Themis

– Duas semanas depois -

A pena corria pelo pergaminho levemente, como se tivesse vida própria, assim como a pena que Rita Skeeter usava em suas reportagens inúteis. A letra inclinada e fina indicava que Hermione estava terminando de fazer o seu último relatório da semana.

Ela ainda não conseguia acreditar que aquela semana chegava ao fim. Se fosse em outra época, levaria mais pergaminhos para sua casa a fim de trabalhar mais pelo fim de semana. Mas agora ela estava exausta, e duvidava muito que ao chegar em casa, ela teria algum tempo para si mesma, muito menos para trabalhar.

Porque ela seria mãe.

Uma batida leve na porta foi ouvida no mesmo momento em que Hermione descansava a pena no tinteiro, largando-a ali e selando os documentos e relatórios escritos com um feitiço. Ela não se deu ao trabalho de dizer que a pessoa poderia entrar. Sabia quem era, e não se decepcionou quando o snatcher enfiou-se na sala dela, fechando a porta atrás de si.

Scabior correu os olhos azuis pela figura delae percebeu que a garota estava com uma fisionomia de visível cansaço. Havia pilhas de pergaminhos por toda a mesa dela e a julgar pelo modo como ela olhava para o último pergaminho que estava em mãos, aquela pilha havia sido o trabalho de apenas um dia.

E ele reclamando do seu trabalho pela semana...

Ele se aproximou, no momento em que ela suspirava e jogava o corpo cansado na poltrona em que estava sentada. Fechou os olhos, sentindo-os lacrimejarem quando ela abriu e fitou o teto.

– Está nervosa?

Escutou-o perguntar e focou sua atenção nele, que se apoiava no único espaço vago da mesa. Hermione detestava quando ele sentava-se sobre sua mesa, mas não conseguia achar forças nem ao menos para repreendê-lo.

– Confesso que estou... um pouco. Já está tudo preparado e eu estou demorando a acreditar nisso tudo.

– Podemos deixar para outro dia. – ele sugeriu. — Você está exausta.

– Não... os pergaminhos foram assinados no começo da semana e passamos por todas as etapas para que isso ocorresse, tudo na ordem e lei do Ministério da Magia.

Ela respondeu, seus pensamentos viajando pelas semanas que tivera. Decidir qual criança iria adotar foi a etapa mais fácil, comparada com tudo o que estava vivendo. Diversos bruxos e bruxas da assistência social do Departamento de Adoção foram na casa de Hermione inúmeras vezes para se certificar de que o local era apropriado para receber uma criança. Sem mencionar as incontáveis entrevistas e perguntas que ela e Scabior tiveram que responder.

E quando finalmente entregaram o contrato para ser assinado pelos futuros pais, começou a busca para a montagem do quarto. Porque se Hermione teria que ser mãe, ela seria uma mãe do modo como imaginou que seria. Sua filha teria tudo do bom e do melhor, e ela se irritou um pouco quando Scabior riu diversas vezes dela por causa do seu perfeccionismo.

– Vamos?

Ele perguntou, quebrando a linha de pensamentos dela. Ela sentiu um enorme frio na barriga quando o homem levantou-se da mesa e estendeu a mão para que ela o seguisse. Hermione suspirou, jogando os documentos nas gavetas e separando alguns para que Michael os pegasse no dia seguinte.

Não levaria trabalho para casa, definitivamente.

[...]

Sentia cada músculo do seu corpo tremer, seu estômago parecia ser habitado por borboletas selvagens e desobedientes, uma fina película de suor frio fazia a palma da sua mão ficar gelada. Sentiu o homem pegar a mão dela, o calor da mão dele logo a tranquilizando enquanto andavam pelo corredor do Departamento de Adoção. O corredor que os levaria até o quarto onde os bebês ficavam.

– Obrigada.

Hermione agradeceu em um sussurro, mas sabia que ele havia escutado, quando ele apertou levemente a mão dela, puxando-a com delicadeza pelo corredor. Uma bruxa alta e de aspecto aristocrático estava esperando o casal no fim do corredor, as mãos longas estavam juntas em frente ao corpo. Usava uma roupa impecável da cor do oceano, o cabelo loiro e liso preso em um coque perfeito. Estava com uma fisionomia serena, mas quando viu o casal se aproximar, logo abriu seu sorriso mais amável, retirando um pouco do nervosismo de Hermione com aquele pequeno gesto.

– Ah! Sr. e Sra. Lloyd.

Ela os cumprimentou com um aperto firme de mãos. Era a mesma bruxa que havia entregado o contrato de adoção pessoalmente no apartamento de Hermione. A garota gostava dela. Parecia responsável e correta.

– Por favor, me sigam.

Ela gesticulou com a cabeça e começou a andar pelo restante do corredor, indo diretamente para uma porta clara, quase branca, de madeira. Scabior foi na frente, sendo seguido por uma Hermione nervosa e relutante.

A mulher retirou uma chave dourada e pequena do bolso interno das vestes e passou por um canal que ia de cima abaixo da porta. Escutaram diversas trancas sendo abertas, e logo depois um círculo azul brilhante se acendeu no lugar em que a bruxa enfiou a ponta da varinha. E com isso, a porta foi aberta.

– Não se assustem com a burocracia da segurança. Eu até poderia levá-los mais calmamente para o lugar onde as crianças ficam, mas como estamos lidando com bebês, precisamos ter cautela.

Hermione assentiu, Scabior iria dizer algo, mas a mulher entrou. O casal resolveu segui-la e quando a garota bateu os olhos castanhos pelo local onde estavam, sentiu sua pele arrepiar.

Definitivamente aquele cômodo parecia com um berçário. Um berçário bruxo e mágico. Tudo ali a agradava. Ela conseguia discernir diversos berços em tons azuis ou rosas cada um, indicando o sexo de cada bebê que ali dormia profundamente. Era reconfortante, o lugar era aquecido na medida ideal para que qualquer pessoa não sentisse nem frio nem calor. Velas com chamas amarelas claras e brancas flutuavam em volta do cômodo, deixando a iluminação do local perfeita para dormir.

A mulher foi andando entre os berços e o casal a seguiu, Hermione correndo os olhos por cada bebê fofo e inocente que dormia ali como se estivesse sendo velado pelo próprio Morfeu. Em cima dos bercinhos rosas havia fadinhas cintilantes que voavam ali, fazendo piruetas e espirrando um pó brilhante, que sumia antes mesmo de alcançar a coberta do bebê. Nos bercinhos azuis, miniaturas de vassouras voavam em círculos, com um micro pomo-de-ouro ziguezagueando por entre elas.

– É essa aqui.

A voz da mulher chegou suavemente até Hermione, retirando a garota de seu fascínio momentâneo. Ela olhou para Scabior, que já fixava os olhos azuis no berço rosa que a bruxa havia indicado. A garota engoliu em seco e se aproximou com cautela.

Incrivelmente, como se naquele cômodo confortável e aconchegante isso fosse possível, o bebê estava acordado. Tinha olhos escuros e profundos. Olhos que miravam o casal com visível curiosidade e interesse.

– Vou deixar vocês a sós com ela para que se sintam mais à vontade.

Hermione se esqueceu de agradecer a delicadeza da bruxa quando escutou a porta se fechando. Conseguia dedicar sua atenção apenas ao ser pequeno que a olhava.

– Você quer pegá-la?

Ele perguntou, a voz rouca e branda fazendo um contraste estranho no momento. Mas não errado. Apenas incomum. Sem pensar duas vezes, ela esticou os braços até o bebê e a ergueu, colocando-a no colo e olhando-a com atenção. E no momento que os olhos escuros da sua futura filha encontraram os olhos castanhos da mãe, a criança soltou uma gargalhada deliciosa, a mesma gargalhada que soltava na fotografia que conquistou Hermione.

Em um instinto, a garota sorriu e abraçou a filha, beijando o topo de sua cabeça e acolhendo-a com esse gesto. Os braços rechonchudos da criança enlaçaram o pescoço de Hermione, mas os olhos escuros fitaram Scabior.

Logo ela queria pegar o cabelo dele, e o homem ficou um pouco sem jeito com o tipo de atenção que a criança estava lhe dando.

– Acho que ela quer você.

Scabior olhava para a garota como se ela fosse algum tipo de criatura fantástica perigosa. Nunca havia pegado um bebê no colo. Tinha medo de deixá-la cair, mas a menina esticava agora os dois braços para ele. Ele puxou a criança do colo da esposa, sentindo o peso leve do corpo dela.

Os olhos escuros fitaram o homem com inocência, arregalando-se um pouco. Hermione teve que segurar o riso. O fascínio mesclado ao medo do snatcher era evidente. Logo a criança riu da mesma forma que riu quando estava no colo da bruxa. O bracinho se esticou, tentando em vão capturar a fadinha que voava em cima do berço.

– Essa aqui será apanhadora.

Ele disse e Hermione revirou os olhos, mas percebeu Scabior fitando a criança com cuidado.

– Bem vulnerável... ela... não é?

Ela não respondeu, apenas deixou o pai analisá-la como estava analisando. Sabia que ele nunca havia tido contato direto assim com crianças.

– Vejo que o pai já se acostumou.

A voz da bruxa soou pelo cômodo e o casal virou-se para trás, percebendo que a mulher havia entrado novamente no quarto e carregava consigo dois pergaminhos. Scabior ficou um pouco sem graça de estar carregando a criança no momento, mas Hermione percebeu o homem apertar um pouco mais a filha no colo, como se a qualquer momento a bruxa fosse retirá-la dele. A garota conteve um sorriso.

– Só preciso de mais duas assinaturas.

Ela gesticulou para que eles a seguissem. Os três saíram do quarto, a criança olhando de forma fascinada as fadinhas voando em volta dos berços, Scabior olhando fascinado cada bebê que ali dormia.

Seguiram para o balcão, onde a mulher depositou os pergaminhos. Hermione percebeu ali a certidão de nascimento da criança. Um ano e meio havia se passado desde seu nascimento. Os nomes dos dois já estavam ali. Ela pegou a pena branca e assinou a outra folha. Seu nome brilhou, para depois voltar ao nanquim preto comum.

– Dê-me ela.

Hermione pediu para que ele pudesse assinar a folha. Scabior relutou um pouco, mas entregou a criança aos cuidados da mãe. Inclinou-se e assinou a folha rapidamente. A bruxa dobrou com cuidado a certidão de nascimento e entregou para Scabior.

– O nome dela é Themis.

Hermione olhou para a criança, e depois para a bruxa.

– É um bonito nome grego.

A mulher completou, fazendo a garota sorrir.

– Mais uma coisa...

A bruxa voltou-se para uma pequena gaveta que estava ali, retirando dali um saquinho de cetim claro.

– São brincos de rubi que ela herdou dos pais. Amigos disseram que era uma vontade da mãe, que Themis tomasse posse desses brincos quando crescesse. É uma lembrança dos outros pais. Infelizmente até as pessoas que poderiam contar essa história não tiveram muita sorte na guerra...

Ela cortou o pensamento. Scabior pegou o saquinho, colocando-o na bolsa da garota e retirando-a dos ombros dela, para ele mesmo carregá-la junto com a pasta.

– Ela os usará assim que puder.

Ele confirmou, fazendo a bruxa sorrir.

O casal se despediu da mulher, Hermione com uma criança no colo, e Scabior com diversas bolsas.

E saíram do Departamento de Adoção como pais.

[...]

Os dois entraram no apartamento e assim que Scabior viu o grande sofá, jogou todas as bolsas e pastas que carregava, visivelmente aliviado por ter se livrado daquela carga que era mais ridícula do que pesada. Já Hermione caminhou para o corredor, Themis aconchegada em seu colo.

Ela entrou no quarto que era destinado à filha e caminhou até o berço, colocando o bebê ali dentro. Bichento veio ao encontro das duas, farejando o ar e enroscando-se em um dos pés do berço claro, virando uma bolinha e pousando a sua cabeça ali. A garota sorriu.

Scabior entrou no quarto no mesmo momento que Hermione sacava a varinha e conjurava as mesmas fadinhas cintilantes que estavam no berço de Themis no orfanato. A criança olhou para as fadinhas, as orbes escuras brilhando de satisfação, no mesmo momento que a mãe colocava com delicadeza o cobertor fofo em cima do pequeno corpo.

– Já viu inocência tão pura em algum olho?

A voz de Scabior chegou aos ouvidos dela e ela negou com a cabeça, percebendo que ele havia se aproximado e agora o peito forte encostava levemente no braço direito dela. Ficaram observando a criança por alguns minutos. Depois do que pareciam horas, Themis bocejou e fechou os olhos, caindo em um sono tranquilo e profundo.

Hermione suspirou.

– É. Somos pais.

Os braços fortes dele a envolveram e ela sentiu aquele arrepio familiar percorrer seu corpo. Ele enfiou o nariz nos cabelos volumosos dela, respirando ali e absorvendo o aroma peculiar de baunilha que ela tinha. Ela sentiu-se ser puxada por ele, mas relutou.

– Espere...

Acenou novamente com a varinha e uma lontra prateada saiu da ponta, percorrendo rapidamente o ambiente. Bichento se assustou um pouco, mas quando o animal enrolou-se embaixo do berço de Themis igual o gato havia feito, diminuindo um pouco a luz do próprio corpo, ele relaxou.

Os dois saíram do quarto, caminhando para o quarto que também seria dele agora.

– Por que conjurou um Patrono?

Ele perguntou, visivelmente curioso. Fechou a porta atrás de si e fitou a garota começar a retirar os anéis e os brincos.

– Caso Themis precise de algo, meu Patrono informará.

– Patronos não são eternos...

Ela voltou-se para ele, olhando-o com atenção. Scabior percebeu naquele olhar diversão e um certo orgulho. Conhecia aquela expressão dela.

– Não me diga que você descobriu um meio do seu Patrono durar horas.

– Até meses.

– Você chega a ser irritante, de tão inteligente.

Ela sorriu para ele e virou-se novamente de costas, abaixando o zíper do vestido e deixando o tecido frouxo no corpo, para retirá-lo com facilidade. Scabior observava tudo com atenção. Ela usava um conjunto de lingerie negra e de renda. Ele salivou apenas com a visão daquele corpo delicado e alvo naquelas peças tão ousadas, mas não teve muito tempo para admirá-la, logo ela entrou no banheiro, deixando a porta aberta. Ele escutou o barulho da torneira da banheira e a água começar a correr, e sorriu maliciosamente. Começou a retirar suas roupas, jogando-as de forma displicente em cima de uma poltrona que havia ali.

Dentro do banheiro, Hermione observava o nível da água ficar mais alto à medida que a banheira ia se enchendo. Jogou os sais de banho ali, fitando as espumas que se formavam e pensando seriamente no dia seguinte. Archie havia lhe dado três semanas de licença maternidade, e ela aproveitaria cada segundo com Themis, mas também reservaria um pouco do seu tempo para procurar uma babá de confiança e competência. Poderia ligar para Ginny. Sabia que os amigos contavam os dias para ver a criança, mas queriaseacostumar com sua rotina de mãe primeiro, para depois tirar o bebê de casa.

Ela entrou na banheira, a água quente e confortável dissolvendo cada nó que os músculos sustentavam por causa da tensão do dia. Respirou fundo, fechando os olhos e apoiando a cabeça na beirada da banheira.

Alguns minutos se passaram até ela perceber que a água movimentava-se demais, e que ela não era a causa do movimento. Abriu os olhos e olhou para o homem que se sentava em frente a ela, olhando-a com uma fome fora do normal.

– O que está fazendo?

– Tomando banho.

– Não podia esperar?

– Não...

Ele a olhou com mais intensidade, o fantasma daquele sorriso jocoso dançando nos lábios finos. O homem contrastava com tudo que estava ao seu redor. A barba por fazer deixava-o com um aspecto rude, diferente de tudo delicado que ficava no banheiro. O cabelo negro e agora molhado se opunha à cor clara da banheira e dos azulejos.

– Acha mesmo que sou irritante?

Ela finalmente perguntou, fazendo o sorriso dele abrir-se mais. Ele se aproximou um pouco dela, fazendo o corpo de Hermione ficar em alerta com esse gesto.

– É claro que você é irritante... porque sua inteligência é incomum para a maioria dos bruxos desse mundo...

Ele se aproximou mais um pouco, ficando agora de frente para ela. A respiração dele batia no rosto dela quando ele abriu a boca.

– E sabe de uma coisa? Essa inteligência que você possui... me excita mais do que qualquer coisa.

A voz rouca chegou aos ouvidos dela, fazendo um arrepio percorrer seu corpo. Hermione fechou os olhos quando a mão no homem encontrou o lugar de desejo dele, entre suas pernas, os dedos estimulando-a com maestria. Ele se sentou novamente na banheira, ao lado dela, os dedos não a deixando. Os lábios dele foram em direção ao pescoço alvo e molhado, sugando a pele do lugar no momento que ele introduzia o dedo no sexo apertado. Hermione gemeu.

– Scabior...

Queria pedir para ele parar, dizer que Themis poderia acordar a qualquer momento, avisar que estava cansada. Mas como fazer isso se a cada segundo seu corpo pedia por mais daquele contato delicioso?

Escutar o nome dele na boca dela fez com que Scabior ficasse ainda mais excitado, os lábios dele encontraram os lábios dela, beijando suavemente o local.

– Venha aqui...

Ele pediu em um sussurro rouco, puxando-a de encontro ao corpo dele. Hermione abriu as pernas para que o corpo do homem aconchegasse mais ao seu. Sentiu-o já excitado, e apenas pegou o membro dele, no momento que Scabior beijava o ombro nu dela. E quando ela deixou seu corpo cair, obrigando-o a penetrá-la, ele soltou um gemido rouco e masculino, enquanto mordia com um pouco de força o ombro que estava beijando delicadamente segundos atrás.

Olharam-se por algum momento. Segundos? Minutos? Não sabiam dizer. Hermione começou a se movimentar lentamente, fazendo-o fechar os olhos e demonstrar como ele gostava daquilo. As mãos fortes dele apertaram a cintura delicada dela à medida que ela guiava os movimentos. Ela correu as mãos pelos braços dele, a sensação de ser possuída dentro d’água era diferente. Sentia-se leve. As mãos foram em direção às costas dele, sentindo ali as cicatrizes que cobriam a pele. Passou os dedos por cada marca, excitando-se com isso.

Tudo nele a agradava. O cabelo comprido e escuro, a barba por fazer arranhando a pele do seu ombro à medida que ela se movimentava em direção ao corpo dele, as cicatrizes que ele carregava, os braços fortes a pressionando para o corpo dele quando o espasmo do prazer era maior. Os gemidos que ele soltava quando sua excitação estava grande, o modo como a voz rouca saía de sua boca quando ele pedia por mais.

Não demorou muito para que ela chegasse ao pico do prazer, sentindo seu corpo ser percorrido por uma corrente elétrica, que parecia maior por causa da leveza dos corpos. Scabior mordeu o ombro dela pela segunda vez quando também atingiu o seu máximo logo depois, murmurando levemente o nome dela quando beijou o pescoço da garota de forma contida e ao mesmo tempo possessiva.

– Minha... toda minha... sempre minha...

Ela fechou os olhos às palavras dele.

[...]

Os dois estavam deitados na cama, Scabior percebendo que era a primeira noite que passaria ali sabendo que o quarto era dele também. Até Themis chegar, ainda desconfiava de que a garota fosse mudar de ideia e fazer o quarto de estudos como quarto dele.

– Será que eu serei uma boa mãe?

Ela perguntou. Ele sentiu ali a relutância da pergunta. Continuou acariciar o braço dela, sentindo o rosto da garota aquecer boa parte do seu peito.

– Eu tenho certeza de que será.

Ela sorriu, aconchegando-se melhor ao corpo dele. Não queria admitir, mas estava adorando a ideia de tê-lo ali todas as noites. O corpo dele ao seu lado no colchão. Adorava sentir o calor da pele dele quando ele a abraçava enquanto estava dormindo. A respiração pesada dele batendo na sua nuca, o cheiro amadeirado dele nos travesseiros. Parecia certo. Sentia-se protegida com ele ali por perto.

– Você sabe que eu também gosto de você mais do que deveria, não é?

Ela disse, copiando as palavras que ele havia lhe dito semanas atrás. Mordeu o lábio inferior quando soltou a frase, mas não se arrependeu. Percebeu que ele estava sorrindo, um sorriso malicioso que gritava a ela que ele sabia perfeitamente que ela gostava dele. Ele não disse nada, apenas beijou a cabeça dela, continuando a acariciar o braço desnudo.

Hermione dormiu minutos depois.

Notas finais
Morfeu é o deus grego do sonho. Se velado por Morfeu significa quase como ter uma noite de sono perfeita.