[Norman]

Estava motivado a fazer algo por nós. A vitória poderia vir de forma dura e difícil, mas viria se soubéssemos administrar nossa força. Eu sabia que poderia ser o incentivo final pra todos, se pudessem me ouvir. Por isso, tomei a liberdade de reuni-los como se fosse um “novo Tim”, mas com mais vigor e uma causa a mais. No começo, se mostravam relutantes, com medo. A maioria esperaria que o fogo revolto abaixasse para que um dia ou outro reavivasse. Eu não deixaria esse fogo apagar.

— Sei que sou novo, mas temos que nos unir novamente. Temos que mostrar pra esse Marbas quem nós somos e o que podemos fazer — disse para um bocado de almas, num intervalo qualquer — Só nós podemos fazer isso, mais ninguém. E não devemos abaixar nossas cabeças por que Tim se foi. A causa dele não pode se perder.

— Mas a maioria já desistiu Norman — alertou-me uma alma, meio ao grupo.

— E é contra isso que eu lutarei. Não adianta de nada esperarmos aqui trabalhando eternamente pra sabe-se lá qual motivo. Pra que tantas peças afinal? O que eles fazem com isso? Já se perguntaram? Pois eu me pergunto a todo o momento. Nós temos que bolar um plano. Temos que nos organizar bem dessa vez.

— Ele tem razão — dissera Hugo, a alma salva por Dimitri — Não podemos ser tão fracos, não sem tentar antes.

— Não sei...

— Já estamos mortos, como um amigo meu me disse — piscou para Dimitri — Não temos nada a perder.

E assim sucedeu-se uma salva de palmas pela minha iniciativa. Alguns ficaram indecisos, mas no fim acabaram se rendendo ao poucos que me ouviam. Foi assim no começo, poucos, mas logo a proporção se abrangeu e estava envolvendo outros setores. A cada intervalo decidíamos novos planos, peças chaves pra nossa vitória. Eu faria de tudo pra que ganhássemos dessa vez.