Notas iniciais
Gostaria de agradecer às pessoas que deixaram comentário, que favoritaram e que deixaram recomendação!

Sentença

– Algum tempo depois

Hermione olhava fixamente o tinteiro que ficava a sua frente na escrivaninha. Suas mãos estavam unidas, e ela as mexia de forma incômoda a todo o momento, demonstrando seu nervosismo. Pela primeira vez desde que entrara para o Ministério da Magia, estava insegura quanto à atitude que iria tomar.

Já fazia vinte e cinco minutos que havia pedido para que Michael chamasse Archie até a sua sala, e a demora do seu chefe estava apenas a deixando mais ansiosa. Por todo o tempo ela se perguntava o que realmente estava fazendo, e não acreditava em si mesma ao constatar que aquilo estava mesmo acontecendo.

Ela precisava conseguir a vaga de emprego para o snatcher.

E o que estava a deixando mais chateada não era o modo como ia falar para seu chefe que finalmente havia achado alguém, mas o fato de que quando o fizesse, Archie concordaria sem pestanejar e fazer perguntas. Afinal, ele acreditava demais nela.

E Hermione Granger apenas odiava Archie no momento por isso.

Um barulho de batida soou pela sua sala e o coração dela deu um pulo. Ela levantou os olhos que antes fitavam o tinteiro e esperou a pessoa aparecer. Seu chefe entrou em sua sala logo em seguida, dando-lhe um sorriso calmo e fechando a porta atrás de si.

Hermione engoliu em seco.

– Mandou me chamar?

Ela fez um gesto para que ele se sentasse na cadeira que ficava em frente à escrivaninha. Archie não objetou, mas achou estranho o modo como a garota estava o tratando, parecia que ela estava prestes a lhe dar uma notícia ruim.

– Sim. Quero conversar com você.

Ele apenas assentiu, esperando o primeiro passo dela para que iniciasse a conversa. Hermione respirou fundo.

– Eu achei alguém para a vaga de meu ajudante, Archie.

O rosto de seu chefe se iluminou no mesmo momento, e ela poderia jurar que ele estava até aliviado pela notícia. Archie sorriu para ela.

– Fico feliz que tenha achado alguém, Hermione. Posso saber quem é?

Para aquela pergunta, ela não tinha resposta. Não queria dar mais informações para ele, temendo que o chefe embirrasse com a proposta dela e não deixasse a pessoa ocupar a vaga. O que lhe traria um problema maior, pensando melhor no assunto. Ela respondeu a primeira coisa que lhe veio à mente.

– Um amigo em comum... da família.

Os olhos de Archie foram preenchidos com um brilho e ela olhou diretamente para um ponto fixo no teto, arrependendo-se no mesmo momento. Queria voltar atrás, desistir daquela loucura. No momento que comunicou a notícia para o chefe, percebeu que estava finalmente caindo nas garras do snatcher. Não havia volta.

Ou havia?

Ela poderia dizer que a pessoa não estava mais disponível para trabalhar, mas sabia que colheria consequências ainda mais pesadas. O pergaminho amassado em seu bolso parecia pesar toneladas, e a fazia se lembrar de cada palavra nele escrito por uma letra masculina e forte.

"Estou esperando o meu emprego, e Rita Skeeter está esperando a sua reportagem."

A frase retumbou em sua mente e ela percebeu que estava sem saída. Sabia que teria que adiantar alguns fatos para Archie, para que seu chefe não achasse estranho o fato de uma pessoa como o snatcher trabalhar para ela.

– Archie, a pessoa que quero contratar... ela pode ser um pouco estranha à primeira vista.

Ele franziu levemente a testa, mas depois sua expressão se desanuviou. Ele sorriu para ela no mesmo momento em que se levantava da cadeira.

– Não se preocupe com isso, Hermione. Confio em você.

Ela assentiu, sabendo que Archie não imaginava a gravidade da situação. Não era uma pessoa como Luna que ela iria enfiar no Ministério, mas o seu chefe parecia pensar o contrário.

– Garanto que colocarei a pessoa na linha, caso ela crie algum problema.

Ela disse de forma convicta. Disso Archie não tinha duvida. Conhecia Hermione tempo o suficiente para saber que ela era dura com seus ajudantes e colegas de trabalho quando queria. Ele apenas assentiu e sorriu para ela, acenando e virando-se para a porta. Ao alcançar a maçaneta, se virou de forma contida e temerosa. Ela apenas esperou pela pergunta.

– Er... Hermione. Sei que não tenho nada com isso, e me desculpa a pergunta, mas você já achou algum pretendente? O tempo passa rápido e...

– Estou com alguém em mente.

Interrompeu-o de forma ríspida. Archie apenas assentiu, girando a maçaneta e saindo de sua sala. Ela desabou no encosto da cadeira no mesmo momento que seu chefe desaparecera por detrás da porta.

Ela fez um enorme esforço para não chorar, mas já sentia as lágrimas se acumulando nos olhos.

Olhou para o relógio de pulso e constatou que eram quase sete da noite. Seu expediente já havia acabado há quase uma hora e ela ainda estava ali, trabalhando, achando que dessa forma poderia fugir de todos os seus problemas.

Como se trabalhar fosse ocupar a sua mente a ponto dela não perceber que sua vida estava desmoronando.

– Aham.

A garota disse para si mesma de forma irônica. Levantou-se de um salto e pegou a bolsa pendurada em outra cadeira que ficava mais para o canto de sua sala. Fechou os olhos e respirou fundo, pensando apenas em seu apartamento, e quando os abriu, estava na sua sala.

O conforto do seu apartamento lhe engolfou e ela caminhou para o quarto, indo em direção ao banheiro, jogando as roupas e a bolsa displicentemente pelo chão. Não queria esperar, apontou a varinha para a banheira e a encheu com uma água quente e de cor rosada. Queria descansar, estava saturada de tudo aquilo.

Entrou na banheira e agradeceu a Merlin pelo momento de sossego, fechando os olhos e apoiando a cabeça. Era um final de dia, sexta feira. Normalmente Hermione iria para o Ministério no dia seguinte, mas não naquela semana. Sua cabeça já não conseguia trabalhar de forma satisfatória.

Como havia deixado sua vida tomar o rumo que tomara?

Havia se entregado para um snatcher, o mesmo que tentara estuprá-la cinco anos atrás. E agora estava recebendo ameaças diretas dele. Mesmo que Hermione soubesse a influência que o homem tinha sobre ela, nada era desculpa para a estupidez que havia feito, e estava apenas colhendo as consequências dessa estupidez.

E para melhorar, ainda tinha uma maldita Lei de Casamento, uma lei que a obrigava a escolher um marido, e ainda impunha condições para isso.

Sua vida não poderia estar pior.

As lágrimas correram livremente pelo rosto pálido e ela se afundou de uma vez na água quente da banheira, molhando seu cabelo, estendendo o braço e ligando a hidromassagem. Precisava de descanso de tudo aquilo.

[...]

Hermione havia acabado de comer um lanche para saciar sua fome e estava no banheiro escovando os dentes quando o barulho da campainha soou pelo apartamento. Bichento não se mexeu de onde estava, apenas encolheu-se ainda mais em sua caminha, ignorando completamente uma possível visita.

Ela fechou o roupão mais ao corpo e passou a toalha sobre a boca. Já eram quase dez horas da noite, e ela não precisava raciocinar muito para desconfiar quem era que estava do outro lado da porta.

Caminhou em direção à sala, alcançando a maçaneta e girando-a. Abriu a porta de forma lenta e fitou o homem dos seus pesadelos à sua frente.

No momento em que Scabior abriu a boca para saudar Hermione, fechou-a de imediato. Algo estava errado. Onde estava aquela raiva que sempre era presente quando ela o via? O rosto corado havia dado espaço para um rosto pálido, os olhos castanhos sempre em fúria estavam opacos, cansados. Ainda estava bonita, mas parecia exausta

Ele percebeu que a garota estava estranha, e se perguntou o motivo disso, mas controlou sua curiosidade o suficiente para que não abrisse a boca e perguntasse a causa daquilo tudo. De certa forma, a preferia alterada, com raiva. Isso a deixava cega, e dava a ele uma vantagem para que pudesse manipulá-la.

Ela respirou fundo sem dizer nada, apenas abriu mais um pouco a porta. Scabior entrou no apartamento impecável pela segunda vez e correu os olhos azuis pela sala decorada, relembrando cada objeto que tinha ali dentro. Tudo era claro, a exceção do sofá. O snatcher virou-se novamente para ela no momento em que ela fechava a porta e cruzava os braços em frente ao peito.

– O emprego é seu.

Disse de forma cansada e arrastada, como se estivesse dando uma notícia comum. Scabior sorriu, sabendo que havia vencido mais aquela etapa. Um emprego no Ministério era tudo o que ele queria; um emprego no Departamento dela, no mesmo lugar que barrava seu trabalho impedindo-o de ganhar mais dinheiro.

A vida dele não poderia estar melhor

– Saia daqui.

Ela lhe ordenou, mas não o empurrou da forma que fez na última vez em que ele esteve ali, mas deu as costas para ele e sentou-se no sofá grande, olhando para um ponto fixo no chão. Scabior franziu o cenho. Ela estava mais estranha do que ele imaginara.

Ela pousou a cabeça no encosto do sofá e fechou os olhos, apenas esperando a presença desagradável dele desaparecer. Mas ele não foi embora, permaneceu onde estava, fitando-a de forma curiosa.

Ele olhava cada pedaço do corpo dela, aproveitando-se do momento de entrega da garota. Estava tarde e ela parecia estar quase dormindo. Os cabelos cheios e castanhos claros estavam espalhados pelo tecido de camurça do sofá escuro. O peito subia e descia de forma compassada e tranquila.

E no momento que ele percebeu que aquele corpo estava coberto apenas pelo tecido grosso de um roupão, sua boca salivou e ele começou a sentir as primeiras reações de excitação em seu baixo ventre.

Caminhou em direção a ela e estacionou em frente ao sofá. Hermione sabia que ele estava por perto, havia escutado os passos, e podia jurar que ele estava a centímetros dela. Mas ignorou tal sensação que se espalhava em seu corpo, jurando que, se mantivesse a indiferença, finalmente ele iria embora.

Mas ele não foi.

Scabior ajoelhou-se em frente ao corpo dela, sentindo o frescor da pele de suas pernas bater em seu rosto, o cheiro de baunilha misturado ao cheiro do sabonete. Respirou fundo e correu as mãos masculinas e ásperas pela panturrilha da garota, sentindo a textura fina e macia que a pele possuía.

Hermione abriu os olhos por instinto, engolindo em seco e fitando o teto.

Ele continuou a acariciar lentamente as pernas dela, subindo o contato para os joelhos. Os dedos se infiltraram por debaixo do pano do roupão e o snatcher sentiu a temperatura elevada naquele lugar. Sua calça começou a lhe apertar.

Ela não queria nada, queria apenas ficar sozinha e ter paz.

Ele correu as mãos pelas pernas dela uma última vez, antes de se aproximar ainda mais e roçar as palmas pelo roupão, chegando à faixa que o amarrava ao corpo dela. Ele desatou o nó que estava ali lentamente e o abriu, expondo o corpo dela.

Os olhos azuis famintos corriam pelos seios, gravando cada pedaço da pele dela, cada característica única. Ela possuía uma pele branca, sem nenhuma marca, e que estava arrepiada. Os seios não eram grandes, mas eram perfeitos aos olhos de Scabior. Ele engoliu em seco pela primeira vez diante de um corpo de uma mulher. Ela olhou para ele e o snatcher esperou o ataque de fúria, que não veio. Ela parecia uma boneca estática.

Hermione rezava a Merlin para que ele desistisse daquela ideia insana e fosse embora, e achava que permanecer fria ao toque dele podia fazê-lo tomar tal decisão. Mas o toque quente das mãos dele já estava deixando o corpo dela da pior forma possível.

Scabior estranhou a frieza dela e não se conteve.

– Por que está desse jeito?

Queria vê-la com raiva, queria que ela tentasse repeli-lo, queria o jogo que eles jogavam sempre quando se viam.

Ela não respondeu, apenas tombou a cabeça no encosto do sofá novamente, os pensamentos girando em torno dos problemas que estava enfrentando. Não pôde deixar de perceber que poderia estar a um passo de arruinar sua carreira graças ao homem que no momento se encontrava diante dela.

Ela estava tensa e ele apenas sorriu de forma maliciosa, abrindo ainda mais o roupão dela. Suas mãos correram pela cintura dela e a bruxa travou o maxilar. Ele apertou a carne dela e desceu as mãos, encontrando a peça de lingerie que o impedia de admirar o corpo que queria por inteiro. Desceu o pedaço de pano de forma lenta e forçou-a com as mãos a levantar o quadril.

Scabior jogou no chão a lingerie e espaçou as pernas da garota, olhando de forma faminta o que havia descoberto. A boca foi de encontro à pele das pernas dela, experimentando pela segunda vez o gosto único que ela tinha. Ele beijou de forma sedutora cada pedaço que conseguia beijar, intercalando com mordidas leves.

Hermione fechou os olhos ao perceber que a boca quente dele estava subindo, e que não demoraria muito para que ela encontrasse seu objetivo. Scabior se acomodou melhor diante de seu corpo e espaçou um pouco mais as pernas dela. Se ela queria algo para relaxar, ele lhe daria isso.

A língua dele encontrou o sexo dela e ela fez um esforço enorme para não gemer naquele momento. Pela primeira vez sentia a boca e a língua dele ao mesmo tempo em outro lugar do seu corpo que não fosse sua boca, e a experiência estava deixando-a um pouco desnorteada. A cada segundo seu corpo pedia por mais daquilo.

Ele rodou a língua diretamente no ponto sensível dela, fazendo uma pequena pressão, experimentando o gosto que ela tinha. E era divino, tal como o restante do corpo dela. Olhou-a no mesmo momento que fazia os movimentos certos, vendo a garota de olhos fechados, mordendo os lábios, reprimindo sua boca de se abrir e gritar pelo prazer que estava sentindo. Scabior adorou ver que ela estava lutando novamente contra tudo.

Introduziu com lentidão dois dedos no sexo dela, no mesmo momento que o sugava. Hermione mordeu com mais força os lábios, mas no momento que sentiu os dedos quentes dele fazerem o trabalho que ele devia estar fazendo, não aguentou. Sua boca se abriu e deixou deslizar para fora um gemido contido.

Scabior fez força para não sorrir, apenas continuou os movimentos, ficando um pouco mais bruto à medida que o corpo dela se contorcia de prazer. O snatcher demorou-se um pouco nos movimentos, os minutos foram se passando. Hermione esqueceu-se completamente do teatro, apenas esticou o braço e pousou a mão nos cabelos dele, fazendo uma pequena pressão ali para que ele não parasse o trabalho divino que estava fazendo.

Ele não pararia. Queria vê-la chegar ao auge do prazer por causa dele. Por causa inteiramente dele. E isso não demorou a acontecer. No momento em que ele pressionou sua língua no centro dela de forma rude e empurrou os dedos para dentro da garota, sentiu-a se arquear e gemer dessa vez mais alto, entregue completamente ao momento. As pernas dela travaram-se momentaneamente, pressionando o rosto dele por alguns segundos.

Ele não se mexeu, apenas lambeu uma última vez o que estava provando e retirou os dedos, afastando-se depois de algum tempo e olhando diretamente nos olhos dela. As orbes castanhas da garota possuíam um brilho único, e as pálpebras estavam um pouco baixas, como se ela estivesse muito cansada. Já os olhos azuis escuros de Scabior estavam atentos a todo movimento, e permaneciam escuros de desejo.

Ele fechou o roupão dela, amarrando de forma frouxa a faixa em seu corpo delicado e se levantou de onde estava, ainda de frente para ela. Inclinou-se um pouco e sua boca encontrou a boca entreaberta dela. Não a beijou de forma longa, apenas sugou de forma sensual o lábio inferior da garota.

A mão áspera e masculina enfiou-se por debaixo dos cabelos, encontrando a nuca dela, e ele fitou os olhos castanhos. Apenas os fitou, sem lhe dizer nada. E segundos depois sentiu o peso do corpo dela encontrar totalmente o seu braço. Ela havia caído em um sono profundo, adormecendo quase que de forma instantânea em seus braços.

Scabior sorriu maliciosamente, ao mesmo tempo em que a pegava no colo com facilidade e corria os olhos pelo apartamento, procurando pela porta que dava acesso ao quarto.