Ela desamarra o laço vermelho dos cabelos castanhos e cacheados que há muito sempre estão presos pelo trabalho. Quem dera se fossem ruivos. Mas talvez se fossem, não combinariam com os olhos que também são castanhos. Ela pula da cama, olha os pássaros pela janela, voando em direção ao norte....Norte é tudo o que ela deseja. Ela veste o seu vestido mais lindo, cor verde, do pescoço aos pés, com a saia rodada e as mangas bufantes, calça suas botas pretas, coloca o cinto e pega sua mochila. Abre a porta do quarto, encontra os seus pais dormindo, desce as escadas na ponta dos pés, escreve um bilhete e sai de casa.

Ela colhe algumas rosas da roseira do vizinho para distribuir às pessoas que a tiverem cativado pelo olhar como um sinal de gratidão em tempos de tanto egoísmo, mortes e falta de dignidade. Ela monta em seu cavalo com toda a sua liberdade e sai por aí. Encontra uma criança chorando, entrega a flor. Encontra um senhor jogado no chão de uma esquina do vilarejo, desprezado, com odor terrível, mas digno de compaixão e daquela rosa. Mais alguns quilômetros Lisbela encontra na entrada da padaria onde sempre compra seus pães franceses para levar ao trabalho, uma bela mulher de olhos azuis e cabelos pretos vivendo por aparências. Nesse momento a moça dos cabelos de caracóis sente sua pele branca se arrepiar completamente e um mal estar toma conta da jovem. A podridão da mulher se exterioriza e ela percebe que a rosa deveria ser entregue àquela mulher.

Lisbela entrou na padaria, comprou seus pães agradeceu o padeiro e saiu. Os pães... Estes ficaram nas mãos daquele senhor, o segundo a receber a flor. As flores foram distribuídas ao longo do caminho. Mas a rosa mais bela não foi entregue, talvez ela tivesse um significado especial que ainda não tivera sido devidamente descoberto.

Pela primeira vez Lisbela optou por não ir ao seu trabalho. Preferiu se dirigir até as cachoeiras da cidade para sentir as águas, não de maço, caindo sobre a ladeira. A rosa com ela.... O tempo se fechou, gotas frias começam a cair do céu, quando a jovem se levanta para retornar ao seu caminho desencontrado avista de longe um jovem rapaz, de aproximadamente 1,90, vestido com roupas de cavalheiro sobre o seu cavalo preto. Seus cabelos loiros ou castanhos.... Não pude identificar, estavam úmidos pelas gotas da chuva. Ela o viu de longe, ele ainda não olhou em sua direção. Lisbela assustada corre para atrás das árvores, como se fosse se esconder de algo para melhor observar o jovem belo que a pouco avistara. Se esquecendo de sua mochila com aquela rosa especial, monta em seu cavalo e retorna para o vilarejo. Aquela imagem não sairia de suas lembranças tão brevemente, aquele rapaz, aquela roupa, aquele cavalo. A rosa e a mochila.... Não mais encontrou.

O rapaz? Permaneceu no local, estava precisando de um frescor, andando às margens do rio encontrou aquela rosa que tinha cheiro de moça e a mochila com alguns livros, poemas e versos em um diário de capa azul com uma chave.

De repente, prim-prim; prim-prim; prim-prim..... o despertador acorda a jovem moça. 5:45 da manhã, é hora de acordar! Que sonho de princesa! Incipiente. É hora de começar mais um dia. Ela pega o celular, abre a sua conversa com ele e manda o seu primeiro bom dia virtual, com cheiro de rosas, mas com uma rosa especial. Envia, com os dedos já preparando a resposta para quando ele responder. Ainda é cedo.

Ela toma banho e veste a sua blusa e calça brancas, desce a escada nas pontas dos pés, amarra o cabelo com um laço vermelho e sai, com seu carro rumo ao trabalho, sem flores e sem passar na padaria, mas sempre rezando ave-marias. Bom dia!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.