Obsession
30 Xeque
Xeque
Ela tocou a campainha da casa onde Harry e Ginny viviam. Estava frio do lado de fora. Hermione usava um casaco preto por cima da roupa justa, as botas não possuíam saltos. E ela tremia.
Não de frio, mas de ansiedade. Não sabia que tipo de recepção teria ao chegar com ele ao seu lado. Principalmente de Rony. E ela tinha tanta intimidade com os amigos que Scabior ficaria totalmente deslocado em meio às conversas.
Mas ele não parecia partilhar da opinião dela. Esperava calmo e pacientemente a porta ser aberta. Usava uma calça jeans escura e uma blusa preta. Não usava o mesmo casaco de sempre, e sim uma jaqueta de couro marrom escura que Hermione apreciou muito e se perguntou o motivo dele nunca ter a usado.
Seus pensamentos foram cortados quando ela percebeu a porta à sua frente se abrindo. O rosto de Harry apareceu no mesmo momento e ela sorriu para o amigo.
– Boa noite.
Harry cumprimentou Hermione com um abraço e Scabior com um aperto formal de mãos, para logo depois se afastar e deixar as visitas entrarem. Ela agradeceu, adentrando a grande casa. O cheiro da comida de Ginny lhe engolfou, assim como a iluminação reconfortante. Ali estava mais quente.
Não esperou o convite do amigo, já estava habituada a andar por aquela casa sem formalidades, então virou-se para o corredor do lado direito e entrou na sala. Assim que o fez, viu Rony sentado ao lado de Luna. Ginny estava sentada em uma poltrona avulsa, acariciando a barriga grande.
Ao ver a amiga se aproximar, a ruiva levantou-se e correu ao encontro dela, abraçando-a com ternura. Cumprimentou Scabior com o mesmo entusiasmo. Hermione percebeu o marido ficar surpreso com a visível educação da mulher do famoso Harry Potter. Ao voltar os olhos para frente, a garota observou Rony e Luna levantarem-se do sofá. Rony abraçou-a do mesmo modo que Luna, e depois levou uma cotovelada discreta nas costelas para cumprimentar Scabior com um aperto de mãos seco e distante.
Pararam um de frente para o outro e Hermione desviou os olhos novamente para a barriga de Ginny, não se demorando muito ali. De certa forma, a gravidez da amiga a deixava sem palavras e um pouco sem graça. Como se aquilo jogasse na cara dela que ela nunca poderia ter filhos.
Scabior apenas observava Luna com visível curiosidade, e Hermione não pôde repreendê-lo. A garota vestia um conjunto de roupas roxas bem peculiares, um colar de rabanetes estava pendurado no pescoço. Os cabelos estavam amarrados em uma trança longa. Era bonita mesmo assim. Do modo Luna de ser.
Jáo próprioScabior parecia um extraterrestre no local. Todos ali eram mais novos e mais bem-sucedidos que ele. Não era segredo nenhum que o snatcher estava no Ministério por causa de Hermione.
Ginny percebeu o silêncio estranho que havia se instalado e limpou a garganta, dizendo que iria até a cozinha terminar o jantar e colocar a mesa, pegando a varinha e chamando Harry. Saíram da sala, deixando os dois casais a sós.
Hermione sentou-se em um sofá confortável e Scabior sentou-se ao seu lado, passando um braço por ela, os dedos da mão acariciando levemente seuombro. Ela percebeu os olhos azuis de Rony a fitando com atenção, para depois desviarem-se para a mão do snatcher, que fazia carinho agora no cabelo dela. O ruivo não gostou daquilo, no seu íntimo, sentia algo que parecia ciúmes. Achava que aquele homem estranho era velho demais para sua amiga.
Já Luna os observava com fascínio. O contraste dos dois era perfeito. Hermione era séria e cada músculo em seu corpo parecia tenso, até mesmo sua respiração parecia superficial, como se ela estivesse pensando antes de puxar o ar para os pulmões. Já ele não, olhava cada detalhe da sala com olhos despreocupados, e acariciava com carinho os cabelos da garota. Não havia nem mesmo percebido o olhar de fúria que Rony lhe enviava, e como aquele carinho estava deixando-o com raiva.
– Como você está, Luna?
Hermione fez a pergunta e Luna obrigou-se a parar de analisar o casal. Sorriu com doçura para a garota, voltando os olhos grandes e abertos demais para Rony, que se remexeu inquieto.
– Estou bem... entro na segunda semana de gestação hoje.
Aquela informação pegou Hermione de surpresa. Ela sentiu a mão de Scabior parar por apenas um segundo, para depois voltar a acariciá-la. Sorriu para a amiga loira, dando os parabéns a ela. Percebeu que Rony olhava para o snatcher com atenção, como se estivesse dizendo ao homem que ele poderia ter um filho, e ele não.
Mas ela era a culpada de tudo isso. Porém, não na concepção de Rony. Ele conseguia ser grosso e imbecil até nos momentos simples da vida.
Ginny entrou pela porta rapidamente, dizendo que o jantar já estava servido. Hermione quase gritou de alívio e se levantou. Scabior imitou o seu gesto, e logo Luna e Rony estavam os seguindo.
[...]
O jantar corria bem. A comida de Ginny estava deliciosa como de costume. Fazia parte da genética Weasley preparar um jantar de fazer inveja a qualquer um, e Molly havia passado com êxito essa genética à filha. Jantavam pernil ao molho madeira e arroz. Uma garrafa de vinho trouxa acompanhava o jantar. O vinho sempre era por conta de Harry, pois no mundo bruxo, os vinhos eram amargos e ruins. Mas Hermione sabia que o amigo ainda apreciava cerveja amanteigada
As conversas variavam entre o que ocorria na política do Ministério, as fofocas que o Profeta Diário lançava e a maldita Lei de Casamento.
Ela focava sua atenção no prato que comia, sabendo que Scabior estava tão tenso quanto ela por causa do assunto. Harry dizia como os bruxos haviam sancionado aquela lei e que base tiveram para criá-la. Era uma conversa técnica, mas Ginny desviou o rumo da conversa para algo mais pessoal.
– Mesmo achando um absurdo o modo como a lei foi criada, agradeço sempre a Merlin por não ter me estressado com isso.
– Eu também. – completou Luna – Acho que quem criou essa lei não estava pensando muito nos casais apaixonados ou em bruxos que não pretendiam se casar. Isso é cortar direitos humanos, não?
Hermione não respondeu, e escutou vagamente alguém continuar a conversa. Harry observava a amiga com os olhos atentos. Ela estava séria, e visivelmente desconfortável naquela mesa. Tentou dar um fim àquilo tudo, sabendo onde o rumo daquela conversa chegaria.
– Eles cogitam a possibilidade de anular a lei.
O vinho desceu arranhando a garganta de Hermione. Ela quase engasgou. Aquilo que Harry estava falando era absurdo. O Ministério da Magia cogitava a possibilidade de anular uma lei que já havia mudado a vida de muitos bruxos, e principalmente, arrasado com muitas?
Ela fitou Scabior por dois segundos, e percebeu que o snatcher a olhava com atenção. Desviou os olhos para Harry novamente. O silêncio foi cortado por Luna.
– O Ministério não pode fazer isso. Haverá inúmeras crianças com pais bruxos divorciados.
– Isso é ridículo.
Rony completou, dizendo a primeira coisa desde que o jantar fora servido. O ruivo perdia seu tempo apenas comendo e lançando olhares furiosos para Scabior. Hermione respirou fundo.
– O Ministério não se preocupará com as crianças. Na verdade, essa será a última coisa que vão fazer caso essa anulação aconteça.
Harry assentiu com uma fisionomia triste. Ginny envolveu a barriga com a sua mão delicada.
– Espero que isso não aconteça. Mas caso ocorra, não mudará nada para mim.
– Nem para mim.
Luna completou. O silêncio voltou ao lugar. Hermione não quis pensar muito no assunto, sabia que se a Lei de Casamento fosse anulada, Scabior pediria divórcio no dia seguinte. Então eles nunca mais se veriam. Mas por que ela estava pensando tanto nisso? Não achou a resposta, preferiu levar a taça à boca e tomar um gole de vinho.
– Você pretende fazer tratamento para engravidar?
Luna perguntou, resolvendo deixar o pior aspecto de sua personalidade à tona. A falta de discrição e jeito. Hermione engasgou-se com o vinho que estava tomando e logo depois olhou para Scabior, que a olhava atentamente e um pouco surpreso com a reação exagerada dela. Era apenas uma pergunta, não era?
– Não penso muito nisso, Luna. Devo mandar uma carta ao Ministério dizendo que não posso ter filhos...
– Isso é inútil, Mione. – Ginny interrompeu – Muitas mulheres tentaram fazer isso com o intuito de fugir da gravidez com o homem errado e o Ministério indicou a opção de adoção.
Era muita informação para Hermione processar. Ela apenas assentiu, pensando seriamente naquela opção. Adotaria uma criança para chamar de sua? Adotaria uma criança casada com o snatcher? Engoliu em seco, não conseguindo achar a resposta.
– E claro que o casal passa por uma análise criteriosa do Ministério.
Rony completou, olhando com desdém para Scabior. O snatcher não comprou a briga, apenas fitou o ruivo com tédio, para depois passar levemente a mão no braço de Hermione, deixando-o ainda mais furioso.
A garota percebeu Luna chutar o marido por debaixo da mesa.
Cansou-se daquilo tudo. Das provocações de Rony, da falta de jeito de Luna conversar sobre assuntos sérios e de como Ginny fazia questão de conversar sobre a Lei de Casamento e sobre filhos como se Hermione não estivesse lá. Ela, uma garota de vinte e três anos que nunca poderia ter filhos e que era a única a estar casada com alguém que não queria. Resolveu mudar o assunto.
– Ginny, esse pernil está ótimo! Onde aprendeu a fazer?
Ginny sorriu, visivelmente aliviada com o rumo da conversa. Começou a explicar para Hermione como sua mãe temperava a carne, mas a garota não reparou nas palavras da amiga. Mesmo que os olhos estivessem focados na ruiva, sua atenção estava voltada para a palma quente de Scabior, que repousava delicadamente em seu braço.
[...]
Os dois entraram pelo apartamento, ela silenciosa e ele do mesmo modo ao lado dela. Hermione caminhou para a cozinha a fim de colocar a ração de Bichento, enquanto Scabior trancava a porta de forma trouxa e bruxa.
Ela jogou a ração no potinho do gato, que correu em direção à comida, visivelmente grato. O jantar havia demorado mais do que esperado, e havia sido mais fatigante do que ela imaginara. Bichento estava com fome, o relógio marcava quase meia-noite quando chegaram. Mesmo que fosse uma noite de sábado, ela não sentia vontade nenhuma de fazer algo diferente. Queria apenas deitar em sua cama confortável e esquecer-se de tudo o que havia escutado naquela mesa de jantar.
Plantou as mãos no balcão da cozinha e fechou os olhos, respirando fundo.
Nesse momento o snatcher a olhava com atenção. Ela parecia respirar com alguma dificuldade, como se estivesse nervosa. Os cabelos revoltosos cobriam boa parte das costas, as curvas do corpo dela ficavam perfeitas por baixo da roupa que ela usava. Não havia tirado o casaco, mas ele podia observar com perfeição cada nuance de cada linha que compunha a mulher. Salivou com o pensamento de tê-la ali mesmo.
– Pare de me olhar.
Ela ordenou, ainda de costas. Virou-se para ele e caminhou em direção ao homem, passando diretamente por ele como se ele fosse um fantasma. O cheiro dela foi facilmente capturado por ele, como se o olfato dele fosse projetado para isso.
– Como sabe que eu estava te olhando?
Ela não respondeu, apenas caminhou para seu quarto, entrando no cômodo e começando a retirar o casaco pesado. Ele a seguiu, e Hermione percebeu isso. Mas ele não entrou no quarto, apenas apoiou-se no batente da porta e observou-a retirar toda a roupa, jogando uma camisola por cima do corpo que ele tanto desejava.
Ela sentou-se na cama, abaixando a cabeça ligeiramente e observando o chão com olhos atentos. Scabior entrou no quarto, aproximando-se vagarosamente dela. Ela parecia pensativa. Muito pensativa. Agachou-se em frente à garota e a olhou com atenção. Os olhos castanhos estavam marejados por lágrimas contidas e teimosas. Aquilo o deixou inquieto. Não gostava de vê-la daquela forma.
Pousou a mão no joelho dela e apertou a carne ali ligeiramente.
– Por que está assim?
Ela não respondeu, apenas deitou-se na cama e Scabior sentou-se ao lado dela, não deixando de olhá-la no rosto. Os olhos dela estavam voltados para o teto, e continuaram daquele jeito quando ela abriu os lábios e fez a pergunta que estava deixando-a inquieta.
– Você sabia que o Ministério da Magia está cogitando a possibilidade de anular a Lei de Casamento?
– Esse rumor circula pelo Ministério há dois meses...
Hermione se surpreendeu com a resposta dele.
– E por que eu nunca escutei isso?
O rosto dela foi percorrido por uma expressão de incredulidade, como se fosse algo impossível ela deixar aquele tipo de informação passar despercebida. Scabior quase riu com isso, mas limitou-se a coçar a garganta.
– Você trabalha demais.
Ela o olhou dessa vez nos olhos, e observou o rosto do homem ser preenchido por um sorriso sacana e ao mesmo tempo tranquilo. Ele percebeu que ela ainda estava preocupada.
– Por que não me contou sobre isso?
– Porque para mim esse rumor é irrelevante.
Ela continuou a fitá-lo, sem entender muito o que o snatcher havia falado e o objetivo de sua resposta. Ele revirou os olhos, aproximando-se dela e passando a mão no cabelo sedoso, fazendo um pequeno arrepio percorrer o corpo da garota.
– Para algumas coisas, você é inteligente. Mas para outras, parece ser bem lenta...
A intensidade com que ele a olhou depois de ter dito aquilo fez a cabeça de Hermione trabalhar melhor, e ela entendeu de súbito o que ele queria dizer. Ficou um pouco sem jeito, sentiu um rubor passar pelo seu rosto, aquecendo-o levemente. Não conseguiu achar palavras ao abrir a boca, então a fechou lentamente e desviou os olhos daquelas orbes azuis e atentas.
Scabior percebeu como ela havia ficado, sua mão deslizou do cabelo para o pescoço dela, descendo vagarosamente, o dedo indicador passando pelo relevo que os pequenos seios faziam na camisola.
– Eu nunca pensei em me separar de você.
Ele sussurrou, a voz rouca fazendo-a arrepiar-se novamente e fechar os olhos em um movimento instintivo. O corpo dela sentiu o peso do corpo dele quando o homem encaixou-se ali, e no momento que ela abriu os olhos para fitá-lo, ele a beijou.
Os lábios se encontraram e tudo o que Hermione repreendia dentro de si voltou à tona como um vulcão em erupção. Seu corpo pedia pelo corpo dele, os lábios dela pediam pelos lábios dele, sentia falta da língua dele lhe explorando.
E ela sempre corresponderia àquele beijo.
As pernas dela se afastaram para que ele conseguisse se encaixar melhor, e no momento que ele o fez, ela sentiu a excitação dele pressioná-la em sua parte sensível. Sufocou um gemido de prazer com isso, e parece que tal gesto fez com que o homem começasse a tentá-la ainda mais.
As mãos experientes foram em direção às alças finas da camisola, deslizando-as pelos ombros desnudos e abaixando o pano para que ele conseguisse acariciar os seios macios. Os lábios dele deixaram os lábios dela, e começaram a trilhar um caminho por toda a extensão do pescoço, mordicando a pele alva com cuidado enquanto descia e encontrava um dos mamilos já rijos de prazer e excitação, e o sugava com lascívia.
Ela gemeu dessa vez de forma menos contida, e passou as mãos pelo couro da jaqueta, desejando que aquela peça de roupa não estivesse ali, assim como todas que estavam no corpo dele, impedindo-a de senti-lo melhor. Ele percebeu que a garota tentava retirar sua jaqueta e afastou-se dela, fazendo ele mesmo o serviço e jogando-a para o chão. Retirou a blusa também, e ela olhou para o corpo dele com visível desejo.
Ele voltou a acariciá-la com os lábios, deixando-a inquieta. As mãos dela foram em direção ao cinto da calça dele, os dedos trêmulos não conseguindo desafivelá-lo. Scabior soltou uma pequena risada quando ela bufou por falta de paciência. Adorava vê-la daquele jeito, sem controle da situação, totalmente ansiosa por mais.
– Maldito cinto! Não sei por que você usa isso!
Ele voltou a sorrir, e quando ela finalmente conseguiu tirar o acessório e jogá-lo no chão, enfiou a mão delicada dentro da calça mais larga e pegou o membro do homem, arrancando um gemido dessa vez por parte dele. Quase sorriu, mas contentou-se em endurecê-lo ainda mais.
Ele se afastou dela para retirar o restante das roupas, e Hermione aproveitou-se desse tempo pequeno para tirar a sua própria camisola. As mãos dele envolveram os tornozelos finos, correndo pelas pernas trêmulas e chegando até a roupa íntima da garota, deslizando-a até retirá-la e tê-la nua por completo.
Ele espaçou as pernas dela e penetrou-a vagarosamente, analisando cada reação dela com os olhos, fitando-a intensamente enquanto a invadia. Hermione sentiu o rubor passar pelo seu rosto novamente, mas esqueceu-se disso quando ele jogou o peso dele em cima do corpo dela, mexendo o quadril para encontrá-la novamente.
Ele não deixou de fitá-la nem mesmo um segundo enquanto a tomava, e ela não conseguiu sustentar a troca de olhares. Parecia que ele estava lendo-a, lendo sua alma, lendo seus desejos. Pegou o homem pela nuca e puxou-o para o seu pescoço, que ele mordeu sem delicadeza no momento que aumentava o ritmo das estocadas.
Scabior passou a mão entre os corpos, tocando-a no mesmo momento em que a penetrava. O prazer dobrou e ela arqueou o corpo em direção a ele. Ele continuou os movimentos até sentir o sexo dela o apertar, o coração dela se acelerar de forma que ele sentisse isso contra o peito dele, o corpo tremer levemente a cada estocada, até o momento em que ele chegou ao seu máximo também, derramando-se dentro dela e beijando-a com vontade enquanto o fazia.
Ele não sabia até quando aquilo ia apenas melhorar e melhorar, tornando-se viciante. Mas sabia que nunca abriria mão daquele vício.
[...]
Hermione pousava seu rosto no peito do homem, sentindo o cheiro característico dele ali, deixando-a calma e ao mesmo tempo pensativa. Pensativa demais.
– No que está pensando?
Ele acariciava o braço dela, os dedos masculinos deslizando pela pele daquele lugar, sentindo a textura macia que possuía.
– Estou pensando se vale a pena fazer um tratamento para engravidar...
O carinho parou no mesmo momento e ela percebeu o homem suspirar. O corpo de Hermione se enrijeceu. Ela conhecia aquele tipo de reação. Rejeição. Podia ter certeza de que ele se sentia inquieto com aquele assunto, e para dizer a verdade, sabia exatamente o motivo daquilo. Ele não queria ter um filho com ela.
Sentiu-se de certa forma magoada. Retirou o lençol do corpo para sair da cama a fim de fugir daquilo, mas ele pegou o pulso dela, impedindo-a. Puxou-a de encontro ao corpo dele novamente e a olhou nos olhos.
– Não quero ver você tomando poções fortes e que vão lhe fazer mal... tratamento para engravidar é algo sério...
– Não tenho alternativa.
– Podemos tentar adoção.
Ela olhou para ele, franzindo a testa. Não entendia o porquê daquela sugestão.
– Isso não faz sentido. A adoção não ajudará no propósito da Lei de Casamento.
Ele revirou os olhos.
– Você parece ser um pouco lenta quando o assunto é maternidade.
Ela não teve resposta para aquilo e Scabior resolveu explicar para a garota.
– Quando a guerra acabou, muitos bebês foram deixados para a adoção. Perderam os pais. O Ministério da Magia teme que tais bebês e crianças, ao não terem contato direto e diário com a magia, possam não desenvolver tendência para se tornarem bruxos...
– Isso não faz sentido. A guerra acabou há cinco anos.
– Você sabe que as mortes não cessaram de imediato depois da guerra.
Ela ficou calada pensando em tudo o que ele havia dito. Não era segredo que muitos bruxos foram executados logo depois da guerra e que alguns inocentes foram assassinados por seguidores rebeldes de Voldemort. As manchas da guerra ainda estavam na sociedade bruxa, e parecia que haviam atingido até mesmo o futuro de algumas crianças.
– Elas terão contato com magia... vivem em orfanatos bruxos, não?
O sorriso que ele lhe deu foi triste.
– Você sabe que não funciona assim. E há muitos trouxas querendo adoção. É mais humano você entregar uma criança a pais dispostos a cuidarem dela, sendo bruxo ou não, do que deixá-la viver em um orfanato até crescer.
Ela estava pensativa, aquilo tudo era triste demais.
– Desde quando você sabe disso?
Ela perguntou, e ele não respondeu. Apenas deu aquele sorriso jocoso que ela tanto amava. Foi quando Hermione percebeu que aquele assunto era de interesse dele, do contrário, ele não teria procurado se informar daquilo. Sentiu seu rosto esquentar quando a conclusão fez efeito no seu corpo. Ele a olhou com carinho. Ela desviou os olhos dos dele, tentando esconder sua vergonha.
– Você sabe que eu gosto de você mais do que deveria gostar, não é, lindeza?
O apelido saiu da boca dele de forma comum. Aquele apelido que ela tanto odiava, sendo dito da forma que foi dita, depois de uma declaração como aquela. Uma declaração de um homem que antes ela desprezava, mas que no momento soou tão sincera quanto o que ela sentia agora, ao ter escutado as palavras saindo da boca dele.
Uma lágrima teimosa desceu pelo rosto dela e Hermione tentou disfarçar aquilo, passando o pulso no local. Mas ele percebeu isso.
– Fiz algo errado?
– Não... é que ninguém havia me falado isso... da forma que você falou.
De forma sincera, doce, maliciosa, apaixonada. Aquilo tudo era novo até mesmo para ele, então ele poupou as palavras, puxando-a novamente de encontro ao corpo dele. Ela pousou a cabeça no peito dele, e ele recomeçou o carinho que havia parado de fazer minutos atrás.
– É tão triste... crianças abandonadas e crescendo sem pais...
Ela falou em um sussurro. Lembrou-se de Harry. O sono já estava começando a aparecer em seu corpo. Ele acariciando o cabelo dela estava ajudando isso. Scabior beijou os cabelos dela e disse de forma rouca.
– Não se preocupe... podemos olhar mais sobre a adoção amanhã, se quiser.
– Eu qu...
Ela quase respondeu, mas já estava dormindo antes de concluir o que queria.
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