O peso de uma escolha.

15 Sombra em seu caminho.


Notas iniciais
Hello! It's me >...< Olá a todos, espero que estejam bem, mais um capítulo fresquinho. Quero a opinião de vocês, já que é extremamente importante pra mim.

Um dia havia se passado...

Para Ehtan as horas se arrastavam sem fim, o quarto do hospital reinava em um silencio estranho. Para ele aquilo era uma tortura, sua mente não estava vazia, muito pelo contrário, frases lhe martelavam constantemente. 'Preciso de Elisa!’. ' Elisa está sozinha, preciso dormir com ela. ’. ‘Preciso sentir o calor dela. ’. ‘Ela precisa de mim. '

Essas eram uma das muitas frases que se repetiam e se repetiam. Ele estava de alta e aguardava apenas os pais irem busca-lo. Mas diferentemente do que ele pensava, não iria pra casa coisa alguma. Seu destino era um hospital psiquiátrico que era situado não muito longe de onde estava. O garoto não era bobo sabia que poderiam querer leva-lo para aquele lugar. Mas tinha em mente, como se comportar. No dia anterior enquanto ele fingindo estar dormindo ouviu um murmúrio de uma enfermeira, comentando que ele seria levado para tal local a fim de fazer uma avaliação psicológica. Ele entendia e sabia muito bem o que fazer. Seu celular fora lhe devolvido como uma recompensa. Desbloqueou o mesmo e ficou olhando as fotos da irmã. Tinha uma pasta que era guardada por senha, nela havia as fotos que ele mais gostava. Um sorriso brotou de seus lábios, ele sabia exatamente o que queria naquele momento. Seu corpo pedia muito mais do que sua mente, mas afastou a ideia, por enquanto. Logo estaria fora daquele lugar e poderia conquistar o que mais queria.

Seu sorriso era algo enigmático e ao mesmo tempo delator de seu distúrbio.

— Você já pode se arrumar pra ir. Seu pai está aqui. — uma enfermeira disse-lhe logo se retirando.

Assim sendo o rapaz se arrumou e parecia outro. Trajava uma camisa de mangas longas, que cobriam bem os pulsos que foram cortados. Logo chegou onde o pai estava o aguardando.

— Ehtan. — o homem disse abraçando o filho. Que não correspondeu, mas também não afastou o pai. — Vamos a outro hospital agora, você precisa passar por um médico especialista e...

— Eu sei tudo bem. — ele surpreendeu Carlos, que ficou pensativo sobre quem teria dito ao filho alguma coisa sobre isso. Respirou fundo, não podia fraquejar.

—Tudo bem. — o caminho foi silencioso, como era de ser esperado. Quando chegaram não foi demorada a espera para que o rapaz fosse atendido. Ele conversaria com um psicanalista que o avaliaria para saber se haveria a necessidade dele ser internado ou não. Assim sendo o rapaz entrou na sala do médico.

Na sala de espera Carlos tentava sem sucesso contatar a mulher. No dia anterior ele chegara em casa do trabalho e como sempre encontrou uma casa limpa e uma Elisa quieta. Ela estava estudando uma matéria a esmo. Tinha um sorriso no rosto e um ar feliz. Ele não quis se intrometer nisso. Pensou que Lenny fosse o responsável e estava satisfeito com isso. Mais tardar naquele dia Sarah chegou do trabalho. Não dirigiu a palavra a ninguém e logo foi pro seu quarto. Carlos a seguira e a puxou para um abraço. Sensação essa que a mulher não havia sentido há muito tempo. Mas diferente do que ele esperava ela correspondeu e deitaram-se juntos na cama do casal. Lá ele narrou a ela os detalhes sobre o filho e seu problema. Ela se manteve quieta, apenas observando o homem e ouvindo-o com uma atenção disfarçada.

— Me perdoe. — ele disse por fim.

— Pelo que? — ela balbuciou.

— Por ter deixado a nossa vida cair em um buraco, nosso filhos sofrem por minha culpa.

Ela nada disse, naquele dia parecia entorpecida e dormente. Resultado causado pelo excesso de calmantes que tomava.

— Não pensou mais nisso. Aliás, faz tempo que eu não penso mais em nada. Apenas quero ganhar dinheiro e me manter viva. — ela disse em tom seco. No fundo ele sempre souber que aquela mulher que era amável, carinhosa e gentil havia morrido a um tempo.

— E nossos filhos Sarah? Você sabe o que Ehtan fez. Em nenhum momento você estranhou o comportamento dele? A forma como ele tratava a irmã ou algo do gênero?

Ela deitou se de lado a fim de encarar o marido.

— Eu não prestava atenção neles.

— Só descontava a sua raiva em Elisa. — ele completou com um pesar na mente. Ele sentia que estava perdendo, a cada dia, sua esposa. Quis chorar, mas não podia mostrar a ela que estava tão acabado ou fraco. Queria que ela visse que ele teria forcas para ajudar a família a se reerguer. — Eu ainda te amo muito Sarah. — ele disse em sussurro.

— Eu já não sei mais. — ela disse sentando- se na cama. Seus cabelos estavam desgrenhados e ela sentia um desespero invadir sua mente. Tudo estava ruindo e ela não sabia como lidar com nada daquilo. Tinha ciência de ter sido uma mãe ruim, uma esposa ruim. Mas ao mesmo tempo culpava o marido por se afundar nas bebidas, por trazer pra dentro daquela casa aquele clima de contenda. Estava em um impasse. Estava com raiva. Queria sumir. Tomar seus medicamentos e cair em sono profundo. A crise que a atormentava estava cada dia maior.

Carlos entendia tudo aquilo e sentiu a necessidade de acalentar a esposa. A puxou novamente e acolheu-a em um abraço apertado. Ela desabou mais uma vez e deixou que as lagrimas tingissem o lençol com sua dor.

Aquela lembrança não saia de sua mente e mesmo com ela ele se manteve firme. Uma hora se passou desde que o filho entrara no consultório e quando o homem estava cochilando sentado a porta se abriu.

— Foi muito bom conversar com você. — o médico dizia a Ehtan. — Espere aqui um pouco que eu preciso conversar com o seu pai, tudo bem? — o médico disse.

Sem entender o olhar contente no rosto do filho, Carlos adentrou o consultório, tendo a porta fechada atrás de si pelo profissional.

— Bom dia senhor Dicksen. — ele disse estendo a mão para um cumprimento casual.

— Bom dia doutor Morgan. Bem, como está meu filho? — ele perguntou.

— Aparentemente ele está bem. O que houve provavelmente foi uma maneira de expulsar o estresse. Ele comentou que o senhor bebia muito e que não os dava atenção, assim como sua esposa que agredia sua filha sem motivos. O senhor sabe bem que esses são quesitos que podem fazer com que a guarda dos seus filhos seja perdida? Agressão ao menor, sem motivos é crime. — o médico vinha trazendo bombas que foram jogadas no homem. Seus olhos estavam estáticos. Ehtan havia dito tudo o que se passava em sua casa e isso não eram pontos positivo.

Refeito do baque que sofrera, Carlos informou ao médico tudo o que estava fazendo para proporcionar melhorias na sua casa, como também às conversas que teve com a esposa.

— Preciso avaliar os dois. Tanto o senhor, quanto sua esposa. Assim como a pequena Elisa.

E assim sendo, os dois ficaram em uma consulta por mais de uma hora. Carlos procurou ser sucinto. Estava um clima tenso e seu medo era grande. Pensou por um momento com quem os filhos ficariam. Tanto seus pais quanto os de Sarah já haviam morrido. Mas ela tinha uma irmã que morava em outro estado, era casa, tinha dois filhos homens. E ele tinha dois irmãos, um mais velho e um mais novo, que moravam juntos e não eram bem o exemplo de responsabilidade. Ficou apreensivo de que os filhos pudessem ser mandados para morar com Tiana, a irmã da esposa. Respirou fundo e procurou não se desconsertar.

Enquanto isso Elisa estava na escola. Era o horário do intervalo. Foi almoçar com Adriana, que lhe contava detalhes de seu novo estilo, enquanto a menina concordava e elogiava. Era sempre o mesmo e não mudava nada. Seu celular vibra e ela sente uma pontada no peito. O nervosismo inunda sua mente. Nunca tinha ficado tão nervosa como ficara.

'Mais tarde estaremos juntos. Estou voltando e dessa vez ninguém vai nos separar. '

— O que foi Elisa? Você está muito pálida. — Adriana disse parando com o falatório.

— Eu,eu,eu...- a menina gaguejava quando foi surpreendida por Lewis que chegara a pouco tempo próximo a elas.

— Nervosa Elisa? — ele disse sem entender o motivo. A menina estava tensa e bastante abalada. Não contava que o irmão sairia de onde estava tão cedo.

— Oi Lewis. — Adriana falou animada com a aproximação do menino. Sempre teve uma queda por ele e tinha em mente que a chegada dele fora por sua causa.

Quando menos esperavam o sinal para voltar às salas tocou. Elisa foi a primeira a se retirar e estava aflita e visivelmente abalada. O resto da manhã correu bem, mas na saída a menina teve uma surpresa.

— Vim te buscar. — disse o irmão com um sorriso matador.

Notas finais
Lewis ou Ehtan? Dos dois, qual é o melhor?