Oblivion
1 Sacrifício
Notas iniciais
Em um vilarejo, próximo a Cordilheira do Himalaia, no planalto do tibete, longe de onde há uma maior concentração de pessoas, pequenos grupos de famílias fugitivas de um secreto regime escravista chinês em fábricas de sapatos, brinquedos e outros produtos para a exportação, vivem suas vidas de forma pacata e simples. Os poucos tibetanos que chegaram a os conhecer os chamava de sem religião, mas isso não era totalmente verdade. Eles acreditavam em dois deuses superiores a buda ou a qualquer outro deus que eles pudessem acreditar, o deus do sol, Hiah, e a deusa da lua, Hue. Os adoradores do sol, aqueles nascidos em dia de adoração ao deus Hiah, eram conhecidos como Solis deum Cultores. Já os adoradores da lua, eram conhecidos como Lunam dea Cultores.
Porém havia um grande problema, os sem religião, ou os adoradores do sol e da lua eram a favor de sacrifícios para seus tão queridos deuses. Sacrifícios humanos e de animais e isso incluía também torturas físicas e psicológicas. E isso um dia foi longe demais. Uma jovem Lunam Cultora, deu certa vez a luz a uma criança de pele branca e olhos tão escuros quanto seus cabelos lisos, que morreu três dias após o nascimento, deixando a mulher desolada. O pai da criança, um Lunam Cultor, então diz ter ouvido durante um sonho a voz da deusa dizendo-lhe que o único modo de ter sua criança de volta era sacrificando outra em seu lugar.
E então com a ajuda da mulher, eles sequestraram o filho de um ano de um casal indiano que estavam conhecendo o Tibete e já que a mulher estava grávida, não haveria motivo para tanto alarde, pelo menos na cabeça deles.
Durante uma noite de lua cheia, sob a luz da lua, eles pegaram o corpo da menina morta e colocaram ao lado do menino, que neste momento chorava de frio.
— Hue, Oh!, amada deusa, traga-nos de volta Adhara — ela disse o nome da menina. —, para que ela possa adorar-te como nós a adoramos, ser sua serva como nós somos, e então seguir-te e viver por ti, como nós o fazemos. Trouxemos a ti, em troca, a vida de uma criança que repudiaria-te e não seguiria a ti como Adhara fará.
E então a jovem mulher, pegou-lhe um punhal, e então preparou para atacá-lo, quando, segundo relatos, dizem que a lua respondeu a mulher.
— Lhe darei a vida da criança, porém, a criança que afirma tanto que repudiaria-me, não seguiria-me, irá permanecer viva dentro da garota e quando a mesma completar dezesseis anos, e por assim dizer, tornar-se uma mulher, eu mesma virei separá-los e levá-los comigo.
A mulher concordou. Os fatos que ocorreram depois são muito incertos. Uns dizem que ela encravou o punhal no peito da criança e assim enquanto a vida se esvaia do corpo do indiano, a tibetana ganhava vida, já outros dizem que a mulher largou o punhal e colocou as duas crianças debaixo d'água de um lago próximo ao vilarejo e quando depois retirou os dois da água, a criança viva estava morta e a morta estava viva.
Ninguém sabe o que houve ao certo. Mas quando a menina voltou a vida, seus olhos estavam diferentes. Antes eram tão escuros, agora quanto mais próxima da sua pupila, a cor de sua íris ia se transformando em um lindo verde, um verde como o dos olhos do bebê indiano. Afinal, dizem que os olhos são as janelas da alma, e agora ela a partilhava com o indiano.
A mulher quando viu os olhos da criança sabia a aberração que ela havia se tornado. Quando retornou ao vilarejo com a criança viva, ninguém queria ficar perto da pequena criança que agora era considerada uma aberração pelos outros moradores do vilarejo que diziam que a menina era um fruto de um sacrifício para o diabo e que o próprio levaria a alma de quem andasse com ela. Alguns diziam que seus olhos eram sinais de possessão demoníaca e que ela deveria ser morta, novamente. Apesar de eles acreditarem que a deusa era capaz de tudo, eles nunca haviam visto um caso na qual a deusa ressuscitasse a criança, o que fazia alguns curiosos pensarem que havia algo de especial em Adhara.
Mas enquanto crescia, nunca estava sozinha, sempre tinha a voz do indiano a falando consigo em sua cabeça, impedindo-a de fazer algumas coisas. E com o tempo teve que se habituar a fazer algumas coisas de formas adaptadas, já que, seus olhos eram os olhos dele, seus ouvidos eram ouvidos dele e sua mente não era diferente.
Quase nunca ele conseguia controlar o físico dela, mas o mental era completamente tomado por ele. Ela passou a se trocar de olhos fechados, e, em meio a conversas que não queria que ele soubesse, mantinha seus dedos no ouvido enquanto cantarolava qualquer coisa que lhe viesse a mente. E assim eles conviviam, Adhara passou a chamá-lo de Orion, como a constelação, era tudo o que sabiam e ninguém além dos pais da garota sabia o que realmente havia acontecido com ela na noite em que retornou a vida, obviamente ocorriam boatos, mas somente isso e nem todos eram verídicos. Afinal, tudo que ela sabia é que se não fosse a deusa estaria morta.
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