Notas iniciais
Bem pessoal decidi voltar para vocês seus lindo, fazia que não aparecia aqui no Nyah , mas estou de volta com um trabalho novo e com uma temática nova.

O vento soprava docemente, no rosto da pequena Ana. Seus cachos rubros se espalhavam pela grama verde escura. Sua pele branca como a lua, esculpia um rosto juvenil, com traços arredondados e leves, lábios carnudos que pareciam sempre fazer um biquinho e seus olhos, a parte mais bela, julgava ela. Estavam fechados, hipnotizados no transe dos sonhos, escondendo a cor de um azul oceano, tão denso quanto às próprias águas dos mares.

Ela se mexeu levemente, tentando ficar ainda mais confortável, contudo um som fez com que o silêncio de seu sono fosse embora. O canto dos pássaros ao seu redor fez seus olhos se abrirem lentamente como se a velocidade fosse reduzida para que apreciassem cada detalhe da cena. Um bocejo escapou pela sua boca, antes de franzir o cenho e olhar ao redor se perguntando o que tinha acontecido? Ela não se lembrava de ter chegado ali, muito menos de ter deitado ali, porém ela não se sentia assustada ou com medo, de alguma forma aquele lugar trazia calma e paz.

Um vestido branco simples cobria seu corpo de boneca de porcelana, para muitos olhares, Ana parecia uma boneca viva, ela não gostava muito do título, mas com o tempo se acostumou ao ouvir aquilo. Agora, ao ver usando aquela roupa, realmente se sentiu como uma boneca, tão delicada, tão leve, tão frágil. Levantou-se rapidamente, cruzou os braços e olhou firmemente para o cenário que a cercava.

Árvores das diversas formas e tamanhos criavam um bosque, lar dos pássaros que haviam tirado seu sono. O vento sussurrava entra as copas, fazendo as folhas cantarem sua música. Mesmo não sabendo que estava acontecendo, Ana se sentia bem, se sentia calma. Era essa a energia que a circulava. O céu se misturava cores como naquelas grandes pinturas famosas, laranja e azul esbranquiçado, criando uma paisagem de transbordar os olhos. Nunca havia percebido tais coisas em sua vida.

Tão entorpecida por admirar o poder da natureza que não pode perceber que uma estranha se aproximava. Uma mulher com cabelo e roupas que pareciam ter vindo de várias épocas diferentes. Seu cabelo estava feito em um penteado dos anos cinquenta, mas alguns fios teimavam em fugir, fazendo com que todo emaranhado de mexas fosse cair a qualquer momento. Seu vestido lembrava algo da época do império, porém as lantejoulas coloridas vibravam no tecido sujo e gasto, junto com uma maquiagem extremamente borrada, ou melhor, dizendo, totalmente destruída.

- O que faz aqui menina? Vamos a festa logo vai começar. – Falou a mulher atrás de Ana, fazendo com que a menina recuasse.

- Quem é você? – Foram as únicas palavras que conseguiram passar pelos lábios dela.

- Eu sou quem eu devo ser, Madame Matriarca. – O tom de sua voz era esnobe e ao mesmo tempo engraçada, nem mesmo Ana pode conter a leve risada fugir de sua boca.

Madame Matriarca a analisou dos pés a cabeça, tentando entender o motivo da risada.

- Algum problema? – Perguntou ela olhando dentro dos olhos de Ana.

- Nada. – Respondeu Ana em seco e recuperando a postura.

- Certo. – Madame Matriarca estendeu a mão para Ana. – Vamos a festa logo irá começar e todos deveram estar lá.

- Que festa? – Ana deu um passo para trás. – Que lugar é esse? – Seus olhos se estreitaram ao se encontrarem novamente com os de Madame Matriarca. Como ela poderia ir com uma mulher que nunca tinha visto na vida? E ainda ela não sabia como havia parado lá, que lugar era aquele? Ela podia sentir que lá nas profundezas de seu coração começava a ferver o medo, agora que sua cabeça parecia totalmente dispersa do sono, havia muitas coisas sem entender.

- A festa com aqueles que moram aqui. – Falou Matriarca rindo. – E o que importa que lugar ser esse, quando você se sente em paz.

A resposta de Madame Matriarca não fazia o menor sentido na cabeça de Ana, era como se as palavras apenas fossem ditas sem nenhum sentido, sem nada a informar. O que e que esteja acontecendo a jovem Ana imaginava que tudo que estava em um sonho e que logo iria acordar, porém as sensações eram tão reais, tão presentes que tornava difícil acreditar que aquele maravilhoso lugar fosse apenas criação de sua pequena imaginação. Afinal, ela nunca fora uma menina criativa ao ponto de imaginar algo assim. Ela beliscou com força seu braço direito, ao ponto de fazer seus olhos lacrimejarem, na vulga esperança de acordar novamente em seu quarto bagunçado, porém se deparou com os olhos curiosos de Madame Matriarca a estudando, como se perguntassem o que ela estava tentando fazer.

- Chega de perder tempo menina. Venha! Temos que terminar de organizar as coisas para a festa. – Madame Matriarca a pegou pelo braço e a puxou por entre as árvores rumo a dois cavalos que pastavam ali perto. – Vamos, suba. – Ordenou a mulher.

Ana olhou para os dois animais, eram grandes e fortes, traziam olhos selvagens e fascinantes. O que trouxe a lembrança da pequena fazenda de seu avô, ele tinha alguns cavalos, contudo ela nunca havia reparado nos animais, na verdade ela raramente iria lá vê-los, tinha receio de se machucar ou se sujar. Contudo, agora olhando agora para beleza vivida do animal, não tinha medo nenhum deles.

Um dos cavalos era branco com olhos escuros e densos, sua crina estava presa em algum tipo de trança, ele relinchou calmamente quando Madame Matriarca se aproximou e montou no animal, o que a deixou ainda mais com uma imagem estranha, ela parecia uma nobre pobre.

- Suba nesse aqui – Falou a mulher para Ana apontando para o outro cavalo.

A sua cor lembrava chocolate derretido, seus olhos eram como o âmbar e sua crina lembrava o céu sem estrelas e entre os olhos uma mancha branca se formava em um circulo distorcido. Ana encarou o animal que a retribui ao mesmo instante, isso a intimidou, mas não afastou a vontade que estava sentindo de monta-lo.

Ana juntou forças e foi ao lado do animal, sua mão deslizou pelo corpo forte do cavalo que relinchou em resposta a sensação, ela nunca havia sentido aquilo, aquela ansiedade de fazer algo que julgava perigoso, quantas vezes seu avô a chama para montar e ela apenas negava com receio. Foram raras as vezes que havia feito isso e essas poucas vezes foi com seu avô ao lado controlando o animal o tempo todo. Agora ela não teria ninguém lá controlando o cavalo, mas ela não se importava queria arriscar, não sabia como explicar o motivo de querer aquilo, mas queria, foi então que as palavras ditas por Madame Matriarca resoaram em sua mente: E o que importa que lugar ser esse, quando você se sente em paz. Ela se sentia em paz, por isso não sentia medo de fazer aquilo. Não importava agora qual era o lugar ou quais eram as circunstâncias que a tinham trazido ali, se era um sonho ou não. Ela apenas queria montar aquele belo animal e desbravar o bosque que a cercava.

Ela montou rapidamente no animal, até mesmo se espantou pela facilidade de ter feito aquilo. Já em cima do animal segurou em sua crina e apenas ouviu Madame Matriarca dizer que era para segui–la antes de começar a corrida para algum lugar desconhecido.

Notas finais
Então o que acharam? me sai bem?
Até a próxima pessoas