O primeiro dia
4 A morte espreita novamente
Notas iniciais
Dois anos se passaram, Víctor agora com 9 anos tinha que mudar de escola novamente estava passando do 3º estágio (pré-escola) para a 1º série, nova escola, novas pessoas e Víctor teria que se despedir de todos os rostos familiares, da professora Andréa e voltaria a sentir o medo de estar com estranhos Víctor se trancou mais ainda dentro de sua timidez e insegurança. E mesmo após dois anos Víctor não conseguia tirar Gabriel de sua cabeça e não conseguia entender direito a morte da mãe de Gabriel.
Nenhum de nós realmente entende a morte até que ela aconteça com alguém próximo a nós alguém cujo a presença era essencial para nossa vida ter sentido. Mas Víctor só esperava que Gabriel estivesse bem, esperava que esse incidente terrível com sua mãe não tivesse apagado a luz que ele emitia.
A vida de Víctor jamais foi emocionante, nunca vivia aventuras e sempre tinha medo do que era novo e assim como foi no 2º estágio (pré-escola) foi na 1º série Víctor sentou-se esperando que alguma das crianças que entravam na sala fosse Gabriel, cada criança que entrava na sala o coração de Víctor batia acelerado porem tudo isso em vão pois nenhuma daquelas crianças era de fato Gabriel nenhuma passou a imagem que Gabriel passava.
Meses depois Víctor começa a ser vítima de bullying era sempre chamado de gay e as vezes até o empurravam, certo dia Víctor estava caminhando por uma pequena praça quando viu 3 meninos vindo em sua direção Víctor imediatamente começou a correr e os meninos corriam atrás dele atirando pedrinhas e gritando "peguem esse viadinho!" Víctor correu, mas em um momento quando virou para trás um pedra acertou sua testa fazendo um pequeno corte. Víctor colocou a mão sobre o ferimento e continuou correndo com medo em seu coração até que chegou onde sua mãe estava.
–Filho o que foi? — Perguntou Maria com um tom de preocupação na voz
Víctor olha para trás e depois se vira para mãe e diz:
–Não é nada mamãe, apenas me machuquei enquanto brincava — Sua voz estava ofegante e o sangue escorria juntamente com o suor pelo seu rosto.
–Mais cuidado quando for brincar. — Advertiu Maria enquanto olhava atenciosamente para o corte na testa do menino.
–Sim mamãe. — Disse Víctor olhando para seus pés.
Sua mãe então o leva pra casa e cuida do pequeno ferimento em sua cabeça, depois de jantar Víctor escovou os dentes e foi se deitar, com de costume ficava lembrando do momento em que conheceu Gabriel e essas imagens ficaram na cabeça do garoto até que ele pegasse no sono.
Certo dia Víctor estava brincando com seus primos na casa de sua tia só estavam ele, suas 2 primas e seu primo na casa sua mãe e sua tia saíram para comprar alguma coisa na cidade e seu pai foi pescar com um amigo. Já era tarde quando Víctor sentiu algo ruim que o fez parar de brincar imediatamente, Víctor deitou-se no sofá e esperou alguns minutos, não demorou muito e sua tia e sua mãe voltaram sem nada nas mãos ambas estavam com cara de choro. Maria logo foi abraçando Víctor e sua tia logo sentou-se no sofá e começou a chorar.
–O que foi? — Perguntou Víctor enquanto olhava pra sua tia chorando no sofá, e seus primos igualmente confusos simplesmente parados sem entenderem nada.
–Seu pai foi viajar — Disse Maria chorando enquanto passava a mão nos finos cabelos de Víctor.
–Pra onde ele foi? — Perguntou Víctor sem saber o motivo de tanta choradeira pois era somente uma viagem.
–Pra bem longe — Respondeu a Mãe do garoto segurando-se para não chorar e abraçando seu filho fortemente como se tudo o que lhe restasse fosse ele.
–Mas ele vai voltar quando? — Perguntou o menino olhando para mãe.
Mas não ouve resposta, apenas a tristeza da mãe ao ouvir a pergunta, Víctor então sem saber o motivo pensou em perguntar a coisa mais absurda que podia.
–Ele morreu? — Perguntou o menino na maior das inocências.
Na hora em que Víctor disse isso sua mãe e sua tia começaram a chorar muito e o garoto então percebeu que o "impossível" tinha acabado de acontecer. Seu pai havia morrido, Víctor não sentiu a mesma sensação ruim de 20min atrás só que desta vez muito mais forte e então o menino começou a chorar também.
A noite foi longa assim como o resto da semana no velório de seu pai várias pessoas gritavam e choravam como se tivessem sentido a pior das dores, o menino porém só segurava a mão de seu pai que estava fria e ficava olhando para seus olhos na esperança de que eles se abrissem e seu pai voltasse do seu sono.
Mais tarde Maria chegou perto de Víctor e disse:
–Filho a mamãe vai passar a noite aqui e você vai ter que dormir na casa do seu tio Carlos ok?
–Ok...Mamãe — Disse Víctor sem questionar.
Víctor beijou a testa de seu pai e sussurrou no ouvido dele: "vamos nos ver novamente, eu prometo" então começou a chorar muito, sua mãe o levou até o carro do tio Carlos marido da irmã de Claudio.
–E ai garotão? — Disse Carlos olhando Víctor com um olhar um tanto quanto carnal.
Carlos tem 1,86 é bem forte tem barba mal feita mão grossas e grandes costuma beber muito, Víctor sentou-se no banco da frente e deu um beijo no rosto de sua mãe, Carlos ligou o carro e eles começaram a andar deixando para trás algumas pessoas que ainda choravam.
–Não se preocupe vai ficar tudo bem. — Disse Carlos colocando a mão direita no joelho esquerdo de Víctor.
Maria só se preocupava em como Víctor iria crescer como ela iria educar um filho sozinha enquanto Víctor esta no carro com o verdadeiro perigo.
Fale com o autor