Notas iniciais
Eu só sei agradecer? Realmente sim, pois me sinto mega feliz com os comentários, visualizações e tudo relacionado. Vocês são demais e deixam essa baixinha. Boa leitura e já sabem, toda e qualquer opinião é bem vinda.

Todos os dias eram exatamente iguais para ela. Os irmãos levantavam mais cedo, tomavam banho e ia preparar o café da manhã. O pai dos dois nem se levantava antes das dez horas. A mãe por outro lado, saia cedo demais. Antes que Ehtan descesse, ela estava saindo.

O cardápio do dia seria uma salada de frutas, algo bem natural e simples. Elisa comia qualquer coisa na escola as vezes, mas daquele dia em diante o garoto iria garantir que ela se alimentasse direito. A noite anterior fora digna de cenário de terror, ela realmente não conseguiu dormir direito. O corpo do irmão era um pecado para umas, mas para ela virou uma chave intransponível de sua cela pessoal. Seus olhos a seguiam por onde quer que ela fosse. O cansaço pelo peso excessivo nem se comparava ao que sua mente estava sentindo.

— Eu vou me atrasar um pouco, tenho que fazer algumas coisas aqui em casa antes de ir pra escola. — ele disse colocando o lanche para a irmã.

— Quer ajuda? — ela sugeriu. Tinha receio do que ele fosse fazer.

— Não precisa. Se você sair agora eu posso ir logo arrumar o que quero, nos vemos na escola. Vou perder a primeira aula, mas não tem problema.

Mesmo contra gosto Elisa saiu. Seus paços eram sempre lentos, o caminho era longo demais. Mais uma vez os tornozelos doíam. Sempre sentia como se eles fossem se partir em pedaços e por diversas vezes parava.

— Paradinha básica? — era um rapaz que até então ela nunca havia visto.

— Ah, uhm, sim. — não sabia bem o que responder ao estranho.

— Gostaria de carona? — ele apontou uma moto que estava parada perto de um carrinho de cachorro quente.

Uma pessoa em sã consciência não deveria aceitar carona assim de um estranho total. O mundo não era mais tão gentil assim.

— Desculpe, prefiro andar.

— Vejo pelo seu rosto que esta com dor.

— Eu prefiro andar. — ela insistiu.

— Tudo bem então Elisa, até a próxima.

Antes que ela pudesse embolsar qualquer reação o estranho subiu na moto e rumou em direção a escola dela. Nunca havia visto aquele rapaz, mas ele sabia perfeitamente o seu nome. Quem seria aquele misterioso estranho? O dia de aula foi como sempre é, as pessoas transpirando soberba. Adriana falava sem intervalos de como fora a sua primeira vez com seu

namorado e Elisa apenas tinha os toques do irmão em mente. Naquele dia um novo professor se anunciou para sala. Ficaria um semestre inteiro com eles e ensinaria Física.

— Espero que possamos ter um semestre agradável, meu nome é Leonny. Voltei agora da Califórnia e serei o responsável pela disciplina de Física de vocês.

Ouve murmúrios na sala. O professor era muito jovem e bonito, atraia atenções e tinha um estilo interessante. Elisa de imediato reconheceu o homem que lhe ofereceu carona. Ficou

um pouco envergonhada e ao mesmo tempo aliviada, pois sabia que ele conhecia seu nome da lista de chamada. Assim pensava ela. O resto do dia foi tranquilo, a hora de voltar iria ser tortuosa como sempre. Ela procurou captar o ar que seus pulmões precisavam. O dia estava bem quente, mas as roupas que ela usava eram de mangas. A fim de esconder as marcas das agressões que a mãe desferia contra seu corpo.

— Dessa vez vai aceitar a minha carona? — ela Leonny

— Ah, não. Eu estou esperando o meu irmão. — Ehtan não havia ido vista-la no intervalo das aulas como sempre fazia. Estava estranho e isso não era nem de longe um bom sinal.

O celular da garota vibra de súbito, uma mensagem. Quem seria?

' Quem é esse cara que esta com você ai?'

Era Lewis, mas onde ele estava. Ela deu uma volta em seu próprio eixo e não encontrou o garoto.

' Onde você está, eu não estou te vendo.'

' Hahahahaha. Estou mais perto do que você imagina.'

Aquilo arrancou um breve sorriso da garota. Enquanto isso Leonny observava tudo atentamente. Não o que ela fazia, mas Elisa em sí. A cor dos olhos, o jeito do cabelo, a forma como se vestia, calçava. Durante a aula ele fizera o mesmo. E ficou comparando como ela estava diferente do que ele conhecia.

— Vamos Elisa. — Ehtan surgiu do nada. A garota levou um susto e quase deixa o celular cair.

— Ehtan não é? — Leonny estende a mão para cumprimentar o rapaz. Que corresponde ao gesto. Isso é novo para a mais nova. Nunca vira o irmão falar assim com outro homem que se aproximasse dela.

— Sim, há quanto tempo. Você é o filho do amigo do nosso pai.

— Exato. Agora sou seu professor de física também.

— Entendi. Seja bem vindo e obrigado por ficar aqui com ela. Não gosto que caras idiotas cheguem perto da minha irmã. Mas sempre acontece não é mesmo?

— Pois é. No mundo de hoje, realmente temos de cuidar dos nossos amigos e parentes.

— Eu cuido. Como quem cuida da própria vida. — ele observou a menina que nada dizia.

Nesse instante o professor percebeu que havia algo errado ali. O semblante da garota não refletia orgulho pelo afeto fraterno e sim algo diferente. Quis dizer alguma coisa, mas o silencio muitas vezes é a melhor resposta.

— Mande um abraço pro seu pai. Diga a ele que no fim de semana eu irei visita-lo.

— Direi sim.

— Elisa, Ehtan, foi muito bom revê-los.

— Rever? — a garota rompeu o silencio.

— Sim, não sabia que eu já fui amigo de infância do seu irmão. — Ehtan nada disse. Deixou que o professor tomasse a palavra.

— Eu... — ela quis dizer.

— Creio que não lembre. Mas eu já frequentei sua casa algumas vezes. Você era muito novinha eu acho.

— Deve ser, por que eu não me lembro.

— Vamos deixar isso de lado, temos de ir Elisa. — Ehtan puxou a irmã pelo braço e passaram pelo professor, que agora estava ao lado de sua moto.

Um sorriso maroto brotou dos lábios do mais velho que disse baixo, mas não o suficiente para não ser ouvido.

— Um pirata sempre consegue o tesouro que quer.