O peso de uma escolha.

14 Beije-me sem medo.


Notas iniciais
Espero que estejam gostando, desculpem a demora. Aguardo opiniões.

Ao abrir os olhos Elisa não sabia se o que havia feito fora algo bom ou não. Lenny por outro lado estava serio e seu olhar estava fixo no dela.

— Por que você fez isso? — ela perguntou baixinho. Um misto de timidez e confusão pairava por sua mente.

— Você talvez não se lembre de mim, tanto quanto eu me lembro de você. — ele começou dizendo, suas mãos ainda no rosto da menina. — Eu comecei a frequentar sua casa quando você ainda nem era nascida. Minhas lembranças mais antigas eram de quando eu tinha sete anos e você apenas três. Nossos pais brincavam dizendo que você seria a minha namorada um dia. Nessa época eu gostava de dizer que era um pirata e que andava pelos mares em busca de tesouros. — ele começou a rir, agora soltando a menina que ficou atenta a sua narrativa. — Seu irmão até brincava comigo, mas ele nunca gostou tanto. Já seu pai era muito meu amigo e dizia que eu iria salvar a princesa dele das garras do dragão e da bruxa. — ele riu fitando o chão. — Nunca imaginei que realmente você teria esses dois vilões na sua vida. Quem diria que as histórias que seu pai contava virariam a sua realidade. Então eu acreditei nisso. Seriamente, que eu seria o seu par, pelo resto da vida. Quanto mais fui crescendo, via você a cada dia mais bonita. Porém houve uma época da minha vida que eu quis me aventurar. E assim o fiz. Viajei, estudei fora, me formei e voltei. Tive namoradas, claro que tive. Mas por mais estranho que parece e mais surreal que fosse. Eu nunca tirei você do meu pensamento. Às vezes recebia noticias de você com meu pai, mas um dia essas noticias cessaram. Quando eu menos pude notar precisava urgentemente te salvar de verdade. — a menina agora estava ruborizada, não sabia que ele a conhecia assim. — Quando eu menos pude notar descobri o tipo de pessoa que você é. Amorosa, gentil, alegre e atenciosa. A nossa convivência é pouca agora, mas eu ainda sinto em mim aquela pequena e estranha sensação que senti quando te via. — ele pegou a mão dele e encostou em seu peito.

A menina o olhou surpresa, seu coração batia forte. E ele não lhe desviava o olhar.

— Eu voltei, por você, pra você.

— Eu não sei o que dizer. — ela falou por fim.

— Não diga nada, larga esse garoto birrento que te manda mensagens, vou te ajudar a superar o trauma que o Ehtan te causou e vou te mostrar o quanto eu posso fazer a diferença na sua vida.

Ela parou por um momento e ficou fitando o rapaz que a encarava com um sorriso. Elisa era sempre realista e sua confiança era quase zero, sabia que mesmo que o pai concordasse, ele ainda era o seu professor. Mesmo que ele pudesse estar sendo sincero ali com ela. Seu coração dizia que poderia confiar, mas sua mente recusava. Quem se interessaria por ela e assim tão rápido, tão fácil.

— Por que eu? Por que dessa maneira e tão rápido assim? — ela questionou o rapaz que a fitava.

— Nada aqui aconteceu de repente. Eu não te conheço de agora. Eu te conheço desde criança; Os sentimentos por você não estão sendo alimentados de ontem pra hoje. São mais de dez anos. — para convencer a menina ele retirou do bolso o celular, desbloqueou o aparelho e colocou em sua galeria. — Toma, olha essas fotos e depois. — ele disse indicando a direção. — As mensagens.

Elisa pegou o aparelho e se deparou com fotos e mais fotos dela. Quando era pequena, no seu aniversário de doze anos, e nas mensagens o remetente era sempre o mesmo, seu pai. Ela tomou a liberdade de ler algumas.

' Olá meu jovial pirata, sua princesa está crescendo. Espero que possa se casar logo e me dar netinhos. '

' Lenny, espero que esteja bem, como sempre estou mandando as fotos da Elisa. '

' Meu querido, seu pai disse que está levando a nossa brincadeira a serio. Espero que não. '

Ela percorreu nas datas para as mais atuais, encontrou algumas de semanas atrás.

'Querido Lenny, o quão difícil está a vida da sua princesa. Sei que isso é antiquado e muito sem sentido, mas, por favor, ajude a minha filha. Eu como pai já não sei mais como agir. '

Seus olhos se encheram de lágrimas, se impressionou o quanto estava frágil em relação a tudo. Ele realmente a conhecia assim tão bem, mas diferente do irmão o amor que ele parecia nutrir era mais tranquilo e verdadeiro. A menina por impulso abraçou o mais velho que correspondeu da mesma maneira. Ele a permitiu chorar um pouco, por pra fora a dor que estava sentindo. Entendia e sabia bem que se o próprio pai confiara ajuda a ele, não era pra menos. Ele realmente poderia ajuda-la. Assim sendo ela o fez.

— Estou com um grande problema.

— Eu sei me deixa ajudar. Eu posso não ser o cara mais legal do mundo, mas o que eu posso oferecer tenha certeza que será seu.

Confiando nas palavras do homem, a menina pegou o seu celular. Mostrou a eles as mensagens que recebia de Lewis e lhe segredou que ele lhe roubara apenas dois beijos. Lenny sentou-se mais confortavelmente no sofá e analisou a situação.

— Esse garoto, ele vinha aqui às vezes, me lembro dele. Mas não muda o fato de ele ser um covarde. — ele buscou palavras corretas, sua mente percorria as lembranças de Lewis. E pelo que pode observar na escola, era um garoto astuto. Era daqueles que não desistia fácil do que queria. O aparelho vibra em sua mão. Uma nova mensagem.

— Pode ler. — ela respondeu antes que o professor dissesse algo.

' Posso ir te ver hoje? Estou com saudades suas. '

— Posso responder? — ele disse com uma ideia em mente.

— Sim.

' Não estarei disponível hoje, se quiser, amanhã durante o intervalo poderemos almoçar juntos.' — ele mostrou a mensagem que havia digitado para a menina. Como assim? Ela não entendeu. A resposta veio como quase que imediata.

'Você sabe que não podemos nos ver assim em publico. '

' Entendi. '

Elisa teve o aparelho devolvido e leu as mensagens. Ela se sentiu mal novamente. Ele tinha vergonha dela. O telefone da casa toca e a menina se prontifica a atender.

— Eu não vou pra casa hoje, estou ocupada com o trabalho, vou ficar até tarde e durmo na casa de uma amiga. Avise ao seu pai. — era Sarah.

— Certo. — nem ao menos havia interesse em perguntar pelo filho.

— Sua mãe? — Lenny disse ao ver a menina indo a sua direção.

— Como sabia?

— Intuição.

— Acertou bem. — Elisa sentou-se novamente ao lado dele, que por sua vez não resistiu em beija-la novamente. Havia muito tempo que ele queria provar daquele beijo. E já que tinha acesso a eles, não queria esperar mais.

Notas finais
O que acham da atitude de Lenny?