Olhos Azuis
6 Emily
Notas iniciais
E como eu sou uma pessoa muito boazinha, resolvi adiantar a postagem do novo capitulo o/ Ficou um pouquinho mais longo que os outros, mas foi necessário... Segredos serão revelados... Mas chega de enrolação e vamos ao que interessa.
Santana mexia em seu armário quando escutou uma voz ao seu lado.
– Cadê sua namoradinha, novata?
– Do que você está falando, Quinn?
– Oras... Eu vi vocês ontem, na rua depois da aula. – a loira sorria sarcástica.
– Então se esses seus olhos verdes, de cobra venenosa, viram direito. Você sabe que eu só estava ajudando a Britt depois que ela bateu com a cabeça no poste. – Santana a enfrentava, fazendo alguns alunos curiosos pararem.
– Ajudar... Claro. – Quinn falava irônica – Mas sabe... Eu vejo muito potencial em você. Se quiser ser alguém nesse colégio, é só falar comigo. Eu posso te apresentar as pessoas certas e não aquela... quela... garota. – Se referiu a Brittany com desdém.
– Acho que sou capaz de escolher meus amigos sozinha. – Santana tentava controlar a raiva que começava a sentir.
– Você é quem sabe, novata. Mas pelo que vejo, não está indo muito bem.
– E porque você não para de ser tão vadia e deixa a Britt em paz?
– Eu não admito que você fale assim comigo. – Quinn ficou vermelha de raiva. Ninguém nunca tinha enfrentado ela assim, e para piorar a aglomeração de alunos em volta delas era cada vez maior.
– E a princesinha vai fazer o que? Me bater? – Santana percebeu que tinha o controle da situação – Presta atenção vaca loira. Eu não sou igual a esse bando de idiotas que abaixam a cabeça para você... Eu sou Santana Lopez! E você é só uma garotinha tentando bancar a valentona.
Quinn estava quase explodindo de raiva. Pela primeira vez não sabia o que fazer.
– Isso não vai ficar assim, Santana. – a garota fala entre dentes e sai batendo o pé e empurrando a pequena multidão.
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– Ooh, Santana. Você não devia ter enfrentado a Quinn assim, ela está muito mudada... E se ela te fizer algum mal? – Brittany estava preocupada.
– Alguém precisa parar aquela maluca, Britt. E eu só queria te ajudar, porque sei que ela fica te enchendo... Só não sei o motivo...
– Eu agradeço San. Fico feliz em saber que se preocupa comigo. – Britt sorriu e segurou a mão de Santana – E eu acho que te devo uma explicação.
– Que tipo de explicação BrittBritt? – a latina viu o sorriso da loira aumentar, mas logo depois ela ficou seria novamente.
– Sobre aquela fotografia – os olhos azuis fitaram o chão – Hoje a noite, as oito horas, lá em casa. Eu vou te contar tudo.
Santana concordou feliz por Brittany confiar nela, mas também preocupada, pois via nos olhos azuis o tanto que essa “brincadeira” feita por Quinn a deixava triste, magoada.
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Às oito horas da noite Santana estava em frente à casa de Brittany tocando a campainha. Logo foi atendida pela própria loirinha que lhe recebeu com um abraço apertado. As duas caminharam ainda mudas em direção ao quarto de Brittany. A morena percebeu que a amiga estava um pouco tensa, mas resolveu que a outra é quem deveria tomar a atitude de começar a falar.
O quarto era a cara da dona, as paredes pintadas com um rosa clarinho e o desenho de um pequeno arco íris em uma das paredes. Em cima da cama tinha um unicórnio de pelúcia e aos pés da mesma existia uma almofada onde Lord T dormia confortavelmente.
– Meus pais foram jantar fora – a loirinha disse ainda sem fitar Santana – acho que irão demorar um pouco. Vamos poder conversar com calma.
– Tudo bem, Britt. Eu não tenho pressa, tudo no seu tempo. – ela sorriu para tentar diminuir a tensão da outra.
– Você é uma boa amiga, San. – suspirou tomando coragem – O que eu vou te contar é um segredo que só o Lord T a Quinn sabem. – Santana apenas balançoua cabeça.
Há um ano eu conheci uma garota, a Emily. Nós acabamos nos aproximando depois que a Quinn virou líder de torcida e, obsecada pela popularidade, deixou de ser minha amiga.
Emily e eu estávamos sempre juntas, ela era inteligente, divertida e não me achava uma idiota por acreditar em unicórnios e duendes. Um dia nós viemos aqui para o meu quarto estudar, pois estávamos em época de provas. Eu não lembro bem porque aconteceu, mas nós acabamos nos beijando, e foi melhor que beijar qualquer garoto. No começo eu fiquei assustada sabe... Mas aí a Emily sorriu e disse que há tempos queria fazer isso... Eu relaxei, acho que no fundo eu também queria.
Hoje entendo que me apaixono pela pessoa e não pelo sexo dela, menino ou menina, para mim não importa. Mas beijo de garotas é melhor.... Enfim, o que conta é o amor.
Nós meio que começamos a namorar, mas ninguém sabia... Só o Lord T. Até que a Quinn descobriu, e começou a dizer que espalharia a noticia pelo colégio e logo nossos pais ficariam sabendo. Eu tentei convencer ela a não fazer isso, não por mim porque eu não ligo, mas pela Emily. Os pais dela eram muito rigorosos e não aceitariam a filha namorando outra garota, mas a Quinn já estava muito mudada, ela já não se importava com mais ninguém, só com ela mesma.
Por obra do destino, ou sei lá o que, o pai da Emily foi transferido de cidade, e por conta do trabalho dele, toda a família se mudou em tempo recorde. Eu vi que apesar dela gostar de mim, ela estava aliviada com a mudança. Eu fiquei triste por um tempo, minha mãe percebeu que tinha algo errado, então resolvi contar tudo para ela... Me senti um pouco melhor quando ela disse que só queria que eu fosse feliz. Se eu me casasse com um homem ou com uma mulher, para ela não importava, minha mãe só queria me ver bem.
Quando eu achei que tudo ia voltar ao normal a Quinn começou com a “brincadeira” da fotografia. Ela pega imagens de revistas, essas em que as mulheres saem nuas, e as coloca no meu armário. Ás vezes ela faz montagens usando o meu rosto.
Eu não me importo muito com essas fotografias sabe... Mas me magoa a Quinn ser a responsável. Nós éramos tão amigas...
Brittany chorava com as lembranças. Estava sentada abraçando as pernas, e em nenhum momento direcionou seu olhar para Santana que estava sentada ao seu lado, no chão.
– Olha, eu vou entender se você quiser ir embora e não falar mais comigo. Eu sei que muita gente não aprova meu jeito de amar...
Santana aproximou-se mais e levantou o rosto da amiga, os olhos azuis estavam avermelhados devido ao choro. A morena sentiu um aperto no peito, como se a dor que Brittany sentia também fosse sua.
– Hey, BrittBritt. Olha para mim. Eu não vou embora. E não me importa se você prefere menino, menina, gato ou cachorro... Eu gosto de você assim, do jeitinho que você é... – Santana olhou fundo nos olhos azuis e sentiu algo estranho, algo que ela nunca tinha sentido antes – Acho que gosto até mais do que devia.
As duas ainda encaravam-se, a latina levou uma das mãos até o rosto de Brittany, acariciando a face branca. Escorregou a mão até o pescoço e lentamente puxou a loira para si, até os lábios roçarem um no outro, o contato fez com que Brittany fechasse os olhos.
Não querendo mais adiar o momento, Santana aprofundou o beijo, sua língua pediu passagem e foi prontamente atendida por Brittany. A loira deu um pequeno gemido ao sentir a língua da amiga em contato com a sua. Era um beijo calmo, suave, mas que era capaz de apagar qualquer problema... Mesmo que por apenas alguns instantes.
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