Obsession
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Scabior não entendeu a pergunta de imediato. A garota o olhava, mas nenhuma expressão havia percorrido seu rosto, o que estava o deixando desconfiado. Ele tomou mais um gole da bebida.
– É claro que sou, lindeza.
Ela sorriu, gesto que fez o corpo dele se arrepiar. Não sabia onde ela queria chegar com aquilo, pela primeira vez ele estava vendo-a sorrir, o que, pensando melhor, não poderia ser algo bom. Ela era astuta. Ele levou o copo à boca.
– Então poderá se casar comigo.
Scabior cuspiu a bebida, engasgando-se de imediato. O que ela estava falando? Que merda era aquela? Desequilibrou-se de onde estava apoiado, colocando o copo na mesa e ficando em pé de frente a ela. Ele limpou a boca com o braço e Hermione pôde sentir o cheiro masculino dele quando o snatcher fez o gesto.
A mente dele estava inundada de perguntas e pensamentos, uma pequena parte de seu subconsciente o alertando de que aquilo não era seguro. Estava desconfiado. Ela nunca o pediria em casamento por qualquer motivo. Ela nunca iria se casar com alguém como ele.
Mas ele logo desanuviou a expressão, não querendo demonstrar que havia sido pego de surpresa. Sorriu de forma maliciosa para ela.
– E posso saber por que você quer se casar comigo, lindeza?
Ela retribuiu o sorriso e ele sentiu uma pequena parcela de sua confiança se esvair de seu corpo. Algo estava errado. Definitivamente algo estava errado. Ela caminhou em direção a ele, começando a circulá-lo, olhando-o como se estivesse analisando cada reação do corpo masculino. Pela primeira vez Scabior começou a ficar inquieto com a aproximação, mas arqueou as sobrancelhas e a acompanhou com os olhos, até ela parar ao seu lado.
– Ora, snatcher. Pense bem. Se você quiser minha ajuda com a carga de Tapetes Voadores que quer contrabandear de qualquer jeito... teremos que fazer isso sem que ninguém perceba. Não?
Sorriu de forma jocosa para o homem e viu que ele estava confuso. Hermione esforçou-se para conter um riso. Estava deixando-o louco, a testa vincada dele apenas lhe confirmou isso. Scabior não estava gostando da proposta, sabia que por trás do pedido havia algo que ela pretendia, mas sua mente não conseguia trabalhar direito para achar uma resposta. Parte disso era o álcool, parte disso era o pedido surpresa, e parte disso era a presença dela. Tão perto dele... tão alcançável.
Ele fechou os olhos para fazer com que os pensamentos impróprios sumissem de sua mente. Sabia que aquela era a hora mais inadequada para que deixasse seu desejo por ela tomar conta. Precisava analisar tudo com cuidado, pensar direito e de forma calculada. Infelizmente ele já sabia que no momento isso seria impossível.
– Eu vou pensar no seu caso.
Ela apenas continuou fitando-o, mas depois de alguns segundos assentiu com a cabeça, ajustando a alça da bolsa junto ao corpo. A mão feminina pousou no ombro nu de Scabior, e o corpo dela foi percorrido por um arrepio estranho. Ele sentiu o mesmo, mas achou tal sensação agradável.
– Seja esperto pelo menos uma vez na vida e aceite o pedido.
Ela lhe disse e ele não respondeu, apenas conteve a vontade de jogá-la na parede e tomá-la ali mesmo, mostrando o quanto ele poderia ser mais esperto e hábil que ela. Porém não o fez. Ela retirou a mão do ombro dele e caminhou em direção à porta, não se virando em nenhum momento. Sabia que havia o deixado sem palavras.
Abriu a porta do cômodo e a fechou, caminhando pelo corredor do hotel antigo e mal acabado a fim de ir para casa. No local de onde havia saído, um homem estava imóvel — desconfiado e pensativo de uma forma nada saudável.
[...]
Hermione entrou em seu apartamento sentindo todo o seu corpo leve. Sabia que parte disso era alívio por ter conseguido propor o casamento para o snatcher, e parte disso era a satisfação egoísta de ter se entupido de compras supérfluas.
Jogou a bolsa e as sacolas de compras preenchidas com roupas novas no sofá e caminhou em direção ao quarto, indo para o banheiro. Abriu a torneira da banheira e enquanto esperava-a encher, começou a retirar as roupas. Queria descansar, um dia de compras era algo bom para qualquer mente feminina, mas definitivamente conseguia deixar qualquer mulher exausta.
Já estava anoitecendo, mas ela ainda pensava no que havia vivido pela parte da manhã.
Hermione havia colocado todas as fichas na aposta. Ela se perguntava se o homem seria burro o suficiente para aceitar tal pedido. Sabia que tal decisão poderia ser um tiro no escuro, e também sabia que poderia ter feito a maior tolice de sua vida. Mas ela estava disposta a arriscar. E sabia que se ganhasse aquela partida, poderia conduzir o jogo com uma vantagem grande.
Entrou na banheira, sentindo a água quente engolfar o seu corpo e relaxá-lo em um minuto. Se ele aceitasse a proposta, ela ficaria livre do único motivo que ele usava para chantageá-la. Afinal, como o snatcher diria para todos que ela havia se entregado a ele se estivessem casados? Seria a mesma coisa que contar uma história de amor, que no final mostraria ambos felizes para sempre.
Ela sorriu e apoiou-se na banheira, no mesmo momento que Bichento entrava no banheiro. O gato deitou-se ali, olhando-a com a linguinha para fora. Hermione arqueou uma sobrancelha. Às vezes achava que seu gato a analisava de forma inteligente demais para um animal irracional.
Pensou seriamente no que havia feito. De qualquer maneira ela teria que tomar cuidado. Estaria na vantagem se ele aceitasse a proposta, mas infelizmente no momento em que fizesse, ele seria seu marido. Marido. A palavra flutuou na mente dela por minutos, até que ela se sentiu satisfeita pelo banho e emergiu da água da banheira.
Por mais que tentasse, ela não conseguia enfiar na cabeça que seria uma mulher casada. Que seria uma mulher casada com ele. Mas ela faria de tudo para salvar o seu emprego, a sua reputação, e de certa forma a sua vida, pois definitivamente ficar à mercê das chantagens de um homem como aquele acabaria com a mesma em poucos dias.
Bichento começou a ficar inquieto dentro do banheiro, andando em círculos e esfregando os pelos na perna dela. Ela escovou os cabelos e os dentes, caminhando para o quarto e colocando a camisola fina. Estavam no final de maio. Junho estava chegando, e ele trazia consigo o verão. A noite estava quente.
O gato miou e Hermione achou estranha a inquietação dele. Estaria com fome? Tinha certeza de que havia colocado comida para ele antes de sair. No momento em que pensava nisso, o som da campainha soou pelo apartamento.
Ela revirou os olhos. Já era noite, e no dia seguinte teria que trabalhar. Precisava descansar para enfrentar a semana confusa que ia ter. Caminhou para a sala, desconfiando de que seria o elfo-doméstico do prédio com as suas cartas.
Abriu a porta de forma calma, e ficou surpresa ao ver o snatcher à sua frente.
Estava vestido com a mesma calça de quando ela o havia deixado pela parte da manhã. Uma blusa negra e simples de mangas curtas era sua única roupa adicional. Ela pensou seriamente que o verão já estava começando a fazer efeito nele, nunca havia o visto com aquele tipo de blusa, parecia malha. Mas ele ainda usava botas.
Por que ela o analisava tanto?
Ela engoliu em seco quando ele atravessou o batente sem pedir permissão, fazendo o seu cheiro peculiar chegar ao nariz dela. Virou-se de forma calma e ela percebeu que ele parecia mais no controle de si.
– O que está fazendo aqui?
Perguntou de forma cansada. Queria apenas deitar-se em sua cama e curtir um pouco o seu colchão tão macio antes de dormir. Pois sabia que quando acordasse, teria que enfrentar uma semana atolada de trabalho.
– Eu aceito o pedido.
Ele falou a frase de forma calculada e estrangulada. Sabia que se demorasse mais dois segundos para dizê-la, desistiria da ideia. Tinha pensado muito no assunto. Mesmo que a garota tivesse um plano já arquitetado por trás do pedido, Scabior não conseguiu achar um motivo para não aceitar. Trabalharia no Ministério da Magia e seria marido dela, o que poderia abrir muitas portas.
Ela não conseguiu conter o sorriso maldoso ao ver que ele havia aceitado. Realmente o snatcher era burro o suficiente para isso. Teria pensado nas consequências?
– Mas teremos que estabelecer condições para isso.
Ele disse para ela e ela ficou em alerta. Quais seriam as condições dele? Tentou permanecer indiferente ao abrir a boca.
– Quais condições?
Scabior sorriu e ela não gostou muito disso, de alguma forma ele parecia retomar o controle da situação, e isso definitivamente não estava nos seus planos. Tentou se acalmar, de qualquer forma sairia na vantagem, seu objetivo principal ela já havia alcançado.
– Eu quero ter influência em algumas decisões suas.
Ela não se surpreendeu com o pedido dele. Algo lhe dizia para já estar preparada para isso. É claro que ele interpretaria o casamento como uma maneira de ter poder. Poder esse que ela estava disposta a dar, pois sabia que conseguiria dosá-lo e manipulá-lo para que ele ficasse satisfeito. Com o snatcher satisfeito e achando que está no controle, ela conseguiria descobrir muito mais sobre quem estava com ele aquele tempo todo.
Sim, definitivamente poderia contornar aquela situação e descobrir quem estava por trás de todo o contrabando. Assentiu.
– Algo mais?
Scabior sentou-se no braço do sofá escuro da sala e cruzou os braços.
– Você sabe que esse não vai ser um casamento real. O adultério vai ser algo normal para nós... e se me permite dizer, constante.
Esperou a reação dela. Mas ela não parecia tocada por aquela condição, apenas revirou os olhos e fez um gesto com a mão.
– Com isso você não precisa se preocupar. Pode ter relações com outras mulheres tranquilamente. Com certeza não sentirei ciúmes. E é até uma forma de você se ocupar com algo e me deixar em paz.
A resposta que ela lhe dera não foi a resposta que ele esperava. Queria provocá-la, mas percebeu que adultério não era o suficiente para isso. Scabior não demonstrou a sua surpresa, mas sorriu de forma jocosa para ela.
– Quanto a mim, vou impor apenas uma coisa.
Foi a vez de ele ouvir o que ela queria. Ele apenas esperou-a se virar diretamente para ele. Ainda estava de pé.
– Cada um terá o seu próprio quarto.
Definitivamente Scabior não gostou da condição, e se surpreendeu com isso. Ele achou estranha tal reação do seu corpo, visto que odiava a companhia feminina na hora de dormir. Ele se remexeu no braço do sofá e disfarçou o seu desapontamento.
– Por mim tudo bem.
Hermione assentiu.
– Algo mais?
Ele negou com a cabeça e ela apontou para a porta de forma nada educada.
– Então acho que você já pode ir embora. Eu quero dormir. Amanhã preciso trabalhar.
Ele se levantou e aproximou-se dois passos. Ela cruzou os braços.
– Por falar nisso... quando começo a trabalhar no Ministério? Quando vamos nos casar?
As perguntas dele fizeram com que ela ficasse inquieta. Era estranho vê-lo perguntar o dia do casamento, como se estivessem realmente planejando uma vida juntos. Ela passou a mão nos cabelos volumosos, jogando-os para trás.
– Eu vou conversar com o meu chefe amanhã.
Apontou novamente para a porta, convidando-o a se retirar. Scabior arqueou as duas sobrancelhas e andou em direção a porta, mas depois do primeiro passou parou, virando-se para ela novamente. Ele estava com um sorriso estranho no rosto ao fazer isso.
– Você leu com atenção as cláusulas da Lei de Casamento?
Perguntou para ela e Hermione assentiu com a cabeça de forma convicta. Já havia decorado aquele maldito pergaminho, mas não entendeu onde ele queria chegar com aquilo. Ele se aproximou dela, ficando a centímetros de seu corpo. Ela engoliu em seco.
– Você se lembra então que teremos um ano para ter um filho, não é?
Ele passou o dedo indicador no braço desnudo dela, sentindo a pele sedosa se arrepiar com o seu toque. Hermione respirou fundo, tentando ignorar a reação do seu corpo. Por mais que tivesse decorado a Lei de Casamento, havia se esquecido momentaneamente daquela maldita condição que a lei impunha.
Scabior percebeu que ela respirava fundo. O dedo masculino terminou de percorrer o braço dela, indo em direção ao pescoço. Ela fechou os olhos. Ele se aproximou, sentindo o cheiro doce que ela tinha. Sua mão passou pelo cabelo castanho, afundando-se nos fios perto da nuca, puxando-os de forma violenta, no mesmo momento que ele terminava com a distância entre os dois e tomava os lábios femininos e rosados com os seus ávidos.
E Hermione não conseguiu conter o desejo que se espalhou pelo seu corpo. O mesmo desejo que sempre lhe visitava quando ele a tocava.
Deu um passo atrás de forma trôpega e ele acompanhou o seu corpo, dando um passo à frente, no mesmo momento que fazia força para que ela abrisse a sua boca. Ela não conseguiu conter os seus lábios, e em questões de segundos já sentia a língua do homem na sua, buscando-a de forma desejosa. Ela sentiu suas costas baterem na parede de sua sala.
As mãos dele foram em direção à cintura dela, apertando a carne macia. Ele mordeu de forma leve o lábio inferior dela, no mesmo momento que a deixava respirar. Hermione parecia sem fôlego.
– Você sabe o que isso significa, não sabe?
Sugou vagarosamente o lábio dela, para depois recomeçar o beijo que estavam tendo segundos antes. Scabior subiu as mãos, estacionando-as perto dos seios. O dedo roçou levemente através da camisola o mamilo já enrijecido. Ele prensou-a ainda mais à parede. Hermione sentiu a excitação evidente dele.
Ele terminou o beijo. Os olhos azuis, sempre frios, estavam em chamas quando ele a fitou.
– Significa que você terá que passar uma noite comigo de bom grado. Uma noite completacomigo.
Ela travou o maxilar e depois engoliu em seco. As mãos trêmulas foram em direção ao peito dele, sentindo a temperatura elevada da pele do homem por causa do tecido fino de sua blusa. Ela apoiou as mãos ali e o empurrou. Scabior cedeu.
– Podemos resolver isso depois. Não precisa me lembrar disso agora.
Ele sorriu e pegou uma mecha do cabelo dela, colocando-a atrás da orelha da garota. Sua mão correu pelo rosto feminino e ele beliscou o queixo, no mesmo momento que se afastava e caminhava para a porta. Ela o esperou sumir do seu apartamento. A porta se fechou.
Respirou fundo e passou a mão nos cabelos, começando a andar em círculos. O que ele havia falado fazia sentido. Ela teria que passar uma noite completa com ele. E se ela já o conhecia melhor, sabia que o snatcher faria de tudo para aproveitar essa noite.
Travou o maxilar e pegou um vaso de porcelana que ficava em um móvel, jogando-o na porta sem pensar, escutando o produto se espatifar em pequenos pedaços.
Mas ele já estava longe quando isso aconteceu.
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