Oblivion
2 Sussurros
Notas iniciais
"Quando a luz começa a enfraquecer
Às vezes me sinto um pouco estranho
Um pouco ansioso quando está escuro"
— Iron Maiden
Adhara estava a decidir se entrava ou não na chamada floresta negra seguindo sua mais nova amiga Hye ou se ficava a observar e se passava de medrosa em frente a nova amiga e os amigos da garota. Hye era uma garota muito bela, sua pele era tão branca quanto a neve que caia do céu e seus olhos tão azuis quanto o céu de manhã. Os cabelos negros e lisos não passavam dos ombros e dizem que a garota era tão bela pois o pai também era, mas, como nada na vida de ninguém é perfeito, nem ela sabia quem era o pai. Era uma garota muito arteira, mas de bom coração e intenções melhores ainda.
— Vá logo! — diz Orion a incentivando — Primeira vez que faz amigos reais e você vai estragar tudo? Não aguenta mais só falar com você, quero conversar com pessoas reais!
— Lembre-se — diz em sussurros — que não é você que fala, sou eu. Não é você que escutam, então cale-se!
Adhara conseguia ser gentil como uma pedra algumas vezes.
— Com quem está falando? — pergunta Hye.
— Ninguém. — diz rapidamente.
— Agora eu me chamo ninguém? — a voz de Orion volta a lhe perturbar.
Adhara massageia as têmporas enquanto sussurra o mais baixo possível para que ele suma.
A floresta, retorna o pensamento para o assunto. Hye a tinha visto sozinha criando bonecos na neve — apesar de já estar em seus quinze anos, não se cansava — e então decidiu a chamar para se divertir um pouco com seus amigos, por fim dando a ideia de explorar a floresta negra, na qual os pais nunca lhe permitiram ir, mas nunca lhe deram o motivo. Adhara pensava em recusar por medo, só de pensar na neve que cobria a copa das árvores deixando-a mais escura e sinistra que já é. Sua mente voava só de pensar que seres sinistros deviam se esconder acobertado por suas trevas e neve.
— Não pense, vá. — será que Orion estava certo ao usar essa frase?
E então ela acena a cabeça positivamente para Hye que aguardava sua confirmação para entrarem todos juntos na floresta. Eles era seis ao todo. Damien era irmão mais velho de Hye, com dois anos de diferença, tendo dezessete anos e a semelhança era incrível, fazendo a pouca diferença entre eles ser encontrada em detalhes no rosto. Harda era amiga de Hye, seus cabelos eram escuros e encaracolados, sua pele era a mais morena do grupo, seus olhos eram escuros e sua beleza diferente, mas mesmo assim tinha seus olhos menos puxados que os amigo. Caleb é o mais instável. Seu humor vive em constante mudança e nunca se sabe como ele vai estar dentro de um minuto, com a mesma idade de Damien tinham bastante assuntos em comum. O garoto tem o cabelo em um castanho mais claro e olhos tão negros quanto o interior da floresta. O resto do grupo era Adhara, Hye e obviamente Orion, apesar de somente Adhara saber de sua existência.
Todos começaram a andar em direção a floresta, se entreolhavam pensando em recuar, mas ninguém queria ser o primeiro para depois ser tachado de medroso e então acabavam por, entre passos curtos, ir pouco a pouco entrando na floresta.
A imagem semelhante a que Adhara imaginara em sua cabeça fazia a jovem arrepiar-se por inteiro. O escuro graças a pouca — quase nula — luminosidade que conseguia passar pela copa das árvores cobertas por neve que vez ou outra caía na cabeça de alguns deles, assustando-os.
Ruídos estranhos vinham a todo momento das partes mais escuras da floresta. Adhara girava a todo instante para verificar se tinha algo ou alguém atrás de si.
Quem andava a frente do grupo era Hye, que neste instante apesar de seu medo — que não era pouco — estava interessada demais em explorar a floresta, e de modo algum faria isso sozinha. Repentinamente a garota para após ter tropeçado em algo. Adhara mantinha seus olhos fixamente na jovem, em uma expressão de medo que fez Caleb rir baixinho sem que os outros escutassem. O cheiro que saia da floresta era de carne em decomposição e Harda sabia disso, depois que seu cachorro morreu e ela só reparou quando o corpo começara a apodrecer.
— Pode fingir ser um pouco mais corajosa? — a voz de Orion mostrava o quão tenso estava, e Adhara não estava tão diferente.
— Shu. — Adhara pede silêncio de Orion e atraindo olhares de Damien e Harda que a olhavam se perguntando com quem ela tinha essas baixas conversas misteriosas e repentinas.
Adhara então olha o que Hye observava e passa ajudar a jovem a retirar a neve de alguma... Pedra, talvez? A luminosidade não ajudava.
Conforme mais se retirava a neve, mais se concretizava a expressão de horror dos jovens. Não era pedra. Era um osso, humano, e não precisava ser nenhum gênio para reconhecer o crânio humano que estava abaixo da neve, o osso estava um tanto destroçado. Adhara finalmente reconhece o que está acontecendo, a jovem era tão ingênua algumas vezes.
— Meu Deus... — exclama Hye baixinho.
Então um ruído surge da mata. Escuta-se um voz feminina chamar Harda do lado de fora da floresta. E então todos passam a correr para o lado de fora da floresta. Mas algo agarra Adhara. A mesma fecha os olhos enquanto é deixada para trás. Seu corpo ganha vida repentinamente e começa agredir quem quer que estivesse atacando a jovem, e então Adhara corre para fora da floresta onde todos observavam e esperavam que ela saísse bem viva. Ao verem Adhara sair, um alivio toma conta de todos. Eles se aproximam da jovem e começam a puxá-la para longe da floresta, voltando ao vilarejo.
O que havia a atacado?
— Foi... Você ? — Adhara sussurra para que ninguém mais escutasse.
Não era preciso muito entender que essa pergunta era direcionada a Orion.
— Sim. — diz o indiano simplesmente.
— Obrigada. — a menina murmura.
E então acabam por voltar para o vilarejo, se sentar perto de um lago e se olharem. Todos tinham tanto para dizer, mas ninguém sabia organizar suas palavras de modo que pudessem expressar suas dúvidas, todos os questionamentos que aquela provável exploração a Floresta Negra deveria ter esclarecido.
Por que ela é considerada tão perigosa?
A quem pertencera aquele crânio e quem ou o que o danificara tanto?
Estariam todos correndo perigo? Aquela é a única pergunta com resposta. Aquele crânio ainda continha pedaços de carne podre, não pode ser tão antigo e seja lá o que fizera aquilo com aquele ser humano, ainda estava a solto e poderia estar fazendo o mesmo com outras pessoas.
Fale com o autor