O que importa?

19 Convicções à prova


Notas iniciais
Nota: Como a melhor forma de acompanhar a ação de Dragon Ball Z ainda é assistindo o desenho, esse capitulo pula parte considerável da história e se atém a reflexões de Bulma e Vegeta imediatamente antes do começo da saga de Cell. Como eu acredito que quem ler essa fanfic já passou pela série, não descreverei batalhas ou nada parecido.

You broke the bonds

and you loosened chains

carried the cross of my shame,

of my shame

You know I believe it

But I still haven't found

What I'm looking for

(U2: I still Haven’t found what I’m looking for)

Bulma fazia pequenos reparos na máquina do tempo que havia trazido seu filho do futuro enquanto refletia sobre os últimos acontecimentos.

As coisas não haviam terminado pavorosamente mal, afinal, todos ainda estavam vivos. Mas não se podia dizer que tudo acabara bem. Na verdade, pelo jeito, nada havia terminado ainda... provavelmente, os problemas estavam apenas no começo

Cinco androides em vez de dois – e ainda bem que dois já estavam fora de combate; um dos androides destruídos era o maldito Dr. Mac Gero – e bem que ela nunca havia ido com a cara do cretino; Goku às portas da morte, embora medicado e se recuperando; ela e o filho quase haviam morrido num acidente (que Vegeta não movera UM dedo para evitar); seu filho, vindo do futuro, totalmente crescido e muito forte ao ponto de ter se tornado super sayajin; Vegeta derrotado pelos androides (mas ainda vivo) mesmo depois daquele treinamento tão rigoroso ao qual se submetera...

Mas naquele momento não estava muito preocupada com nada disso, havia algo a ser resolvido. Algo importante e que não parecia simples. Como uma máquina do tempo construída por ela de repente se multiplicava e agora havia duas máquinas do tempo? A resposta parecia bem simples, na verdade: a mesma máquina do tempo, de alguma forma, voltara duas vezes do futuro. E isso arrepiava sua espinha, principalmente quando pensava naquela estranha casca de ovo e no casulo que haviam encontrado... ela não sabia exatamente porque, mas algo lhe dizia que os androides eram o menor dos seus problemas.

Saber que havia construído uma máquina do tempo a enchia de orgulho de si mesma, mas não era nada comparável a ver o rapaz lindo que seu filho se tornara. Parecia uma mistura das melhores partes dela e de Vegeta. E era inteligente e forte. Ficou se perguntando se o fato de crescer num mundo tão duro o havia moldado daquela forma ou se ela havia, de alguma forma, o ajudado a se tornar tão forte.

Mas precisavam ter atenção... o que quer que tivesse levado aquela máquina do tempo àquele lugar, não parecia ser fruto de boa intenção.

Ela precisava se preparar para o fato de que tudo poderia dar muito errado e que Vegeta, poderia realmente morrer.

A chave que segurava caiu de repente, fazendo um estrondo na oficina. O pequeno Trunks começou a chorar e ela o pegou no colo, fazendo barulhos “Shh-Shh” para acalma-lo. Sua mente voltou ao exato momento em que achou que iria morrer, quando o Dr. Mac. derrubou sua nave. O cheiro de óleo, combustível e as ferragens retorcidas voltaram à sua mente. E a versão crescida do seu filho a socorrera, enquanto Vegeta só estava preocupado em ir atrás do androide.

Que raiva sentia de Vegeta... mas ela não podia esquecer que ele a avisara. E principalmente da promessa cheia de raiva que ele fizera, um dia antes do fatídico encontro: “Bulma... se é assim, então você está por sua própria conta... eu juro que não farei absolutamente nada para te salvar... ou para te por a salvo. E se alguma coisa acontecer ao meu filho, a culpa vai ser toda sua!”

Sim. A culpa era dela. Suspirou fundo e pensou no que teria acontecido se não tivesse aparecido e se tornado um ótimo meio de fuga para o Dr. Mac. Talvez Vegeta o destruísse e tudo já estivesse acabado, sem despertar de outros androides e sem risco para a Terra.

Ela sentiu um olhar atrás de si, como sentia quando Vegeta aparecia de repente na sala e ela estava vendo filme. Sorriu, sabendo que não era Vegeta.

Virou-se e deu com os olhos do seu filho, na versão crescida. Nunca ia cansar de olhar aquele rosto e se sentir grata por ter sido “descuidada” naqueles dez dias em que dormira com Vegeta. O rapaz tinha uma expressão ansiosa no rosto. Colocando a versão menor do seu filho no cercado que mantinha no laboratório ela o perguntou:

— O que foi, meu filho?

— Meu pai... ele não voltou por quê, mãe?

Bulma viu por um segundo que a expressão dele ficou tensa e ansiosa quando a chamou de mãe. Aproximou-se e acariciou de leve o rosto do seu menino e disse:

— Uma coisa que você precisa saber para lidar com o seu pai é que ele só faz o que quer. Se ele se sentiu frustrado e envergonhado por perder os androides certamente vai demorar um tempo para aparecer mas... ele vai voltar – ela sorriu, mas era um sorriso um tanto triste – cedo ou tarde ele volta, querido. Mal ou bem, este é o lugar para onde ele sempre acaba voltando.

O garoto sorriu e ela pensou: “vou fazer uma armadura para ele... aliás, posso fazer para todos”

Precisava trabalhar e ocupar a mente para não pensar em Vegeta.

***

A chuva batia gelada direto no rosto de Vegeta, que poderia repeli-la apenas usando o ki, mas não queria fazer isso. Desejava, de certa forma, que aquela chuva lavasse de sua alma do sentimento de fracasso que o esmagava. Por um instante lembrou-se da noite em que enfrentara a tormenta. Tanto treino, tanto esforço... e ele acabara derrotado. Malditos androides.

Começara tudo tão bem... tinha sido ridiculamente fácil matar o primeiro androide, e ele havia observado a luta de Kakarotto com ele por tempo suficiente para ter vantagens estratégicas e eliminar o outro de forma rápida e até fácil. E a partir daí tudo se complicou irremediavelmente.

Por um momento pensou em como Bulma fora imprudente, e em como aquele momento mudara tudo. Ali o Dr. Mac conseguira a oportunidade para fugir... e a fuga libertara aqueles androides que seu filho tinha tanto medo. Ele avisara... ele realmente avisara, e ela insistira em colocar a si mesma e o filho em risco. Mas ele podia dividir a culpa com ela, afinal de contas, também tinha responsabilidade no despertar dos androides.

Sabia que fora idiota e imprudente ao decidir que queria lutar com os tais poderosos androides. Uma vez, uma única vez ele poderia ter escutado um conselho racional e prudente, que vinha de ninguém mais do que seu próprio filho. E ele, em vez disso, socara o pobre garoto no estômago.

Mas o garoto... era difícil acreditar que o pirralho babão se tornaria um guerreiro super sayajin... se bem que ele reconhecera o potencial no menino assim que voltara do espaço, ao sentir seu ki e ver suas reações e movimentos. Mas vê-lo crescido, ele devia admitir, o enchia de um orgulho que ele não conhecia. E se aquela versão do garoto que crescera com ele morto era forte, aquele que ainda era um bebê, se fosse treinado por ele desde criança, seria mais forte ainda. Quando tudo acabasse, deveria treinar seu filho.

O problema era realmente conseguir vencer aquele terrível batalha, derrotar aquele maldito grupo de inimigos...

A derrota doía mais que tudo. O gosto do próprio sangue vinha à sua boca e ele crispava os pulsos de ódio. Agora, pelo jeito, estavam todos esperando Kakarotto para enfrenta-los, mas seria ele capaz de derrotar aquelas coisas? Seria o momento em que deveria unir forças com seu maior rival?

Ele não sabia como poderia superar os poderes que obtivera nos últimos meses. Novamente, como quando treinava para se tornar super sayajin, quando achava que atingira o limite, que alcançara o topo, era repelido para trás e para baixo, e parecia que teria que começar do zero.

Ali, no meio do nada, decidiu que iria treinar sozinho, como fizera até então, e só depois que estivesse mais poderoso, ele iria procurar os outros. Se estivessem mortos, faria o que pudesse, mas não morreria nas mãos daqueles malditos androides.

Sem aviso, ele explodiu uma gigantesca pedra numa colina adiante dele. Ficou observando satisfeito os minúsculos pedaços voando e desaparecendo no vale lá embaixo. Havia muito a fazer. Havia uma derrota a superar.

E ele treinou incansavelmente, por dias. Quando sentia fome, procurava animais no vale, matava e dava um jeito para assa-los. Podia sobreviver por muito tempo... então, muitos dias depois que começara a treinar, sentiu dois kis muito fortes e decidiu investigar o que seria. Era ao Norte. Levantou voo e seguiu aquele rastro, certo que naquela direção estaria sua redenção.

***

Bulma estava orgulhosa de seu trabalho. Ela havia conseguido recriar a invenção do Dr. Gero que limitava os poderes dos androides. E tinha armaduras quase prontas para Vegeta e os outros. Ela estava se sentindo muito produtiva e pronta para colaborar enquanto carregava sua nave querendo logo ajudar a resolver aquele problema.

Claro que havia a péssima notícia de que havia outro monstro, mas ela sabia que se todos aqueles lutadores que ela conhecia tão bem trabalhassem, se ajudando, poderiam derrotar a terrível ameaça. O difícil era convencer Vegeta a trabalhar com os outros...

***

Trunks encarava o pai, que há dois dias se recusava a treinar com ele. O rapaz era incapaz de entender por que não conseguia quebrar aquela barreira que o separava de alguém que ele aprendera a admirar sem conhecer, e a sua frustração crescia a medida que o pai o rejeitava.

Vegeta, por sua vez, mesmo orgulhoso do filho, queria saber até onde iria a sua persistência. Queria demais treiná-lo, mas o filho precisava aprender a controlar sua mente e sua vontade para não revelar tão facilmente a sua estratégia. E isso ele deveria conseguir sozinho...

De repente, o sayajin sentiu a aproximação de pelo menos um grande poder conhecido... Kakarotto e junto com ele só poderia estar Goham.

Certamente o que mais irritava Vegeta era ver Kakarotto sorridente e feliz como ele aparecera naquele momento. Mas quando o outro sayajin contou sobre a possibilidade de treinarem num lugar especial onde um dia equivalia a um ano, ele realmente se interessou. Mas havia uma coisa que ele não podia admitir...

— Eu e Trunks vamos primeiro! – ele interrompeu a explicação de Kakarotto, que o encarou sorridente.

— Ok. Vocês podem ir primeiro. Depois vamos eu e Gohan, depois Piccolo e os outros.

No caminho para a tal plataforma celeste, ele pensava em como treinaria e conseguiria fazer com que seu filho se desenvolvesse mais e melhor. De repente, um sorriso apareceu no rosto de Vegeta: ele sabia o que faria. O garoto treinaria sozinho, e ele faria questão de frustrá-lo. Exatamente como seu pai fazia quando ele era uma criança.

Trunks colocaria o método do Rei Vegeta à prova.

Notas finais
1. Espero não ter decepcionado quem esperava ver alguma coisa das batalhas do anime, mas meu foco é o romance entre Vegeta e Bulma, então, acabamos correndo por fora aqui. 2. Uma das grandes mudanças da personalidade do Vegeta, ao meu ver, se deve ao contato dele com o filho crescido. Aqui tento começar essa transformação. Ela se completa nos dois próximos capítulos. Faltam apenas 4 para o fim. 3. A música do U2 que eu escolhi para esse capítulo fala de dilema existencial. Pensei no Vegeta em sua jornada: Você quebrou os laços e afrouxou correntes que carregavam a cruz da minha vergonha da minha vergonha Você sabe que acredito Mas eu ainda não econtrei aquilo que eu procuro