O recomeço
5 Bendito Exílio!
É o exílio para alguns, mais um dia de trabalho para outros e uma atitude nobre. Acompanhar uma moça até o término do se trabalho em uma madrugada fria de 3º a 21º graus, acompanhada de cobertor, chocolate, um belo filme e pipoca.... Não, quero dizer, sem o filme, apenas a tela do computador em cima de uma mesa que brilhava e refletia a luz nos olhos dele a cada mensagem que ele recebia... Quem mandava? Algumas delas eram minhas...Posso imaginar que sorte daquele eletroeletrônico em poder vê-lo tão de perto diariamente e ainda poder iluminar seu rosto com a luz artificial.
Após horas e horas de trabalho em frente ao computador um trabalho finalizado. Uma longa conversa com dúvidas, risadas, pimentões vermelhos e ruborizados de vergonha, alegria, alegria e alegria, ainda que em meio à noite fria.
Caro leitor, você deve estar ficando confuso, mas te digo algo que possa contradizê-lo. Ser freira.... Como ele disse a vida é cheia de talvez, acredito que posso ser freira, posso ser professora, posso ser esposa ou posso ser mãe. Não é um caminho fácil a ser discernido. Quem diz que com vinte e poucos anos temos certeza das coisas se a vida é um eterno talvez? Santa Rita de Cássia que me ajude, minha intercessora que me auxilie. Ela que foi filha, jovem, esposa, mãe e consagrada religiosa. Que vida repleta por vocações! Ele me faz repensar em todas elas. Talvez por isso ela tenha me adotado... Viu?! Mais uma vez, um talvez.
Mensagens, mensagens, mensagens.... Tão agradáveis e confortantes após dias difíceis. Esta semana não tem sido fácil, eu confesso. O trabalho tem sido desafiador. Como pode algo que você ama te desafiar diariamente como se você não fosse capaz de atingir suas metas? Amigo, você que está lendo, consegue me responder? Tenho pensado muito nestas últimas semanas, tenho estado mais sensível à vida e às alegrias que ela pode proporcionar. Consequentemente, me torno mais sensível também às frustrações. Não, por favor, não venha me dizer que são os famosos hormônios femininos! Eles de nada tem a ver com isso. São apenas reflexões e um infinito “autoseconhecer”.
Como pode alguém de uma cidadezinha não muito distante te fazer tão bem apenas por se fazer presente e ainda, te fazer esperar incessantemente por uma mensagem, ainda que em uma madrugada, durante um exaustivo trabalho de pós-graduação. Quando você está escrevendo, escrevendo e escrevendo, mas mesmo assim para tudo para apenas....responder. De fato, me sinto cativada, como a raposa, como a flor, como o menino.
São muitos os devaneios, muitos os encontros e desencontros. Ao mesmo tempo muito a conhecer e descobrir e mais ainda a ser conhecida e descoberta...Muito, muito e muito. Mas sinto paz a cada devaneio, a cada enrascada em que ele me coloca e a cada sorriso que ele me tira em meio ao turbilhão de histórias que ele é. Acredito que em breve oficializaremos nossa música, se o dueto der certo, claro. Então venho aqui para te contar, caro leitor. A música? Contarei mais tarde, afinal as linhas já estão se acabando e ainda preciso continuar a escrever no me diário.
Então, ela pega o diário com a capa azul e sua chave dourada para abrir a capa e escrever mais um verso misterioso que o lápis não permite a nítida leitura. Não é um conto, não é um poema, nem uma palavra, mas um verso. Algo que somente ela consegue escrever, ler e guardar para si, pois ela acha que é dona de si. A jovem garota não imagina quais os desafios que a vida também traz, não por sua inocência, mas por seu exílio pessoal em meio a uma vida reclusa de tantas possibilidades. Ela não se conhece. A última frase do seu verso sai como uma borboleta de um casulo e posso te contar qual é, meu caro... Com a letra caligrafada, redonda e tão delicada ela finaliza:
Se não fosse o exílio não conversaríamos... Bendito exílio
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