Notas iniciais
Well, darlings... Eu sei que estou sumida, mas eu tenho meus motivos! Entrei na faculdade e ela estava um pouco foda, sem contar que estava muito concentrada no desafio literário que eu estou fazendo esse ano, então eu lia e lia, livro após livro freneticamente. Além da falta de criatividade e probleminhas para colocar no pc o que tava na minha cabeça. E a boa e velha preguiça... Outra coisa também é que eu estava escrevendo outras fics aleatórias que eu postarei futuramente, então não podia deixar as ideias passarem. Desculpa pela demora e pelos reviews não respondidos !

Capítulo 14: Eu te acompanho

Nico

Eu realmente devo ter feito a pior coisa do mundo para ser tão azarado. Um pacto com o diabo, talvez, porque não é possível a quantidade de coisas estranhas e sem nexo que estão acontecendo comigo e ao meu redor.

Não me dou muito bem com mudanças, então isso tudo pelo o que eu estou passando está sendo um transtorno para mim. Como é possível as coisas mudarem tão drasticamente em questão de semanas? Se bobear, dias. E ainda mais... Porque comigo? Não podia ser com qualquer outro ser humano da face da Terra? Tinha que ser justamente com a minha pessoa?

Minha mãe fez algum pacto antes de eu nascer, tenho certeza.

Já não sei mais de nada sobre a minha vida e tudo o que acontece em volta dela. Sempre achei que sabia tudo de todo mundo ou que tinha uma vida decidida e completamente normal, mas bastou uma coisinha mudar para tudo sair da linha. E eu odeio ter que conviver com isso.

E para completar toda a minha desgraça, venho tendo sonhos estranhos que parecem extremamente com lembranças, coisas que eu havia vivido, mas que por alguma razão eu não me lembrava. Sempre eu estava na presença de um garoto alguns centímetros maior que eu, com os olhos verdes cheios de vida. Sentia-me bem perto do garoto e ele parecia se divertir comigo também. Porém, no final de todos os sonhos, tudo ficava escuro e eu tinha a sensação de ter perdido alguma coisa muito importante.

Isso já estava me incomodando, mas resolvi deixar para lá por conta de todas as coisas importantes que estão acontecendo na minha vida, como os milhões de trabalhos que os professores estão passando, os treinos super pesados todos os dias que a Reyna tem passado e o casamento da minha mãe que está cada vez mais próximo.

E mesmo assim, com isso tudo, eu continuo ocupando minha mente com Jason e sua fofura extrema comigo, com Percy e seu pequeno grande desespero de ficar perto de mim e me afastar de Jason; e a cena que eu presenciei no último treino do clube, o qual vi Percy pagando boquete para o Luke.

Eu queria dizer que achei aquilo repulsivo, nojento e completamente errado, porém, eu só conseguia ficar surpreso pelo fato do Luke ser primo da Annabeth e Annabeth ser namorada do Percy. O ato em si não me fez sentir nada... Talvez uma leve excitação, mas não que venha ao caso agora. Realmente estava surpreso com o Percy.

Respirei fundo mais uma vez e bufei. Estudar o corpo humano naquele momento para uma maldita prova na semana que vem não estava me ajudando em nada esquecer tudo o que estava passando comigo, ainda mais que tinha um pênis estampado no livro de biologia.

Fechei o livro e desabei na mesa. Aquelas merdas todas estavam fudendo o meu rendimento nos estudos e no basquete. E o pior, eu iria ficar mal assim até que minha vida se estabilizar, porém eu teria que resolver isso tudo para que isso acontecesse. Mas o maior problema mesmo era: são assuntos que eu sei que eu não vou resolver sozinho. Depende de outras pessoas também para que sejam resolvidas.

Eu poderia tacar o foda-se e deixar por isso mesmo como a Thalia faz com quase tudo, mas sabia que eu não conseguiria tal coisa.

Passei meus olhos pelo meu quarto, procurando algo que pudesse distrair minha mente. Já tinha terminado o trabalho para entregar amanhã, tinha finalizado a maioria dos estudos para as provas na semana que vem e tinha terminado de ajudar Poseidon a enviar os convites para a despedida de solteiro de amanhã. Realmente não tinha nada para fazer além de treinar para o primeiro jogo do Intercolegial no sábado.

Reyna tinha falado que jogaríamos em cinco finais de semana consecutivos, tendo jogos nos dois dias, sábado e domingo. Então estaríamos viajando bastante nesses dias, ainda bem que as viajens não eram muito longas.

Com o pensamento de querer me aprimorar mais, coloquei uma camisa qualquer do meu antigo colégio, calcei meus tênis de basquete vermelhos, coloquei minhas munhequeiras e peguei minha bola que estava jogada em algum canto do meu quarto. Peguei meu celular e meus fones, colocando em uma música qualquer enquanto saia do quarto.

Abri a porta e a atravessei, porém bati com tudo em alguém que estava parado em frente a ela. Dei um passo para trás com os olhos fechados e os abri rapidamente para olhar em quem eu havia batido.

– Desculpe-me, Nico... Eu ia bater agora mesmo – disse Jason meio sem graça com um caderno em mãos.

Olhei para ele rapidamente e suspirei. Mais uma vez, o universo conspirando contra mim.

– Não tem problema – disse dando de ombros.

Ele me avaliou rapidamente e pousou seus olhos na bola.

– Estava indo jogar? – perguntou e eu revirei os olhos.

– Ah não... A bola estava meio entediada, ai resolvi levá-la para passear. – disse sarcástico e ele riu.

– Entendi... – disse vendo que tinha realmente feito uma pergunta idiota. – Você terminou o trabalho de história?

Encarei Jason com os olhos semicerrados. Alguém pode dar um soco na cara dele, por favor?

– Jason, eu não faço história... – eu disse tentando não parecer grosseiro.

Ele pareceu pensar um pouco e falou um sonoro “aaaah, é mesmo.”

– Você por um acaso presta atenção nas aulas? – perguntei estranhando.

– Apenas algumas... Geralmente durmo nas aulas de história, não faço ideia de quem faz essa matéria comigo. – ele disse rindo sem graça. Típico.

– Thalia faz história. – eu disse.

– É, só sei dela mesmo – ele riu – Mas eu não vim para isso...

– E espero que não tenha vindo para me agarrar também – eu disse meio sem pensar e logo me arrependi. Como eu sou estúpido.

Jason me avaliou novamente e sorriu malicioso.

– Realmente não vim para isso, mas se você quiser...

– Não, obrigado. – o cortei rapidamente – O que você realmente quer?

Ele pareceu meio decepcionado. Como se meu querer fosse fazer diferença para ele.

– Você é bom em matemática?

– De certa forma... Quer ajuda no trabalho de amanhã? — perguntei.

– Sim, eu refiz o exercício mil vezes e não consigo achar o que está errado.

Apenas assenti e indiquei com a cabeça para ele entrar. Deixei a bola em qualquer lugar e sentei em minha cadeira, falando para Jason sentar-se na cama e que ele me entregasse seu caderno. Ele o fez sem objeções e eu analisei as contas sobre função logarítmica que estavam na folha.

– Jason, aqui não é um 5, é um 6. – eu disse lhe indicando onde havia errado. – E você confundiu o sinal de adição com o de multiplicação.

Jason teve que olhar bem perto da folha para poder ver que estava errado.

– Aaah sim. Jurava que era um 5. – ele disse.

– Você está enxergando bem? – perguntei meio preocupado.

– Algumas coisas eu tenho que chegar bem perto para ver, mas nada de alarmante. – ele disse dando de ombros e deixando seu caderno de lado. – Agora venha cá.

Então ele me puxou para cima dele e me abraçou com força. Sentir o seu perfume entrar pelas minhas narinas era inebriante e, apesar de eu já ter me acostumado com ele, não deixava de ser viciante.

– O que eu disse sobre me agarrar? – perguntei sem realmente querer me desvincilhar dele.

– Você fala como se nem estivéssemos ficando... – ele disse fazendo careta e selando seus lábios nos meus.

Pois é. Eu meio que tinha aceitado o fato de que eu me sentia bem quando Jason me beijava. E também estava seguindo o que Leo havia me dito sobre deixar as coisas rolarem e que eu iria saber o que era a coisa certa ou não a fazer. Então, meio que aceitei ficar com Jason.

Mas ainda sim eu me sentia confuso. Queria saber se eu realmente era gay ou estava apenas gostando do modo como Jason me tratava ou então apenas a adrenalina de fazer algo errado. Eu definitivamente não sabia a resposta. Ele tinha uma dualidade no seu jeito de ser que me intrigava, conseguia ser malicioso e pervertido, mas também ser bobo e inocente ao mesmo tempo. Isso era, de fato, de se impressionar. Então eu poderia estar apenas admirado com a personalidade diferente dele. Mas por enquanto, não faria mal eu ficar com ele.

Estávamos ficando fazia uns dois ou três dias, ou mais. Não sei exatamente como começou isso tudo, mas quando me dei conta, já estávamos nos pegando no banheiro da casa de Percy, nos lugares escondidos que eu levava as meninas lá no colégio e quando saiamos para treinar basquete só nós dois.

E eu não estava me importando muito. Era bom, não podia fazer nada.

Os lábios finos e macios de Jason me deixavam com uma sensação estranha no corpo, mas era uma sensação ótima, eu não podia negar. Nossas línguas entraram em contato uma com a outra, sem qualquer permissão por parte de nenhum dos dois. Era quase uma ação sincronizada entre a gente, pois sempre acontecia.

Senti o gosto de chocolate em sua língua, o que era extremamente bom, ainda mais com ela explorando todos os cantos da minha boca. Suas mãos estavam paradas na minha cintura enquanto as minhas brincaram com o cabelo de sua nuca. Meu corpo estava totalmente apoiado sobre o dele, fazendo eu sentir seu coração acelerado e uma ereção se formando entre suas pernas. Sorri malicioso contra seus lábios.

– Fica animadinho só com isso, Grace? – perguntei me afastando dele delicadamente e arqueando uma sobrancelha.

– Você me deixa animadinho com qualquer coisa – ele sussurrou me puxando de volta para um beijo.

Soltei uma risada antes que meus lábios tocassem os dele novamente. Esse beijo estava mais urgente que o outro, pois Jason começou a passar suas mãos quentes por debaixo da minha camisa, me deixando arrepiado com o toque. Porém, mesmo gostando de todas as sensações que Jason me proporcionava, resolvi parar por ali mesmo antes que a coisa ficasse mais... Excitante. Não estava exatamente pronto para dar o próximo passo, seja ele qual for.

Eu sei que havia praticamente me entregado para ele na noite em que eu finalmente ganhei meu quarto, mas eu não queria que as coisas fossem tão precipitadas como aquilo, então combinamos que iriamos devagar, ainda mais que eu não estava acostumado a ficar com outro homem. Ainda achava aquilo um pouco estranho.

– Calma, lembra? – perguntei ofegante após me separar dele novamente.

– Okay, calma... – ele disse assentindo lentamente com a cabeça, mas notei um pouco de decepção em sua voz.

Jason puxou meu corpo para que eu ficasse deitado em cima dele, com seus braços abraçando minha cintura, porém isso não aconteceu quando ele sentiu uma coisa peluda roçando em suas pernas. Ele me jogou para o lado e levantou-se rapidamente, olhando para o Sr. Bigodes com sua costumeira cara de desconfiado, fazendo-me rir.

– Ele não vai te matar, é preguiçoso demais pra isso. – eu disse me sentando na cama e fazendo carinho no Sr. Bigodes.

– Nunca confie em um gato. Eles são traiçoeiros. – Jason disse se afastando um pouco.

– Ei! Eu amo gatos, não fale assim do meu amorzinho.

– Quer dizer que vou ter que virar um gato pra você me amar? – perguntou ele fazendo graça.

– Okay, isso foi extremamente gay. – eu disse rindo.

Ele deu de ombros e deu uma risada, mas logo ficamos em silêncio, com ele me observando fazer carinho no Sr. Bigodes. Não era um silêncio constrangedor, mas também não era totalmente agradável.

– Eu queria saber... — comecei, meio hesitante – Como você... Bem, como você descobriu que garotas não faziam o seu tipo? – completei olhando para ele e vendo seu corpo ficar tenso.

– É uma história que eu prefiro não compartilhar... – ele disse sem me olhar – Sinto muito.

– Ah não, claro! Conte se sentir a vontade de comentar sobre isso.

– Obrigado, cara. – ele disse sorrindo e eu apenas assenti. – E você?

Passei meus olhos pelo teto do quarto torcendo a boca enquanto pensava nas palavras para usar naquele momento.

– Bem, você foi o primeiro cara que eu fiquei, então... Não posso dizer que tenho uma longa história sobre isso para contar. – declarei e o vi arregalar os olhos incrédulo. – Pois é, sinta-se honrado em tirar o meu BV com homens.

– Uau... Eu sempre pensei que você fosse do tipo “fico com quem eu quiser, não me importa o sexo ou a idade.”

Soltei uma gargalhada não acreditando no que tinha acabado de ouvir.

– Não acredito que você pensava isso de mim.

– Você passava essa impressão, não é minha culpa. – ele disse dando de ombros.

O silêncio recaiu sobre nós novamente, mas foi mais curto que o anterior. Eu ainda tinha muitas perguntas sem respostas na minha cabeça.

– Porque eu? — perguntei repentinamente – Digo, você passava a impressão que me odiava.

Foi a vez dele de passar os olhos pelo quarto procurando por uma respostas.

– Eu meio que... Sabe, eu sou um pouco influenciável, estou ciente disso, e Percy é uma pessoa extremamente prestigiosa... Junção tensa, não acha? Eu sempre fui muito tímido e meio introvertido, então Percy, mesmo sendo mais novo, fazia muita coisa que eu não conseguiria, como falar com Mírian para que ela fosse nossa treinadora. Então eu meio que fui levado pelo ódio que ele sente por você, como falei uma vez.

– Eu sei... Perguntei de novo porque acho que não acreditei muito no que você falou.

– Não estou mentindo... Mas acho que estou aprendendo a me desvincular um pouco do Percy, ter mais autonomia e essas coisas... E agora eu vejo o quanto isso fez mal pra mim.

Assenti com a cabeça e ele continuou a falar.

– Ainda bem que fiz isso, pois senão nunca ia saber o quão especial você é. – ele disse sorrindo para mim e eu senti minhas bochechas ficarem levemente vermelhas com sua declaração. – Mas respondendo mesmo sua pergunta... Acho que vi em você uma coisa que eu ainda não vi em nenhuma pessoa que eu conheci.

– Que seria? – perguntei curioso.

– Você não deixa que os outros te subestimem... Faz de tudo para mostrar que as pessoas estão erradas a seu respeito. É realmente difícil vez algo assim, ainda mais que somos suscetíveis a ser o que as pessoas querem. Você não deseja agradar ninguém, você quer que as pessoas te aceitem como você é e se não te aceitarem, você não se importa. Realmente admiro isso em você.

Eu estava meio estático olhando para Jason enquanto ele pronunciava aquelas palavras. Nunca ouvi ninguém falar aquilo de mim, ou melhor, nunca vi ninguém reparar tanto em mim a ponto de descrever o que eu realmente sou/sinto. Ele transmitiu confiança e convicção ao falar aquilo, então acreditei no que ele disse.

– Obrigado, eu acho... – eu disse meio sem graça.

– Não disse nada além da verdade – ele deu de ombro e levantou-se da cama – É melhor eu voltar pra esse maldito trabalho. Obrigado pela ajuda, pela conversa e pelos amassos.

– Idiota. – eu disse rindo.

– Até mais, Anjo. – ele disse saindo do quarto.

– Até mais... – sussurrei com um sorriso no rosto.

[…]

Sábado chegou rapidamente e com ele, o primeiro jogo do Intercolegial. Eu estava ansioso para jogar com os caras do outro colégio, então não conseguia parar quieto desde que acordei. O jogo começaria 10h e ainda eram 7h12. Eu não consegui dormir direito por conta da ansiedade.

Estava dando graças a Deus que os jogos desse final de semana iriam ser na Goode, pois eu ainda estava meio receoso em viajar com aqueles caras. Mas estava tudo bem... Por enquanto.

Reyna disse para que chegássemos uma hora antes do jogo para poder nos aquecer, então lá estava Jason, Percy e eu a caminho da Goode. Eu não estava nervoso, estava apenas ansioso, principalmente pra ver como nosso time ia jogar. Passamos várias vezes a mesma estratégia durante a semana, mas Luke cismava em tentar fazer tudo sozinho.

O caminho para o colégio foi extremamente quieto, exceto por Jason que cantarolava enquanto dirigia o carro de Percy, que estava semi apagado no banco de trás. Chegamos à Goode rapidamente e nos dirigimos direto para o ginásio, onde Reyna e alguns meninos haviam chegado, mas nem todos.

– Bom dia. – ela disse sorridente.

– Bom dia. – respondeu Jason dando um aceno de mão retribuindo o sorriso de Reyna.

Eu apenas dei um aceno rápido sem falar nada. Não era muito comunicável pela manhã, ainda mais quando minha ansiosidade estava à flor da pele. Fomos ao vestiário trocar de roupa e logo voltamos para poder começar o alongamento. Jason me ajudou com o alongamento e assim que todos chegaram, começamos a fazer alguns arremessos antes do jogo começar.

O tempo foi passando assim como as bolas iam passando rapidamente pelo aro da tabela. Com isso, o lugar foi invadido pelos nossos concorrentes e algumas pessoas de sua torcida. Os jogadores do outro time não pareciam querer insultar a gente ou fazer gestos de mal gosto, assim como Luke queria. Eu estava prestes a lhe dar um soco na cara, mas preferi ficar na minha.

O lugar foi ficando cheio, tanto com pessoas do nosso colégio, como nossos parentes, inclusive minha mãe, minha irmã e America. Acenei para elas assim que as vi, recebendo um aceno caloroso de minha mãe com uma maquina fotográfica na mão, um aceno meio xoxo de Bianca e uma piscadela de Mare.

E foi junto delas que vi um furacão descendo as escadas da arquibancada afoitamente. Mírian estava vermelha e com o uniforme de árbitra do Intercolegial. Previa um futuro xingamento por não temos acordado-a. Ela falou rapidamente com as pessoas que estavam na mesa e pegou um apito da bolsa que carregava.

– Muito bem. Luke, Percy, Jason, Will e Michael, para a quadra. – disse Reyna e eu a encarei.

– Eu não vou entrar agora não? Achei que fosse titular

– Não nesse jogo. Pode sentar.

– O que? – exclamei com um pouco de raiva – Você está me zoando né?

– Não. Você fica no banco e ponto final. – ela disse e se virou para passar o nome dos jogadores do primeiro quarto para a mesa.

Eu estava perplexo. Ela tem a cara de pau de me excluir do time desse jeito? Depois de tanto insistir para que eu entrasse naquela merda?

Eu queria explodir aquele ginásio.

Sentei no banco com o restante do time reserva soltando fumaça pelas orelhas. Estava indignado por não poder jogar logo de cara. Queria jogar o jogo inteiro e não parte dele.

Depois que estava tudo organizado, anunciaram no microfone que o jogo estava prestes a começar e os jogadores se posicionaram em seus devidos. Mírian se colocou no meio da quadra com a bola na mão. Falou alguma coisa para Will e o jogador tão alto quanto o loiro do outro time, provavelmente algo sobre jogo limpo.

Ela jogou a bola para o alto apitando e os dois tentaram pegar a bola, sendo de posse do time adversário. Só com isso eu já fiquei apreensivo. O outro time correu com a bola para o nosso campo, mas graças a Deus Luke conseguiu roubar a bola quando ela foi passada, conseguindo atravessar a quadra numa velocidade espantosa e fazendo a cesta.

Suspirei aliviado, mas esse alivio passou tão rápido quando veio. Assim que iniciaram a nova jogada embaixo da cesta, o outro time fez uma cesta de três. Cerrei o punho quando isso aconteceu. O que diabos o Percy estava pensando ficando parado esperando o cara vir? Ele poderia muito bem ter impedido aquela merda de cesta.

O jogo foi se passando e a cada minuto eu ficava mais tenso. Apesar de estarmos ganhando, o outro time não estava deixando tão barato assim. Por enquanto a diferença estava de 5 pontos, mas ela não durou muito quando o primeiro quarto acabou.

O time se reuniu perto de Reyna e ela passou as estratégias para o próximo quarto. Eu não ouvi direito o que era, pois ela já tinha me adiantado que eu não iria jogar na porra do segundo quarto, então taquei o foda-se e fiquei no banco.

O pequeno intervalo acabou e o time foi pra quadra, sendo que dessa vez conseguiram a posse de bola e também marcar um ponto de primeira. Pelo visto a nova estratégia da Reyna estava indo bem.

Eu assistia ao jogo batendo o pé no chão de tanto nervosismo e um pouco de raiva por não poder jogar no segundo quarto. Eles até que estavam indo bem, conseguindo uma diferença de pontos até que alta, mas não é a mesma coisa. Jogar é muito mais emocionante do que assistir. E com esse pensamento, levantei e fui até Reyna.

– Quando que vai me colocar no jogo? – perguntei vendo que ela estava um pouco apreensiva.

– Você não vai jogar – ela disse simplesmente sem olhar para mim.

– O que?

– Isso mesmo que você ouviu. Você é nossa arma secreta. Só posso te colocar em jogo quando estivermos em maus lençóis. O que não é o caso.

– Como você tem a pachorra de me perturbar por dias para entrar nessa merda de time e agora dizer que eu não posso jogar?

Dessa vez ela virou para mim com um semblante sério que daria medo em qualquer um.

– Apenas estratégia. Agora senta e não irrita.

Suspirei fundo querendo gritar e chutar qualquer coisa. Eu não estava acreditando que não iria jogar, mas também não poderia sair. Fiquei ansioso a toa. Perdi horas de sono a toa. Queria matar alguém e não era a toa.

Com essa palhaçada, passei o resto do jogo de braços cruzados e com cara de bosta. Eu estava realmente irritado com toda aquela situação. O que custa me colocar no jogo? Não preciso usar todas as minhas habilidades logo de cara...

Enfim...

O jogo se prosseguiu e o time adversário conseguiu inverter o placar, deixando 50 a 46. A diferença poderia ser pequena, mas ela não deveria existir se estávamos ganhando. Logo o segundo quarto acabou e foi para o intervalo prolongado, de 15 minutos. Todos foram para o vestiário e eu fui obrigado a ir também.

Estava encostado em um dos escaninhos ouvindo música enquanto Reyna falava alguma coisa, o que não me importava nem um pouco. E foi nessa hora que vi Percy levantando a camisa para enxugar o rosto que estava pingando de suor. Seu cabelo negro estava grudado em seu rosto. Gotas de suor escorriam pelo seu pescoço e testa até ele limpá-la com a camisa, dando vista para seu abdômen liso e brilhante pelo suor e a luz do local.

Desencostei do armário ficando ereto e tenso. Eu estava de fato analisando o quão sexy Percy ficava após um jogo de basquete. Passei a mão direita pelos cabelos e olhei para o lado cruzando os braços tentando não olhar mais para aquilo. Mas é claro que eu nunca faço o que eu realmente tenho que fazer, então cai na merda da besteira de olhar para ele novamente pelo canto do olho. E adivinhem? Ele passou a mão pelo cabelo suado, deixando-o completamente para trás, o que era extremamente sexy. Para completar, ele colocou a barra da camisa na boca.

Eu deveria achar aquilo nojento, mas a imagem dele assim me desconcentrava de qualquer coisa. Tanto que não ouvi Jason ao meu lado me chamando e me olhando com uma cara preocupada.

Tirei os fones rapidamente e olhei para ele, que tinha o cenho franzido.

– Você está bem? Está vermelho... – ele disse botando a mão na minha testa – Você está quente. Pegou algum resfriado.

– Não – disse tentando não arregalar os olhos – Estou bem, não se preocupe comigo.

– Fiquei sabendo que você não vai jogar. É uma pena.

– Não ligo pra isso – menti dando de ombros e ele assentiu

– Bem... Já que não vai jogar, vou fazer as cestas pra você. – ele disse com um sorriso fofo que me deixou desconfortável.

Porém esse desconforto era pelo fato de achar Percy sexy enquanto eu estava em um relacionamento duvidoso com Jason, que era fofo e carinhoso comigo. Mas também, não estávamos em um relacionamento sério, então eu poderia ficar com outras pessoas, certo? Certo. Além do mais, olhar (ou melhor, secar) não arranca pedaço.

Retribui o sorriso dele, mesmo com o desconforto. Eu queria beijá-lo e tirar a cena do Percy da minha cabeça, ou fazer com que ela seja substituída pela imagem de Jason. E era a hora perfeita, pois o time havia se dispersado, provavelmente para tomar água, nos deixando sozinhos.

– Levanta a camisa – eu disse me afastando um pouco dele.

– O que? – ele me olhou com uma cara confusa.

– Levanta a camisa, oras!

Ele continuou com o cenho franzido, mas fez o que eu pedi, levantando a camisa até mostrar todo o seu abdômen, que diferente do de Percy, era bem definido.

– Agora coloca a camisa na boca e passa a mão nos cabelos – mandei e ele riu.

– Isso é algum tipo de fetiche sexual seu? – perguntou ainda rindo.

– Cala a boca e faz – eu disse corando.

Ele soltou uma risada pelo nariz e fez o que eu pedi, porém me olhando com uma cara extremamente sexy e provocadora. Seus olhos azuis gelo me olhavam com tanta intensidade que eu poderia desmaiar com aquele olhar.

Okay, isso seria gay.

Eu não consegui me aguentar, aquela cena estava me deixando completamente louco, então agarrei Jason sem mais delongas, passando a mão por seu abdômen suado. O beijo foi intenso e fui provocado mais ainda quando suas mãos desceram para a minha bunda, apertando-a com força. Soltei um suspiro por entre o beijo e cravei minhas unhas em seus ombros.

Não estava precisando de ar, mas Jason desceu os beijos até meu pescoço, começando a lambê-lo e dar mordiscadas na minha pele branca.

– Jason, não faz isso! – exclamei, mas ele deu uma mordida que me fez soltar um pequeno suspiro – Você vai me marcar...

– Essa é a intenção – ele disse contra meu pescoço.

Não sei se eu chuto a bunda de Luke até ela mudar de cor ou se o agradeço com chocolates. Assim que Jason disse que era sua intenção me marcar, Luke gritou na porta do vestiário que o intervalo havia acabado, então teríamos que voltar para a quadra. Ele me salvou de perguntas futuras indesejadas, mas também atrapalhou minha diversão.

– Vamos lá, você tem uma promessa a cumprir – eu disse empurrando-o e sorrindo de lado

– Que promessa? — ele perguntou confuso me seguindo quando sai daquela parte do vestiário.

– De fazer cestas para mim, oras – sorri olhando pra trás.

– Ah...

Ele retribuiu o sorriso e me deu um último beijo, já que eramos os últimos e ninguém estava vendo, antes de sair correndo para fora do vestiário. Como não estava com pressa, segui o caminho para a quadra lentamente, pensando no que tinha acontecido... E por mais que eu tivesse visto Jason sensualizando na minha frente, o modo como os gestos de Percy foram tão espontâneos ainda pairavam pela minha cabeça.

Sai do vestiário e o jogo estava prestes a começar. Sentei no banco ao lado do primeiranista que estava nervoso com o jogo. Coloquei meus fones novamente, que ainda estavam rolando a música, e fiquei observando o jogo na minha. O que foi uma bosta, porque depois daquelas cenas no vestiário, comecei a prestar mais atenção em Percy e Jason jogando.

Jason corria mais que Percy, o que o deixava mais suado e ofegante. Seus olhos estavam atentos a qualquer movimentação do adversário e assim que conseguiu pegar a bola, correu para fazer a cesta. Deveria ter sido uma cesta linda, mas não a vi porque estava mais ocupado vendo a camisa dele levantando enquanto ele pulava para fazer a cesta. Ele comemorou e olhou para mim, que acenei para ele com um sorriso.

Já Percy mantinha uma cara fechada sempre que jogava. O cenho franzido e o suor escorrendo pela lateral de seu rosto lhe davam um ar malvado. Ele se movimentava com fluidez em quadra e de vez em quando passava a camisa no rosto assim como fez no vestiário. Mas, dessa vez, pude notar que sua cueca de elástico branco estava a mostra, deixando tudo muito mais excitante.

Voltei minha atenção para Jason e ele me encarava meio confuso. Tirei meus fones e perguntei para o novato o que tinha acontecido.

– Jason fez mais uma linda cesta de três – ele disse animado.

Okay. Talvez ele não tenha percebido que eu estava prestando atenção em Percy. Oremos para que não.

O terceiro quarto acabou e o time se reuniu, Jason vindo em minha direção imediatamente. Pegou a garrafa que estava ao meu lado, dando um gole e me olhando de maneira que eu não consegui descrever.

– Viu minha cesta? – perguntou já sabendo a resposta. Apenas maneei com a cabeça que não, pedindo desculpas com o olhar. – Para onde estava olhando?

Não sei se devo ficar aliviado ou tenso, pois a expressão e sua voz mostravam que ele sabia a resposta, mas também dava a entender que não fazia ideia. Então resolvi mentir, apesar de detestar mentira, mas não podia falar que estava secando o primo dele.

– Minha mãe estava tentando falar alguma coisa – eu disse dando de ombros, tentando não parecer nervoso – Talvez algo sobre eu não estar jogando, mas não tenho certeza.

– Faz sentido – ele disse meio frio. Droga.

Apenas assenti e ele voltou para o jogo. Dessa vez, fiz questão de me concentrar no jogo e não nos dois caras que eu me sentia extremamente atraído. E graças a Deus consegui, mesmo dando leves desviadas de olhar para os dois. Consegui me manter firme na maior parte do tempo, o que era uma baita vitória.

Eu fiquei extremamente aliviado quando o apito de final de jogo tocou e o placar estava 103 a 94 para a gente. Tínhamos ganhado o primeiro jogo do Intercolegial na etapa regional, então aquilo me deixou bastante animado. O time que estava no banco saiu correndo para comemorar com os que estavam jogando, o que foi a oportunidade de eu abraçar Jason, já que todos faziam isso.

Diferente dos outros, eu apenas caminhei até eles e abracei Jason fortemente, sussurrando em seu ouvido que ele tinha sido incrível. Ele sorriu para mim, mas era um sorriso diferente do normal. Talvez ele estivesse realmente chateado por eu não ter visto a cesta que ele fez para mim.

Me desvencilhei dele, apesar de tudo, e dei os parabéns para o resto do time. Mas eles estavam tão felizes que me arrastaram para um abraço grupal, me deixando extremamente colado em Percy.

– Nós ganhamos! – gritou Will animado.

Sim, nós ganhamos. Mas eu sabia que tudo ia piorar.

[…]

Eu não estava querendo ir a essa despedida de solteiro, mas, no final das contas, iria ser bom para mim. Quer coisa melhor do que bebida, música e mulheres rebolando seminuas na sua frente para distrair a cabeça de todos os problemas? Eu ainda estava puto com Reyna por ela não ter deixado eu jogar naquela merda de jogo, apesar das coisas salientes que aconteceram.

Okay, tem outras formas, mas essa é a que está mais perto para mim. Leo estaria lá, então seria divertido, pois aquele cara consegue animar qualquer festa, qualquer comemoração, qualquer coisa. Até um bingo de idosos ele é capaz de fazer com que seja divertido.

Tinha acabado de sair do banho e caminhei até meu armário novamente, tirando uma calça jeans escura, uma blusa branca de botões de mangas longas e um colete preto, jogando as peças na cama, onde o Sr. Bigodes fez o favor de deitar.

– Sai dai! – bati com a toalha que estava na minha cintura ao lado dele e ele saiu assustado. Permiti-me dar uma pequena risada.

Vesti-me rapidamente e como não tinha um sapato social (coisa que teria que comprar para o casamento) coloquei um All Star preto e taquei o foda-se. Passei a gravata pelo meu pescoço e sai do quarto arrumando meu cabelo com a mão, com a intenção de achar alguém para me ajudar a dar o maldito nó de gravata.

Assim que sai, dei de cara com Mírian indo para o seu quarto. Minha mãe tinha convidado ela para ir à despedida, mas ela negou dizendo que estava muito cansada e com cólica. Eu estava achando que era mentira, pois sabia que minha mãe tinha convidado apenas por educação, já que não estava nos planos dela uma amiga distante do Percy vir visitá-lo.

– Ei, Mírian! Você sabe dar nó de gravata? – perguntei

– Ah sim! – ela disse vindo em minha direção – Se eu não soubesse, meus irmãos não sobreviveriam – ela riu

– Não sabia que tinha irmãos – eu disse enquanto ela pegava a gravata e ajeitava para dar o nó.

– É, três mais novos... Mas é uma história complicada, você não vai querer saber – ela disse terminando o nó. Apenas assenti com o fato de ela não querer contar. – Mas você pode me contar que secadas foram aquelas que você deu nos meus amigos.

Ops.

– Então... – eu disse coçando a nuca, meu sinal de nervosismo – Eu e o Jason meio que estamos ficando.

– Disso eu já sabia, mas a sua secada pro Percy foi descarada – ela disse rindo e eu corei com o fato de ela saber que eu resolvi dar uma chance para o Jason.

– Eu sei. – respondi cruzando os braços – Digamos que eu tenha uma queda por ele.

Mírian abriu a boca para dar mais um de seus gritinhos, mas resolveu não fazê-lo quando viu minha cara de “Puta merda, fodeu”. Agradeci por isso.

Era muito estranho admitir isso em voz alta. Já estava aceitando o possível fato de eu ser gay, mas ter uma atração por Percy poderia ser perigoso, ainda mais que o cara me odiava a pouco tempo atrás. Isso iria complicar as coisas que poderiam ser muito simples se eu apenas ficasse com Jason.

Mas de fato era meio verdade a minha queda por aquele idiota. Tipo, eu sei que ele me xingava e queria foder minha vida sempre que podia (não no sentido pervertido da coisa), mas eu vinha reparando que ele estava mudando. Tratando-me como uma pessoa mesmo e até me defendendo, além do seu jeito desesperado de tentar chamar minha atenção.

Sem contar que ele me lembrava um pirata, não sei porque. E eu gosto de piratas.

– Okay, não vou perguntar mais nada porque sei que você não tem tempo – ela disse rapidamente – Mas quero saber detalhes.

– Ér... Então tá né? — eu disse sorrindo torto. Tinha um leve medo em negar algo para aquela maluca.

– Boa festa para você – ela disse sorrindo e me dando um abraço para logo depois entrar em seu quarto.

Virei-me para descer as escadas e encontrei Poseidon, Percy e Jason me esperando para irmos. Iriamos em um carro, então caminhamos até o carro de Poseidon e partimos para o nosso destino.

Eu tinha conseguido fechar uma boate de stripper apenas para nós e como Poseidon é bem popular, vieram bastantes homens para a despedida de solteiro dele, então valeu a pena ter fechado o lugar só para a gente festejar.

– Eu vou esperar o Leo, podem ir entrando – eu disse para os três assim que chegamos.

– Eu fico com você – disse Percy e Jason em uníssono. Revirei os olhos e bufei.

– Sei me virar, podem ir – dispensei os dois com um aceno de mão e eles pareceram decepcionados com o gesto.

Depois das coisas estranhas que aconteceram hoje de manhã, eu preferia manter distancia dos dois por algum tempo. Ainda mais que a minha declaração de que me sentia atraído por Percy estava me matando profundamente.

Fiquei alguns minutos do lado de fora, mas pareceram milênios. Então vi Leo correndo em minha direção. Estranhei ele estar correndo e mesmo quando ele parou ao meu lado com as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego eu não disse nada, apenas o observei.

– Desculpa a demora – ele disse ofegante e olhando para mim.

– Estava correndo porque... – comecei e ele abriu um sorriso.

– Achei que precisava chegar na hora exata, além de que peguei o ônibus errado que me deixou muito longe, então vim correndo. – ele disse já meio recuperado, mas sua voz ainda falhava as vezes.

– Quase ninguém chegou, Leo – eu disse rindo de sua atitude e ri mais ainda com a cara incrédula que ele fez.

– Mas você disse...

– Eu disse isso porque sei que você sempre se atrasa para tudo – sorri para ele – Ai! – exclamei quando ele me deu um soco no ombro.

– Nunca mais faça isso! – ele disse levemente irritado. Revirei os olhos e dei língua para ele.

– Vamos.

Entramos no local e estava bem escuro lá dentro. A iluminação era fraca com poucas luzes acesas e alguns enfeites de neon que apenas se destacavam. Havia dois blocos no meio do local com barras de ferro para pole dance e varias cadeiras com mesas em volta. Também tinha um palco maior no fundo do local,do outro lado da porta, com um bar no lado direito e no esquerdo havia algumas gaiolas com mulheres seminuas já dançando. Uma música eletrônica tocava ao fundo.

O local estava enchendo as poucos, então, enquanto o espetáculo não começava, sentei no bar com Leo me acompanhando. Pedimos dois sexy on the beach e logo após um gole, senti alguém tocando em meu ombro. Revirei os olhos e girei a cadeira, olhando para Poseidon.

– Você não tem idade para beber. – percebi que ele estava meio relutante ao dizer essas palavras.

– Assim como não tenho para estar em um lugar como esse. – disse com um sorriso de canto – E que eu saiba, quem organizou isso tudo foi eu.

– Eu sei, mas Maria pediu para eu não deixar você beber – ele disse – Ela brigou tanto comigo quando descobriu que eu deixava Percy beber.

– Olha, vamos fazer o seguinte. – eu disse tomando mais um gole da bebida – Eu te dei essa festa super maneira que vai bombar pra caralho. Acho que no mínimo você deveria deixar esse assunto de eu beber de lado e não falar nada para minha mãe.

––Quer que eu minta para ela? – ele perguntou incrédulo.

– Basicamente – sorri. Mais um gole da bebida.

Ele me olhou de maneira reprovadora e eu revirei os olhos mais uma vez.

– Qual é Poseidon! Você me deve isso! – exclamei, deixando pensativo.

– Você tem razão... – disse depois de um tempo – Mas só desta vez.

– Combinado – sorri cúmplice.

– Só não chega em casa bêbado igual Percy.

– Não prometo nada – sorri malicioso.

Poseidon revirou os olhos verdes e virou-se para sair, sabendo que falasse ia me fazer mudar de ideia. Girei minha cadeira novamente e comecei a conversar com Leo, atualizando-o dos acontecimentos, enquanto comíamos uma porção de batatas fritas.

– Não acredito que ela não deixou você jogar! – exclamou, levemente irritado.

– Pois é. Mas você saberia disso se tivesse ido – disse de forma inocente. Leo revirou os olhos e cruzou os braços.

– Dá pra parar de jogar isso na minha cara? Você passou a semana toda falando isso quando eu disse que não poderia te assistir jogando!

– Desde quando o batizado da sua irmãzinha é mais importante que eu? – eu disse fingindo tristeza. — Você está me trocando, Valdez.

– Sério Nico? Sério mesmo? – ele disse com uma cara de tédio.

Ri de sua cara e pedimos outra bebida assim que aquela tinha acabado. Continuamos conversando sobre tudo, ele me falando de como Nyssa, sua recém nascida irmã, estava sendo paparicada em sua casa. Ri mais ainda quando ele falou isso de maneira irritada, deixando transparecer seu ciúmes.

– Oh, que pena. Deixou de ser o baby da família – disse apertando suas bochechas de forma divertida até ele dar um tapa em minha mão.

– Eu sempre fui o baby da família! – exclamou – É um saco ser o mais novo de todos os primos, mas tem suas super vantagens... Mas agora...

– Não fique choramingando, Valdez.

Ele resmungou mais alguma coisa que eu não entendi, pois a música ficou mais alta, fazendo-me girar a cadeira para trás, e quatro mulheres saíram de trás do palco, tomando seus lugares nos blocos no meio da pista. Elas se separaram em duplas, duas subindo nos blocos e as outras duas com uma tequila na mão colocando na boca dos convidados e chacoalhando a cabeças deles enquanto as outras dançavam no pole dance quase nuas.

Fiquei apenas observando as mulheres dançarem. Tinha que admitir que aquilo era extremamente sexy e excitante, porém, não me sentia tãããããããão “atraído” assim com a rebolação e insinuação que elas faziam. Era maneiro, mas não pra tanto.

Mas algo me atingiu quando vi uma das mulheres com a tequila sentando no colo de Jason e colocando o líquido em sua boca, chacoalhando sua cabeça logo em seguida e rebolando em seu colo. Ele levou as mãos para a cintura dela, acompanhando seus movimentos e ela lhe deu um selinho.

Mordi a parte interna da bochecha com força. Não tínhamos nada, eu não deveria ficar assim, com tanta raiva. Além de que, eu não tinha certeza sobre mais nada da minha vida. Mordi mais ainda a bochecha quando a mesma mulher fez o mesmo com Percy, fazendo-me virar a cadeira e apoiar os braços no balcão, pedindo mais uma bebida, dessa vez um whiskey bem forte. A música mudou e várias mulheres mais vestidas saíram de trás do palco, começando a dançar com os convidados. Com isso, o local ficou cheio, parecendo uma boate nos dias de sábado.

– Você quer morrer? – perguntou Leo virando sua cadeira também e olhando para mim preocupado.

Leo estava do mesmo jeito que eu, apenas olhando e bebendo sua bebida até virar sua cadeira também. Ele era um pouco estranho com relação a isso. Ele pegava mulheres e tudo mais, mas não ligava muito para quando algumas estavam seminuas e rebolando na sua frente. Perguntava-me se ele ainda ficava com garotos.

– Talvez – disse terminando de beber e pedindo mais.

– Eu te acompanho. – ele disse sorrindo.

– Me acompanha em qualquer lugar? – perguntei com um sorriso sacana.

– Claro, dude! – respondeu tomando seu whiskey.

– Então você não se importa – comecei chegando mais perto dele – Se me acompanhar nisso? – finalizei lhe dando um selinho demorado.

Os lábios de Leo era quentes e secos, como sempre, já que ele vivia beijando minha bochecha. Não sabia ao certo porque estava fazendo aquilo. Poderia ser para me certificar que eu não me sinto atraído por outros homens além de Jason e Percy e não tem ninguém melhor para fazer isso do que seu melhor amigo que um dia já ficou com homens. Ou poderia ser para me vingar de Jason e Percy por terem aceitado tão bem aquela insinuação. Ou poderia ser os dois...

Separei-me de Leo depois de uns minutos e fiquei inexpressivo, esperando sua reação. Parecia que tinha se passado anos, então eu comecei a ficar meio aflito.

– Olha, cara... Desculpa. Eu não sei porque fiz isso. Eu ainda estou meio confuso e queria saber se sentia alguma coisa se beijasse outra pessoa que não fosse Jason ou Percy. Eu... – comecei a falar rapidamente, sentindo-me muito estranho.

– Eu te acompanho. – ele disse me cortando.

Olhei em seus olhos castanhos, mostrando que ele não estava brincando. Sua reação não poderia ser melhor. Ele sorriu e disse novamente:

– Eu te acompanho. Com prazer. então selou nossos lábios novamente, porém em um beijo mais profundo.

Sorri contra seus lábios e passei minha língua por entre eles, fazendo Leo separá-los rapidamente. Nossas línguas se tocaram com intensidade, explorando a boca do outro de vez em quando para logo se tocarem novamente. Era um beijo... Divertido.

Por conta das cadeiras um pouco separadas, não conseguimos tocar o outro, então Leo separou os lábios dos meus, levantando-se e estendendo a mão com um sorriso.

– Venha, vamos dançar

– Ah não, Leo! Você sabe que eu não danço – reclamei enquanto ele me puxava para a “pista” de dança.

– Já te acompanhei em uma coisa que você queria, agora é sua vez – ele disse rindo e começando a dançar na minha frente. — Vamos lá! Não me faça ter que te segurar pela cintura.

– Okay, eu danço – disse a contra gosto.

Comecei a dançar com Leo uma música eletrônica qualquer. Estava sendo divertido, tirando a parte que Leo estava me zoando muito e rindo da minha cara. Revirei os olhos e ataquei seus lábios para ele parar de rir.

Ele correspondeu rapidamente, colocando as mãos na minha cintura enquanto as minhas estavam em seu rosto. Era fácil beijar Leo, tínhamos a mesma altura então isso me facilitava muito. Nos separamos depois de alguns minutos e colamos nossas testas, sorrindo um para o outro.

Foi ai que ele conseguiu me surpreender. Ele colocou as mãos nos meus ombros, fazendo-me colocar as mãos em sua cintura, e começou a rebolar. Ele lógico que ele não rebolava igual uma mulher, mas mesmo assim ele não estava indo nada mal.

Joguei a cabeça pra trás rindo de sua atitude. Ficar com Leo era realmente divertido.

Ficamos dançando e trocando beijos durante muito tempo. Consegui esquecer todos os meus problemas, Leo sempre me proporcionou isso, mas dessa vez ele tinha se superado. Quando já estávamos cansados e suados, voltamos a sentar no balcão para continuar a com a bebedeira.

Bebi metade de um drink azul quando senti alguém me virar bruscamente, fazendo-me entronar a bebida na minha roupa, manchando a camisa branca de azul. Olhei furiosamente para Percy, que olhava para a mancha com arrependimento.

– Você tem demência? – perguntei irritado.

– Desculpa! Eu não quis fazer isso – ele disse claramente arrependido.

– Desculpas não vão limpar minha roupa. – revirei os olhos – O que diabos você quer aqui?

Parecendo que tinha se lembrado repentinamente no motivo de estar me enchendo o saco, ele fechou a cara.

– Quero conversar. – disse olhando para Leo com ódio – A sós.

Vi pelo canto do olho Leo segurar uma risada.

– Tudo bem, cara. Estou me retirando – disse ele saindo de perto, mas sem antes me dar um selinho demorado e olhar para Percy com um sorriso malicioso.

Observei Percy acompanhando Leo com o olhar, um olhar de pura raiva. Quando Leo se fundiu a multidão, ele virou para mim e cruzou os braços.

– Porque você ficou com ele?

– Não te devo satisfação – disse bebendo o que restou do drink.

– Deve sim! – exclamou exaltado.

– Desde? — perguntei arqueando uma sobrancelha.

Ele ficou calado procurando por alguma resposta.

– Desde quando você se mudou para minha casa!

Eu ri.

– Não mesmo – respondi pedindo outro drink – Não te devo satisfação nem agora nem nunca.

Mesmo com a pouca iluminação, dava para ver seu rosto ficando levemente vermelho, apenas não sabia se era de raiva ou vergonha. Provavelmente a primeira opção.

– Beleza. Então me responde: Porque você fica com qualquer pessoa menos eu? — ele perguntou cruzando os braços e eu o encarei.

Eu entendi os motivos de Jason por me tratar mal em um passado recente, mas ainda não entendia os motivos de Percy e esse era o agravante para eu não querer nada com ele. Não ia ficar com uma pessoa que me odiava semanas atrás e do nada virou um stalker. Estava começando a achar que ele estava envolvido em alguma aposta ou estava apenas me usando, qualquer coisa do tipo.

– Simples. Eu. Não. Estou. Disposto. – disse pausadamente e ele me encarou incrédulo.

Passaram-se alguns segundos, eu o encarando com um ar divertido e ele me encarando de forma incrédula e engraçada. Eu me divertia com suas atitudes.

– Não quero que você fique com Leo. – disse finalmente e eu ri.

– Não me lembro de ter tatuado na testa “Propriedade de Percy Jackson” – disse fazendo aspas com as mãos. – Não temos nada, posso ficar com quem eu bem entender. Adeus – levantei do banco e sai andando pela multidão até achar Leo, que estava sentado perto de um dos blocos conversando com Poseidon.

Eles só notaram minha presença quando sente ao lado de Leo.

– Nico! Achei que não te veria tão cedo – riu Poseidon. Ele estava claramente se divertindo com a festa.

– Pois é – disse meio amargo, mas lembrei que não era culpa de Poseidon a babaquice de Percy, então suavizei a expressão.

– Agora que você está aqui, quero falar um negócio com você. – disse ele tomando um semblante sério.

Fiquei tenso. Será que ele ia me xingar por ter ficado com Leo de forma tão descarada?

– Olha, meninos, eu não me importo de vocês dois serem um casal – começou e eu olhei para Leo ao mesmo tempo que ele olhou para mim. Prendi a respiração. – Mas peço que sejam um pouco mais cuidadosos... Principalmente na frente de Maria.

– O que você quer dizer com isso? – perguntei na defensiva.

– Só não sei se sua mãe aceitaria bem essa relação... Por mim, se você estiver feliz, Nico, eu estarei também, mas apenas tenha cuidado e se for contar para Maria, seja delicado.

– Nós não... – começou Leo, mas Poseidon interrompeu.

– Sério, não precisam esconder de mim. – ele disse sorrindo e se levantando. – Aproveitem a festa. A proposito, estou me divertindo muito. Muito obrigado, Nico.

E partiu, deixando-nos sem ter o que falar. Meus olhos se cruzaram com os de Leo, mas ele logo desviou para a minha camisa e abriu um sorriso.

– Temos que limpar essa coisa.

– Então vamos – sorri e o acompanhei até o banheiro.

[…]

A festa acabou por volta das 2 da manhã. Eu ainda estava agitado, poderia virar a noite festejando.

Depois de Leo ter me ajudado com a camisa (após alguns amassos no banheiro), voltamos para o bar e ficamos bebendo, comendo e conversando até a despedida de solteiro terminar, então eu já estava bem alterado.

Minha visão estava levemente turva e a cada palavra proferida por Leo, eu começava a rir desesperadamente. Tentamos dançar por um tempo, mas Leo estava tão pior que eu que ele não conseguia se manter em pé direito, então voltamos para o bar novamente e bebemos mais.

Pedi a Poseidon para Leo dormir lá em casa, pois ele estava realmente mal. Não tão mal quanto da ultima vez que bebemos, que não nos lembramos de nada que aconteceu, mas também não estava nas melhores condições. Ele aceitou numa boa, então fomos para o carro quando todos os convidados já tinham ido embora.

Percy foi no bando do carona e parecia levemente emburrado, enquanto atrás dele no banco de carona com Leo no meio e dormindo em meu ombro. Jason, que eu não via desde que a mulher tentou ficar com ele, estava completamente furioso e evitava olhar para mim, mas ele não conseguia, durante o percurso inteiro eu o via olhando para mim.

Respirei fundo e peguei meu celular do bolso, escrevendo uma mensagem.

O que diabos você tem?” escrevi rapidamente e mandei para Jason.

Ouvi seu celular vibrar e ele o conferir, fechando a cara quando viu que era eu, mas mesmo assim respondeu.

Não te interessa.”

Arregalei os olhos e o encarei por alguns segundos antes de responder.

Não vai mesmo dizer o porquê dessa palhaçada” mandei e olhei para ele.

Jason leu a mensagem e respondeu sem me olhar.

Eu não acredito que você ficou com o Leo...” ele respondeu e meu coração apertou, mas ai lembrei do beijo dele com aquela mulher.

Ah, você pode ficar dando beijinhos em mulheres enquanto elas sentam no seu colo e eu não posso ficar com um amigo?” eu estava furioso, mas não queria que ele visse, então voltei meu olhar para a janela do carro.

A culpa não foi minha! Eu não pedi para ela sentar no meu colo nem me beijar!”

Mas mesmo assim você colocou as mãos na cintura dela enquanto ele rebolava no seu colo!”

Eu fiz aquilo para ela sair, não para ficar! Mas ela não entendeu isso! A culpa não é minha Nico!”

Assim que li sua mensagem, fiquei sem o que falar, então deixei por isso mesmo. Um minuto depois ele manda outra.

Achei que tínhamos alguma coisa...”

Meu coração ficou apertado. Eu não deveria ter ficado com Leo. Não deveria ter deixado minha raiva falar mais alto, nem meu sentimento de confusão. Eu estava arrependido, mas pedir desculpas nunca foi o meu forte, então apenas ignorei.

Assim que Jason viu que eu realmente não iria responder, virou o rosto para a janela. Olhar para ele dava um aperto no coração, mas eu não iria pedir desculpas, pelo menos não agora. Meu orgulho nunca deixaria.

Chegamos em casa depois de um tempo. Jason e Percy saíram do carro rapidamente, batendo as portas com certa força. Revirei os olhos e acordei Leo, mas mesmo acordado eu tive que arrastá-lo para dentro de casa. Poseidon ofereceu ajuda, que aceitei prontamente.

A casa estava toda apagada, o que significava que as mulheres já tinham chegado da despedida e já estavam dormindo. Levamos Leo para o meu quarto em silêncio e o joguei desajeitadamente na minha cama de casal. Iria dormir com ele mesmo, mas antes disse, sai do meu quarto com a intenção de pegar um balde, um remédio e um copo de água para caso ele passasse mal de noite.

Primeiro passei no banheiro do corredor para pegar um remédio para ele. Todas as portas estavam fechadas, o que significava que Jason e Percy já tinham entrado e provavelmente não queria ver minha cara.

Fiquei um tempo revirando o banheiro atrás do remédio e nesse meio tempo, deparei-me com America parada na porta me olhando com uma mistura de irritação e preocupação.

– Oi Mare – disse voltando a vasculhar as gavetas da pia. – Você sabe onde tem remédio de enjoo e dor de cabeça.

– Na cozinha. – ela disse simplesmente e eu soltei um “ah, valeu.”

Quando fui sai do banheiro, ela não saiu da minha frente, me deixando com um ponto de interrogação na cara.

– O que foi? Aconteceu alguma coisa? – perguntei olhando em seus olhos verdes.

– Sim, aconteceu. – ela disse com um semblante sério.

Fiquei alarmado e levemente desesperado.

– É com Bianca? Aconteceu alguma coisa com ela na despedida? Ela está bem? – perguntei rapidamente chegando perto dela.

– Sim, é com ela... Mas não aconteceu nada na despedida... Mas ela também não está bem. – ela declarou com a voz séria e um pouco preocupada.

– Meu Deus, me conta agora America! – eu disse com os olhos arregalados.

– Nico... Bianca está grávida. – ela disse sem cerimônias e eu fiquei em estado de choque por uns segundos.

Minha irmãzinha? Grávida? Mas ela sempre foi tão na dela... Nunca demonstrou muito interesse nos caras do colégio... O que diabos estava acontecendo?

Então uma onda de raiva começou a dominar meu ser, imaginando as diversas possibilidades para que isso pudesse acontecer e uma dela, óbvio, era o estupro.

– Quem foi o desgraçado? Porque ela não me contou? Eu vou fazer esse filho da puta se arrepender de ter tocado na minha irmã! – eu disse com ódio.

Mare respirou fundo, mas não era do tipo “estou tomando coragem para contar”, estava mais para um “é melhor ele saber”.

– Nico... – ela disse pegando meus ombros e me sentando na cama. – Quero que você preste bem atenção no que eu vou falar. – ela fez uma pausa, tentando me fazer relaxar. – E você tem que prometer que não vai contar para ela, muito menos surtar.

– Fala logo.

– Mais uma coisa. Você tem que me prometer que não vai surtar. Promete?

– America, fala logo. – eu disse impaciente.

– Só se você me prometer. – ela disse convicta. Revirei os olhos e falei que prometia. – Muito bem. Ela está grávida de você.

A única coisa que eu pude fazer foi rir. Rir não, gargalhar ao escutar uma amenidade naquelas. Eu nunca faria isso com minha irmã, ainda mais sabendo que ela nutria sentimentos amorosos por mim.

– Okay, gostei da piadinha Mare, me enganou de verdade. – eu disse limpando uma lágrima que escorria dos meus olhos.

– Nico, eu não estou brincando. – ela disse séria.

– Mas é claro que está! Eu jamais faria algo assim com Bianca. – eu ainda não conseguia parar de rir.

– Isso porque você estava bêbado! Não se lembra de ter transado com sua própria irmã na sala de jogos.

– Isso nunca iria acontecer, mesmo se eu bebesse uma garrafa de whiskey inteira.

Então veio algo que eu definitivamente não esperava: um tapa bem forte na cara. Minha cabeça chegou a virar com o impacto, mas Mare a segurou logo em seguida, fazendo com que eu olhasse nos olhos dela, vendo que ela não estava brincando ou mentido.

– Escuta aqui. Eu sei que foi você. Eu vi com meus próprios olhos e sei que Bianca não é rodada e nunca daria para ninguém que ela não gostasse. Então acredite no que eu estou dizendo: o filho é seu. Ela está grávida de você.

– Mas isso é...

– Você chegou em casa bêbado e ficou com ela. Foi nesse dia que Percy tirou aquelas fotos. Sim, eu sei que ele as tem. Você estava bêbado demais, não se lembra do que fez. Mas eu vi. Vi que vocês não usaram camisinha e você foi totalmente bruto com ela. – Mare fez uma pausa, respirando fundo. – Ela disse que não vai abortar.

Eu não sabia o que dizer. Apenas fiquei em estado de choque por alguns minutos. Mare não tinha motivos para mentir para mim ou fazer uma brincadeira de mal gosto desse nível.

Minha reação foi apenas empurrá-la e descer as escadas da casa, seguindo para a cozinha e encontrando Percy bebendo água. Comecei a revirar os armários em busca de algo alcoólico. Eu estava completamente chocado e desnorteado, tanto que não percebi que Percy estava falando comigo até ele segurar em meus ombros e me chacolhar.

– O que houve? – ele perguntou com os olhos verdes arregalados.

– Beber. Eu preciso beber. – foi a única coisa que respondi.

– Porque você precisa disso?

– Apenas preciso, não faça perguntas. – disse com os dentes cerrados em raiva, segurando sua camisa. Aquilo deve ter deixado-o com medo, pois ele se soltou e foi para a sala, voltando com uma garrafa de whiskey.

Peguei a garrafa de sua mão e comecei a beber no bico mesmo. Caminhei para a porta dos fundos e sentei no quintal, bebendo a garrafa da forma mais rápida que eu conseguia, o álcool já não queimava mais minha garganta.

Senti uma movimentação do meu lado e vi Percy olhando para mim completamente preocupado. Sorri para ele de forma sacana, já estava perdendo a lucidez.

Tombei para o lado oposto de Percy, sendo segurado por ele antes que meu corpo atingisse o chão. Comecei a rir alto, mas ele impediu tampando minha boca com a mão. Quando ele viu que eu parei de rir, tirou a mão de minha boca e pegou a garrafa de whiskey que estava na minha mão.

– Ei! – exclamei tentando pegar a garrafa que ele estendia para cima.

Como não estava conseguindo e não estava em condições de levantar, subi em cima de Percy, sentando em seu colo para tentar pegar a garrafa. Eu tentava não rir, o efeito do álcool estava tomando conta de mim rapidamente e eu já não tinha noção de nada.

– Eu vou te dar outra coisa, okay? – ele disse olhando para mim.

Meu rosto estava quente e eu não sentia meu nariz, o que era uma sensação engraçada. Apenas assenti e sai de cima dele andando de quatro, pois minhas pernas estavam me traindo com afinco. Ele se levantou também e me ajudou a levantar, me apoiando completamente.

Seguimos para dentro de casa, totalmente silenciosa, e ele me deixou sentado na cadeira enquanto guardava a garrafa de whiskey. Quando voltou com as mãos vazias comecei a gritar.

– CADÊ A OUTRA? VOCÊ DISSE QUE TRARIA! – eu estava fora de mim.

Percy tampou minha boca com desespero e esperou alguns segundos para ver se ninguém tinha acordado. Talvez eu não tenha gritado tão alto quanto esperava. Assim que certificou-se de que ninguém tinha acordado, ele me ajudou a subir as escadas e fomos para seu quarto. Percy me sentou na cadeira de sua escrivaninha enquanto arrumava o sofá-cama para mim.

– Agora você fica aqui enquanto eu pego sua garrafa, okay? – ele perguntou olhando no fundo dos olhos. Apenas assenti e ele me levou para o sofá-cama.

Fiquei ali sentado esperando por ele, o que estava demorando muito.

– Não é possível que ele não tenha nada escondido aqui. – disse para mim mesmo e ri. – Você é muito engraçado, Nico.

Eu estava delirando, não é possível.

Tentei levantar, mas minha pernas cederam e eu cai de quatro no tapete macio. Pelo menos isso. Levantei o tronco e apoiei os cotovelos na cama, analisando o quarto e colocando meus olhos no armário. Bingo.

Esperei alguns segundos e tentei levantar de novo, dessa vez funcionando, mas anda estava cambaleante demais, então tive que ir segurando nas coisas para chegar em meu destino. Abri a porta do armário de maneira desajeitada e me apoiei na parte interna dele, começando a tatear a local até achar uma garrafa.

– Haha, tão previsível, Percy – sorri vendo a garrafinha de Keep Coller cheia.

Abri a garrafa e tomei um gole, achando o gosto levemente estranho, mas como não estava sentindo quase nada, apenas fui bebendo até onde conseguia sem me afogar. Estava na metade quando senti meu estômago revirando e pus tudo para fora.

– Ai meu Deus! — foi a última coisa que ouvi antes de cair para trás desacordado.

Notas finais
EU SEI, EU SEI!!!! Eu disse que teria lemon, MAS, PORÉM, ENTRETANTO, TODAVIA, o capítulo ia passar de 12 mil palavras com certeza então ia ficar gigantesco e as pessoas podem achar meio chato. Além de que, eu pretendia narrar o lemon no ponto de vista do Percy e não queria colocar o ponto de vista dos dois no mesmo capítulo, então passei o lemon para o outro capítulo, que será mais curtinho e devo postá-lo rápido devido a isso. Peço mil desculpas por isso, mas... DO PRÓXIMO NÃO PASSA! Ps: espero que gostem da cena Valdangelo ( ͡° ͜ʖ ͡°) Enfim, até o próximo :3 Vejo vocês nos comentários haha Kissu Kissu ~Marceline