parou para me olhar.

— Eu não sei o que eu sou. Eu não sei se foi o acidente que me mudou, ou se o acidente apenas me mostrou o que eu talvez não soubesse ainda. Ou se eu percebi o que era quando conheci Kurt. Eu só sei que, eu realmente gosto dele. Gosto dele muito mais que gosto da minha noiva. E eu pensei que eu amasse ela. Cada segundo sem estar perto de Kurt, tem sido uma tortura para mim e eu achei que se eu me afastasse dele, seria melhor, pois não estaria o iludindo. Mas acabei iludindo a mim mesmo em relação a isso. Eu não sou a pessoa mais certa para Kurt. – Fiz uma breve pausa. – Eu tenho um jeito meio errado de amar. Mas eu sei que muitas vezes a pessoa errada na verdade é a pessoa certa. Afinal, eu sempre achei que eu gostasse de mulheres, sendo assim, Kurt seria a minha pessoa errada. E na verdade, ele é exatamente a pessoa certa.

Notas finais
Música: Love Me Like You Do - Ellie Goulding. Gostaram? Me contem ♥