Oh, Dammit! [A SER REESCRITA]
6 Tudo tem sua primeira vez, não acha?
Notas iniciais

Nico
Eu estava novamente no internato que eu comecei a frequentar aos 13 anos.
Estava em uma sala observando todos os alunos da minha série se prepararem para alguma coisa. Olhei para minhas mãos e elas estavam quase invisíveis, estava apenas observando o sonho. Podia ver um moleque de cabelos e olhos pretos rindo animadamente com seus amigos. Reconheci-me mais novo rapidamente, mas demorei um pouco a reconhecer meu time de basquete.
Mas eu não estava me lembrando desse dia. Era como se eu nunca tivesse vivido aquilo, mas estava guardado na minha mente. Riamos e conversávamos enquanto esperávamos o diretor chegar.
Assim que o diretor chegou, um monitor fez a chamada enquanto outro contava os alunos que entravam no ônibus. Atravessei algumas crianças para poder entrar no ônibus e ver um Nico pequeno sentando no fundo junto com seus, no caso meus também, amigos e ficaram conversando até a partida.
A ida até o local foi simplesmente uma bagunça, todos cantavam músicas para se divertirem e faziam alguns joguinhos e brincadeiras para passar o tempo.
A viagem em si não foi longa, mas como dava para ver que todos estavam super ansiosos, pareceu que tinha demorado um século. Quando chegaram, o diretor e os monitores nos passaram algumas orientações e então todos saíram do ônibus para a diversão.
Era um parque de diversões, mas eu definitivamente não me lembrava de ter ido aquele lugar. O meu eu pequeno andou em vários brinquedos como se não houvesse amanhã, fizeram apostas de crianças querendo se divertir e comeram alguns lanches que tinham sido oferecidos. Passaram a tarde inteira se divertindo e rindo como se a vida dependesse disso.
Eu apenas observava o meu eu pequeno se divertir com um sorriso no rosto. Não me lembrava muito do internato que eu frequentava, mas dava para ver que eu era feliz lá. Mas ainda sim sentia que alguma coisa estava errada... Era como se algo estivesse faltando.
Quando eles estavam voltando para o ônibus, meus amigos e o meu eu pequeno eram os últimos no grupo e estavam um pouco atrás. Ethan Nakamura, um garoto de cabelos negros que sempre competia comigo em tudo, começou a querer fazer apostas novamente.
– Duvido que você seja mais rápido que eu, Nico – ele disse sorrindo e andando de costas na frente do meu eu mais novo.
– Você sabe muito bem que não é verdade – eu disse sorrindo também.
– Então vamos apostar uma corrida – ele disse se posicionando ao lado do meu eu mais novo.
– Lá vamos nós de novo... – reclamou Frank – Vamos parar gente, por favor?
– Não antes de eu vencer o di Angelo, Frank – zombou Ethan se inclinando em posição de corrida.
– Você sabe que vai perder feio, não é Nakamura? – o eu pequeno disse fazendo o mesmo gesto.
– Conta para a gente, Frank. Daqui até o ônibus.
O asiático revirou os olhos, mas se posicionou um pouco mais a frente de nós dois, bem no meio. Fez a contagem e saíram em disparada. Ethan estava na minha frente, mas estava quase chegando perto dele.
Foi ai que as coisas aconteceram muito rápido.
Olhei para aquela cena sem acreditar. O meu eu pequeno olhou para um lado, vendo um carro indo na direção dele e de Ethan. Como Ethan estava mais a frente, o carro iriam atingi-lo mesmo se tentasse frear. Ele pareceu não ver o carro, deveria estar muito concentrado em me ganhar para prestar atenção ao seu redor. O meu eu pequeno correu o mais rápido que pode, bem a tempo de gritar o nome de Ethan e empurrá-lo para fora do alcance do carro.
Ethan rolou a salvo, enquanto meu pequeno corpo era atingido violentamente pelo carro. Vi o pequeno Nico rolar inconsciente pelo chão com uma poça de sangue ao seu redor e o braço e a perna em ângulos esquisitos.
Então o sonho mudou.
Agora eu estava em uma sala de hospital, vendo o meu corpo pequeno inconsciente deitado em uma maca com o braço direito engessado e a perna esquerda também. Vi minha mãe com um olhar cansado e lágrimas secas em seu rosto vermelho.Um cara de jaleco branco entrou no quarto e minha mãe levantou da cadeira em que estava sentada rapidamente.
– Como ele está, doutor? – a voz doce e preocupada da minha mãe preencheu meus ouvidos.
– A pancada foi realmente violenta, mas ele vai ficar bem. – disse o médico – Ele quebrou um dos braços e uma perna, e bateu a cabeça muito forte no chão quando caiu, então é possível que ele tenha amnésia.
– A-amnésia? – gaguejou minha mãe e começou a chorar novamente.
– Há vários tipos de amnésia, Maria. Ele pode se esquecer de completamente tudo, assim como pode esquecer apenas de um pedaço de sua vida, ou se esquecer momentaneamente, como também esquecer para sempre. Também pode ser que ele venha a esquecer-se facilmente das coisas que aconteceram recentemente – disse o doutor – Vamos esperar ele acordar para ver o que acontece.
Então tudo se silenciou e eu senti que desmaiei.
[...]
Quando acordei, estava em outro local, estava no meu quarto na verdade, e minha mãe fazia carinho em meus cabelos. Estava sentada em uma cadeira ao lado da minha cama, olhando para mim como se tivesse esperando que eu acordasse.
– Como está se sentindo, amor? – ela disse claramente cansada e receosa, provavelmente por causa da amnésia que o médico disse que eu poderia ter.Estava com olheiras e uma cara de cansaço que chegava a dar pena.
– Estou bem – o mini Nico respondeu com a voz fraca, tentando se sentar, mas notou que o braço direito estava engessado – O que aconteceu?
– Você caiu da escada do internato – mentiu minha mãe sorrindo e eu fiquei sem entender. Porque ela mentiria sobre uma coisa dessas?
Meu mini eu ficou em silêncio, tentando se lembrar do que aconteceu, do motivo de ele/eu ter caído da escada, mas aparentemente não conseguiu se lembrar de nada.
– Nico, quero lhe fazer umas perguntas – ela disse pegando uma caixa e a colocando em seu colo.
Ela abriu a caixa revelando milhares de fotos dentro dela. Pegou algumas que estavam separadas por um clipe e me mostrou. A primeira estava eu e minha irmã mais velha, Bianca sorrindo em um escorregador.
– Sabe quem é ela? – perguntou.
– Minha irmã mais velha, Bianca – ele/eu disse simplesmente, estranhando o motivo daquilo, mas estava tão fraco e cansado que apenas respondia se lembrava ou não de cada pessoa na foto.
Eu estava tentando entender tudo aquilo. Eu não me lembrava de jeito nenhum que aquilo tinha acontecido. O acidente, a ida para o hospital. Eu sempre tive a memória bem fraca, mas não creio que seja isso... Quer dizer, eu não me esqueci de uma parte da minha vida, esqueci?
Até então eu não estava reconhecendo algumas pessoas, provavelmente amigos, mas ai a última foto me chamou a atenção. Nela estava eu e um menino de cabelos negros e olhos verde-mar, pele bronzeada e um sorriso divertido. Com certeza era o Percy. Estávamos sorrindo e ele segurava a câmera. Era uma foto engraçada, pois estava meio torta e só mostrava nossos rostos.
– Você se lembra dele, querido? – perguntou minha mãe.
Não estava acreditando naquilo. Eu conhecia Percy antes de entrar para a Goode High School? Aquela foto sequer existia? Meu mini eu tentou buscar no fundo da nossa memória quem era aquela pessoa, mas não conseguia se lembrar de jeito nenhum.
– Eu não me lembro – ele/eu disse com a voz fraca – Não consigo me lembrar.
Minha mãe me olhou com pesar e começou a chorar. Antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisa, eu acordo.
– Nico di Angelo! – uma voz masculina gritou em meu ouvido, me fazendo acordar rapidamente, ofegando.
– Mas o que... – eu comecei a dizer com os olhos arregalados. Não estava me lembrando de nada que havia sonhado. Esfreguei os olhos meio sonolento e olhei para o sujeito que havia me acordado. – Porque você está me acordando? Isso não é trabalho da Linda?
– Ér... – disse Percy parecendo que não sabia o que iria dizer – O café está na mesa.
Ele então, simplesmente saiu do quarto rapidamente, batendo a porta atrás de si, me deixando completamente confuso com sua atitude.
Então uma dor insuportável na cabeça me atingiu. Além de não me lembrar do sonho que eu acabara de ter, não me lembrava de nada que tinha feito ontem a noite. Lembro-me de ter ido para a casa de Leo por não querer ficar olhando para a cara de Percy e que bebemos algumas garrafas de alguma bebida russa que Charles, irmão de Leo, trouxe de sua viagem.
Pelo visto a parada era realmente forte.
Levantei-me com certa dificuldade e fui para o banheiro com um dor de cabeça tremenda. Vasculhei os armários e achei um remédio para dor de cabeça. Peguei a cartela e me olhei no espelho, eu estava completamente acabado. Notei que meu abdômen estava com algumas marcas vermelhas paralelas, como se alguém tivesse me arranhado. Mas quem poderia ser? Será que eu e o Leo... Balancei a cabeça afastando o pensamento. Isso definitivamente não era possível.
Então fiquei me perguntando como conseguira aquelas marcas e porque eu tinha acordado sem roupa, apenas de cueca. Depois eu iria atrás das respostas, não estava com muita cabeça para isso.
[...]
– Toma – disse Percy pagando a minha parte e eu, óbvio, fiquei boquiaberto com a atitude dele. – Podemos ir agora?
– Mas... – tentei protestar, mas ele me interrompeu levantando a mão. Qual é a desse cara? Primeiro me trata como lixo, me xinga e agora faz uma “boa ação”? O pior, ainda vou ter que dever dinheiro a ele!
– Agora sim – disse America indo em direção a porta – Boa festa para vocês!
Então saiu da sala. America era simplesmente inacreditável. Ainda não estava acreditando que ela me fez dever vinte e cinco dólares para o Jackson! Okay, não posso falar muita coisa porque eu faria o mesmo, isso era óbvio.
– Olha ,Jackson, você... – tentei mais um vez protestar, mas ele não deixou.
– Não se preocupe. Eu conheço America. É melhor você ficar devendo a mim do que a ela, acredite – ele disse sem me olhar nos olhos.
– Mas...
– Nós não temos tempo para brigas agora Nico! – exclamou Thalia tentando manter o tom baixo.
Fomos para a janela e descemos pela grade de madeira que tinha algumas plantas. Fomos um de cada vez até todos estarmos no chão.
Percy tomou a dianteira e nos guiou para depois da piscina, onde tinha um quadro elétrico. Thalia desligou a cerca elétrica enquanto vigiávamos. Depois passamos por de trás das casas dos empregados e começamos a escalar o muro que não era tão alto.
Tenho que dizer que a fuga foi muito mais complicada do que pensei. Além de quase termos sido pegos umas duas vezes pelo porteiro que faz uma ronda, tivemos que parar de escalar o muro umas três vezes por causa das luzes da casa dos empregados que foram acesas. Eu fui o último a pular e dei graças a Deus por todos aqueles treinos pesados no clube. Se eu não tivesse começado a jogar, nunca teria conseguido fazer aquilo com tanta rapidez.
Já do outro lado, corremos até a outra rua e entramos em um Fiat cinza já meio usado. Percy entrou no banco do passageiro dando um selinho em Annabeth, enquanto eu me espremia entre Jason e Thalia, que teimou que queria ficar na janela.
– Vocês demoraram, aconteceu alguma coisa? – perguntou Annabeth com os olhos na rua.
– America – disse Percy meio com raiva e Annabeth disse um “Aaah”, como se isso já tivesse acontecido outras vezes.
A America é das minhas, com certeza.
Ficamos em silêncio até chegarmos ao campus da Universidade da Califórnia. Paramos na guarita e mostramos nossos convites para o cara que estava responsável. Ele nos deu passagem e seguimos para dentro do campus. Eu tinha certeza, que quando saísse daquele inferno que eu chamo de colégio, eu iria ganhar uma bolsa para essa universidade e moraria em uma dessas fraternidades.
Estávamos na “Rua Grega”, onde todas as fraternidades ficavam. Todas estavam apagadas, o que me levou a concluir que estavam todos na festa da Beta Phi Kappa. Logo chegamos a uma casa completamente iluminada com a música nas alturas. A casa parecia transbordar de pessoas de tão cheia que estava.
Comecei a me animar rapidamente pensando nas gatas que eu podia pegar, nas brincadeiras de bebida que eu poderia participar... De tudo para esquecer meus problemas.
– Leo deveria estar aqui – sussurrei para Thalia, já que estava debruçado em cima dela para ver a casa.
– Com certeza – ela disse passando as mãos em meu cabelo. – Ia ser muito mais divertido com ele aqui. Imagine as loucuras que poderíamos fazer!
– Hoje somos só eu e você, gata – eu disse rindo e ela me acompanhou.
Senti um olhar pesado em minhas costas. Olhei rapidamente para trás de Jason estava me olhando, mas assim que seu olhar se encontrou com o meu, ele desviou. Tinha uma cara de poucos amigos, provavelmente por causa da minha intimidade com Thalia. Se eu fazia isso para irritá-lo? Mas é claro que sim!
Dei um beijo no canto da boca de Thalia só para irritar o Grace, mas isso não durou muito, pois Annabeth achou um lugar para estacionar e logo saímos do carro. Tínhamos chegado quase uma hora e meia atrasados, mas esse tipo de festa iria até tarde, então não tinha muito problema.
Se as festas durante a semana eram daquele nível, as de sexta-feira eram maravilhosas. Leo, Thalia e eu ainda vamos virar a noite em uma fraternidade assim depois de cairmos de tão bêbados.
Entrei na casa puxando Thalia, deixando os outros três lá no jardim. Não estava a fim de passar a festa olhando para a cara daqueles dois. Claro que eu os veria em algum momento, mas quanto menos tempo melhor. Como esperado, a casa estava lotada, então foi foda arrastar Thalia para dentro da cozinha. Cumprimentei alguns conhecidos que estavam lá e partimos para a bebedeira.
Pegamos uns copos de alguma coisa que estavam em cima do balcão, brindamos a nossa farra e viramos tudo de uma vez, sentindo o álcool descer rasgando pela garganta. Algumas pessoas já estavam bêbadas e no dado momento, alguns meninos estavam bebendo vodka na barriga de uma garota supergostosa.
– Você não quer fazer isso quando for minha vez? – eu disse no ouvido de Thalia, que riu e me bateu. Ainda não estávamos bêbados, mas ela já estava acostumada com o meu jeito. Eu dava em cima dela, mas era apenas zueira e ela sabia disso.
– Vem – ela disse pegando uma garrafa inteira de Big Apple e outra de Schweppes e me puxou pela mão livre, que não segurava o copo, até o lado de fora da casa, onde tinha uma piscina com gente fumando e se drogando na grama.
Sentamos na grama afastados e fizemos nossa mistura. Brindamos mais uma vez e viramos.
– Como anda a vida na casa dos Jackson? – perguntou ela misturando mais uma vez o refrigerante e a Big Apple em nossos copos.
– Ah, está sendo... – comecei, mas parei para procurar as palavras perfeitas – Uma experiência diferente.
– É, lá não é um lugar que pode se chamar de normal – riu ela – Ainda mais quando eu e Jason vamos para lá. – fez uma pausa – Mare me contou o que vocês fizeram com o Percy! Eu queria muito está lá pra zoar com a cara do meu primo.
– Foi simplesmente ótimo ver a cara dele – eu disse rindo e tomando mais um gole da mistura – Estou levando em mudar de hobby. Sabe, azucrinar Percy é fantástico!
Ela riu e continuamos a conversar sobre esse assunto. Parei de contar depois do sétimo copo e digamos que eu já estava bem alterado. Estávamos rindo a toa e conversando coisas completamente sem nexo.
Thalia levantou e foi até um dos caras que estava fumando e voltou rapidamente com duas coisas na mão, o que eu julguei ser baseado. Ela me entendeu um e colocou o outro na boca, ambos estavam acessos.
– Eu nunca fumei, Thalia – eu disse rindo.
– E você acha que eu já? Vamos tentar, não custa nada – ela disse dando uma tragada para logo depois soltar a fumaça – É mais fácil que eu pensei – ela riu e olhou para mim com expectativa.
Tentei imitar o que ela fez, mas não deu muito certo. Engasguei com a fumaça dentro da minha boca e comecei a tossir, fazendo fumaça sair pelo meu nariz. Thalia começou a rir desesperadamente com o baseado entre os dedos.
– Ei! Isso não tem graça – reclamei e tentei mais uma vez tragar aquela coisa, mas aconteceu a mesma coisa. – Qual é!
– É um dom – disse Thalia rindo e levando o baseado até a boca.
– Me ensina – eu disse tentando parecer sério, mas eu o álcool já tinha devorado uma parte da minha sanidade.
– Você simplesmente puxa! – ela disse rindo – Qual é, essa coisa não se ensina!
Revirei os olhos e tentei mais algumas vezes, sem sucesso. Thalia estava rolando de rir com a cena. Depois de um tempo desisti e passei aquela coisa do capeta para ela, que começou a fumar assim que terminou o dela.
– Vou buscar mais bebida – eu disse me levantando, mas cai de bunda no chão, fazendo Thalia rir.
Provavelmente não vou me lembrar de nada amanhã.
– Ah cala a boca Grace! – exclamei quando ela disse que eu parecia um idiota.
– Vem calar então! – ela disse me desafiando e caindo na risada novamente.
Agarrei Thalia pela cintura e dei um selinho nela para ela calar a boca. Ela não tinha pedido? Então tá ai. Ela agarrou minha nuca, me puxando para mais perto e aprofundando mais o beijo. Pedi passagem com a língua e ela cedeu sem hesitar. Ela estava com fogo. Sempre sabia quando ela estava assim. Assim que nossas línguas se tocaram, separei-me dela rapidamente e levantando. Quase cai, mas a cara que ela fez foi demais.
– Ei! – ela reclamou quando me viu em pé rindo da cara dela. – Você está morto, di Angelo.
Ela tentou se levantar, mas estava tonta demais para conseguir isso com tanta rapidez. Sai correndo para dentro da casa empurrando alguns indivíduos para não ser morto por aquela morena demoníaca. Eu estava tonto, então minha fuga não foi tão rápida.
Estava meio perdido lá dentro quando um par de mãos me agarrou pela cintura e me puxou para um cômodo escuro. Ouvi um click e soube que a porta tinha sido trancada. Por um minuto entrei em pânico pensando que era Thalia que iria me matar em um local fechado onde ninguém pudesse ver, mas minha teoria foi desfeita quando a luz do local, um banheiro grande com várias cabines, revelando um loiro de olhos azuis olhando para mim sério.
– Você veio aqui me encher de porrada a pedido do Jackson, Grace? – eu disse com desdém e logo soltei uma risada sarcástica – Cai pra dentro.
Posicionei-me desajeitadamente em uma posição de luta. Eu estava bêbado e mal me aguentava em pé, mas aquilo seria divertido. Não, eu não iria apanhar. Aprendi tanta coisa no internato que vocês não tem ideia. Mas às vezes eu tinha a impressão que estava faltando alguma coisa em minha memória.
Jason se aproximou de mim e eu estava a ponto de socá-lo quando ele me prendeu entre a porta e ele. Fiquei totalmente sem reação. Jason era mais alto que eu, chutava uns 12 centímetros, já que era mais alto que Percy. Por mais alto que ele fosse, seu rosto estava próximo do meu.
– Então, Nico – ele disse calmamente. Não senti nenhum cheiro forte de bebida – Você andou bebendo muito?
Sua presença tão perto de mim me fez corar. Eu estava comprimido na parede, tentando me afastar o máximo possível dele, mas minhas pernas não conseguiam fazer nada que pudesse me livrar daquela “prisão”.
– Hein? – ele perguntou com certo divertimento
Apenas assenti com a cabeça. Aquilo estava completamente errado e estranho. Meu coração estava estranhamente acelerado e meus lábios estavam entreabertos, para que eu pudesse respirar direito, porque minha respiração tinha ficado descompassada.
Nossos olhos estavam conectados de um jeito que eu não coseguia desviar nem se quisesse. Jason deu um sorriso de lado quando viu que eu estava estranho e corado e se aproximou mais de mim, deixando nossos lábios a poucos centímetros. Seus olhos abaixaram rapidamente para minha boca, mas logo voltaram a encarar meus olhos.
– Olha, Jason, eu sei que você curte essa fruta – eu disse fazendo uma pausa – Mas o meu negócio é outro.
Ele apenas riu em pouco e me lançou um sorriso malicioso.
– Tudo tem sua primeira vez, não acha? – ele disse ainda com o sorriso malicioso que estava me deixando um tanto estranho. Não estranho de desconfortável, um estranho agradável – E tudo bem se for eu?
Não sei por que, mas aquelas palavras não me chocaram. Apenas abaixei meus olhos para os seus lábios, vendo sua pequena cicatriz no lábio superior. Passei a língua no canto da boca e a mordi de lado, tentando conter meus pensamentos impuros.
Jason arqueou as sobrancelhas como se pedisse uma resposta. Apenas fechei meus olhos lentamente, concordando minimamente com a cabeça e os abri na mesma lentidão. Ele pareceu entender o recado, pois logo em seguida meus lábios estavam grudados nos dele.
Os lábios de Jason eram quentes e macios. Eram bem diferentes dos de Thalia, que era gélidos e tinham gosto de morango. Qual era o meu problema? Eu estava comprando o beijo de dois irmãos?
Perae...
Eu estava beijando Jason? É isso mesmo produção? Eu poderia me matar agora mesmo.
Eu devia estar muito bêbado para concordar com uma ideia insana dessas! Mas eu não conseguia me desviar de Jason, na verdade, não queria. O beijo demorado estava sendo algo estranho e novo para mim e eu estava gostando dessa experiência.
Sua língua invadiu a minha rapidamente e eu me vi correspondendo o beijo de Jason na mesma intensidade que ele. Nossas línguas brigavam por espaço. As mãos de Jason foram para minha nuca, aprofundando o beijo do mesmo jeito que Thalia fez alguns minutos antes, mas o toque dele era diferente. Não digo isso por ele ser homem e ela mulher, mas por incrível que pareça o toque dele era mais... delicado? Não sei a palavra certa para descrever isso.
Instintivamente, minhas mãos foram parar em sua cintura, juntando mais nossos corpos quando o puxei para mais perto de mim. Logo suas mãos estavam tirando minha jaqueta de aviador e jogando-a em algum canto do banheiro.
O ar foi necessário, mas ao invés de parar e me encarar, Jason traçou uma trilha de beijos da minha boca até meu pescoço, me deixando arrepiado a cada toque de sua boca com minha pele. Ele deu algumas mordidas em meu pescoço, me fazendo arfar, mas logo teve que parar. Alguém começou a bater na porta desesperadamente.
– Abram essa merda seus pervertidos, tem gente passando muito mal aqui! – gritou uma garota
Arregalei os olhos para Jason, mas sua expressão era de felicidade. Ele estava levemente corado, o que achei um tanto estranho levando em consideração que ELE me agarrou, então EU que deveria estar morrendo de vergonha. Abri a boca para falar alguma coisa, mas ele levou o indicador a boca, fazendo um “ssh” logo em seguida. Ele pegou minha jaqueta do chão e me guiou até uma cabine.
– Fique ai – ele disse sorrindo – Quando a garota entrar você pode sair.
Apenas assenti e ele fechou a porta. Fiquei esperando. Ouvi o click da porta sendo aberta e os berros da garota xingando Jason. Vi pela parte de baixo da cabine que uma pessoa estava sendo arrastada. Eles entraram na cabine ao lado e eu pude sair tranquilamente.
Olhei rapidamente para os espelhos a minha frente e percebi uma coloração vermelha em minhas bochechas. Eu estava corado. Eu odeio corar. Ainda mais quando... Bem, esquece.
Sai rapidamente do banheiro procurando Jason para eu tirar satisfação daquilo, mas assim que o encontrei ele estava agarrado a Piper, uma garota da Beta Phi Kappa que eu conhecia. Qual é, ele me beija e agora está se amassando com uma garota?
Cerrei meus punhos na lateral do corpo e deixei a raiva me consumir. Eu iria lá, bater nele obvio, mas fui interrompido por um empurrão que quase me fez beijar o chão. Assim que me equilibrei olhei para trás e vi Thalia com uma cara nada boa.
– Thal...
– Não venha com Thalia – ela disse colocando o dedo na minha boca – Vem.
Ela me puxou para o andar de cima e entramos em um quarto escuro. Eu sabia o que vinha a seguir. Hoje é o dia de levarem o Nico para locais escuro e abusar dele, né? Bosta, nunca mais bebo desse jeito.
– Olha Thalia – comecei, mas ela tampou minha boca com a mão.
Ela olhou pra mim de forma repreensiva e apontou para algum lugar do quarto. Parei um segundo e olhei para onde ela havia apontado. Minha visão demorou séculos para se acostumar e notar o que estava acontecendo ali, mas minha audição foi mais rápida. Primeiro ouvi gemidos abafados e depois vi a movimentação de vai e vem.
Olhei para Thalia interrogativamente. Porque diabos ela me trouxe em um quarto onde tem gente trepando? Ela perdeu a cabeça? Thalia chegou perto de mim e disso no meu ouvido que eram Percy e Annabeth ali. Tentei abafar um riso e olhei para ela de uma maneira que ela entendeu rapidamente. Levantou uma garrafa de refrigerante cheia de água e lançou-me um sorriso.
– BORA PARA DE TREPAR AI! – ela gritou jogando o conteúdo da garrafa nos dois.
– THALIA! – berrou Percy todo molhado.
Não tive muito tempo para ver a reação completa dos dois, até porque estava tudo escuro e eu estava bêbado, mas o fato de Thalia gritar um “corre” e me puxar rapidamente pelo braço me impediu de ver a cara dos dois.
Estávamos rindo e saímos correndo para fora da casa, mas não antes de esbarrar em Jason, que ainda estava beijando Piper e ele nos olhar interrogativamente.
– Nós vamos pra casa de táxi! – gritou Thalia para o irmão, que não estava prestando a mínima atenção nela, mas se me olhando sem expressão alguma.
Dei o dedo do meio para ele antes de Thalia me puxar para fora da casa. Acabamos caindo no chão e ela começou a rolar de rir. Acompanhei-a na risada, imaginando a reação deles diante do trote de Thalia.
Ficamos um tempo rindo até conseguirmos parar completamente. Thalia conseguiu levantar primeiro e me ajudou estendendo mão. Ela ligou para um táxi e ficamos sentados no meio fio esperando nossa “carona”. O silêncio se instalou entre nós, mas isso não era nem um pouco desconfortável.
– Por onde você andou? – ela perguntou depois de um tempão.
A cena do banheiro veio em minha cabeça e eu hesitei um pouco antes de dizer:
– Olha, o táxi chegou – apontei para o automóvel amarelo que vinha em nossa direção.
Salvo pelo gongo.
Entramos no táxi e enquanto Thalia passava o endereço para o motorista, encostei-me à janela e fechei os olhos, adormecendo rapidamente.
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