Oh, Dammit! [A SER REESCRITA]
7 Nunca mais bebo na minha vida!
Notas iniciais

Nico
Se a vida te dá limões, faça um suco de maçã.
Acordei com uma louca varrida me chacoalhando freneticamente quase gritando meu nome.
Quando você é acordado por uma menina, você espera que ela seja carinhosa, fofa e que te dará um beijo na bochecha para te acordar de vez. Então quem está me acordando só pode ser um homem no corpo de uma mulher, porque assim que eu abri meus olhos, levei um puta tapa na cara.
– Você bebeu? — eu disse arregalando os olhos e massageando a bochecha que Thalia acertou.
– Bom dia senhor Obvio – ela disse rindo – Qual é Nico, você bebeu comigo!
Apenas revirei os olhos e sai do táxi pela porta oposta em que Thalia estava. Ela pagou o motorista, já que eu estava sem nem uma moeda de um centavo na carteira, e seguimos para a parte de trás da mansão dos Jackson.
Não estávamos sóbrios, mas também não estávamos completamente bêbados. Entretanto, ainda me perguntava como iríamos escalar o muro da mansão naquele estado. Eu estava vendo eu me embolar nos fios elétricos e acordar todo mundo com os gritos que Thalia daria me xingando por ter sido tão idiota.
Deveríamos ter pensado nisso antes
Calma. Respira. É só um muro.
Com muita dificuldade, conseguimos passar para o outro lado do muro, mas tenho que dizer que a minha aterrissagem não foi lá a das melhores. Isso porque eu cai de cara no chão, ralando um pouco minha bochecha.
– Você tem que ser tão estabanado assim? – reclamou Thalia quando eu dei um gemido de dor. Sabia que ela ia me xingar.
– Como se eu quisesse ser assim – eu disse revirando os olhos, ainda estirado no chão.
Thalia me ajudou a levantar e sorrateiramente, subimos a mesma grade de madeira, porém com certa dificuldade. Tenho mesmo que dizer que eu quase beijei o chão de novo? Pois bem, Thalia me puxou com tanta força para dentro do cômodo que eu quase estraguei meu rostinho lindo mais uma vez.
Depois disso, ela se encaminhou para o quarto de hospedes, onde ela e Jason iriam dormir durante esses dias que passariam aqui e eu para o quarto do Jackson. A essa altura eu não estava tão tonto e o efeito do álcool já estava passando, mas mesmo assim sabia que ia ter uma puta dor de cabeça quando acordasse.
Já eram três da manhã quando eu entrei no chuveiro de roupa e tudo. Estava com uma puta preguiça de tirar a calça e a cueca, então fiquei apenas sem blusa deixando a água fria bater em minha pele pálida.
Foi ai que eu tive um momento para repassar tudo que aconteceu na festa. As lembranças passaram rapidamente por minha mente, mas quando chegou em uma parte um tanto embaraçosa, minha mente se recusou a “passar” essa memória, então fiquei um tempão pensando no meu beijos com Jason.
O modo como nossas línguas se tocaram, me fez arrepiar. A sensação de choque térmico quando sua pele quente entrou em contato com a minha fria, era estranhamente boa. No inicio fiquei assustado com sua atitude, mas eu estava bêbado e tinha me entregado a ele assim, fácil e rápido.
Eu me sentia completamente estranho por ter deixado o Jason me beijar daquela maneira. Não que não tivesse sido ruim, infelizmente estava longe disso, mas... Bem, entendam o meu lado, eu sempre fui do tipo “pegador”, nunca me imaginei ficando com uma pessoa que não fosse uma garota.
Estava completamente arrepiado no momento e tinha certeza que não era pela água fria e sim pelos meus pensamentos com o beijo inesperado de Jason.
Mas que porra eu estava pensando?! Eu sou hétero e héteros não beijam pessoas do mesmo sexo nem deixam serem agarrados por gays, muito menos ficam pensando no beijo!
Eu estou muito bêbado pra ficar pensando isso.
Fui tirado dos meus devaneios quando escutei alguém bater na porta, chamando meu nome.
– Entra – eu disse e logo vi Thalia entrando no banheiro e se sentando no vaso sanitário com a tampa fechada.
– Você está se sentindo bem? – ela perguntou olhando para mim.
O vidro do boxe era translúcido e mesmo meio tonto, eu conseguia ver os gestos de Thalia.
– Nunca mais bebo na minha vida! – eu disse me encontrando a parede. Ela soltou uma risada com as minhas palavras.
– Você sempre diz isso quando bebe, fica mal e faz alguma coisa que nunca faria se estivesse sóbrio – ela disse ainda rindo um pouco – Qual merda você fez dessa vez?
Ficamos em silêncio por algum tempo. Não que eu não confiassem em Thalia, mas qual é! Eu tinha ficado com o irmão, o irmão, dela logo depois de ficar com ela. Isso não é um pouco estranho, é MUITO estranho.
– Eu fiquei com a Drew, de novo – menti. Por mais que ela seja minha melhor amiga, não ia contar o ocorrido no banheiro.
– Ah – ela disse soando um tanto cética. – E isso é um problema?
– É quando você não fica com a mesma menina mais de uma vez – eu disse rindo nervoso. Mas isso era verdade. – Mas você é uma exceção, claro.
A essa altura eu estava fora do boxe, enxugando meu corpo e minhas roupas com a minha toalha preta. Reparei melhor no que Thalia estava usando e me permiti dar um sorriso malicioso. Ela estava com uma regata minha folgada toda preta com o emblema do Batman que eu havia dado para ela alguns anos atrás e um shortinho minúsculo amarelo. Tentei desviar o olhar e tirar os pensamentos impuros da cabeça, mas isso não foi muito possível.
Thalia levantou uma sobrancelha, fazendo uma cara divertida.
– Ah, então eu sou sua exceção?
– Pode-se dizer que sim – eu disse enxugando meus cabelos – Pegaria você a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer situação.
Ela revirou os olhos e se levantou, me encarando maliciosamente.
– Bom, essa é uma hora... – ela fez uma pausa chegando mais perto de mim – Um lugar... – passou os braços pelo meu pescoço – E uma situação.
Então acabou com o pequeno espaço que tinha entre nós e mais uma vez fui tomado pela sensação gélida de seus lábios, que agora tinham um gosto estranho, porém ainda gostoso, de bebida, maconha e morango. Pedi passagem com a língua e ela não hesitou em ceder, me deixando explorar sua boca já um tanto conhecida pela minha língua. Nosso beijo, que um dia foi calmo e um tanto “romântico”, estava selvagem e necessitado, como se precisássemos dos lábios do outro como precisamos de ar.
Thalia me puxou mais para si, me fazendo ficar curvado por ela ser bem mais baixa que eu e foi me puxando para fora do banheiro, sem interromper o beijo. E eu, com toda a minha destreza (só que não), quase cai em cima dela quando chegamos no quarto. Ela foi me puxando e me puxando até cairmos na minha cama improvisada, me fazendo ficar por cima.
O ar foi necessário, então nos separei, encarando aqueles lindos olhos azuis elétricos que tanto me lembravam o Jason. Ela sorriu maliciosamente para mim e pela primeira vez percebo o quanto seu sorriso é parecido com o de seu irmão. Maldita genética.
– Toda regra tem uma exceção... Não é? – eu disse retribuindo o sorriso para logo voltar a beijá-la.
Tirei as minhas calças molhadas, que já estavam me incomodando demais e passei a subir a blusa de Thalia, passando a ponta dos dedos em sua barriga fria e lisinha, fazendo-a se arrepiar completamente. Cheguei até a linha de seus seios e notei que ela estava de top, para a minha infelicidade.
Parei de beijá-la para fazer uma trilha de beijos até seu pescoço, mordendo e chupando sua pele. Thalia dava pequenos gemidos em meu ouvido, mas isso ainda não era suficiente para mim. Eu precisava de mais, muito mais.
– Não faça isso, di Angelo – ela sussurrou em meu ouvido quando desci a trilha de beijos até o vale de seus seios.
– Porque não? – eu disse dando selinhos em sua boca.
Thalia estava um pouco corada e me olhava de modo safado, o que não me fez resistir. Arranquei a primeira peça de roupa dela, sua regata, deixando seus enormes seios amostra para mim, cobertos apenas por um fino tecido preto.
– Ni-Nico, você não vai… — ela começou, mas logo o único som que saiu de sua boca foi um gemido quando abocanhei seu seio direito.
Suas mãos foram para a minha nuca, fazendo carinho na mesma. Aquilo me deixou completamente arrepiado e eu sabia que era sua “vingança”. Como todo ser humano, eu tenho um ponto fraco e esse é a área do meu pescoço e nuca. Já o de Thalia é os seios e eu sabia muito bem disso, por isso quis provocá-la.
Porém, não contava que ela poderia jogar com mesma moeda.
Mesmo sentindo um arrepio do caralho, não parei com as carícias em seu peito. Eu chupava e rodeava seu mamilo já duro com a língua, fazendo-a gemer mais alto. Não queria que ninguém acordasse e atrapalhasse nosso momento, então levei uma de minhas mãos até sua boca, tampando-a, enquanto com a outra mão eu brincava com seu outro mamilo.
– Ni-Nico… — pude ouvir ela falando, mesmo que o som saísse abafado com a minha mão.
Não falei nada, começando a trabalho no peito que ela sentia mais nervoso, o esquerdo. Um gemido mais alto pode ser escutado escapando de sua boca, bem mais alto que o anterior, mas nada que minha mão não pudesse “tapar”.
Comecei a descer minhas carícias pela extensão de seu tronco, fazendo-a se arrepiar mais ainda com o toque de meus lábios. Desci até chegar em seu short, onde prontamente o arranquei, revelando uma calcinha de renda preta.
Olhei para Thalia com um sorriso malicioso.
– Porque tenho a impressão de que você sabia que nós iríamos fazer esse tipo de coisa? – eu disse apertando sua intimidade, o que fez ela se contorcer um pouco.
– Sei que isso é um dos seus caprichos – ela sussurrou – Sei que também que você quer isso tanto quanto eu.
Por um segundo hesitei. Não que fosse mentira o que ela estava dizendo, mas por ser verdade que me deixou meio estranho. Afinal, eu estava nessa situação com minha melhor amiga logo depois de ter sido agarrado pelo irmão da mesma.
As recentes lembranças do que ocorreu no banheiro tinham sido apagadas da minha mente quando nós começamos a nos beijar, mas essa situação, elas vieram à tona novamente.
Meu corpo inteiro se arrepiou só de pensar nos lábios de Jason nos meus. Isso era errado... Completamente errado.
Levantei-me rapidamente, me separando de Thalia e ficando em cima dela, sustentando meu corpo com as pernas para que eu não a machucasse. Eu definitivamente não podia continuar com aquilo, eu não podia fazer mais aquilo.
– Nico? – ela perguntou um pouco desapontada – O que aconteceu?
Apenas encarei suas íris azuis e aquilo doeu de um jeito inexplicável, isso porque seu olhar era igual o de Jason. Por mais que eu me sentisse bem, eu sabia que ainda estava sobre o efeito do álcool, nem que seja um pouco. Pelo menos eu espero que seja isso, pois essa é a única explicação para as coisas estranhas que eu estou pensando.
– Th-Thalia – eu disse sabendo que poderia me arrepender depois – Eu não posso continuar com isso.
Seus olhos se arregalaram e ela se levantou, indo ao meu encontro. Suas mãos macias e geladas foram parar no meu rosto, uma de cada lado, me fazendo encará-la.
– Você está assim por que… — ela começou, mas logo se interrompeu. Parecia que ela não queria falar. – Por que...
– Isso não está certo – eu disse simplesmente segurando suas mãos. Eu deveria estar muito bêbado e louco para estar recusando uma garota gostosa e gata como Thalia. – Isso não...
Fui interrompido pelos seus lábios nos meus, o gosto doce de morango invadindo minha boca novamente. Alguma coisa dentro de mim me dizia para continuar com aquilo, mas outra dizia para parar ali mesmo. Não sabia qual das duas escutar.
Com isso, Thalia me puxou para cima dela, nos fazendo deitar novamente. Minha mente não sabia qual voz escutar, mas meu corpo sabia exatamente, pois, sem perceber, comecei a fazer movimentos de sexo. Minha mente já não tinha controle sobre meu corpo. Porém, essa situação não durou tanto, pois as luzes do quarto foram acessas e uma voz masculina incrédula pode ser ouvida da porta.
– Mas que porra é essa?
Maldito dia em que eu fui usar cueca branca.
Percy
Sabem aquela vontade de matar alguém lenta e dolorosamente? Então, estou sentindo isso agora mesmo. Mas não queria matar Thalia apenas, Nico também estava na lista.
Além de se esquecer completamente de todos os momentos bons e legais que passamos juntos, ele interrompe minha transa com Annabeth DUAS vezes. Não estava feliz apenas com uma? Ok, a culpa foi mais de Thalia, mas ele também estava junto! Merecia fazer companhia a ela até na morte.
– Ei, não fica bravo – disse Annabeth tentando me acalmar. A essa altura ela já estava de calcinha e blusa. – Nós não deveríamos fazer esse tipo de coisa aqui.
– Nós deveríamos ter trancado a porta – eu disse com raiva.
Annabeth me olhou com uma carinha triste e me deu um selinho demorado. Tinha vezes que ela era simplesmente perfeita para mim, mas isso não era suficiente. Não que não seja suficiente, é apenas... ruim. Com exceção dos ciúmes excessivos e com o jeito possessivo dela, nosso relacionamento era perfeito.
Ás vezes o perfeito pode ser chato.
Mas eu não tinha coragem de terminar com ela, então tinha que seguir com o meu plano. Já não estava tão grudado nela, estava bastante frio com ela, fazíamos sexo só para matar o desejo carnal. Não tinha amor nem carinho, era simplesmente trepar e ponto; e as tentativas de me fazer sentir ciúmes não me afetavam mais.
Queria ver quando ela iria reparar nisso.
Ela estendeu uma toalha rosa para mim, tirada de não sei onde, e eu me enxuguei, vestindo minhas roupas logo em seguida.
Saímos do quarto e descemos para a cozinha, onde várias pessoas já estavam caídas de tanto beberem. Eu particularmente não tinha bebido muito por não estar me sentindo muito bem, mas tomei um copo de cerveja para me acalmar um pouco, sem muito sucesso.
Depois daquilo, não estava com clima para ficar ali, mas ficamos por mais alguns minutos por insistência de Annabeth. Ela ficou conversando com Piper, enquanto eu e Jason escutávamos a conversa das duas. Até elas decidirem dançar.
– Vem amor – disse Annabeth sensualmente em meu ouvido. Apenas a afastei.
– Eu não estou me sentindo muito bem, amor. – eu disse segurando seus pulsos – Pode ir com a Piper, ficarei aqui mesmo.
Ela me olhou cética, mas acabou por ceder e ser puxada por Piper para a pista de dança improvisada. Jason também não estava mais com clima para festa, mas notei que ele estava mais feliz do que o normal e eu sabia que aquilo não era bebida. Não, Jason não era de beber tanto.
– Porque você não tira esse sorrisinho idiota da cara – eu disse tomando mais um copo de cerveja. Ainda estava muito puto com o que Thalia e Nico fizeram.
Ele me olhou sem expressão alguma para logo depois sorrir um tanto envergonhado.
– Digamos que aconteceu uma coisa que eu queria que acontecesse há séculos – ele disse voltando seu olhar para frente, onde Piper e Annabeth dançavam sensualmente e olhavam para nós.
Dei o meu melhor sorriso sacana.
– Conseguiu comer a Piper? – perguntei lhe dando leves cotoveladas sugestivas.
– Antes fosse – ele disse com o mesmo sorriso que esboçava antes de me encarar anteriormente.
– O que aconteceu então? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
– Uma coisa que você não entende, priminho – ele disse passando a mão em meus cabelos, bagunçando-os.
Não sabia o motivo, mas aquele gesto me sentir o sangue correr até minhas bochechas. Por mais que tenha sido estranho, aquele toque me era familiar. Claro que Jason fazia isso com frenquência, mas o jeito que ele fez aquilo dessa vez foi diferente.
– Não me trate como criança, Jason – eu disse lhe dando um tapa na mão e virando o rosto com os braços cruzados. Não queria que ele visse o rubor em minhas bochechas.
– Não seja chato, Percy – ele disse passando o braço sobre meus ombros e sorrindo – Vem, vamos chamar Annabeth para irmos embora.
Apenas assenti e disse que iria procurar Nico e Thalia, apenas uma desculpa para tirar seu braço de cima de mim, mas ele não deixou, me puxando um pouco mais pra perto dizendo que Nico e Thalia já tinham ido embora.
Bufei e o deixei me direcionar até nossas meninas. Demorei um pouco para convencer Piper a deixar a Annie ir, até porque estávamos por conta dela, e quando finalmente consegui, nos direcionamos para o carro e ficamos em silêncio o percurso todo.
Quando chegamos na rua perto da mansão, dei um beijo na bochecha de Annabeth e sai rapidamente, lhe desejando um boa noite sem muita emoção. Não foi difícil pular o muro já que não estávamos bêbados, mas quase fomos pegos pelo porteiro. Isso não foi uma experiência muito boa, não quase se tem o seu primo com alguns centímetros a mais que você em cima de seu corpo sem poder se mexer.
Era essa a situação em que eu me encontrava para não sermos pegos pelo porteiro. Estávamos atrás de um arbusto, porém, entre o arbusto e a parede não tinha espaço suficiente para duas pessoas ficarem abaixadas, apenas deitadas.
Moral da história: nunca pule o muro primeiro.
Entramos dentro de casa e fomos em direção ao meu quarto, já que Jason tinha esquecido sua mochila lá dentro e precisava dela. Mas assim que eu entrei no quarto e acendi as luzes, não acreditei no que eu vi.
– Mas que porra é essa? – eu quase gritei. Só não o fiz porque sabia que meu pai iria acordar.
Mas minha fala incrédula foi suficiente para Thalia e Nico se separarem. Preferia tê-los encontrado dormindo na mesma cama do que na situação em que eles se encontravam. Nico estava apenas com uma cueca boxer branca, molhada ainda por cima, mostrando sua pequena ereção, sobre o corpo de Thalia, que vestia apenas calcinha e top. Eles estavam se beijando intensamente e faziam movimentos de sexo na “cama” dele.
Nico teria caído do sofá-cama se Thalia não tivesse segurado seu braço, fazendo-o cair em cima dela. As costas dele estavam completamente arranhadas e vermelhas, linhas verticais formadas pelas unhas de Thalia. Alguns arranhões sangravam.
Uma raiva tomou meu ser e senti um aperto estranho em meu coração. Mas a parte racional de mim não me deixou explodir por ter ciência de que isso iria fuder com tudo.
– Thalia. Grace – disse Jason pausadamente completamente irritado – O que você está fazendo?
– O que você acha que eu to fazendo? – ela rebatei desdenhosa.
Thalia estava pedindo para Jason explodir.
– Jason, se acalma, não queremos que meu pai ou Maria acordem – eu disse tentando me controlar também
Enquanto tentava acalmar Jason, aqueles dois desgraçados começaram com a putaria de novo! Eles eram inacreditáveis!
– Ei! Vocês dois, parem com a putaria no meu quarto – eu disse tirando Nico de cima de Thalia
– Que eu me lembre, esse quarto é temporariamente meu – disse Nico se soltando de mim com um sorriso no rosto. – Lembro-me também do “fique a vontade, a casa é sua” de seu pai.
Ele estava pedindo para que eu explodisse, só pode. Mas o que mais me irritou não foi isso e sim a visão de seu corpo completamente exposto para mim, com aquela cueca branca mostrando perfeitamente o seu pênis um pouco ereto. Dessa vez, pude ver melhor as tatuagens que ele tinha no tronco, algumas escritas perto das clavículas, uma cruz ocupando a uma das laterais de seu corpo, uma espécie de dragão em seu ombro que parecia estar enroscado em seu braço.
Mas a que mais me chamou a atenção e que me deixou mais curioso aparte de cima de uma bola de basquete do lado direito da sua cintura, mas era coberta pela cueca. Porém meus olhos pararam rapidamente em sua intimidade, o que me fez enrubescer um pouco.
Eu poderia fazer coisas com aquilo.
– Perdeu a fala, Jackson? – ele disse estalando os dedos em frente ao meu rosto, me tirando dos meus devaneios.
– O que? – eu disse meio sem entender o que ele falou.
– Não importa, se eu fosse você tentava acalmar seu priminho – ele disse apontando para Jason, que estava discutindo com Thalia um pouco atrás de nós.
– Eu não acredito que você fez isso! – Jason exclamava incrédulo – Você fumou Thalia! Como você pode?
– Isso não é da sua conta, Jason! – ela rebateu pegando suas roupas e as vestindo rapidamente. – Você não sabe nada da minha vida, não sabe os meus motivos para fazer o que fiz.
Daí ela saiu do quarto só não batendo a porta porque Jason a segurou, saindo pela mesma logo em seguida, indo atrás de Thalia.
Então o silêncio prevaleceu entre nós. Nico estava de braços cruzados olhando para um ponto fixo no chão. O que eu mais odiava nele era o fato de eu nunca saber o que ele estava pensando. Normalmente as pessoas eram “transparentes” para mim, mesmo eu sendo um pouco lerdo, mas Nico era um completo mistério para mim.
E mistérios foram feitos para serem desvendados.
– Bem, já que você não tem nada mais para falar, eu vou dormir – ele disse se virando de costas e indo se deitar, mas o impedi, segurando seu pulso.
– Nico, você... – comecei, mas não consegui terminar a frase. O que eu diria e ele? Como ele iria reagir em saber que nós éramos melhores amigos?
– O que foi... – ele disse irritado se virando para mim -... Jackson?
Não sei se o que eu fiz a seguir era motivo de vergonha, de arrependimento e de nojo, mas não consegui me controlar. Puxei Nico para perto de mim e logo os lábios dele estavam nos meus em um beijo um tanto rígido. Eu estava de olhos fechados, mas sentia o seu olhar incrédulo sobre mim.
A sensação de seus lábios gélidos sobre os meus era estranha, mas ao mesmo tempo deliciosa e nova. Nunca tinha pensado nisso, mas era como se meu corpo sempre tivesse desejado o de Nico, mas nunca tinha coragem de fazer alguma coisa.
Lembro-me perfeitamente a dor que senti quando ele me deixou, assim como lembro do modo frio como ele me tratou na primeira vez que nos vimos depois e anos. O dia em que ele não se lembrava de mim. E naquele momento, tudo que eu menos queria era me lembrar dessas memórias ruins, queria apenas me concentrar nos lábios de Nico nos meus.
Quando eu ia pedir passagem com a língua, ele me empurra abruptamente, colocando o antebraço na boca e ofegando um pouco. Seu rosto estava extremamente corado e seu cabelo cobria um pouco seus olhos, não me deixando vê-los.
– Eu... – ele começou respirando fundo logo em seguida – Eu não posso ser agarrado por duas pessoas na mesma noite! Por dois CARAS na mesma noite! Eu não sou gay, entendeu? Eu sou hétero, H-É-T-E-R-O! – dessa vez eles quase gritou as palavras.
Então desviou o seu olhar de mim, pegando um short seu que estava jogando em cima da minha escrivaninha e saindo logo em seguida, batendo a porta.
Fiquei paralisado com aquilo. Meus olhos não paravam de olhar a porta pela qual ele havia saído como se esperassem que ele voltasse. Mas ele não voltou, no fundo sabia que não voltaria. Então sai correndo para alcançar a porta, abrindo-a rapidamente, mas Nico não estava no corredor.
Apaguei a luz do meu quarto e caminhei para a porta ao lado, onde ficava o quarto de Mare. Quando ia bater na porta, escutei uma conversa abafada na porta na diagonal da porta do quarto de America. Era Thalia e Jason no quarto de hóspedes.
Não sou de espionar, longe disso, mas eu estava curioso para saber o que eles estavam conversando, isso porque eu escutei meu nome.
– Só porque você fez isso com o Percy não significa que precisa fazer com todo mundo Jason! – exclamava Thalia de forma irritada.
– Do que você está falando? – disse Jason e a julgar pela sua voz ele estava um tanto apreensivo.
– Eu sei que você agarrou o Nico no banheiro, eu vi você puxando-o para lá – ela disse em um tom mais baixo.
– Você está sonhando! Eu... Eu nunca... - ele tentava argumentar, mas não conseguia achar as palavras.
– Você não precisa dizer nada – ela disse de forma calma - Mas você não pode agarrar as pessoas assim... Eu conheço o Nico, ele gosta de “tcheca”! Ele não vai ceder para você.
Então mais uma onda de raiva subiu pelo meu ser e a frase de Nico voltou a minha mente rapidamente.
“Eu não posso ser agarrado por duas pessoas na mesma noite! Por dois CARAS na mesma noite! Eu não sou gay, entendeu? Eu sou hétero, H-É-T-E-R-O!”
Jason havia agarrado Nico. Jason havia agarrado Nico. Jason havia AGARRADO o meu Nico.
Não estava acreditando. Na verdade, eu não podia acreditar em uma coisa desses. Eu me lembro vagamente do dia em que éramos pequenos e Jason me agarrou, me dando um selinho, mas eu pequeno demais e achava que aquilo era normal ou até uma brincadeira sem graça dele.
Nunca imaginei que meu primo fosse realmente gay.
Mas isso não me incomodava, afinal, eu acabara de beijar um garoto, não é? O fato de Jason ter ficado com Nico me incomodava completamente e eu não sabia o porque. E uma coisa começou a pairar em minha mente com essa descoberta:
“Porque Nico correspondeu ele e não a mim?”
Era uma pergunta que só Nico obtinha a resposta, mas eu não ia ser direto. Não iria perguntar isso. Beijá-lo foi um erro e querer mais era um erro ainda pior. Eu não podia continuar com isso, tinha que tirar esses pensamentos impuros de minha mente.
Não consegui tirar aqueles pensamentos por vontade própria, então dei graças a Deus por meu celular ter tocado dizendo que eu havia recebido uma mensagem. Abri-o rapidamente e li a mensagem.
“Estou indo passar alguns meses em L.A! Você poderia me abrigar durante esse tempo, Cabeça de Alga?”
Apenas sorri com a mensagem. Aquilo veio na hora certa, no momento certo, para a situação certa.
“Claro, Best! Quando você chega?” – respondi rapidamente.
“Daqui a algumas horas estou chegando na sua casa, antes de você ir para o colégio eu estarei ai” – respondeu com a mesma rapidez.
Sorri para o celular. Isso com certeza ia me deixar muito melhor. Olhei para o meu celular e eram 4 horas da manhã e eu ainda tinha aula daqui a três horas. Tirei minhas roupas e pulei para debaixo das cobertas, respondendo a mensagem.
“Estarei de te esperando! Tenho muita coisa para contar! Boa viajem, boa noite. Te amo sempre. Beijos”
Não li a última mensagem recebida, pois cai no sono rapidamente.
[...]
Só não me levantei rapidamente da cama porque uma coisa estava aninhada entre minhas pernas. Levantei o tronco e olhei para trás, vendo o gato preto do di Angelo dormindo entre minhas pernas. Eu particularmente não gostava muito de gatos, mas ele me lembrava, estranhamente, o Nico.
– Sai daí bichano! – eu disse sacudindo as pernas para que ele saísse, sem resultado.
Bufei e revirei os olhos, tendo que me contorcer todo para que eu pudesse me levantar sem acordá-lo. Eu estava completamente animado com o que aconteceu há algumas horas atrás e não ia deixar um gato atrapalhar minha alegria. Ainda estava me sentindo estranho com o beijo que dei em Nico, mas isso não iria me abalar, não com a chegada dela.
Rapidamente fiz minha higiene matinal, mas não antes de reparar que Nico não havia dormido no quarto. Apenas suspirei e entrei no banheiro para tomar um banho frio. Eu estava me sentindo bem, já que não tinha bebido, mas mesmo assim estava cansado por causa da festa e minhas olheiras eram um pouco visíveis.
Vesti-me rapidamente com uma calça jeans escura e uma blusa preta com gola V. Vesti a minha jaqueta do time de basquete que era inteiramente preta com vários detalhes em branco e vermelho, calcei meu tênis de basquete preferido e desci as escadas rapidamente para a sala de jantar, onde todos, menos Mare e Nico estavam.
Mas é claro que eu não ia deixar isso atrapalhar minha felicidade.
– Bom dia família! – eu disse alegremente dando um beijo em meu pai e em Maria, bagunçando os cabelos de Tyson, Bianca e Thalia, que reclamaram, óbvio e ignorando Jason.
– Nossa, que felicidade toda é essa, querido? – perguntou Maria estranhando meu jeito. Eu não a tratava muito bem, então isso com certeza foi inesperado para ela.
Ninguém pareceu ter reparado que eu havia ignorado o loiro, apenas ele, que fez uma cara confusa. Eu ainda estava com raiva, não iria ser fácil para mim engolir essa situação logo de cara.
– Pai, o outro quarto de hóspedes está arrumado, não é? – perguntei afoitamente ignorando a pergunta Maria, mas juro que não fiz por mal, e o olhar de Jason.
– Claro, Percy, mas por quê? – ele perguntou tomando um gole de seu café.
– Bom dia a todos – disse Mare, com Nico logo atrás parecendo um zumbi, chegando perto da mesa e se sentando ao lado de Bianca.
Foi ai que eu notei melhor a garota de cabelos negros escorridos. Sua pele pálida estava com uma coloração esverdeada e seus olhos estavam meio cerrados e com fundas olheiras, como se tivesse enfrentado uma bela noite mal dormida.
De repente ela se levantou rapidamente, correndo em direção ao banheiro com a mão na boca, como se fosse vomitar. Todas na mesa arregalaram os olhos e logo Thalia, Mare e Maria foram ver o que tinha acontecido com ela.
Levantei meus olhos para encarar Nico, esperando que ele fosse correr para ver o que tinha acontecido com a irmã, mas ele estava estirado sobre a mesa, dormindo. Revirei meus olhos com aquilo e os voltei para meu pai.
– Então, pai, lembra... – comecei, mas fui interrompido pela campainha. – Deixa que eu atendo! – gritei para que Mellie nem tivesse o trabalho de sair de onde ela estava para abrir a porta.
Quando a abri, não tive nem tempo de reagir: uma coisa com os cabelos cor de chocolate se jogou em cima de mim, me derrubando no chão. Começamos a rir e ela se levantou, me ajudando a levantar logo em seguida.
– Vamos dar um abraço que nem gente agora? – perguntei encarando divertidamente aqueles olhos estranhamente vermelhos.
– Você sabe que não funciona assim, Percy-kun – ela disse me agarrando em um abraço de urso – Estava com saudades!
– Eu também estava – eu disse apertando-a contra meu corpo.
– Quem é essa? – perguntou Nico já na sala. Ele nos encarava de modo estranho que poderia ser ciúme. A ideia me deixou um tanto feliz.
A garota de longos cabelos castanhos se soltou de mim, olhando para Nico com um olhar fanático, como se ele fosse mais um bichinho de sua coleção.
– Kawaii desu!¹ Que cara de uke² ele tem, Percy-kun! – ela disse animada pulando em volta de Nico, que olhava espantado para ela.
– Do que ela me chamou? – ele disse arregalando os olhos para mim.
– Nee, Percy-kun, não sabia que você tinha um uke tão fofo – ela disse apertando as bochechas de Nico, que ainda a encarava como se ela fosse doida. Na verdade era mesmo.
– Não fale bobagens! Ele é apenas... – meu melhor amigo, queria dizer, mas não o fiz – um meio-irmão que eu não queria.
– Não fale assim do uke kawaii, Percy-kun! – ela disse – Aposto que você é um seme³ perfeito!
– O que essa louca está falando, Percy? – perguntou Nico completamente em choque com a atitude da garota. Tentei disfarçar meu sorriso quando ele disse “Percy” ao invés de “Jackson”.
– Oh, ainda não me apresentei! – ela disse largando sorrindo e estendendo a mão para cumprimentá-lo — Prazer, sou Mírian Turner.
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