Olhos Verdes

4 Capítulo 4 - O Flashback


Notas iniciais
Uhuuuuulll õ/
Finalyyy ! Conseguiii õ/
Bom, taí pra quem queria saber... [ninguém Ç.Ç~]
Espero que gostem ^^

Agora eu estava sentada em um banco de pedra, na frente da escola, o último, mais longe dos outros alunos. Tinha uma hora pela frente. Já tinha cansado.

Suspirei me preparando para o flashback doloroso.

“Estava sentada na escrivaninha, digitando preguiçosamente no notebook. Ouvi o telefone tocando no andar de baixo, minha tia atendendo. Um minuto depois ela entrou no quarto com uma expressão pesarosa.

– Beth, a sua irmã, ela... faleceu. – disse ela com a voz embargada.

Senti que o chão se abria sobre os meus pés. Minha mente paralisou totalmente naquela última palavra. O que? Como assim?

– Morreu? – repeti com a voz falhando.

– Sim.

­­- NÃO ! – gritei em desespero.

Tentei levantar, mas minhas pernas não obedeciam. Me pus de pé e desci correndo para o andar de baixo. Na sala, agarrei as chaves da casa e, abrindo a porta, berrei para meu tio:

– ME LEVA PARA LÁ!

– Beth, fique calma!

– CALMA? – gritei – CALMA? – repeti fora de controle.

Eu já estava entrando no elevador, meu tio me seguindo.

– Beth, o que você está pensando?

– MINHA IRMÃ MORREU E VOCÊ NÃO QUER DEIXAR QUE EU VÁ LA?

Ele olhou para mim, considerando por um momento.

– Se você se controlar eu posso te levar lá.

– Ótimo – respondi, respirando fundo.

Seguiram-se 45 minutos de tortura. Pensamentos entrecortados passavam pela minha mente. Tanta culpa enchia meu peito, eu estava afogando no ar, as lágrimas rolavam livremente pela minha face. Eu me forçava a olhar pela janela embaçada do carro, e o mundo chorava comigo, lançando gotas no vidro. Minha mão estava colada à janela, e eu me espremia contra a porta, como se a qualquer momento eu fosse me jogar na estrada.

Era uma opção.

Três quadras antes da casa eu já tirava o cinto apressada. Novamente descontrolada, todo o desespero reprimido tomou conta de mim, abri a porta do carro e corri para a campainha, apertando com força e repetidamente. Quando a porta se abriu, corri pelas escadas e entrei no apartamento.

Estaquei no corredor, em frente à porta do quarto dela. Pisquei, paralisei. Havia apenas silencio há minha volta, e na minha mente, uma calma anormal, irreal. Agora eu tinha medo. Irônico como, depois de tanto correr podia ser tão simplesmente aterrorizante estender a mão e girar a maçaneta. Os segundos se converteram em uma eternidade.

Quando meus olhos focalizaram o quarto, em milésimos de segundos, minha mente quebrou. Minhas pupilas se dilataram, sugando toda a cor dos meus olhos, minha respiração parou para depois acelerar loucamente, falhando. Minhas sobrancelhas se contraíram em uma linha sobre meus olhos angustiados.

O corpo de minha irmã pendia do teto, preso por uma corda.”

Ali, sentada com os olhos fechados, nem chegava a perceber minha expressão apavorada. As memórias me engolfavam e me atavam com muita força.

“Eu caí por terra. De joelhos, no chão, eu tremia dos pés às cabeças. Me forcei a olhar uma única vez, e depois desviei o olhar pra qualquer outra coisa. A imagem de seu rosto branco e os hematomas no pescoço, seus olhos arregalados e a expressão de dor gravaram-se nos meus olhos.

Sem nem mesmo perceber, focalizei um caderno protegido por um cadeado, quase debaixo da cama. Rastejei até lá. Eu sabia onde estava a chave.

Meus movimentos eram infinitamente lentos, pois eu resistia a eles. Ou eles resistiam á minha paralisia.

Abri a pequena gaveta do criado mudo. Tirei do fundo dela duas pequenas chaves. Segurei o metal frio do cadeado na ponta dos dedos. Aquele frio me feria. Deslizei a chavezinha e girei. O breve estalar do cadeado se abrindo, da mente da minha irmã se libertando, de sua vida partindo é até hoje o som mais horrível que eu conheço.

Tirei o cadeado do caderno, segurando-o com tanta força que minhas unhas cortaram minha própria pele. Folhei as paginas.

“Por que ela faz isso comigo?”

“Eu a odeio”

“Por que ela pode ir ao hospital e eu não”

“Sinto saudades”

“Eu quero que ela morra”

“Ela quer que eu morra”

“Ela me odeia. Minha vida é um inferno. Ou vai ver eu tenho mais é que morrer mesmo.”

E então, como uma faca em meu coração, a sentença final:

“Ela me abandonou.”

O que eu tinha feito?

Eu matei, e naquele instante eu morri. As lágrimas rolaram.

Por instantes, minutos, horas, dias.

Em algum momento em meio aquela dor, eu parei. Fechei os olhos por alguns momentos e reabri-os. Junto com a água que pingava do meu corpo e meu cabelo, as lágrimas haviam molhado as páginas, manchado a tinta, desmanchado as palavras, mas aquelas palavras estava agora queimadas à fogo em minha alma.

O sangue escorria pela minha mão. Consegui soltar os dedos, lentamente, revelando o cadeado, ensangüentado.

Contemplei-o por alguns instantes. E então, olhando para meu próprio peito.

Em uma correntinha que havia no meu pescoço, eu prendi o cadeado.

Estava ali banhado em sangue, para me lembrar do que eu havia feito.

Para eu nunca me esquecer dela.

Para que eu nunca mais deixasse ninguém.

Para que ela nunca mais me deixasse.”

Notas finais
Será que alguém deixa review?