O que importa?
11 A noite da tormenta
Notas iniciais
If I could hold this moment in my hands
Tonight I know I could not let it go
Thats why I keep on searching 'till I find
Just might destroy myself
But never mind
I'll be in heaven tonight
Be in heaven tonight
Be in heaven tonight
(Waysted: Heaven Tonight – The Good, The Bad, The Waysted 1985)
E, entre aproximações e tensões, eles conseguiram segurar seus desejos por um ano. Um longo e ansioso ano onde, de certa forma, alguma coisa parecia estar simplesmente errada para ambos, o que fez que se evitassem mais e mais. Nesse meio tempo, Bulma soube que Yamcha não voltara de sua viagem de treino, conseguira um contrato com outro time, longe da cidade do Leste, e que Goku finalmente tirara sua carteira de motorista – sem saber porque isso era tão importante para Chichi.
Por sua vez, Vegeta seguia cada vez mais calado, cada vez menos aberto à interação, a frustração se acumulando como um grande rio represado, tornando-se uma bomba relógio prestes a explodir. Sua obsessão por se tornar um super sayajin o atormentava dia e noite, e ele treinava mais de doze horas por dia, agora na câmara de gravidade interna, o que fazia com que ele e Bulma se encontrassem cada vez menos, mesmo vivendo na mesma casa. Apenas pela manhã se viam, e não era raro sequer trocarem duas palavras.
O que não significava, porém, que não pensassem um no outro.
Como faziam todos os anos, os pais de Bulma saíram em uma viagem de dois meses para visitar um santuário de animais em outro país, deixando os dois sozinhos na casa. Bulma não sabia mais se gostava da ideia de estar só com Vegeta, mas havia relevado por tanto tempo aquela atração que já não mais importava estar perto ou longe dele.
Foi então que a temporada de tempestades começou na Cidade do Leste, que era moderna e desenvolvida, mas sempre enfrentava problemas quando as chuvas do fim do verão chegavam, com seus raios, trovões e ventos que quase se equiparavam a furacões. Bulma odiava as tempestades: às vezes, a energia acabava cortada pela violência dos ventos por horas e ela precisava se refugiar, assustada, num canto da sala, ouvindo o vento que rugia e a chuva, às vezes de granizo, batia implacável nas janelas, das quais ela se mantinha prudentemente afastada. Passar a temporada de tempestades sozinha com Vegeta não era algo que ela quisesse, pelo menos não da forma como se relacionavam naquele momento.
E chegou, num fim de tarde, um alerta da cidade que era para um furacão de proporções assustadoras, como não acontecia há mais de dez anos. Bulma, sabendo que naquelas condições a câmara de gravidade não era segura porque a energia podia ser cortada a qualquer minuto, acionou o comunicador para chamar Vegeta, mas descobriu, para seu espanto, que ele não estava por lá. Procurou-o por toda a casa e na área externa, e viu que ele havia desaparecido. Como a nave estava no mesmo lugar de sempre, ela sabia que ele não podia simplesmente ter partido... olhou para o horizonte e viu as nuvens ameaçadoras que vinham na direção da cidade e, de alguma forma, soube onde ele estaria.
Trancou a casa, refugiou-se na sala de estar, apavorada, com medo pela chuva e do que poderia acontecer com ele, enlouquecido por sua obsessão por treino ao ponto de desafiar um furacão. Quando os ventos se intensificaram e os trovões anunciaram o começo da tempestade ela sentou-se no cantinho da sala e, em posição fetal, sentindo-se assustada e só. Logo depois, a energia caiu e tudo ficou escuro, exceto pelos raios que às vezes iluminavam a sala, seguidos logo depois por ensurdecedores trovões.
Vegeta sentira a tempestade muitas horas antes dela se aproximar. Não era como sentir um ki poderoso, mas a sensação era parecida. Ele desligou a câmara antigravidade e, exatamente como se fosse enfrentar um inimigo poderoso, vestiu sua armadura sobre a roupa de treino e saiu para o jardim, encarando o paredão de nuvens negras que se formava ao longe, muito acima das montanhas do sul. Acima dele o céu ainda estava azul, mas ele sentia que aquele poder vinha direto para cima dele. Era irresistível, era quase como se tivesse um adversário pela primeira vez em meses. Com os olhos fixos na tempestade, ele levantou vôo, sentindo finalmente que poderia dar vazão à sua frustração odiosa.
Antes de tudo, os ventos. Eles o atingiram, forçando-o a aumentar o ki para seguir reto, em frente. Então já não eram simples ventos, mas uma força descomunal da natureza que levou um sorriso insano ao seu rosto concentrado: logo, eram as pedras de granizo que se chocavam e explodiam contra seu corpo nas partes onde a armadura não o protegia, disparando agulhadas de dor que ele aguentava e repelia. Sabia que lutaria, não contra a tempestade, mas contra si mesmo, naquele dia. Aumentando cada vez mais seu ki, percebia que estava poderoso como jamais fora. Repelia os raios com gargalhadas insanas, Furava nuvens, sendo fustigado pela chuva e por pedras de granizo, externando com gritos todo seu ódio e sua frustação.
Ele estivera acumulando eletricidade desde que entrara na tempestade, e, de repente, um raio o atravessou, e ele sentiu a energia explodir no seu peito. Aumentou mais o seu ki e gritou, sendo atingido novamente, e assim, outra, outra e outra vez... A energia o atravessava mas não o feria. Ele sorriu sinistramente, porque era mais forte que a fúria daquela tormenta, ele se sentia mais forte que tudo.
E nesse momento, sentiu que podia. Ele podia ser, sim, um super sayajin. O poder estava lá, dentro dele. Um leve choque de energia percorreu seu corpo, gelado pela temperatura da tempestade que o envolvia, e ele sentiu um ligeiro calor. Não viu, mas uma luz amarela iluminou seus cabelos por uma fração de segundo. Mas a euforia daquele momento o desconcentrou e ele não conseguiu retomar o controle. Explodiu de raiva, ouvindo os próprios gritos contra os trovões e o vento, resistindo como podia para não ser tragado pela tormenta. Nesse momento, atingiu o olho do furacão.
O céu crepuscular apareceu, num azul que rapidamente escurecia, as nuvens se dissiparam e um vento morno o atingiu. Havia beleza naquele céu de fim de tarde, e, por um momento ele parou admirado vendo o cinza das nuvens se arroxeando para cima e se alaranjando próximo ao horizonte. Então, sabendo que aquela calmaria era momentânea, ele respirou fundo e se preparou para o que vinha a seguir, o refluxo do furacão, mais forte, mais destruidor, mais desafiador.
Mas ele, mesmo aumentando seu ki ao máximo, não sentiu novamente aquela centelha de energia diferente, e era inútil procurá-la. E antes que o fim da tempestade chegasse, sabia que o desafio não fora nem forte nem mortal o suficiente. Seu corpo estava fustigado pela chuva, arranhado pelo granizo, sua armadura chamuscada e rachada pelos raios, mas, apesar de tudo, ele não se sentia fracassado, porque sabia que talvez tivesse encontrado o caminho.
Era hora de voltar para o único lugar que conseguia chamar de casa.
Voando logo após a passagem do furacão, ele finalmente percebeu o estrago que a tormenta fizera na Cidade do Leste. Anoitecia, e sob a chuva agora mais fraca, bairros inteiros estavam às escuras. Via postes e árvores arrancadas, carros menores arrastados, pessoas gritando o nome de quem se perdera na tempestade pelas ruas e sentiu uma pontada de aflição no peito: sua euforia fizera esquecer que Bulma também enfrentara a tempestade.
O complexo da Corporação Cápsula parecia sólido e seguro, mas era uma massa escura no centro da cidade, que estava um caos. Ele via, conforme se aproximava da casa, prédios que também pareciam sólidos e seguros antes da tempestade e agora tinham vidraças quebradas e telhados arrancados.
Involuntariamente, ele começou a buscar pelo Ki de Bulma, mas quando o encontrou não sentiu nenhum alívio, porque percebeu que ela estava apavorada. Algo sério podia ter acontecido, e ele aumentou a velocidade, aflito por chegar até onde ela estava.
Seus olhos arregalaram-se quando ele viu... a nave espacial fora arrancada de sua base e jazia virada diante da construção principal, onde ele sentia o ki de Bulma. A porta da casa não estava visível: a nave a esmagara. Ele desceu no quintal e correu até entrada. Com um simples empurrão, tirou a nave de sua frente e abriu caminho pelo concreto esmagado, chegando sem dificuldade à porta da casa. Viu, com alívio, que embora a porta de entrada tivesse sido danificada e o fornecimento de energia interrompido, por dentro, a casa se conservava em perfeita ordem. Chamou por ela no hall de entrada, passou à sala de jantar e finalmente a encontrou, encolhida no canto da sala de estar às escuras, uma expressão apavorada no rosto.
Ele ia na direção dela quando ela se levantou, o rosto agora tomado por uma fúria que ele não conhecia. Ele parou onde estava e perguntou:
— Você está bem?
Ela o encarou, lívida de ódio:
— O que importa para você se eu estou viva ou morta, Vegeta? O que realmente importa? Eu me preocupei contigo e fui chama-lo, mas descobri que você não estava em lugar nenhum. E eu soube na mesma hora que você tinha ido enfrentar esse maldito furacão. Nada mais importa a você, não é mesmo? Só te interessa aumentar o poder, achar algum adversário mais forte, nem que isso signifique se matar lutando. Você é um monstro egoísta e mesquinho, eu desisto de tentar te entender! Maldita hora que eu me preocupei contigo, porque para você nada mais importa!
Ele ouviu tudo o que ela disse, reconhecendo o tanto de verdade em cada palavra que ela dizia, mas, ao mesmo tempo, entendendo que aquele discurso cheio de raiva e rancor só podia significar uma coisa. Ele andou depressa até ela, que ergueu os braços para bater em no peitoral de sua armadura e afastá-lo, mas ele a impediu segurando-a pelos braços, os olhos percorrendo o rosto dela rapidamente, aflitos até que seu olhar e o dela se encontraram.
Por um instante que pareceu eterno os dois se encararam. Bulma tinha lágrimas nos olhos azuis que tanto o encantavam, por mais que ele não confessasse, e, em contraste com o seu, gelado pelo tempo que passara na tempestade, o corpo dela parecia quente e convidativo. Ele disse apenas:
— Você importa para mim.
Então, beijaram-se. Nenhum dos dois saberia dizer de quem foi a iniciativa, apenas aconteceu, como acontecem as grandes tormentas e tempestades. Vegeta a envolveu com seus braços gelados, fazendo-a tremer, e ela o puxou para si, passando os braços em volta de seu pescoço. Ele sentia as lágrimas que molhavam a face dela, quentes, sentidas; enquanto ela sentia o corpo dele, marcado pela tormenta, ansioso por ela, passar de gelado a quente, conforme o beijo se intensificava.
De repente, ele a tomou nos braços e a carregou no colo, ainda beijando-a, e foi andando pelo corredor, na direção do quarto dele. Quando chegaram à porta, Bulma afastou seu rosto do dele e o encarou, dizendo:
— Minha cama é maior.
Ele finalmente sorriu para ela, um sorriso franco e aliviado e seguiu direto para o quarto dela, batendo a porta atrás de si.
***
Ele a depositou na cama delicadamente, mas não se deitou, ao contrário ficou de pé, encarando-a, olhos nos olhos. Bulma entreabriu os lábios e engoliu em seco, paralisada pela intensidade do olhar dele e não entendendo o que ele queria, até que percebeu que ele abria as presilhas que prendiam sua armadura nos ombros.
Em seguida, ele chutou as botas, e, silenciosamente, tirou as luvas e a malha rasgada que cobria seu corpo. Tudo sem tirar os olhos dela, e sem perder aquele olhar fixo, faminto, desejoso. Parecia impossível, mas o olhar dele, apenas a forma que ele a olhava, fazia Bulma sentir ansiedade, antecipava alguma coisa que ela sequer podia imaginar, mas que queria muito.
Não havia nada sob a malha de treino. Ele ainda ficou em pé, nu, diante dela um longo instante antes de dizer:
— Tire a roupa para mim.
Havia algo de extremamente erótico no olhar dele, que acompanhava cada movimento dela enquanto se despia, sentada na beira da cama. Talvez se ele a tivesse despido, Bulma não se sentisse tão excitada quanto estava quando finalmente tirou a calcinha e a jogou languidamente no chão. Ele avançou para ela, e, sem beijá-la ainda, segurou-a pelos ombros, examinando cada pedaço do seu corpo com os olhos, dos pés à cabeça, como se quisesse memorizar cada curva.
Quando o olhar chegou ao seu rosto ele disse:
— Nunca vi uma mulher tão linda quanto você.
Ele então, finalmente, deitou-a na cama e tornou a beija-la enquanto suas mãos percorriam seu corpo, o toque dele surpreendentemente suave contra sua pele macia. Logo, os lábios dele beijavam-lhe o rosto, mordiscavam sua orelha e desciam pelo pescoço, numa carícia demorada que a fazia gemer em antecipação. Precisa e metodicamente ele beijou seus ombros, mordiscou seus seios, sugando os mamilos, enquanto sua mão descia pela sua barriga até brincar com os dedos na sua maciez de sua vulva.
Nesse momento, Bulma o tocou, segurando-o delicadamente, o que fez sua respiração se acelerar, mas, não lhe arrancou um único gemido. Ato contínuo, ele mudou de posição e mergulhou o rosto entre suas pernas, fazendo-a segurar os lençóis e arquear o corpo enquanto a língua dele percorria lentamente seu sexo, numa tortura doce que a fazia tremer de prazer.
Bulma, no entanto, não era uma mulher que esperasse passivamente o que o parceiro planejava para ela e, tocando-o delicadamente o chamou:
— Vegeta...
Ele parou um instante e a encarou. Ela sorriu maliciosamente quando disse:
— Quero você na minha boca.
Ele retribuiu o sorriso e logo estavam dando-se prazer mutuamente, a boca quente dela o envolvendo enquanto a língua dele brincava com ela, agora aceleradamente, acompanhando o ritmo com que ela o sugava.
Bulma estava muito próxima do clímax quando ele a segurou repentinamente pela cintura e a virou, beijando-a profundamente enquanto se encaixava para penetrá-la. Ela sentiu sua respiração fugir quando ele mergulhou de uma vez nela, dentes cerrados, respiração acelerada, o corpo quente coberto de suor tocando-a da cabeça aos pés, olhando-a nos olhos com o mesmo olhar que a acompanhara tirando a roupa.
O ritmo com que ele fazia amor com ela agora era compassado, quase preciso, e ela repentinamente sentiu um calor e uma vibração que se concentrava diretamente em seu ponto mais sensível.
— O que... aah... o que você está fazendo... aaaahm Vegeta!
Ele não respondeu, apenas a encarou com aquele sorriso malicioso enquanto acelerava o ritmo, e a vibração se tornava insuportável, fazendo seu corpo todo tremer e pedir por mais e mais dele, até que ela cravou as unhas nas costas dele, enquanto desfrutava de um orgasmo profundo e prolongado.
Só então ele fechou os olhos e se permitiu gozar também, mas apenas soltando um suspiro profundo e buscando os lábios dela para um último beijo antes de desabar para o lado ofegante e satisfeito.
"Então... – ela pensou, lembrando-se de um comentário de Chichi – isso que é a tal manipulação do Ki..."
Deu uma risadinha e ele a olhou, sério:
— O que é tão engraçado? – ele perguntou, quase na defensiva. Ela não se intimidou e sorriu:
— Você é tão... silencioso.
— Te desagradou? – ele perguntou, ainda sério.
— Não. Foi a melhor transa da minha vida. – ela disse, sinceramente.
Ele deu um sorriso presunçoso e disse, puxando-a para junto dele:
— Eu sei.
***
Muito tempo depois, estavam deitados, nos braços um do outro, e Vegeta olhava para a chuva batendo na vidraça da janela, agora mais fraca, num murmúrio constante, enquanto ela, deitada sobre ele de bruços, a cabeça sobre seu peito, traçava com os dedos cada uma das muitas cicatrizes no seu torso. Os braços de Vegeta a envolviam e uma das mãos acariciava preguiçosamente as costas dela, enquanto a outra mexia nos seus cabelos.
Vegeta não conseguia acreditar na paz que sentia, uma sensação que ele ainda não conhecia. Por um instante na eternidade, parecia que não era nem um pouco importante se tornar super sayajin, ser um príncipe ou mesmo ser um sayajin. De repente, ele sentiu que ela espalmava a mão sobre a cicatriz que ele tinha no peito, bem sobre o coração e virou o rosto para ela, que o mirava intrigado.
— Essa cicatriz...
— Sim – ele disse – foi onde eu fui atingido por Freeza quando morri.
— Doeu?
— Mais no meu orgulho que no corpo – ele disse, sério. Foi rápido demais.
Ela esticou a mão e acariciou-lhe o rosto. Ele se retraiu por um segundo, mas então sorriu, e era um sorriso completamente diferente dos que ela já vira no rosto dele. Vegeta costumava sorrir de um jeito malicioso, um sorriso mau. Mas naquele momento, o sorriso dele parecia realmente sincero. Ela sentiu necessidade de dizer:
— Eu senti medo que você morresse lá fora. A tempestade parecia terrível.
Ele a encarou com uma expressão intrigada e então disse:
— Você sentiria minha falta, se isso acontecesse?
Ela riu e deu um beijo de leve no peito dele, antes de encará-lo e dizer:
— Lógico, seu idiota.
— Você seria a única pessoa no Universo a lamentar a minha morte. – ele disse, parecendo, na verdade, orgulhoso disso.
— Acredito. – ela respondeu – você é insuportável.
Ele riu. De repente, disse:
— Olhos como os seus são raros, mesmo em outros planetas. Quase nunca havia visto iguais até te conhecer.
— Sério?
— Sayajins sempre tem olhos escuros – ele disse e ela sorriu.
— Mas e aquele rapaz, ele tinha olhos azuis, não tinha? Aquele que falou sobre os androides.
Ele fechou a cara e ela se arrependeu do que tinha dito. Aninhou-se no peito dele, dando outro beijo leve no seu tórax. Vegeta, no entanto, continuou sério, voltando a olhar para a chuva que batia na janela.
— Hoje eu cheguei muito perto. Muito perto mesmo, pude sentir.
— De se tornar super sayajin?
— Sim. No meio do furacão, eu pude sentir... eu estou mais perto que nunca – ele a puxou mais para cima dele, e a encarou por um instante e disse – agora eu sei que vou conseguir. – beijou-a novamente, e ela retribuiu. Ainda não tinham tido o suficiente um do outro.
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