O peso de uma escolha.
8 O socorro vem de moto.
Notas iniciais
O caminho para casa foi mais silencioso do que ela pode imaginar.
— Você o conhece? — Elisa perguntou ao adentrar a casa que estava mais do que silenciosa.
— Ele é filho do melhor amigo do nosso pai. Ele é mais velho do que eu três anos mais ou menos. Vivia enchendo o saco aqui em casa. — ele disse jogando a mochila no sofá e se deitando pesadamente nele.
Elisa ficou olhando o irmão, que parecia mais cansado do que o comum.
— Quer que eu prepare o almoço? — ela sugeriu sentando-se no sofá ao lado.
— Não precisa, eu vou jajá cozinhar alguma coisa.
Ela sabia que ele estava estranho, então institivamente passou a mão pela testa do irmão e notou sua febre.
— Você esta com febre. Vai tomar um banho e se deitar, eu cozinho alguma coisa.
Ele não disse nada. Não era de ficar doente, aquilo era um caso a parte. Sentando-se no sofá puxando a irmã para um abraço e lá ficou por cerca de um minuto.
— Eu vou fazer o que você pediu, certo? — ele a soltou indo tomar um banho, enquanto isso a mais nova cortava alguns legumes para tentar fazer uma sopa com eles. Algo quente e reconfortante.
Meia hora se passou e o alimento estava quase pronto por ser de fácil cozimento, ainda mais o frango que fora posto na receita.
Ehtan agora estava deitado novamente no velho sofá. O semblante abatido. A menina disse que iria tomar um banho e que ele ficasse observando o almoço que logo estaria pronto. Chegando em seu quarto uma surpresa. Ele havia trocado as camas. Colocou a dela, provavelmente, em seu quarto e a dele no dela. Uma cama Box, de casal, bem confortável e espaçosa. Exatamente o que eles precisavam. O quarto da irmã não era grande, mas ele despôs de tal maneira que ficou bem arquitetado. O rapaz tinha talento. Ela levou um pouco de tempo para se acostumar ao novo ambiente. Então era isso que ele estava fazendo. Não entendi o porquê de tudo. O que realmente havia naquele quarto que ela não podia ver.
Aproveitaria a doença do irmão e iria ela mesma checar o que estava acontecendo.
— Gostou? — uma voz surgiu atrás dela. Quando se virou recomposta do susto, o irmão estava parado na porta. Os cabelos castanhos claros bagunçados.
— Estou surpresa, você é muito bom com isso.
— Que bom que esta aceitável. — ele caminhou até a cama e se deitou nela. — Não gosto do cheiro que ela tinha, mas isso vai mudar. — ele sorriu.
— Ehtan, o almoço! — ela se lembrou da comida.
— Não se preocupa, já estava no ponto e eu fechei. Quando você acabar o seu banho, vamos comer.
— Certo, eu vou indo então. – ela assentiu indo pegar o que faltava para o banho.
Quando chegou ao seu guarda roupa para pegar peças limpas ela notou a ausência de seu perfume predileto. Não era de hoje que algumas coisas sumiam, eram pequenas presilhas de cabelo ou fotos que ela tinha da família. Uma vez uma blusa havia sumido. Deixava suas dúvidas de lado e nunca comentava nada com ninguém, mas depois da noite em que tudo mudou ela duvidava seriamente que aquelas coisas estavam em poder do irmão.
Logo estavam na mesa de jantar, tomando a sopa preparada pela mais nova. Nem sinal de Carlos que deveria estar no bar.
— Pode entrar, pode entrar. — um barulho de risos e conversa inundou a casa. Era Carlos que chegava com companhia.
Os dois que estavam acabando sua refeição fitaram o grupo que adentrava a casa. Eram Leonny e seu pai Elvis.
— Ora, vejo que chegamos em ótima hora. — Elvis disse brincalhão.
— Podem se sentar, são de casa. — Carlos disse apontando o sofá que ficava logo adiante.
Elisa nunca comia na frente de ninguém que não fosse a mãe, já que era obrigada a isso, e ao irmão. Esse ultimo era seu companheiro fiel de refeições.
Sentindo que a irmã estava desconfortável ele levantou e recolheu os pratos.
— Mais tarde fazemos um lanche. — ele disse baixinho no ouvido dela. Isso arrancou-lhe um sorriso e o pensamento de que ele queria muito que ele era um irmão maravilhoso.
— Meus alunos. — Leonny sentou-se no sofá cumprimentando Elisa e Ehtan.
— Boa tarde professor. — o mais velho disse secamente em direção a pia. A garota preferiu ficar quieta. Não tinha muito a dizer.
— Vou fazer as atividades da escola. — ela se retirou lançando um sorriso tímido para os convidados que nada disseram com sua partida.
— Querem almoçar? – Ehtan ofereceu por educação.
— Não obrigado. — Elvis se pronunciou. — comemos antes de chegar aqui.
— Certo, vou ajudar a minha irmã. – ele disse virando-se em direção as escadas que não ficavam longe.
— Por que não fica aqui conosco um tempo? — Leonny se pronunciou.
— Não, sinto muito. Eu tenho que ajudar minha irmã.
— Pelo que eu reparei, as notas dela são as melhores, então... Ela não precisa de ajuda. Você pode relaxar e se divertir aqui um pouco.
Ehtan estava perdendo a pouca paciência que tinha. Ele respirou um pouco e soltou o ar pela boca, depois pensou com cuidado e disse compassadamente.
— Eu não quero ficar aqui com vocês, peço singelas desculpas por isso, mas o melhor lugar desse mundo é ao lado da minha irmã. Não espero que entendam isso, mas eu não faço questão de ser entendido.
Retirou-se sem olhar para a face de surpresa dos convidados, Leonny começou a rir.
— Temos o dragão e logo a bruxa vai chegar. — Elvis começou a rir da afirmação.
— Quem salvará a princesa? — Carlos perguntou.
— Serei eu, o pirata que não desiste nunca. — Leonny completou com uma risada gostosa que ecoou pela sala.
Todos riram e passaram a conversar sobre a viagem do filho do amigo. O clima de alegria e as conversas calorosas podiam ser ouvidas do quarto da menina, que tentava esconder um sorriso pálido do irmão. Parecia que o clima quente estava voltando para sua casa. Só parecia, por que todos os dias haviam o cair da noite. E com ela a chegada de uma mulher raivosa e cheia de ira.
Sarah entrou pela porta com uma cara fechada, estranhou as visitas na sala.
— Boa noite. — falou secamente.
— Advinha querida, quem voltou? — ela olhou o rapaz que se levantava pronto para estende-lhe a mão.
Ela cumprimentou por pura conveniência. Estava muito irritada como sempre e não queria conversas.
— Ficam pra jantar? – disse antes de jogar a bolsa no sofá próximo a Elvis.
— Não, já estamos indo. — Elvis se pronunciou.
— Entendo. Obrigada por virem. Perdoem qualquer inconveniência do meu marido.
— Que é isso Sarah? Meu mais novo funcionário e sempre um exemplo de compostura.
— Funcionário? — ela se assustou e precisou sentar-se.
— Sim senhora. — o mais velho continuou. — Meu bar cresceu tanto que esta virando um pequeno restaurante também. Mesmo que não seja a área dele, Carlos é muito bom como contador. Precisando de um e aqui o tenho. — ele deu uma leve tapa nas costas do amigo que tinha um sorriso de orelha a orelha.
Sarah não estava nem acreditando no que ouvia.
Ehtan que estava descendo para preparar o jantar não acreditou no que estava escutando. O pai iria finalmente trabalhar. Pensou consigo mesmo se alguma coisa começaria a mudar a partir dali.
...
Era hora de dormir novamente. O rapaz estava gemendo baixinho por conta da febre. A irmã já havia lhe dado um medicamento e outro banho fora tomado.
— Descansa, amanhã não vamos à aula. Eu fico aqui em casa e cuido de você. — ela disse sobrando algumas roupas limpas.
Ele que estava deitado na cama, não evitou sorrir. Um dia inteiro sozinho com a irmã. Há tempos que não faziam isso. Ele estava um pouco feliz com o emprego do pai. Elisa também. Porem veio um breve descontentamento na garota, que não pode arquitetar seu plano de ver o que havia no quarto do irmão. Deixaria isso para depois. Terminado o que estava fazendo ela sentou-se na cama, acariciando os cabelos do irmão que sorria inocentemente de olhos fechados. Mas a mente nebulosa do rapaz não nutria alegria somente por isso. Tinha planos para o dia seguinte, que não podia esperar.
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