Laço

Hermione estava sentada na última fileira de cadeiras da sala ampla. Não estava acompanhada, e agradecia mentalmente a Merlin por esse fato. O que menos precisava era de pessoas a olhando naquele momento. Felizmente parecia que os bruxos e bruxas presentes estavam mais preocupados com os seus próprios problemas.

Não que a sala estivesse cheia. Pelo contrário, ela pôde perceber e contar poucos casais no local. Os olhos castanhos percorreram o salão matrimonial com cuidado, e ela percebeu que mesmo que estivessem em uma sala onde tecnicamente alguém selaria o seu futuro ao lado de quem amava, isso não estava acontecendo no momento.

Os casais presentes na sala não trocavam olhares cúmplices, não estavam de mãos dadas, e não sustentavam o sorriso feliz e bobo que qualquer pessoa apaixonada possuía. Pelo contrário, pareciam tristes. As mulheres estavam vestidas com roupas de trabalho, os diversos olhos estavam fixados no chão. O contato era quebrado apenas quando o homem de preto chamava o casal seguinte.

Hermione suspirou. Não estavam diferentes dela. A garota não precisava ser super inteligente para perceber que as mulheres presentes estavam na mesma situação. Não haviam conseguido um marido melhor, sendo obrigadas a casarem com o primeiro partido que apareceu, ou, na melhor das hipóteses, o menos pior.

A jovem bruxa estremeceu. O casal que estava no balcão da frente estava inclinado e parecia assinar um pergaminho de aspecto escuro. Não conseguia acreditar na situação que estava vivendo. Ainda achava um absurdo o Ministério da Magia ter proclamado aquela lei, que tratava os bruxos e bruxas da Inglaterra como animais desprovidos de sentimentos.

Travou o maxilar e escutou o barulho da porta se abrir. Hermione virou milimetricamente a cabeça para a origem do som e viu o homem que daqui alguns minutos se tornaria o seu marido. Tentou sair dessa linha de pensamentos, desviando os olhos dele. Scabior procurou a garota com os olhos, descobrindo-a no banco mais afastado de todos. Sorriu e andou em direção à sua noiva, sentando-se ao lado dela.

Não disse nada. O rosto dela se esquentou e ela correu novamente os olhos pela sala. Todos os casais, com a exceção do que estava assinando os pergaminhos, estavam os olhando. Esperta, percebeu alguns homens fitando Scabior de forma incrédula, enquanto algumas mulheres olhavam para o homem com aquele olhar de interesse contido, aquele olhar que qualquer mulher deixa escapar quando gosta do que vê.

Hermione tentou não pensar que algumas mulheres daquela sala trocariam o seu par de bom grado com o dela.

Scabior apoiou os cotovelos nos joelhos e se inclinou, como se estivesse desinteressado em tudo aquilo. Mas ele não estava. Pelo contrário, estava adorando a inquietação da garota que estava sentada ao seu lado.

– Eu não acredito que isso está acontecendo...

Hermione deixou escapar de forma baixa, mais para si mesma do que para qualquer pessoa na sala. Ele a olhou de forma interessada, mas não disse nada. Ela começou a torcer a alça da bolsa. Estava demorando demais. Quantos casais ainda faltavam?

– Você tem quantos anos, afinal?

Ele virou-se para ela, não entendendo o interesse súbito da garota na sua idade. Mas não tinha motivos para mentir.

– Trinta e sete.

Hermione fechou os olhos e moveu a cabeça milimetricamente de um lado para o outro, para depois fitar a alça da bolsa que já estava ficando com um aspecto estranho.

– Eu estou me casando com um homem que é quatorze anos mais velho do que eu...

Fechou os olhos novamente, enquanto Scabior apenas revirava os seus. Ele fez alguns cálculos de cabeça e sorriu depois, lembrando-se de quando havia a conhecido. Ela tinha dezoito anos? Quase uma menina...

Casaria com uma mulher, ou garota, ainda não sabia, de vinte e três anos. Saíra até no lucro, se fosse pensar com cuidado. Não que a idade importasse para ele.

– Scabior Lloyd e Hermione Granger.

A voz masculina soou pela sala, fazendo Hermione se sobressaltar e parar de torcer a alça da bolsa, levantando-se de forma rápida. Scabior fez o mesmo tranquilamente. As pernas dela estavam trêmulas quando ela caminhou em direção ao balcão com o homem ao seu lado.

Havia apenas um casal a mais na sala, mas esse não parecia muito interessado nos dois que estavam esperando o homem por trás do balcão. Os noivos estavam imersos em pensamentos, preocupados demais com os seus próprios problemas para perceber o nervosismo da garota e a calma do homem ao seu lado.

O bruxo de preto sorriu para os dois de forma automática. Hermione perguntou-se quantos casamentos aquele homem devia ter realizado apenas naquele dia.

– Querem algo tradicional?

– Apenas me dê os pergaminhos.

Ela respondeu quase que imediatamente, travando o maxilar. O sorriso do bruxo morreu, mas ele piscou apenas duas vezes antes de arranhar a garganta e pegar dois pergaminhos, um de cor neutra e outro de aspecto escuro. Já estava acostumado com aquele tipo de reação, mas não daquela forma violenta. A garota parecia estar brava demais para alguém triste.

O homem colocou os dois pergaminhos sobre o balcão e entregou a Hermione uma pena branca e um tinteiro.

– Há quatro lugares para assinatura. Dois lugares para a mulher e dois para o homem.

Ela correu os olhos pelo pergaminho de cor neutra, reconhecendo ali a Lei de Casamento impressa. Seu corpo se aqueceu de forma perigosa. Já estava cansada de ler aquilo tudo. Molhou a pena no tinteiro já aberto e assinou na linha dourada que estava acima do seu nome. Passou o pergaminho para o snatcher, que sem ler absolutamente nada fez o mesmo que ela.

As letras da assinatura reluziram por dois segundos e voltaram a ficar em seu tom preto e natural. O homem recolheu o pergaminho da Lei de Casamento e juntou as mãos idosas, apenas esperando o casal ler o outro pergaminho.

Hermione leu de forma vagarosa o outro pergaminho. Mesmo que já soubesse do que se tratava, nunca assinava nada sem antes tomar conhecimento do que estava aceitando. O pergaminho escuro era o típico contrato de casamento que todos os seres humanos, bruxos ou trouxas, assinavam. Votos sinceros, mas que para a situação eram rotulados como tolos.

A garota procurou a linha dourada que estava designada a ela e a assinou, dessa vez de forma tremida, o seu nome. Respirou fundo e sem olhar para o bruxo idoso e para o homem que estava ao seu lado, entregou a folha para o último de forma brusca e virou-se para trás, ajeitando a alça da bolsa no ombro esquerdo e caminhando em direção à saída da sala.

Scabior pegou o pergaminho, um pouco amarrotado dessa vez devido à forma como foi amassado contra o seu peito e procurou a linha dourada, preenchendo-a com a sua assinatura. Os nomes brilharam mais um pouco, dessa vez em um tom de vermelho, para depois voltarem ao normal. Empurrou o pergaminho para o homem idoso, que achava estranho a reação da garota, tão diferente da reação do homem que estava à sua frente.

O snatcher virou-se e calmamente procurou Hermione pela sala. Mas ela já não estava mais lá.

[...]

Hermione abriu a porta com raiva, sentindo todo o seu corpo se efervescer com o que havia acontecido. Estava casada. Estava feito. Ele era seu marido. Ponto final.

Respirou fundo, no mesmo momento que reconhecia a silhueta inconfundível de Archie entre os bruxos que percorriam o corredor. Ela deixou a sua raiva de lado, dando espaço para a sua atriz interior, que no momento estava no papel de mulher casada e feliz. Esboçou um sorriso perfeito assim que a porta atrás de si se abriu e o snatcher saiu, olhando-a com curiosidade.

Qual era o motivo da felicidade repentina, afinal?

Passos cada vez mais próximos fizeram Scabior virar a cabeça, e ele descobriu o chefe da garota, agora o seu chefe, se aproximando. Mas o snatcher a conhecia bem demais para saber que por trás daquele sorriso falso, estava uma pessoa com raiva e pronta para matá-lo.

Archie parou em frente ao casal, olhando-os de forma interessada e divertida. Sorriu para os dois. Por mais que achasse o novo assistente de Hermione estranho, olhando o todo, poderia até dizer que formavam um casal interessante. O nervosismo e estresse da bruxa contrastavam com a calma e o jeito desinteressado do homem. O chefe gostava demais da garota, e apenas queria ver a sua funcionária mais competente bem.

Scabior enlaçou-a pela cintura e se aproximou de seu rosto, beijando-o de forma leve. O rosto dela se aqueceu e ela ficou confusa e desconcertada. Não podia deixar de notar que o beijo fora um pouco carinhoso, e perguntou-se mentalmente se ele o tinha feito apenas por teatro a Archie, para desconcertá-la em frente ao seu chefe, ou apenas por vontade própria. Definitivamente as duas primeiras opções eram mais válidas.

– É muito bom ver você feliz, Hermione.

Ela apenas aumentou o sorriso forçado. Scabior apertou a cintura dela. O chefe deles arqueou as sobrancelhas de forma cúmplice e limpou a garganta.

– Darei a vocês o resto da semana de descanso!

No momento em que escutou a frase do seu chefe, o sangue no rosto de Hermione se esvaiu, fazendo a pele perder completamente a cor. Ele interpretou isso como felicidade instantânea. Scabior sorriu. Ela conseguiu ver o sorriso do seu novo marido. Archie achou que o homem estava sorrindo de felicidade pela notícia, mas a bruxa o conhecia bastante para saber que o sorriso no rosto do snatcher era o seu sorriso mais cínico.

– Não precisa disso, Archie. Estamos atarefados no departamento.

Archie vincou a testa e achou que Hermione estava sendo responsável demais em momentos cada vez mais impróprios. Quem em sã consciência recusaria dias e noites apenas com o seu novo marido? Esboçou um sorriso.

– Eu insisto.

Scabior remexeu inquieto ao lado de Hermione e a abraçou com mais vontade, puxando-a ainda mais contra o seu corpo.

– Nós vamos aceitar. Gostaria muito de passar um tempo a sós com a minha mulher. Obrigado.

Disse de forma polida e Hermione se controlou para não matá-lo ali mesmo. Para onde fora aquela sua petulância e seu jeito arrogante? Por que falara com Archie de forma tão educada? Ela percebeu tarde demais que ele era melhor ator do que ela. Archie sorriu.

– Não precisa agradecer. Fica como presente. Desejo toda a felicidade do mundo para vocês.

Disse de forma animada e pousou a mão grande no ombro de Hermione, saindo logo em seguida. E infelizmente deixando-os a sós, pela primeira vez desde que haviam assinado os malditos pergaminhos do casamento.

No momento em que Archie virou para o outro corredor, ela sentiu os braços do snatcher envolverem-na para virá-la, puxando-a com força para o seu próprio corpo. Scabior se aproximou de Hermione, depositando um beijo lento no pescoço alvo dela.

Dessa vez ela se controlou melhor. Afastou-se dele bruscamente e o snatcher apenas sorriu de forma jocosa.

– Pegue suas coisas naquele muquifo. Estou indo para meu apartamento. Espero você lá.

E virou-se de costas, caminhando rapidamente para onde Archie havia ido. Scabior encostou-se na parede, cruzando as pernas e os braços, sorrindo. Estava adorando cada vez mais aquele jeito explosivo da sua mulher.

Sua mulher.

Hermione não olhou para trás, apenas prensou a bolsa com mais força de encontro ao seu corpo e entrou no elevador, a fim de ir para a sua sala e aparatar. A última coisa que queria era passar dias com ele em seu apartamento. A sós.

[...]

Hermione depositava a ração de Bichento na tigela quando o som da campainha chegou a seus ouvidos. O gato fez um barulho mal-humorado e começou a comer, dando as costas completamente para a porta da cozinha.

Estava quente, e mesmo que a garota tivesse acabado de tomar o seu banho, já sentia o apartamento começar a ficar abafado. Odiava o verão.

Caminhou em direção à porta e a abriu, mas não se surpreendeu ao ver o snatcher do outro lado. Bichento já havia dado o alarme. O gato tinha tendência a ficar irritado sempre que ele estava por perto.

Estava segurando uma mala pequena, a roupa era a mesma que ele usava no momento em que a encontrou para assinar os pergaminhos do casamento. Vestia uma calça preta e suas típicas botas de cano longo. A sua blusa era do mesmo tom da calça, mas de mangas curtas, na altura do cotovelo. Carregava um sorriso jocoso no rosto.

Hermione não disse nada ao vê-lo, apenas se afastou para que ele passasse. Fechou a porta de forma calma, ficando um pouco aliviada quando não viu nenhum vizinho aparecer de repente nas lareiras de visitas.

Virou-se para ele.

– Venha. Vou te mostrar o seu quarto.

Até aquele momento, Scabior havia se esquecido da condição que a bruxa havia imposto, mas percebeu de forma impaciente que a garota havia sustentado a ideia. Hermione andou calmamente pelo corredor claro e abriu uma porta de madeira escura, apontando para dentro.

– Entre.

Ele passou por ela, sentindo o seu cheiro de baunilha, que ficava sempre mais forte quando a garota tomava banho. Deixou a mala no chão e correu seus olhos azuis escuros pelo cômodo. Era imenso. O quarto era maior do que todo seu antigo... como ela o chamou mesmo? Muquifo?

Era de se esperar que ela achasse o seu antigo lar praticamente um buraco. O quarto em que estava era imenso, mobiliado para que qualquer hóspede tivesse do bom e do melhor, e ficasse à vontade com isso. Havia um armário grande demais para todas as suas roupas, uma cama de casal com dossel. Os cobertores eram claros, assim como toda a decoração do cômodo.

Scabior pôde perceber que do lado esquerdo do quarto havia uma porta, e não precisou pensar muito para perceber que ali dentro ficava um banheiro. E poderia jurar que o banheiro seguia o mesmo luxo do quarto. Como uma garota daquela idade poderia ter tanto dinheiro para comprar um apartamento daquele?

– Fique à vontade. Mais tarde lhe passarei as regras que não passei no trabalho.

Ela fez menção de sair do local, mas quando Scabior percebeu o afastamento da garota, envolveu a sua mão forte no pulso fino e frágil dela. Hermione o olhou, havia sido pega desprevenida com aquele gesto. Poderia jurar que o homem estava de costas para ela quando tentou sair do quarto. E estava. Infelizmente ele parecia atento demais aos seus movimentos.

Ele a puxou para onde ele estava, deixando-a de frente para ele, mas ainda distante.

– Não teremos uma lua de mel?

O corpo de Hermione se esquentou ao ouvir a pergunta, e ela procurou as respostas do motivo disso. Mas não queria achá-las. As temia demais para pensar muito. Ela travou o maxilar e respondeu entredentes.

– É claro que não, snatcher.

Tentou se afastar ainda mais dele, mas o seu pulso ainda estava envolto pela mão masculina. Ele percebeu o que ela pretendia e a puxou com violência, fazendo o corpo feminino bater de encontro ao seu. A boca de Scabior salivou. Ficava excitado demais quando percebia que a garota estava irritada. Com raiva.

Ela deu um passo atrás e ele a seguiu, dando um passo a frente. Não deixou o seu pulso, temendo que ela corresse dele. O que, pensando melhor, ele adoraria ver.

– Por que foge de mim? Sabe que isso não vai adiantar, não é?

Scabior perguntou à garota e sorriu logo depois. Hermione respirou fundo. O rumo daquilo havia mudado.

– Adiantar? Você não pode me chantagear mais. Eu sou a sua mulher.

Disse de forma convicta o trunfo que tinha na mão e depois percebeu o que havia feito. O sorriso do homem se alargou.

– Exatamente. Você é minha mulher.

Hermione deu um passo para trás e sentiu a parede encontrar as suas costas. Ele prensou o seu corpo ao dela. Ela sentiu a excitação evidente dele lhe prensar a barriga. Engoliu em seco. Não era possível que aquilo estava acontecendo de novo.

– Além do mais – ele continuou – eu não preciso te chantagear com nada para conseguir o que eu quero, lindeza.

Ela abriu a boca para protestar pela falta de caráter e respeito do homem, mas ele não lhe deu espaço para isso. Seus lábios foram esmagados pelos lábios dele. Um beijo. Um beijo que poderia ser o mesmo, se não fosse o fato de Scabior saber que agora ela era dele de alguma forma.

Foi com esse pensamento que ele a pegou no colo. Não da forma como os homens pegavam as suas noivas, da forma que casais entravam no apartamento como recém-casados. Scabior a pegou pela cintura, levantando-a e impedindo-a de sair, no mesmo momento que abria a boca e forçava-a a fazer o mesmo.

As línguas se encontraram, o beijo dele estava mais impaciente, mais ávido, como se ele estivesse louco para pular aquela etapa e tomar o que era dele de direito. Isso aos olhos dele. Hermione não era dele. Não era um pergaminho assinado que faria com que ela se tornasse propriedade privada de um homem igual a ele.

Ela se remexeu, tentando sair do aperto do homem. Estava desequilibrada demais para permanecer daquela forma. Mas ele parecia forte o suficiente para não soltá-la. Seu corpo fazendo força para descer não fazia nenhum efeito nele. As bocas se descolaram.

– Relaxe.

Disse para Hermione e ela travou o maxilar, remexendo-se ainda mais nas mãos dele.

– Me solta, eu preciso trabalhar.

Scabior riu maliciosamente e a prensou ainda mais à parede. Automaticamente ela o enlaçou com as pernas para não cair. Ele gemeu ao sentir o contato do seu membro com o núcleo dela se intensificar. Hermione sentiu isso também, mas preferiu morder a língua a dar algum sinal de que havia gostado da sensação.

As mãos dela apoiaram-se nos ombros dele, conseguindo mantê-lo longe por algum tempo. Infelizmente ele percebeu isso, e parecia querer beijá-la ainda mais, o que ela não estava permitindo. As mãos fortes dele pegaram os pulsos dela e os colocaram na parede também, fazendo-o ter acesso livre ao seu corpo. Ela tentou sair daquela posição, mas ele usou a sua força. Força que nunca havia usado antes com ela. E abusaria ainda mais disso se a garota teimasse em sair dali.

Ele se aproximou do colo dela, respirando fundo. O cheiro da pele dela inebriou os seus sentidos, dando-lhe água na boca. O corpo de Hermione foi percorrido por um arrepio estranho. Ela sentiu os lábios úmidos dele depositarem um beijo no seu colo, para logo depois sugar a pele naquele lugar.

Ele se aproximou do ouvido dela e ela fechou os olhos.

– Você não precisa trabalhar agora... – ele mordeu o lóbulo da orelha dela – E nem se sentir culpada. Afinal, somos marido e mulher.

Dizer que Hermione achou aquilo um tanto quanto estranho poderia ser eufemismo. Mas ela pensou seriamente no assunto. Não conseguiu chegar a nenhuma conclusão, logo os lábios dele estavam depositando beijos por todo o seu colo, a excitação dele ficava cada vez mais dura por trás dos tecidos que os separavam.

Ele beijou toda a extensão do seu pescoço, até chegar ao seu queixo, e finalmente à sua boca, onde o beijo recomeçou de onde havia parado. De modo ávido. Ele finalmente liberou os pulsos de Hermione, mas ela não pousou as suas mãos nos ombros do homem igual havia feito segundos antes. Seus braços envolveram o pescoço do snatcher e ela o puxou ainda mais.

Scabior correu as mãos pela cintura da garota, apertando-a de forma dolorosa. Ele terminou o beijo, sugando levemente o lábio inferior dela, que tinha um gosto adocicado igual ao restante de sua pele. Ela gemeu com o gesto e ele se afastou, apenas para fitá-la diretamente nos olhos. As orbes castanhas estavam em chamas e ele percebeu que ela estava entregue.

Ele sorriu, no mesmo momento que a envolvia com os braços e a conduzia para cama. Jogou-a lá de forma despreocupada. Hermione sentiu o atrito da roupa de cama com as suas costas. O vestido dela levantou-se um pouco, mostrando parte das pernas femininas.

Como ele queria estar entre elas...

Mas não naquele momento. Naquele momento queria prová-la de todas as formas que ele tinha direito. Scabior se aproximou dela e começou a beijar as pernas brancas e sedosas, sentindo o gosto adocicado dela entrar pelos seus lábios, o cheiro que tanto o excitava entrar pelo nariz já acostumado a captar o aroma peculiar.

Seus lábios tomaram um rumo diferente, subindo de forma vagarosa. As mãos percorriam toda a extensão da perna, até chegar à peça íntima que cobria a parte que ele tanto ansiava em provar. Ele deslizou o pedaço de pano pelo corpo da garota, sentindo a pele dela se arrepiar com a expectativa.

Hermione fechou os olhos quando o snatcher sugou a pele da parte interna de sua coxa. Não queria de jeito nenhum pensar que estavam fazendo aquilo como marido e mulher. Que o seu marido estava fazendo aquilo.

As mãos dele subiram ainda mais o vestido, deixando a barriga visível. Ele a pegou pelas costas e fez com que ela ficasse sentada, para depois retirar o restante da roupa. Ela não vestia mais nada por debaixo do tecido fino e claro. Os mamilos estavam enrijecidos, e ele pousou a sua mão no colo delicado, empurrando-a novamente para o colchão.

Hermione deitou-se e mordeu o lábio inferior, tentando por meio desse gesto conter um gemido quando sentiu a língua quente do homem correr livremente por seus seios, sugando o mamilo. Scabior desceu a sua boca para a barriga, trilhando beijos por toda a pele da garota.

Ele se posicionou entre suas pernas que apenas se abriram automaticamente. Ela engoliu em seco, mas abriu a boca e gemeu dessa vez sem conseguir se conter quando sentiu a língua quente dele agora diretamente no seu sexo.

Scabior introduziu um dedo na garota, sugando o seu ponto mais sensível, fazendo-a se contorcer. Hermione se arqueou de encontro ao corpo dele, sua mão correu pelo cobertor da cama de casal, indo em direção ao rosto do snatcher, encontrando os cabelos emaranhados dele, mas ela não o puxou, apenas esperou o seu corpo chegar ao momento que ela tinha certeza que não demoraria. E não demorou.

O corpo dela foi percorrido por pequenos espasmos e ela fechou as pernas automaticamente em um momento de prazer completo quando sentiu as sensações do primeiro orgasmo. Relaxou no colchão da cama, respirando com dificuldade por causa de tudo aquilo. Ele olhou para ela e sorriu. O rosto de Hermione começou a se esquentar.

Como ele conseguia isso?

Scabior retirou a blusa que estava vestindo rapidamente e se levantou da cama. Por mais que ela estivesse satisfeita sexualmente, estranhou a reação do seu corpo quando viu o snatcher retirar a própria roupa à sua frente. Não estava cansada, e o orgasmo anterior parecia mínimo quando ela percebeu o que poderia acontecer.

Ele retirou o restante de suas roupas e subiu na cama, pegando Hermione pelos tornozelos e puxando-a de encontro ao seu corpo. Suas mãos masculinas foram em direção às pernas dela, abrindo-as. Os olhos azuis escuros a fitaram com certa malícia. Ele sorriu.

– Minha vez.

Ela respirou fundo, e com apenas um movimento de quadril, Scabior a penetrou. Ambos gemeram. Ele por estar novamente dentro dela, ela por senti-lo novamente dentro de si. Não conseguia acreditar que estava fazendo aquilo outra vez. E estava gostando cada vez mais daquilo.

Scabior jogou o seu peso inteiro no corpo da garota, afundando o seu nariz nos cabelos volumosos. Respirou fundo ali, para logo depois morder o pescoço dela. Hermione ia xingá-lo, mas sentiu-o penetrá-la mais fundo e não conseguiu dizer nada, apenas gemer.

Ele começou a estocar vagarosamente, cada vez mais fundo. Ela enlaçou o corpo dele, puxando-o ainda mais. A mão do homem foi em direção ao cabelo dela, puxando os fios com violência, no mesmo momento que ele aumentava a velocidade das estocadas.

O suor dos corpos facilitava o trabalho que Scabior estava fazendo. Ele apertou a carne macia da cintura de Hermione, percebendo de imediato que ela era a mulher que mais o excitava. Não sabia se eram os cabelos sedosos e volumosos, que a deixavam com um aspecto selvagem. Não sabia se era o aroma de baunilha que o deixava louco. Não sabia se era o corpo debaixo dele, tão frágil e ao mesmo tempo excitante, que dançava tão perfeitamente com o seu. Realmente não sabia. Mas ela era.

A garota conseguia sentir cada vez mais o corpo dele tomar o seu, e fechou os olhos, os pensamentos anteriores passando novamente em sua mente. Definitivamente não era um pergaminho assinado que faria com que ela virasse propriedade privada dele. Mas sem sombra de dúvida ela era dele naquele momento.

Hermione gemeu no ouvido de Scabior quando sentiu o seu segundo orgasmo inebriar seus sentidos. O homem não demorou a chegar ao seu, derramando-se completamente dentro dela e abraçando-a com os braços fortes.

E quando os dois recuperaram o fôlego, se olharam. E perceberam tarde demais que estavam em um jogo perigoso. Muito perigoso.

[...]

Scabior estava deitado com o cobertor por cima de seu corpo ainda nu quando a garota se levantou da cama. Não disse nada, apenas pegou o seu vestido amarrotado no chão, junto com a sua roupa íntima.

Caminhou nua em direção à porta, abrindo-a e saindo do quarto. Quando ele escutou a porta se fechar, perguntou-se mentalmente qual seria o motivo de ela ser tão fria e calculista. Não se preocupou em achar a resposta. Querendo ou não, aquela garota estava deixando-o satisfeito da forma que ele mais queria. E para falar a verdade, não estava muito interessado no que ela sentia.

Do outro lado do apartamento, uma Hermione entrava em seu quarto e desabava na cama, entregando-se quase que imediatamente a um sono profundo. Exausta.