Oh, Dammit! [A SER REESCRITA]
1 Não era pra ser uma notícia boa?
Notas iniciais

Nico
– Nico di Angelo, se você não levantar dessa cama agora eu não me responsabilizo pelos meus atos! – gritou minha mãe, me chacoalhando como se não houvesse amanhã.
– Ah não mãe – resmunguei enfiando minha cabeça em baixo do travesseiro
Depois disso ela parou e eu pude dormir em paz e tranquilidade. Não estava nem um pouco a fim de ir para a escola hoje, ainda mais com a puta ressaca que eu estava. A festa que Leo me obrigou a ir foi muito melhor do que eu imaginava. Bebi pra caralho, comi a gostosa da Rachel e ainda consegui pegar a Drew, uma puta enrustida que paga de santinha.
Quando eu estava quase pegando no sono novamente, sinto uma coisa gelada batendo contra meu corpo coberto apenas por uma calça de moletom preta. Levanto rapidamente e me deparo com minha mãe rindo com um balde na mão e minha irmã logo atrás dela rindo também, mas me olhando de forma estranha.
Sim, ela tinha jogado um balde de água em mim.
– Eu falei que não me responsabilizava pelos meus atos caso você não acordasse – disse minha mãe ainda rindo
Foi ai que eu tive uma ideia.
– Aposto que você queria me acordar justamente pra mim te dar um abraço bem gostoso – eu disse chegando perto dela com os braços abertos, enquanto ela recuava pra trás – Estou errado?
– Não, Nico! – ela exclamou esticando o braço pra me impedir – Você não vai fazer isso.
– Qual é, mãe. Só um abraço – eu disse começando a correr atrás dela assim que ela se virou pra fugir de mim
Eu estava todo encharcado, dos pés a cabeça, então seria maravilhoso dar um abraço bem molhado da minha mãe.
Eu e minha mãe sempre tivemos uma relação muito boa. Ela sempre brincava comigo, sempre zoava comigo e sempre me escutava e me apoiava, não importa o que fosse. Mas isso tudo mudou há três anos, quando meu pai faleceu em um acidente de avião enquanto voltava de uma reunião de negócios em Nova York, deixando minha mãe, minha irmã mais velha, Bianca, e eu sozinhos. A morte do meu pai não me afetou tanto como afetou Bianca e minha mãe, já que eu e ele vivíamos em pé de guerra, enquanto Bianca era paparicada por ele.
Minha mãe ficou realmente muito mal com isso e eu sempre tentava animá-la e deixava-a fazer o que quisesse para se sentir bem, até me zoar. E graças a Deus ela estava voltando ao normal, estava voltando a ser a mesma mãe brincalhona e durona que eu conhecia. Eu imagino o quanto seja difícil passar mais de 10 anos da sua vida com alguém e de repente, uma coisinha destrua tudo.
Então tudo que estava ao meu alcance para deixá-la melhor eu fazia.
Consegui agarrá-la depois que nós passamos pela sala de jantar e pela sala de estar. Pra quem tinha 38 anos ela até que corria bastante, mas como eu jogava basquete, ela não corria mais rápido que eu.
– Não – ela gritou rindo e eu comecei a fazer cócegas nela – Nico, para!
– Pede desculpas pelo balde de água!
– Está bem, desculpa! Agora para pelo amor de Deus – ela disse quase vermelha de tanto rir
Ri um pouco e parei com as cócegas, fazendo-a respirar ofegante.
– Nunca mais faça isso mocinho! – ela disse apontando o dedo pra mim e eu ri, abraçando-a.
– Eu sei que você me ama – eu disse sorrindo e ela revirou os olhos
– Você não tem jeito mesmo -–ela disse desvencilhando-se do abraço – Agora vá tomar banho, você está atrasado pra escola.
Assenti e fui caminhando para o andar de cima da nossa cobertura, onde ficava o meu quarto, mas parei assim que minha mãe chamou meu nome. Me virei pra olhá-la e ela estava com uma expressão estranha.
– Nico, hoje à noite nós jantaremos fora. Tenho uma noticia boa para contar pra você e pra sua irmã.
Arqueei as sobrancelhas e cruzei os braços.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntei curioso
– Você verá hoje de noite – ela disse, então saiu para a cozinha sem se virar para trás.
Fiquei imaginando o que seria enquanto voltava para o meu quarto e ia tomar banho. Pelo visto era uma coisa importante. Maria di Angelo sempre nos levava para jantar quando tinha uma noticia pra dar, seja ela boa ou ruim.
Subi as escadas até o segundo andar e entrei no meu quarto, uma porta preta cheia de adesivos de bandas de rock e heavy metal e algumas como “Não entre” ou “Mantenha distância”. Qual é! Só quero um pouco de privacidade nessa casa já que a Bianca vivia entrando e saindo do meu quarto a hora que bem entendesse antes de eu colocar essas placas e trancar a porta sempre que eu saia.
Meu quarto estava como sempre: todo bagunçado. Roupas e meias pelo chão, CDs espalhados pela mesa, os controles do Xbox jogados nos sofá e entre outras coisas que não são convenientes em serem mencionadas. Entrei no banheiro e fui tomar um banho pensando no que minha mãe iria nos dizer hoje à noite.
Depois de uns 10 minutos mofando de baixo do chuveiro (sim, eu não estava ligando nem um pouco se chegaria atrasado à aula) vesti uma cueca boxer preta e sai do banheiro enxugando meus cabelos, mas parei de andar subitamente ao ver minha irmã sentada na minha cama, brincando com Sr. Bigodes, o meu gato de estimação que praticamente só vivia no meu quarto.
Antes que me julguem, eu tinha 8 anos quando dei o nome pra ele.
Bianca levantou os olhos castanhos escuros, me encarando dos pés a cabeça com uma expressão que eu não consegui decifrar. Reparei melhor nela e ela estava vestindo roupas diferentes do seu habitual. Ela geralmente vestia calças jeans surradas, não importava se estava frio ou quente, uma blusa qualquer sem decote, tênis e um casaco de capuz. Mas dessa vez ela estava vestindo um short jeans curto, uma blusa que mostrava seu umbigo e tinha um decote um tanto grande e uma sandália de tiras.
Seu cabelo ficava amarrado em um rabo de cavalo na maior parte do tempo, mas dessa vez ela tinha deixado as mechas negras e lisas caírem como uma cachoeira sobre os ombros. Seu rosto estava tomado por uma maquiagem um pouco forte demais e seus lábios estavam vermelho sangue.
O que estou prestes a falar pode parecer horrível, mas minha irmã estava muito gostosa.
– O que você quer Bianca? – perguntei desviando o olhar dela e indo pro meu armário.
– Você não notou nada diferente? – ela perguntou
– Não, por quê? – menti. Por mais que eu quisesse xingá-la por estar usando roupas indescentes, não falei absolutamente nada a respeito do assunto, mas tinha quase certeza que não iria aguentar muito tempo..
Coloquei minha toalha em volta do pescoço para escolher uma roupa. Peguei uma calça preta rasgada e a joguei na cama. Quando estava escolhendo uma camisa, senti mãos delicadas e frias encostarem-se à minha nuca e descendo até um final de uma tatuagem que havia no local, quatro corvos, cada um representando um membro da família.
Arrepiei-me com o toque de Bianca e ela pareceu notar, pois levou a mão até a lateral do meu corpo, onde havia uma tatuagem de cruz.
Me virei rapidamente agarrando o pulso da minha irmã, deixando-a espantada com minha atitude.
– O que você quer? – perguntei em um tom um tanto irritado
– Só estou te esperando para irmos para a escola – ela disse simplesmente tentando se desvencilhar no meu aperto
– Você já tem carteira, tem um carro e tem mãos. Pode muito bem ir sozinha – eu disse ríspido – Sem contar que você odeia chegar atrasada, lembra? E que roupas são essas? Tá querendo impressionar alguém na escola?
Soltei-a e ela se afastou um pouco de mim, me encarando irritada.
– Primeiro: não posso ir com meu irmão não? Segundo: não me importo em chegar atrasada. E terceiro... – ela parou pra respirar fundo – Não é da sua conta se eu quero impressionar alguém ou não.
Levantei uma sobrancelha.
– Então isso é um sim, não é? – eu disse pegando uma camisa preta do Metallica – Pode falar quem é, eu não vou te dedurar.
– Você é ridículo! – ela exclamou vermelha saindo do meu quarto
Revirei os olhos com a atitude bipolar dela e voltei a me vestir. Coloquei a calça e a camisa e calcei meu All Star surrado. Vesti minha jaqueta de aviador, mesmo não estando frio, eu usava aquela jaqueta. Ela já fazia parte de mim.
Peguei as chaves do meu carro, minha mochila e meu celular, sai do quarto e desci as escadas chamando Bianca para nós irmos. Dorothea, nosso cozinheira, perguntou se eu não iria comer nada e eu apenas disse que comeria no colégio. Dei um beijo estalado na bochecha da minha mãe e fui para a garagem.
Entrei na minha Maserati preta e Bia entrou no banco carona. Ela abaixou aquela aba com espelho que tinha dentro do carro e ajeitou o batom vermelho de um jeito sexy que todas as garotas que eu pegava faziam.
– Ta bom? – ela perguntou me olhando com os olhos carregados de maquiagem
– Se bom você quer dizer sexy, então sim, você está sexy – pisquei pra ela e vi suas bochechas corarem um pouco e um sorriso satisfeito tomar seu rosto.
Abri a porta da garagem e partimos para a escola ao som de Pet Samatary.
– Olha Bi, eu realmente não ligo para as roupas que você usa – menti – mas pelo amor de Deus, se algum moleque tentar alguma gracinha me avisa okay? E por favor, não seja uma Drew da vida, os caras gostam disso até conseguirem te comer.
– Nico! – ela me repreendeu – Fica tranquilo, acho que você não vai precisar bater em ninguém – ela disse sorrindo pra mim e eu me senti um pouco aliviado.
– Olha olha – eu disse bagunçando o cabelo dela, fazendo-a reclamar com um "Ei".
Depois de 20 minutos chegamos ao colégio. Tínhamos perdido o primeiro tempo inteiro, mas eu nem me importava, enquanto Bianca exalava nervosismo. Por fora ela estava "Ah, matar aula, quem nunca?", mas por dento ela estava entrando em desespero por ter perdido uma aula. Eu conhecia bem a irmã que tinha.
– Boa aula, Bi – eu disse dando um selinho nela (sempre fazia isso) e ela corou fortemente, me fazendo rir – Ta coradinha por quê?
Cheguei perto dela com um sorriso desdenhoso no rosto, deixando-a mais corada ainda.
– Na-nada! – ela gaguejou e saiu correndo do carro batendo a porta com certa força
Revirei os olhos e a xinguei mentalmente. Sai do carro jogando minha mochila no ombro direito e caminhei rumo à cafeteria do colégio. Assim que cheguei, sentei em um dos bancos do balcão e debrucei-me no balcão, sorrindo maliciosamente pra a mulher gostosa que trabalhava lá.
– E ae, gata? – eu disse e ela se debruçou na minha frente, apertando os peitos de propósito.
– Oi Nico – ela sorriu. Sim, eu já tinha comido ela umas duas vezes e não sabia o nome dela, mesmo ela usando um crachá. Eu nunca lembrava, nunca lembraria e nem me importava.
– Me dá um café forte – eu disse e ela me deu um selinho falando "É pra já"
Me virei e apoiei os dois cotovelos no balcão, observando as pessoas que saiam das salas para o intervalo entre o primeiro e o segundo horário. Foi ai que eu o vi. Cabelos negros bagunçados, olhos extremamente verdes como o mar e um tom de pele bronzeado. Segurava uma bola de basquete debaixo do braço e tinha um sorriso maroto no rosto.
Revirei os olhos assim que percebi que ele estava vindo em minha direção.
– E ae, menininha? – ele disse me lançando um olhar malvado – Matando aula, coisa feia.
– Sai daqui, Jackson – eu disse irritado.
A presença de Perseu Jackson simplesmente me irritava ao extremo. Ele vivia me chamando de "menininha" não sei diabos por que. Eu comecei a “sofrer bullying” no colégio por causa desse maldito. Eu digo entre aspas porque só ele e os amiguinhos dele do time de basquete que me zoam e me xingam, o resto do colégio tinha medo de mim. Mas eu nem me importava com nenhum desses dois fatos, o que me importava mesmo era que eu estava preste a sair desse inferno que eu chamo de escola.
Por causa de um colégio interno só pra meninos que eu fui colocado quando eu tinha 13 anos, eu avancei um ano, me fazendo ficar na mesma série da minha irmã quando eu entrei pra Goode High School. O que foi pior pra mim porque, além de ter que frequentar aulas com o Jackson, eu era o mais novo de toda a série.
– Eu saio se eu quiser menininha – ele disse sorrindo
– Você deve ter uma tremenda atração por mim. Não consegue viver um minuto sem estar ao meu lado – eu disse fingindo drama. Peguei minha mochila, jogando-a no ombro, e peguei meu café – Desculpa te decepcionar, Jackson, mas eu não curto essa fruta.
Comecei a caminhar em direção a porta de vidro pra entrada do corredor principal, mas fui bruscamente interrompido por uma mão, que me pressionou contra a pilastra perto da cafeteria. Percy segurava a gola da minha jaqueta com força e me olhava irado. Apenas fiz a minha melhor cara de tédio.
Percy deveria ser uns 7 cm mais alto que eu, sem contar que ele era um ou dois anos mais velho que eu e provavelmente era mais forte.
– Escuta aqui seu viadinho... – ele começou, mas eu o interrompi com uma gargalhada.
– Você que vive me seguindo e eu que sou o viadinho? Faça-me um favor, Percy – eu disse desdenhoso e assim que eu pronunciei seu apelido ele me olhou um tanto espantado.
– Você me chamou de Percy? – ele perguntou afrouxando o aperto da minha jaqueta
– Algum problema? – perguntei com tédio
– Acaba com ele, Percy – disse Luke Castellan, um dos caras do basquete, amigo de Percy.
Percy parecia abalado com alguma coisa, pois me largou e saiu andando na direção oposta que eu me encontrava, deixando seus amigos sem reação.
– Ele ainda vai acabar com a tua raça, di Angelo – disse Jason Grace, um cara de cabelos loiros que eu posso jurar que são oxigenados,olhos de um azul gelo bem intenso, pele branca e estatura alta. Ele é primo de Percy e também jogador do time de basquete do colégio.
– Estou esperando, Grace – disse saindo de onde eu estava e entrando no corredor principal, rumo à aula de química.
[...]
– De novo? – disse Leo Valdez, um garoto de cabelos encaracolados cor chocolate, olhos grandes da mesma cor e um tom de pele morena clara, que eu chamava de melhor amigo.
– Sim, aquele cara não cansa – eu disse revirando os olhos.
Leo era uma das poucas pessoas que realmente me conheciam e que eram meus amigos naquele buraco de rato chamado colégio. Além dele eu tinha Thalia Grace, a irmã punk do mauricinho metido a jogador do Jason. Confesso que de inicio eu tinha o maior preconceito com ela, achando que Thalia era fútil igual o irmão, mas ai nos conhecemos na detenção e eu vi que ela era completamente o oposto do que eu imaginava.
Tinha, também, os gêmeos desmiolados, Travis e Connor Stoll, que além de serem do meu colégio, eram meus vizinhos. Nós morávamos no mesmo condomínio, eles moravam na cobertura da coluna oposta a do meu apartamento.
Sendo amigo deles, acabei pegando intimidade com Katie Gardner, a namorada viciada em natureza do Travis. Ela era uma menina legal e doce, diferente das que se viam no colégio. Travis e Katie se conheceram no cursinho de espanhol que ambos faziam perto da nossa casa, ou seja, ela não frequentava o mesmo colégio que a gente.
E esse era o resumo das minhas amizades do colégio, porque fora dele tenho mais alguns malucos, desmiolados e loucos amigos.
Estávamos na aula de biologia, a ultima aula pra mim me livrar desse inferno. Estava contando pra Leo o ocorrido no refeitório, já que ele faltara à aula de química por estar se pegando com uma das vadias do colégio, Quione Frost. Nós não tínhamos muitas aulas juntos, então a cada aula tínhamos muito que conversar.
Enquanto isso, Thalia estava provavelmente desmaiada na aula de geografia, pois parou de responder minhas mensagens.
– O que você fez pra ele, Nico? – Leo perguntou olhando para o individuo em questão, que infelizmente, tinha quase todas as aulas comigo e estranhamente estava olhando pra nós, mas desviou o olhar assim que viu Leo o encarando.
– Devo ter jogado pedra na cruz, porque não é possível! – eu disse desabando na mesa.
– Será que foi porque você ficou com a Thalia? – ele perguntou e eu levantei a cabeça, encarando-o.
Eu e Thalia tivemos um rolo antes de virarmos melhores amigos. Nós estávamos bêbados, ela estava carente e eu estava na seca. Só juntamos o útil ao agradável. Jason e Percy viram a cena e se eu não corresse tão rápido, eu teria apanhado. Desde então Jason me odeia, mas pelo que eu percebi Percy não estava ligando pra isso, só queria me bater porque sou eu e provavelmente Jason o induziu a isso.
– Não... Que isso! Quem me odeia por causa desse fato é o Jason. O Percy não tem esse motivo em especial para me odiar
Leo deu de ombros e eu murmurei um "foda-se". Afinal, tacar o foda-se pra tudo era a nossa especialidade.
Comentei com Leo sobre o jantar hoje e passamos o resto da aula criando suposições para o assunto.
[...]
– Vamos logo, Nico! – berrou minha mãe no andar de baixo – Nós vamos nos atrasar!
– Calma mãe! – digo colocando uma camisa social cinza escura, deixando-a aberta.
Eu tinha passado metade da tarde dormindo e a outra no treino de basquete. Eu treinava em um clube perto de casa. Nunca quis entrar para o time da escola por achar os treinos muito fracos, não que eu seja o melhor jogador do mundo, mas eu entendia bem do assunto.
Minha mãe estava tão nervosa que tinha começado a se arrumar três horas antes e ela já estava pronta à uma hora. E por causa disso, estava enchendo o meu saco e do da Bianca para andarmos rápido. A reserva no restaurante era pras 21h e ainda eram 20h. E olha que o lugar não era tão longe assim de casa.
– Mamãe está prestes a ter um infarto lá na sala – disse Bianca apoiada no batente da porta com os braços cruzados
Olhei para ela e uau... Ela estava um arraso. Ela usava um vestido curto e colado preto de renda, que dava um contraste perfeito com sua pele branca. Seus cabelos estavam soltos chegando até a cintura. Um colar de pérolas enfeitava seu pescoço e brincos, também de pérolas, estavam em suas orelhas.
Bi usava uma maquiagem preta e forte, semelhante a que Thalia usava, e um batom vermelho de um tom fechado. Um par de sandálias pretas de salto estava em uma de suas mãos.
– Terra chamando Nico – disse Bianca estalando os dedos na frente do meu rosto com um sorriso de satisfação – Porque você estava me encarando?
– O que? – falei em um tom estranho que nem eu mesmo consegui identificar o que era – Eu não estava te encarando – desviei o olhar de Bianca (dos peitos dela, na verdade) e voltei a me arrumar, mas fui interrompido.
– Deixa que eu te ajudo, irmãozinho –disse Bi com a voz cheia de malícia
– O que você... – comecei, mas parei assim que senti as mãos de Bianca na barra da minha calça
Estávamos extremamente próximos. Eu podia sentir seu perfume doce enquanto ela fechava o zíper da minha calça preta bem devagar e fazendo o "favor" de esbarrar no meu pênis. Assim que ela terminou de abotoar minha calça, deu uma leve puxada para baixo nela para que a barra da minha cueca aparecesse.
Suas mãos subiram lentamente pelo meu abdômen, me causando arrepios, até o segundo botão da minha camisa social. Então ela começou a abotoar a camisa. Eu deveria estar extremamente vermelho com a situação. Fazia anos que eu não deixava Bianca me arrumar, já que ela fazia muito isso quando éramos pequenos.
– Bianca, o que... – tentei falar, mas ela colocou o indicador nos meus lábios, me impedindo de continuar.
– Shhh – ela disse sorrindo – Estou relembrando os velhos tempos. Você não sente falta da época que eu te vestia? Ou que tomávamos banho juntos? – ela dizia chegando cada vez mais perto, se isso era possível.
– Opa, opa, opa... – eu disse me afastando completamente dela – Estamos atrasados, não é? Vou terminar de me arrumar
– Eu posso... – dessa vez, foi minha vez de interrompê-la
– Te encontro lá em baixo, okay? – falei rapidamente calçando meu All Star preto
Bianca bufou e sai do meu quarto batendo os pés fortemente no chão. Respirei aliviado e pensando que porra tinha sido aquela. Mas, infelizmente, não pude chegar a nenhuma conclusão plausível, pois o berro minha mãe me xingando foi suficiente para eu deixar isso de lado e terminar de me arrumar.
Passei a gravata preta pelo meu pescoço, dobrei as mangas da camisa social até o cotovelo e passei um perfume qualquer. Quando ia sair do quarto, praticamente correndo, tropecei em algo jogado no chão, que me fez quase beijar o chão.
– Merda... – murmurei e olhei para baixo assim que recuperei o equilíbrio, encontrando os sapatos de Bianca.
Revirei os olhos e os peguei, saindo do quarto rapidamente fechando a porta, trancando-a. Eu teria descido correndo se meu corpo não tivesse colidido com uma coisa pequena, me fazendo quase cair, de novo. Hoje definitivamente não era meu dia de sorte.
– Ai – disse Bianca passando a mão na testa, onde ela tinha batido em meu peito.
Mesmo sendo mais velha, Bi era muito mais baixa que eu, tipo quase 10 centímetros.
Ela me olhou com uma cara de poucos amigos quando levantei seus saltos na altura do meu peito, onde ela batia mais ou menos.
– Esquecendo alguma coisa? – perguntei arqueando uma sobrancelha
Ela revirou os olhos sem falar nada e tomou os saltos da minha mão rapidamente, descendo as escadas logo em seguida. Revirei os olhos e desci as escadas atrás dela.
– Prontos? – perguntou minha mãe claramente nervosa, o que não era muito comum de se ver.
Bi e eu assentimos e saímos de casa, entrando em meu carro. Minha mãe sentou ao meu lado e Bianca foi atrás toda emburradinha. Revirei os olhos quando ela me deu língua pelo retrovisor e liguei o carro. Mamãe me deu o endereço do local, segundo ela não era longe, mas mesmo assim liguei o GPS. Depois de uns 10 minutos, chegamos ao nosso destino, um restaurante chique no centro de Los Angeles com um nome francês que eu não sei pronunciar. Não pensem que eu sou burro, eu apenas não tenho a habilidade de Bianca para pronunciar palavras estranhas.
Eu já tinha estranhado o fato de minha mãe nos mandar ir com uma roupa um tanto formal e o restaurante só completou a situação estranha. Nós não éramos pobres, mas também não éramos podres de ricos como Leo ou Percy. O dinheiro que tínhamos era suficiente para nunca nos faltar nada e conhecendo minha mãe, ela preferia contar notícias em restaurantes que nós conhecíamos.
– Viu? Eu sabia que não iríamos chegar cedo – disse minha mãe sorrindo confiante e olhando para Bianca
– Tanto faz, vamos entrar logo – ela disse abanando a mão e passando na minha frente.
Mamãe falou algo baixinho com o cara que cuida das reservas e nós entramos. Um homem bem vestido nos conduziu até nossa mesa e nos sentamos. Passaram se alguns segundos, todos nós estávamos em silencio até que um homem alto de uns 40 e poucos anos com a pele levemente bronzeada, olhos verdes mar e o cabelo negro com alguns fios grisalhos se aproximou de nós, sorrindo diretamente para minha mãe.
Logo atrás do cara, um garoto de uns 15 anos com os cabelos enrolados castanhos médios, olhos castanhos claros e pele branca estava mexendo em um PSP e logo atrás do garoto, Percy Jackson estava com uma cara emburrada e os braços cruzados.
– Ah não – resmunguei para mim mesmo
Mas a cena a seguir me surpreendeu: minha mãe levantou em um salto falando o nome Poseidon e se jogou nos braços do cara, lhe dando um beijo demorado. Bianca, Percy e eu ficamos boquiabertos, enquanto o garoto com PSP continuava concentrado em seu jogo.
– Nico, Bianca quero que vocês conheçam meu novo namorado, Poseidon Jackson – disse minha mãe toda sorridente.
– O QUE? – Bianca, Jackson e eu quase gritamos no meio do restaurante.
– Haha eu já sabia – disse o garoto sem tirar os olhos do PSP
– Como assim você sabia Tyson? – disse Percy irritado – Porque você não me contou?
– Porque eu deduzi isso, querido irmão... Não conto nada antes de ter provas e confirmações! – disse o tal de Tyson dessa vez tirando os olhos do PSP e encarando Percy com um ar de convencimento.
– Estamos em um restaurante chique, não vamos arrumar barraco – disse Poseidon.
– Vamos nos sentar civilizadamente, ta legal? – disse minha mãe diretamente para mim
Devo deixar claro que eu estava completamente puto com essa história. Como assim minha mãe tinha um namorado e eu não sabia? Percy bufou e sentou-se à mesa redonda bem na minha frente, me encarando com os braços cruzados e com um olhar estranho.
Ele só me lançava olhares estranhos, vai entender.
Ficamos em silêncio por alguns segundos. Um garçom tinha passado na nossa mesa e Poseidon tinha pedido um champanhe, dizendo que pediríamos o comida depois. Minha mãe perguntou para Poseidon onde estava uma tal de America e ele respondeu que ela estava em uma viagem. Fiquei imaginando quem seria America, mas uma pergunta estava entalada na minha garganta.
– Então, vocês vão explicar ou não? – eu disse encarando minha mãe e Poseidon.
– Querido... – eu queria falar um curto e grosso "não me chame de querido", mas a felicidade estava nos olhos de minha mãe, mesmo ela tendo uma expressão preocupada – Por onde eu começo?
– Do começo? – disse Percy em um tom frio que eu fiquei puto. Quem ele era pra falar assim com a minha mãe? Olhei pra ele, o repreendendo e virei para minha mãe.
– Fala mãe – eu disse tentando me manter calmo.
– Nos conhecemos há muito tempo...
– No colegial para ser mais exato – disse Poseidon
Minha mãe apenas assentiu e continuou a história. Ela falou que ela, meu pai, Poseidon e Sally, mãe do Jackson, eram muito amigos e que ela e Poseidon sempre foram melhores amigos, tipo eu e Thalia. Ela contou que em uma época, meu pai tinha dado o fora nela e Poseidon a consolou e tudo mais, fazendo-os virarem melhores amigos e minha mãe desenvolver sentimentos mínimos pelo pai de Percy. Mas Poseidon sempre teve olhos apenas para Sally, fazendo minha mãe desistir instantaneamente.
– Nos reencontramos ano passado na festa da saudade. A festa que nossa turma sempre faz para nos vermos novamente – disse Poseidon
– Na festa contei a ele que Hades tinha falecido – disse minha mãe – E ele me contou que estava em processo de divórcio, por isso Sally não tinha ido à festa. Ela era muito fechada e sabia que Poseidon não perderia aquela festa.
– Então começamos a sair novamente e a cada em encontro eu me apaixonava por Maria – disse Poseidon olhando para minha mãe com um olhara apaixonado que me deu ânsia de vomito
– Daí ele me pediu em namoro – disse minha mãe e eu enterrei meu rosto nas mãos, não acreditando.
– Você escondeu esse namoro por um ano? – exclamaram Percy e Bianca irritados
– Eu não sabia como contar para vocês... – disse mamãe – Eu me sinto péssima por ter escondido isso de vocês por tanto tempo
– America sabe disso? – perguntou Percy com um tom de pura raiva contida e Poseidon apenas negou com a cabeça
– E porque nos contar agora? – deu o ar de minha graça com a pergunta – Estaria mais feliz se continuassem o namoro as escondidas.
Minha mãe e Poseidon se olharam brevemente, seguido de um suspiro simultâneo e disseram em uníssono.
– Nós estamos noivos.
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