Notas iniciais
Talvez este prólogo tenha ficado curto demais, espero que gostem e me desculpem por eventuais erros de ortografia.

Após tanto tempo a deriva no metrô carregada de malas e mais malas, finalmente receava ter chegado a Shinjuku, onde meu pai havia deixado registrado em seu testamento que entre os bens deixados a mim após sua morte, uma cabana e uma parte de um terreno florestado deveriam ser constados em meu nome.

Ao chegar percebi que era um lugar desolado, quieto,tão nulo de barulhos se considerado a minha antiga casa, aliás este lugar sempre fora desolado mas na companhia de meu pai isso quase não era notável, tantas coisas ali havia vivido, tantas brincadeiras, e um ano após a morte de meu querido pai, resolvi voltar ao local onde nasci, para ver se conseguiria me livrar de tal peso, tais memórias, e problemas.

Estava tudo uma bagunça do jeitinho que deixamos há muitos anos atrás em nossa última vinda, as porcelanas e toda a prataria guardadas do mesmo modo que meu pai houvera deixado, nos primeiros momentos apenas quis relembrar meus velhos tempos de criança, este local que tanta alegria já havia me proporcionado havia se tornado tão triste, eu era capaz de perceber o ar negativo que pairava sobre aquela floresta onde eu iria passar talvez o restante de minha vida.

Optei por desembalar minhas bagagens, a cabana precisava de uma repaginada, apesar de tão bem preservada após tantos anos sem utilização, algumas teias de aranha, um certo tanto de poeira, mas nada que eu não pudesse dar jeito em algumas horas, e assim eu passei minha manhã.

Havia chegado a hora do almoço apesar de tudo eu sempre soube lidar com a agricultura, as plantações que meu pai havia deixado na colina atrás da cabana, surpreendentemente sobreviveram ao tempo, e estavam produzindo muito bem, só precisaria adubar um pouco todos os dias e manter tal cuidado. Colhi algumas verduras que ali haviam brotado, e eu havia trazido macarrão instantâneo em minhas coisas, então resolvi improvisar algo.

Após comer, resolvi organizar um pouco as coisas, e depois tentei apenas relaxar, sentir o vento soprar em minha face, e mergulhar de novo em meus pensamentos, que eu havia simplesmente jogado no profundo abismo existente em minha mente até aquele momento.

Estava lembrando de meu pai e nosso tempo juntos, admito não era a "filha perfeita" mas procurava sempre orgulhá-lo, indo bem na escola e procurando ficar longe de encrencas apesar de ser um pouco "cabeça quente" minha mãe morrera muito tempo atrás, eu era nova porém a presença de meu pai fizera com que eu ficasse submersa e esquecesse da morte da mulher que havia me gerado.

Foi quando avistei algo instigante, uma raposinha em pleno inverno? era tão incomum que eu precisava segui-la, desci o barranco no qual se encontrava a cabana, e corri atrás da raposinha — azulada com um reflexo vermelho nos olhos e tingida por um verde inexplicável— , sem querer enrosquei-me numa árvore, meu pé havia se prendido no vão de um tronco, em um local tão afastado ninguém iria me ouvir gritar, e não havia nenhuma ferramenta por perto.

A dor era inevitável, toda minha vida passou diante de meus olhos, tanto tempo perdi chorando e me lamentando, e foi exatamente isto que comecei a fazer sem querer deixei que escorresse uma lágrima e incessantemente soltei gritos de raiva, gritos de dor, gritos de tristeza, eu estava apenas desabafando naquela situação pois certamente a dor não era tanta, meu psicológico ainda estava muito abalado. Eu pensava apenas no momento em que vi meu pai morrer, todo aquele sangue, por um tempo até buscara por vingança mais de nada adiantaria.

Quando me dei conta havia a silhueta de um garoto se aproximando de mim, ao inicio me assustei, mas então ele passando a mão por meus cabelos, como se quisesse me acalmar, me fez perceber que não estava em perigo e foi então que aquilo que me parecera um espírito sussurrou em meus ouvidos:

— Se desprenda do seu passado, se liberte dessas correntes pesadas que te prendem, olhe pra frente ao invés de somente olhar para trás, e certas coisas você não deve descobrir, nelas não deve interferir, viva em seu mundo, não ultrapasse essa linha mais do que isto, se não aqueles demônios predadores que te espreitam irão te possuir, não seja tomada pela escuridão, clareie seus pensamentos, mas não venha para esse lado da floresta, entendeu bem?

— Sim, mas quem é você?

—Apenas alguém que muito quer lhe proteger, meu nome não importa, apenas se cuide e fique afastada daqui.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma palavra ele havia desaparecido, minhas lágrimas não mais escorriam, meu pé havia se desprendido, quem seria aquele ser misterioso? por algum motivo ele me causara certa nostalgia.

Aquela voz me soara tão doce e arisca ao mesmo tempo, me lembrou o jeito que meu pai falava, mas era tão melodioso, fiquei levemente curiosa, desejava saber mais sobre aquele ser que me ajudara, seria apenas um espírito? e a raposa que eu vira? por certo me lembrei que em minha infância já havia visto aquela raposa e adorava brincar com ela.

Notas finais
Bem, espero que gostem, depositei muito do que achei necessário nesta história, apesar de isto ainda ser apenas um prólogo, bem espero que tenham apreciado, agradeço muito se leram até aqui, e dicas, assim como criticas construtivas são sempre bem vindas ^-^