Oh, Dammit! [A SER REESCRITA]
10 Vamos voltar para o Anjo...
Notas iniciais

Nico
Prefiro ficar quieto e não perguntar se as coisas podem piorar, mas tenho que dizer que elas só estão indo de mal a pior. Estava acontecendo tanta coisa em minha vida de uma vez,que eu já não funcionava direito para mais nada, principalmente no basquete.
Os acontecimentos do final de semana me deixaram tão atordoado e nervoso que eu nunca tinha jogado tão mal na minha vida quanto eu joguei naquele treino de segunda. Eu não sou do tipo emocional, mas quando acontecem várias coisas ruins ao mesmo tempo ou uma seguida da outra, fica difícil ignorar.
O que estava me incomodando mais era a aproximação que Percy insistia em ter comigo. Eu realmente não entendo esse cara! Primeiro ele me xinga, me zoa e me ameaça para depois ficar cheio de amores por mim? Que palhaçada é essa?
No sábado, acordei como se um trator tivesse passado por cima de mim. Meu corpo estava completamente dolorido por causa da gripe, mas pelo menos eu já não estava com febre, apenas com a garganta um pouco irritada. Mas o que me fez dar um pulo e quase cair da cama foi acordar com um cara completamente agarrado ao meu corpo.
Percy estava apenas com uma calça de moletom, com uma das pernas em cima das minhas e os dois braços completamente envoltos de mim, como se eu fosse um bichinho de pelúcia gigante. O calor que ele emanava me deu vontade de ficar quietinho e voltar a dormir, mas qual é! Um cara estava agarrado em mim. Um CARA. C-A-R-A.
Mas creio que o pior não era isso e sim a coisa que estava cutucando minha cintura mo lado direito. Simplesmente não estava acreditando que Percy estava agarrado a mim tendo uma ereção matinal.
–Aaaah! – gritei alto e empurrando Percy para longe de mim, fazendo-o cair da cama e acordar com o impacto. Minhas bochechas deveriam estava iguais tomates de tão vermelhas que estavam.
– O que? Onde? Como? – ele disse rapidamente olhando para os lados após se sentar. Comecei a rir de sua reação, esquecendo quase que completamente a situação em que me encontrava há alguns segundos. – Ta rindo do que?
– Da sua cara! Nada melhor do que encher sua paciência – eu disse dando de ombros, vendo-o revirar os olhos.
– Você é um idiota! Porque me jogou da cama? – ele disse se levantando e passando a mão nas costas
Senti minhas bochechas ficarem novamente vermelhas com sua pergunta. Não era todo dia que eu acordava com um homem agarrado a meu corpo e pelo visto, ele não se lembrava. Preferi o deixar ficar sem saber mesmo.
– Deu vontade – dei de ombros indo me levantar da cama, mas Percy me jogou bruscamente nela, subindo em cima de mim.
– Pensa que pode me jogar da minha própria cama e sair por isso mesmo? – ele disse com um sorriso malicioso – Além do mais, você não me agradeceu por ter cuidado de você ontem à noite.
Antes mesmo que eu pudesse dizer algo, Percy atacou meu pescoço com a boca, me fazendo arfar. Sua língua quente em contato com a minha pele era uma das sensações novas que eu mais gostava, infelizmente, e ainda era no meu ponto fraco.
Sua boca ora dava chupadas, ora depositava beijos em meu pescoço, deixando-me completamente arrepiado. Seu corpo foi relaxando e a cada movimento, sentia mais seu peso sobre meu corpo e a mesma "coisa" que pinicava minha cintura, agora pinicando minha barriga.
Quando me toquei disso, empurrei Percy de cima de mim com toda a força que ainda me restava – o que funcionou, já que ele estava em uma posição favorável para ser jogado pra fora da cama sem muito esforço de minha parte. Fiquei em pé rapidamente e sai da área de madeira em que sua cama ficava.
– O que? Aonde você vai? – ele perguntou ainda no chão, olhando-me atônito.
– É melhor você cuidar do seu "probleminha" antes de ir tomar café – eu disse ignorando sua pergunta e pegando uma roupa para me trocar no banheiro do corredor.
Ao chegar no banheiro, olhei-me no espelho, vendo como eu estava completamente acabado. Para completar a minha desgraça, Percy tinha deixado dois chupões meio avermelhados em meu pescoço.
E é nessas horas que eu odeio ter a pele tão branca.
– Mas que droga! — eu disse irritado
Sai do banheiro sorrateiramente e fui até o quarto de Mírian. Não que eu não tivesse mais ninguém para me ajudar com aquele probleminha... Na verdade, é eu não tinha mais ninguém.
– Mírian? — perguntei batendo na porta.
– Hai!* — ela disse lá de dentro e abriu a porta toda sorridente. — Ohayo!*
– Oi? — disse fazendo uma cara confusa. Nunca sabia o que aquela louca estava falando.
– Ah, eu disse bom dia – ela disse rindo e se encostando no batente da porta – O que devo a honra de sua visita? Que eu saiba você me acha louca.
Engoli em seco e arregalei um pouco os olhos. Dei um suspiro rápido e encarei os seus olhos vermelhos que me encaravam com curiosidade e expectativa.
– Então... — comecei passando a mão na nuca – Ocorreu um acidente agora pouco e meu pescoço tá desse jeito...
Virei a cabeça para que ela pudesse visualizar a merda que Percy tinha feito.
– Jason ou Percy? — ela perguntou rindo e eu a encarei incrédulo.
– O que você está falando? Eu só... Só... — vamos Nico! Uma desculpa plausível.
– Caiu da escada? — ela perguntou rindo – Bateu em um poste? Brigou na rua? Ou a que eu mais acho legal: o Drácula te atacou no caminho de casa?
Ela estava se divertindo com a minha cara enquanto eu ficava completamente vermelho de vergonha. Não deveria ter pedido ajuda a ela.
– Não precisa mais... — eu disse meio marrento e virei as costas, mas ela segurou meu ombro e me virou para si.
– Qual é, eu só estava brincando! — ela exclamou ainda rindo – Vem, eu vou dar um jeito nisso ai para você.
Entrei em seu quarto provisório ainda meio receoso. Ela falou para eu sentar em sua cama enquanto ela procurava sua bolsa de maquiagem. Passei os olhos pelo quarto, não estava diferente de quando ela chegou, apenas havia um porta-retratos em cima da mesinha de cabeceira.
Peguei o porta-retratos e encarei a foto que estava nela. Havia quatro pessoas, uma menina, que com certeza era Mírian, e mais três meninos, todos com a fisionomia parecida. Dois deles estavam com os braços em volta do pescoço de Mírian, enquanto o outro estava em pé ao lado dos três, sorrindo para a foto.
Por um segundo senti que conhecia aquele garoto, mas a Mírian chegou no quarto e eu rapidamente coloquei o objeto no lugar. Decidi que não iria perguntar, até porque ela não iria gostar de saber que eu estava mexendo nas coisas dela.
– Então... — ela disse sentando-se ao meu lado e pegando uma coisa que eu não sabia o que era – Quem fez isso com você?
Ela virou meu rosto delicadamente e começou a passar um negócio em cima de onde estava o chupão. Corei com a pergunta e fechei os olhos virando mais o rosto.
– Percy... — eu sussurrei, mas ela tinha um ótimo ouvido. – Aquela maldito...
– Não o culpe por gostar de você – ela disse simplesmente e eu arregalei os olhos virando para ela.
– Como assim? Ele me odeia. Faz isso só pra me provocar – eu disse olhado em seus olhos. Ela riu.
– Quando vocês estiverem prontos, vão entender. — ela disse com um sorriso – Agora vira o rosto de novo.
Fiz o que ela mandou e ficamos em silêncio até ela dizer que estava coberto.
– Obrigado – eu disse me levantando para sair do quarto, mas Mírian pega meu braço, fazendo-me virar para ela.
– Nico... — ela disse e fez uma pausa. Respirou fundo e soltou o ar com os olhos fechados – Só não machuque nenhum dos dois, está bem?
O que diabos essa louca está falando agora?
Olhei para ela com minha melhor cara confusa.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei franzindo o cenho.
Mírian apenas deu um sorriso fraco e levantou da cama bagunçando meus cabelos. Ela era alguns centímetros mais alta que eu. Confesso que odeio ser baixinho do jeito que sou.
– Quando chegar a hora certa, você vai entender – ela disse
Apenas assenti com a cabeça ainda meio sem entender e sai de seu quarto, indo para o banheiro me trocar. Troquei de roupa, fiz minha higiene matinal e fiquei uns minutos observando o que Mírian fizera para cobrir aquela chupão.
Realmente não dava para ver, nem sequer notar que aquela aréa estava meio avermelhada e roxa. Já vestido, desci para tomar café, onde quase todo mundo estava lá, menos Bianca e Percy.
Ultimamente ela anda completamente estranha. Vem me ignorando por completo, nem se quer olha para a minha cara. Sem contar que anda passando mal constantemente. Alguma coisa estava errada com ela e eu iria descobrir por bem ou por mal.
Tomei café rapidamente e sai para comprar as tintas para pintar meu quarto. As cenas de mais cedo não saiam da minha cabeça nem por um decreto, me deixando cada vez mais envergonhado e olha que é bem difícil me deixar nesse estado.
Comprei as tintas o mais rápido que eu pude e voltei para casa levando as três pesadas latas com a ajuda de dois dos empregados. Agradeci quando chegamos em meu quarto e fui para o quarto de Percy sorrateiramente para pegar uma roupa, já que minha mala ainda estava lá. Graças a Deus não tinha ninguém lá, nem no corredor.
Entrei rapidamente e busquei minha regata preta folgada já velha, uma bermuda preta também velha e meus chinelos. Aproveitei a deixa para me trocar lá mesmo.
Já tinha planejado como pintaria o quarto, então assim que entrei lá, coloquei a mão na massa. Peguei o rolo e despejei a tinta preta na bandeja. Comecei passando em toda a área baixa e até onde eu conseguia alcançar, tinha esquecido completamente de pegar uma escada. Estava me esticando todo para alcançar até o máximo que eu conseguia, quando sinto uma mão envolver minha cintura, um corpo grudado ao meu pelas costas e uma mão grande pegando o rolo e passando mais alto.
Qual o problema desse cara?
– Ei! – exclamei tentando me afastar de Percy. Sabia que era o maldito pelo perfume misturado com seu odor natural, formando um cheiro muito característico para mim – O que você pensa que está fazendo?
Percy riu e desceu o braço até meu quadril, enquanto eu tentava retirá-lo com as duas mãos, sem sucesso. Eu já não era forte e a gripe me deixava ainda mais fraco, então não era de se admirar que eu não conseguisse tirar a mão abusada de Percy dali, ainda mais que ele forçava o braço para eu não conseguir tirá-lo.
– Estou ajudando o meu irmãozinho – ele disse de forma maliciosa – Não posso fazer uma boa ação?
Antes mesmo que eu pudesse responder, Percy deslizou a mão rapidamente para a minha bunda e a apertou firmemente. Além do susto que levei, dei um pulo saindo de seus braços me fazendo encostar à parede ainda molhada e manchar meu braço todo de tinta preta, cobrindo minhas tatuagens.
–Você enlouqueceu? – contive-me para não gritar, olhando pra ele incrédulo.
Não estava acreditando que ele tinha apertado minha bunda... ELE APERTOU MINHA BUNDA, PORRA! Olhei para meu braço, completamente preto e provavelmente fiquei vermelho, tanto de raiva quanto de vergonha.
–Olha o que você fez!
Ele apenas deu um sorriso malicioso e roubou um selinho de mim, me deixando ainda mais vermelho e antes que eu pudesse protestar, Percy me girou e colou meu corpo ao seu novamente, me deixando de costas para ele.
– Você fica tão bonitinho quando está nervoso – ele disse baixinho em meu ouvido para logo puxar o lóbulo da minha orelha com os dentes.
– Para de ser idiota e me larga agora! – tentei escapar, mas sem sucesso.
Meu coração estava estranhamente acelerado e ele só piorou quando uma das mãos de Percy entrou em minha regata, acariciando minha barriga levemente. Meu corpo ficou completamente arrepiado com a carícia e uma parte de mim dizia para eu relaxar e aproveitar. Aaah mas eu não ia mesmo deixar essa minha parte me dominar. Nem fudendo.
– Para, Percy. Agora! – eu disse com a voz firme, sem gaguejar. Porém, pela maldita gripe, minha voz saiu completamente rouca e eu tive a impressão que isso o incentivou a não parar.
– Não vai me dizer que não gosta – ele sussurrou abaixando a mão até a barra da minha bermuda, colocando um dedo dentro da minha boxer e fazendo movimentos horizontais em minha pele.
Esse cara não tem amor à vida.
– Você não tem medo de morrer não? — eu disse irritado com a voz mais firme que eu conseguia.
– Você fica ainda mais bonitinho quando me ameaça – ele disse malicioso e mordeu meu pescoço enquanto apertava meu membro sobre a bermuda.
Não tendo outra opção, dei uma cotovelada em suas costelas com o máximo de força que eu tinha, fazendo, finalmente, ele me largar. Eu não estava acreditando que ele estava fazendo esse tipo de coisa comigo. Primeiro que nós somos homens. Segundo que ele tem namorada. E terceiro que eu não sou gay!
Várias mulheres já fizeram isso comigo, senão coisa pior, mas ai mora o problema: elas eram MULHERES! Tinham vagina, xana, buceta ou o como queira chamar e Percy era HOMEM!
Percy estava quase do outro lado do quarto reclamando um pouco de dor enquanto eu fazia de tudo para não encarar seu rosto. Eu queria ser um avestruz pra enfiar minha cabeça no chão agora mesmo.
– Sai do meu quarto – eu disse baixinho olhando para o chão. Não vi nenhum movimento com minha visão periférica, então levantei a cabeça para ter certeza de que ele ainda estava lá – Sai do meu quarto. Agora! – disse alto, ainda sem encará-lo, olhando para o lado.
– Mas eu... Nico, descu... – ele começou, mas eu o interrompi indo ao seu encontro e o empurrando para fora do quarto.
Ele não relutou eu sair, mas era notório de que ele não queria. Atrevi-me a olhar rapidamente para seu rosto, vendo uma expressão preocupada e culpada. Desviei rapidamente e bati a porta quando ele finalmente saiu, trancando-a. Colei minhas costas na parede e deslizei até sentar no chão, olhando fixamente para o chão.
Eu ainda estava confuso e meio sem acreditar que ele tinha feito uma coisa dessas. Quero dizer, ele havia me beijado mais de uma vez e eu estava crente de que era apenas para me irritar, mas depois disso, eu duvidava. O que diabos ele queria com aquelas atitudes? Não fazia sentido algum para mim a não ser que Percy estar começando a jogar no outro time.
Não, isso não era uma opção, até porque ele tinha namorada.
Além de Percy, Jason também esta tentando se aproximar cada vez mais de mim, mas de uma maneira diferente da de Percy. Enquanto Percy queria ficar perto de mim 25 horas por dia e fazendo coisas "leves" (até sábado pelo menos), Jason dava investidas com alguns intervalos de tempo, porém com mais "intensidade".
Faltavam alguns ajustes para que meu quarto ficasse completamente pronto, mas já estava usável e eu morto por passar o final de semana todo arrumando-o.
No domingo, quando eu sai do banho, Jason simplesmente me agarrou! Ele entrou no meu quarto e ficou esperando eu terminar para poder me atacar. E eu me culpava por isso, por não ter trancado a maldita porta como sempre tranco.
– Que tal continuarmos o que começamos na festa? – ele sussurrou em meu ouvido e mordeu a área entre meu ombro e meu pescoço, me fazendo arfar.
Já disse que meu ponto fraco e meu pescoço? Pois é, eu odeio isso com todas as minhas forças.
– Jason, para com isso! – eu disse tentando afastá-lo, mas ele era muito mais forte que eu e ainda tinha o “problema” da gripe.
– Você cedeu naquele dia, porque não ceder agora? – ele sussurrou novamente, subindo as carícias com a boca para minha orelha.
– Eu estava bêbado! – exclamei tentando novamente escapar, mas parecia que quanto mais eu tentava, mais seu corpo se colava ao meu, o pressionando na parede.
Eu não costumava a levar roupas para o banheiro, apenas a cueca, então eu estava apenas de toalha naquele momento cobrindo a boxer, enquanto Jason estava apenas de bermuda.
Mas como o universo conspira contra mim, minha toalha começou a escorregar e eu não podia segurá-la por estar com as duas mãos presas acima de minha cabeça por uma das mãos de Jason, então ele a segurou com a mão livre, podendo fazer o que bem entendesse com aquela toalha..
Eu definitivamente não queria estar daquele jeito, mas não tinha escapatória.
– Para com isso! Você me odeia, lembra? Sem contar que não é certo isso! Homens ficam com mulheres e não com outros homens! — eu tentava de todas as formas me livrar daquilo, mas estava cada vez mais difícil
O mais irritante era que uma parte filha da puta, desgraçada, traidora e purpurinada, de mim clamava por mais contato com Jason. Mas eu ainda mantinha minha parte racional funcionando. Graças a Deus, essa parte vadia de minha pessoa ainda não tinha controle total sobre o meu ser naquele momento, mas eu sentia que ela só estava consumindo-me vagarosamente e isso me deixava mais aflito.
– Eu não sou gay! – eu exclamei
– Até ai eu também não – ele disse como se agarrar um cara fosse a coisa mais normal do mundo.
Jason aproximou-se de mim, colocando uma de suas pernas entre as minhas, tocando levemente com a coxa as minhas partes baixas. Soltei um gemido inconscientemente, fazendo Jason sorrir contra meu pescoço.
– Encare isso como uma experiência divertida – ele disse para logo selar nossos lábios.
Por uns segundos, relutei para não corresponder, mas os lábios de Jason eram tão convidativos que minha parte vadia não resistiu, tomando conta de mim por completo, me fazendo corresponder ao beijo.
Cedi quando Jason roçou meus lábios com a língua pela terceira vez, como se pedisse permissão para invadir minha boca. De inicio, nossas línguas se tocaram timidamente para depois ficarem mais selvagens e sedentas uma pela outra.
Era engraçado o modo como Jason e Percy tinham beijos completamente opostos. Enquanto os beijos de Percy eram mais rígidos, os de Jason eram delicados e reconfortantes. Os lábios de Percy tinham gosto salgado... Os de Jason, doce. Percy parecia meio tímido e desengonçado quando me beijava, como se estivesse tentando provar a si mesmo que queria aquilo de verdade. Já Jason parecia mais a vontade em me agarrar e me beijar, confiante de que era aquilo que almejava.
A única semelhança que eu pude perceber era a quentura e maciez dos lábios dos dois, porém, Percy tinha os lábios mais quentes, que me deixavam com uma sensação mais intensa de choque térmico, o que era realmente gostoso.
Mas porque diabos eu estou pensando nisso? Qual e o meu problema? Eu estou... Virando gay? Não! Isso não e possível! Eu sou 100% hetero! Okay, 98% já que fiquei com dois caras, mas foi não foi por vontade própria!
Jason colou mais meu corpo ao seu, segurando a toalha entre nossos corpos para poder pegar minhas mãos com as duas, abaixando-as até a parte de trás do meu corpo, ou seja, mais uma vez eu estava impossibilitado de sair do aperto de Jason. Depois de colocar minhas mãos em minhas costas, Jason segurou meus pulsos novamente com apenas uma das mãos, enquanto segurava a toalha com a outra.
Eu deveria ter me impedido antes de falar aquilo, mas... Bem, já devem ter percebido que eu não estava mais com a consciência cem por cento. Então foi com a frase a seguir que eu me vi começando a me entregar a Jason.
– Pode largar a toalha – as palavras saíram de minha boca em um sussurro, após eu me separar de Jason, vendo-o com um olhar um tanto espantado – Eu estou de cueca.
Um sorriso malicioso brotou em seus lábios. Eu ainda não estava acreditando que eu estava me submetendo aquilo novamente, mas alguma coisa no meu interior queria aquilo desesperadamente.
Provavelmente a garota tarada que morava dentro de mim.
Então, com as minhas palavras, Jason largou a toalha preta, mas sem soltar meus pulsos. A toalha caiu no chão e ele olhou para a minha boxer, mordendo o lábio logo em seguida. Senti meu rosto queimar completamente, então virei para que ele não pudesse ver minha vergonha.
Jason largou uma de minhas mãos e segurou meu queixo, puxando-o para frente, fazendo com que eu o encarasse. Minha mão foi automaticamente para seu peito, porém não consegui empurrá-lo, na verdade, eu não queria.
– Não esconda esse rostinho – ele sussurrou enquanto sorria. – Você fica sexy assim.
Jason sorriu quando viu minhas bochechas esquentarem novamente, um sorriso reconfortante e malicioso ao mesmo tempo, para depois juntar nossos lábios novamente. Eu já estava quase cem por cento entregue àquele maldito.
Nossas línguas brigaram por espaço até o ar ser necessário, mas ele não parou por ai. Jason desceu os beijos até meu pescoço, fazendo-me arquear as costas e soltar um gemido contido. Aquela área era perigosa demais.
– Então esse é seu ponto fraco, hein? – ele disse malicioso e foi subindo os beijos para minha orelha.
Eu estava tão entregue aquelas caricias, que nem notei quando Jason passou a ficar atrás de mim, voltando a segurar meus pulsos, e distribuir várias mordidas, beijos, chupadas e lambidas na região do meu pescoço e nuca.
– Ja-Jason... Aaah – eu gaguejava tentando não gemer mais alto, aquilo era simplesmente divino.
– Shhh, não fala nada, só solte esses gemidos para mim – ele disse colando mais seu corpo ao meu.
Então, ele começou a me a guiar para frente em passos lentos e desajeitados. Logo meu corpo foi empurrado delicadamente para frente, obrigando-me a ficar de quatro na cama com a bunda empinada, enquanto Jason ficava por cima, distribuindo beijos em meus ombros e costas. Não acreditava que estava naquela posição ainda mais com um homem atrás, mas era quase impossível rejeitar os toques de Jason.
– Ja-Jason... – tentei novamente para gemer em seguida – Pa-para.
– Você quer que eu pare Nico? – ele disse com a voz carregada de malicia
Ele se inclinou, colando seu peito em minhas costas e roçando seu membro já meio duro em minha bunda. Levou uma de suas mãos até a parte da frente do meu corpo e apertou meu mamilo, me fazendo ter uma sensação estranha, porém gostosa.
Ficou algum tempo mexendo em meu mamilo, provavelmente se deliciando com os gemidos que eu tentava conter, mas mesmo assim saiam. Então, de repente, Jason parou de fazer as caricias tão gostosas , o que me fez virar na cama para olhar pra ele. Péssima ideia.
Jason estava tirando a bermuda.
Sua cueca era branca.
E dava pra ver a silhueta perfeita do seu membro.
– Jason, nós não... Aaaaah – fui interrompido pelos lábios dele em meu mamilo esquerdo. Não tinha como não delirar com aquilo.
Os lábios quentes mais a sua língua habilidosa rodeando meu mamilo era uma coisa completamente nova, estranha e chocante, mas ao mesmo tempo completamente deliciosa.
Mas essa sensação foi superada quando meu mamilo foi chupado com certa força, me fazendo arquear as costas e segurar os cabelos loiros de Jason, o pressionando contra minha pele pedindo mais. Eu queria mais.
– Nico? – uma batida na porta, juntamente com a voz de Percy foi ouvida do outro lado da mesma.
Jason parou de chupar meu mamilo e me olhou com um sorriso convencido, malicioso e vitorioso, como se tivesse ganhado uma aposta ou um desafio.
– Ele não pode nos ver assim! Ninguém pode! – exclamei tentando levantar, mas ele me empurrou de volta
– Perguntei o que ele quer – Jason disse em um sussurro e avançou no meu pescoço tão rapidamente que eu não pude conter o gemido alto.
– Nico? Está tudo bem? –perguntou Percy preocupado
– Si-sim! – consegui dizer, mas minha voz saiu completamente rouca e falha.
Jason estava fazendo aquilo de propósito e só percebi isso quando ele falou em meu ouvido para conversar com Percy normalmente. Como se fosse possível enquanto minha área perigosa é deliciosamente atacada.
– Olha, eu queria me desculpar pelo o que aconteceu ontem – ele disse com a voz culpada enquanto Jason ainda trabalhava em meu pescoço e apertava meu mamilo.
– Na-não se pre-preocupe – disse o mais natural possível, mas não consegui, ainda mais com o gemido no final da frase.
Levei minhas mãos até minha boca para tapar os gemidos, mas Jason segurou meus pulsos e colocou meus braços nas laterais do meu corpo, imobilizando-me completamente. Ele balançou a cabeça negativamente com um sorriso malicioso estampado no rosto e atacou meu mamilo direito com a boca, fazendo-me gemer alto.
– Nico, está tudo bem mesmo? – perguntou Percy – Eu vou entrar.
– NÃO – gritei o mais firme que pude
– Não se preocupe, Anjo. Eu tranquei a porta justamente pra esse idiota não nos atrapalhar – disse Jason. Nem me importei com o apelido extremamente idiota que ele arrumou, isso porque eu estava deliciando-me com seus toques.
– Atrapa... aah — morder e apelação!
– O que você e Percy fizeram ontem? – ele perguntou com a voz um tanto irritada, mas beijando cada centímetro da minha barriga. Enquanto isso, Percy falava alguma coisa que não entendi e eu me contorcia embaixo do loiro
– Na-nada – gemi contido em resposta para a pergunta de Jason
– Tsc, esse cara está me irritando – disse Jason olhando para a porta – Mande-o embora, temos coisas mais interessantes pra fazer.
– Percy, eu quero ficar... Aaah... So-sozinho – comecei normalmente, mas gemi quando Jason acariciou minha barriga levemente indo até a parte interna da minha coxa, deslizando seus dedos suavemente sobre minha pele.
– Tem certeza que não quer nada? Que está tudo bem? – ele perguntou com uma voz cética
–Te-tenho – gaguejei. Desde que ele chegará, estava torcendo para que ele não me chantageasse com o lance das fotos, mas ele parecia arrependido e preocupado demais para lembrar delas – Só me deixe aproveitar meu quarto
–Tudo bem então– ele respondeu devagar e logo ouvi seus passos se afastando da porta
–Está aproveitando seu quarto muito bem, não acha? –ele disse para depois lamber toda a extensão do meu abdômen – Inaugurando o quarto da melhor maneira.
–Pa-para – eu gemi virando o resto completamente vermelho.
Então ele começou a descer a mão lentamente até a barra da minha cueca, mas antes que pudesse arrancá-la fora, minha mãe bate na porta dizendo que precisa falar comigo. Arregalei completamente os olhos e empurrei Jason, que só saiu de cima de mim porque quis, não porque eu o empurrei.
Ainda estava um pouco em choque e morrendo de raiva por ele fazendo aquele tipo de coisa comigo. Tanto que respondia minha mãe no automático.
–Com sua mãe não podemos brincar – ele disse baixinho vestindo a bermuda. Então essa porra toda foi apenas uma brincadeira pra ele?
Senti meu sangue correr mais rápido e minhas mãos se fecharem em punhos. Jason chegou perto de mim e acariciou meu rosto beijando meus lábios, mas eu o empurrei com toda a força, separando-o de mim. Mas ao invés de ficar bravo como Percy, Jason apenas sorriu e disse:
–Ainda vamos continuar ok? — sorriu para mim – É melhor você ficar "normal" pra atender sua mãe – ele disse rindo apontando para o ponto entre minhas pernas. Tampei a maldita ereção que começava a se formar, completamente vermelho – É uma pena que eu não possa resolver seu probleminha agora. –ele chegou mais perto e sussurrou – Mas pode ter certeza que eu ainda vou.
E esse foi o resumo da bosta do meu final de semana. Sendo assediado por dois caras e recebendo a notícia de que o casamento seria dali a um mês. Minha mãe queria que eu a ajudasse a planejar a despedida de solteira dela, mas falei que seria melhor ela pedir ajuda à America e Bianca. Com certeza eu não fazia ideia de como era uma despedida de solteiro feminina, então preferi ficar na minha.
Em compensação, minha mãe praticamente me obrigou a ajudar Poseidon e Percy com a despedida de Poseidon. Confesso que, por mais que eu tenha sido obrigado, eu estava ansioso pela despedida, ainda mais que eu iria arrastar Leo pra lá.
Aquela segunda foi a mais extensa de toda a minha vida, ainda mais no treino de basquete, nunca tinha jogado tão mal quanto joguei naquele dia. Chris Rodriguez, o nosso pivô com quase dois metros de altura, disse para eu não me preocupar e que era apenas uma fase difícil, sempre bagunçando meus cabelos com aquela mão gigante que ele tem. Achava engraçado, ainda mais que era um gesto um tanto fraternal.
A terça chegou e quando botei o pé na escola, Reyna Ramínez veio correndo em minha direção gritando o meu nome. Espantei-me com sua atitude, até porque nunca conversamos e eu achava que ela não sabia que eu existia.
–Oi Nico, tudo bem? – ela perguntou em um tom animado, andando ao meu lado. Apenas encarei-a com os olhos semicerrados
–O que você quer? – fui direto ao ponto. Sabia que ela queria alguma coisa, não era possível.
–Nossa, quanta grosseria! – ela disse fingindo estar triste – Por que acha que eu quero alguma coisa?
–Por que nunca conversamos? – disse de forma retórica – Pra mim você nem sabia que eu existia.
–Eu sei de todo mundo que estuda nessa escola, não me subestime.
Apenas revirei os olhos e voltei-os para a frente, caminhando em direção a aula de química.
– Está bom, você está certo – ela disse se dando por vencida – Eu quero que você entre no time de basquete da escola.
Ah, ela só podia estar brincando com a minha cara. Dessa vez eu parei para encará-la.
–Eu não sei jogar basquete. Acho esse esporte uma batalha estúpida pra ver quem faz cestas monstruosas – menti. Claro que eu não achava isso, amava o basquete como se fosse a minha vida.
–Não minta para mim, Nico. Eu vi você jogando – ela disse convencida e soltei uma risada sarcástica.
–Como você viu uma coisa que eu nunca fiz? – menti novamente – Mal consigo segurar uma bola, quanto mais arremessá-la.
–Ah é? Então como você me explica isso? – ela disse me mostrando um vídeo do meu treino de segunda-feira. Paralisei completamente com os olhos arregalados.
–Onde diabos você arrumou esse vídeo? – eu perguntei olhando para ela, que estava com uma expressão vitoriosa.
–Isso não vem ao caso. Eu sei que você joga e muito bem por sinal – ela disse guardando o celular.
Bem? Aquele foi o pior jogo da minha vida e ela me vem falar que eu joguei bem??
–Com você temos a chance de chegar as semifinais e quem sabe ganhar o Intercolegial? Vamos Nico, nós precisamos ganhar pelo menos esse ano! – ela exclamou manhosa.
–Mas nem fudendo – disse simplesmente voltando a andar. Nada que ela falasse iria me fazer mudar de ideia – O time de basquete me odeia e todos são um bando de macacos metidos a humanos.
–Eu te coloco como titular – ela disse me acompanhando e ignorando minhas falas.
–Não me importo se eu seria titular ou ficaria no banco, eu não vou entrar para o time.
–Por favor Nico! Nós temos chance com você! Precisamos ganhar esse ano. Os meninos batalham tanto pra conseguirmos destaque, mas nunca conseguimos – ela disse desesperada. Nunca imaginei vê-la implorar daquela maneira – Você será nossa arma secreta perfeita!
–E minha resposta continua sendo não – eu disse entrando rapidamente para a sala de química, que por sorte, não era a mesma aula que a dela.
– Eu não vou desistir tão fácil! – ela disse na porta da sala para depois ir embora.
Então o resto do dia foi assim, com Reyna importunando a minha paciência para eu entrar na porcaria do time. Eu já não gostava muito de pessoas, a não ser meu time do clube e meus amigos, sem contar que eles vão ficar me zoando e me xingando de "menininha" ou "princesa rebelde" como eles costumavam a fazer. E pra piorar mais ainda e mais dois motivos para eu não entrar: Percy e Jason estariam lá e eu estava evitando esses caras o máximo que eu podia.
Mas uma coisa que estava martelando na minha cabeça era onde Reyna havia conseguido aquele maldito vídeo. Será que Mírian tinha filmado e dado a ela? Não, que eu saiba elas nem se conhecem e Mírian não estava no treino de basquete na segunda-feira. Ela estava lá no clube por ser árbitra do Intercolegial, mas não havia visto-a no meu treino.
Na quarta, foi a mesma coisa: eu ignorando completamente Jason e Percy e Reyna tentando me convencer a entrar para o time, que com certeza eu estava negando até a morte, mas aquela garota era insistente pra caralho. Ela argumentava que precisava ganhar pois ano que vem eles não teriam qualquer chance, já que os três melhores jogadores iriam sair e isso incluía Jason e Percy.
Eu até fiquei sensibilizado quando ela disse que eu a ajudaria a realizar o sonho dela, mas ai eu lembrei que eram os neandertais do time de basquete, que me importunam desde que eu entrei nessa merda de colégio, então logo descartei a idea.
Reyna tinha uma coisa que eu gostava: determinação, mas no caso, eu estava odiando essa qualidade que eu admiro nas pessoas. Ela não ia parar de me importunar até que eu entrasse na bosta do time e eu sabia disso.
–Por favor, Nico! Eu estou implorando para voceê me ajudar e ajudar o time! – ela exclamava
–Não – eu dizia e tentava fugir dela.
E assim foi o resto da minha semana, mas nem no final de semana Reyna me deixou em paz. Ou ela me enchia o saco no chat do Facebook, ou me importunava pelo Whatsapp — sendo que eu não tinha dado meu número para ela e mal sabia que a tinha no Face.
Então passei um tempo do meu sábado, já em meu quarto todo prontinho, pensando na proposta de Reyna e considerei os pontos positivos e negativos.
Pontos negativos:
1°- Eram os únicos caras que me enchiam o saco no colégio,
2°- Percy e Jason estariam lá,
3°- Eu ficaria ainda mais tempo com os dois. Mais do que eu queria,
4°- Bem, acho que não tenho um quarto ponto negativo.
Pontos positivos:
1°- Eu poderia esfregar na cara de todos que eu jogo relativamente bem,
2°- Eu poderia induzir Reyna a treinarmos onde meu time do clube treinava para os campeonatos, o que era maravilhoso.
3°- Poderia conhecer outros locais, já que no internato nós não participávamos desse tipo de competição,
4° Poderia jogar com times diferentes os quais eu estou acostumado,
5°- Ajudaria Reyna a realizar um sonho. Eu posso ser sensível ás vezes, ta bom?,
6°- Poderia levar um troféu que aquele colégio tanto almejava
7°- Não queria ter fama, mas seria bom se o time de basquete parasse de encher minha paciência e o povo do colégio parar de ter medo de mim, coisa que não compreendi até hoje,
8°- Jogaria mais do que estou acostumado e isso pra mim era ótimo,
9° — Reyna pararia de me encher o saco.
Okay, tenho que admitir que as consequências daquele pedido me trariam bastantes benefícios. Mas é claro que eu não ia aceitar assim tão rapidamente, ainda tinha muito o que pensar.
Nesse final de semana, finalmente consegui conversar com Bianca, mas tive que prendê-la dentro do meu quarto para ela poder ao menos olhar para mim.
Estávamos no meu quarto, eu tinha pego-a desprevenida enquanto passava pelo corredor e a puxei para dentro do cômodo, trancando a porta para que ela não pudesse fugir.
–Me deixa ir embora agora, Nico – ela disse com completa raiva na voz.
–Não até você me dizer o motivo de estar me ignorando – eu disse cruzando os braços na frente do peito
–Desde quando você se importa? Depois do “acidente” você passou a me tratar como uma qualquer – ela rebateu com ódio na voz
– Senta! — eu disse empurrando-a para sentar em minha cama. Ela se sentou e cruzou os braços fazendo birra.
Parei para pensar um segundo e notei que ela tinha razão, mas eu só fiz tudo aquilo, só a tratei daquela forma para que ela não se apaixonasse por mim... Eu conheço Bianca muito bem e sei como ela se apaixona facilmente e ás vezes é difícil fazê-la se desiludir, então eu tinha que fazer aquilo para o bem dela.
Bianca e eu tínhamos uma ligação muito forte e eu sabia o quão ela poderia ser sensível e complemente bobona com relação a homens. Eu sempre a consolava quando algum filho da puta a tratava mal. Sem contar o fato que ela ainda era virgem e eu presava a virgindade dela mais que tudo.
Vai ver é por isso que ela começou a dar em cima de mim.
Não podia tratá-la normalmente, não depois da besteira que fizemos no banheiro e na vozinha, mesmo eu não lembrando exatamente dessa última.
–Olha, Bia – eu disse sentando na cama ao seu lado. Tentei encostar em seu ombro, mas ela desviou do meu toque e chegou mais pra longe de mim – Você sabe que eu me preocupo com você. Por isso que te tranquei aqui. Quero saber o que esta acontecendo contigo. E eu só te tratei daquele jeito para que você não se apaixonasse por mim
–Você poderia ter falado! Poderia ter me impedido! – ela gritou –E não me tratar da mesma forma que todos os caras que eu estou a fim e acabo agarrando me tratam! – ela parou e respirou fundo –Eu sei que por sermos irmãos eu não tinha a menor chance, mas sempre que você me dava aqueles selinhos eu sentia uma pontada de esperança – ela parou e abaixou a cabeça – Já desisti de você. Agora sei que não podemos ter nada mesmo.
Aquela enxurrada de coisas me deixou sem reação. Geralmente as mulheres diziam que não tinha nada, mas Bianca... Bem, ela praticamente me metralhou com suas palavras.
–Então porque você simplesmente não olha mais para mim ou conversa mais comigo? – perguntei
Ela ficou calada e desvirou o olhar para baixo, como se pensasse se contaria ou não o motivo de estar assim.
–Você sabe que pode contar comigo pra tudo, irmãzinha – eu disse pousando a mão em sua coxa
–Eu só não quero me machucar mais – ela disse e uma lágrima caiu em minha mão.
Odiava ver minha irma chorar.
–Bia, não chore – eu disse abraçando-a. Ela relutou no início, mas logo se agarrou a minha blusa, chorando – Quem foi o desgraçado além de mim que te machucou?
Ela se soltou de mim abruptamente e me encarou com raiva e como se não acreditasse no que eu tinha falado, seu rosto vermelho pelo choro e coberto de lágrimas.
–Quer dizer que você não se lembra? – ela disse incrédula e depois soltou uma risada de escárnio – Por que eu ainda me surpreendo?
–O que você quer dizer com isso? – perguntei mesmo sabendo que ela se referia a nossa pegação na cozinha. Para mim era melhor ela achar que eu não sabia daquilo.
–Nada, Nico... – ela disse para logo depois soltar um suspiro – Não quero te aborrecer com assuntos irrelevantes para você.
Bianca se levantou, fazendo menção de ir embora, mas eu segurei seu braço, levantando também.
–Nada que venha de você é irrelevante – eu disse segurando-a pelos ombros – Tudo que nós fizemos foi um completo erro. Eu não deveria ter deixado aquilo acontecer... Me perdoa.
Ela pareceu irritada com as minhas palavras, mas logo suavizou a expressão e me encarou de forma cética.
–Isso é passado. Vamos esquecer que isso aconteceu – finalizou e foi até a porta, destrancando-a e saindo pela mesma.
Bianca deixou-me com meus pensamentos no quarto escuro. Já era de noite e a única coisa que iluminava o quarto era a luz do abajur que eu tinha sobre a mesinha de cabeceira.
Larguei-me na cama de barriga para cima, olhando para o teto, imerso em meus pensamentos sobre tudo que estava acontecendo. Logo senti uma coisa subir na cama e leves pisadas sobre a colcha. Então, Sr. Bigodes caminhou lentamente até mim e deitou-se em cima da minha barriga. Acariciei sua cabeça com o dedão enquanto ele tava cabeçadas em minha mão.
– Por que isso tem que acontecer logo comigo? – perguntei para ele. O gato preto levantou os olhos verdes para me olhar e os fechou lentamente para abri-los logo em seguida com a mesma lentidão.
– Miau – ele disse em "resposta" e eu suspirei
Fechei meus olhos e deixe-me ser levado pelo nada que agora estava em minha mente. Adorava quando isso acontecia, quando eu não pensava em nada e parecia que eu não tinha nada para me preocupar.
– Que gato interessante você tem – disse uma voz masculina, fazendo-me sair do meu "estado em branco".
Levantei o rosto e vi Jason sorrindo para mim perto da porta, mas era um sorriso diferente dos outros que ele geralmente lançava para mim. Aquele parecia amigável e gentil, sem nenhum pingo de malícia. Mesmo assim, fechei a cara e o encarei com raiva. Claro que eu não tinha esquecido o que ele havia feito no final de semana passado.
– Se você está aqui para me provocar igual semana passada, por favor se retire – eu disse tirando o gato de cima de mim, sentei-me de pernas cruzadas e o aconcheguei em minhas pernas.
– Olha, eu sei que aquilo foi meio estranho, mas... — ele começou mas parou subitamente.
– Mas? "Eu posso explicar" – eu disse numa tentativa falha de imitar sua voz e revirando os olhos. Jason me olhou pensativo com a mão no queixo e olhando para cima.
– Na verdade não – ele disse e me lançou um sorriso nervoso. Seria uma cena engraçada, se o assunto não fosse serio.
– Então não tem nada pra fazer aqui – eu disse encarando-o com meu melhor olhar fulminante
Jason deu una rápida olhada em meu quarto e olhou para a TV a frente da minha cama.
– Vamos jogar? – ele perguntou de repente apontando para o meu XBOX
Olhei do aparelho para Jason e arqueei uma sobrancelha. Aquela situação toda estava estranha, mas eu não sentia cheiro de segundas intenções em suas palavras.
– O que você quer comigo? – perguntei diretamente
Jason me olhou e levou a mão até a nuca, coçando-a e sorrindo nervoso.
– Trégua – ele disse após um tempo. Franzi o cenho e inclinei um pouco meu corpo para trás – Eu sei que pode parecer estranho, levando em consideração que eu meio que te odiava, mas estou disposto a acabar com isso. Levanto a bandeira branca.
Semicerrei os olhos avaliando seus gestos. Eu era péssimo em "ler" as pessoas, então não sabia se era verdade ou apenas mais um modo de me provocar e me irritar. Eu estava acostumado a me decepcionar com as pessoas, então eu sempre desconfiava de tudo e todos.
– O que vocêrealmente quer? Por que isso de repente? — perguntei ainda sem acreditar no que ele havia falado.
– Eu quero me redimir com você. Meio que deixei o ódio que Percy tem por você passar pra mim e agora eu vejo que isso não estava certo. – ele disse meio sem jeito.
Achei que ele tinha raiva de mim por causa do meu rolo com Thalia, mas preferi deixar aquilo quieto. Não sabia como ele reagiria ao lembrar-se disso.
– Por que? – perguntei ainda duvidando de sua palavra. Ele pareceu ficar um pouco irritado com a minha falta de confiança nele.
– Por que eu vi que você pode ser legal quando quer – ele disse – Chega dessa coisa de te atormentar, quero que sejamos amigos.
Ele pareceu acrescentar algo a frase em voz baixa, mas eu não entendi o que ele falou e também não estava muito interessado.
– O que eu ganho te dando uma chance? Estou acostumado a me decepcionar com as pessoas. – disse dando de ombros
– Pode crer que vou fazer de tudo para não te decepcionar, Anjo– ele disse começando a se animar
– Pra começar, corta essa de “Anjo” – eu disse com raiva pelo apelido. Ele olhou-me e sorriu.
– Príncipe? — ele disse arqueando as sobrancelhas de forma divertida.
Não acredito que eu escutei aquilo.
– Vamos voltar para o Anjo... — eu disse revirando os olhos.
– Então... Vai me dar essa chance?
Pensei um pouco e coloquei o Sr. Bigodes na cama para depois levantar-me da mesma. Caminhei até a TV e liguei-a juntamente com o vídeo game. Jason apenas seguia meus movimentos com os olhos e com um sorriso estampado no rosto.
Ainda não estava acreditando que eu realmente faria aquilo.
Peguei os dois controles e joguei um para ele.
– Eu sou o player 1 – eu disse sentando na cama de pernas cruzadas esperando o jogo Call of Duty — Black Ops II começar
Jason ainda me encarava com um sorriso, mas esse se desfez quando olhou para o Sr. Bigodes ao meu lado.
– Não vai jogar não?
– É que... — ele disse coçando a nuca – Pode tirá-lo daqui?
– Quem? O Sr. Bigodes? – perguntei franzindo o cenho e ele riu.
– O nome do seu gato é Sr. Bigodes?
– Ei! Eu tinha 8 anos quando dei o nome pra ele! — exclamei e depois cruzei os braços emburrado virando a cara.
Ouvi a risada de Jason e logo senti seus lábios quentes em minha bochecha em um beijo rápido.
– Não fica assim, Anjo – ele disse bagunçando meus cabelos – Eu só estou brincando com você.
A essa altura eu estava com o rosto mais vermelho que pimenta e queria enfiar minha cara no chão. Não que eu não tenha gostado do gesto, mas cara... É o Jason... Ele nunca fez coisa tão... Fofinha?
– Tá, tá – eu disse virando ainda mais o rosto para ele não ver a vermelhidão – Senta logo e vamos jogar.
– Mas e o gato? — ele perguntou apontando para o Sr. Bigodes que dormia ao meu lado
– Qual o problema com ele? — perguntei com cara de tédio.
– Digamos que os gatos não gostam muito de mim... — ele disse sorrindo nervoso – Principalmente da minha cara.
– Traumatizado? — perguntei rindo e ele revirou os olhos assentindo – Cara, o Sr. Bigodes é inofensivo.
– Não ria da minha desgraça, Anjo! – ele exclamou – É sempre o que o dono diz antes do gato dele estar pulando na minha cara.
Bufei e levantei tirando o Sr. Bigodes da cama e colocando-o no puffe preto que havia em meu quarto.
– Prontinho Senhor Frescura – eu disse sentando novamente na cama.
– Obrigado, Anjo – ele disse sentando-se ao meu lado.
– Modo zumbi? — perguntei sorrindo e ele retribuiu
– Modo zumbi.
Selecionei as paradas lá e começamos a jogar. Estávamos relativamente afastados um do outro e isso me deixou ao mesmo tempo confortável e meio chateado. Claro, ele estava tentando ser meu amigo e o fato de ele estar respeitando meu espaço estava me deixando bem, mas ao mesmo tempo eu sentia que queria tocá-lo, independente de qual modo.
Estávamos concentrados e comemorávamos sempre que conseguíamos matar uma penca de zumbis. Aquele jogo me deixava meio nervoso e agitado sempre que milhares daqueles bichos vinham pra cima da gente.
– Não! — gritei levantando assim que o meu personagem deu baixa.
– Calma, eu vou te salvar – ele disse concentrado desviando de alguns zumbis e matando outros.
– Tudo bem – eu disse me acalmando e sentando ao seu lado novamente.
Dessa vez, eu sentei mais próximo dele, fazendo com que nossas pernas se encostassem. Pela minha visão periférica pude ver que Jason olhou de mim para nossas pernas se tocando e arregalou os olhos.
– O que foi? – perguntei olhando para ele. Estava levemente corado
– Na-nada – ele disse voltando a olhar para a TV, mas não tinha mais jeito. Tínhamos perdido.
– Ah Jason! Isso é culpa sua! – exclamei batendo nele com meu travesseiro – Se você não tivesse hesitado nós poderíamos continuar vivos!
– Ei, calma lá Anjo! – ele disse rindo tentando se defender – Você me desconcentrou! A culpa é sua!
– Minha nada! – eu disse me jogando em cima dele, fazendo-o deitar na cama, e tampei sua cara com o travesseiro.
Jason se debateu um pouco, mas logo começou a fazer cócegas em minha cintura, fazendo-me largá-lo imediatamente. Essa coisa não é de Deus, definitivamente.
– Pa-para! – exclamei rindo deitado na cama com Jason ao meu lado fazendo as cócegas.
Ele parou rapidamente, mas ao invés de se afastar rindo, ele se aproximou e me abraçou, dando um beijo demorado no topo da minha cabeça.
Senti meu coração falhar uma batida e todo o sangue do meu corpo subir para minhas bochechas. Tentei me afastar, mas Jason impediu-me.
– Me solta! – exclamei rindo um pouco nervoso.
Então Jason me soltou e ficamos nos encarando por uns segundos. Nunca tinha reparado o quão lindos eram os olhos dele. Aquele azul gelo era uma cor exótica e muito bonita. Cai-lhe perfeitamente. Suas bochechas também estavam um pouco coradas, mas duvido que estava mais que as minhas.
– Ér... – eu disse virando o rosto, quebrando a conexão que nossos olhos estavam mantendo até ali – Vamos jogar mais?
O loiro sorriu carinhoso e assentiu com a cabeça.
– Vamos ver se você é mesmo bom com uma arma – ele disse em um tom desafiador e eu arqueei uma sobrancelha.
– Está me chamando pro x1, senhor Grace? – perguntei de forma divertida
– Se você acha... – ele disse sorrindo
– Vamos – eu disse animado – Quero te derrotar logo!
– Vai sonhando! – ele disse me empurrando com o ombro
Colocamos no jogo e começamos a partida.
Ficamos até altas horas da noite jogando e nos divertindo. E eu tinha que admitir que não estava sendo má ideia ter Jason como amigo, mesmo estando ainda com um pé atrás.
Espero que ele não me decepcione como todo mundo.
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