Olhos Azuis
7 Vamos com calma...
Notas iniciais
Pessoas, obrigada pelos comentários. Leio todos.
Aos poucos as garotas foram afastando-se, os olhos ainda fechados, o ar começava a faltar em seus pulmões, as respirações estavam aceleradas, como se tivessem corrido por horas sem parar.
Santana ainda segurava o rosto de Brittany entre suas mãos, testas coladas, os olhos abriram-se aos poucos para se encararem. Os olhos azuis tinham um brilho intenso e os lábios se abriram num imenso sorriso, enquanto os olhos negros mostravam uma evidente confusão de sentimentos.
Os pensamentos da morena iam e vinham na velocidade máxima de um trem, e ela não conseguia assimilar nada. Tudo o que ela sabia era que tinha acabado de beijar a melhor amiga, aliás, a única amiga de verdade que já teve. Era tanta coisa que se passava em sua cabeça que demorou a entender o que Brittany falava.
– Hã?
– Eu perguntei se você está bem, San?
–É... Estou... Acho.
– Acha?
–Quer dizer... estou. Mas minha cabeça está meio que girando... Não vou mentir para você, Britt... Eu estou muito confusa...
– Eu entendo... – a loira abaixou a cabeça – Mas quero dizer que eu gostei muito de ter te beijado, foi especial para mim sabe... queria que você também tivesse gostado.
Santana levantou o rosto de Brittany para que se encarassem. Mesmo com toda confusão que sentia dentro de si, não pode deixar de sorrir da preocupação da amiga. Como explicar para Britt, e principalmente para si mesma, que aquele foi o melhor e mais significativo beijo de sua vida?
– Hey, BrittBritt. Olha, eu gostei do beijo... Muito. – Britt agora sorria – É só que... é muita coisa para eu entender. Eu nunca tinha beijado uma garota... na verdade, nunca tinha pensado nisso. Só vamos com calma, ok? Eu preciso de tempo.
– Ok, San. Isso é novidade para você, e não vou te pressionar, mas... Continuamos amigas, certo? – perguntou um pouco insegura.
– Claro que sim, Britt. Antes de qualquer coisa nós somos amigas.
– As melhores?
– Sim, minha loirinha. As melhores...
Brittany deu um forte abraço em Santana. Ela realmente entendia o que a amiga estava sentindo, e decidiu que dessa vez tudo seria feito da melhor maneira para que a morena não fugisse da mesma forma que Emily fez.
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Já passava da meia-noite e Santana ainda estava sentada em sua janela olhando para a lua, como se ela pudesse dar todas as respostas que precisava. Era com se de repente, todas as suas certezas tivessem ido embora. Tudo o que tinha desejado, planejado antes da mudança confundia-se com o que estava sentindo agora.
Santana é o tipo de pessoa que nunca deixa de fazer algo por medo do que os outros vão pensar. Mas agora, não era só o que as pessoas do colégio iam pensar ou dizer, isso também envolvia seus pais, e os mesmos nunca deram demonstrações de que aceitavam, ou não, relacionamentos homossexuais.
A garota estava perdida em seus pensamentos quando ouviu o celular apitar. Saiu da janela e foi em direção à cama, local onde o aparelho estava depositado. Era uma mensagem de Brittany.
Eu sei o que você está sentindo, mas... É melhor ir dormir heim. –B
Como você sabe que eu estou acordada? –S
Eu consigo te ver, esqueceu? =) –B
Santana sorriu. A janela do quarto delas era uma de frente para a outra.
Está me espionando é loirinha? –S
Não. Mas levantei para beber água e te vi, olhando para a lua. –B
Ok. Eu só estava pensando... Perdi sono. –S
=( Volta para a janela. –B
A latina assustou-se ao chegar a sua janela e encontrar Brittany lá, em pé no pequeno espaço, sorrindo (na verdade, as janelas das garotas eram pequenas sacadas).
– Como você conseguiu chegar aqui?
– Nossa sacada nem é tão longe uma da outra – Britt sorria com a pequena travessura – Foi só dar o impulso necessário e pular.
– Você é doida, BrittBritt. É perigoso.
– Pode até ser, mas eu tinha que vir pôr você para dormir. – Santana a olhou confusa – Você me disse que tinha ficado sem sono, mas precisa descansar, ou vai acordar com olheiras maiores que as de um panda.
Santana ainda estava parada próxima à sacada vendo e ouvindo uma Brittany sorridente sentar em sua cama, e a chamar para que deitasse. Não pode deixar de sorrir do gesto carinhoso da amiga.
Deitou-se e imediatamente Britt começou a lhe fazer cafuné. Em poucos minutos Santana já dormia tranquilamente, pensando que aquele sentimento que começava a surgir em seu peito de forma alguma poderia ser algo ruim ou errado.
Notas finais
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