Olhos Verdes
5 Capítulo 5 - A outra história
Notas iniciais
Fui acordada do flashback, sentada no banco de predra em frente à escola.
– Oi – disse Louise – Posso me sentar aqui ?
– Claro .
Ela sentou-se ao meu lado.
– Você mora nessa cidade a muito tempo? – perguntou ela.
– Eu me mudei para cá ano passado – contei.
– Ah... ei, que horas são?
Olhei para o relógio no meu pulso.
– Meio dia. – disse.
– Ah meu deus, vou esperar uma hora ! Minha mãe vai me buscar tarde...
– Minha tia também.
– Sua tia? – estranhou ela.
– Ah... Eu moro com os meus tios. Minha mãe morreu... Ano passado – disso murmurando.
Sem nem mesmo perceber minha mão se levantou para o cadeado. O olhar dela passou de relance e depois parou no meu rosto, com uma expressão de quem tenta decifrar algo.
Houve um momento em que nos olhamos fixamente, seus olhos perspicazes sondando minha expressão, e eu lançando-lhe meu olhar de quem não olha para nada, perguntando-me internamente o que se passava na mente dela. Seus olhos verdes piscaram.
E o momento acabou.
– Você mora aqui perto ? – perguntou ela.
– Sim, nesse bairro. – respondi.
– Será que você não pode me mostrar ?
– Mostrar? Ah... claro. – respondi meio confusa.
Ela se levantou e eu fui atrás.
– Mas... mostrar o que ?
Ela colocou a mão na frente do rosto para proteger os olhos do sol e foi e parou na rua.
– Está calor hoje. Será que não tem uma sorveteria aqui perto ? – sugeriu ela.
– Tem sim.
Fomos andando lado a lado por alguns quarteirões, andando lentamente.
Quando saímos da sorveteria, lembrei-me de uma praça que havia ali perto e sugeri. Ela gostou da idéia e fomos andando, tomando nossos sorvetes, ainda em silencio. Mas não era um silêncio incomodo.
Quando chegamos lá, sentamo-nos em um banco de madeira sobre a sombra de uma árvore. A praça era como um belo jardim, as árvores de um verde claro, deixavam que os raios de sol escapassem entre suas folhas, entrevendo pedaços do céu azul. A grama bem cuidada parecia macia, e havia um leve perfume no ar, trazido pelo vento das pequenas e delicadas flores brancas que cobriam a grama em um pedaço do jardim.
Olhei de lado para ela. Seus olhos, verdes, levantados para o céu, refletiam a pureza do dia, o frescor da manhã e o verde agradável das árvores, brilhando sobre o sol, os cílios batendo de leve, os cabelos ondulados pelo vento que tocava de leve sua face.
Ela surpreendeu meu olhar, virando-se para mim e sorrindo. Era um belo dia. Era um belo momento.
– E o seu cadeado? – perguntei.
Agora eu olhava direito, pela primeira vez, o cadeado todo prateado, com as duas chaves, que ela carregava em uma corrente.
– Ah... tem uma história...
Ela parou e olhou para mim, com o olhar ligeiramente atrapalhado, como se perguntasse se eu queria ouvir.
Eu balancei de leve a cabeça. Ela deu um sorrisinho torto e recostou-se no banco, olhando para o céu.
– Começou fazem uns dois anos... eu conheci uma pessoa...
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