O vizinho dos meus pais
14 Macarronada
Notas iniciais
Sakura abriu os olhos vagarosamente. Seu cérebro começava a funcionar e a primeira inspiração da manhã veio carregada de uma mistura de perfume masculino e o seu próprio. Seus sentidos se tornaram alertas e ela se lembrou que não estava em sua casa e muito menos em sua cama. Sentiu um peso que abraçava sua cintura e percebeu o calor que emanava do homem deitado atrás. A perna esquerda dele estava entre as pernas dela e o rosto escondido entre os cabelos, pois Sakura podia sentir a respiração leve que atingia sua nuca de tempos em tempos, por fim constatou o óbivo: estava dormindo de conchinha com Sasuke Uchiha.
Só um pouco de luz do sol entrava pela pequena fresta deixada pela cortina, o que era suficiente para deixar o quarto levemente iluminado, Sakura pode observar o pequeno desertador antigo sobre o criado mudo ao lado da cama: 7h22min.
Permaneceu parada, qualquer movimento mais brusco poderia acordar o Uchiha. Ele ressoava tranquilamente as suas costas e se mantinha firmemente agarrado em sua cintura. Sakura não pode deixar de sentir-se protegida e aconchegada, mas a calça jeans que vestia começava a incomodar, só o cansaço mesmo para lhe fazer dormir de calça.
A casa estava silenciosa. Não era igual em seu apartamento em que ela ou Ino sempre ligavam o rádio. O canto de alguns passarinhos podia ser ouvido, e se ela se concentrasse podia escutar, de vez enquando, algumas vozinhas passando pela calçada, muito provavelmente senhoras indo à missa.
Seu cérebro ainda processava a informação enquanto seus olhos percorriam o que podiam do quarto e seu nariz a embriagava com o delicioso perfume masculino daqueles lençóis. Suspiru pesado e sentiu Sasuke se mover. Prendeu a respiração. Ele apenas se aconchegou ainda mais no corpo da rosada e com isso ela pode sentir os músculos mais firmemente presos a si. Tentou se mover, mas foi ainda mais apertada. Viu parte do antebraço dele se estendendo à sua frente e percebeu estar deitada sobre ele, acompanhou e observou a mão estendida, levou o braço livre na direção e tocou a palma, passou o dedo indicador em toda a extensão visível de mão e antebraço. Girou um pouco a cabeça mas só viu o ombro do braço que a abraçava. Tocou a mão que apertava sua cintura, subiu vagarosamente tocando de leve os músculos daquele braço, uma lufada de ar atingiu sua nuca e ela se arrepiou. Continou tocando subindo pelo ombro, descendo pelo vale do pescoço e alcançando parte do cabelo. Fez um carinho rápido ali e voltou o braço para a posição original. Ele dormia tão serenamente e estar ali parecia tão certo e ao mesmo tempo tão errado.
Tentou se mover novamente. Desta vez conseguiu girar o corpo e deitar de barriga para cima. A mão continuava em sua cintura, mas agora podia ver o tronco e o rosto do moreno. Tão bonito. Tocou de leve o rosto adormecido, contornou os olhos, desenhou o nariz, acariciou a bochecha e desenhou os lábios com os dedos. O olhar a giou para baixo, e ela arrastou a mão pelo pescoço e tocou levemente o peitoral forte segurando a respiração. Oh isso é tão errado!
Foi descendo ainda mais a mão, mas freou seu lado pervertido antes de ultrapassar os dois primeiros quadradinhos do abdômen. Voltou a focar no rosto. Estava se sentido uma tarada. Ficou o fitando e viu quando ele franziu a testa, resmungou algo e virou de barriga para cima. Sakura fitou o teto sem saber o que fazer, tanto agora quando depois que ele acordasse. Talvez fosse melhor sair dali e deixar que ele entenda o que aconteceu e, pelo que ela pode entender, Sasuke era orgulhoso então aquela situação de fragilidade que ele havia passado ontem poderia ser pior se ele a encontrasse ali em sua cama, mesmo que nada houvesse acontecido e eles apenas tivessem dormido.
Decidiu por levantar. Moveu-se se delicadamente, e quando já estava sentada na beira da cama a porta foi entreaberta e a cabeleira de dona Mikoto apareceu pela fresta. Sakura sorriu para ela. A mulher abriu mais a porta e ficou parada observando a cena, seu olhar era cansado e triste. Sakura se levantou a abraçou a Uchiha. Mikoto retribuiu o abraço com força. As duas se sepraram e lançaram um útimo olhar para o Sasuke antes de saírem do quarto.
–A senhora está bem dona Mikoto?- Sakura fechou a porta com total cuidado e sussurrou para dona Mikoto. – Conseguiu dormir?
–Sim, dormi, mas não completamente bem. Fiquei preocupada com Sasuke e com você. – Elas desceram a escada e iam na direção da cozinha.Mikoto vestia o mesmo robe vermelho da noite passada.
–Eu estou bem e ele vai ficar depois de tomar um café bem amargo e algumas aspirinas. – Sakura sorriu tentando conforta-la.
–Obrigada querida. Me desculpe por isso. Sasuke é um homem muito controlado e disciplinado, mas o dia não era muito bom para ele. – Mikoto segurou a mão de Sakura entre as suas. – Pensei que ele fosse estar melhor depois da semana tranquila, mas depois de visitar os túmulos e participar da missa ele sempre fica assim . – Mikoto indicou a cadeira para que a rosada sentasse, mas ela recusou gentilmente. – Não é primeira vez que ele faz isso, mas é a primeira vez que ele liga pra alguém. Ele confia em você querida. – Os olhos de Mikoto pareciam menos tristes. – E fico feliz que tenha ido socorrê-lo.
Sakura se despediu de dona Mikoto inventando algo sobre ter de ajudar à amiga e saiu torcendo para que seus pais não estivessem acordado cedo naquele domingo e a vissem saindo da casa dos Uchiha. Entrou no carro fechou a porta e suspirou pesado se recostando no banco. Sua cabeça pensava em milhões de coisas ao mesmo tempo, mas agora ea não queria pensar em nada, só queria tirar aquela roupa se deitar e dormir ainda mais. Girou a chave e assim que o carro ligou o rádio começou e funcionar junto.
“[...] Mas tudo bem, vocês podem descansar esse domingo e aproveitar as minhas dicas durante a semana, que tal? Eu sei que você vai aproveitar bem essa semana. *Risos*. Fiquem então com essa musica marota pra vocês sentirem o que está chegando, Kings Of Leon, Sex on fire.”
Lay where you're laying
Deito onde você está deitada
Don't make a sound
Não faça um som
I know they're watching, they're watching
Eu sei que eles estão assistindo, eles estão assistindo
Trabalhar durante os três dias seguidos foi uma jogada proposital para tentar esquecer assuntos que tulmultuavam sua cabeça, dormir ao lado se Sasuke na cama dele não era um problema de fato, compreender sua dor e ficar do lado dele também não era...Na verdade ela não sabia o motivo de estar naquele estado de ansiedade, eles só haviam compartilhado um momento de amizade mais profundo, nada mais que isso, ela devia parar de pensar em coisas sem sentido.
Suspirou depositando sobre a mesa os papéis que lia e apertando os olhos em seguida, um grupo de investidores estava interessado na ala infantil do projeto de Sakura, mas eles tinham muitas dúvidas e exigências e há dois dias ela tentava montar um documento explicativo para eles. Já ia voltar ao seu trabalho quando percebeu o celular vibrar sobre a mesa. Arqueou uma sobrancelha para o aparelho. Estivou o braço e o pegou, deslizando o dedo sobre a tela e checando p que podia jurar ser uma mensagem da operadora. Seu queixo caiu ao se deparar com a mensagem e seu autor.
De: Uchiha Sasuke
Jantar em casa hoje. Te devo algum tipo de
desculpa pelo ocorrido da última semana. Sei
que não tem plantão. P.s: você que queria macarronada.
Os olhos vagaram pela mensagem mais de uma vez tentando entender se havia perdido algo ali. Mas foi tirada de seus pensamentos por batidas na porta.
–Entre! – Deu uma última olhada no celular e em sua mensagem.
–Doutora! – Uma Yuno um tanto quanto eufórica entrou na sala fechando a porta em seguida. — O boy ligou querendo saber da senhora! – Os olhos da moça brilhavam.
–Boy?! – Sakura franziu a sobrancelha e aguardou mais detalhes.
– O Sasuke-kun, Doutora! – A garota apertou a prancheta que segurava contra o peito. – Ele ligou querendo saber se a senhora teria plantão hoje a noite. – Ela só faltava dar pulinhos.
–Eeee?! – Sakura incentivou com a mão.
–Nós dissemos que não. Acho que a senhora irá receber um convite pra sair! – Os olhos pareciam brilhar mais.
–Quem autorizou que dessem essa informação para qualquer pessoa? – Sakura olhava sério para a garota.
–Era o seu “amigo” Sasuke, Doutora. – Yuno adotou uma postura mais defensiva e Sakura sentiu o aspas na palavra amigo. – Talvez ele tenha tentado ligar para a senhora e não tenha conseguido ou talvez... – Ela se calou meneando a cabeça como se negasse algo.
– Ou talvez...?! – Sakura incitou para que continuasse.
–Talvez ele estivesse receoso que a senhora usasse um plantão como desculpa para faltar ao “encontro”. Mas isso é bobagem. Quem recusaria sair com aquele deus grego todo trabalhado no mármore? – Yuno olhou para o tetoe apertou um pouco mais contra o corpo a prancheta. — Aqueles braços fortes, aquela voz rouca e sexy... – Ela mordeu de leve o lábio inferior e fechou os olhos. – O cabelo rebelde, o olhar de bad boy....aquele conjunto todo. – Yuno lançou a mão livre à frente e apertou algo imaginário batendo de leve o pé no chão ao abrir os olhos, Sakura arqueou as sobrancelhas.
–Já terminou sua análise do Uchiha? – Sakura segurou uma risada quando viu a cara e arrependimento por ter falado tal coisas.
–Desculpe. – Ela baixou o olhar.
–Esqueça. – Sakura fez um movimento qualquer com a mão. – Obrigada por vir me avisar.
–Por nada. – A moça abriu um sorrisinho.
–Você quer dizer mais alguma coisa Yuno? – Sakura olhou direto nos olhos da garota e cruzou as mãos sobre a mesa.
–Não, não tenho mais nada. – Sorriu nervoso.
–Vamos lá, me conte. Eu sei que você quer contar. – Sakura sorriu e incentivou a garota com a mão.
–Eu não sei se devo Doutora. – Ela mordiscou uma unha. – Sei que a senhora não gosta de fofoca.
–E não gosto mesmo. Mas já que começou quero que termine. – Sakura voltou a cruzar as mãos sobre a mesa. A mulher olhou para trás conferindo a porta e depois, rapidamente, se adiantou para a cadeira a frente de Sakura, sentando-se, e se inclinou um pouco para frente para falar.
–Eu ouvi, por acaso é claro, que algumas enfermeiras decidiram entrar em um projeto fitness. – Ela se ajeitou mais um pouco na cadeira. – Uma delas descobriu que o Sasuke-kun corre todos os dias no bairro e elas estão decididas a chamar a atenção dele de alguma maneira. – Yuno lançou um olhar cúmplice para a rosada. – Pelo que pude entender elas pretendem andar ou correr por lá, no mesmo horário que ele. A senhora precisa proteger seu “amigo” dessas urubus. – Sakura aguardou um pouco após ela terminar esperando para ver se tinha algo mais, porém nada veio.
–Oh! Entendi Yuno. Obrigada por compartilhar suas preocupações comigo. Mas como você mesma disse, eu e o Sasuke somos apenas amigos e não é da minha conta com quem ele sai ou quem dá em cima dele. Mas mesmo assim agradeço sua preocupação. – Sakura tocou a mão da mulher por cima da mesa e deu um tapinha cúmplice.
–Mesmo assim Doutora, eu vou ficar de olho nisso. – Yuno sorriu cúmplice. – Agora vou deixar a senhora trabalhar. – Ela se levantou e saiu da sala fechando a porta em seguida. Sakura suspirou e se recostou na cadeira. Pegou o celular e respondeu a mensagem.
All the commotion
Toda a comoção
The kiddie-like play
O jeito criança de brincar
Has people talking, talking
Tem gente falando, falando
Sakura estacionou um pouco mais a frente do que costumava estacionar, até porque hoje ela visitava a casa dos Uchiha e não de seus pais. Estranhou um pouco a casa dos Haruno toda apagada, mas se lembrou logo depois dos compromissos na igreja que eles tinham. A luz da frente da casa azul estava acesa e ela pode perceber que a dos fundos também. Pegou o vinho que trouxera, desceu do carro e se dirigiu a porta.
Tocou a campainha. Podia ouvir uma música baixinha que vinha de dentro da casa, demorou um pouco, mas identificou Johnny Cash. Instantes depois ela ouviu a chave girando e a maçaneta se movendo. A porta foi aberta revelando um Uchiha de bermuda branca e uma camisa preta muito bem abotoada e colocada por dentro da bermuda, um cinto preto e um sapatênis preto. Os cabelos negros rebeldes contrastavam com a roupa impecável, o rosto ânguloso e sério a fitou por alguns instantes e logo depois deu um sorriso de lado abrindo passagem para que ela entrasse.
–Boa noite. – Ela sorriu e sem pensar muito depositou um beijo na bochecha dele, aproveitando para sentir o perfume masculino delicioso que vinha dele. – Trouxe um vinho, um dos meus favoritos. – Ela entregou a ele, que olhou o rótulo e sorriu.
–Ótimo gosto. – Ele sorriu mais uma vez. – Vamos para a cozinha, estou na metade do preparo. Ele caminhou e Sakura o seguiu.
–Onde está sua mãe? – A rosada olhou em volta.
–Saiu com seus pais para uma reunião da igreja. – Ele respondeu com a voz neutra de sempre. Pegou um abridor na gaveta e duas taças em uma das portas do ármario da cozinha. Abriu o vinho elegantemente e serviu as duas taças. Sakura pegou a taça e a levantou para um brinde e Sasuke tocou a taça dele na dela tomando um gole logo em seguida.
–Não acredito que você já fez tudo. – Sakura se adiantou para o canto da pia todo enfarinhado e com pedaços de massa cortados e uns poucos sem cortar. – Como eu vou saber que foi você que fez mesmo? — Ela riu. Ele se aproximou e pegou um avental vermelho o amarrando na cintura.
–Vai ter que acreditar em mim. – Ele sorriu de canto novamente. Talvez ele não fizesse ideia de como sorrir daquela maneira era sexy. Ele pegou a faca que estava sobre a pia e terminou de cortar a massa que faltava. Sakura bebericava o vinho e observava de perto o que o moreno fazia. Uma panela, já com água quente, recebeu a massa cortada.
–Quer ajuda para o molho? — Sakura depositou a taça já vazia na mesa e se adiantou para os tomates que já estavam sobre a bancada da pia, levou a mão a faca, mas Sasuke foi mais rápido e pegou a faca, se aproximando muito das costas da rosada.
–Você é minha convidada. – Ele disse ao mesmo tempo tão perto e tão loge. – Deixe que eu faço, você só toma um vinho e espera. Pensei que as mulheres gostassem de ver os homens na cozinha?! – Dessa vez ele havia falado mais perto do ouvido, Sakura tinha certeza.
–Com toda certeza é um de nossos fetiches favoritos. – Ela se virou ficando de frente para ele e presa contra a pia. Ele a estava provocando? Se fosse isso ela mostraria que esse jogo pode ser jogado por dois.
–Então me deixe fazer isso. – Ele abriu um mínimo espaço para que Sakura passasse e ela teve de se esforçar para passar e não “esfregar” o corpo no dele. Se serviu de mais vinho e ficou observando Sasuke trabalhar.
You
Você
Your sex is on fire
Seu sexo está em chamas
Quando o macarrão estava pronto de fato, ela já havia tomado umas três taças de vinho e Sasuke não ficava muito atrás. Eles conversavam, na verdade ela mais falava do que ele já que ele dava respostas curtas e diretas e mais incentivava que ela falasse sobre si ou sobre algo e já que ela já se encotrava mais animada pelo vinho era fácil falar. Ele pós a travessa com o macarrão e o molho vermelho com almondêgas sobre a mesa e serviu os pratos e logo depois completou as taças com o vinho.
–Parece delicioso. – Sakura olhou para o macarrão em seu prato. Sasuke fez sinal para que ela provasse. Ela soprou e provou. – Hum! – Ele sorriu de canto.
Degustavam o jantar de forma tranquila. Sakura não havia tocado no assunto do final de semana e Sasuke muito menos.
– Tem tido muitos papéis do exército para resolver? – Sakura perguntou antes que sua cabeça começasse a desviar da noite tranquila.
–Alguns. Estão planejando uma missão para meu esquadrão. Então preciso deixar algumas coisas prontas. – Ele a olhava e degustava o vinho.
–Algo perigoso? – Ela terminou de comer e bebericou o vinho.
–Sempre é algo do tipo. – Ele deu de ombro.
–Falar em algo perigoso me fez lembrar de perguntar: o que você fez com o Idate aquele dia? – Ela olhou divertida para ele e limpou a boca no guardanapo.
–Ele voltou a te incomodar? – A voz estava séria.
–Não. Nada disso. Ele agora morre de medo de mim, na verdade acho que é de você. – Ela riu. – Quero saber o que você fez pra ele parar.
–Fiz duas coisas. Usei tática de intimidação e mostrei minha licença para matar. – Ele falou tranquilo.
–Você tem uma licença para matar? – Sakura olhou surpresa para ele.
–Na verdade é minha licença do exército para porte de armas, mas nada que táticas de intimidação para extorquir informação não ajudem a resolver. Pode perguntar para os meus soldados, eu sou o melhor no que faço. – Ele sorriu de lado e lançou um olhar desafiador para a rosada. – Mentes fracas como a dele são fáceis de enganar.
– E a minha Uchiha? Tenho uma mente fraca? – Sakura apoiou os cotovelos sobre a mesa cruzou as mãos e descançou o queixo ali.
– Não. Daria um bom soldado. – Ele tomou mais um pouco de vinho. Ela acompanhou. Ficaram em silêncio novamente aproveitando a presença um do outro.
Sasuke havia ficado na frente do fogão o tempo todo e agora trazia dois botões a menos da camisa abotoados. Os olhos levemente embriagados de Sakura desceram pelo queixo do moreno e pousou ali, ela desceu o olhar até onde a mesa permitia e voltou para os botões abertos, viu a correntinha do dog tag ali.
–Essa correntinha aí. – Ela apontou para o peito dele onde a corente estava. – Qual a finalidade dela? – Sasuke pôs a mão na abertura deixada pelos dois botões abertos e Sakura desejou ser ela a pôr a mão ali.
–Identificação. Caso você morra em algum tipo de combate uma delas é arrancada e a outra é deixada com o corpo, tudo para identificação.
–Acho um charme. – O cérebro de Sakura não conseguiu manter a informação para si mesmo e Sasuke arqueou uma sobrancelha. – Sei lá, deixa você com ais cara de durão. – Ela deu de ombros, não tinha como explicar mais do que isso sem que ficasse mais constrangendor. Ele soltou as plaquinhas e elas foram de encontro ao peito dele, Sakura quis ser uma daquelas plaquinhas.
“Pelos céus Sakura controle sua libido.”
The dark of the alley
A escuridão do beco
The breaking of the day
O romper do dia
The head while I'm driving, I'm driving
A cabeça enquanto eu estou dirigindo, eu estou dirigindo
–Você me deve uma medalha. — Ela acusou enquanto terminava de secar o último prato e beber maisnum pouco do vinho, a garrafa que trouxera já estava vazia. Ele arqueou uma sobrancelha. – Você me disse um dia desses em que almoçamos que você tinha muitas medalhas e não sei mais o que,quero saber onde estão essas medalhas.
–Quer ver? — O rosto sério demonstrava surpresa. Sakura apenas concordou com um aceno de cabeça.
Subiram a escada e se dirigiram para um dos quartos no final do corredor. Sasuke abriu a porta e Sakura entrou.
O quarto havia sido realmente transformado em um escritório. A parede do lado direito possuía uma grande estante com livros e um armário grande e largo com um cadeado o fechando.
–O que tem aqui? – Sakura tocou no ármario de metal.
–Armas. – Sasuke se encostou-se à mesa e cruzou os braços, destacando seus muito bem trabalhados músculos, os olhos de Sakura percorreram toda aquela visão.
Do lado esquerdo haviam alguns arquivos grandes um outro pequeno armário só que sem cadeado. Sakura apontou para aquele.
– Abra. – Sasuke sorriu de lado.
Sakura abriu, nele estavam pedurados roupas, mas não eram simples roupas, um capacete de metal de soldado, um boné igual aquele que Sasuke havia dado a Boruto, dois ou três uniformes completos camuflados, um tipo de blazer verde musgo e um kep militar e na parte de baixo dois pares de bota muito bem engraxadas. Sakura pegou o kep e pôs na cabeça.
–Que tal eu fico? – Sakura olhou para o Uchiha e sorriu fazendo o sinal de sentido.
– Combina com você. – Sasuke bateu continência e voltou a encostar-se à mesa.
–Deve ser por isso que seus soldados te respeitam, seu chapéu deve ser muito mais legal que o deles. – Sakura riu e devolveu o kep ao seu lugar. – Não vi você usando uniforme.
–Uso quando estou na base ou em algum lugar de presença militar, tecnicamente aqui em Konoha eu não estou trabalhando. – Ele observou Sakura olhar seu uniforme e passar a mão por cada um deles até se dar por satisifeita e fechar a porta do armário.
A mesa em que Sasuke estava encostado era muito organizada, os papéis se empilhavam de maneira ordenada e os lápis e canetas ficavam em um porta itens. Sasuke deu a volta na mesa quando Sakura se aproximou e abriu uma das gavetas retirando de lá um caixinha comprida e fina com uma tampa de vidro, dentro dela Sakura pode contar sete medalhas. Ele esticou a caixa e ela segurou olhando cada uma delas com atenção.
–São muito bonitas. – Sakura analisava uma por uma. Cada uma delas tinha um tipo de tecido curto colorido que segurava a medalha presa, todas ali eram diferentes uma das outras.
–Essa é da missão que te contei aquele dia. – Ele apontou uma com o tecidinho listrado de vermelho e branco com a medalhinha redonda.
–E essa? – Sakura apontou para uma vermelha com uma estrela rodeada por folhas de louro.
–Heroismo. – Ele se aproximou da rosada. Ela perguntou cada uma das medalhas ali, e Sasuke contou, a sua maneira, as histórias envolvidas em cada uma delas.
Soft lips are open
Os lábios macios estão abertos
Them nuckles are pale
Suas juntas estão pálidas
Feels like I'm dying, you're dying
Parece que estou morrendo, você está morrendo
Sakura ria da história que contava e Sasuke só sorria enconstado à mesa.
– Estou falando sério, você vai ver enfermeiras brotarem aqui. Yuno me disse que elas planejam jogar charme pra cima de você. – Sakura parava de rir e cruzou os braços olhando para o Uchiha.
–Desnecessário. – Ele disse olhando nos olhos dela.
–Eu sei, mas elas resolveram arriscar. – Sakura continuava risonha, efeito do vinho. – Elas disseram que querem fazer exercício, mas eu sei bem que tipo de exercício elas querem fazer e é com você.
–Sabe? – Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu de lado com certa malícia. – E que tipo de exercício seria?
–Não se faça de desentendido. – Ela sorriu debochada para ele.
–Não estou. – Ele ainda sorria. – Só quero saber se você quer se exercitar também. Se um dia se cansar da mesma rotina da academia e posso te ajudar a treinar.
–Eu não sei. – Ela fez um biquinho e apontou um dedo para ele. – Ainda nem sei se tudo aí é de verdade. – Ele descruzou os braços e olhou para o próprio corpo. – Pode ser tudo enganação. – Ela se aproximou aos poucos, sua mente martelava uma ideia fixa: tocar Sasuke. Nada fazia muito sentido em sua cabeça, ela podia atribuir ao álcool, mas não havia bebido o suficiente para isso, toca-lo parecia tão errado, mas era tão certo, ele estava ali todo solicito encostado na mesa, com aqueles braços magníficos e aquele peitoral escupido, toca-lo era só para ter certeza que ele era real. Tão físico quanto emocional, Sasuke era um mistério cada vez mais gostoso de descobrir.
You
Você
Your sex is on fire
Seu sexo está em chamas
Consumed with the words you transpire
Consumida com as palavras que você transpira
Chegou bem perto dele. Os olhos verdes no ônix estavam hipnotizados. Esticou a mão e tocou o peito por sobre a camisa preta, ele manteve os braços abaixados e os olhos fixos nos verdes. Ela deslizou a mão pelo tecido até o pescoço, contornou o queixo dele com o polegar e mordeu o lábio quando tocou o dele com os dedos. Ele segurou de leve a mão dela, beijando o dorso da mão e em seguida a descendo para a camisa onde já havia dois botões abertos, pousou a mão dela no botão seguinte. Os olhos se mantiam em contato, mas as cores naturais e vívidas começavam a ser substituídas por uma mais nublada. Sakura trouxe a outra mão para junto e com isso desabotoou o “primeiro”, os olhos dele incentivavam a continuar. Quando ela desabotou mais dois boa quase todo o peito dele podia ser visto, a dog tag ali pendurada só aumentava o privilégio da visão. Ele a puxou para mais perto a encaixando entre suas pernas fazendo os corpos se aproximarem de forma perigosa, ele descansou a própria mão sobre suas coxas bem próximas das pernas de Sakura. Ela continuava com a tarefa de desabotoar aquela maldita camisa. A cada botão que se abria um pedaço do caminho da perdição era visto. Ela puxou a camisa de dentro da bermuda e terminou os último botões, a respiração dele era lenta e pesada e a dela não diferia muito. Com todos os botões fora das casas ela teve visão privilegiada daquele dorso. Ela tocou os gominhos do abdômen com uma calma digna de monge. Ele não se mexia, deixava que ela fizesse o que quisesse. Sakura deslizou as mãos vagarosamente para cima tocando o peitoral duro e subindo para o pescoço e voltando para baixo. Os olhos encontraram as bocas e por fim as bocas se encontraram.
Hot as a fever
Quente como uma febre
Rattling bonés
Ossos tremendo
I could just taste it, taste it
Eu poderia apenas provar, provar
Sakura sentia o corpo todo quente, tocar parte do corpo de Sasuke com o consentimento dele tinha lhe gerado uma onda de prazer indescritivel e com o tocar dos lábios uma descarga elétrica percorreu seu corpo numa onda gostosa, fazendo todos os seus pelos se arrepirarem e todos os seus sentidos despertassem para aquilo.
O beijo era uma mistura de desejo e necessidade. As línguas disputavam espaço e domínio ao mesmo tempo em que buscavam se acertar. As mãos se Sakura voaram para o cabelo do moreno e as mãos dele se agarraram a cintura dela forçando a chegar mais perto como se fosse possível fundir os corpos com isso. Quando o ar se fez necessário a boca de Sasuke desceu para o pescoço da rosada, distribuindo beijos e suaves mordidas por onde passava, a camiseta com um bom decote em V deixava a clavícula à mostra levando a boca de Sasuke atpe ali. Sakura havia terminado de arrancar a camisa preta do moreno, agora todo aquele tronco perfeito estava ao alcance de suas mãos. As bocas voltaram a se encontrar e intensificar o calor que se espalhava pelo corpo da rosada, seus sentidos agora só estavam concentrados em Sasuke, seu olfato só sentia o perfume masculino dele, sua visão brincava naquele corpo perfeito, sua audição só capitava os pequenos gemidos que saiam da boca dele, seu paladar sentia o gosto de vinho que vinha da boca dele e seu tato aproveitava cada segundo daquela pele tão quente quanto a sua. Sua mente estava bagunçada, mas ela não queria que clareasse. E quando a mão de Sakura habilidosamente desceu pelos quadradinhos do abdômen dele e chegaram ao cós da bermuda, eles escutaram um barulho de algo rolando pela escada.
f it's not forever
Se não é para sempre
If it's just tonight
Se é só esta noite
Oh, it still the greatest, the greatest, the greatest
Continua sendo a melhor, a melhor, a melhor
As bocas se separaram e os corpos se repeliram de uma maneira assustadoramente rápida. Sasuke se adiantou para a porta com um olhar preocupado, nem se deu ao trabalho de colocar a camisa.
–Mamãe. – Ele chamou preocupado. Sakura saiu do escritório seguindo Sasuke.
Dona Mikoto estava em pé parada no meio da escada segurando duas sacolas de papel gigantescas e rasgadas.
–Dona Mikoto, o que aconteceu? – Sakura se adiantou para a mulher parada na escada.
–Sakura querida, eu tentei chegar da maneira mais silenciosa possível, mas as sacolas não aguentaram. Me desculpe, espero não ter atrapalhado nada, desculpe. – Mikoto se desculpava sinceramente com Sakura.
–Não dona Mkoto, não estávamos fazendo nada, Sasuke só me mostrava algumas coisas no escritório. – Sakura ajudou Mikoto a descer e Sasuke desceu atrás. – A senhora está bem? Aconteceu alguma coisa?
–Não, não queridos estou bem. Só essas malditas sacolas que não colaboraram. São calçados e algumas roupas de doação, eu estava levando para o meu quarto para organizar. Mas não deu certo. – Sasuke pegou as duas sacolas. – Pode coloca-las no meu quarto querido, por favor. – Sasuke subiu e logo depois desceu já vestido na camisa novamente.
–Bom, já que está tudo bem e está ficando tarde eu vou indo. — Sakura disse olhando para Sasuke e Mikoto alternadamente.
–Mas já? – Mikoto segurou a mão de Sakura. – Você gostou do macarrão do Sasuke? – Sorriu.
–Claro, muito bom, está aprovadíssimo. — Sakura sorriu para os dois. – Eu preciso ir mesmo, amanhã eu trabalho.
–Se você tem que ir tudo bem querida. Eu vou subir, pois também estou cansada. Tenha um bom fim de noite querida. – Mikoto depositou um beijo na bochecha de Sakura e outro na de Sasuke.
Os dois caminharam em silêncio até o carro de Sakura, ela destravou o alarme e ele abriu a porta para ela entar.
–Obrigada pelo jantar. Tudo estava realmente muito bom. – Sakura apertava a chave do carro ansiosa.
–Podemos repetir mais vezes se você quiser. – Ele sorriu de lado.
–Oh sim claro. Bom, eu preciso ir, obrigada Sasuke. – Ela depositou um beijo na bochecha, mas parte da boca dela tocou os lábios do moreno, olhou nos olhos dele entrou no carro deu a partida e saiu.
You
Você
Your sex is on fire
Seu sexo está em chamas...
You
Você
Your sex is on fire
Seu sexo está em chamas...
Consumed with the words you transpire
Consumida com as palavras que você transpira
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