Oh, Dammit! [A SER REESCRITA]

13 Você não pode me controlar.


Notas iniciais
Sei que querem me matar pela demora ( 3 fucking meses é muito tempo para não postar), mas eu tenho meus motivos e explicarei resumidamente. 1- Um puuuta bloqueio criativo e quando eu o tenho, não posso forçar, senão fica uma bela bosta. 2- A puuuta do meu irmão apagou metade do capítulo que eu tinha escrito. Ai eu fiquei puta e deixei pra lá por um tempinho. 3- Quando eu voltei a escrever, um pedaço que eu tinha escrito simplesmente sumiu! Mesmo eu tendo salvo está merda. Mas ai depois eu achei e tudo fluiu. 4- Ia terminar e postar na quinta, mas fiquei com sono e tive festa na sexta, passei mal o sábado inteiro e domingo fui ao Anime Festival com meu namorado. Enfim, vocês podem me matar, mas ai não saberão a continuação da fic :v Espero que gostem do yurizinho básico haha Quero compartilhar com vocês que EU PASSEI NA PORRA DA FACULDADE! UEMG 2015! CHUPA ENEM! Kissu Kissu ~Marceline

Capítulo 13: Você não pode me controlar.

America

Saco.

Essa palavra resumia bem a minha situação antes de Bianca e Nico chegarem a minha casa.

Tudo era tão monótono e chato que nem a viagem que fizemos na escola de freiras, a qual eu estudava, tinha me animado um pouco. Mesmo sendo para visitar uma Igreja antiga e chata, eu gostava de viajar com as meninas, mas aquela viagem não tinha me animado nem um pouco.

Então recebo a notícia que meu pai casará novamente e que teria que dividir o teto com mais três pessoas e duas delas seriam meus meio-irmãos. Não que eu não tinha gostado tanto da ideia, mas Percy e Tyson já eram o suficiente para me tirar do sério, mais duas pessoas não me deixava mais a vontade.

Claro que eu não tinha muito o que reclamar. Sempre quis que meu pai arrumasse alguém depois que a mamãe foi embora, mas também não era algo que eu aceitava completamente. Poderia respeitar e tudo mais e não faria nada para que Maria fosse sair correndo de casa por meu pai ter filhos malucos.

Mas conhecendo Nico e Bianca melhor, vi que esse seria o último motivo para que Maria deixasse meu pai, pois os dois di Angelo eram tão loucos quanto eu e meus irmãos. Não tinha o que reclamar e tentava ser simpática com os dois, por mais que não seja muito do meu feitio me relacionar amigavelmente com as pessoas. Na maior parte do tempo não me importava com elas ou o que elas pensariam de mim.

– Ei, Mare – uma voz feminina conhecida me tirou de meus devaneios – Estão querendo um pouquinho da sua diversão no segundo ano.

Olhei para a garota de cabelos castanhos enrolados até o ombro e dei uma tragada no cigarro que eu fumava antes de perguntar qual das “diversões” as garotas queriam. Os olhos verdes dela me encaravam como se tivesse sendo intimidada e prestes a se encolher no chão para apanhar ou cair de joelhos e pedir por piedade.

– A verdinha. – disse ela com receio de falar o que realmente era.

– Muito bem, Christine, me leve até elas. – eu disse levantando do sofá da sala proibida e seguindo a garota.

Apesar de muitos acharem, Christine não era minha amiga. Passávamos a maior parte do tempo juntas, mas era apenas para ela desfrutar da minha companhia por ser muito tímida e eu, de certa forma, “aceitar” as pessoas sejam elas como forem. Para mim ela era apenas uma informante do que as meninas do colégio queriam. Eu gostava mais de ficar sozinha, mas também não ligava em ter pessoas por perto, com tanto que elas não achem que eu me importava, estava tudo bem.

Em todos os meus 16 anos, eu tive amigos que podem ser contados nos dedos de apenas uma mão. Mas depois que minha melhor amiga, Emma, a única pessoa que eu confiava e conseguia me abrir, morreu, eu nunca mais me interessei em ter amigos novamente. O sentimento de perda foi tão grande que me mudou completamente, além da culpa que me corroía. Eu a amava de todas as formas possíveis e não pude dizer isso a ela antes de partir.

Caminhamos para fora da sala proibida e Christine me levou até o segundo andar da enorme construção antiga e desgastada. Era hora do almoço e eu sempre dava um jeito de escapar de qualquer coisa que se relacionava a rezar ou religião, já que era ateia. Meu pai achou que me colocando em um colégio de freira, eu iria tomar jeito e ser uma moça mais correta e religiosa, mas me colocando lá, resultou do processo reverso.

– Muito bem, garotas. – eu disse chegando perto de um grupinho com um sorriso maldoso no rosto.

– América. – uma das garotas se virou para mim, animada. – Tem a maconha?

Abri mais meu sorriso. Era impressionante como todos duvidavam da minha capacidade de trazer drogas para aquele lugar.

– Mas é claro. – eu disse dando de ombros – Você sabe quanto é.

A garota entregou o dinheiro para Christine, que contou rapidamente e apenas acenou com a cabeça para dizer que estava tudo certo. Entreguei o maço de maconha para ela, que rapidamente o acendeu e deu uma boa tragada. Olhei para as outras meninas.

– E vocês? – perguntei.

Então uma delas ficou apreensiva. Uma que nunca tinha visto antes. Tinha os cabelos pretos longos, lisos e sem graça. A pele um pouco sardenta tão pálida que achei que estava doente. Ela me lembrou Bianca imediatamente, exceto pelos olhos, que era azuis bem escuros ao invés de negros. Deveria ter sido largada ali tem pouco tempo.

– Relaxa, Trina, ela sabe o que fazer. – dizia uma delas tentando acalmar a garota.

Arqueei a sobrancelha e tentei não ri. Sabia exatamente do que se tratava. Era super normal as novatas pedirem por aquilo e eu as entendo perfeitamente.

– Trina, não é? – eu disse chegando perto da menina, sorrindo. A garota apenas assentiu com receio. – Venha, não há nada a temer.

Estendi minha mão para ela segurar. Ela olhou para minha mão estendida, olhou para as meninas, que assentiram dando apoio e olhou para mim novamente, colocando sua mão macia sobre a minha. Meu sorriso se alargou e eu a levei para a sala proibida.

A sala proibida ficava no primeiro andar e era um local que ninguém entrava, pois diziam que houve uma menina que fora possuída e tiveram que exorcizá-la ali mesmo. Desde então eles trancaram a sala, não deixando ninguém sequer chegar perto direito. Mas assim que eu soube dessa história, tratei de roubar a chave da diretora para fazer uma cópia. Claro que não acreditava naquela baboseira toda e podendo ter um local onde poderia, tranquilamente, ficar na minha naquele lugar de merda, com certeza eu faria de tudo para tornar aquela sala minha.

– Mas essa não é a sala proibida? – perguntou a garota incrédula. – Você não vai entrar ai, vai?

– Você confia em mim? – perguntei lhe lançando um olhar e sorriso peculiares. As pessoas tinha essa estranha tendência de confiarem em mim rapidamente. Era como se minha aura transmitisse confiança aos outros.

Ela apenas assentiu de maneira hipnotizada e eu a puxei para dentro, tendo o cuidado de trancar a porta.

– Fique a vontade – eu disse sorrindo e me jogando no sofá. – Sente-se aqui.

Dei alguns tapinhas no sofá e ela veio até mim de maneira receosa. Sentou-se ao meu lado e fazia de tudo para não me encarar nos olhos.

– Muito bem, Trina – eu disse chegando mais perto e pousando a mão em sua perna. – O que posso fazer por você?

– Sabe... – ela engoliu em seco, encarando minha mão em sua perna e desviando o olhar, corada – É que as... As meninas falaram que você... Bem, que eu vou... E você...

– Que eu... – tentei incentivá-la. Era óbvio que eu já sabia o que era, mas era sempre engraçado ver as garotas envergonhadas.

– Bem, eu estou aqui há duas semanas e as meninas falaram que você... Bem, que você é muito... Ah... Muito boa em certas coisas... – ela ficava cada vez mais vermelha e enrolada com as palavras. Eu me divertia com isso, confesso, mas não tinha todo tempo do mundo.

Então colei meus lábios aos dela. De início ela ficou completamente espantada e sem saber como reagir. Seus lábios estavam rígidos sob os meus, o que era natural quando se beijava pela primeira vez uma pessoa do mesmo sexo. Segurei-a pelo pescoço, acariciando sua nuca para que ela pudesse relaxar. Fazia carinho em sua perna com a outra mão e esse conjunto de coisas a deixou menos tensa com o passar dos segundos. Todas ficavam.

Eu achava totalmente divertido fazer isso. As meninas sempre ficavam apreensivas e tímidas e eu adorava fazer os outros passarem vergonha, nem que seja minimamente. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia que estava traindo Emma de alguma forma. Ela sempre voltava aos meus pensamentos quando eu estava beijando qualquer outra pessoa.

Mas eu sempre tentava afastá-la de meus pensamentos. Ela tinha morrido, a culpa era minha e eu não tinha nada de especial para trazê-la de volta. Sem contar que, Emma estaria melhor em outro lugar do que ao meu lado.

A garota ainda estava um pouco rígida, mas logo que minha língua adentrou sua boca, ela relaxou quase que imediatamente, correspondendo ao beijo da mesma forma calma que eu. Era sempre assim. As meninas que foram mandadas para cá, quase não tinham experiências desse tipo, então eu me dispunha para agradá-las nesse quesito. Até porque, ninguém quer morrer sem ao menos dar um beijo na boca.

O beijo não durou muito tempo, pois o sinal tocou assim que eu me separei dela para que ela pudesse respirar. Seu rosto estava escondido sob seu cabelo comprido, mas eu sabia que ela estava vermelha e morrendo de vergonha. Demorou alguns segundos para ela se recompor, mas assim que o fez, saiu correndo da sala, esbarrando levemente na garota que entrava.

Christine olhou rapidamente para a menina que acabara de sair com um olhar analítico. Ela carregava minha mochila em mãos e logo olhou para mim, dizendo que tínhamos aula de religião naquele horário.

– Dessa vez eu vou. – eu disse levantando do sofá e pegando a mochila de sua mão.

Se Deus realmente existisse, ele atenderia meu pedido de cuidar bem de Emma.

[…]

Cheguei em casa no horário de sempre, às 18h. Meu pai pagava uma taxa a mais para que eu não tivesse que ser “internada” no colégio de freiras, mas mesmo assim tinha que frequentar os horários integrais. De qualquer forma, seria um inferno ter que morar naquele colégio, então seria eternamente grata ao meu pai.

Passei por Mellie e Tyson que estava na sala estudando, os cumprimentando com um breve aceno de cabeça quando eles me olharam. Subi as escadas rapidamente e fui direto para meu quarto, esperando ver Bianca lá.

Depois de ter mentido para Maria para encobrir o pequeno problema de Bianca, ela estava completamente estranha comigo. Não olhava na minha cara e de mais ninguém, parecendo que estava escondendo algo de todos e até mesmo de si mesma.

Mas eu sabia exatamente o que era. Eu tinha o sono muito leve, então não foi difícil para mim acordar com os gemidos que vinham do quarto ao lado. Levantei-me sorrateiramente e espiei o quarto em que a porta estava entreaberta. E foi assim que eu vi o Nico, aparentemente bêbado, transando com Bianca no chão da sala dos jogos, sem amor, sem compaixão, sem camisinha, sem nada.

Eu tentava, de todas as formas, conversar com ela, mas ela sempre se esquivava de mim e quase não ficava no meu quarto, já que o seu ainda estava em reforma. Ela estava arrasada e parecia um zumbi a meu ver. As únicas vezes que a via, era quando íamos dormir ou quando ela estava abraçada ao meu vaso, vomitando.

Eu geralmente não ligaria para isso, sou a favor do caos e que ele deve ser disseminado, porém, com Bianca, eu tinha uma sensação estranha de querer protegê-la a todo custo. Eu sentia que ela precisava da minha proteção, assim como Emma precisou quando estávamos naquele carro. E eu queria protegê-la, esse era o mais estranho.

Abri a porta do meu quarto e o encontrei vazio. Bianca deveria estar lá, sentada em seu colchão lendo um livro ou fazendo sua tarefa de casa como todo dia quando eu chegava. Larguei minha mochila em cima da cama e analisei meu quarto rapidamente, reparando que a porta do banheiro estava fechada, coisa que eu raramente deixo.

Cheguei perto da porta e bati levemente, mas ninguém respondeu. Tentei abrir a porta, mas ela estava trancada.

– Bianca, abra a porta! – eu disse batendo mais forte, mas nada. Nenhum barulho ou ruído vinha do banheiro, era como se não tivesse ninguém lá.

Respirei fundo e soltei o ar impaciente. Peguei um grampo que estava na minha cômoda e comecei a futucar a fechadura da porta com ele até abrir. Aprendi muitas coisas em minhas andanças na rua de madrugada.

Assim que a porta abriu, deparei-me com o cômodo todo escuro, mas dava para ver a bagunça que estava nele. E essa bagunça comprovava todas as minhas teorias.

Vários exames de gravidez estavam espalhados pela pia e chão, assim como suas caixas. Peguei um deles que estava perto da porta e o cheguei bem perto dos meus olhos para ver que o resultado estava dando positivo. Analisei mais três deles e davam o mesmo resultado.

Então caminhei até um ser que estava totalmente encolhido em um canto do banheiro. Suas pernas estava dobradas contra seu tronco e seu rosto estava enfiado em seus braços cruzados, apoiados nos joelhos. O cabelo longo e preto caiam em volta de seu corpo, como se fosse uma cortina.

Sentei-me ao lado de Bianca e a puxei de encontro ao meu corpo. Ela não emitia nenhum ruído ou som, parecia que estava estática demais com a notícia para chorar.

– Sai daqui agora! – ela disse tentando me empurrar, mas forcei seu corpo novamente contra o meu.

– Você está no meu banheiro, eu que deveria te expulsar daqui. – eu disse de maneira calma.

– Então porque não me expulsa? – ela disse com desdém, a voz levemente embargada.

– Porque eu sei que você precisa de mim.

Eu conseguia sentir o sofrimento dela de todos os jeitos. Bianca sempre fora um livro aberto para mim, mas dessa vez, sua angustia, sofrimento e medo eram quase palpáveis. E o sentimento de querer protegê-la só aumentava mais e mais. Eu iria protegê-la, assim como eu queria proteger Emma.

– Você não sabe o que está acontecendo! – ela disse com raiva, ainda tentando se separar de mim. – Você nunca entenderia! Eu me sinto suja e...

– Eu sei muito bem o que está acontecendo. – eu disse a apertando mais, o chão gelado sob minhas pernas estava me incomodando, mas não ia sair dali. – E você não é suja por ter feito o que fez. Seu cérebro não manda em quem você vai se apaixonar. Se fosse assim, a vida seria perfeita, não?

Então senti minha blusa ser molhada onde seu rosto estava. Ela começou a chorar de maneira silenciosa, mas eu sabia que ela queria gritar. Seu choro, por mais silencioso que fosse, era agoniante e eu comecei a me sentir mal por ela. Realmente não seria fácil para Bia lidar com essa situação toda, mas eu estava disposta a ajudá-la.

Dessa vez deixei-a sair do meu aperto para que ela me olhasse. Era engraçado, pois Bianca era uns bons centímetros mais alta que eu. Ela me olhou com os olhos castanhos totalmente vermelhos e molhados. Tentei lhe dar um sorriso acolhedor, mas falhei miseravelmente. Eu não era boa para consolar as pessoas, muito menos dar conselhos, mas eu tentava. E tentaria ainda mais por ela.

– Como você... – ela começou, mas eu a interrompi.

– Eu tenho o sono muito leve... Escutei vocês dois. Olha, Bia, não há problema algum em se apaixonar pelo próprio irmão.

Ela franziu o cenho e se não tivéssemos em uma situação séria, eu até apertaria suas bochechas. As lágrimas ainda caiam, mas com menos desespero.

– Você já se apaixonou por Percy ou Tyson? – ela perguntou com um tom de esperança na voz.

Mas eu não podia mentir para ela.

– Na verdade não. Mas pensa, existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo. Ainda acha que é a única a ter sentimentos desse tipo pelo irmão?

Ela parou e pensou um pouco, como se considerasse a ideia. Então ela assentiu levemente com a cabeça para logo encostá-la em meu peito novamente.

– Você não me acha nojenta por causa disso? – ela perguntou de maneira vazia. Aquilo estava me afetando estranhamente que eu não sabia direito o que fazer.

– Quem sou eu para julgar os outros pelos seus atos? – disse da mesma forma vazia que ela. Senti que ela respirou fundo e prendeu a respiração por uns segundos, para depois soltar o ar em um suspiro que julguei ser de alívio.

O silêncio caiu sobre nós e eu achei melhor deixar assim. Não tinha palavra confortadoras para dizer a ela. Não tinha nem ideia de como proceder corretamente diante desse caos. A única coisa que eu podia fazer era abraçá-la em silêncio, porque eu sabia que falar um “vai ficar tudo bem” seria uma mentira. Não, não ia ficar nada bem.

– Eu vou protegê-la. Vou ajudá-la de todas as formas que eu conseguir... – eu sussurrava, mas depois de uns segundos percebi que ela caíra no sono.

Beijei sua cabeça, sentindo o delicioso cheiro de shampoo de blueberry, e encostei-me na parede. Fiquei ali, com ela em meus braços e acariciando seus cabelos, pensando no que eu poderia fazer por ela e pelo bebê.

Sabia que ela me mataria por isso, mas eu tinha que fazer.

[…]

Uma coisa que eu tinha certeza era que ela não confiava em mim, nem mesmo quando eu usava um tom mais reconfortante, que funcionava com todas as meninas do colégio. Era engraçado e me intrigava como ela era resistente a mim e as minhas investidas.

Porém, as semanas foram se passando e Bianca começou a se abrir mais comigo. Ela e Nico já estavam em seus respectivos quartos e as vezes eu ficava em seu quarto até ela dormir. As coisas estavam mudando vagarosamente com o passar dos dias. Eu já não tinha muita vontade de ficar com as meninas do colégio nem com os caras que eu encontrava em minhas saídas as escondidas.

Eu acabei me acostumando com Bianca. Conversávamos coisas sem nexo e engraçadas, dando-me a oportunidade de ver que, as vezes, eu conseguia fazer com que ela esquecesse seus problemas. Ela não conseguia esconder o que sentia, então ver o sorriso e a risada, mostrava para mim mesma que eu podia ser uma boa pessoa.

Ela tinha me tornado mais... Humana.

Não podia negar que as coisas entre a gente eram boas, mas a sensação de traição ainda persistia, mesmo eu não pensando tanto em Emma quanto antes. E aquilo estava mexendo comigo de um jeito um tanto agoniante. Eu queria ficar perto de Bianca, mas sabia que ela poderia ter o mesmo fim de Emma. Não queria me apegar, porém, minha consciência dizia que já era tarde demais.

Bianca não tinha nenhum quesito que me chamasse atenção fisicamente. Quase tudo nela era sem graça e simples, entretanto, seu olhar parecia que conseguia sugar sua alma, assim como o de Nico. Mas ela conseguia prender minha atenção com sua personalidade meio fechada, mas ao mesmo tempo transparente, e seu sorriso branco.

Nos aproximamos bastante, tanto que eu mentia para a mãe dela frequentemente que ela estava bem e que só tinha passado mal uma vez. Eu encobria todas as idas dela ao banheiro para vomitar por conta do enjoo de gravidez. Nós tínhamos que esconder aquela situação de sua mãe a todo custo.

Ela me implorou para que eu não contasse nada a ninguém, nem mesmo ao Nico. Eu fiquei tão em duvida que acabei prometendo a ela que não contaria a ninguém e que a ajudaria em tudo.

Com toda essa situação, eu tinha esquecido completamente que Maria tinha me pedido ajuda para organizar a despedida de solteiro dela. Ela queria fazer algo relacionado a um chá e bolo com as amigas dela, mas eu de cara falei que não deixaria ela fazer uma coisa dessas.

– Maria, eu organizo tudo. Não se preocupe com nada...– eu disse com um sorriso e me virei para fazer minhas ligações. – Só espero que não me mate... – sussurrei para mim mesma com um sorriso malicioso.

Por conta do trabalho de ambos, a despedida de solteiro teria que ser uma semana antes do casamento, então lá estava eu, desperdiçando o minha linda sexta-feira para deixar tudo preparado para a despedida no sábado.

Estava em meu quarto, ligando para as últimas pessoas que precisava, quando Bianca entra em meu quarto completamente animada e empolgada com um vestido azul marinho em mão. Terminei de falar com o homem do outro lado da linha e olhei para Bia com um sorriso de canto.

– Eu ainda não acredito que você vai fazer isso na despedida da minha mãe, mas confesso que estou empolgada! – ela disse pulando na minha frente com o vestido em mãos. – O que você acha desse para amanhã?

Então ela me mostrou o vestido mais feio que eu já vi. Ele poderia ser levemente curto, mas era todo rendado, com mangas compridas e totalmente fechado no colo. Ela me olhava de maneira ansiosa e na expectativa.

Quando abri minha boca para falar algo, ela me interrompeu.

– Você acha que algum cara vai olhar para mim com ele? – ela disse animada e o que eu poderia fazer era sorrir para ela.

“Muito obrigada, Bia”, pensei. Eu não ia conseguir arrumar uma desculpa convincente e que não a magoasse se ela não tivesse falado aquilo.

– Olhar eles vão, mas eu acho que vão olhar ainda mais se você usar isso. – eu disse sorrindo me levantando da cama e indo até meu guarda-roupas.

Passei minhas roupas rapidamente até achar as duas peças que eu queria. Tirei a saia e o cropped dos seus cabides e as entreguei para Bianca, mandando ela se vestir.

Achando, na minha quase nula inocência, que ela iria ao banheiro para se trocar, ela me surpreendeu quando começou a tirar a camiseta que vestia ali mesmo na minha frente. Logo seu short foi junto e ela levou as mãos para tirar o sutiã.

Eu realmente não esperava aquilo, mas não demostrei. Apenas a observava tirando as peças, notando o quão magra e pálida ela era. Seu corpo era completamente esguio, sem pernas grossas e sem peitos fartos. Porém, era um pouco difícil tirar os olhos de sua cintura e os ossinhos do quadril levemente aparentes.

Ela vestiu a saia rodada azul marinha, alinhando um pouco abaixo da linha da cintura, deixando-a um pouco curta. Depois vestiu o cropped branco com um ziper no meio e as alças grossas cruzadas nas costas. Estava perfeito. O azul contrastava com as pele e o branco do cropped contrastava com seus cabelos pretos compridos. Um pedaço de sua barriga estava aparente, mas isso deixava tudo mais sexy e bonito.

– Está perfeita. – eu disse com um sorriso sincero.

Bianca caminhou rapidamente até meu armário, vendo seu reflexo no espelho da porta esquerda. De início ela ficou parada, mas depois virou de um lado para o outro, rodando a saia levemente. Seu sorriso era lindo e me deixava feliz vê-la com ele.

Então me ocorreu que os homens iriam ficar secando-a por conta daquela roupa. Senti-me um pouco incomodada com aquilo, pois não queria ter que me meter em confusão para salvá-la de algum cara que iria querer apenas transar com ela... De novo.

Porém, quando ela olhou para mim, seu sorriso me fez esquecer quase que completamente esse incomodo. Eu não podia impedi-la de vestir uma roupa que eu tinha sugerido por puro egoismo meu. Ela estava feliz, então eu iria cuidar dela lá, querendo ou não.

– Está bom mesmo? – ela disse chegando perto de mim. – Você realmente não se importa de eu usá-las?

– Não se preocupe, pode usar. – eu disse sorrindo e ajeitando a saia levemente torta. – Use com uma sandália de salto prateada, vai ficar bonito.

Bia assentiu animada e me deu um abraço apertado, mesmo eu estando sentada.

– Muito obrigada...– ela sussurrou em meu ouvido com a voz calma. – Você está sendo a amiga perfeita para mim.

Puxei-a para cima de mim, fazendo com que seu corpo chocasse no meu e ela risse por conta das cócegas que eu fazia em sua cintura exposta. Ela se debatia e eu sentia uma felicidade estranha me invadindo e um impulso quase incontrolável de beijá-la.

Mas esse “quase” não foi o suficiente.

Parei com as cócegas e ela olhou bem fundo nos meus olhos com um sorriso de canto, sugando todo e qualquer tipo de sanidade que ainda me restava. Tomei seus lábios esbranquiçados em um beijo lento, mas passando todos os sentimentos confusos que me rodeavam naquele momento.

Por um segundo achei que ela corresponderia ao beijo, mas assim que passei minha língua em seus lábios, ela se afastou de mim e ficou em pé tão rapidamente que demorou alguns segundos para eu perceber que ela não estava mais ao meu lado.

Sentei-me lentamente, ficando ereta e olhando para Bianca, que estava com os olhos arregalados e a mão na boca. Logo me ocorreu que ela estava enjoada por causa da gravidez, então rapidamente levantei e me direcionei a ela.

– Você quer vomitar? Está... – ela me interrompeu, se afastando de mim.

– Não... Você não... – ela sussurrava para si mesma, mas olhando para mim. Dei um passo a frente e ela um para trás – Não se aproxime.

E saiu correndo do meu quarto, batendo a porta do seu segundos depois. Fiquei parada no meio do quarto, tentando absorver o que tinha acontecido. Pensei em ir atrás dela, mas não o fiz. Ela não me queria e eu tinha estragado tudo o que construí inconscientemente com ela.

Eu não podia forçá-la a ficar comigo, ainda mais como forma de “pagamento” por eu ter ficado ao lado dela durante essas semanas. Não podia me apegar, teria que parar de me importar. E depois dessa rejeição, meu orgulho gritava para que eu largasse ela e deixasse ela se foder sozinha.

E eu iria fazer isso. Com certeza ia.



[…]

– Vamos lá, mãe! Estamos quase chegando! – disse Bianca empurrando Maria para o local de sua despedida.

A di Angelo mais velha estava com uma venda vermelha no rosto e era guiada pela filha. Eu estava um pouco a frente, ouvindo enquanto Maria reclamava sobre onde diabos nós a estávamos levando.

Apesar de não ter olhado para minha cara depois do pequeno beijo, Bianca realmente acatou minha escolha de roupas para ela e devo dizer que estava perfeita com o batom vermelho sangue e a maquiagem preta e azul.

Andei um pouco mais rápido, tocando a campainha da casa, que logo foi aberta por uma das amigas de Maria.

– Você deve ser a America. – ela disse com um sorriso simpático. – Foi muito bacana de sua parte organizar uma despedida dessas para Maria.

– Pois é... Faço o que posso. – eu disse rindo.

– Realmente me deixou empolgada, não podia deixar de oferecer minha casa. – ela disse rindo também. – Chá com bolo realmente não é uma despedida de solteira muito legal.

– Obrigada por oferecê-la, Catarina. A última coisa que eu queria era comparecer a uma despedida de solteira dessas que Maria estava planejando. Sempre quis organizar uma despedida nesse estilo. – eu disse olhando para Bianca e Maria que se aproximavam. – Todos já chegaram?

– Sim, sim! Todos mesmo... – rimos um pouco e ela sorriu maliciosa. – Escolheu o melhor lugar e jeito para isso.

– Com certeza... – disse sorrindo de maneira igualmente maliciosa.

Nisso, Bianca e Maria chegaram perto. Minha futura madrasta ainda estava reclamando enquanto Bianca tentava acalmá-la. Deixei que as duas entrassem antes que eu, dando uma piscadela para Catarina antes de entrar.

Quando entramos, quatro homens com cuecas pretas coladas e gravatas estavam esperando nossa chegada. Dois deles guiaram Maria, ainda vendada, até uma cadeira dourada com estofado vermelho. Ela ficou meio apreensiva, principalmente quando eles a ergueram do chão, segurando em projeções abaixo da cadeira.

– Meninas! O que está acontecendo? – gritou Maria lá de cima enquanto eu e Bianca acompanhávamos no chão.

– Relaxa, Maria! Está tudo bem! – gritei de volta.

Em questão de segundos, chegamos ao cômodo grande e quase vazio da mansão de Catarina, onde todas as amigas de Maria estavam sentadas em poltronas coloridas, em frente a um palco mediano que haviam montado ali.

Elas aplaudiram e gritavam o nome de Maria com empolgação. Bianca e eu sentamos nas poltronas da frente, ela estava animada demais com a despedida que pareceu que nem estava com raiva de mim. Os quatro homens a levaram para o palco e saíram de perto dela.

– Fiquei sabendo que temos uma futura noiva aqui essa noite. – disse uma voz masculina grave e divertida.

Então, um homem de calças de caubói pretas e apertadas, usando um colete de couro e um chapéu de caubói saiu de uma porta que havia perto do palco. Ele chegou perto de Maria, que estava virada para a sua plateia, e pegou sua mão, depositando um pequeno beijo ali para depois levá-la para o abdômen definido e gostoso que ele tinha.

Pude ver Maria ficar vermelha na hora e tentar tirar a mão, mas assim que ela o fez, o cara tirou a venda de seus olhos, revelando que eles estavam completamente arregalados.

– America! O que significa isso? – ela disse completamente envergonhada e foi minha deixa.

Levantei rapidamente da cadeira e subi no palco, olhando para aquelas mulheres de uns 40 e poucos anos completamente animadas.

– Sei que casar é um passo muito grande para se dar na vida. – comecei com um sorriso malicioso. – Mas não podíamos deixar de dar a Maria uma despedida de solteira digna, não é?

As mulheres gritaram e aplaudiram, deixando meu sorriso ainda maior.

– Então eu, America Jackson, como futura enteada de Maria, preparei uma despedida que não é apenas chá com bolo e um bate papo entediante. – eu disse animada, fazendo todas as mulheres rirem e Maria revirar os olhos, mas também esboçando um sorriso. – Espero que goste da despedida e de fazer parte da minha família.

Com essas palavras, todos aplaudiram intensamente para logo serem caladas por uma música com a melodia bem sexy. O homem vestido de caubói começou a rebolar na frente de Maria enquanto ela ainda se mantinha meio abismada com tudo aquilo.

Eu podia jurar que aquele cara rebolava mais do que eu.

Ele a pegava pelas mãos e fazia com que ela passasse-as por todo seu corpo forte e definido, parando brevemente no quadril para que ela acompanhasse seus movimentos.

– Uhuuuuuu! – gritaram as mulheres.

Então ele se virou e começou a rebolar , incentivando para que ela desse um tapa em sua bunda. Não pude me conter, comecei a rir como nunca tinha feito a muito tempo. Bianca ao meu lado parecia se divertir igualmente, rindo das caras e bocas que a mãe fazia.

– Vai lá, mãe! – incentivou.

– Até você, Bia? – ela perguntou descrente.

Fechou os olhos e deu um tapa na bunda do cara que fez um estalo audível. Mais aplausos e gritos vieram da plateia. Ele riu e tirou o chapéu, colocando na cabeça de Maria e saindo logo em seguida. Dessa vez, os quatro homens que a levaram até ali entraram, um levantou Maria pela mão enquanto os outros três arrastavam a cadeira para o final do palco.

Um dos três voltou, enquanto os outros dois desciam até a plateia e pegavam Bianca pela mão.

– Você é a filha, certo? – um deles perguntou com um sorriso galanteador.

Meu corpo ficou levemente rígido quando vi que Bianca estava completamente embasbacada com a beleza do cara. Não era para menos, ele era uma versão mais velha e bem mais gostosa e morena de Nico, incluindo as tatuagens.

“Foda-se ela, lembra?”, pensei.

– Sim, eu mesma... – ela disse sem quebrar o contato visual.

– Então venha se divertir com sua mãe. – ele disse puxando-a pela mão.

Ela olhou para mim antes de levantar e tudo o que eu podia fazer era sorrir para encorajá-la a acompanhar o cara. Bianca assentiu e foi com os dois homens para cima do palco.

Então a música mudou e eles começaram a dançar grudados nas duas, fazendo-as de recheio. Eu me controlava para não rir da cara de Maria, mas não consegui. Olhei para Bia e vi que ela estava se divertindo, passando a mão no corpo do moreno tatuado enquanto rebolava com a bunda quase colada no loiro atrás.

Depois de alguns segundos de música, Maria se soltou e começou a rebolar com a filha, enquanto os homens faziam uma meia lua em volta delas, dançando também.

Quando a música acabou, o moreno levou Bianca até seu lugar, dando um beijo em sua mão de despedida e uma piscadela sexy. Vi que ela derreteu com aquilo e não a culpava. Ele saiu de perto, juntando-se aos outros homens perto da porta e entrando logo em seguida.

A música mudou e com ela, um cara vestido de policial apareceu trazendo uma cadeira e um par de algemas. Ele sentou Maria na cadeira de ferro simples e prendeu suas mãos nos pés do objeto.

– Meu Deus, America! – ela me repreendeu, mas dava para ver que o sermão não seria tão grande depois. Ela estava se divertindo.

Ele caminhou lentamente até o final do palco, pegando uma garrafa de tequila e um limão com um dos caras na porta. Voltando para perto de Maria, ele começou a rebolar conforme a música e pediu para que ela abrisse a boca. Ela negou de cara, mas os gritos das amigas a incentivaram a jogar a cabeça para trás e abrir a boca.

O cara chegou mais perto, rebolando em seu colo, e virou um pouco do conteúdo alcoólico na boca de minha madrasta. Ela fechou a boca, engolindo o líquido, e ele sacudiu sua cabeça rapidamente. Colocou o limão na boca de Maria para que ela desse uma chupada rapidamente.

– Como acho que você vai negar uma coisinha bem divertida, vamos chamar ao palco e organizadora desse evento.

Meus olhos arregalaram um pouco antes de ser puxada por um loiro e encaminhada para o palco. Realmente eles tinham me pegado de surpresa nessa.

– Está pronta, Mare? – ele perguntou com um sorriso malicioso.

– Ela é menor de idade... – disse Maria e eu a olhei rindo.

– Se você deixar, posso considerar isso um agradecimento pela despedida. – propus com um sorriso malvado no rosto e uma sobrancelha arqueada.

Maria revirou os olhos e abanou a mão para que continuássemos.

– Gostaria que me ajudasse com essas roupas. – ele disse chegando perto de mim e me puxando pelo quadril.

Logo abri um sorriso sarcástico e malicioso. Comecei a desabotoar sua camisa enquanto ele rebolava e me conduzia com as mãos. Estava achando tudo aquilo muito divertido e excitante. Suas mãos eram grandes e eu tentava acompanhar seus movimentos, tentando ignorar o meu vestido curto e colado que subia levemente.

Terminei de tirar sua camisa e a joguei na plateia, vendo que Bianca estava com uma cara totalmente fechada e parecia não querer olhar para nós. Ri com aquilo. Uma demostração clara de ciúmes, o que não fazia muito sentido. Mas ignorei tudo aquilo e rebolei até o chão e voltando rapidamente.

– É assim que eu gosto. – ele sussurrou.

Ele inclinou-se um pouco e derramou a tequila em seu corpo. Logo entendi e fiz o que deveria ser feito. Comecei a lamber o líquido em seu abdômen definido, as vezes dando leves mordidas nos quadradinhos de seu tanquinho. Olhei para ele, ainda com o rosto em sua barriga, e dei uma piscadinha.

Lambi toda a tequila e rapidamente voltamos a ficar retos. Ele riu para mim de forma gostosa e pediu para que eu abrisse a boca. Ele derramou o líquido e senti descer queimando minha garganta, mas era uma sensação gostosa e de que eu estava com saudades. Ele balançou minha cabeça assim como fez com Maria e quando parou, depositou um leve selinho em meus lábios.

– Adoraria conhecê-la melhor depois disso tudo. – ele sussurrou em meu ouvido enquanto as amigas da minha mãe gritavam e aplaudiram o beijo.

– Pena que não estou disponível. – sussurrei de volta, sem deixar de provocá-lo com uma mordida no lóbulo da orelha.

– Que mulher... – pode ouvir ele falando para ninguém em particular enquanto eu saia do palco.

Sentei-me ao lado de Bianca, ignorando a raivinha idiota em seus olhos. Se ela queria brincar assim, então iríamos brincar assim.

O policial libertou Maria e quando eu pensei que estava no fim, dois caras me surpreenderam quando entraram, um vestido de anjinho sexy e outro de diabinho sexy. O anjo carregava um vasilha de morangos, enquanto o outro um tubo de chantili. Essa sim ia ser a melhor parte.

– Você gosta da sua parte boazinha... – disse o cara de anjinho colocando um morango na boca de Maria.

– Ou da malvada? – completou o de diabinho colocando chantili no dedo e dando para Maria chupar.

Ela riu e aceitou a oferenda. A essa altura ela estava bem mais solta e animada. O anjinho colocava o morango na própria boca e pedia para Maria pegá-lo com a boca também, o que ela fez mesmo hesitante... Mas fez. Enquanto isso, o diabinho passava chantili no rosto de Maria e o lambia rapidamente enquanto ela ria.

Depois de alguns agrados a Maria, os dois começaram a oferecer morango e chantili para as convidadas, causando um pequeno alvoroço. Ri do desespero das mulheres e olhei para Bianca para ver se ela iria entrar no desespero. Porém, surpreendi-me quando ela estava olhando para o nada com uma expressão beirando a neutralidade.

– Ei, Bianca! – chamei um pouco alto por conta da música, mas ela nem sequer me olhou. – Estou falando com você.

Nada. Revirei os olhos e decidi deixar para lá. Vi Maria sentar ao lado da filha toda animada, então era realmente melhor deixar para lá por enquanto.

Depois de uns poucos minutos, vi os dois homens indo para o palco e os outros que participaram da apresentação também, todos os outros vestindo uma calça social e uma gravata.

– Agradecemos a preferência então fiquem com esse show final! – disse um deles.

Então começou a tocar um mix de músicas e os caras começaram a dançar de maneira sexy e provocadora. As mulheres aplaudiam, gritavam coisas como “lindos” ou “gostosos” e até um “vem pra minha cama essa noite!”. Eu apenas ria da reação delas e ficava olhando os caras com um sorriso malicioso.

O homem que deu em cima de mim, me mandou uma piscadinha e eu ri, colocando os dois primeiros dedos na boca. Seu sorriso logo aumentou quando eu fiz esse gesto, mas se desfez na mesma velocidade quando tirei o dedo indicador para depois tirar o dedo do meio, mostrando-o com uma expressão de desdém.

Tinha que confessar que aquilo era extremamente divertido.

[…]

As apresentações tinham acabado e todas as mulheres estavam na sala. Algumas conversavam, as que eram casadas, enquanto outras, as solteiras, estavam correndo atrás de um ou dois homens tentando lhes arrancar as calças.

Eu estava na varanda, com os antebraços apoiados no parapeito e com um copo de whiskey na mão, controlando a vontade de pegar um cigarro. Não podia fazer isso, Maria me mataria e contaria para meu pai, estaria ferrada se isso acontecesse.

Já era fim de tarde, o céu estava em um tom rosa alaranjado e dava para ver perfeitamente o sol pondo-se no horizonte. Era bonito, tinha que admitir, mas não via tanta graça em ver o por do sol. Era simplesmente... Supérfluo.

Tomei um gole do whiskey e lembrei-me imediatamente da minha decisão, precisaria estar em casa antes do anoitecer. Não seria nada bom para minha relação com Bianca, mas como já tinha botado tudo a perder, estava pouco me fudendo para isso.

Soltei um suspiro e tomei mais um gole, constatando que era hora de pegar mais. Não tinha acabado ainda, mas ainda sim eu precisava de mais. Voltei minha atenção para a porta quando vi Bianca parada lá, de braços cruzados e me olhando de maneira estranha.

– Você não pode beber. – ela disse entrando na varanda, ficando a uns três passos de mim.

Apoiei minhas costas e cotovelos no parapeito e sorri.

– E você não pode me impedir.

Ela revirou os olhos. Aquele gesto podia ser simples, mas eu achava uma das coisas mais fofas que Bianca fazia. Seu ar de impaciência, raiva e irritação também faziam com que eu a achasse mais fofa e frágil.

– Me dê isso. – ela disse estendendo a mão para que eu pudesse colocar o copo em sua mão.

– Me obrigue. – eu disse inclinando meu corpo para perto dela e sorrindo de maneira sarcástica.

– Eu odeio esse seu sorriso. – ela resmungou e eu voltei a encostar-me no parapeito, rindo.

– E eu amo essa sua expressão irritadinha. – dei de ombros tomando mais um gole.

Bianca se revoltou e foi para cima de mim, mas ela acabou tropeçando no salto. Teríamos tomado um banho de whiskey se eu não fosse rápida o suficiente para chegar para o lado, fazendo Bianca colidir seu toráx com o parapeito. A pancada pareceu ter sido forte, pois ela gemeu de dor e pareceu perder o ar por alguns instantes, caindo de joelhos no chão. Seus olhos estavam arregalados e seu corpo levemente curvado.

– Você não pode me controlar. – sussurrei após inclinar meu corpo até a altura de sua orelha.

– E-eu... – ela disse com dificuldade – Eu odeio você.

– E eu odeio o mundo. Todo mundo ganha, certo? – disse em sarcasmo.

Ela balançou a cabeça minimamente e curvou ainda mais o corpo. Revirei os olhos e me preparei para sair dali quando escutei um som de alguém vomitando.

“Ah não... Agora não, por favor”, pensei antes de me virar e constatar que ela tinha vomitado.

– Puta que pariu... – sussurrei chegando perto dela e sentando ao seu lado. Bianca esboçou um sorriso fraco ao olhar para mim.

– Onde está o seu “eu odeio o mundo”, agora? – ela disse. Eu podia sentir o sarcasmo em sua voz, mesmo ela estando passando mal.

E eu definitivamente me odiei por ajudá-la naquele momento.

E me odiei mais ainda por me importar.

Notas finais
Para que leu as one-shots da Série In Case of Fire, não ficou tão bom quanto aquela divindade, tentei ao máximo não copiar (a minha ideia da despedida já era essa antes mesmo de ler a fic)... Então se contentem com isso hehe Vou ver se consigo digitar o próximo capítulo nas próximas duas ou três semanas (pretendo postar antes das minhas aulas começarem) Spoiler capítulo 14: É LEMON PORRA *-* Até a próxima seus noias :3 Não esqueçam dos reviews (responderei ao longo da semana :v) Kissu Kissu ~Marceline